S.O.S.

Por Lamari

Resumo: O jogo acabou depois do final? Ou o jogo continua até que um vencedor seja claramente definido?

Nota da Autora: Após a catártica Ao Vencedor..., achei que a fic merecia uma continuação. De certa forma, ainda catártica, mas mais leve (ao menos é o que eu acho). E como alguns pediram uma continuação, e como eu havia esquecido como era bom escrever e receber comentários sobre o que foi escrito, e como eu estou com ABBA na cabeça, e como toda a conjuntura me levou a isso... eis aqui o segundo capítulo de Ao Vencedor. Espero que gostem!

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S.O.S.

– Estou preparando minhas coisas, Milo. Atena precisa de novos cavaleiros e eu me dispus a treinar dois deles. Parto em três dias para a Sibéria.

Um cofre-forte de aço daria essa notícia com mais emoção. Mas Camus, meu melhor amigo, disse essas palavras como se pedisse um mero copo d'água. Eu pediria um copo d'água mais efusivamente, oras! E eu fico imaginando minha cara ao ouvir aquilo, e daquela forma. Num primeiro momento eu simplesmente nada disse, permaneci calado, boquiaberto. Logo eu, calado. Logo eu, boquiaberto. E ele, impassível, olhando-me como se eu fosse um estranho qualquer, um mendigo que lhe batera à porta para pedir comida. Eu trataria o mendigo com mais intimidade do que ele me tratara! Não sei quanto tempo se passou até que eu pudesse me rearticular. – São aprendizes de sorte, não há melhor mestre do que você!

– Obrigado!

Obrigado? Atena, ele me respondeu obrigado? Eu tive vontade de gritar, de lhe estapear, de xingá-lo por me deixar ali, sozinho, sem sua presença reconfortante, sem a tranqüilidade que dele emanava e que me fazia feliz. E ele simplesmente me diz um obrigado, um obrigado sem significado algum. Obrigado por quê? Eu é que não era obrigado a ouvir aquilo, a assistir àquilo. Mas eu me agarrei ao fio de orgulho que me restara e sorri. Sorri, girei sobre meus calcanhares e saí dali; passos lentos no início, um trote frenético logo que me vi longe da décima-primeira casa.

– Obrigado!

Zeus, aquela palavra girava pela minha cabeça, girava e girava e girava. Nada poderia ter menos significado, nada; até mesmo o silêncio teria sido melhor. O que me matava não era ele não me amar, não, o que me matava era a indiferença. A indiferença ao me ver por aí, de braços dados, aos beijos e abraços com Afrodite de Peixes. Quanto tempo faz que eu estou com o pisciano? Dois anos, talvez mais. Logo após o último jogo de cartas na casa de Camus, sim, logo após. Ali eu decidi que era melhor seguir em frente com a minha vida, que não adiantava dar indiretas se ele não as quisesse responder. Ora, Camus não é burro! Ele é capaz de entender, de ler nas entrelinhas. Não é? Não sei. É claro que ele sabe te interpretar, ele é seu melhor amigo! Porém Camus é educado o suficiente para fingir que não entendeu o óbvio ululante, para evitar uma situação ruim. É melhor encarar de uma vez por todas e seguir em frente, foi o que eu pensei depois daquela conversa. Camus disse que sempre estaria comigo, e isso me foi reconfortante. Eu teria de me contentar com isso. Com isso e com Afrodite.

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Where are those happy days, they seem so hard to find

Onde estão aqueles dias felizes, eles parecem tão difíceis de encontrar

I tried to reach for you, but you have closed your mind

Eu tentei te alcançar, mas você fechou sua mente

Whatever happened to our love

O que quer que tenha acontecido com nosso amor

I wish I understood

Eu gostaria de saber

It used to be so nice, it used to be so good

Era tão legal, era tão bom

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Lembro-me dos primeiros anos de Santuário. Lembro-me da amizade que surgiu espontânea com aquele garoto arredio, distante, difícil e auto-suficiente. De como eu me senti instantaneamente atraído pelo colega ruivo de olhos de gelo. Sempre fomos muito diferentes, Camus e eu. Pela própria natureza de meu signo sempre fui mais expansivo, mais explosivo até. Camus, ao contrário, é a discrição em pessoa, um homem preso em si mesmo. Estranho, quando menino Camus já era preso em si mesmo. Ele não gostava de falar, não gostava de brincar. Eu quis descobrir aquele garoto, conhecê-lo, entendê-lo. O mistério em torno de meu colega aquariano me atraiu, me enveredou.

Comecei a observá-lo. Queria me aproximar, mas para isso precisava encontrar um ponto, uma pequena fraqueza na parede de gelo que ele estava construindo em torno de si. Mas foi o próprio Camus quem encontrou essa intersecção entre nós dois. Pela seriedade com que encarávamos nossa função, pela fidelidade cega aos nossos propósitos, pela dedicação ímpar que ambos demonstrávamos, nos tornamos amigos.

Claro que ao longo do tempo começamos a enxergar não somente as congruências entre nós; aos poucos percebemos nossas diferenças, nossas particularidades. Camus é um ser humano maravilhoso, cuja mente é livre mas o coração é sufocado por uma vida de deveres sem fim. E por isso o aquariano é um paradoxo em si mesmo, alguém que voa mas não consegue sair do chão. Alguém que contesta mas obedece. Alguém que chora mas não tem lágrimas. Eu, pelo contrário, gosto das leis e da ordem, sou incapaz de questionar por um segundo os mandos de meus superiores. Tenho mente de militar, focada em resultados e em metas. Por isso sou organizado, disciplinado. E também explosivo quando as coisas saem do controle, quando não acontecem conforme o planejado.

As diferenças porventura foram um problema, por diversas vezes ensaiamos uma discussão, uma argüição sem sentido. Mas Camus de repente se calava, abria um livro e se sentava na chaise-longue como se nada estivesse acontecendo. No início eu ficava fora de mim, com vontade de lhe lançar Antares nas fuças para ver se ele aprendia a não me ignorar. Mas depois eu passei a entender que aquela era a forma do francês dizer que não adiantava brigar, que éramos diferentes, que pensávamos diferente, e que se gostássemos mesmo da companhia um do outro, era melhor encerrar o assunto e continuar vivendo.

E nós continuamos vivendo, e como continuamos! Eu me lembro de como fomos felizes naqueles tempos que antecederam sua ida à Sibéria. De como passávamos todo o tempo juntos, fosse treinando, fosse correndo pelo Santuário, fosse conversando sobre as incertezas de nosso corações e certezas de nossas mentes. E eu me lembro da tristeza arrebatadora que tomou conta de mim quando ele partiu para a Rússia, de como meu coração se apertou, de como eu morri um pouco.

Mas anos depois Camus voltou. Estávamos mais maduros, éramos quase adultos. E essa maturidade aliada aos hormônios à flor da pele me fez ver no francês mais do que um amigo. Sim, eu havia me apaixonado pelo aquariano! E quando ele voltou, eu finalmente entendi.

E então eu passei a conviver com a dúvida pesando em meu coração: eu amava Camus, mas Camus não amava ninguém. Talvez amasse a seu aprendiz Hyoga, é verdade, e também à Deusa. Talvez ele amasse a mim, mas não da forma como eu gostaria. Eu continuei vivendo. Eu escolhi continuar vivendo.

Passamos por tantas situações, tantas. Não vale a pena lembrar de rebeliões, de guerras, de mortes... de mortes duplas. Camus é tão diferente, tão único, que foi capaz de morrer por duas vezes, e por duas vezes me fazer morrer com ele. Não é fácil amar calado. Mas também fomos felizes, muito felizes. Livros que partilhamos, letras de música que descobrimos juntos, vinhos que ele me ensinou a apreciar, passos que eu o ensinei a dançar. Com Camus descobri que a felicidade nada mais é do que uma colcha de retalhos de momentos felizes costurada por sentimentos bons.

Chegou um momento, entretanto, que eu me cansei. Passei a dar indiretas, dizer sem dizer. Mas de nada adiantou, não. Nessa época tive alguns casos sem importância... Saga, Máscara da Morte, até mesmo na cama de Mu de Áries eu me satisfiz. Éramos uns pervertidos, somos uns pervertidos. Mas foi em Afrodite que encontrei alguém capaz de me acolher. Não que ele seja apaixonado por mim ou eu por ele, não, de forma alguma. Somos na verdade muletas um do outro, um apoio para suportar a dor de um amor não correspondido.

Confesso: eu até pensei que ficar com Afrodite faria Camus entender que me amava. Acho que me convenci, tentei ver amor onde havia amizade. C'est la vie, como ele diz: preferimos nos ater a um minúsculo ponto de esperança a encarar a derrota.

Tentei minha última cartada tempos atrás. Fui até a casa do aquariano decidido a arrancar dele uma confissão, uma ponta de esperança que fosse. Durante o jogo eu gritei meu xeque-mate, pedi-lhe para confessar, para se abrir comigo, para colocar as cartas na mesa. Descobri que não havia nada no coração de Camus além da amargura de quem morrera e vivera no inferno, nada além de feridas não cicatrizadas de uma época que nenhum de nós gostaria de ter vivido. E então eu aceitei meu destino, atirei-me nos braços de Afrodite. Todas as noites eu o possuo como a um corpo sem alma, um receptáculo puro e simples de gozo, prazer sem sentido.

Eu usei de todos os meios, todos os artifícios e estratagemas para atingir Camus de Aquário, para tentar enveredá-lo, conquistá-lo. Falhei em meu propósito, e por isso não me perdôo. Agora Camus se vai, vai para a Sibéria. E eu fui incapaz de pedir-lhe para ficar. O que aconteceu conosco? O que houve para que tomássemos caminhos tão diferentes assim? Onde estão os dias felizes de conversas intermináveis sobre o universo e o nada? Os jantares regados a vinho tinto e música pop? A companhia muda de quem lê um livro enquanto o outro cozinha o jantar? O que aconteceu conosco?

Penso que não vou conseguir assisti-lo sair de minha vida sem entender porque...

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So when you're near me baby, can't you hear me S.O.S?

Então quando você está perto de mim não consegue me ouvir S.O.S?

The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.

O amor que você me deu, nada mais pode me salvar S.O.S.

When you're gone

Quando você se for

How can I even try to go on?

Como posso ao menos tentar continuar?

When you're gone

Quando você se for

Though I try how can I carry on?

Embora eu tente como posso continuar?

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Socorro! Por favor, alguém me ajude! Não posso suportar, como eu vou suportar? Não isso, não mais uma vez. Posso suportar a indiferença, mas não a distância. Não! Eu preciso fazer alguma coisa, eu vou fazer alguma coisa... eu vou!

Subi as escadas que separam minha casa da dele numa fração de segundos, num piscar de olhos. O triste é que estou tão fora de mim que sou capaz de falar meia dúzia de bobagens sem sentido. Mas quer saber?, eu não ligo! Chegou a hora de me livrar desse peso, desse mundo que eu carrego nas costas. Chega! É hoje que ele vai embora por sabe-se lá quanto tempo, e perdido por um, perdido por mil. Melhor dizer logo tudo de uma vez a passar anos arrependido por não tê-lo feito.

– Milo? Pensei que você não viesse se despedir.

As malas espalhadas pelo chão de mármore me fizeram engolir em seco. E um nó se formou em minha garganta quando percebi que o mármore da pele de Camus era ainda mais frio do que o do piso bonito. – Então é verdade? Você vai mesmo?

– Ora, e alguma vez eu menti pra você?

Sim, ele mentira uma vez... há algum tempo, mas e daí? Eu tinha uma ponta de esperança. Na verdade, eu precisava começar aquilo de algum ponto. Eu estava tenso, e ele impassível como sempre. Pela segunda vez em curto espaço de tempo senti vontade de esbofetear meu melhor amigo. – Certas coisas são fáceis de esquecer, não são?

– Você tem certeza de que quer falar sobre a Guerra Santa agora?

Mas é óbvio que eu não quero falar sobre isso, nós nunca falamos sobre isso... embora devêssemos. Mas não agora, claro. Não agora. Agora eu estou confuso, não sei o que fazer, não sei o que dizer nem por onde começar. Estou precisando de ajuda, e normalmente eu recorro a Camus quando preciso de ajuda. Dá pra entender a dificuldade pela qual eu estou passando? – Socorro, Camus! S.O.S!

– S.O.S.? O que houve dessa vez?

Ele se permitiu um meio sorriso, deve ter achado extremamente engraçado meu pedido um tanto quanto bizarro de ajuda. É, eu estou parecendo um parvo, mesmo: minhas pernas bambeiam e meus lábios tremem. – Como vou viver sem você aqui, Camus?

– Você vai se acostumar. Você tem Afrodite.

E quem é que quer o Afrodite, Camus? Talvez Máscara da Morte, mas ele é turrão demais pra perceber isso. Quem liga pra Máscara da Morte e Afrodite? Zeus, por que você não escuta meu pedido de socorro, por quê? Será que vou ter de gritar, de gritar até meu peito explodir? – Foda-se o Afrodite!

– Eu sempre estive aqui para ajudá-lo, Milo. Mas outras pessoas precisam de mim agora, você precisa entender. E há outras pessoas além de mim que podem ajudá-lo, Milo, com certeza. Você é inteligente, magnético. Use esse magnetismo, encontre um novo amigo.

Como é que é? Eu não ouvi isso, não mesmo. Não é possível! É frieza demais, até mesmo para Camus. O que aconteceu com meu amigo? Eu sabia que um dia o coração dele se congelaria de vez, mas não imaginava que seria tão rápido. Ainda somos jovens. Ele não pode falar sério, não pode! Ele não quis dizer isso, não. Ele me despedaçou. Sinto-me como se tivesse sido perfurado por meu próprio golpe. E talvez essa não seja uma má idéia, perfurar-me! – Você é o único que pode me salvar, Camus. Você, nosso amor. O amor que você me deu é a única coisa que pode me ajudar. Socorro, Camus!

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You seem so far away, though you are standing near

Você parece tão distante, embora esteja perto

You made me feel alive, but something died I fear

Você me fez sentir vivo, mas alguma coisa morreu, eu temo

I really tried to make it out

Eu realmente tentei decifrar

I wish I understood

Eu gostaria de entender

What happened to our love, it used to be so good

O que aconteceu com nosso amor, era tão bom

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– ...

Nada. Nem uma palavra proferida por aqueles lábios finos. Nem uma inflexão, nada. Nem um suspiro. Nem um balançar de braços, um cadenciar de pernas. Nada. Ele olhava através de mim, sem me ver, interessado talvez em algum ponto inexistente no segundo plano de sua visão. Seus olhos se tornaram opacos, sem brilho, e seu rosto ainda mais alvo. Tenho a impressão de que ele voou: seu corpo estava lá, mas sua alma estava bem distante. – Você já partiu pra Sibéria uma vez, e quando retornou morreu duas vezes. Eu não sei como eu agüentei, olha o absurdo da coisa, eu te dizer "você morreu duas vezes"! Nossas conversas não têm sentido, nossas vidas não têm o menor sentido, mas céus, Atena há de saber que o único sentido que eu vejo na minha vida é você, Camus!

– Como o sentido de sua vida sou eu se você disse que nossas vidas não têm sentido?

Acho que eu estou falando com algum zumbi saído diretamente de um filme de qualidade duvidosa para atormentar minha vida, não é possível! Ele vai se ater a palavras, a frases ditas por um ser ensandecido pela partida iminente do amor de sua vida? Eu preciso fazer alguma coisa, e rápido. – Quando você morreu pela primeira vez, eu morri junto. Sua reaparição, mesmo com o propósito de matar a Deusa, me trouxe de volta à vida. Entretanto, eu morri mais uma vez quando fui obrigado a te matar, Camus. Zeus sabe que eu nunca senti tanta dor em toda minha vida. Você voltou, eu voltei, mas essa dor permanece em meu coração: eu continuo um pouco morto. Mas você, você é capaz de me curar, de me curar de uma vez por todas. Talvez eu seja capaz de te curar também. Será que você não vê? Será que você não vê que eu te amo? Não vê que eu te quero? Não vê que eu sou apaixonado por você? E antes que você pergunte, foda-se o Afrodite! Foda-se!

– ...

Confessei. Tomei uma decisão e estou preparado para as conseqüências. Confessei. Estou alerta, estou feliz até pela não-reação dele. Afinal, reação nenhuma é melhor do que de repente me ver num esquife de gelo. – O que aconteceu conosco, Camus? Por que tomamos caminhos tão diferentes? E por que raios você não me responde? Fale alguma coisa, mas fale, pelo amor dos deuses!

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So when you're near me baby, can't you hear me S.O.S?

Então quando você está perto de mim não consegue me ouvir S.O.S?

The love you gave me, nothing else can save me S.O.S.

O amor que você me deu, nada mais pode me salvar S.O.S.

When you're gone

Quando você se for

How can I even try to go on?

Como posso ao menos tentar continuar?

When you're gone

Quando você se for

Though I try how can I carry on?

Embora eu tente como posso continuar?

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– Você deveria ter me dito isso antes.

Antes do quê? Da cabeçudisse dele de querer ir pra Sibéria, se enfiar no fim do mundo, para fugir sabe-se lá do quê? – Camus, às vezes você pode ser muito burro. Quantas vezes eu tentei te dizer? Claro que de forma sutil, mas tentei. Quantas frases ambivalentes, quantas vezes eu não rezei para você ler as entrelinhas! Tantas vezes que eu nem me lembro. Você sempre esteve tão perto, mas nunca conseguiu entender o pedido de socorro mudo que eu te lançava, sempre, todos os dias.

– Durante o jogo de cartas... você se lembra, o último. Quando você me disse que eu precisava me arriscar pra saber, você não estava falando sobre as cartas, estava?

Brilhante! Agora, dois anos depois, ele entende! Eu até que achei que fui claro o suficiente. O que Camus queria, que eu me declarasse como fiz agora? E pra quê, pra tomar um fora estratosférico? Ele nunca demonstrou nada, nenhum sentimento por mim além de amizade, nada... ou será que... não, não pode ser... pode? – Nossa, quanta inteligência e perspicácia pra uma pessoa só. Você esperava o quê, Camus, que eu desenhasse um coração pra você? Como você não conseguiu entender o que eu quis dizer? Eu achei que você não me quisesse, que não me amasse, que tivesse, de forma sutil, me dado um fora daqueles.

– E você se acha o rei da perspicácia, não é, Milo de Escorpião? Qualquer um aqui no Santuário sabe que eu sou mestre em esconder meus sentimentos, você esperava o quê? Que eu pedisse uma rosa pro Afrodite pra poder dar de presente pra te cortejar? Ora convenhamos!

Por que ele insiste no Afrodite? Coisa mais chata! Que raiva desse francês empertigado, desse narizinho arrebitado e desse ar de superior. – Eu deveria era te mandar pra puta que o pariu, Camus. Eu venho até aqui em desespero e é assim que você me trata?

– Como se eu estivesse minimamente preocupado com o que você acha do jeito que eu te trato, Milo! Tenho uma outra preocupação, bem mais importante, em mente.

Outra preocupação além de mim? E qual seria? O vôo que ele vai perder por minha causa? – Folgo em saber que você tem preocupações mais importantes do que seu melhor amigo se declarando pra você, Camus.

– Mas é claro que tenho. Como é que eu vou comunicar a Saori que eu não vou mais para a Sibéria?

Meu estômago subiu até o cérebro e desceu quando ele me abraçou. Um abraço forte, cálido, cheio de carinho. Cheio de amor. E o beijo, o beijo que veio em seguida... faminto, possessivo, pleno de fogo e paixão. – Acho que vou desmaiar... Camus, S.O.S.!

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Música: S.O.S., Abba. Ainda no clima de Mamma Mia!

Nota final: eu tinha esquecido de como é bom escrever e de como é melhor ainda receber reviews. Pois então, nem preciso dizer. REVIEWS, PLS!

Agradecimentos pra lá de especiais a Flor de Gelo, Julia, Giselle, Black, e-Ifrit, , Mi-chan, Lhu Chan. Vai um recadinho pra cada um, e para os logados respondi via website também.

Flor de Gelo: realmente é triste nos conformarmos, mas às vezes é necessário. Camus se conformou e se manteve conformado até o fim, o prêmio só veio porque Milo foi capaz de se declarar. Muitas vezes não somos capazes de revelar nossos sentimentos e acabamos perdendo muito com isso, não é? Não sei. Camus e Milo se deram bem, talvez outras pessoas não tenham a mesma sorte. Obrigada pelo review!

Julia: Cá está a continuação que você pediu. Espero que goste. E obrigada por comentar!

Giselle: Eu acho que sei quem você é. Agradeço muitíssimo pelo comentário, você conseguiu me enxergar na fic. Acho muito pretensioso de minha parte tentar fazer uma metáfora de nossas vidas, mas sim, confesso que tentei colocar no papel todas as dificuldades e frustrações de nós, seres humanos que temos dificuldade em nos expressar, em sentir, em nos tocar sem medos e angústias. Fomos feitos para viver em pares, em bandos, mas por vezes nos forçamos a ir contra essa programação genética milenar, e isso não acaba bem. Espero que goste dessa segunda parte, bem mais leve do que a primeira. É que, por mais dificuldade que tenhamos em conviver, em dizer, também temos muita esperança. E por isso, acreditamos na melhora. Muito obrigada pelo review.

Black: Cá está a continuação. Claro que o conformismo de Camus continuou, mas a vida às vezes nos leva por caminhos que nem sonhamos em trilhar, não é mesmo? Fico feliz que tenha gostado da fic e da forma como expus os sentimentos do Camus. Realmente não é fácil escrever sobre alguém que sente sem poder sentir. Agradeço pelo apoio, e espero que tenha gostado da continuação.

e-Ifrit: Vida real, é verdade, é bem isso aí mesmo. Gostei muito do que você disse: "esse jogo, ganha-se, perde-se, uns insistem, outros se conformam... é a vida!". Sim, é a vida, nada mais é do que um jogo de cartas, em que a vitória pode estar em arriscar, em acreditar que o outro blefa ou confiar nas cartas que se tem na mão. Nossa, dá pra pirar um bocado, mas é melhor parar por aqui caso contrário a resposta fica maior do que a fic, rs. Obrigada pelo review.

: Olha, assista Mamma Mia! Vale muito a pena, o filme é leve, me fez sair do cinema com a alma flutuando. Obrigada pelo review!

Mi-chan: Querida, é verdade, dei uma pirada, uma sumida geral. Mas não foi só do mundo das fanfics não, foi do mundo. Mas eu estou em franca recuperação, em ascensão total. Também gosto muito mesmo de você, e agradeço imensamente pela preocupação. Quanto à fic, esse capítulo está mais Lamari? Rs. Sua opinião é muito importante para mim!

Lhu Chan: Sim, escrever a fic me ajudou... tanto que consegui escrever uma continuação para acertar as coisas, viu? Espero que tenha gostado. Obrigada pelo apoio!