Ossos do Ofício

Naruto não me pertence... E o resto é praxe...

Ossos do Ofício

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Capítulo II: Uma conversa com o doutor.

Sasuke estava cochilando numa cadeira daquela vazia sala branca que não tinha nada além da enorme bancada de vidro e a lousa pregada numa das paredes.

Fazia meia hora que ele estava cochilando quando bipe tocou.

Uzumaki Naruto queria vê-lo, dizia a mensagem.

O rapaz espreguiçou-se e se dirigiu mau-humorado para o quarto do paciente.

Chegando lá, ele nem ao menos bateu na porta antes de entrar.

- Chamou? – Perguntou entrando no quarto cinza e branco, à má-vontade.

- Chamei…Mas parece que te acordei, desculpe. - Falou Naruto aparentando um pouco constrangido.

- Faz parte da profissão. – Disse frio.

- Mesmo assim, desculpe...Uhn... Você falou de uma cirurgia mais cedo, não foi? Eu queria saber mais sobre.

O maior suspirou, cansado.

- Será uma cirurgia relativamente simples. Nós vamos unir as duas partes quebradas do seu braço com uma chapa de aço específica. A operação deve durar de uma à três horas. Mais detalhes eu posso pedir para o Juugo te explicar. Ele é o cara que vai fazer a sua operação comigo.

- Ah, sei. Mas vo-

- Eu entendo um pouco de ortopedia também. – Adiantou.

- Huumm, sei. Por falar nisso, onde é que 'cê se formou? - Questionou o policial meio admirado.

- Toudai. Entrei aos quinze quando acabei o colegial e me formei aos dezenove. Fiz dois anos de residência e depois fui fazer um mestrado na Alemanha que durou dois anos. Depois eu fui fazer doutorado na Suíça que durou mais dois anos, e voltei para o Japão, onde eu tenho trabalhado aqui nesse hospital. Já estou com dois pós-doutorados hoje em dia.

Naruto o encarou com os olhos semi-arregalados e o queixo caído.

Sasuke achou graça. Ele deu um de seus típicos meio-sorrisos.

- Quantos anos você tem? – Perguntou o loiro abismado.

- Trinta e dois. E você tem vinte e sete, não é?

- Sim, sim, e vou fazer vinte e oito agora em outubro. – Disse ainda surpreso.

- É, li na sua ficha.

- Eu fiz educação física com dezoito...Quando acabei o curso fiz o curso de qualificação da polícia e hoje eu estou no CCO. Mas cara, você é um gênio!

- Bem, agradeço o elogio.

- Disponha.

- Vá me desculpar, mas tenho que ir.

Uma mão agarrou a manga de seu jaleco.

Sasuke olhou momentaneamente para os olhos azuis celestiais de Naruto. Com apenas os olhos, o loiro já dizia claramente: FIQUE. E por algum motivo que depois o Uchiha definiu como estresse cerebral causado por falta de sono, ele se sentou no sofá branco e sem graça do quarto e olhou mirou o outro.

O paciente abriu um de seus maiores e mais perfeitos sorrisos e perguntou:

- Você é de Tókio?

- Hn.

- Eu também. Só que eu me mudei pra Osaka quando eu tinha sete anos. Sabe, quando meu tio-avô me adotou.

- Hum.

- Mas você morou na Alemanha, né? Então você fala alemão? – Perguntou o loiro. Sim, seu plano estava dando certo.

- Alemão, espanhol, inglês, francês e mandarim. – Mencionou o outro com pouco interesse.

Naruto olhou para Sasuke pasmo, arregalando os olhos de novo e deixando o queixo cair mais uma vez.

O médico achou graça de novo.

- Você é um crânio, cara e...

O Uzumaki saiu gesticulando com a boca, até que percebeu que não saía nenhum som de suas cordas vocais.

O desespero veio.

- Bem, é normal, não se preocupe. – Falou o Uchiha num tom profissional de sempre. – Logo você vai voltar ao normal, fique tranqüilo.

O médico se virou, mas sentiu alguma coisa puxando seu jaleco, de novo.

- Fique. – Pediu o outro num sussurro.

O médico deu um suspiro cansado e se virou para ele, sem fazer menção de se sentar.

- Fale sobre você. – Mandou o neurologista. Odiava ser perguntado o tempo todo, e pelo tom que usara com o paciente estava bem claro que se mal-humor já estava chegando em estágio crítico

- Hmm...Sobre meu emprego na polícia, 'ttebaiyo? – Questionou-se o policial em tom baixinho, depressa.

- Basicamente já dá pra ter uma idéia do que você faz...- Sibilou mirando o braço dele. – Fale sobre a sua família, é bom eu saber um pouco mais sobre o seu histórico.

- Tá. Por onde eu começo...? Bem, meu pai era americano. E a minha mãe era japonesa, mas a mãe dela era irlandesa 'ttebaiyo. Aí eu acabei puxando ao meu pai de aparência, mas puxei a minha mãe de personalidade…Meu pai era muito inteligente, ele veio pra cá pro Japão por causa da Interpol...O avô dele era japonês e por causa disso ele falava japonês também...O nome dele era Namikaze Minato. – Tagarelava o loiro, sem se importar com a sua falta de voz ocasional.

- E o seu nome? Por que não é "Namikaze"?

- Ele trabalhava com investigações sobre a Yakuza e coisa parecida. Eu adotei o sobrenome de minha mãe por questão de segurança. Ela era Uzumaki Kushina.

- Se queria conversar, por que não chamou a sua enfermeira? – Perguntou no jeito mais arrogante possível.

- E por que conversar com uma hipocondríaca maluca? – Retrucou Naruto no mesmo tom.

- Hmpf. Bem, vou indo.

- Certo, depois que eu perguntar uma coisa... – Disse tentando parecer durão. - Na verdade, duas.

- Diga.

- Quando eu vou tirar a sonda?

- Hoje à tarde um residente vai fazer isso.

- Ah, mas por que você não tira?

- Não posso. Tenho que ir à outro hospital.

- Tá... – Murmurou desanimado. – E por que você virou médico, Sasuke?

Sasuke pensou um pouco e respondeu enquanto estava saindo do quarto:

- Tradição de família.

O Uzumaki nem precisou pensar muito para chegar ao seguinte conceito:

Uchiha Sasuke era exatamente o que parecia. Mimado e arrogante.

- Baka. – Xingou o já sabendo que ele não escutaria.

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O médico Uchiha saiu do quarto de Naruto, e se dirigiu até a sala onde ficavam as enfermeiras que não estavam em atendimento.

Queria falar com a enfermeira responsável pelo loiro.

Entrou na sala e logo ouviu os sussurros das enfermeiras e os olhares sobre si, mas não se importou nem um pouco.

Ele olhou para os lados e viu um bocado de mulheres e alguns homens. Todos os enfermeiros e enfermeiras o miravam, surpresos.

- Onde está a enfermeira de Uzumaki Naruto? – Perguntou ele querendo respostas.

- A-A M-Maki está na recepção, doutor Uchiha. – Gaguejou uma garota que estava corada.

- Quando a vir, mande-a me procurar no meu consultório. – Mandou o Uchiha secamente.

- H-Hai. – Disse a garota timidamente.

Ele saiu da sala.

- O que foi isso?

- Também não entendi.

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- Nee, eu fiquei preocupada com a Maki. Dizem que o doutor Uchiha é durão, e já faz meia-hora que ela entrou no consultório dele...- Comentou a enfermeira que havia falado mais cedo com Sasuke.

- Mas nós estamos matando serviço para ficar aqui, Michiko! Não podemos ficar por muito tempo... – Comentou uma outra enfermeira que estava ao seu lado.

- Mas eu 'tô preocupada.

- Olha, o máximo que pode ter acontecido é que ele a tenha chamado para assumir mais um paciente, Michiko! Ele é um ser humano normal, pelo amor de Deus. Você acha o quê? Que ele 'tá batendo nela? Ah, não pode, né! – Disse a segunda enfermeira.

- Acordaaaa! Não viu aquele caso em Okinawa que saiu no noticiário?! Aquele homem estuprava uma das anestesistas do hospital e ninguém sequer sabia!

- Kami-sama! Mas você acha que uma pessoa como o Sasuke-sama faria algo assim!?

- Nunca se sabe, Kimiko! São sempre as pessoas que nós menos imaginamos.

- Mas pense bem! Logo o Sasuke-sama...

- É...Analisando bem, o dr. Uchiha não cabe nos parâmetros de um psicopata ou um estuprador...

- É, realmente. Sasuke-sama é meio grosseiro mas com certeza é incapaz de ferir alguém.

- Isso mesmo.

- Mas eu acho que não seria tão ruim ser estuprada por ele né? – Questionou uma delas sonhadora.

- D-

Nesse instante, a enfermeira obcecada por doenças que cuidava de Naruto saiu da sala chorando e gaguejou:

- V-VOCÊ É U-UM MON-STRO!

As outras duas saíram atrás da enfermeira de Naruto, que saía correndo pelos corredores, enquanto escondia os olhos encharcados atrás dos braços.

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As horas haviam se passado, e o novo achado de Naruto no quarto cinza e branco apenas confirmava isso.

O relógio de parede do quarto marcava exatamente oito e trinta e três da noite.

O loiro estava completamente desanimado.

Havia recebido uma visita de seus amigos Kiba e Sai e da família Sabaku mais cedo, mas a sua enfermeira noturna que não passava de uma rabugenta maluca chegou expulsando todos eles dizendo que ele precisava descansar por ter tirado a sonda.

Bobagem, na opinião do policial, até porque a sonda havia sido tirada da SUA garganta e ele sabia muito bem se estava cansado ou não.

Não que Naruto achasse ruim a idéia de poder respirar pelo nariz de novo sem aquela coisa empurrando ar pela sua goela à baixo o tempo todo.

Mas ficar sozinho naquele quarto silencioso e cinzento era exatamente o que ele não queria fazer.

Cansado e já sonolento, ele pegou o controle remoto e ligou a TV à sua frente. O noticiário nacional acabara de começar.

- Boa noite – Cumprimentou a jornalista – Hoje o primeiro-ministro russo…

Ouvia a reportagem entre bocejos. Nunca via o noticiário, pois todos os crimes dignos de atenção no Japão e no mundo lhe eram informados antes de qualquer outro cidadão nipônico. Os crimes praticamente corriam até os seus ouvidos...

- Hoje à tarde, dois corpos foram encontrados no bairro de Shibuya, Tókio.

Ao ouvir as primeiras palavras da jornalista, de imediato aumentou o volume da TV.

- A identidade das duas vítimas ainda é um mistério.

Naruto aguçou os ouvidos. Sabia muito bem que dependendo da causa de morte e da própria identidade da vítima, ela poderia ser identificada ou não.

- Tudo o que se sabe é que os corpos pertencem à um homem idoso e uma mulher na faixa dos vinte anos. Os dois tinham os rostos desfigurados e não se sabe a causa das mortes. A polícia está investigando o caso. Segundo o chefe do departamento de homicídios de Tókio, Suzuki Haru, a polícia está tentando identificar os corpos e o autor do crime o mais rápido possível. – Falou a repórter de maneira séria. Porém ela logo abriu um sorriso e começou a narrar a previsão do tempo.

Naruto olhou para a TV. Se considerando que já eram quase nove da noite e os corpos haviam sido achados pela tarde, os cadáveres já poderiam ter sido identificados.

Ele até admitia que não era bom em muita coisa, mas ele sabia bem das coisas quando o assunto era polícia.

O jovem policial pegou o celular que estava pousado em cima da sua mesinha de cabeceira (outro novo achado) e o desbloqueou.

O que ele queria era ligar para algum colega na polícia, para perguntar sobre o que tinha visto no noticiário e quem sabe até puxar conversa.

Do nada, ele ouviu duas batidas na porta. A enfermeira devia estar trazendo seus remédios, pensou.

Mais do que depressa, ele largou o celular na mesinha e fingiu que estava vendo TV. Agora já eram quase nove horas, e o jornal estava exibindo uma reportagem sobre um dos parques nacionais de Hokkaido.

- Boa noite, Naruto-kun. – Cumprimentou a enfermeira chata que havia expulsado os amigos do garoto de seu quarto mais cedo. – Trouxe o seu jantar!

A mulher montou na cama, em cima das pernas do loiro, uma mesinha onde havia uma sopa de legumes e tofú, uma tigela de arroz e um copo de chá.

O homem encarou o prato como se declarasse guerra à ele.

- Coma tudinho! – Falou a enfermeira como se o paciente tivesse cinco anos. – E depois tome este remédio, por favor. – Disse ela colocando uma pílula roxa e amarela num guardanapo ao lado do prato de sopa.

- Certo, certo. – Disse o paciente olhando desgostoso para a comida. – Vou comer sim... – "Essa comida tem gosto de remédio dattebayo." – Pensou ele se lembrando da refeição do almoço.

- Se você for bonzinho e comer tudo, vai ter sobremesa! – Disse a mulher em tom ainda mais infantil, sorrindo afetadamente. – Quer ajuda?

- Não precisa. Eu como sozinho. – Disse, forçando um sorriso.

- Certo. Olhe, aqui tem uma colher e um par de hashi, está vendo? Se não conseguir comer com um, tente com o outro. Eu tenho que ir agora, tem um paciente que está dando entrada e eu preciso ir até lá para ajudar. – Disse a mulher sorridente – Mas eu prometo que volto em meia horinha...- Disse como se o Uzumaki fosse um bebê de colo.

- Certo, obrigado – Agradeceu o paciente, se forçando a ser educado.

Aí então, ela fez o que o loiro secretamente rezava para que ela não fizesse.

- Vou levar o seu celular para que ninguém o incomode agora à noite. Se quiser pegá-lo peça a enfermeira sua enfermeira de amanhã...Ela vai saber onde o seu celular vai estar.

A mulher saiu apressadamente da sala.

- Ela bem que podia ir e não voltar mais, 'ttebaiyo. Eu ia ficar feliz. – Disse encarando com o nojo a comida. Pretendia deixar uma parte para ver se assim não precisaria comer a gelatina horrível que as enfermeiras insistiam em dizer que era a sua sobremesa. – Ela devia tomar umas duzentas caixas de semancol…

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A mulher entrou apressadamente numa sala vazia onde se encontrava mais uma enfermeira.

- Você soube o que o doutor Uchiha fez com a Maki hoje? – Perguntou uma delas.

- Eu ouvi falar, mas não com detalhes. – Afirmou uma delas apressadamente.

- Ele a demitiu!

- Mas a Maki era tão boa…- Disse a enfermeira de Naruto.

- Pois é – Disse a outra. – e sabe por que ele a demitiu?

- Não.

- Por que aquele policial que você 'tá cuidando mandou chamar ele! E ele se irritou com a Maki e deu um bocado de berros nela. – Murmurou em tom cavernoso.

- Mas por que…?

- Eu não sei! Sabe, mas estão dizendo que o doutor Uchiha é um estuprador serial! Ou então um psicopata assassino!

A outra ficou boquiaberta.

- Será? – Questionou atônita.

- Veja bem: ele botou a Maki pra fora só por que ela o chamou quando ele não queria! Que tipo de pessoa demite um empregado por uma besteira dessas?! Apenas loucos!

- É, realmente. Ah, Kami-sama! Será que ele é mesmo?

- Mas olha só! Veja só, se não é suspeito! Ele já tem trinta e dois anos e nunca nem sequer noivou! Como é que ele pode ser um cara normal? Quer dizer, poxa, todas as mulheres que ele conhece namoram por pouco tempo com ele e são todas bonitas e elegantes…Sempre legais…

- Será que ele é gay?

- Não, o doutor Uchiha é muito-

- Ei! A conversa tá boa, mas deixem para fofocar quando o turno acabar! – Gritou um rapaz abrindo a porta.

- Dr.Suigetsu! – Disse uma delas.

- É, é meu lindo nome. – Falou todo cheio de si, passando a mão no cabelo. - Mas vamos logo, lindinhas. Tem gente morrendo nesse hospital só de esperar por vocês. CIRCULANDO!

As duas saíram apavoradas da salinha, que notando bem era um armário de vassouras.

- Ahn…Estuprador serial de purpurina, é? Ah…Sasuke-chan vai amar saber disso!

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Sasuke acordou.

Ele olhou preguiçosamente para o relógio que ficava em cima de seu criado mudo. Eram onze e onze da manhã. Havia acordado tarde, já era praticamente a hora do almoço.

Olhou para o teto do seu quarto. Não queria nem pensar em sair da cama, mas tinha que fazê-lo.

O seu apartamento era bastante grande. Tinha pelo o menos trezentos metros quadrados, um duplex.

Na parte de baixo, ficavam a sua cozinha, a sua sala e duas suítes onde não dormia absolutamente ninguém.

E na parte de cima, seu banheiro com hidromassagem e tudo o que se tinha de mis avançado em quesito de banheiro, e o seu quarto, grande, de persianas azuis, e cores brancas e azuladas nas paredes e é claro, a mobília de carvalho, e uma cama king-size que dava de frente para uma TV de plasma, sendo apenas um pouco menor.

Seu escritório era salinha branca sem graça, com algumas caixas de remédios e uma escrivaninha onde haviam alguns documentos, papéis em branco e um note book.

O doutor se espreguiçou, esticando os braços e o corpo, lembrando um gato preguiçoso.

Ele desceu as escadas apenas com o calção de algodão com qual havia dormido e comeu alguma coisa, subindo novamente.

E após vinte minutos, ele desceu as escadas mais uma vez, trajando um casaco negro, uma camisa branca, uma calça preta e sapatos de mesma cor, foscos.

Já com o jaleco pendurado no ombro e a pasta segura na mão esquerda, o jovem médico foi até o estacionamento via elevador, abrindo a porta de um Honda preto, jogando as coisas no banco do carona.

Em míseros quarenta e cinco minutos se comparando ao trânsito de Tókio, Sasuke entrava pelo saguão do hospital naquela manhã, já com o crachá e jaleco branquíssimo postos em corpo.

Entrou na sala do dia anterior, aquela da grande bancada de vidro e lousa branca.

Suigetsu e Juugo estavam sentados cada um em uma cadeira postas de lados opostos da bancada, os dois com uma prancheta e uma travessinha de plástico selada.

- Ohaiyo, meu gostosão! – Cumprimentou Suigetsu se referindo a Sasuke que lançou um olhar digno da era glacial ao pneumologista. – Também te amo, benzinho.

- Bom dia, Sasuke. – Cumprimentou Juugo sem desgrudar os olhos da prancheta, educadamente.

- 'Dia, Juugo. – Respondeu Sasuke se sentando em uma das cadeiras da bancada. – Onde é que a Karin está?

- Bem, deve estar enfiando o dedo no...como é que ela diz? Ah sim, no ânus de alguém. – Disse Suigetsu com tom debochado, mas com desinteresse. – Ela disse que hoje tinha pacientes extras e não ia poder vir.

- Hn. – Concordou o Uchiha, tirando um note book de bolsa.

- Pronto para a cirurgia, Sasuke? – Perguntou Juugo tranqüilo como sempre.

- Estou. Não é muito difícil mesmo. E logo a coisa loira vai estar puxando gatilhos de novo. Lindo, não?

- Lindo, Sasuke. Lindo como você. – Caçoou o de cabelos claros em tom de deboche. – Vou ter uma cirurgia amanhã.

- De quê? – Perguntou o de cabelos castanhos.

- Pulmão, lógico. A criatura fuma há mais de vinte anos e se separou do marido por que ele começou a mandar ela parar de fumar. Ela tem um tumor tão grande que já perdeu o pulmão esquerdo e se não entrar na faca e parar de fumar vai morrer

- Quê mais?

- Ela ameaçou se matar se eu tirasse o cigarro dela. Mas aí eu disse que por mim tudo bem e ela calou a boca.

- Nossa, quanta sutileza. – Disse Sasuke com um meio-sorriso. – A sua cara Suigetsu. Só acho que você deve ter usado um palavreado um pouco diferente com ela.

- Lógico que sim, esse povo não entende assim, na paz. Eu tenho que ser mais incisivo.

- Diga logo mais violento.

- Também te amo, Sasu-chan.

- Foda-se, seu merda. – Mandou o neurologista irritado.

Juugo de repente arqueou uma sobrancelha e encarou Suigetsu.

- O que foi? – Perguntou o menor.

- Você se inscreveu para assistir a cirurgia de hoje à tarde? – Perguntou com ar de desconfiança.

- É, na verdade, hoje era a minha folga, mas eu tinha que atender a minha querida fumante…Bem, hoje eu só tenho duas consultas marcadas, aí eu vou assistir à cirurgia para fazer companhia à vocês e encher lingüiça. – Respondeu o rapaz sorrindo sarcasticamente.

- Se a coisa morrer por causa de alguma gracinha sua… - Dizia o Uchiha. – você é quem vai pagar a indenização, tá ouvindo?

- Credo Sasuke, você fala como se seus pacientes fossem objetos. Não dá pra ter mais respeito por eles não? – Perguntou o médico de cabelos de cor estranha.

- É o seguinte: eles pagam pra eu curá-los por que eu tenho um monte de diplomas na parede. Não tem nenhuma parte que diga que eu precise respeitá-los.

- Por que isso não me surpreende? – Questionou-se Suigetsu despreocupado.

- E além do mais, - Prosseguiu o outro. – nunca é bom se envolver psicologicamente com pacientes.

- Sabemos disso, Sasuke, mas os pacientes também são seres humanos com cérebro, ossos e coração, assim como eu ou você. – Disse Juugo com firmeza. – Não acha essa distância toda desnecessária?

Sasuke pensou um pouco e respondeu:

- Não.

O som de saltos ecoaram pela sala. Karin entrou segurando uma bandeja cheia com alguns pratos. Estava com uma blusa de cetim rosa-clara com mangas cumpridas, uma calça jeans e sapatos fechados de salto alto.

- Bom dia, Karin. – Cumprimentou o de cabelos castanhos.

Karin ergueu os olhos que estavam voltados para a sua bandeja para resmungar alguma coisa e viu Sasuke. Na mesma hora, ela falou, toda alegrinha:

- Bom dia, Sasuke-kun!! Está um lindo dia hoje, né?

- Hn.

- Também acho! – Disse ela dando um sorrisinho encantado, enquanto andava toda animada até uma mesa perto dele. Viu os outros dois homens, e cumprimentou com secura: - Olá, vocês dois.

- Bom dia. – Cumprimentou Juugo, abrindo um pratinho onde estava o seu almoço.

- Sério Karin, você tem que parar com essa de rebolar que nem uma garota de programa toda a vez que vê o Sasuke. As pessoas vão aca- - Dizia o pneumologista abrindo seu almoço.

- CALA ESSA MERDA DE BOCA, SUIGETSU! – Berrou ela com fúria. Quando se virou, o Uchiha a mirava assustado. – Desculpe o atraso, Sasuke-kun! É que eu estava examinando uns pacientes… - Disse ela envergonhada

- Uhn…Alguma novidade? – Perguntou .

- Cirurgia de hemorróidas mês que vem. O cara é juiz de direito e acha que se Deus está na Terra, é ele mesmo. Eu tive uma vontade tão grande de dar uma vassourada naquele imbecil que eu acabei quebrando um copo de vidro quando fui beber água. – Disse mostrando uma mão com alguns cortes rasos. – Se brincar ele deve achar que até o cocô dele é superior ao de todo mundo.

- Juizes decidem as regras, e alguns acham que isso os torna mais próximos de Deus. – Disse o médico de ossos sabiamente. – Assim como alguns médicos acabam criando a ilusão de que são deuses por que são capazes de curar. – Disse olhando discretamente para o Uchiha. – O que sabemos que não é verdade, e também que não é todo mundo que é assim.

- Entendo perfeitamente o que quer dizer. – Dizia Suigetsu entre pausas realizadas para comer arroz. – Na verdade eu conheço um exemplo vivo! Irônico, não? – Disse sorrindo para o médico de Naruto que o xingou de alguma coisa.

- Cala a boca, Suigetsu! – Mandou Karin irritada.

- Já são uma e meia. – Disse Juugo olhando seu relógio de pulso. – Melhor irmos andando, Sasuke. Temos que ir nos preparar para a cirurgia.

- Hn. – Fez Sasuke se levantando da cadeira. – Depois você desliga pra mim. – Mandou encarando Suigetsu e apontando para o seu notebook.

- Por você tudo, Sasuke-chan.

Hello, minna-san.

Sim, o post passado ficou cheio de erros ortográficos (e esse provavelmente vai ficar também) e eu sei que eu fiquei parecendo uma completa tapada (O que em partes bem pequenininhas é verdade). Ó.Ó.

Obrigado para as pessoas que adicionaram Ossos do Ofício nos favoritos.

Bem, e vamos às reviews!

Kumagae-Sama:

É bom saber que alguém acha que a criatura aqui faz um trabalho decente...E que também é tão fanática por homens se agarrando quanto ela, rs.

Sim, sim, sim...Outros casais estão previstos, embora que os que mais vou destacar são ItaSai e SasuNaru. Mas a fic terá insinuações de ShikaTema, InoChou e um provável indício de GaaLee (GaaLee não confirmado!!)

Bem, espero que você esteja gostando de verdade e não esteja elogiando por estar desesperada por algum material yaoi, e please não deixe de comentar!

Mei.

yeahrebecca:

VOCÊ POR AQUI?!

Nossa, isso tocou lá no fundo da alma...Não vá achando que eu sou meio idiota (mentira, eu sou) mas saiba que você é uma das minhas autoras favoritas. Bem, eu tenho muitas autoras favoritas mas considere que você está numa boa colocação! n.n.

Menina, você quer me matar do coração, não é? Aparecer aqui (NÃO QUE EU NÃO QUEIRA QUE VOCÊ MANDE REVIEW) e ainda elogiar...Tô começando a ficar emocionada. Brincadeirinha! Mas é bom ter você por aqui, rebecca-senpai.

Quanto ao ItaSai está confirmado sim, e daqui a pouco vai aparecer.

Eda-chan está querendo sair do cargo de beta por conta do ItaSai e do vestibular. Aquela estória de betar foi séria? Me avise, por que se não foi, vou ter que segurar a onda da nee-san por mais uns tempos, até eu acabar a fic. (o que não pode ser tão difícil. Mentira, estamos falando da minha irmã que me batia quase todo dia quando eu era menor...Mas eu a convenço)

Espero que goste do cap. e comente!

Mande outro alô em breve!

Mei.

Srta. Kinomoto:

Minha nossa, hoje são muitas emoções! E aqui eu respondendo a primeira review da minha vida!

Com certeza...Na verdade uma das coisas que me fez ter coragem de publicar foi a idéia de ver (e mostrar ao mundo) um Sasuke de jaleco branco e talvez até um Naruto com aquela roupinha azul e preta de policial... (Tendo leve hemorragia nasal)...Ai, ai...

Domo arigatou pela review e espero que você realmente goste, por que eu estou dando o meu melhor.

Espero que esteja bem, e que principalmente continue a acompanhar e a comentar.

Bem, acho que seu nome vai ficar gravado na minha cabeça pela primeira review, então obrigado mais uma vez!

Abraços!

Mei.

Nessah:

Bem, espero que você continue a comentar nos próximos capítulos, e que continue gostando.

E aqui está o segundo capítulo! Sei que demorei um tempinho para postar mas acontece que ninguém é de ferro, né?

Continue lendo, e espero que fique satisfeita com o que está por vir na estória.

Kissus,

Mei.

EIII!! ESPERA AÍ, Ô!

MANDA AÍ UMA REVIEW!! PLEASE!! FAÇA-ME FELIZ ! É SÓ APERTAR NESSE BOTÃOZINHO AÍ EM BAIXO, Ó!

OBS: Vou postar sempre em tardes de sextas-feiras ou nas quintas à noite! LEMBREM-SE!!

(Hum, e não percam o próximo cap.: A Cirurgia.)!!