CALEIDOSCÓPIO
Parte 30 – Sem saída.
Hermione arrumava uma pilha de pastas e papeis sobre sua mesa auxiliar, no escritório de contabilidade que trabalhava. Tinha um pouco mais de três semanas para deixar tudo organizado para o seu sucessor. Foi difícil convencer o escritório a dar-lhe sua demissão, eles não queriam aceitar sua carta de forma nenhuma e teve de apelar para uma pequena mentira, mas não tão mentirosa assim: teve de dizer que se casaria em breve e que iria morar com o marido na Escócia. Claro que ninguém conseguiu acreditar nisso e ainda há aqueles que duvidam e muito.
O fato é que ela havia tomado uma decisão e a atitude para isso. Entregou sua carta de demissão, mas teria de pagar o aviso prévio. Muito justo, aliás. Havia muitas coisas naquele escritório de que eram de competência apenas dela e não poderia sair dali deixando a todos em situação muito complicada.
Já passava das seis da tarde e o escritório – que ocupava um andar inteiro do edifício – estava vazio, todos já tinham ido embora. Ela ficou porque queria adiantar seu serviço o máximo possível que conseguisse, não queria deixar nada em falta e menos ainda ter que ficar ainda mais tempo ali para isso. Ainda assim, se sentia muito feliz e muito leve, como há muitos anos não se sentia.
De repente um estrondo, como o de uma porta que se bate com força e se reverbera por todo o andar. Distraída com seus pensamentos, Hermione se assustou a ponto de derrubar sua esmerosa pilha de pastas, espalhando os papeis que tinham pelo chão. A moça solta um grito de frustração. Passaria horas juntando toda a papelada em suas pastas certas.
Um novo estrondo. Outra porta havia batido ou então fora a mesma. Alguém saiu e esqueceu alguma janela aberta, embora fosse proibido deixar janelas abertas por causa do sistema de ar refrigerado. Como catar a papelada demoraria muito tempo e não agüentaria outro estrondo de porta aberta, Hermione largou a bagunça como estava e foi procurar a tal janela aberta e trancar as portas para que não ficassem mais batendo na tentativa de matá-la do coração.
Hermione foi andando de sala em sala. Não sentia nenhuma corrente de ar, por mais mínima que fosse. Todas as portas e janelas estavam fechadas. Não era nos gabinetes, então deveria ser na recepção; provavelmente a cabecinha de vento da recepcionista saiu às pressas e sequer fechou a porta de entrada.
Não deu outra. A porta de entrada da recepção estava semi-aberta, balançando-se para frente e para trás por conta de uma corrente mínima de ar que vinha do corredor do andar. Além de ter deixado a porta aberta, a garota largou todas as luzes acesas. Hermione torceu o rosto numa careta, soltando um muxoxo impaciente. A garota era nova no escritório e já mostrava sua irresponsabilidade e, certamente, não passaria do tempo de experiência.
A moça olhou para fora da sala, olhando para um lado e para o outro do corredor, vendo se ainda havia algum funcionário ali; não havia, o corredor estava deserto. Ao voltar pra dentro, apertou o interruptor para desligar aquele excesso de luz e, ao fazê-lo, notou um foco de luz forte vindo as suas costas, voltando-se para tal foco inocentemente. Seus músculos e sua voz ficaram paralisados com o que viu.
A fonte de luz provinha de uma forma fantasmagórica agarrada entre a parede e o teto da recepção. Flutuava com muita leveza e lembrava um dragão chinês. O Dragão-serpente era feito de luz branca e densa e encarava sinistramente Hermione, com seus olhos cor de chumbo.
— Eu sabia que conseguiria encontrá-la, Granger...
A voz jovial que vinha do dragão fez com que Hermione se despertasse e tomasse alguma atitude. Ela não havia fechado ainda a porta, então pode sair rapidamente por ela. Ela reconheceu aquela voz, embora não há ouvisse há quase dez anos: era a voz de Draco Malfoy. E não esperaria para ver o que significava aquilo. Seu instinto de sobrevivência a ordenava a fugir, pois, seja lá o que fosse, não poderia enfrentar nada sem a sua varinha, que ficou em sua bolsa, dentro de seu gabinete.
O dragão-serpente voou de onde estava, indo calmamente para o longo corredor do andar. Hermione estava parada quase no final, entre os elevadores e a saída de emergência. Havia chamado os elevadores, mas sendo um andar muito alto, os transportes estavam ainda há mais de dez andares abaixo e ela tentava abrir a porta vermelha da saída de emergência. Quando ela conseguiu forçar a maçaneta da porta, o dragão-serpente se esmaeceu até desaparecer em milhares de pontos de luz que se apagaram. Hermione se acalmou um instante, ficando entre a porta aberta e o corredor.
O corredor ficou semi-iluminado pelas poucas lâmpadas acesas e um silêncio surdo tomou conta do lugar. Hermione se acalmou em parte, mas ainda estava em expectativa. De qualquer forma, nada poderia fazer sem sua varinha e ela teria de se arriscar a chegar até seu gabinete. Deixou a porta da saída de emergência aberta por precaução e foi andando com cautela para o escritório. Sobressaltou-se no momento em que passou pelos elevadores e um deles abriu a porta, seguido depois pelos outros dois. Mas, apesar do susto, tudo ainda estava bem.
Quando faltavam apenas alguns passos para entrar no escritório, estacou ao ouvir o estalo que denunciava uma aparatação. Seu coração e sua respiração travaram. Diante de si, na penumbra do corredor, aparatou Draco Malfoy, embora ela não o tenha reconhecido de imediato.
O rapaz lhe sorriu, cumprimentando-a: — Olá, Granger! Há quanto tempo, não é mesmo?
Harry Potter aparatou no cemitério muggle onde Tarry Boot fora enterrado. Aparatou acompanhado de dois outros agentes do Ministério, próximo aos túmulos que eram avistados da esfera de vidro. Não precisou procupar: Snape estava diante dele, há uns cinco metros de distância. Estava chovendo.
O auror correu até Snape que tentava se manter acordado. Estava empapado com o próprio sangue que escorria dos ferimentos causados pela magia de Draco e que a chuva contribuía para que se esvaísse com mais facilidade. Harry aponta a varinha para as cordas que prendiam Snape à lapide na cabeceira do jazigo, e o homem, já muito enfraquecido, desaba para o lado, sendo aparado pelo rapaz.
Com Snape em seus braços, Harry grita para os outros agentes, que já corriam em sua direção: — VAMOS RÁPIDO! PRECISAMOS LEVÁ-LO PARA SAINT MUNGUS!
Mesmo com muita dificuldade, Snape agarra com firmeza a gola da jaqueta de Harry, forçando-o a lhe prestar atenção; não tinha mais forças para falar alto e claramente e, talvez, só pudesse fazer isso uma vez:
—... Hermione... Draco... matá-la…
Snape tossiu, cuspindo sangue. Seus ferimentos eram ainda mais profundos do que pareciam. Harry entendeu o que o homem lhe sussurrou, mas como ele poderia ir até Hermione? Não fazia a mínima idéia de onde encontrá-la!
— Onde, Snape?! Onde Hermione está?!
Num último esforço que consumiu todo seu restante de forças, Snape falou com a voz um pouco mais nítida, mas embargada pelo excesso de sangue na garganta:
— Edifício... England Center... no.. Centro Financeiro… Londres…
Esse último esforço de Snape foi demais para ele, que desfaleceu, tombando dos braços de Harry que não suportou o peso do homem. Os outros dois agentes chegaram aquele momento e ajudaram a desaparatar Snape para o Hospital St. Mungus.
Hermione andou para trás em passos vacilantes e lentos. Parecia estar hipnotizada pelos olhos cor de chumbo de Draco, que lhe sorria com afetação. Tentava compreender o porque dele estar ali e como ele a encontrou. Principalmente, tentava compreender como ele havia se tornado aquilo!
Não queria acreditar em seus olhos, mas ela sabia que aquele ali era mesmo Draco Malfoy. E sentia que ele não estava ali por acaso e menos ainda para uma visitinha cortês...
— Ainda se lembra de mim, não lembra? Draco Malfoy.. aquele que você surrou no terceiro ano.. que sempre humilhou querendo se passar por melhor, sempre... que planejou vários golpes para que eu fosse pego na guerra... até que eu fui, não é mesmo?
— O que faz aqui, Malfoy?! – Hermione perguntou com irritação, ainda andando vagarosamente para fim do corredor, ao menos para tentar alcançar os elevadores.
— Ora, não está claro?! – Draco abriu os braços, sorrindo mais abertamente. — Estou aqui por você, Granger! Por você, entendeu?! Você me deve muito, sangue-ruim! E vim cobrar isso!
— Você é louco! Não lhe devo nada!
Draco apontou-lhe o indicador, meneando em negativo. — Aha, na-ão. Me deve TUDO, sangue-ruim! Quem me capturou foram os seus amigos da Ordem! Quem sempre me humilhou em Hogwarts foi você! Você e aquele mestiço imundo do Potter! Lindo casalzinho, não? Mas até ele preferiu, no fim, a pureza do sangue, e até eu concordo que a pureza é mais importante que a riqueza! Ele fez bem em ficar com a Weasley!
Hermione estava a poucos metros do elevador, mas não se atrevia a acelerar seus passos ou olhar para ver se algum deles ainda estava ali. Na mesma proporção que ele deslizava para o fim do corredor, Draco avançava em sua direção em igual lentidão. Ela precisava ganhar tempo e tentar distrair Malfoy de alguma forma.
— Nada disso me importa mais, Malfoy! É passado! O passado está morto!
— Morto?! – Draco se alterou — Olhe direito para mim, cadela! Isso que você vê é o reflexo desse passado! Ele vive!
Hermione ergue sua mão direita lentamente, apertando o botão do elevador com a palma, evitando fazer o mínimo alarde com isso. Por sorte, o elevador ainda estava no andar e era só esperar a porta se abrir.
— Morto, sangue-ruim, estão os outros que você muito bem conheceu! Estão no passado e estão mortos! E, infelizmente, você ainda não está! Mas por pouco tempo!
A porta do elevador se abriu e Hermione entrou no mesmo instante em que Draco lhe mirava a varinha e uma luz verde se formava em sua direção. A moça apertou freneticamente o 15° andar, onde ficava uma unidade de segurança do prédio. Quando a porta se fechava, ela ainda viu o jato de luz verde passar por onde ela antes estava, clareando o corredor, e o grito louco de Malfoy, por ter perdido seu alvo.
Draco correu até onde Hermione sumiu, olhando desesperado e com raiva para aquela estranha porta de metal que não tinha maçaneta. Deu murros na porta, que nada sofreu, e procurou alucinado por algo que a fizesse abrir. Ele não sabia que aquilo era um elevador. Afastou-se e mirou a porta, gritando um feitiço que explodiu e abriu um rombo no metal.
O elevador trepidou com violência e Hermione bateu a testa com força na parede. O mecanismo de freio do transporte foi acionado e deu um tranco, fazendo-o parar instantes depois. Hermione, em desespero, acionou novamente os botões dos andares, qualquer um desde que fosse o próximo. Ela não poderia esperar para chegar em determinado andar, teria de sair dali o quanto antes e fugir de outra forma.
Sem sofrer nenhuma avaria, o elevador voltou a funcionar, parando no andar seguinte. Hermione saiu, olhando assustada para os lados; não havia vivalma ali a que pudesse buscar ajuda. Correu pelas portas e nenhuma estava aberta. Achou arriscado demais tentar descer pelos outros elevadores e buscou a escadaria de emergência.
Draco conseguiu terminar de arrombar a porta, olhando para o poço do elevador. A iluminação era parca, mas era suficiente para ver que o aparelho não havia descido muito. Sem nenhuma cautela, o rapaz pula, caindo com estrondo sobre o teto, quase se arrebentando nos cabos. Com um tranco, o aparelho se põe novamente em movimento e Draco cambaleia, mas se mantém firme, evitando se chocar com as paredes e encostar nos cabos.
Hermione havia apertado vários botões de andares e logo o elevador tornou a parar. Um feixe de luz se iluminava da varinha do Draco e ele pode ver que no teto do aparelho há uma comporta, do qual ele tenta arrancar na mão, mas estava bem presa. Temendo que se explodisse aquela comporta como fez à porta anteriormente ele despencasse dali de cima, usou um outro feitiço menos agressivo para esse mesmo fim: a comporta se arrebentou, mas nem uma pequena oscilada ocorreu ao transporte. Pulou para dentro, encontrando-o vazio e sem saber o que fazer. Olhou para o painel de botões de chamada dos andares, onde muitos estavam acesos em vermelho e quando ia apertar um deles pra ver o que aconteceria, novamente o elevador parou e abriu.
Saiu, olhando receoso para o andar sombreado. Apenas algumas poucas luzes em grandes intervalos iluminavam o lugar. Não sabia onde estava nem o que deveria fazer ou para onde ir. Soltou um grito de frustração, amaldiçoando Hermione por isso, acirrando ainda mais seu ódio por ela. Impaciente para raciocinar, apontou sua varinha para o fundo do corredor e gritou seu patrono.
Um filete de fumaça luminosa saiu da varinha de Draco, subindo ao teto e formando a enorme figura do Dragão-serpente. Flutuando sobre a cabeça de Draco, o patrono enrolou-se em torno de si mesmo e de seu mestre, olhando-o atentamente, aguardando uma ordem:
— Encontre a maldita sangue-ruim e retorne!
Hermione tentou todas as portas, mas nenhuma estava destrancada. Os outros dois elevadores estavam em andares mais longe e não achou prudente esperar por eles, então resolveu descer pela escada de emergência, no final do corredor.
O lugar era muito mal iluminado; apenas uma fonte de luz fraca por cada lance de escada. Ela deveria chegar até o térreo e sair do prédio, só assim se sentiria segura. Não ousava buscar um lugar para se esconder ou alguém para lhe ajudar, o que seria mesmo uma tolice. Draco, certamente, mataria tal pessoa assim que a visse. Hermione não tinha alternativas, só podia mesmo tentar uma fuga. Sem varinha, não poderia sequer desaparatar dali. Era uma vítima em potencial, desarmada e patética.
Em sua pressa em descer as escadas, um dos saltos de seus sapatos se agarrou à borda tosca do degrau de concreto e quebrou. Hermione se desequilibrou e caiu, por sorte rolou apenas três degraus, mas o tombo foi suficiente para machucar seu joelho. A mulher reprimiu um grito de dor e o sangue começou a escorrer, manchando sua meia-calça. Manteve-se firme, agarrada ao joelho, esperando que a dor lancinante passasse para se certificar de que poderia voltar a andar. E se ela ficasse por ali, bem quietinha? Talvez Draco jamais a encontrasse...
Com raiva, Hermione chacoalhou a cabeça. Era uma idéia estúpida, a de ficar quieta e encolhida ali como um rato que só espera pela hora de sua morte. A dor cedeu um pouco, ao menos a dor aguda do início. Com receios, Hermione esticou a perna direita e pode constatar de que não fraturara nenhum osso, embora o joelho estivesse muito esfolado e dolorido.
Arrancou do outro pé o sapato bom, largando-o ao canto junto ao outro com o salto quebrado. Teria de ir descalça mesmo, o bom disso é que não faria barulho algum ao correr por andares desertos. Soergueu-se, amparando-se na parede de concreto e, pé-ante-pé, tornou a descer os degraus, agora sem a mesma agilidade de antes.
Descendo praticamente em círculos, começava a lhe dar vertigens, mas foi com alívio que percebeu que chegava ao térreo e acelerou o passo em direção à porta de metal pintada em vermelho. Mas seus músculos se retesaram, estacando ao final da escada.
O patrono em forma de Dragão-serpente se materializou em frente à porta de emergência: grande, medonho e ameaçador. Seus olhos vívidos pareciam metal derretido e qualquer um que o visse juraria que se tratava de um animal vivo, pois ele parecia até mesmo respirar.
Hermione ficou muda e congelada. Era o mesmo patrono que a surpreendeu no escritório, então isso significava que Draco estaria ali em segundos. O Dragão-serpente a perscrutava silencioso e calmo, até se agitar como fosse uma enguia retirada da água e, num rompante, dispara para o teto do lugar, transpassando-o e deixando para trás apenas uma poeira luminosa que logo se dissipava.
Não iria ficar ali esperando para que Draco chegasse e a matasse. Hermione correu até a porta de emergência e um frio interno pareceu congelar seu coração. A porta estava emperrada! Ou trancada! Como poderia ser um absurdo desses?! Usou toda a sua força contra a maçaneta da porta, mas ela não cedia. Socou-a e o baque metálico reverberou por toda a escadaria. Não poderia ficar ali esperando para que alguém viesse socorrê-la, se é que havia ali alguém para ouvi-la. Olhou para trás, para a penumbra as suas costas, e constatou de que ali não era o fim da escadaria de emergência. Havia outros andares abaixo, certamente a garagem no subsolo do edifício. Se tivesse sorte, encontraria uma outra saída lá embaixo.
Ela já havia conseguido descer mais dois andares abaixo quando Draco aparatou no lugar onde seu Dragão-serpente havia aparecido. Ele não esperava encontra-la ali, aguardando por ele, sabia que ela ainda possuía alguma inteligência. Draco tentou abrir a porta, mas constatou que ela estava trancada e sorriu vitorioso, com satisfação. A caçada ainda continuaria e seria ainda mais emocionante!
Hermione alcançou, finalmente, o primeiro andar do subsolo do prédio. Quase já não havia carros e havia quase completa escuridão. Ela não tinha carro, jamais havia estado ali, então não sabia como funcionava a garagem e onde ficavam as câmeras de segurança. Correu para onde havia frestas de luz, algo que indicasse uma saída para a liberdade, mas, mais uma vez, seu coração congelou quando a voz monótona e fria de Draco Malfoy chegou aos seus ouvidos.
Ele estava ali. Ela estava desarmada e presa, como numa armadilha. E ele a matará.
Fim do capítulo 30 – continua.
Snake Eye's – Outubro de 2008.
N/A: Mto obrigado pela leitura, por sua presença!
Agradecimentos especiais aos sempre necessários reviews XDD : Juliana, Maristela, Sophi, Dinha, Renata Gomes, Aline Martins, Couvee Bella Black e Cidinha \o/
As mensagens e opiniões são sempre mto importantes. E mesmo que eu não faça exatamente aquilo que gostariam de ler, tenham a certeza de que levo tudo mto em conta, mas opito por apresentar a coisa um pouco modificada, menos clichê. E a participação mental do leitor, isto é, sua imaginação e criatividade, deve fazer parte da história, pois é uma forma que o leitor tem de interagir com o autor. Eu sempre procuro dar o que me pedem, mas não descaradamente. A sutileza é a alma!
Bjus e ótimo findi o/
