A Intriga da Rainha
Autora: Bárbara Cartland
Adaptadora: Hithi
Esse livro não é de minha autoria assim como os personagens nele presentes. Somente faço a adaptação de uma historia fantástica para vocês.
CAPÍTULO VIQuando Rosalie foi acordada por Tarsia, tomou um banho antes de se vestir e ajeitou sobre a cabeça a tiara que pertenceu a sua mãe.
Imaginava que o uso do adorno agradaria a seu pai naquela ocasião tão especial.
Decidira vestir novamente o vestido de noiva, só que desta vez sem a cauda.
Rosalie imaginou que não seria conveniente usar outro vestido que não aquele que usara no casamento.
— Vossa Majestade está adorável — comentou Tarsia quando Rosalie já estava pronta para descer.
Rosalie riu.
Ao mesmo tempo, esperava que o rei sentisse a mesma admiração.
Disse a si mesma, porém, que agia com presunção.
Emmett tinha muitos assuntos a resolver para dedicar atenção somente a ela, ainda que fosse sua esposa.
Os convidados que chegaram para a recepção não tinham idéia de que a revolução pairava no ar e que havia perigo rondando a cidade.
Rosalie percebeu de imediato que Emmett não tinha intenção de esclarecê-los a respeito dos fatos.
Ele se limitou a conversar sobre as muitas idéias que desejava pôr em prática, o que obviamente surpreendeu a todos.
O jantar teve lugar no horário estipulado e os chefes primaram pela perfeição na preparação dos pratos.
Estavam terminando a sobremesa quando o conde Paul
Maori entrou na sala e caminhou apressado na direção do rei.
O conde falou então com Emmett em voz baixa.
No entanto, algo em seu comportamento fez com que todos na mesa ficassem em silêncio.
O rei se levantou.
Sinto muito informar-lhes — começou ele com voz calma —, mas o tumulto começou em toda a cidade. Saibam que ficarão em segurança aqui no palácio, protegidos por meus criados. Mas eu preciso partir agora, para tentar impedir que a desordem se alastre.
Houve um murmúrio de consternação. Então, de maneira calma, porém firme, Rosalie decidiu:
Eu vou com você.
Todos fitaram-na com olhos arregalados no momento em que ela se levantou da cadeira. Emmett olhou-a perplexo antes de dizer:
Não será necessário.
Mas eu vou — insistiu Rosalie. — Seu povo é agora meu povo e sei o quanto é importante acompanhá-lo neste momento.
Por um instante ela imaginou que Emmett fosse ordenar-lhe que ficasse no palácio, poupando-a do perigo.
Então, de súbito, ele concordou:
Se é o que quer, então, é claro, iremos juntos.
Ele se encaminhou para a porta. Rosalie fez uma pequena pausa apenas para beijar o grão-duque.
Não se preocupe, papai — pediu ela. — Vou fazer o que julgo certo.
Que Deus a acompanhe, querida — replicou ele.
Ela então correu em direção ao saguão, descobrindo que o conde pedira a um lacaio que subisse até seu quarto para trazer-lhe o casaco.
O rei acabara de colocar no bolso um revólver carregado, quando indagou ao conde:
É muito grave?
Não tenho certeza — foi a resposta —, porém um de seus homens me disse que Delac está por trás de tudo.
O que significa derramamento de sangue — concluiu Emmett.
Ao ouvi-los, Rosalie se lembrou de que Delac era o líder dos revolucionários.
O lacaio desceu correndo as escadas trazendo o casaco de pele branco de Rosalie, que combinava com seu vestido.
Ao colocá-lo sobre os ombros de Rosalie, Emmett disse:
Minha intenção era partir a cavalo, mas pedi uma carruagem para nós. Será aberta, de forma que o povo possa ver-nos.
Ótimo —r concordou Rosalie.
Tem mesmo certeza de que deseja acompanhar-me? — indagou Emmett. — Sabe que corremos o risco de não voltarmos?
Não importa; morreremos juntos! — foi a exclamação dela.
Ele a fitou por um longo momento e não houve necessidade de palavras. Rosalie sabia o que se passava na mente de Emmett.
Ele então disse ao conde:
Já estamos prontos. Você virá conosco, Paul?
É claro que sim, sir — concordou o conde.
Ele abriu a porta e os três se encaminharam até o topo das escadas.
Rosalie percebeu que uma grande multidão se aglomerava lá embaixo.
Vários membros da criadagem chegavam da parte de trás do palácio.
Todos estavam armados, prontos para auxiliar os guardas e impedir que a multidão convergisse para as escadarias.
O rei fez uma pausa para conversar com o camareiro-mor.
Naquele momento, Rosalie voltou-se para o conde, dizendo:
Tenho uma idéia!
Disse-lhe então do que se tratava.
É brilhante, madame! — exclamou ele e desceu correndo os degraus na direção do povo.
O rei se voltou para Rosalie e ambos desceram lentamente.
Ela percebeu que quase todos os membros da multidão logo abaixo os exaltavam.
Alcançaram a carruagem e o rei, perplexo, notou que havia dois meninos sentados sobre a capota arriada do veículo.
Havia mais quatro na parte superior do assento que ficava de costas para os cavalos.
Outros dois achavam-se sentados no assento estofado, deixando espaço para que o conde se sentasse entre eles.
É essa a idéia que teve? — indagou Emmett.
Seria impossível que alguém atirasse em nós já que estamos protegidos pelas crianças da cidade — explicou ela.
Ele deu uma risada e então respondeu:
É algo em que eu jamais pensaria.
Entraram na carruagem e a multidão se aproximou, aplaudindo-os.
O rei ordenou ao cocheiro que dirigisse um pouco mais devagar, de sorte que sua comitiva não ficasse para trás.
Os garotos sentados na carruagem acenavam para todos que passavam.
Continuaram seguindo e Rosalie intuiu que os revolucionários deviam estar reunidos na praça em frente à catedral.
Quando lá chegaram, o cocheiro fez com que a carruagem parasse.
Rosalie avistou o homem chamado Delac, de pé nos degraus de um monumento que havia no meio da praça.
Vários outros homens, que ela presumiu serem também revolucionários, aglomeravam-se ao redor dele.
Delac falava para uma enorme multidão que o ouvia sem demonstrar muito entusiasmo pelo que tinha a dizer.
O rei então se levantou do assento e Rosalie fez o mesmo.
As mulheres que se encontravam na parte de trás da multidão no mesmo instante começaram a aclamá-los.
Rosalie percebeu, porém, que vários revolucionários levaram as mãos para dentro de seus casacos como se fossem sacar armas.
Ouviram Delac, um homem de maneiras grosseiras, dar um grito que eclodiu por toda a praça:
— Ei-lo, nosso inimigo, o rei! Matem-no agora! No momento em que acabou de dar a ordem, puxou uma pistola de dentro do casaco.
Contudo, antes que tivesse tempo de atingir seus objetivos, o conde deu-lhe um tiro. Delac rolou pelos degraus da escada gemendo de dor. Ouviu-se um grito de terror da multidão que a tudo assistia e os revolucionários também sacaram suas armas.
Antes que pudessem se colocar em posição de ataque, surgiu, do extremo oposto da praça, uma tropa de soldados.
Os revolucionários, tomados de surpresa, hesitaram diante dos rifles que lhes eram apontados.
Um instante depois, mais soldados apareceram e, quando um dos agitadores tentou acionar sua pistola, foi imediatamente atingido.
A seguir, o rei saltou da carruagem e correu para assumir o comando dos soldados. Então, o conde ordenou com voz peremptória: — Todos no chão, com as cabeças abaixadas! Os garotos obedeceram imediatamente. Rosalie ouviu tiros, gritos e gemidos de pessoas que deviam estar ou feridas ou assustadas. Rezava fervorosamente para que Emmett não fosse atingido. Foi naquele momento de desespero que Rosalie descobriu que o amava.
Pareceu-lhe que um século havia se passado antes que o tiroteio terminasse, o que na realidade durou apenas poucos minutos.
O rei se reunira ao exército convocado do campo de manobras e que, por sorte, conseguira chegar antes do tempo previsto.
Ordenara que qualquer revolucionário que tentasse abrir fogo fosse atingido de imediato.
Os outros deveriam ser desarmados e mantidos sob custódia.
Houve apenas meia dúzia de feridos, entre eles Delac, enquanto o restante dos revolucionários foi conduzido sob ordem de prisão.
O rei, após ter agradecido a suas tropas pela chegada em tempo recorde, encaminhou-se até o monumento que se achava no centro da praça.
Subiu até o último degrau, onde Delac estivera. No momento em que Rosalie ouviu-lhe a voz, sentou-se na carruagem.
Os garotos voltaram para os lugares que tinham ocupado até aquele momento.
Meu povo — começou Emmett. — Quero dizer-lhes que, a partir desta noite memorável, começaremos uma nova era em nosso país e para isso preciso de ajuda.
Rosalie observou que o povo ia se aglomerando aos poucos ao redor do monumento até que a praça toda fosse tomada.
Devo admitir que cometi erros no passado — prosseguiu o rei —, pois fui tolo a ponto de ouvir somente aqueles que se recusavam a aceitar novas idéias, novos interesses e ambições, enfim tudo o que é necessário para o bem de vocês.
Ouviram-se aclamações e gritos de viva, enquanto ele continuava:
A primeira coisa que farei será garantir que os jovens, como aqueles que agora se acham na companhia da rainha na carruagem, tenham melhores escolas, melhor ensino. Edificaremos também uma universidade aqui, melhoraremos as condições de saúde e de alimentação e de tudo o que é imprescindível para o bem comum.
Novamente aclamações se fizeram ouvir, demonstrando que a multidão compreendera a importância do que o rei dizia.
Rosalie percebeu que todos ouviam com atenção.
Nossos vizinhos, os gregos — prosseguiu ele —, sempre se orgulharam dos jogos olímpicos que aconteciam em seu país no passado remoto. Nós, em Arramia, faremos com que esses jogos aconteçam no presente. A primeira coisa que construiremos Será um estádio e, para isso, quero que todos os homens nos ajudem na construção. Enquanto isso providenciarei prêmios para natação, corrida, saltos. Todos serão incentivados a participar dos esportes, do mais jovem ao mais idoso.
Naquele momento ouviu-se uma aclamação ruidosa dos garotos e de suas mães.
Tenho certeza de que outros países desejarão competir conosco e nosso país, acredito, conduzirá os jovens do futuro.
Houve novas e rumorosas aclamações no momento em que o rei disse:
Para celebrar esse momento, que é muito importante para mim, proponho que nós também celebremos meu casamento por meio de um festival para jovens que acontecerá durante as próximas duas semanas. Haverá um baile à fantasia nas dependências do palácio e também navegação a vela, natação, shows, enfim tudo o que os jovens julguem atraente.
As crianças, especialmente aquelas que se achavam na carruagem, deram gritos de excitação.
A voz do rei assumiu um tom sério no momento em que prosseguiu:
Sei que alguém poderá perguntar de que forma pagaremos tudo isso. É idéia de nossa rainha que procuremos ouro nas montanhas, bem como pedras preciosas e outros minerais dignos de serem explorados. Tais preciosidades são encontradas em todo os outros países onde existem montanhas.
Ele olhou na direção da carruagem e continuou:
Foi também a rainha que me disse que em Kessell todos possuem bicicletas. Nós também poderemos ter aqui várias bicicletas se essa for a vontade do povo.
Quando todos riram diante daquela proposta, o rei pediu:
Peço-lhes que sugiram novas idéias, novos produtos que possamos criar não apenas para nós mesmos, mas para exportarmos para outros países.
Gritos de aprovação se fizeram ouvir, eclodindo por toda a praça de forma ensurdecedora. Emmett então disse:
Esta é a noite de meu casamento e eu e a rainha queremos que todos vocês participem de nossa felicidade. Sugiro que os adultos tomem conosco um cálice de vinho a fim de comemorarmos. As crianças poderão se deliciar com as guloseimas das barracas que vi quando passei. Não se preocupem com as despesas; amanhã tomarei as devidas providências para o pagamento.
Não havia dúvida de que aquela era uma proposta popular. Quando as aclamações cessaram, o rei acrescentou:
Tenho apenas mais uma coisa a dizer-lhes: preciso da ajuda de cada um de vocês. Lembrem-se de que assim não só estarão ajudando a vocês próprios, mas também a Arramia, e, com a ajuda de Deus, o dia de hoje será memorável para a história de nosso país.
No momento em que acabou de discursar ele desceu os degraus.
Caminhando com dificuldade entre as pessoas que o aplaudiam, Emmett alcançou a carruagem.
Rosalie se levantou e estendeu-lhe as mãos. O rei tomou-as entre as dele e as beijou com ternura, para deleite das mulheres que a tudo assistiam.
Passou em seguida o braço pelo ombro da esposa e ambos acenaram para o povo.
O conde deu ordens para que a carruagem partisse.
Foi impossível impedir que a multidão de pessoas os seguisse, apinhando as ruas, gritando e aclamando até que chegassem ao palácio.
O rei se inclinou na direção do conde.
Dê às crianças que nos protegeram algo de especial para comerem e diga aos hóspedes que se encontram no palácio que podem ir para casa em segurança agora.
Deixe tudo por minha conta — replicou o conde. Paul Maori foi o primeiro a saltar da carruagem e subir as escadarias do palácio.
Entre as pessoas que tomavam conta do palácio, encontravam-se os chefes.
O conde disse-lhes qual era a pretensão do rei e eles se dispersaram. Foi difícil para o rei e a rainha saltarem da carruagem por causa da multidão.
As sentinelas tentavam abrir-lhes caminho, mas a tarefa era árdua.
Seguindo as instruções do rei, as crianças que se encontravam na carruagem acompanharam-nos.
No meio da escadaria, eles se detiveram para acenar para a multidão.
Os chefes naquele momento apareceram com bandejas repletas de bolos e doces variados.
As guloseimas foram colocadas sobre os degraus. As crianças se sentaram e comeram, com grande regalo, tudo o que encontraram.
Os garotos que haviam seguido a carruagem durante todo o trajeto também tiveram seu quinhão nas iguarias.
Afinal, Emmett e Rosalie entraram no palácio.
Foi naquele momento que a multidão se lembrou de que havia bebida e comida de graça para serem saboreadas nas barracas.
Saíram apressados para não perder a oportunidade.
Os convidados, que foram avisados pelo conde de que o perigo havia passado, partiram.
Quando a rainha e o rei entraram no hall, apenas o grão- duque os aguardava.
Ele estendeu as mãos e Rosalie correu até o pai para beijá-lo.
Você voltou! E em segurança! —exclamou ele, satisfeito e com lágrimas nos olhos. — Já me contaram sobre o sucesso de vocês.
Voltando-se então para o rei, ele exclamou:
Estou orgulhoso! Ninguém poderia ter agido melhor que Vossa Majestade.
Há muito trabalho a ser feito no futuro — replicou o rei. — Só que dessa vez será do meu jeito.
Rosalie riu.
Acho que seria impossível alguém impedi-lo agora.
É nisso que quero acreditar — foi a resposta de Emmett. — Mas, como seu pai bem sabe, os estadistas podem ser bem obstrutivos.
Porém, considerando-se que eles não apareceram esta noite — o grão-duque comentou —, acho que jamais tentarão dissuadi-lo de seus novos interesses.
Espero que sim! — exclamou o rei.
Conseguiu prender todos os revolucionários?
A grande maioria deles — explicou o rei — veio de outros países. Por isso, após uma longa sentença de prisão, serão deportados e jamais, em nenhuma circunstância, retornarão a Arramia.
O grão-duque assentiu.
E agora, se me perdoam — tornou o rei —, preciso ir agradecer às pessoas que guardaram este palácio enquanto eu estava ausente e para quem dei instruções sobre o que fariam se eu fosse morto.
Eles já me disseram sobre seus planos — respondeu o grão-duque. — Fiquei bastante impressionado pela forma inteligente como Vossa Majestade conseguiu organizar em tão pouco tempo as pessoas para um trabalho tão grandioso.
Tudo estará sob controle assim que a maioria das tropas retornar à cidade. Doravante, fatos assim jamais voltarão a acontecer. Vou dar treinamento adequado a todos os homens que se encontram a serviço da segurança deste país.
Ótimo — concordou o grão-duque. — E agora, acho que vou me recolher. Boa noite!
Boa noite, e mais uma vez obrigado por seu apoio — tornou Emmett. — Foi de grande ajuda saber que estava do meu lado.
Rosalie sabia que o pai sentia-se lisonjeado pelo que o rei acabara de lhe dizer.
Então, ao ver Emmett encaminhar-se para a porta, Rosalie pediu, antes mesmo que pudesse evitar:
Por favor, me informe, se algo mais acontecer.
O rei se deteve.
É claro que sim. Você já sabe, sem que eu tenha de lhe dizer, o quanto foi maravilhosa esta noite. Nenhuma outra pessoa poderia ter se mostrado tão corajosa. O resultado da batalha poderia ter sido diferente se você não estivesse lá com seus guardas bastante eficientes!
Rosalie riu.
As crianças pareciam tão excitadas diante da idéia! Mas não se esqueça de que o conde salvou-lhe a vida.
Sei disso — foi a resposta de Emmett. — Asseguro-lhe que Paul terá um papel muito importante na reconstrução de Arramia.
O rei sorriu para ela antes de sair.
O grão-duque ofereceu o braço a Rosalie.
Acho que deve estar cansada, querida — presumiu ele. — Saiba que estou muito orgulhoso de você e feliz pelo fato de tudo ter corrido tão bem.
Foi assustador, papai — confessou Rosalie. — Mas eu tive certeza de que Deus e mamãe ouviram minhas preces.
Tenho certeza de que sim — respondeu o grão-duque.
Enquanto subiam as escadarias, o grão-duque disse:
Tenho um presente de casamento para você que sei que vai agradá-la.
Rosalie fitou o pai, surpresa.
Um presente de casamento? — indagou ela. — Como achou tempo para conseguir um?
Quando lhe disser que presente é, sei que compreenderá.
O grão-duque parou nos degraus e Rosalie levantou a cabeça para fitá-lo.
E o que é, papai?
Esta tarde, após você ter partido, conversei com a esposa de um dos primos do rei e que é irmã do rei da Sicília.
Rosalie ouvia o pai com os olhos arregalados.
Ela me disse — prosseguiu o grão-duque — que seu irmão ficou viúvo há dois anos. Sua esposa, que tinha péssima saúde, não conseguiu dar-lhe um herdeiro.
Rosalie começou a entender aonde o pai queria chegar e um sorriso iluminou-lhe o rosto.
O rei, que tem quase quarenta anos, procura por uma esposa que possa dar-lhe um herdeiro.
Oh, papai, então você acha que... — perguntou Rosalie.
Eu acho, minha querida — replicou ele —, que acabei de encontrar um rei para Jessica. De fato, quando disse à princesa que tenho em casa outra filha tão bela quanto você, ela pareceu entusiasmada.
E você imagina que... — Rosalie tentou falar.
A princesa partirá de imediato para a Sicília — continuou o grão-duque — a fim de providenciar uma viagem diplomática para Jessica eu. Sei que, quando eu disser a Jessica o que planejamos, ela não mais se queixará pelo fato de você ter tomado o lugar dela no trono de Arramia.
Rosalie passou os braços pelo pescoço do pai e beijou-o. Enquanto continuavam subindo as escadas, ela concluiu que o pai tinha razão.
Aquele era o melhor presente de casamento que ele poderia ter-lhe dado.
Tarsia aguardava Rosalie em seu quarto.
Quando entrou, a dama de companhia irrompeu em lágrimas.
Então está salva! — gritou ela. — Tive tanto medo de que Vossa Majestade não retornasse nunca mais...
Mas eu voltei — respondeu Rosalie, sorrindo. — E o rei foi maravilhoso! Não conseguiria dizer-lhe o quanto ele foi corajoso.
É o que eu já esperava — tornou Tarsia. — Sua Majestade é um homem bom e generoso. Foram aqueles políticos intrigantes que quase permitiram que os revolucionários o destruíssem!
A criada ocupava-se em retirar a tiara da cabeça de Rosalie enquanto falava e a seguir desabotoou-lhe o vestido.
A criadagem comentou que esta noite Vossa Majestade conseguiu conquistar os corações de todos os cidadãos de Arramia. Nunca imaginaram que pudessem ter uma rainha tão maravilhosa.
Espero que continuem pensando assim — replicou Rosalie. — O rei precisará de muita ajuda do povo no futuro.
Não deveria se preocupar com o futuro esta noite. Hoje é o dia de seu casamento, por isso deve se preocupar consigo mesma, Majestade.
Rosalie riu, pois só mesmo Tarsia poderia falar daquela forma.
Quando a criada deixou o quarto, ela saiu da cama e se encaminhou até a janela.
Talvez Emmett ficasse aquela noite com seu povo, que parecia ter mais importância para ele do que qualquer outra coisa.
Contudo, ela, desejava vê-lo. Queria falar-lhe tantas coisas...
Rosalie levantou os olhos para o céu, onde a lua cheia e as estrelas cintilavam sobre a cidade.
Em seguida olhou para baixo.
Através da janela ela avistou as luzes nas lanternas que pendiam das árvores.
Parecia que toda a cidade estava iluminada.
Cada janela parecia uma chama de luz.
"As pessoas estão felizes", pensava ela, "e é isso o que o rei deseja."
Tenho tanto — disse ela em voz alta — que não acho justo pedir mais.
O rei a odiou na primeira vez em que a viu.
Também foram os estadistas que o haviam frustrado e privado de seus poderes que a trouxeram até ali.
Mas ela tentou ajudá-lo e foi bem-sucedida.
Rosalie se perguntou se, naquela noite, quando toda a ex- citação tivesse terminado, o rei desejaria estar na companhia da condessa.
Foi então que sentiu como se todo seu corpo gritasse em sinal de protesto.
O amor que sempre imaginou e esperou um dia acontecer- lhe na vida chegou de maneira inesperada.
O que sentia pelo rei era amor.
Senão, como explicar o fato de ela ignorar o perigo para salvá-lo?
Sempre que pensava em Emmett, um estranho sentimento acendia-se em seu peito, algo que ela jamais sentira antes.
O amor por ele alimentava-lhe cada célula do corpo.
Rosalie fitou novamente as estrelas.
Elas incitavam a imaginação dos seres humanos por estarem tão fora do alcance.
Você precisa alcançar as estrelas.
Quantas vezes ouvira a mãe repetir aquela frase que encerrava muito mais do que atingir os objetivos que alguém almejava.
Significava encontrar o amor, o sentimento mais valioso do que qualquer outro no mundo.
O amor que vinha de Deus e só Dele.
É isso o que desejo — sussurrou.
Como aquele pensamento a machucasse, ela deixou a janela e retornou para a cama.
Tarsia havia deixado apenas duas velas acesas no criado- mudo ao lado da cama e que conseguiam iluminar o relógio acima, na parede.
Era bem tarde, mais do que Rosalie imaginava.
Sabia que o rei se esquecera dela e que não viria nem mesmo para notificar-lhe os últimos acontecimentos. Ele não tinha mais nada a lhe dizer.
"Esta é a noite de meu casamento e estou sozinha", pensou, desolada.
De súbito, as lágrimas afloraram-lhe aos olhos.
— Eu o amo, mas tenho certeza de que ele jamais me amará — disse ela em voz alta.
Então, quando já se desesperava, a porta do boudoir se abriu.
