Capítulo 7: Descobrindo as Ambições do Rebelde

(A sala de Tsubaki, terça-feira à noite. Bankotsu está em casa, e ele e Tsubaki estão aguardando a chegada de Raio de Luz.)

Bankotsu: - Por que você não pará de mexer nesse vaso de flores e se agitar de um lado para o outro para eu conseguir falar com você? Kagome vai chegar logo, logo.

Tsubaki: - Se eu tivesse tido a mínima idéia que você estaria em casa, teria cancelado a visita dela. Você tem certeza de que não se importa que ela venha?

Bankotsu: - Credo,Tsubaki, é a sua casa, e você tem precisado se entreter sozinha nela por meses. Quem sou eu para criticar o estilo de vida que você construiu em minha ausência? Além disso, gosto bastante de Kagome e admiro a calma dela. Aquele pequeno almoço que ela deu no domingo não deve ter sido fácil para ela.

Tsubaki: - Bankotsu, por que você tem ficado em casa nesses últimos dias? O que está acontecendo no escritório? Não é do seu feitio dormir até tarde e ficar vadiando com jornal. Há alguma coisa errada? Você está doente?

Bankotsu(rindo): - A maioria das esposas dão bronca se os maridos ficam fora de casa. Você nunca fez isso, mas está dando bronca agora porque estou aqui. Justamente ao contrário.

Tsubaki: - Não estou dando bronca, e você sabe disso, mas algo está acontecendo. Pode começar a falar.

Bankotsu : - Temos alguns minutos antes da Kagome chegar. Venha cá, Tsubaki, e sente-se do meu lado. Quero falar com você.

Tsubaki(assentando-se no sofá):- Você não tem falado comigo sobre nada a não ser sobre a sua carreira promissora na empresa nesses últimos meses, Bankotsu, portanto o que quer que você vá dizer deve ser muito importante. Você está me deixando um pouco assustada.

Bankotsu: - Não precisa ficar com medo. Nas últimas semanas eu tenho sentido muita falta de você e da nossa casa, então como sou o vice-presidente da empresa, eu resolvi tirar umas férias prolongadas. Já estava muito estressado com tantos negócios para resolver e ficar para cima e para baixo andando de avião e restaurantes que já estava ficando com estafa. Por enquanto vou tirar um mês de férias. Portanto você vai ter me tolerar um pouco.

Tsubaki: - Você quer dizer que não vai para a empresa durante um mês!

Bankotsu: - Você acha que pode agüentar?

Tsubaki: - Oh, Bankotsu querido....(Com os olhos rasos de lágrimas, ela não consegue continuar.)

Bankotsu(tomando-lhe a mão): - Tenho pensado muito nesses últimos dias, na maneira como tenho tratado você durante esses meses, apenas saindo e entrando apressadamente e pressumindo que você estivesse bem porque não reclamava. Já tinha quase me esquecido que você é uma mulher especial. Naquela reuniãozinha na casa de Kagome outro dia, nenhuma daquelas mulheres chegava aos seus pés. Você é uma beldade, Tsubaki, eu considerei isso como ponto pacífico por muito tempo. Estive pensando sobre o nosso primeiro ano de casamento quando ainda não tínhamos uma situação financeira definida e eu ansiava dar tudo para você e por isso e trabalhava ao máximo durante o dia e fazendo cursos de especialização técnica e também a faculdade de Administração à noite. E assim fiquei obcecado com isso no início, mas depois não foi só por você mais, mas sim pela minha carreira promissora de chegar até a vice-presidência da empresa e ver o dinheiro se empilhando na minha conta bancária mais e mais e saber que ele era todo meu.

Mesmo antes de pedir umas férias prolongadas, eu já estava pensando em parar um pouco para relaxar e curtir a vida. E por isso todos aqueles aeroportos e restaurantes estavam me aborrecendo demais. Mas é difícil diminuir o ritmo quando se esteve correndo durante cinco anos. Você pode entender isso, minha querida Tsubaki?

Tsubaki: - Sim, eu entendo meu querido Ban.

Bankotsu: - Quero descer da montanha russa, mas você tem de me ajudar. Poderíamos viajar juntos. Sem mais limite de tempo e conferências. Só você e eu descansando na Europa ou na América do Sul, seguindo viagem quando tivermos vontade, apreciando as paisagens. Voltando para casa quando nos sentíssemos bem e estivéssemos prontos para voltar. Não será tão já porque depois desse um mês de férias, terei que voltar ao trabalho para transferir os negócios para o meu braço direito lá na empresa.

Tsubaki: - Não me importo que tenhamos de viver com um orçamento tão apertado como cinco anos atrás, quando morávamos na Rua Sudeste, contanto que você fique em casa comigo durante um tempo.

Bankotsu: - Não se preocupe, querida. Não vai haver orçamento. Esses cinco anos de trabalho duro e as aplicações que fiz na Bolsa de Valores de Tókio nos rendeu tanto dinheiro que passaremos uma velhice tranqüila sem nos preocuparmos com mais nada.

Tsubaki:- Estou preocupada com essas aplicações que você fez na Bolsa de Valores de Tókio, querido. Isso é seguro?

Bankotsu: - Não tem com que se preocupar minha querida. Não quero que essa preocupação tola acabe lhe fazendo rugas precoces nesse lindo rosto de anjo que você tem!

Tsubaki: - Ban, quero que você também participe das coisas excitantes que Kagome e eu estamos aprendendo da Bíblia. Sei que você não liga para religião, mas tenho certeza que você crê que há um Deus. Eu preferiria que você estudasse a Bíblia comigo em vez de levar-me para o Havaí. Você pode ficar em nossa discussão essa noite? Por favor?

Bankotsu: - Eu faria quase tudo por você minha querida para deixá-la feliz, mas não me peça isso. A Bíblia para mim não significa mais do que uma coleção de contos de fada. Você e Kagome podem ir em frente se isso lhes dá satisfação, mas não contem comigo. Vou ficar no quarto jogando futebol no vídeo-game.

Tsubaki: - Mas você não ficar enjoado de ficar jogando no nosso quarto.

Bankotsu: - Bem, é melhor ficar enjoado em casa do numa daquelas reuniões intermináveis lá na empresa.

(Bankotsu sai da sala e Tsubaki se assenta com uma expressão preocupada até que a campainha toca. Ela recebe Kagome e lhe conta sobre as férias de Bankotsu.)

Raio de Luz: - Tsubaki, isto é maravilhoso. Significa que você não mais ficar tão sozinha. Você tem certeza que não tem problema eu ter vindo hoje à noite?

Tsubaki: - Tentei conseguir que ele se juntasse a nós, ele não tem qualquer interesse em religião. Ele está no quarto jogando futebol no vídeo-game e não me pareceu se importar de você ter vindo. Eu me sinto como que fascinada. Ainda não me acostumei à idéia de que o Ban vai ficar por perto. Acho que não estou permitindo a mim mesma crer nisso, com medo de que ele vai achar tudo muito enjoativo e muito sem graça e voltar para o trabalho na empresa estressado e com fatiga assim mesmo. Eu simplesmente tenho de mantê-lo feliz, Kagome de alguma forma.

Raio de Luz: - Pelo jeito que ele olha para você, eu diria que você está indo muito bem.

Tsubaki: - Bem, vamos ao que interessa. Estive esperando por isso a semana inteira, embora tenha sido mais difícil achar tempo para estudar com o Ban por perto. Ele sempre quer ir ao cinema, sair para jantar ou receber nossos amigos aqui em casa. Finalmente descobri que de manhãzinha era a única hora em que eu podia estudar, portanto estou me levando às 7:00 h. É agradável nessas manhãs de inverno, e minha mente parece mais clara e pronta para aprender. O Bankotsu só se levanta lá pelo 12:00, portanto eu tenho tempo de sobra.

Raio de Luz: - Lucas é um bom livro, e eu não cheguei a completá-lo inteiramente, mas li o capítulo 15 muitas vezes. Acho que sempre vai ser minha porção preferida da Bíblia. Foi como uma carta pessoal de Deus para mim, que sou uma crente novata. Deixe-me ler para você o verso 7:"Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento".

Você percebe, Tsubaki, isso significa que o Céu está se regozijando por nós? Algo realmente aconteceu lá em cima por causa de duas pessoas insignificantes como nós? Jesus contou três histórias neste capítulo, e todas elas eram sobre a alegria que Deus sente quando respondemos a Ele. Apreciei muito a história do pastor e da ovelha perdida. Pensei nela a semana toda no trabalho. Quando o pastor encontrou a ovelha, ele não ralhou com ela nem a tratou com brutalidade. Ele não a levou à frente chicoteando-a o caminho todo, num acesso de ira pelo inconveniente que ela havia causado, nem amarrou uma corda ao pescoço dela e foi arrastando-a atrás de si no caminho pedregoso. Leia-a, Tsubaki. "Põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo [verso 5]. Não acho que saibamos alguma coisa acerca desse tipo de amor aqui na Terra. Já me deu arrepios só de ler sobre isso. Fez-me sentir segura e confortável com Deus.

Você e eu éramos como essa ovelha, Tsubaki. Simplesmente expressando pelo balido nossa solidão e amargura, mas o tempo todo Ele estava procurando por nós. E agora Ele nos está levando para casa em Seus ombros. O que você acha disso, minha amiga?

Tsubaki: - Não sei se eu sei aceitar um amor assim.

Raio de Luz: - Tive algum problema com isso também, mas pensei quão tolo teria sido se o cordeiro tivesse fugido na escuridão ao ouvir a voz do pastor e, como isso o teria desapontado após uma noite de procura.

Suponha que a ovelha pudesse falar, que ela dissesse:" Estou bem. Posso tomar conta de mim mesma. Sinto ter-lhe causado todo este contratempo", quando obviamente ela estava faminta, perdida e com frio, talvez até ferida. Isso representa quão estúpido seria de nossa parte nos desviarmos de Cristo, agora que finalmente Ele conseguiu atrair nossa atenção.

Tsubaki: - Você me entendeu mal, Kagome. Não é que eu não deseje aceitar esse amor, mas não tenho certeza de que posso. Você vê, quando Bankotsu ficou tão mergulhado no trabalho na empresa, eu quase desmontei de mágoa e solidão. Sabia que para sobreviver, eu simplesmente tinha me tornar insensível para não me apegar a alguém tanto que eu pudesse ser magoada. Isso me tornou cautelosa em todas as minhas relações, acho, quer eu quissesse ou não. Eu quero crer que o Bom Pastor me levaria para casa nos ombros, cantando – eu O imagino cantando, você não? – mas é como se houvesse em meu coração uma porta de aço trancada e cuja chave estivesse perdida.

Raio de Luz: - O divórcio facilmente teria feito isso comigo, mas acho que as crianças foram a minha salvação. Eu não podia duvidar do amor delas. Elas o demonstravam de tantas maneiras que eu nunca fechei o coração contra o mundo, embora eu passasse por agonias. Vou orar, Tsubaki, para que Deus a torne capaz de aceitar Seu amor.

Agora conte-me o que Lucas disse para você?

Tsubaki: - Primeiro quero lhe perguntar como foi domingo. Você estava magnífica exteriormente, mas eu não parava de pensar como estava indo interiormente.

Raio de Luz: - Gostaria de poder dizer-lhe que eu era toda perdão e compreesão, mas a verdade é que eu senti ódio, ira e ciúme feroz durante parte do tempo. A maior parte do período eu me senti magoada. Foi simplesmente difícil vê-los juntos, obviamente tão confortáveis e contentes um com o outro. Suponho que eu sempre tivesse esperado secretamente que as coisas não estivessem dando certo para eles. Mas quando as meninas foram para cama naquela noite, elas me agradeceram por passar algum tempo em casa com Inuyasha. Saber quanto isso significou para elas fez com que tudo valesse a pena. Demorei muito para pegar no sono, e derramei um balde de lágrimas, mas da próxima vez será mais fácil.

Felizmente Lucas tirou a minha mente de Inuyasha nessa semana. Houjo me comprou esta Bíblia. Não é bonita? O que eu faria sem o Houjo?

Tsubaki: - Aprenderia a apreciá-lo devidamente, talvez. (Ela dá uma risadinha.) Você estava certa. Lucas é um livro comprido, e muitas coisas nele me deixaram perplexa e interessada. Fiquei assombrada com o que aconteceu no capítulo 4 entre Jesus e Satanás no deserto. De certa forma o diabo nunca foi muito real para mim. Aquelas figuras dele com chifres e um tridente fazem-no parecer mais um personagem de desenho animado do que qualquer outra coisa. Contudo, ao ler o que aconteceu lá, tive a impressão de que algo muito importante estava ocorrendo, que talvez se Cristo tivesse feito o mínimo movimento em falso, poderia estar terminado tudo para a humanidade. Por que você supõe que Cristo teria sido tentado até a Se ajoelhar e adorar Satanás? Posso compreender por que Ele podia ter desejado transformar pedras em pães após quarenta dias sem comida, mas Lucas me deixou perdida na segunda tentação.

Continua...