Epílogo

Londres, 1890

Marlene sorria radiante apesar da névoa, que cobria eternamente a cidade de Londres,não cessar por um segundo. Tinha acabado de sair do médico, teria uma criança, e precisava contar a Sirius o mais rápido possível. Antes de passar no escritório do marido, no entanto, começou a andar pela rua procurando o colar que queria comprar, desculpa que dera para sair de casa e passear pela cidade.

Enquanto analisava uma bela peça em ouro e diamantes numa vitrine, um grito de criança foi ouvido. Olhando para o lado, viu um menino de aproximadamente seis anos, de cabelos pretos e olhos muito verdes, que corria em sua direção. Sem prestar atenção ao que havia ao redor, tropeçou e acabou em seus pés, o cavalinho de brinquedo ainda na mão. Marlene sorriu e ajudou o garoto a levantar, desejando que seu filho fosse parecido com aquele menininho.

- Harry! Oh, você se machucou, meu amor? – uma voz conhecida indagou, e quando se ergueu, Marlene sentiu o coração bater de saudade. Era Lily quem corria na direção do menino, seu chapéu chique bem colocado nos cabelos ruivos bem cuidados. Quando percebeu quem tinha sido a mulher que socorrera seu pequeno, sorriu e acenou com a cabeça. Marlene riu.

- Harry?

- Gostou? Ele é o tesouro da minha vida. – Lily trouxe o garotinho para perto de si. – Não esperava encontrá-la aqui, Lene. Quantos anos...

- Estou na cidade há pouco tempo. Estava morando no campo, sabe.

- Ah, sim. James e eu moramos logo ali, na Oxford Street. Ainda canta?

- Só em casa. – Marlene sorriu. – Cantar em público não me traz boas lembranças.

- Também parei de dançar. Sabe, os quadris não são os mesmos depois do primeiro filho. Ensino balé. – completou com um sorriso orgulhoso. – James e eu compramos uma academia de dança. Você está...

- Casada, sim. – disse a morena mostrando o anel brilhante no dedo.

- Quem?

- Sirius Black. – falou num tom enigmático, sabendo que velha amiga nunca saberia a verdadeira identidade daquele que um dia aterrorizara o teatro. – Mas minha família está para aumentar. – completou tocando a barriga carinhosamente. Lily sorriu radiante.

- Quero estar lá.

- Claro que sim. – sorriu a mulher, e ambas se despediram. Marlene deu meia volta e sumiu pela próxima esquina, tão feliz pelo reencontro que ignorou o grande cartaz colado desastradamente no muro de tijolos encardidos: A VOLTA DA ÓPERA DE PARIS APÓS ESCÂNDALO – ESTREIA DA NOVA PEÇA: O FANTASMA DA ÓPERA, BASEADO EM FATOS REAIS.