Capítulo 9: Conspiração e Cascas de Ovos
Por Marmalade Fever
Hermione estava sentada na mesa da Grifinória no café-da-manhã, fingindo comer seu waffle belga. No entanto, o que ela estava realmente fazendo era ficar de olho na mesa dos professores. Era estranho, pra falar a verdade, mas um mau presságio a atingira no instante que a professora Trelawney decidiu agraciar o Salão Principal com a sua presença e sentar-se ao lado de Amorell. O mau presságio deu um salto quando as duas professoras apertaram as mãos, Trelawney sorriu largamente e começou a apontar para Hermione num lado do salão e depois para Draco, no outro.
Assim como qualquer outro mau presságio, isso não poderia acabar bem.
Amorell assentiu a cabeça vigorosamente, um grande sorriso se espalhou pelo seu rosto e fez sua longa cicatriz rosa se enrugar.
Ela não tinha nem dúvida, mas Hermione apostaria o seu Hogwarts: Uma História que a professora Trelawney, aquela fedorenta, estava, naquele momento, tentando fazer com que sua previsãozinha se concretizasse. E se ela estivesse, por acaso, tentando convencer Amorell que ela e Malfoy fariam um casal lindo ou alguma besteira do gênero, então a vida de Hermione estava para ficar muito mais difícil.
Ron cutucou o cotovela dela. "Ei, olha." Ele estava apontando para uma coruja cor de caramelo que se dirigia para ela. Ela conseguiu tirar o prato bem na hora que a coruja aterrissou, batendo as asas dentro do copo de suco de abóbora de Dean.
Dean soltou um som de frustração, enxugando o suco. "É em momentos como este que eu sinto falta do velho carteiro."
"De quem é a carta?" Harry perguntou.
"Hmm." Ela tirou o envelope da perna da coruja e o abriu. "Andrômeda," respondeu. Ela passou os olhos rapidamente pela carta. "Ela quer saber se nós estaríamos interessados em encontrá-la em algum final de semana de Hogsmeade pra ficar um tempo com o Teddy."
Ron fez careta. "Contanto que a gente não jogue 'passe o bebê para o titio Roniquinho' e que ele não cuspa em mim de novo."
Hermione balançou a cabeça. "É o que bebês fazem, Ron. Além do mais, eu não vou deixar você segurar aquele bebê de novo a menos que você tenha aprendido a não arremessá-lo como uma bola de futebol."
"Uma o qu - ?"
"Uma goles," ela remediou.
"Não, sério, a bola parece um pé, ou...?"
"Eu creio que seja uma bola redonda com pentágonos pretos e hexágonos brancos que é chutada num campo esportivo," Amorell disse detrás deles, surpreendendo Hermione e Ron completamente. Ela lhes lançou um sorriso que lembrava Luna Loveggod. "Que bebê é esse de que estão falando?"
Hermione abriu a boca para responder, mas Harry foi mais rápido. "Meu afilhado. Nós vamos visitá-lo em Hogsmeade." Aparentemente, Harry ainda não aprendera a sentir temor e/ou aversão por Amorell da mesma forma que Hermione, já que a parceira dele era Hannah, o que era relativamente agradável, apesar das pequenas doses de idolatria.
Amorell acariciou sua cicatriz. "Problemas em se responsabilizar por bebês? Hmm, muito interessante." Ela sorriu alegremente. "Bem, eu os verei na aula. Ah, e srta. Granger? Se você pudesse ficar mais um minuto depois da aula, eu gostaria de falar com você."Ela deu uma piscadela, e Hermione não achou o gesto nada agradável.
"O que ela quis dizer com isso?" Ron perguntou, franzindo a testa ligeiramente.
Ela suspirou. "Eu não sei e, francamente, acho que eu não quero saber."
A coruja de Draco, X, acabara de voar em sua direção, estendendo a perna, onde um familiar pergaminho cor de creme estava amarrado com uma fita prateada brilhante. Sua mãe era a única pessoa que ele conhecia que realmente usava algo que não fossem fibras trançadas ou couro para amarrar as suas correspondências.
Querido filho... sinto muito a sua falta... espero que esteja bem... tenho lido muito ultimamente... encomendei sementes de flores para o jardim da ala oeste... fiz uma petição para poder organizar um pequeno jantar com convidados... não acredito que o Ministério me fez prometer fazer petições quando fosse ter mais de três convidados... será que você vai poder vir pra casa no Natal?... recebi uma carta de sua tia Andrômeda...
Draco parou de escanear a carta e releu a parte sobre a sua tia. Ele só a vira uma vez, durante uma reunião familiar dos Black. Aparentemente, sua tia entrara de penetra. Ela era a única que casara com um sangue-ruim, e sua filha casara-se com seu antigo professor lobisomem do terceiro ano.
Recebi uma carta de sua tia Andrômeda. Ela perdeu o marido, a filha e o genro recentemente, e está criando seu neto sozinha. Ela me mandou uma foto dele. Tinha o cabelo roxo, estranhamente. Você sabia que a sua prima era metamorfoga? A característica, aparentemente, foi passada para o jovem Theodore ou Teddy, como ela o chama. Que nome comum. Eu espero que os seus futuros rebentos tenham nomes que honrem os seus antepassados...
E então sua mãe entrara pela tangente falando sobre nomes apropriados de bebês. Ela chegou a sugerir Scorpius, embora ele achasse o nome um tantinho pretensioso demais.
Ele ficou perdido quanto a pergunta do Natal. Ele não podia sair de Hogwarts, mas com certeza o Ministério permitiria que ele passasse o feriado em casa, certo? Não era nem tanto por si mesmo que ele queria, mas por ela.
Embora ela tentasse parecer indiferente, parecia que sua mãe estava tão solitária e confinada quanto ele. Ela ficaria presa na mansão por um ano inteiro sem poder usar sua varinha. Se não fosse pelos elfos domésticos e as encomendas por correspondência, ele não sabia como ela sobreviveria. Ele, pelo menos, estava cercado de seres insignificantes e irritantes por horas todos os dias, o que o mantinha ligeiramente entretido... ou algo do gênero.
Depois do almoço, Draco dirigiu-se a sala de... como é que os grifinórios estavam chamando? Tolerância Zero? Só haviam se passado dois dias desde o fiasco da sessão de terapia. Por dois dias abençoados, ele conseguira se esconder dos outros oitavanistas e fingir que Hermione Granger A) não o defendera, e B) permitira que pontos fossem tirados da nota para que os sentimentos dele fossem poupados.
Ele admitiu que não sabia muito sobre a garota, mas de uma coisa ele sabia: ela não gostava de perder pontos em suas avaliações.
O sacrifício dela o assustou a ponto de mandá-lo pra Júpiter.
Qual era a dos grifinórios que os fazia agir de forma tão altruísta o tempo todo? Tá, talvez não todos. Ele nunca vira, digamos, o Finnegan ser particularmente honrado e aquela garota, a Brown, certamente não era flor que se cheirasse.
Não, era principalmente a Granger e o Santo Potter. A Batalha Final certamente provara isso, para a irritação de Draco.
Ele encontrou um lugar no fundo da sala. Ele não poderia ficar lá por muito tempo. Pelo menos, não sozinho. Na aula anterior eles tiveram que jogar algo que não fazia o menor sentido: envolvia seu prato favorito, maiores medos e uma batata quente. Infelizmente, a batata fora recheada com creme de cebola e cebolinha, o que tornou tudo muito bagunçado quando eles tiveram que jogar a dita-cuja uns para os outros. Ele tinha uma leve suspeita que aquela era uma prática trouxa.
Granger evitou seus olhos quando entrou na sala com Potter e Weasley, não que isso fosse inesperado. Thomas entrou um pouco depois e sentou com Patil. As coisas andavam bem tensas com ele também, provavelmente devido ao incidente desastroso em que ele fora aprisionado na mansão. Lovegood o perdoara sem grandes problemas.
Amorell entrou na sala quase saltitando. A terapia que ele tivera no duro com ela depois de a Granger ter dado o fora... revoltante, no mínimo. Mas poderia ter sido pior, ele admitiu. Muito pior. Ela estava usando vestes cor de alga marinha e carregava uma sacola de compras. "Bem," ela disse, sentando-se na borda da mesa e os examinando como se fossem uma vitrine de chocolates da Dedosdemel, tentando escolher um deles, "Eu planejei uma coisa especial para a nossa aula de hoje". Ela pareceu absurdamente radiante antes de mergulhar o braço dentro da sacola e tirar uma caixa de ovos, como se estivesse expondo algo grandioso.
Do outro lado da sala, a Granger franziu o cenho, revirou os olhos e protestou sem emitir som. Aparentemente, ela tinha alguma noção do que a professora planejara.
Amorell estalou os dedos, comando que eles aprenderam a associar com o desejo dela de que eles fossem se juntar a seus respectivos parceiros. Granger deixou Potter e Weasley e se sentou ao lado dele. Ela manteve os olhos encarando o nada a sua frente. Um a um, Amorell entregou um ovo a cada dupla. Draco deixou o dele quieto. Ele nunca gostara muito da ideia de aquela coisa ter estado coberta de muco de galinha algum dia. A mesma coisa poderia ser dita quanto a mamíferos, mas ele era capaz de enxergar a diferença naquele caso. Granger esticou o braço e trouxe o ovo mais para perto dela.
"Esse ovo é o seu filho," Amorell anunciou. Draco piscou. O quê? "Até o final dessa aula, eu quero que vocês pratiquem cuidar desse ovo. Defendam-no. Assegurem-se de que ele não quebre. Finjam ser uma pequena família feliz." Ela deu uma piscadela para Ron Weasley, que estava olhando para ela como uma expressão de 'por que eu?' no rosto.
Granger levantou a mão, parecendo ligeiramente enjoada. "Professora, que relação essa atividade tem com qualquer coisa?" Apesar do desconforto que ele estava sentindo perto da morena de cabelos fofos, ele não pôde evitar um pequeno sorriso. Era o tom de voz que ela usava com Trelawney. A garota certamente sabia ser grossa com professores incompetentes quando necessário.
Amorell não parecia se incomodar nenhum pouco com o tom da garota, no entanto. "Você lembra da primeira aula quando eu falei sobre tolerância, srta. Granger? Lembra de como eu falei sobre sexismo? Eu gostaria de me assegurar de que algum dia todos vocês serão pais felizes e trabalhadores. Eu não quero que a crença de que as mulheres têm que ser as principais responsáveis pelos filhos se enraíze em vocês. A paternidade também é muito importante."
Granger fechou os olhos e massageou a ponte do nariz.
"Independente de qualquer coisa," Amorell continuou. "não deixem o ovo quebrar." Ela sorriu. "Ah, e parte da nota tem como critério a criatividade, então, talvez vocês devessem pensar num nome, talvez fazer um carrinho de bebê minúsculo."
Quando Granger finalmente virou para encará-lo, a expressão de seu rosto era a mesma de que uma pessoa que chupara limão. "Bem, Malfoy," ela disse, "parabéns. É uma futura omelete."
Ele realmente não conseguiu evitar. Ele riu.
Hermione o examinou por um longo momento. Ele estava rindo de uma piada que ela fizera? De verdade? Desde quando ele ria por algo que ela dissera e não dela?
Ele pareceu ter percebido a mesma coisa e ficou sério. Houve um silêncio desconfortável entre eles que foi interrompido quando, a cinco carteiras de distâncias, Ron fez uma piada.
"Eu acho que ele puxou mais o seu lado da família. É tão pequeno."
August deu um tapa na nuca dele quando Amorell não estava olhando. "Bem, pelo menos eu não sou um frango."
"Frango? Moon, eu sou um grifinório. Isso é uma contradição."
August simplesmente levantou uma sobrancelha como se discordasse.
Voltando a sua atenção para o ovo-bebê, parte de Hermione esperou que Malfoy fosse fazer algum tipo de comentário sobre como ela era uma cabeça-de-ovo, ao que ela planejava responder com um comentário sobre a falta de melanina dele, mas ele não disse nada. Ele pegou um pote de tinta e uma pena e fez uma cara engraçada numa parte do ovo, um pequeno dente aparecendo num sorriso. "O que você...?"
"Criatividade. Ela está dando nota por criatividade." Ele deu de ombros. Finalizou sua obra de arte com um cachinho, um lacinho numa ponta do ovo e uma fralda na outra.
"Muito... fofo," ela disse afinal. "Eu não sabia que você sabia desenhar."
"Eu costumava precisar de algo para passar o tempo na aula do Binn." Ele colocou a tampa no seu vidro de tinta e limpou os dedos num lenço. "Ovaldo ou Ovete?"
Era impressão dela ou eles estavam tendo uma conversa civilizada? "Bem, com o lacinho, eu diria Ovete," ela respondeu.
"Ovete Malfoy. Adorável." Ele torceu o nariz.
Hermione deu um ligeiro sorriso. "Não era bem como você imaginava que seria o seu primeiro filho?"
"Braços e pernas seriam apreciados," ele comentou secamente. Por um momento extremamente constrangedor, eles sorriram um para o outro. Mas, aparentemente, Hermione era masoquista.
"Então," ela disse enquanto pegava um pedaço de pergaminho da bolsa para usá-lo para transfigurá-lo em algo apropriado para o projeto. Ela tossiu, repentinamente nervosa. "Como, er, como foi lá no sábado? Depois que eu saí, quero dizer," ela acrescentou.
Ele mordeu o lábio, olhando para ela de rabo de olho. Ela se sentiu como se estivesse sendo examinada por um microscópio. "Bem," ele disse afinal. Ele teria parecido indiferente não fosse pelo tom ligeiramente seco de sua voz.
"Bem?" ela repetiu.
Ele gemeu. "Olha, é legal," ele falou a palavra com uma careta, "da sua parte ficar preocupada e tudo mais, mas não fique. Certo? Vamos deixar as coisas como antes. Você continua cafona, e eu continuo sarcástico. E só."
Ela piscou. "Cafona?"
Um sorriso malicioso fraco apareceu nos seus lábios. "Você ouviu o que eu disse."
Ela fungou indignada, embora, honestamente, ela não estivesse magoada. Considerando a relação deles, aquela interação era relativamente amigável, e ele não parecia estar se divertindo ao insultá-la. Eles trabalharam em silêncio por um bom tempo, transfigurando, juntos, pergaminho e outra coisinhas num carrinho de bebê minúsculo, próprio para um ovo. Eles tinham acabado de dar os toques finais nas rodinhas quando um terrível barulho de algo esmagando veio do outro lado da sala.
August estava em pé e, apesar do seu tamanho, ela estava tão assustadora e perigosa quanto um pugilista profissional antes de uma luta. "RONALD WEASLEY!" ela gritou. "O QUE VOCÊ FEZ?"
Ron estava sentado com as mãos na mesma posição que estivera antes da trágica morte do seu ovo-bebê. Dava a ligeira impressão de que ele estivera fazendo malabarismos. "Um..." Ele engoliu em seco. "Oops?"
Com a agilidade de uma jibóia, 'Enina August Moon jogou-o no chão, e foram necessários ambos Harry e Dean para que a tirassem de cima do garoto.
Amorell, com olhos arregalados e bochechas coradas, se meteu entre os dois e colocou uma mão no ombro de cada um. "Este," ela disse, "é o motivo pelo qual eu os encorajei a trabalhar em pares. Vocês precisam aprender a depender uns dos outros, aprender que as suas ações podem ter conseqüências negativas, não só para si mesmo, mas para os outros também." Ela se virou para Ron. "Eu vou encarregá-los de um segundo ovo. Vocês dois vão se alternar para cuidar deste ovo durante a semana. Ele deve estar sempre a menos de 30 centímetros de distância de vocês o tempo todo. E eu realmente acho que vocês deveriam trabalhar juntos."
Ron abriu a boca. "Mas ele não vai estragar?"
Amorell lançou-lhe um sorriso nauseantemente açucarado. "Um ovo podre só fede se quebrar," ela disse, como se estivesse recitando um provérbio. Ela deu tapinhas no ombro dele antes de começar a inspecionar o trabalho das outras duplas, enquanto Ron ainda parecia perplexo e August parecia pronta para quebrar algo.
Amorell parou na frente de Hermione e Malfoy. "Ótimo... ótimo," ela elogiou, empurrando o carrinho pra frente e pra trás com a unha malfeita. "Nota máxima nessa tarefa e mais dez pontos extras para a Grifinória e a Sonserina." Ela pausou para escrever a nota na prancheta.
"Ah, e srta. Granger?" ela acrescentou, quando todos começaram a guardar os materiais. "Eu tenho uma tarefa extra pra você para substituir a sessão de sábado."
n/t: A conversa do último capítulo ainda vale. Ainda estou esperando essa história valer a pena. Não é que eu não goste de traduzi-la, gente, é só que é cansativo e demanda tempo, e eu tenho que ter um bom motivo, algum estímulo, para continuar.
