Capítulo 13: Curve-se Diante do Seu Parceiro
Hermione se viu olhando para o nada enquanto Harry e Ginny se aconchegavam nos braços um do outro na sala comunal da Grifinória, trocando beijos de vez em quando. Ela estava acostumada com o carinho dos dois, mas geralmente ela tinha Ron para distraí-la daquilo. Com conversa, é claro.
Mas como não era o caso, ela sentiu que estava segurando vela e silenciosamente saiu da sala para fazer a ronda dos corredores. Ginny estava fazendo um bom trabalho como Monitora Chefe, mas de vez em quanto, Hermione sentia um ímpeto desejo por uma promoção de Monitora Chefe Suplente para simplesmente Monitora Chefe. Ela podia tirar pontos e dar detenções, mas essa parte era opcional. Era bom ter um broche e uma função, mas a coisa toda tinha um certo ar de não-oficial.
Pelo lado bom, ela tinha mais tempo para fazer os deveres e estudar, o que as reuniões dos monitores e as rondas teriam roubado até certo ponto, e, por Merlim, ela realmente precisava estudar. Os N.I.E.M.'s seriam em maio, o que lhe dava apenas seis meses para se preparar.
Nas aulas, ela e Malfoy estavam pau a pau. Pelo menos ele tinha começado a levantar o braço mais devagar. Ela tinha a impressão que ele também machucara o ombro.
Vagando por um corredor, ela esbarrou num grupo de sonserinos sextanistas. Eles não estavam fazendo nada contra as regras exactamente, mas o jeito como eles estava sussurrando era bastante suspeito.
Ela estava prestes a simplesmente passar por eles quando uma garota a parou. Ela estava polindo o broche do monitora com o dedão. "Então, é você."
"Olá, Astoria," Hermione disse calmamente, com só um pouquinho de impaciência.
A outra garota sorriu sadicamente. "Eu a parabenizaria, mas eu acho que ele ainda não tentou nada."
"Me parabenizar?" Hermione levantou uma sobrancelha. E quem era 'ele'? Ron?
"Ora, veja. Ele está negando, mas tenho certeza que eventualmente ele vai aceitar."
"Negando? Me desculpe, mas poderia ser mais específica?"
Greengrass estendeu a mão, como se para dar palmadinhas na mão de Hermione, mas então parou e puxou a mão de volta para si. "Paciência é uma virtude. Mas quem sabe? Talvez ele caia em si, lembre o que você é e mude de ideia." Ela se voltou para o resto do grupo. "Vamos."
Todos tinham sorrisos cruéis no rosto quando passaram por ela. Hermione foi deixada sozinha no corredor, pasma.
O
Tinha algo de esquisito na aula de Tolerância Zero quando alguém faltava. Porque a maior parte das atividades eram feitas em pares, August foi abandonada na segunda-feira seguinte devido ao horário apertado de Ron.
"Srta. Moon," Amorell disse, e Hermione percebeu que August queria ser liberada da aula, "como o Sr. Weasley não está aqui, eu vou ser a sua parceira." A garota sorriu educadamente apesar da ansiedade em seus olhos.
"Professora?" Padma estava com o braço levantado. "Por que todas as mesas estão afastadas para as paredes?"
Amorell se reclinou na prórpria mesa, empurrando uma mecha de cabelo loiro para trás da orelha. Ela estudou o grupo por um momento, seus olhos brilhando para Harry e Hannah, August, Padma e Dean, e finalmente Hermione e Malfoy. Ela pareceu se demorar mais neles, e seu sorriso se alargou. "Hoje, nós vamos dançar."
Hermione realmente não conseguiu evitar. Ela teve de olhar para Malfoy para ver sua reacção. Ele estivera reclinado em sua cadeira com uma expressão de desinteresse e os braços cruzados, mas ele parecia ter murchado um pouco. Ele lhe lançou um olhar desgostoso, e ela retribuiu.
"Que tipo de dança?" Padma insistiu. Ela, pelo menos, parecia animada. Hermione queria acrescentar um 'e por quê?' a pergunta, mas se segurou.
"Hoje, teremos a quadrilha bruxa tradicional. Semana que vem," todos seguraram a respiração. "teremos algo um pouco mais moderno. Uma espécie de festa na sala de aula—estilo livre." Ela sorriu radiantemente, como se estivesse lhes dando um presente pelo qual eles estiveram esperando por meses.
Hermione levantou a mão. "E por que nós vamos dançar? O que isso tem a ver com terapia de angústia, unificação das casas e tolerância?"
"Ora, Srta. Granger, eu pensei que isso estivesse óbvio. Cinco pontos da Griginória. Agora, garotas na esquerda, garotos na direita, por favor."
O
Draco riu da expressão da parceira. Quase compensava ser obrigado a dançar com ela. Quase. Ele estava tenso do lado direito da sala, se distanciando de Potter e Thomas deliberadamente. Granger lhe lançou um sorriso de desprezo. Uma música meio arranhada estava vindo do canto da sala, Draco reconheceu a Quarta Sinfonia de Alvin Modkin.
Amorell juntou as mãos, sorriu para eles antes de se colocar entre Draco e Thomas. "Então, Srta. Moon? Que tal uma demonstração?"
Moon piscou. "Hm…?"
"Muito bem. Primeiro, as garotas dão dois passos para frente. Vamos, Srta. Moon. Isso mesmo. Agora, os garotos dão dois passos para trás, assim." Amorell foi para trás.
"Professora?" Hermione levantara o braço o máximo que conseguia.
"Sim?"
"Professora,"ela mordeu o lábio, "a dança original não requer que nós aparatemos do outro lado da sala? Não seria um pouco perigoso?"
Amorell desconsiderou a sugestão com um aceno de mão. "Você deve está pensando em outra dança. A única magia nessa são algumas centelhas." Draco realmente não gostou da maneira como ela enfatizou centelhas.
"Continuando, aí as garotas vão até o final do corredor à sua esquerda e os garotos à sua esquerda. As garotas dão um passo pra trás, os garotos, pra frente, e todos repetem a mesma coisa até voltarem as suas posições originais. Chamamos isso de Primeiro movimento. Agora", ela disse, voltando para seu lugar e mandando August fazer o mesmo, "vamos tentar. Começando com vocês dois." E é claro que ela estava apontando para eles.
A mãe de Draco uma vez tentara colocá-lo em aulas de dança, e isso seria exatamente o que ele estaria aprendendo se ele não tivesse dado um escândalo e quebrado um vaso de quinhentos anos com magia e chutes, gritando que era coisa de maricas, meninas e bebês. Sua mãe concertara o vaso com 'reparus' é claro, mas dava pra entender a posição dele.
Agora, infelizmente, parecia que ele não tinha escolha, a menos que ele quisesse que suas notas sofressem. Então, quando Granger deu dois passos para frente, ele deu dois para trás com apenas um franzir de testa para mostrar seu descontentamento. Ele tomou sua posição ao lado de Potter, e Granger deu um passo para trás para onde estava antes. Amorell e Moon foram mais uma vez, seguidos por Patil e Thomas, e finalmente Potter e Abbot, cada um espremido em seu lado da sala.
"E agora, sr. Malfoy e srta. Granger darão um passo para frente cada. Agora vocês vão encarar um ao outro, curvar-se," eles levaram mais tempo para se curvar do que pra fazer qualquer outra coisa, "e, então, vão dar um passo para frente e se encontrar. E aí o resto de nós vai repetir a mesma coisa. Esse é o Segundo Movimento." Com uma graciosidade completamente desconjuntada, o resto deles finalmente voltou a suas posições originais, só que espremidos juntos e encarando a outra parede.
Granger não estava olhando para ele, e ele também não tinha muita vontade de olhar para ela. Eles não estavam nem a um passo de distância. Ele quase se sentiu aliviado quanto Amorell se atreveu a colocar uma mão no ombro dele e disse-lhes para dar uma passo para trás, ir para o final das duas filas e formar um arco com os braços.
Quase aliviado. Ela ainda tinha sido tocado por Amorell e, embora Granger tivesse se afastado dele, agora eles teriam de encostar seus dedos. Os outros casais—pares, ele se corrigiu, casais parecia íntimo demais —repetiram os movimentos deles até formarem um longo túnel.
"Agora, a srta. Granger e o sr. Malfoy vão se separar, dar as mãos, e atravessar o túnel juntos."
Amorell tinha vindo das mais flamejantes profundezas do inferno, não tinha?
Relutantemente, ele estendeu a mão, e Granger apenas olhou para ela. "Professora, eu realmente preciso contes—"
"Ora, vamos!" E com uma força de vontade completamente desconhecida, Draco pegou a mãe dela e a puxou pelo túnel, enquanto Potter parecia se decidir entre raiva e riso.
Ele estivera prestes a soltar a mão dela e limpar a dele em suas vestes, mas ela estava olhando para as mãos deles e, repentinamente, uma memória completamente distinta envolvendo sua mão veio à mente. A boca dela contra a mão dele.
Uma onda de algo indistinguível passou por ele, como calafrios e náusea e calor, e ele se perguntou se ela estava lembrando da mesma coisa.
A mão dela não era tão nojenta quanto ele preferiria acreditar. É possível que houvesse um calo no seu dedo indicador, provavelmente de virar páginas, mas tirando isso, a mão dela era macia, e quente, e… talvez, até mesmo delicada.
Ele não deveria estar pensando na mão de Hermione Sangue-ruim Granger como delicada. Fraca, sim, mas delicada, não.
Ela parecia completamente hipnotizada, e os outros estavam ocupados atravessando o túnel humano.
E então ele fez algo muito estranho. Ele moveu o dedão de forma a acariciar—fazer cócegas, ele se corrigiu—a mão dela. E os olhos dela foram para os dele. O dedão dele continuou a fazer movimentos circulares enquanto ele olhava para ela, e ela mordeu o lábio inferior nervosamente.
O lábio. Por que ele estava olhando para o lábio dela?
Os dois acordaram quando Amorell lhes premiou com cinco pontos cada por saber que deveriam continuar comas mãos dadas na parte seguinte da dança. Granger deu uma puxada como se quisesse soltar, mas ele ainda não acabara, e eles tinham que continuar de mãos dadas e dar uma volta na sala juntos.
O
Hermione estava se sentindo muito estranha. Era diferente da vez que ela o arrastara pela escola enquanto ele estava cego. Dessa vez eles estavam de mãos dadas, e Malfoy, o maior idiota do mundo, parecia estar tirando um prazer doentio da coisa toda. Ele estava andando devagar de propósito, seu dedão a enlouquecendo. A ponta do dedo dele era um pouco áspera contra a pele sensível da mão dela. Deveria fazer cócegas.
Mas ao invés disso, estava fazendo algo completamente diferente. Fazia com que várias ondas de arrepios passassem pelo seu braço. E a fazia lembrar do dia nas escadas e como os dedos dele se apertaram contra os lábios dela.
Se ela não o conhecesse, ela diria que, surrealmente, Malfoy estava flertando com ela, e ela estava virando geleia por causa disso.
Eles acabaram a volta pela sala, e ele continuou a segurar a mão dela. Ela não sabia se aguentaria aquilo por muito tempo. "Se divertindo?" ela sussurrou.
Ele sorriu sadicamente. "Muito." E arrastou o dedão desde a palma dela até o dígitos, o capeta. "Você tem uma mão bonitinha, Granger," ele sibilou, com o mesmo sorriso sádico no rosto.
A parte estranha é que o sorriso dele a lembrou de Astoria Greengrass, seu próprio sorriso sádico e o enigma que ela deixara.
A ficha caiu.
Ah, Merlim, ela quase vomitou ali mesmo. Sentiu sua mão começar a suar, e ele finalmente a soltou.
Greengrass não estivera falando de Ron ou qualquer outra pessoa que Hermione sequer consideraria. Ela estivera falando de Malfoy. Ela estivera a parabenizando porque Malfoy estava de olho nela, ou algo do género.
Mas não fazia o menor sentido. Por anos, ele fizera questão de deixar claro o quanto ela não era atraente, e não o contrário. Sem falar no sangue dela. Ele não podia ter simplesmente deixado seus preconceitos de lado. Seria bom, mas será que era sequer possível?
A menos que ele estivesse brincando com ela. Para um sonserino, aquilo provavelmente era permitido.
De canto de olho, ela esperou pra ver se ele limparia a mão nas vestes, mas ele não limpou. A mão dele estava relaxada, dedos separados, como se pra preservar a memória muscular.
Talvez ainda desse tempo de ela vomitar.
Não seria legal se ela espirrasse na própria mão? Daí ele não ia querer mais segurá-la.
Amorell os fez dar mais algumas voltas na sala, mas, por sorte, dessa vez eles não precisaram dar as mãos.
O
Bem, a Granger certamente parecia constrangida. Agora que a aula acabara, ele se sentia estranhamente tímido, o que não era algo normal para ele. Ele não tinha motivos pra brincar de… bem, não pezinho. Mãozinha? Com ela.
Bom Merlim, ele estava ficando preso na armadilha que estavam armando para ele.
A profecia idiota da Trelawney estava girando na cabeça dele como a espada de Dâmocles, e a sugestão da Greengrass era uma cópia da maldita profecia. Isso quer dizer que era uma espada de dois gumes?
Ele não queria se apaixonar por Hermione Granger. Ele não estava apaixonado por Hermione Granger. Ele não se apaixonaria por Hermione Granger.
O que ele ia fazer era lavar as mãos.
Ocorreu-lhe que não ajudou nada ele ter ajudado o namoro da Granger e do Weasley terminar.
Uma semana. Em uma semana, ele e Granger dançariam de novo, e nenhuma dança idiota de quadrilha serviria de pretexto. Amorell disse que seria estilo livre, o que abria a possibilidade de uma dança lenta, o que significava ficar perto dela. E se ele gostasse?
Por mais que odiasse admitir, ele gostara de segurar a mão dela. E ele gostara de fazê-la sentir aquela sensação.
Mas ele sempre gostara de deixá-la nervosa, não? Não era a mesma coisa.
O
Hermione se sentiu estranhamente nervosa pelo resto do dia. Na aula do Candanver, ela, Ginny e Harry fizeram uma poção juntos, e ela conseguiu conter a vontade de olhar pra trás para um certo loiro de cinco em cinco minutos. Ela só olhava de meia em meia hora.
"Ron deve voltar hoje à noite," Ginny disse, cortando um figo em vinte sete partes iguais.
Hermione precisou de um momento para responder. "Ah, é? Que bom." E era bom. Ela disse que queria continuar a amizade, não disse?
"Ele deve ficar até o final de semana da semana que vem. Ele vai ter um jogo importante. Papai e mamãe estão tentando conseguir entradas. Talvez nós todos pudéssemos ir?"
"Claro, não é, Hermione?" Harry perguntou, lançando-lhe um olhar incerto.
Ela sorriu. Talvez não de forma muito convincente. "Certo. A menos que ele não queira que eu vá," ela acrescentou.
Harry balançou a mão. "Eu acho que ele vai querer que você vá." Ela não respondeu, escolhendo ao invés disso esmagar um feijão enrugado. "De qualquer forma, com ele de volta, tenho certeza que August vai ficar contente."
E isso a fez olhar pra ele. "O quê? O que você quer dizer com isso, Harry Potter?" ela quase gritou.
Harry levantou os braços num gesto de inocência. "Só que eu acho que ela não vai querer dançar com a Amorell de novo, só isso."
Ela piscou. "Ah. É claro." Ron estaria na "festa", né? Aquilo poderia ser bem constrangedor.
Passaram-se trinta minutos, então ela se deixou olhar para Malfoy. Ele parecia concentrado na poção, embora isso não significasse que ele não estivera ouvindo. Ele tinha esse tendência, afinal de contas.
Ele e Greengrasse provavelmente só estavam brincando de gato e rato com ela. Se ela não tivesse feito aquele comentário sobre a mão dela ser bonitinha, talvez ela acreditasse que ele estava tendo um tique nervoso e não estava acariciando mão dela por querer.
Mas ela só podia se enganar até certo ponto.
O
n/t: Queridos leitores, MIL DESCULPAS! Hehuehheu. Tá. Acho que as atualizações continuarão esporádicas se vocês não comentarem direito u.u
