Oi gente! Voltei!!!!
Depois de muito tempo estou
postando um novo capítulo!
Espero que vocês gostem.
E por favor não se esqueçam
de mandar revews, mesmo que
seja para dizer que está ruim.
Beijos e até a próxima!
Desclaimer: Inuyasha e Naruto não me pertencem! Que peninha! xD
Capítulo 5: E a Descoberta Continua
É uma daquelas noites geladas de inverno no Planeta Terra, gelada pelo menos na cidade de Tókio, onde através da expansão negra do lago Fuji os ventos levam a neve fina e cortante, lançando-a sobre a cidade em cegantes rajadas de brancura. Raio de Luz, limpando sua pequena cozinha impecável, ouve sua fina batida na janela e estremece por dentro. A neve pode ser acolhedora quando encerra duas pessoas juntas dentro de uma casa, mas é completamente o oposto quando se está sozinha. Ela não está realmente sozinha, é claro. Suas meninas entusiasmadas com a neve como todas as crianças da Terra parecem ser, estão com o nariz grudado na janela grande da sala, olhando os flocos caírem na calçada lá embaixo. É de fato uma bela vista. Eu também sou um pouco fascinado pelo cair da neve e gostaria de estar com elas, com meus braços a envolvê-las, pois amo as filhas de Raio de Luz. Gostaria que elas soubessem que embora possam estar sentindo a falta de um dos pais, todo o Céu está interessado nelas. Que elas não precisam ter medo, nem insegurança.
O telefone toca. Satiko dá um pulo para atendê-lo, sorri ao ouvir a voz na outra ponta da linha, e anuncia alegremente à mãe que Houjo está trazendo algumas pipocas para estourar. Quando ele chega, meia hora mais tarde, está com a jaqueta e o cabelo cheios de neve. As meninas lhe passam uma escova e o revistam procurando a pipoca, que logo colocam para estourar na máquina. Quando eles se assentam mais tarde, assistindo à televisão, Satiko se encaracola no colo de Houjo e Keiko se aninha junto à mãe.
Raio de Luz: - Se você não tomar cuidado, Houjo, essa aí ainda vai domesticá-lo.
Houjo: - Não me importo de ser domesticado, Kagome, mas apenas quando as condições são corretas.
Satiko: - Eu queria que vocês não falassem palavras grandes que eu não posso entender. O que quer dizer domesticado?
Houjo: - Quer dizer usar seus encantos para atrair um pobre rapaz indefeso e fazê-lo sentar-se perto do fogo comendo pipoca para sempre.
Satiko: - Para mim parece tudo certo.
Houjo(rindo): - Vocês mulheres são todas iguais.
Raio de Luz: - Você realmente deveria se assentar definitivamente perto do fogo de alguém logo, logo Houjo. Você já não é mais tão moço, e veja que sucesso você faz com as crianças.
Houjo: - Isso é um convite?
Raio de Luz: - Não, seu tolo. Estou pondo em perigo uma amizade perfeita insistindo que você se case... com outra pessoa.
Houjo: - Já lhe disse, Kagome, este é um mundo sujo. Se essas duas garotonas fossem minhas, eu ficaria sem dormir várias noites pensando o que será delas no futuro. Se estiver tudo bem da sua parte, vou simplesmente ajudá-la a se preocupar quando chegar o tempo.
Raio de Luz: - Não diga que não o avisei, quando você for um velho solitário num asilo sem nenhum parente. Agora, vocês meninas, já para a cama. Já fizeram cera demais.
(As meninas se retiram para o quarto, e Raio de Luz ajunta as vasilhas e recolhe os grãos de pipoca espalhados pelo chão.)
Houjo : - Lembra-se quando seu pai costumava levar a garotada a pista de patinação centro da rua Oeste nos sábados à noite quando éramos crianças? Você gostava da neve nesse tempo. Você era miúda e ativa como Satiko, e ficava com o rosto virado para o céu, deixando simplesmente os flocos caírem em suas faces. O resto de nós ríamos, mas você nem se importava. Estava encantada com a magia do inverno e não ligava a mínima para nossas risadas. É a mesma coisa agora, Kagome.
Raio de Luz : - Mas eu não sou a mesma garota, Houjo. Fale-me sobre seu trabalho, todas as tribulações da cidade sofredora. Talvez a comparação me faça sentir melhor.
Houjo : - Não quero realmente falar sobre isso. Ás vezes acho que estou no negócio errado. As histórias que passam pela minha mesa são deprimentes. Elas me fazem pensar qual é realmente o sentido de tudo isso. A propósito, como vai indo sua amizade com Tsubaki?
Raio de Luz: - Ela é uma perfeita dama. Alegro-me que ela tenha sido persistente. Percebo agora que eu havia me fechado a todas as pessoas exceto você, e provavelmente teria me fechado a você também, se me tivesse deixado fazê-lo. Sinto-me bem em ter uma amiga novamente e gosto da garota. Ela tem a cabeça no lugar e não é fingida.
Com tudo o que aprendemos sobre a Bíblia imagino quão ignorantes somos. É preciso ter uma base para se construir sobre ela. Tudo o que lemos só cria mais dúvidas em nossa mente.
A propósito, como é isso : quando algumas mulheres visitaram a tumba de Cristo, diz que foram após o sábado, quando entrava o primeiro dia da semana. Pensei que o dia de repouso fosse o primeiro dia da semana.
Houjo : - Há uma resposta simples, Kagome, e você mesma sabe qual é se parar para pensar. Que dia os judeus guardam?
Raio de Luz : - Sábado.
Houjo: - E de que nacionalidade era Jesus?
Raio de Luz: - Judeu – claro. Que burrice a minha. Então Ele guardava o sábado, e também todas as outras pessoas sobre quem estávamos lendo. Eu simplesmente nunca pensei nisso.
Houjo : - Os cristãos observam o domingo hoje em honra da ressurreição de Cristo, que ocorreu no primeiro dia da semana, como você leu. Provavelmente Ele próprio deu instruções para a mudança, se você procurá-las...
Raio de Luz: - Bem, isso vai me dar alguma coisa para dizer a Tsubaki. Sabe o que gostaria, Houjo? Gostaria que você lesse para mim os últimos três capítulos do livro de Marcos. Esse livro é nossa tarefa para esta semana, e eu não o acabei completamente. Vou simplesmente fechar os olhos e tentar visualizar as coisas à medida que você lê. Acho que é sobre o julgamento e crucifixão de Cristo.
(Raio de Luz passa a Houjo a pequena Bíblia branca, e ele lê, com sua voz serena e firme em contraste com o vento crescente do lado de fora. Quando ele termina, Raio de Luz fala.)
Raio de Luz : - Você devia ter estudado para o sacerdócio, já que de qualquer forma você vai seguir o celibato. Você leu tão bem que eu me senti como se estivesse lá assistindo a tudo o que aconteceu com Cristo. Sabe, cheguei à conclusão de que a cruz foi o ponto focal de todos os tempos ou a maior fraude que alguém já realizou.
Houjo: - Ao ler, achei estranho eu nunca ter lido essas palavras antes – nunca li uma palavra na Bíblia toda sobre esse assunto. Adquiri um pouco do fundo histórico daquele tempo na Faculdade, mas de alguma forma nunca tomei o livro em minhas mãos até esse momento. Senti-me, de alguma forma, profundamente comovido. Não acho que tenha sido uma fraude, Kagome.
Raio de Luz: - Se você realmente cresse nEle, teria de fazer mudanças em sua vida. Todos os que Ele chamava tinham de estar dispostos a mudar, a aprender Seu novo estilo de vida, a abandonar as velhas coisas. Quase tenho medo de crer ao pensar o que Ele poderia pedir de mim.
Houjo: - Acho que eu gostaria que Ele me pedisse algo. Algo difícil que me surpreendesse e tirasse fora da rotina. Mais isso não tem nada a ver com o assunto e como começamos a falar disso, afinal? O que você gostaria de fazer sábado à noite?
Raio de Luz: - Você escolhe. Você sempre deixa por minha conta, e eu ou danço até ficar exausta ou bebo demais.
Houjo: - Então que tal algo simples como ir patinar na pista ao livre do centro da cidade Oeste?
Raio de Luz: - Ei, isso é perfeito. Eu adoraria. Não coloco um par de patins há anos, mais ainda sou boa nisso.
Houjo: - Que tal levarmos as meninas? Sabíamos patinar muito antes de termos a idade delas.
Raio de Luz: - Houjo, que amigão você é! Elas vão ficar torcendo para que essa noite chegue logo.
(Houjo vai embora, e Raio de Luz se apronta para dormir.)
É de fato estranho pensar que há homens decentes como Houjo, que nunca tomaram uma Bíblia nas mãos. Este Livro é a oportunidade do homem ter um vislumbre do Céu, saber por que está no Planeta Terra e como sobreviver em sua perigosa situação. Ao que parece os homens e mulheres deveriam estar examinando a Bíblia minuciosamente em todos os momentos livres, mas eles vivem como se sua mirrada existência de setenta e cinco anos (se têm sorte) fosse tudo o que importa. Lamentam se seu programa favorito de televisão é cancelado numa noite, e contudo, ignoram as coisas vitais relativas à eternidade. O Príncipe me explicou que o Rebelde anuvia a mente dos terrestres até que dificilmente possam compreender seu perigo. Apenas o Amigo da Terra pode penetrar essa nuvem, e a maior parte rejeita Suas tentativas. Tsubaki foi uma das raras pessoas que estavam prontas a ser libertas do poder do Rebelde. Graças a Deus que ela partilhou isso com Raio de Luz. Isso exigiu coragem.
(É terça-feira à noite e Tsubaki e Raio de Luz estão sentadas na pequena mesa da cozinha no apartamento de Raio de Luz . Raio de Luz tem um lápis vermelho sobre a Bíblia.)
Raio de Luz : - Acho que não posso ler sem esse lápis. Constantemente estou encontrando coisas que desejo sublinhar. Há algumas coisas espantosas nesse Livro. Às vezes empaco num verso, e ele deixa minha mente tão a ponte de explodir que não consigo ir adiante na leitura. Acho que nunca teria terminado se Houjo não houvesse lido para mim os últimos três capítulos uma noite dessas.
Tsubaki: - Ele acha que perdemos o juízo?
Raio de Luz : - Ao contrário, acho que ele ficou muito impressionado com o que Marcos tinha a dizer, e também com o homem Jesus. Houjo teria sido um ardente seguidor de Cristo, porque ele crê veementemente em causas.
Tsubaki: - Será que ele gostaria de estudar conosco?
Raio de Luz : - Ele é uma pessoa muito reservada. Acho que ficaria apavorado com nossa maneira de propor desordenadamente idéias e sugestões, mas ele ouvirá qualquer coisa que eu deseje partilhar com ele e dará cuidadosa consideração a ela.
Tsubaki: - Estou certa de que você percebeu, minha cara, que o rapaz está apaixonado por você.
Raio de Luz (em silêncio por um momento) : - Não é como você pensa, Tsubaki. Partilhamos muitas recordações – desde os dias dos jogos da infância, em realidade. Ele é sozinho – eu sou sozinha. Por enquanto, satisfazemos às necessidades um do outro. Isso é tudo. Mais cedo ou mais tarde ele encontrará alguém que o entusiasme, e vai desertar de todas as suas noções altruítas.
(Tsubaki apenas sorri.)
Raio de Luz: - Nunca soube antes que Mateus, Marcos, Lucas e João eram simplesmente quatro homens contando sua própria versão da mesma história. É provável que eu seja a última pessoa na Terra que descobriu isso. Parece que isso tornaria a leitura maçante, mas encontrei-me indo e voltando entre Mateus e Marcos, comparando seus relatos, e isso se tornou fascinante. Que grandes idéias Marcos lhe inspirou?
Tsubaki : - Que Cristo não podia Se mover sem tropeçar em alguém. Ele não tinha um lugar em que pudesse ficar sozinho. Diz aqui no capítulo 6, verso 31, que Cristo sugeriu que Ele e Seus discípulos fossem a um lugar isolado para descansar um pouco, "porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham". Mas mesmo então, quando chegaram a seu destino, "muitos... os viram partir e reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles. Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-Se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas"[versos 33 e 34].
E aqui, mais adiante no mesmo capítulo [versos 53-56], diz: " Estando já na outra banda, chegaram em Genesaré, onde aportaram. Saindo eles do barco, logo o povo reconheceu Jesus; e, percorrendo toda aquela região, traziam em leitos os enfermos, para onde ouviam que Ele estava. Onde quer que Ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, rogando-Lhe que os deixasse tocar ao menos na orla de Sua veste; e quantos O tocavam saíam curado."
Kagome, chorei quando li estes versos. Vi a humanidade agarrando-se a Jesus, fascinada por Seus ensinos, faminta por Seus pães e peixes, lutando para alcançar Seu toque curador – imaginando que mesmo a orla de Seu manto era mágica. Senti Sua fome, Seu cansaço. Ele deve ter sido desviado muitas vezes ao eles O puxarem – contudo há o relato: Ele "compadeceu-Se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor". Ele simplesmente não podia ir embora e abandoná-los.
Se Ele se sente da mesma forma hoje, para com a nossa geração, deve estar-Se sentindo extremamente desgostoso e frustrado, pois em vez de nos agarrarmos a Ele hoje, somos arrogantes e indiferentes. Tenho a impressão de que isso é pior.
Mas de qualquer forma, voltando às multidões, encontrei um verso no capítulo 14 que me partiu o coração: " E logo, falava Ele ainda, quando chegou Judas, um dos doze, e com ele, vinda da parte dos principais sacerdotes, escribas e anciãos, uma turba com espadas e cacetes"[verso 43].
Por três anos Cristo havia tocado com Suas mãos curadoras essas multidões que se comprimiam e se empurravam – e Ele realmente as tocava, não importa quão enfermas ou sujas estivessem – tinha-lhes ensinado quando estava exausto e desfalecido de fome, e agora uma turba sai para prendê-Lo com espadas e cacetes. Simplesmente não era justo, Kagome.
E antes disso, quando Ele estava no Jardim orando e agonizando pelo que estava à frente, eles dormiram. Seus melhores amigos dormiram![Marcos 14:33-42]. Você pode imaginar? ( As faces de Tsubaki estão rubras e seus olhos brilhando de lágrimas.)
Raio de Luz: - Fiquei profundamente comovida ao ler esta semana, também. Na realidade, o livro de Marcos realizou um pequeno milagre em minha vida.
Tsubaki: - Então me conte sobre isso... depressa.
Raio de Luz: - Volte até aqui – capítulo 11, versos 24-26. Ouça. " Por isso vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco. E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celeste não vos perdoará as vossas ofensas".
Bem, essa semana passada estive orando todas as manhãs. Apenas uma oração simples pelas meninas, e que você e eu pudéssemos entender o que estamos estudando, e pelo perdão dos meus pecados. Não me importava muito com a pessoa amarga e sarcástica que havia me tornado nesses últimos dois anos.
Então, quando eu li estes versos dizendo que Deus não nos ouve se não pudermos perdoar ao nosso próximo, foi como um tapa no rosto. Tão claramente como se Deus me houvesse escrito uma carta, vi a terrível repugnância que sinto por Inuyasha, além do ciúme e ódio que tenho por KiKyo, sua esposa. De repente a ira, mágoa e amargura que estavam guardadas dentro de mim extravasaram. Chorei durante horas. Felizmente as meninas estavam na cama. Deitei-me no tapete da sala e solucei. E enterrei os dedos com tanta força no pêlo do tapete que na manhã seguinte metade das minhas unhas estavam quebradas. Em minha mente gritei para Inuyasha todas as coisas que eu queria dizer há muito tempo – coisas terríveis, ofensivas. E então chorei mais forte que nunca, pois percebi que sob a ira estava a mais terrível mágoa. Nunca tinha olhado para isso antes. Acho que nunca havia ousado fazê-lo. Ocorreu-me então que para ter ficado tão magoada, devo ter amado muito. E como eu poderia ter tanto rancor de uma pessoa que eu amava tanto?Compreendi ali na escuridão que eu sempre me interessaria profundamente por ele e me preocuparia com sua felicidade, mas fiz uma nova oração, Tsubaki – que Deus me ajudasse a perdoar Inuyasha e removesse toda a amargura do meu coração.
Quando me recompus fui direto ao telefone e liguei para a casa de Inuyasha. Kikyo atendeu, e eu lhe perguntei se ela e Inuyasha gostariam de almoçar com as meninas e eu no domingo. Isso a pegou de surpresa, e sei que ela ficou numa situação incômoda, mas verificou com Inuyasha e disse que seria um prazer para eles.
Agora, duvido muito que eles ficaram tão entusiasmados assim, mas eu quero tornar as coisas mais normais para Inuyasha e as meninas, e temos de começar por algum lugar. Pedi que Houjo viesse e gostaria de ter você e o Bankotsu conosco, se ele estiver em casa. Se ele não estiver, venha sozinha mesmo. Acho que será menos desajeitado para todos se for um almoço meio festivo. Antes eu era perita nesse tipo de almoço, mas não dou nenhum há muitos meses – então isso é o que o livro de Marcos fez por mim.
Tsubaki: - Certamente você tocou a orla curadora do manto dEle, Kagome. Estou aqui arrepiada com a sua história.
Raio de Luz: - Bem, dificilmente eu diria que estou curada. Sinto-me bastante inquieta quanto a domingo. Minhas reações para com Inuyasha e Kikyo estão longe de ser o que deviam, mas as meninas estão encantadas, e um grande fardo rolou dos meus ombros, agora que posso admitir que o que sinto é mais mágoa do que ira. Você pode vir?
Tsubaki: - Bankotsu estará em casa nesse dia e acho que ele vai consentir com meus desejos porque tem estado tantas vezes foram ultimamente. Quero que você o conheça. Fiz com que ele parecesse pavoroso, mas ele é um homem excepcional quando deseja.
Raio de Luz: - Você o ama?
Tsubaki: - Infelizmente, sim.
Raio de Luz: - Por que infelizmente?
Tsubaki: - Porque eu já teria construído uma vida mais gratificante há muito tempo se meu coração não começasse a pular dentro do peito nessas raras ocasiões em que ele entra pela porta.
(Ela faz uma pausa, como se estivesse relutante em demorar-se num assunto tão doloroso.)
Raio de Luz: - Você realmente fez seu dever de casa essa semana. Deixou-me envergonhada.
Tsubaki (rindo em tom suave) : - Lembre-se, tenho muito mais tempo que você, e tudo isto deu propósito aos meus dias. ( Ela consulta o relógio.)
São dez horas, e mal tocamos a superfície. O que você aprendeu?
Raio de Luz: - Sabe, mal posso acreditar, mas já não tenho medo das horas após as meninas terem ido para a cama. Eu me surpreendo esperando ansiosamente a hora tranqüila em que abro a Bíblia. E especialmente fico querendo que cheguem as noites em que partilhamos o que estivemos estudando. Fico tão feliz porque você falou aquele dia comigo no elevador.
Tsubaki: - Mas você não respondeu à minha pergunta. O que foi que aprendemos?
Raio de Luz: - Aprendi dEle que posso conseguir amar Inuyasha mesmo que ele já não retribua o meu amor. Cristo fez isso, sabe, ao nos amar. Ele amou até mesmo os que O crucificaram.
Tenho de admitir que não tenho bons sentimentos o tempo todo. Uma noite eu estava assistindo à TV e não senti a mínima vontade de ler a Bíblia. A TV e o livro de Marcos pareciam estar vários anos-luz de distância um do outro. Não tinham relação nenhuma entre si. É muito fácil perder o interesse por religião, eu temo.
Tsubaki: - Não gosto da palavra religião. Soa como jogos de bingo e ceias da igreja. Gosto do que você e eu temos bem aqui. Temo que se tentássemos colocar isso dentro de um molde, um molde denominacional, escaparia pelo vão dos nossos dedos.
Hoje eu vou orar. Você não vai rir se eu não for muito eloqüente?
Raio de Luz: - Prometo.
Tsubaki: - Vimos ao Senhor com alegria, com reverência e amor. Ensine-nos por favor como servi-Lo. Dê-nos por favor o tipo de fé que tanto O agradava quando o Senhor a encontrava na Terra. Esteja por favor no lar de Kagome e no meu. Amém.
Raio de Luz:- Esta foi uma bonita oração, Tsubaki. Não a estraguemos conversando. Apenas vá para casa e verei você no domingo, lá pela 1:00h da tarde.
Eu devia estar vibrando – e estou – mas temo por esses dois bebês recém-nascidos. O Rebelde está furioso com o que está acontecendo e nunca vai permitir que elas continuem a aprender e crescer sem serem molestadas. Sua mente má e brilhante já está planejando destruir o trabalho do Amigo da Terra. Se somente elas continuarem a orar e estudar , não importa quanto o Rebelde as espanque, toda essa trama será em vão – mas não é fácil para os terrestres, pois eles não podem ver o drama que se passa por trás das cortinas. Podem apenas confiar no Príncipe, e isso é muitas vezes difícil quando seu mundo começa a desmoronar. Anseio poder deixar um bilhetinho debaixo do travesseiro de Raio de Luz essa noite, dizendo : "Continue, amiga . Apenas continue. Não importa o que aconteça". Mas não tenho esse privilégio. Tudo que pode ser feito por ela, o Príncipe e o Amigo da Terra terão que fazer.
