Capítulo 8!: Uma Forma de Celebrar

Por Marmalade Fever

A sala de tribunal estava escura, e o homem estava sentado preso a uma cadeira feia de madeira sob o olhar de especulação de Wizangamot. Entre ele e as fileiras de assentos havia uma chama brilhante azul-prateada. A chama se estendia pelo comprimento da sala, separando-o completamente dos outros presentes na sala. De vez em quando, alguma figura se formava na chama, um animal ou algum outro ser. Uma das vezes, Draco viu o que só podia ser a cabeça de um rinoceronte.

"Lucius Malfoy," uma bruxa enrugada com calvície mal escondida declarou. "é por ordem deste tribunal, o Wizangamot, o inspetor Mugwump, assim como o Ministro da Magia, que o Sr. Será incapacitado de hoje em diante até a sua morte.

"A alma é algo precioso, Sr. Malfoy. Muitas pessoas, trouxas e bruxas, acreditam que apenas com a alma um indivíduo seria capaz de alcançar a vida eterna. A alma é imortal, enquanto o corpo não.

"A sua alma, Sr. Malfoy, encontra-se em risco eterno. Eu não tenho como dizer com certeza que nós o estamos condenando à danação ou não. Se for o caso, eu ofereço meus profundos pêsames. Ninguém verdadeiramente merece tal destino, mas os seus crimes o levaram a isso.

"Sua esposa e seu filho receberam leniência. Eles não terão o mesmo destino que o Sr., nesse aspecto o Sr. pode se tranquilizar." Ela ficou em silêncio por um bom tempo. "Você tem palavras finais a dizer?"

O cabelo de Lucius Malfoy estava perfeitamente penteado, como sempre, mas toda sua conduta estava sem sua arrogância habitual. Ele usava roupas de prisioneiro – listras brancas e pretas como uma caricatura, com manchas de terra, sujeira e sangue de outra pessoa.

E a expressão em seu rosto. Não havia sorriso de desprezo. Nem de arrogância. Mal tinha expressão alguma que Draco reconhecesse. Era resignação, derrota. O homem fora arruinado afinal.

Os dois pares de olhos cinzentos se encontraram através das chamas, a mesma dor e resignação em ambos. Ele limpou a garganta. "Eu –" ele tossiu novamente, sua voz fraca, "Eu só gostaria de dizer algo à minha família. Em particular?"

A bruxa calva o considerou um momento antes de assentir para Draco e Narcissa. Os dois se levantaram ainda em uma estupefação zonza, cruzaram as chamas. "Parem aí," a mulher ordenou, então pararam.

O pai de Draco olhou primeiro para a esposa. "Eu sinto muito, minha querida. Eu sinto muito por ter te decepcionado. Tantas coisas que você me pediu e que eu fui idiota demais para conceder. Eu te amo, Cissy. Eu não disse isso vezes suficientes durante o nosso tempo juntos, mas é verdade."

Lágrimas desciam pelo rosto da mulher, e ela fez um barulho engasgado e tentou se aproximar, mas uma advertência dos guardas a fez recuar. "Eu sei, Luce, eu sei. Eu te amo," acrescentou, sua voz tão suave que mal era audível. Ela se atordoou e Draco a segurou. As lágrimas dela encharcaram o ombro das vestes dele.

"E você, Draco," seu pai continuou, "você se tornou uma pessoa muito melhor do que deveria ter sido, considerando a educação que eu te dei. Você tem algo que só pode ser da sua mãe. Você tem compaixão, meu garoto. Você tem a habilidade de colocar quem você ama em primeiro lugar. Eu... Eu sinto muito por não ter feito tudo que podia para protegê-lo. Você merecia muito mais."

Draco fechou os olhos com força, tentando bloquear o tumulto de emoções que ameaçavam transbordar. "Obrigado, pai," ele disse suavemente.

Draco e Narcissa foram levados de volta aos seus lugares, e as chamas se levantaram, vinte ou trinta criaturas aparecendo e desaparecendo de vista. A sala ficou extremamente fria, e a pouca felicidade que Draco sentia foi sugada dele, seus pulmões pesavam como chumbo.

As figuras de capa deslizaram suavemente pelo chão, e a memória de quando ele imitara um Dementador o cortou de uma forma que só poderia ser culpa. Os dedos ossudos da criatura levantaram o queixo de Lucius gentilmente, como se fosse beijá-lo de verdade. A última coisa que Draco viu foram os olhos de seu pai se arregalarem antes que a capa da criatura entrasse na frente da sua linha de visão. Um momento depois o corpo na cadeira caiu apaticamente.


O aniversário de Hermione caiu num sábado. A expectativa que estivera sentindo caíra drasticamente e fora substituída por receio. Era aquele receio que parecia cimento molhado sendo revirado e misturado dentro da barriga.

Ela estava enjoada. Ela estava ansiosa. Ela estava sendo bombardeada com presentes desde que entrara na sala comunal. Ela aceitou os presentes das suas colegas de quarto e de Harry.

Ron tinha um enorme sorriso no rosto e suas mãos estavam escondidas atrás dele.

"Olá, aniversariante," ele a cumprimentou.

Ela sorriu de volta, embora não tivesse certeza se o sorriso era genuíno, considerando que no momento ela preferia vomitar a comemorar. "Bom dia."

Ele deu uma piscadela antes de tirar um pequeno presente embrulhado de trás dele. Do canto da sala, Malfoy fez um barulho de desprezo. "Não tinha dinheiro para nada maior, hein, Weasley?"

Ron virou. "Fique fora disso, Doninha." Ele tirou a varinha do bolso e girou ela com os dedos.

Malfoy revirou os olhos. "Você está segurando do lado errado, Weasel."

O cimento se revirou. "Obrigada," Hermione falou alto, chamando a atenção de Ron para ela. Ela virou o embrulho e enfiou o dedo embaixo na fita adesiva, puxando-a e encontrando uma caixa de presente.

E de repente seu estômago estava embrulhando por um motivo completamente diferente. Ela e Ron haviam se aproximado durante o verão, mas o negócio de namorar era bastante recente. Eles ainda eram bem jovens, ele não ia... ia?

Ela teve de lembrar a si mesma que Ron não era o tipo de cara que se ajoelhava e eram praticamente dez da manhã e Draco Malfoy estava ali do outro lado da sala.

Ron não ia pedi-la em casamento.

Mas e se pedisse? Uma vozinha no fundo da sua mente guinchou. Ele nunca tinha sido muito romântico antes. E se ele...

Toda sua vida, ela sonhara com o dia (de preferência, a noite) em que alguém a pediria em casamento. Haveria luz de velas. Gershwin ou Sinatra estaria tocando no fundo. Azaléias e magnólias e cravos. E, mais importante, ela teria mais de dezenove anos e estaria namorando há mais de três ou quatro meses.

Em resumo, ela sentiu seu sonho escapar pelos vãos enquanto hesitava, a caixa de veludo em sua mão. Seu coração estava mais pesado que o de costume.

"Bem, vá em frente," Ron a encorajou.

Engolindo em seco, Hermione assentiu e abriu a caixa, instantaneamente soltando um suspiro de alívio quando percebeu que era uma pulseira. Ela deu um pequeno sorriso falso para Ron enquanto virava o pequeno cordão. Padma e Hannah, que não estavam se falando, soltaram ahhh's e ohhh's, dizendo como era fofo, enquanto August parecia pensativa.

"É uma fuinha (n/t: fuinha=weasel)," Ron informou, sorrindo largamente. "Tá, eu sei que é meio estranho, mas..."

"Na verdade, Weasel, isso é uma doninha," Malfoy disse, tendo se infiltrado por trás deles, fazendo com que Ron e Hermione pulassem.

"Na verdade," ela corrigiu, "as doninhas são membros da família das fuinhas. Mas isso não é uma fuinha, Malfoy. É um arminho."

"Como você sabe?" ele indagou. "É do tamanho de uma ervilha."

Se sentindo bem melhor agora que ela sabia que Ron não a estava pedindo em casamento, embora ela agora um sentimento de culpa estivesse se desenvolvendo em sua mente por esse alívio, ela deu de ombros. "Pela cauda e pelo focinho," ela disse simplesmente.

Ron parecia confuso. "Tem um animal na família das fuinhas chamado arminho?"

Malfoy piscou lentamente. "Você acho que nós estaríamos falando sobre isso se não houvesse?", ele disse tão lentamente quanto piscou.

Ron franziu o cenho. "Ninguém te chamou pra essa conversa em primeiro lugar." Ele se virou para encarar Hermione, que acabara de prender a pulseira. "Como se escreve isso?"

"I-S-S-O," Malfoy respondeu, claramente se divertindo em importuná-los.

"A-R-M-I-N-H-O," Hermione respondeu, lançando um olhar feio para o loiro.

Ron sorriu. "Huh. Que engraçado."

"Que grande contribuição, Weasel."

"Eu só quis dizer," Ron continuou, tentando empurrar Malfoy do caminho, "que é engraçado que se chame arminho. Porque, sabe, lembra Hermione (n/t: arminho=ermine)... se você disser Hermione errado. E todas as letras em, er, arminho, tirando o 'a', estão em Hermione."

Hermione cobriu os lábios com a mão e riu. "É engraçado mesmo." E então seu coração começou a bater desconfortavelmente quando Ron tirou a mão dela da boca, apertou-a e se inclinou para beijá-la.

"Ora, eu vou ficar enjoado," Malfoy comentou, fazendo sons de vômito.

Secretamente, Hermione concordava. Ela não gostava muito de beijar na frente dos outros. Era como se ela estivesse em exposição, e Harry também não parecia muito confortável.

Hannah apenas suspirou. "Ah, Malfoy. Você não saberia reconhecer o que é romance nem se te mordesse."

"Diz a garota que se agarrou com Longbottom."

"Diz o garoto que ignorou a Pansy a ponto de eu ter que consolá-la no sexto ano." Hannah teve um calafrio. "Ela era pegajosa! Eu pensei que ela nunca fosse me soltar."

"Nem me fale." Sua expressão ficou sombria. "Agora combine isso com ela tentando enfiar a língua dela na sua garganta e –"

Ron tapou os ouvidos com as mãos. "Vamos, vamos andar," ele sugeriu, e ele e Hermione deixaram a sala comunal. Agora o cimento molhado no seu estômago recebeu algumas gotas de limão.


A manhã passou rápido demais, e quando chegou as quatro horas, Hermione não sentia nada além de náusea. Havia coisas demais que poderiam, e provavelmente iam, ser mencionadas na sessão de Terapia da Angústia. Coisas particulares demais para compartilhar com a Amorell confortavelmente e constrangedoras demais para compartilhar com Malfoy.

Ela pausou em frente a porta do escritório de Amorell, sua mão posicionada para bater. Deveria alguma forma de se livrar daquilo, mas nada vinha à mente.

Uma sombra caiu sobre ela e ela ficou tensa.

"Você já percebeu que é a aluna mais velha da escola?" Tinha algo na voz dele que simplesmente não estava certo. Ela estava solene.

"Aonde você quer chegar com isso?"

A sombra dele deu de ombros. "Só um comentário. Talvez você devesse usar a tal da coragem grifinória pra abrir a porta."

Ela fechou os olhos, respirou suavemente pelo nariz e bateu na porta. Amorell mandou-os entrar.

Havia duas poltronas instáveis na frente da mesa de Amorell, e Hermione sentou na mais próxima da porta. Malfoy afundou na dele, seu rosto com uma expressão de pedra.

Estranhamente, a diligente professora realmente levara bolos de fada com cobertura fofa rosa e granulado amarelo, mas não tinha nem como Hermione conseguir engolir algo no momento. Malfoy torceu o nariz quando um dos bolos lhe foi oferecido.

"Vejamos," Amorell começou, passando as páginas de um dos dois arquivos que estavam na sua mesa. "Sr. Malfoy e srta. Granger, hmm... srta. Granger, o que é que há na Austrália?"

Hermione soltou um suspiro de alívio. Ela conseguia falar sobre isso. "Ah, os meus pais. Veja, é que –" Certo, talvez não fosse ser tão fácil falar sobre isso, ela sentiu suas bochechas ficando vermelhas. Ela viu de rabo de olho Malfoy continuar completamente parado. "Eu modifiquei a memória deles para que eles ficassem fora de perigo e os mandei para a Austrália, onde eles, er, não se lembrariam de mim..." A voz dela sumiu no final.

"Hmm," Amorell replicou, batendo a pena contra o queixo. "Deve ter sido muito estressante pra você, considerando a possibilidade de ter causado um dano permanente a mente dos dois. E fazer seus pais se esquecerem de você? Isso deve ser bem difícil, não? Falando em pais..." ela passou os olhos pelo outro arquivo, "Sr. Malfoy, eu vi aqui que o seu pai foi sentenciado ao beijo do Dementador há menos de um mês. Como você se sente quanto a isso?"

O queixo de Hermione caiu por ele, e ela fechou as mãos em punhos. "Não muito bem", ele forçou por entre os dentes, com a voz mais terrivelmente amarga que ela já o ouvira usar.

"E eu soube que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado morou por um tempo na sua casa?"

Hermione não conseguiu evitar. Embora tudo naquela situação gritasse pra que ela não olhasse pra ele, ela se virou para vê-lo.

Ele estava branco. Para alguém que já era tão pálido, ele parecia um fantasma. Seus dedos estavam apertando o braço da cadeira com força, seu corpo tremendo todo. O branco dos seus olhos estava vermelho e vidrado e, pela segunda vez em algumas semanas, ele estava à beira das lágrimas, e Hermione novamente teve de assistir. Havia algo profundo, sombrio e doloroso dentro de Draco Malfoy naquele momento. Uma ferida que ainda não cicatrizara completamente e não precisava ser aberta novamente.

Ela não soube o que deu nela. Indignação justiceira, talvez, e de repente ela estava de pé, sua voz vociferante. "PARE! Você não vê? Não vê o quanto isso o está machucando por simplesmente pensar no assunto? Isso é pessoal. Pessoal demais."

Do lado dela, Malfoy a fitou. "Granger..." ele começou com a voz meio coaxada.

Hermione estava ocupada demais encarando Amorell, que parecia completamente tranqüila com o assalto de emoções que estava recebendo. "Eu não me importo mais!" Hermione gritou. "Você não pode fazer isso com ele! E muito menos na minha frente. Você tem ideia do quão constrangedor isso é para nós dois?"

"Srta. Granger," Amorell começou com uma voz supostamente tranqüilizadora, "por favor, se acalme e deixe o seu parceiro responder."

"Na minha frente, não! Eu –" uma ideia terrível a atacou, uma que a faria se arrepender mais tarde, "– eu vou embora daqui! Pode tirar pontos, porque eu não vou participar dessa... dessa... inquisição!" E com isso, ela saiu do escritório de Amorell batendo o pé, só para se encostar na porta do lado de fora e escorregar até o chão.

Tirar pontos? Tirar pontos? Por Draco Doninha Malfoy?

Ela colocou o rosto nas mãos. Ela nunca o derrotaria se ela reprovasse a Terapia de Angústia. E era tudo culpa dela.

n/t: Bem, eu tenho algumas coisas a falar. A primeira é que esse capítulo me fez pensar em algo. Ele foi especialmente difícil, e eu me peguei perguntando se vale a pena esse trabalho todo, considerando que essa história não está fazendo muito sucesso. Então, eu decidi esperar mais uns dois ou três capítulos pra ver se ela fica mais popular, caso contrário, adeus Oito Oitavos. A outra coisa que eu tenho a dizer, é que a partir da semana que vem, talvez eu comece a demorar mais a postar. Vai depender de algumas coisas que estão acontecendo na minha vida agora, que talvez comprometam o meu tempo e disponibilidade.

Então, duas coisas ruins. A única coisa boa é que eu atualizei essa história com menos de uma semana de novo! Yay!

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