CALEIDOSCÓPIO
Parte 21 – Recontro
Hermione não aparatava/desaparatava havia oito anos. Concentrou-se profundamente para executar essa forma muito difícil de magia, pois poderia correr o risco de deixar alguma parte de seu corpo para trás. Era esse seu maior temor durante os milésimos de segundo de sua dobra espaço/tempo. Mas tal temor foi esquecido completamente quando soube que havia terminado a brevíssima viagem e ecoando apenas ficou em si a estranha sensação de uma pressão interna e outra externa duelando entre elas.
Relutou em abrir os olhos, porque queria, mesmo que não muito consciente disso, sorver cada ligeiro instante daquela sensação de liberdade, de transpor espaços em milésimos de segundos, praticamente estando em dois lugares ao mesmo tempo.
Mas esse instante passou. Sentiu que seus cabelos e seu vestido se assentaram após pararem de sofrer a ação da pressão que a impulsionou em sua aparatação. Ainda havia uma leve nuvem de poeira em sua volta, que também se assentava e diluía ao ambiente, e, com a visão ainda turva pela mudança de claridade – agora estava na penumbra da plataforma 9 ½, vazia àquela hora – viu um borrão escuro há alguns metros a sua frente. Quando sua vista realmente se acostumou com a pouca claridade local, sem nenhum motivo suficiente importante que justificasse isso, seu coração falhou em uma batida.
Pensou apenas no nome, mas não o pronunciou.
Snape estava parado em pé, frente ao banco de madeira onde passou a última hora esperando por Hermione. Estava receoso - e imensamente feliz, de fato - mas não demonstrava absolutamente nada em seu semblante ou em quaisquer de suas atitudes. Apenas observava Hermione passivamente, com sua habitual expressão amímica.
"—Então, ela realmente veio..." – Pensou. E se forçou a esconder o sorriso de satisfação que sorria por dentro, pois certamente isso assustaria a moça.
No momento em que Snape achou que Hermione estava estupefata, seja pelo uso da magia, seja pelo lugar ou mesmo por sua presença, a moça falou num tom imperativo, sem vacilos, e sem demonstrar seu próprio receio, que tinha certeza que ela também sentia. Estranhamente, ele se sobressaltou com a voz dela, que ecoou pela plataforma vazia.
—Não poderia ter escolhido um lugar pior, Sr Snape.
Snape sorriu. Ele sabia que Hermione detestaria ter de estar na plataforma 9 ½ de King Cross, pois ali era, simbolicamente, a entrada para o Mundo Bruxo, um mundo que ela repudiava. Isso seria uma forma de testar o quanto a moça estaria obstinada para saber o que houve durante seu coma, e provaria o quanto era importante ela ter certeza das sensações que possuía sobre esse episódio, pois disso ele tinha certeza, de que ela se lembrava de muitas coisas e sabia que não se tratava apenas de mero sonho.
Levou as mãos aos bolsos laterais de seu longo sobretudo, e avançou até Hermione em passos largos e decididos. Reparou que a moça trincou os dentes e fechou as mãos em punhos... ela estava nervosa.
Não a culparia por isso. Ele também estava, talvez até muito mais do que ela.
—Como vai Srta Granger? – Perguntou, quando parou próximo a ela, em frente.
Hermione torceu os lábios, num muxoxo surdo. Não respondeu nada e Snape pareceu não se importar com tal atitude infantil e continuou, como se não houvesse interrupção.
—Recebi o seu recado por Minerva. Vim no tempo que tenho disponível e saiba que não é muito, logo as aulas começarão. E Minerva sugeriu que eu a encontrasse em um lugar que, tenho certeza, a senhorita acharia muito pior...
Hermione não entendeu absolutamente nada, principalmente o tom gentil com que Snape se dirigia a ela. Seria um cinismo da parte dele ou estava mesmo sendo sincero? —Mas, o quê...?
Snape continuou: —Minerva sugeriu que o encontro fosse em minha casa, em West End... só não consigo imaginar o que essa bruxa velha tinha em mente para me sugerir isso... – Terminou num tom quase inocente, virando-se para o lado da linha, observando o vazio da estação.
Hermione ficou atordoada. Snape mentia ou falava a verdade, afinal? Teve um impulso de pegar o celular e ligar para McGonagall, perguntando se ela havia mesmo sugerido que ELA fosse até a casa de Snape... em West End??
—West End? – Hermione estacou com a mão formigando para pegar o celular dentro de sua bolsa. Apenas um reflexo irracional, já que não poderia ligar de qualquer forma, estando ela num local mágico (onde a aparelhagem trouxa não funciona por conta de interferência mágica) e estando Minerva em Hogwarts, provavelmente o lugar mais mágico da Grã Bretanha. —Mas West End é um bairro residencial de Londres... o senhor tem uma casa na Londres Muggle?! – Perguntou, por fim, muito espantada.
Snape sorriu em resposta, avaliando a moça abobada ao seu lado. Antes que suas observações desandassem para a admiração, ele próprio se cortou em relação a isso.
—Tenho certeza de que a senhorita tem dúvidas importantes que quer esclarecer, Granger. Não foi para saber onde moro na Londres Muggle que você fez esse sacrifício de vir até aqui, não é mesmo?
Hermione percebeu que estava agindo feito tola, e se aprumou, deixando transparecer seriedade.
—Claro que não, sequer sabia disso, até agora... – Vacilou ao sentir um repuxo gelado no peito. —...eh... eu... – Simplesmente não conseguiu juntar as palavras para formar uma frase coerente, e todo o seu aprumo indo por água abaixo.
Se Snape ainda fosse tão burro como já foi há alguns anos atrás, certamente que faria uma troça sobre a vacilada de Hermione. Mas os tempos eram outros. Não havia mais a necessidade de manter uma pose arrogante e intratável, pois não havia mais a necessidade de manter pessoas afastadas dele, por medo de elas correrem riscos somente por estarem envolvidas com ele, outrora Comensal da Morte e Agente Duplo.
Não, os tempos eram outros...
—A senhorita quer saber o que houve, de fato, durante o tempo em que permaneceu em coma, depois de ter sofrido a maldição Crucius Kedrava... – Snape se virou de frente para Hermione, encarando com benevolência (e, até mesmo, carinho) a moça que permanecia cabisbaixa. — ... o por que de ter sobrevivido à maldição, quando ninguém mais sobreviveu e... se as impressões que tem deste tempo são mesmo verdadeiras... – Snape foi cauteloso ao dizer sua última frase, se aproximando mais um pouco de Hermione, que então o encarou, parecendo aflita, e permaneceu muda.
Hermione resolveu encarar seu ex-professor de Hogwarts e, ao se deparar com aquele rosto macilento e olhos negros e profundos, teve certeza de já ter vivido situação semelhante e, também, tinha certeza que não foi nenhuma situação na época da escola ou da Ordem da Fênix.
Foi um novo déjà vu. E agora ela tinha certeza de que o homem que estava em seu sonho durante o coma era Severus Snape!
Mas... ele se utilizou de experimentos, de poções, e tudo isso poderia ter sido quimicamente manipulado, não poderia?
Ela não poderia cair em armadilhas. Precisava de provas ainda mais contundentes para ter certeza absoluta sobre isso.
Snape entendeu que o silêncio de Hermione era uma relutância e uma precaução da moça. Como previu, não resolveria isso com apenas palavras.
—Eu tenho a verdade que quer saber, Srta Granger, mas para eu lhe dar essa verdade, é necessário que a senhorita esteja disposta a recebê-la...
Hermione voltou a baixar sua vista para suas sandálias, e respondeu num sussurro quase inaudível.
—Podem... podem ter acontecido mil coisas... pode ter sido apenas um efeito colateral... ou mesmo um efeito de meu próprio psico...
Snape retirou as mãos dos bolsos, trazendo juntos um chumaço de pergaminhos dobrados e um frasco vedado com uma rolha, contendo um líquido translúcido, como fosse simples água.
—Eu poderia simplesmente lhe dizer, Hermione... mas eu sei que não está apta a crer no que lhe falarei... talvez seja mais uma vez eu manipulando a verdade em meu favor por conta de algum motivo torpe que só diz respeito a mim... – Snape falou mansamente, com um fundo de tristeza, e pediu silenciosamente calma à Hermione, quando ela começou a se manifestar em protesto ao que ele dizia. —...Eu sei que faço as pessoas pensarem assim de mim e não as culpo por isso, menos ainda você... sei que não está pronta para me ouvir e sei que seria pedir demais de você isso, eu sei o que tem passado.
Snape suspende a mão direita de Hermione, depositando em sua palma o chumaço de pergaminho.
—Aqui está uma cópia da poção que usei para ajudá-la a despertar do coma. Sei que ainda se lembra dos efeitos de cada um desses ingredientes e sei que chegará a conclusão do que eles, juntos, podem fazer... mas, essa poção, eu usei em mim e não em você. Potter também fez uso desta poção para tentar trazer o Weasley de volta...
—Trazer de volta?
—Sim... quando você ler a receita e ler as informações, entenderá o que quero dizer com isso.
—Se Harry e o senhor usaram a mesma poção, por que Rony não sobreviveu, então?!
—Calma, Hermione... existiram outros fatores que fizeram Weasley sucumbir e são aquelas mesmas que falei à família dele no velório... isso não tem a ver com merecimentos, com quem fez uso da poção e sequer tem a ver com a poção em si. Ronald Weasley não poderia sobreviver, de qualquer forma, seria muito mais doloroso para ele e para todos os outros ligados a ele... mas, você... Você tinha todas as condições físicas para isso e se está aqui hoje é porque escolheu assim...
Hermione se exasperou. Veio para acabar com suas dúvidas e parecia que acabaria surtando ao invés de sair esclarecida desse encontro. —Como assim?! Minha escolha?! Mas que maldit...
Snape levou a mão livre ao rosto de Hermione, encarando-a mais profundamente nos olhos, como se quisesse enfiar razão a força na cabeça dela.
—Escute, Hermione... leia o que há no pergaminho, analise por si mesma, e entenderá... e... – Snape colocou o frasquinho de líquido cristalino na mão livre de Hermione. —Isto é Memore Veritate, uma variação da poção Veritasserun... é um poção que faz quem a ingere lembrar exatamente o que quer lembrar, algo que ajuda a organizar as próprias lembranças, separando o que é imaginação do que é a memória de fato. Se quiser realmente se lembrar, com toda plenitude, do que ocorreu em seu campo mental durante o efeito do coma, use essa poção, de preferência quando estiver em casa, em local confortável, pois ela a deixará em estado de torpor, em outras palavras, em êxtase mental...
Hermione arregalou ainda mais os olhos, encarando boquiaberta a Snape, que já havia se afastado dela em alguns passos.
—E... e espera que eu acredite realmente que essa poção é exatamente para isso e que me lembrarei do que devo lembrar ou o que quer que seja?!
Snape apenas suspirou profundamente, dando ares de cansaço.
—É algo muito simples, Hermione Granger: não há nenhum motivo, nem o mais remoto motivo, para eu a ludibriar. Embora muitos pensem isso de mim, eu não me divirto com coisas do tipo. Estou dando a você aquilo que veio buscar. Sei que ainda não está preparada para assimilar muitas coisas que ocorreram e menos ainda preparada para a verdade que tenho para lhe dar... você acreditaria ainda menos em minhas palavras se eu simplesmente as dissesse... então, estou lhe dando recursos para ver com os olhos de sua própria mente. Fazer uso disso é questão de escolha sua, como tem sido em tudo em sua vida nos últimos anos. Você é quem sabe, Hermione. Apenas não pense que eu gostaria de lhe prejudicar em qualquer coisa que fosse, porque eu jamais faria isso, sob nenhuma hipótese.
Hermione, ruborizada, baixou sua vista para suas mãos, onde em uma havia o chumaço de pergaminho e na outra o fresquinho de poção. Foi o tempo suficiente para Snape desaparatar sem se despedir e sem fazer o estardalhaço que Hermione fez ao executar a mesma magia, provando o quanto ela estava mesmo desabilitada.
Foi apenas um rápido e baixo estampido, e a habitual pressão de ar. A moça ergueu rápido a cabeça, encontrando apenas o fluxo de pó onde havia antes Snape. Apertou com força os objetos em suas mãos, numa raiva repentina, mas logo se abrandou, suspirou fundo e fez o mesmo: desaparatou dali, e aparatou dentro de seu apartamento, o que nunca havia feito antes, mesmo morando ali há sete anos.
Ao abrir os olhos e se deparar com o ambiente claro de sua sala, que ainda estava iluminada por um restilho de luz do dia, que já se esvaia, achou estranha essa sensação, a de usar magia para estar ali. Por um lado (que ela tentava sufocar) gostou de voltar a experimentar a facilidade que a magia proporciona, mas, por outro, achou uma blasfêmia invadir sua própria casa dessa forma, usando algo que ela proibiu terminantemente, até mesmo a sua menção a respeito.
Mas já estava pensando demais no assunto e isso a cansava. Aborrecida, meneou com raiva a cabeça, tirando a bolsa do ombro e jogando sobre o sofá, arrancando as sandálias com os próprios pés e tomando rumo à cozinha. Precisava urgentemente de um café forte ou uma boa xícara de chá.
Snape também aparatou dentro de sua casa, em West End. Sentou pesadamente sobre sua cama, deixando seus ombros arriarem sobre os braços que buscavam apoio nas pernas. Seus cabelos longos escorreram por seu rosto e ombros, quase encobrindo-os. Ficou olhando cegamente o chão em mármore negro.
—Por que é tão difícil? Tão difícil enfrentar uma situação dessas? É tão mais simples e fácil lidar com o ódio... mas... o seu inverso...
Jogou-se de costa, caindo pesadamente sobre a cama larga, que rangeu em protesto. E deixou que suas mãos deslizassem do seu rosto para os cabelos, afastando o mínimo fio que ali estivesse, e permanecendo dessa forma, com os olhos focados cegamente no teto e as duas mãos apoiadas sobre a cabeça.
—Foi assim com Lily Evans, que mantive afastada por burrice, esperando um momento certo que nunca chegava, até que minha tolice e arrogância a afastaram para sempre. E agora, séculos depois, Hermione, que ainda está me dando muito mais tempo que jamais tive antes, mas que posso vir acabar perdendo, da mesma forma por... por não saber como lidar diretamente com isso...
Tapou o rosto com as mãos e bufou para si mesmo, aborrecido: "—Droga!"
Depois de muito mais calma, depois de sua adrenalina ter baixado para os níveis normais com a ajuda de algumas xícaras de café forte e muito açúcar, Hermione resolveu, por fim, pegar o bolo de pergaminho dobrado e ler o que ali estava.
Abriu-o com cuidado, como se temesse que se esfarelassem em suas mãos, embora fossem novos como se tivessem acabado de sair da loja. Havia quatro folhas manuscritas, a primeira perfeitamente perceptível que se tratava de cópia de algum livro.
Hermione estreitou os olhos, vincando o espaço entre as sobrancelhas. A letra manuscrita e rebuscada atrapalhava um pouco a identificação da palavra... mas o problema não era a forma das letras que dificultava a leitura, mas as próprias letras que, na verdade, estavam mais para um tipo arcaico de ideograma do que em letras italianas, intercalado com o que parecia ser letras antropomorfas (Letra ornamental cujos traços são formados pelo desenho de uma ou mais figuras humanas). Pela disposição do estranho texto dava para perceber que se tratava de um parágrafo longo de informação, seguido de uma lista com uns seis itens e mais um texto mais ou menos longo. Hermione riu com amargura e sarcasmo. Só podia mesmo ser uma brincadeira, pois se não dava para identificar aqueles hieróglifos, menos ainda saber que maldito idioma era aquele!
—Que cretino! Que diabos é isso, afinal?! Não se parece com nada que eu já tenha visto! Ele só podia estar mesmo de brincadeira comigo!
Com raiva, Hermione passa para o segundo pergaminho, encontrando uma espécie de carta, que mostrava claramente não ser uma cópia, mas sim original e escrita à pena e tinta (ainda brilhante, por ser muito recente), com letras estreitas e alongadas para cima que Hermione reconheceu ser o mesmo rabisco que Snape fazia no quadro negro ou nos seus desagradáveis recadinhos nas correções das provas. O semblante da moça se fechou, permanecendo rancoroso, e se forçou a ler o que ali estava...
"Srta Granger;
Imagino que esteja um tanto aborrecida com o que acaba de ler, ou, melhor dizendo, com o que não conseguiu ler. Não foi uma brincadeira de minha parte dar-lhe esta cópia da receita da poção que usei, em caracteres que, acredito, sejam estranhos a você. Trata-se de um antigo idioma, usado em Lácio, mesma localidade e anterior à Roma. O próprio manuscrito data aproximadamente de 2500 anos atrás. É uma arte da Necromancia e a poção é uma forma de se entrar em contato com os mortos, através de narcóticos, sem ser um necromante (que obviamente não precisaria desses artifícios). O livro deste manuscrito é uma das relíquias de Hogwarts. Não me pergunte como chegou até ali, sendo o livro mais antigo que o castelo em mais de 1500 anos, mas ele faz parte do acervo ulltra-reservado que apenas os professores pode ter acesso.
Na página seguinte encontrará a tradução em inglês que fiz com a ajuda de Dumbledore e Sprout, que conhece mais nomes de plantas em milhares de línguas que qualquer outro neste hemisfério! Na tradução você própria reconhecerá os elementos, pois, certamente, os estudou em Herbologia enquanto esteve em Hogwarts.
Leia e tire suas próprias conclusões. Sinta-se à vontade para perguntar o que quiser. Dumbledore mandou avisar que está a sua disposição, caso queira saber de detalhes. Igualmente poderá contar com Pomfrey e Sprout, se assim quiser.
E ainda há a poção que lhe dei. A receita dela está na última página, caso queira garantir seu total conhecimento a respeito dela, também está a forma de uso e seus efeitos. Agora, a decisão é sua. A escolha também. Você tem sua vida de volta graças a essa pequena relíquia de dois mil e quinhentos anos. Uma arte obscura que ajudou a trazer-lhe de volta a esta vida. Tendo o devido conhecimento, tem todo direito ao julgamento.
Severus Snape"
Hermione soltou um muxoxo de raiva, agora não sabendo mais o que pensar de Snape. Obviamente que ele continuava a dar ares de professor e aquela carta mais parecia um texto explicativo do que propriamente uma carta. Agora com sua curiosidade despertada em décima potência, virou para o terceiro pergaminho, onde encontrou novamente a letra de Snape, palavras intercaladas com alguns rabiscos e observações em quase toda a borda do papel; mas também se tratava de uma cópia, como o primeiro.
Mesmo que a própria letra de Snape fosse quase uma forma mais elegante de hieróglifo, e haver muitas palavras reescritas, foi possível ler claramente, devido aos sete anos de experiência em decifrar o que o professor escrevia no quadro.
Ela foi arregalando os olhos, conforme foi passando pelas palavras, ficando boquiaberta com os exóticos ingredientes da poção. Conhecia, de fato, as plantas ali mencionadas; faziam parte dos cultivos especiais da professora Sprout, que se esforçava ao máximo para recuperar antigas plantas que eram consideradas extintas e evitar a extinção de outras. Obviamente não chegou a estudar o uso daquelas plantas, em sua maioria, pois aquilo era nível elevadíssimo, para Herbologistas profissionais, mas, em suas quase infinitas pesquisas na biblioteca de Hogwarts, viu muitas vezes as menções delas em livros sobre Botânica e Herbologia e, graças a sua memória privilegiada, lembrava-se de algumas de suas aplicações, pois eram associadas à plantas que ainda eram cultivadas em abundância, embora não oferecessem exatamente os mesmos efeitos.
E pode constatar que todas eram, sem distinção, narcóticas, cujas doses mais elevadas se tornavam totalmente venenosas e letais.
Terminou a missiva com o coração aos saltos. As observações finais deixaram bastante claro que a composição daquelas substâncias poderia levar o usuário à morte, em muito pouco tempo. Não foi capaz de ler mais nada e sequer permanecer sentada na poltrona onde estava. Largou a papelada sobre a mesinha de centro e pôs-se a andar pela sala, divagando.
Ela tinha certeza de que Harry era muito capaz de fazer uso de algo do tipo para tentar salvar qualquer um de seus entes queridos, mesmo que houvesse uma chance em mil para isso. Ele era bem capaz de correr risco de morte por alguém que ele amasse e com certeza o fez por Ron...
Mas... Snape fez uso dessa poção? E fez por ela??
Estacou, levando a mão pesadamente sobre o encosto da poltrona onde antes estava sentada, apertando o estofado com força. Precisava raciocinar, precisava fazer isso com calma e lógica.
O que poderia acalmá-la era a brisa que entrava pela janela. Não havia nada para se ver ali além de prédios por todos os lados e apenas uma réstia de céu, agora em azul escuro e com apenas umas débeis estrelas que conseguiam aparecer sobrepondo-se à imensa claridade que havia de luzes artificiais das ruas e construções. Abriu a janela e o ar noturno e fresco entrou com vontade na sala, brincando com as leves cortinas de organza e empurrando os pergaminhos que ficaram expostos sobre a mesinha.
Hermione deixou o vento quase frio bater com vontade em seu rosto, brincando com seus cabelos que começavam a alcançar os ombros. Fixou sua vista nas luzes distantes dos outros prédios, se acalmando quase que imediatamente.
Era uma injustiça julgar Snape incapaz de arriscar a própria vida por outras pessoas. Ele fez isso praticamente toda a sua existência e foi ele quem ajudou a matar Voldemort e a derrubar o Círculo das Trevas. Foi espião de Dumbledore e esteve dentro do covil do inimigo, correndo o risco a todo o instante de ser morto tanto pelos Comensais quanto pelos Aurores... logo, Snape era, sim!, capaz de pôr sua vida em risco por outros.
Mas, "outros" pode-se dizer que é a sociedade, a liberdade, a justiça, uma geração, e não uma única pessoa, ainda mais ELA!
Não mesmo?
A verdade é que tinha medo da constatação. Ou achava demasiado ridículo para ser verdade. Impossível para bem dizer. Não era lógico.
Ele sempre a tratou com desprezo, parecia até ter repugnância por ela, enquanto fora aluna de Hogwarts. Acreditava nisso por crer que ele era um mais um daqueles sangue-puros que exaltavam até a ponta dos cabelos a pureza da raça e honradez de uma família composta legitimamente por apenas bruxos igualmente de famílias tradicionais. Teve que descartar essa hipótese quando descobriu, através de Harry, que Snape era na verdade filho de pai trouxa, logo um mestiço. Durante a Ordem, ele abrandou seus maus modos da época de escola, como se tivesse perdido o gosto de cultivar o desafeto dos outros.
Mas será que ela tinha todas as condições possíveis para poder julgar? Àquela época ela ainda era cega por Harry e não percebia outras pessoas ao seu redor que não fosse ele. Pequenas gentilezas certamente passariam despercebidas.
Com raiva de si mesma por desperdiçar energia em divagações tolas, voltou até a mesinha de centro, onde pegou o último pergaminho que restava a ser lido e o frasquinho de poção. Tinha que direcionar suas energias para descobrir – ou se lembrar – do que a fez voltar a este mundo e não seguir adiante, como Rony pode fazer. Ela levava uma vida que odiava, vivia uma rotina que odiava, trabalhava com coisas que odiava e não via nenhum sentindo em se esforçar para mudar essa quadro, pois, em sua mente, nada tinha valor suficiente para isso, pois nada traria seus pais de volta, nem os tempos em que fora realmente feliz, nem seus amigos, e jamais teria Harry.
Lutar pelo quê, afinal? Nada valia o esforço.
Leu rápido o pergaminho, constatando que os ingredientes ali escritos produziam efeitos que alterariam o estado de consciência. Já havia ouvido falar, em época ainda de Hogwarts, de poção semelhante, que muitos bruxos foram pegos usando para prestar provas de concursos.
—Que diferença, afinal, fará eu me lembrar de sonhos tolos que tive durante o coma?
Achando tudo uma tolice, achando que perdeu tempo em ir falar com Snape, e achando que foi em vão se obrigar a entrar na plataforma 9 ½ de King Cross, Hermione recolheu os pergaminhos e o pequeno frasco de vidro, embolando tudo em suas mãos e indo com estrépito para o banheiro, jogando fora dentro da lixeira ao lado do sanitário. Tirou suas roupas sem paciência e se enfiou, de cabeça, debaixo do chuveiro elétrico, soltando vapor por causa da quentura da água. Para ela, aquele assunto estava encerrado.
Snape não conseguiu relaxar e, além disso, começava a sentir fome. Foi procurar por algo na geladeira e freezer, mas ambos não tinham nada para oferecer. E, além de fome, sua ansiedade o estava deixando com sede, mas de álcool. Não pensou duas vezes, saiu pra sala, passou a mão por seu sobretudo que estava largado displicente sobre o encosto do sofá cor de cobre e saiu. Pensou primeiramente em ir pro bar do Tom, o Caldeirão Furado, mas não estava disposto a encontrar nenhum conhecido, não estava com a mínima paciência e disposição para ter uma conversa fiada com quem quer que fosse. Iria para um pub qualquer, o primeiro que lhe parecesse convidativo.
Desaparatou logo que vestiu seu sobretudo negro. Aparatou, instantes depois, numa travessa escura e quase deserta, não fossem por dois gatos que saíram bufando apavorados perto de alguns latões de lixo. À frente do beco havia muita iluminação e Snape seguiu, saindo em umas das ruas de vida noturna mais agitadas da Londres muggle.
Não era tarde, apenas passava um pouco das nove da noite. Como ainda era meio de semana, não havia tantas pessoas assim pelas calçadas ou nos bares, mas, mesmo assim, ninguém deu por nota um homem soturno saído de um beco sem movimento. As pessoas estavam tão entretidas umas com as outras, com suas conversas inúteis e suas bebidas com alta porcentagem de álcool, que Snape acreditava que não seria notado mesmo que tivesse aparatado em meio a elas.
Andou alguns metros até encontrar um bar que a aparência lhe tenha agradado. Parecia mais um café que um bar, e talvez fosse mesmo ambas as coisas, com suas vidraças enormes com molduras de vermelho berrante e interior com uma iluminação sépia fraca e leitosa. Entrou, olhando para os lados. As mesas que ficavam ao lado das vidraças estavam todas ocupadas, então se dirigiu às banquetas altas de frente ao balcão. Não demorou muito para ser atendido.
—Uma Guines, por favor, em long neck.
O barman logo trouxe a garrafa de cerveja, que Snape dispensou o copo, bebendo diretamente do gargalo. Voltou sua atenção à tv de tela grande suspensa na parede, ao final do balcão, onde passava o telejornal da noite, da BBC Londres. Mostrava uma cena de confusão, onde um homem jovem andava praticamente aos empurrões, sendo conduzido por três policiais, ao fundo havia uma multidão de pessoas que eram mantidas afastadas por um cordão de isolamento improvisado por outros policiais e viatura. A imagem de má qualidade indicava que, provavelmente, foram feitas através de alguma câmera de segurança do local. O murmurejo que havia no bar não permitia ouvir o que era dito com clareza e, sem ter nada melhor para fazer, Snape apurou os ouvidos e prestou atenção no momento em que a cena se fechou e apareceu uma apresentadora robótica vestida com um terninho bem cortado.
Onde a imagem anterior se fechou e ficou como fosse uma outra tela de tv logo atrás da apresentadora, ao seu lado direito, apareceu a foto de um homem muito jovem, provavelmente o mesmo da cena anterior, com parte do rosto deformada por agressões. O cabelo raspado dava uma aparência mais demente ao pobre diabo.
O barman, observando o interesse de Snape no noticiário, resolveu puxar assunto:
—Mais um desses moleques que viram filmes americanos demais quando criança...
Snape não entendeu.
—O que quer dizer?
—Ora, filmes americanos, cheios de mocinhos e heróis, super terroristas contra super espetaculares homens comuns que salvam o planeta por acaso!
—E..? – Snape continuava sem entender onde o barman queria chegar.
O barman deu um sorriso estranho, pensando duas vezes se deveria continuar a conversa que ele próprio iniciou.
—É mais um desses garotos, sabe? Desses que acham que podem fazer explosivos com sabonete e vinagre e com isso explodir o metrô de Londres...
Snape entendeu... ao menos ele acha que sim: —É, tem sido comum, não?
—Sim, comum até demais, o suficiente para pôr muitas pessoas em pânico e paranóia. A polícia, principalmente... soube do estrangeiro que eles mataram dentro de uma estação, só porque viram o rapaz jogando um pacote do McDonalds dentro da lixeira?
O bruxo olhou de forma estranha para o barman, como se esse soubesse coisas muito importantes e ocultas que ele não sabia. De fato, não andava muito informado com o que se passava pelo mundo muggle se não houvesse envolvimento de bruxos nisso, pois não tinha como hábito assistir telejornais ou ler jornais muggles.
Mas, ouviu dizer de Lupin, que atentados terroristas têm sido muito comuns na Inglaterra, tanto que, quando há um ataque de bruxos a trouxas em que o estrago é muito grande, eles apelam para essa mentira... e se esses atentados de trouxas for algo manipulado por bruxos?
Afinal, poder de sobra havia. E até onde ia a influência de bruxos das Trevas sobre os trouxas?
—Estive fora... estou desatualizado com as informações daqui... – Respondeu Snape, por fim.
O barman sorriu com satisfação, mostrando que gostava de ser portador de más notícias e de atualizar sua clientela, principalmente quando parecia que vinham de outro mundo.
—Pois é, então... a nossa polícia anda tão paranóica que acabaram matando um pobre rapaz. A princípio disseram que ele era mesmo um terrorista, mas depois afirmaram que era um estrangeiro que estava aqui na ilegalidade, por isso ele fugiu quando os policiais o interceptaram, depois que jogou o pacote dentro da lixeira! Os homens não pensaram duas vezes e atiraram pra matar! Depois daquele ataque real que houve na principal avenida da City, onde pessoas morreram carbonizadas, as autoridades estão em alerta máxima!
O ataque que o homem dizia era o de que Hermione fora vítima. Snape se sentiu pesaroso, e bebeu um gole generoso da sua Guines, esvaziando a garrafa.
—Outra, por gentileza... – Pediu, sem emoção, e o barman atendeu de pronto, como se já tivesse com outra garrafa em mãos só esperando o cliente pedir.
—Me diz uma coisa... – Snape pediu, agora muito interessado numa conversa fiada. —Sobre o que falava no início.. de garotos que se achavam super heróis...
O homem se sentiu muito feliz em poder continuar seus relatos nada felizes.
—Melhor dizendo, que se acham super vilões... – O barman corrigiu. —Não sei quanto tempo você esteve fora, mas tem havido alguns casos estranhos que dizem ser pequenos atentados... um big bus incendiado durante o rush na linha marginal do Tamisa; um banco 24 Horas onde uma das máquinas explodiu, incendiando as outras; um inferninho barra pesada que rolou uma confusão e acabou com alguns punks mortos de forma muito estranha, talvez por algum tipo de arma química... esses e em outros, que já nem são mais notícias. O engraçado de tudo é que sempre encontram um culpado, geralmente um rapaz como o que estava agora na tv, mas tão lesado que é de surpreender que tenha conseguido bolar qualquer plano de destruição em massa. Um ou outro diz que não sabe o que aconteceu, não lembra de nada e ainda tem aquele que diz ter sido possuído pelo diabo...
Snape deu um leve sorriso e expressou que havia entendido além das palavras do barman. Por acaso acabava de encontrar a influência de bruxos sobre trouxas nesses atentados. De fato, esses pobres diabos que cometiam os crimes não deveriam mesmo saber o que estavam fazendo ou mesmo se lembrar do que fizeram... pois estavam agindo sob a maldição Imperius.
Após beber o suficiente para melhorar um pouco seu humor, Snape deixou algumas libras sobre o balcão e saiu pras ruas, disposto a andar até em casa, prestando atenção em novos sinais que tinham passado despercebidos até então. Saber sobre a possível manipulação de bruxos sobre trouxas abria as janelas de novos entendimentos. Já não era como antigamente, em que alguns se divertiam pregando peças em trouxas; agora a coisa era realmente séria. Também não era como na época de Voldemort, quando isso acontecia às claras, isto é, de uma forma que se sabia que havia varinha de bruxo metida no meio. Mas os jovens bruxos de agora conheciam muito melhor o Mundo Muggle que seus pais, por exemplo, jamais conheceram, conheciam o suficiente bem para manipular e fazer parecer que o problema é dos trouxas com eles próprios.
E levar o caos a uma sociedade era uma forma eficiente de leva-la à destruição. Estavam trabalhando para causar um grande incêndio, mas que não fosse possível descobrir onde estava o foco inicial.
Verdade seja dita: esses novos comensais tinham mais genialidade que Voldemort jamais teve... ou jamais fez uso, pelo menos. Por enquanto eles estão desorganizados e espalhados, cada um ou cada grupo pequeno agindo a própria revelia.. o que aconteceria quando aparecesse um líder?
Talvez seja a hora de mudar a estratégia de combate da Ordem da Fênix. Precisava falar dessa teoria com Dumbledore e eles precisariam pensar em encontrar o foco de incêndio e controlá-lo enquanto ainda havia tempo.
Distraído com seus próprios pensamentos, Snape não percebeu que já havia saído dos lugares movimentados e andava por caminhos cada vez mais escuros e desertos. Sua atenção foi despertada somente quando ouviu uma algazarra de homens e, quando se aproximou mais, sons como baques secos.
Parou quando viu, numa praça particularmente deserta e semi-iluminada, uma roda de rapazes que vibravam e incentivavam algo. Chegando mais perto notou que no centro do círculo outros dois rapazes se atracavam como fossem dois cães em rinha. Não era algo para se admirar, pois isso era uma "prática esportiva" bastante comum nos lugares mais isolados da cidade, especialmente nos subúrbios. É tão comum que não é de se espantar ao constatar que os brigões são, na verdade, mais amigos que inimigos e as brigas de rua, geralmente, são mera diversão e passatempo.
Fosse por curiosidade, fosse por buscar evidências de manipulação por bruxos, Snape parou do lado de fora da roda. Sua altura lhe permitia ver com clareza por cima do ombro dos homens que estavam a sua frente. Achou até graça da tal rinha humana, e constatou que a irracionalidade entre trouxas e bruxos era a mesma, a diferença é que eles chamavam isso de "duelo" e usavam varinhas.
Mas sua graça não durou muito quando prestou bastante atenção nos dois rapazes que brigavam: ambos já estavam muito machucados, os rostos já deformados pelas pancadas e havia muito sangue em ambos, as camisas empapadas e um deles já estava botando sangue pelos ouvidos, demonstrando que sofrera um grave traumatismo intra-craniano. E percebeu, então, o quanto molemente eles estavam brigando; os movimentos eram quase letárgicos, pesados e pastosos. Pelo estado em que ambos estavam, era de se admirar que ainda estivessem de pé. No mínimo, já deveriam estar estatelados no chão. De uma forma bizarra, os dois rapazes pareciam mais marionetes de trapos, sendo obrigados por força invisível a fazer o que faziam.
Snape vagou com os olhos os outros rapazes que se divertiam com a luta, olhando atentamente cada um dele, até onde a parca claridade do lugar lhe permitia. E, finalmente, encontrou o que pretendia: dois outros rapazes, não diferenciando em nada dos demais em aparência, cada um em lado oposto do círculo, quase sérios e comportados, se comparados aos demais. Riam e vibravam, mas de forma contida, como se para não perder a concentração de algo... ou não deixar escapar os fios de suas marionetes.
Andou de manso até próximo a um dos rapazes, o que estava na margem direita do círculo. De fato, ele estava um pouco afastado da aglomeração, sentado sobre uma mesa quadrada de concreto, que o deixava ligeiramente acima dos demais. Snape olhou para o outro, no lado oposto, logo em frente, e constatou que ele também estava ligeiramente mais alto que os outros homens do círculo. Continuou a vagar, ninguém lhe prestava a mínima atenção, ver os dois homens dentro do círculo se matarem feito animais no cio era mais interessante, então contornou o rapaz que estava sobre a mesa e viu, meio camuflado, que ele segurava uma varinha e apontava para dentro do círculo. Continuou até dar a volta quase completa, chegando próximo ao outro rapaz da ponta, constatando a mesma coisa: ambos eram bruxos que estavam se divertindo com trouxas, usando, provavelmente, a maldição Imperius. E eles iriam fazer os dois trouxas do centro do círculo lutarem até a morte, como já parecia estar acontecendo.
Afastou-se do bruxo da margem esquerda e pôs-se em cautela, olhando a todos os outros atentamente. Quais deles eram bruxos e trouxas? Não era possível identificar, como não foi possível ter identificado isso apenas pela aparência, os dois bruxos que manipulavam os brigões da roda.
Provavelmente não havia apenas aqueles dois bruxos. Certamente todos estavam misturados, bruxos e trouxas, unidos por uma diversão insana, doentia.
Um calafrio percorreu o corpo de Snape no momento em que um dos brigões desabou ao chão feito uma massa mole e ensangüentada. O que permaneceu de pé continuava a fazer movimentos letárgicos, tentando socar e agarrar. Urros e palmas estremeceram a noite naquele lugar e ele viu, assombrado, os dois bruxos que identificou, saírem para o centro do círculo e se cumprimentarem e viu um outro, em outra ponta, contar um bolo gordo de libras, enquanto alguns torcedores formavam filas para receber pela aposta que fizeram. O brigão que permaneceu ainda de pé foi jogado ao chão, caindo como uma boneca desengonçada de pano, e não dando mais nenhuma reação.
Horrorizado demais para esperar até onde aquilo ia e para ver o que poderia fazer para ajudar aos dois trouxas que serviram de cães de rinha, Snape se afastou até a sombra de algumas árvores, ficando incógnito o suficiente para desaparatar sem ser notado. Não era burro de bancar o herói, e algo lhe dizia que os brigões já tinham encontrando sua salvação... estavam mortos.
Fim do capítulo 21 – continua.
Snake Eye's – Julho de 2008.
N/A: Por isso que quando perguntam se sou EU quem escrevo, ou se EU escrevo, eu digo que não... pq não é, realmente. Snake é uma entidade e só quando ele se manifesta que eu vejo o que vai acontecer. Sou como cada um de vcs, leitores, que só sabe o que vai acontecer com a história depois que a lê, a única diferença é que eu leio antes de todos.
Eu sequer imaginava que esse capítulo ia desandar para esse lado, sequer suspeitava, eu juro! Eu esperava o mesmo que vcs, achando que já entraríamos na retíssima final e os dois resolveriam isso em King Cross, mas Hermione tomou uma atitude inesperada e Snape se meteu em outras coisas que, acho, o afastarão do objetivo.
Xinguem a Snake, mas não a mim, por favor!
Snake agradece a todos os leitores por suas leituras e diz que sempre fica muito feliz com comentários :)
Abraçus e Beijus a todos!
