CALEIDOSCÓPIO

Parte 26 – Primeiro Contato.


Este capítulo vai dedicado à Bella Black Snape, que sobreviveu para ler isso :) Tudo de bom! E mta força e saúde!


"Em algum lugar, uma voz chama

Do fundo do meu coração

.

Que eu possa sempre sonhar

Os sonhos que tocam o meu coração

.

Tantas lágrimas de tristeza

Infinitas lágrimas rolaram

.

Mas sei que do outro lado

Encontrarei você

.

Toda vez que caímos no chão

Olhamos para o céu lá no alto

.

E acordamos para o seu azul

Como se fosse a primeira vez

.

Como o caminho é longo e solitário

E não enxergamos o fim

.

Posso abraçar a luz

Com meus braços

.

Quando digo adeus meu coração pára

Com ternura eu sinto

.

Que meu corpo silencioso

Possa ouvir o que é verdadeiro

.

O milagre da vida

O milagre da morte

.

O vento, as cidades e as flores

Todos nós dançamos numa só unidade

.

Em algum lugar uma voz chama

Do fundo do meu coração

.

Continue sonhando os seus sonhos

Não os deixe morrer

.

Por que falar de sua melancolia

Ou dos tristes pesares da vida?

.

Deixe tais lábios cantarem

Uma linda canção para você

.

Não esqueceremos a voz sussurrante

Em cada lembrança ela ficará

.

Para sempre, para guiar você

.

Quando um espelho se quebra

Estilhaços se espalham pelo chão

.

Lampejos de uma vida nova

Refletem-se por toda a parte

.

Janelas de um recomeço

Quietude, nova luz da aurora

.

Deixe que meu corpo vazio e silente

Seja preenchido e nasça outra vez

.

Não é preciso procurar fora

Nem velejar através do mar

.

Porque brilha aqui dentro de mim

Está bem aqui dentro de mim

.

Encontrei uma luz

Que está sempre comigo"

(V. n/A)


Hermione estava sentada em sua sala, ombros arriados e uma xícara fumegante de chá entre as mãos. Estava muito distante, perdida em seus próprios pensamentos e lembranças... não apenas as lembranças de seu período de coma que agora lhe foram devolvidas, mas lembranças de dez anos atrás, lembranças de desde antes das mortes de seus pais.

Estava sendo difícil aceitar a realidade que as lembranças traziam, porque havia muito de vergonha de si mesma, vergonha pelo descaso com que sempre tratou, por seu egoísmo em crer que apenas ela sofria e se sacrificava pelos outros. Ela era uma tola, uma cega. Uma mente brilhante de raciocínio perspicaz, porém tolhida por não ter sido capaz de raciocinar com o coração, de não enxergar com sentimentos mais generosos, onde poderia ver além da micro esfera de suas dores e perdas.

Levou uma das mãos à testa, não acreditando que ela própria desconsiderava sentimentos alheios, não acreditando que o mundo até girava ao seu redor, mas não da forma que ela queria, que lhe fosse conveniente.

Tudo poderia ter sido diferente. Havia alguém e havia motivos que justificavam sua vida e sua sobrevivência, e ao invés de ter se fechado e isolado em uma fortaleza ao ter laços de afetos rompidos pela violência da guerra, poderia ter feito novos laços e constituído novas vidas.

A segunda chance sempre houvera e ela não percebera, a desperdiçara. Agora novamente a segunda chance se apresenta... e ela desperdiçará novamente?!

Mas não é fácil estender a mão e permitir que lhe tragam a tona, não quando o orgulho ainda é o maior sentimento que possui.


Sentia que não conseguiria dormir. Estava elétrica demais com seus pensamentos, a angústia de seus erros a comprimindo no peito. Talvez ainda fosse o efeito da poção, mas outras lembranças continuavam a lhe assaltar, mas num fluxo muito menos intenso e já sem muito controle sob o que deveria se lembrar.

E as lembranças sempre se convergiam para um ponto central: Snape.

Em seu andar em círculos pela sala, na sua vigésima volta talvez, percebe o seu telefone sobre a mesa e lembra-se, então, da inusitada ligação de Snape, há quase uma semana atrás. Era impossível que ele tenha usado magia para se comunicar com ela daquela forma, assim acreditava, pelo menos, então ele deve ter mesmo usado um aparelho para ligar para ela... e seu aparelho era acoplado à secretária eletrônica e havia o identificador de chamadas...

Mesmo hesitante, e pensando muito se deveria fazer isso mesmo ou não, Hermione procura pela gravação da ligação de Snape, a encontra e vê o número do telefone que ele usou.

Fez a discagem automática e aguardou, porém torcendo para que ninguém atendesse. Ao menos isso tiraria o encargo de sua consciência, de que não havia, ao menos, tentado.

Levou um minuto chamando, mas parecia muito mais tempo. Aliviada, Hermione já ia pondo o fone novamente no gancho quando a ligação foi atendida e a voz da outra linha, embora um pouco alterada, não deixava dúvidas de quem era seu dono.

(—Pronto.)

Hermione ainda vacilou, lutando entre desligar imediatamente o telefone ou responder. Decidiu-se pela segunda opção e sua voz saiu fraca e quebrada:

—Sr. Snape? É G..granger... H-hermione Granger!

Snape sentiu como se tivesse levado um soco no estômago e todo seu ar desapareceu de seus pulmões. Ele estava acordado até aquela hora, lendo relatórios e pesquisando em livros, então ele não estava sonâmbulo e nem sonhando.

—Srta Granger... aconteceu algo?

Ele sentiu que a moça do outro lado da linha estava tensa. Ouvia, em seu silêncio, uma respiração entrecortada, de alguém que está sob tensão, e a voz dela era vacilante.

(—S-sim... ou melhor, Não, não é nada grave.. se estiver pensando isso...)

Ela usou a poção, ele tinha certeza disso. Algo inflou dentro de seu peito e Snape se conteve para que não expressasse nada, mas teve uma grande vontade de rir, e rir muito.

—E então...? – Snape falou o mais mansamente que conseguiu, tentando tirar de sua voz qualquer indicio de ansiedade e alegria, que poderia vir soar até mesmo como cinismo.

Hermione fechou os olhos. Ela sabia que isso era um passo decisivo, era uma segunda chance para eles dois. Se surpreendeu ao constatar que, em sua resposta, sua voz saiu firme e decidida.

—Fiz uso da poção, Snape... eu lembrei de tudo... lembrei o que fez por mim...


Fim do capítulo 26 – continua.

Snake Eye's – Agosto de 2008.


N/A: O poema é a tradução para o português da canção-tema do filme "A viagem de Chihiro", de autoria da Yumi Kimura (apenas voz e harpa). A letra fala de um "corpo que renasce", um novo nascer para a mesma vida, uma nova chance de recomeçar.

É, eu sei. Super curto. Mas não queria deixar mais uma semana sem atualizar. Estamos chegando ao fim, garanto, e agora tudo vai começar a se acertar.

Obrigado pelos reviews! Mandem mais :)

Bella Black Snape, Dinharj, Letih, Heloisa, Ju, Maristela, Sophi, Sandy Mione, Eveline e Fla Apocalipse. Mto obrigado!