Capítulo IV

Caros Amigos,

Não se preocupem, a Senhorita Mckinnon está em boas mãos, embaixo da asa do anjo da música. No entanto, obviamente estará de volta para a próxima apresentação, a qual contará com vários papéis silenciosos para a Senhora Vance ocupar, não temam. Acho que estou sendo claro o suficiente quando digo que quero a Senhorita Mckinnon cantando nessa peça, e não aceito de forma alguma que a Senhora Vance volte. Os tempos mudaram, e conto com todos para que a mudança seja feita sem maiores acidentes.

Grato como sempre,

OF

- OF? – Reclamou Monsieur Fudge assim que acabou a leitura do bilhete, secando a testa novamente com seu lenço de bolso. Monsieur Crouch tirou o bilhete da mão do sócio com um puxão, e revirou os olhos enquanto ajeitava o monóculo para ler por si as palavras.

- O Fantasma, meu caro. O fantasma.

- Isso é ridííículo! – cantou Emmeline, agitando o leque de penas cor-de-rosa freneticamente. – Isso é uma brincadeeeira!

- Se acalme, minha diva. – Monsieur Fudge balbuciou. – Nós apenas precisamos de tempo, só...

- Tempo? – irritou-se Emmeline, se erguendo da cadeira pela primeira vez. – Se essa... Bailarinazinha... Acha que pode substituir Emmeline Vance, ela está muito enganada! Ela por acaso sabe quem eu sou? Já conversou comigo? Claro que não! Monsieur, se ela cantar eu saio! Saio!

- Oh, minha querida. – Monsieur Crouch baixou o bilhete e foi até a mulher, lhe estendendo um bombom antes que ela fizesse um escândalo. – Não nos leve a mal, você sempre será nossa Prima Donna! Quem poderia competir com você?

- Humpf! – a loura cruzou os braços no peito estufado. – Não preferem seu precioso anjo?

- Seu público precisa de você! – sorriu Monsieur Fudge.

- Nós precisamos de você! – exaltou Monsieur Crouch.

- Não mesmo?

- Senhora, não! – repetiram ambos. – O mundo quer você!

Emmeline sorriu prazerosa.

- Quero meu camarim.

Com a pompa e circunstância, os administradores guiaram-na até os aposentos, forçando James e Lily a retirarem as pressas tudo que era de Marlene dali antes que a verdadeira comitiva que Emmeline pedira chegasse com seu extenso guarda-roupa.

- Eles enlouqueceram. – declarou James enquanto colocava as roupas da amiga sobre sua cama no dormitório de balé. Lily prensou os lábios antes de sentar-se sobre o colchão ralo e suspirar.

- O que será desse teatro se eles continuarem gastando dinheiro para manter esse monstro egocêntrico? Se ao menor Marlene voltasse...

- Onde disseram que ela está?

- Sob a asa do anjo da música. – ironizou a ruiva, sentindo-se perdida. James riu. – Isso não é para rir.

- Me perdoe. – pediu ele. – É que essa história não tem um lado são.

- Realmente.

- Precisamos que ela volte. Urgentemente.

- Querido! – chamou Madame Potter, e James levantou-se rapidamente. – Marlene está de volta!

Confusos, James e Lily desceram rapidamente as escadas de madeira, e encontraram Marlene sobre um sofá no quarto de Madame Potter, dormindo profundamente.

- A encontrei agora! – a mulher disse, olhando carinhosamente para a jovem adormecida. – Não consigo entender como...

- Vamos levá-la até a cama dela, sim? – Lily interrompeu a mulher, preocupada. James carregou Marlene até o dormitório das bailarinas, e simplesmente não compreendia como ela pudera sumir dessa forma.