CAPÍTULO I
Mas que hora imprópria para Lionel fugir... Todos falavam ao mesmo tempo na recepção lotada da Bayside Imóveis. As faxineiras recusavam-se a limpar uma residência que se encontrava para locação, alegando que os cães da dona eram perigosos. Sophia, uma das proprietárias mais estimadas por Hermione, estava furiosa por alguém criticar-lhe os ca chorros. Sirius Black e o patrão de Hermione estavam no escritório a portas fechadas. E então...
— Lionel fugiu! — Hermione afirmou, horrorizada, olhando a caixa vazia. — Ângela, você...?
— Eu só mostrei ao Guy. — A corretora que trabalhava com Hermione fitou com desalento o objeto de papelão nas mãos da amiga. — Juro que foi só o que eu fiz. Guy veio tomar café e não acreditou que você tivesse uma rã na sua mesa.
— E você tornou a fechar a tampa?
Ângela, arfante, empalideceu.
— Pois é... Eu estava apresentando a rã para o Guy, quando Sirius Black entrou!
Então fora isso. Sirius Black. Era só ele chegar a algum lugar e metade das mulheres presentes se esquecia dos próprios nomes!
Ele era um homem muito bonito, charmoso e bem-educado. Além disso, tudo se vestia com elegância. E apesar de sua posição social e reputação, não era arrogante. Tinha olhos cinzentos sempre risonhos e um sorriso maravilhoso que deixava à mostra os dentes muito brancos.
Pelas páginas sociais, Hermione teve conhecimento de que as mu lheres eram loucas por ele. Herdeiro milionário de minas de cobre da Austrália era um homem de negócios muito bem-sucedido e dono de uma conta bancária de fazer inveja a qualquer mortal.
Quando Sirius chegara naquela manhã, o escritório inteiro quedara-se emudecido. Hermione viera da casa de Sophia e até a dama acostumada com a alta sociedade ficara extasiada ao presenciar a entrada de Sirius e de seu advogado.
— É Sirius Black. — Sophia sussurrara, impressionada, quan do o séquito ultrapassara a entrada do santuário de Trevor. — Eu nunca o tinha visto em carne e osso. Ele é cliente de vocês?
Se fosse, seria um grande benefício para o escritório, Hermione pen sara e imaginara em quais propriedades Sirius poderia estar in teressado. Eles tinham várias mansões à venda na baía, mas ne nhuma à altura da riqueza daquele homem.
— Sirius fez com que eu esquecesse sua rã. — Ângela admitiu. — Ele é realmente maravilhoso.
— Tudo bem, mas onde está Lionel?
— Em algum lugar... eu acho.
Ângela ajoelhou-se junto com Hermione e elas começaram a procurar debaixo da mesa. Ambas tinham perto de trinta anos e eram muito bonitas. Ângela, loira, achava que o mundo lhe devia só coisas boas. Hermione, de cabelos escuros, era bem mais realista.
— Onde esse danado poderia ter ido?
A uma porção de lugares. O escritório imobiliário de Trevor Granger era uma empresa pequena e o dono, primo de Hermione, muito desor ganizado. O local tinha arquivos, literalmente, até o teto. Uma rã teria milhões de cantos para esconder-se.
— Sam vai me matar. — Hermione lamentou-se.
— Nós acharemos a rã.
— Eu não deveria tê-la trazido para cá.
— Você não teve escolha.
Hermione não tivera. Ela vinha de metrô todos os dias com Sam, o sobrinho de oito anos, no mesmo horário. Ele ia para a escola e ela, para o trabalho. E já perto do final do trajeto, Hermione descobrira o animal na mochila de Sam.
— Você não pode levar Lionel para a escola.
— Eu posso. — O menino desafiou-a por trás dos óculos. — Quando eu o deixo em casa, ele fica com saudade de mim.
— Mas as outras crianças...
Hermione conhecia muito bem a estrutura social da Escola Funda mental Cove Park. Não estivera com o diretor há uma semana para queixar-se dos maus-tratos sofridos por Sam? O homem lhe dissera que Sam enfrentava qualquer garoto e isso fazia com que os outros armassem retaliações contra ele. Desculpara-se e prometera vigiar melhor os alunos.
Mas Sam voltara para casa com mais uma série de hematomas.
E se ele levasse a rã, os maiores com certeza tratariam de tomar-lhe o animal de estimação. E Hermione nem queria imaginar o que poderia suceder depois.
— Agora é muito tarde para levá-la de volta. — Sam afirmou, de queixo erguido.
Hermione também não poderia atrasar-se. Esse fora um dos motivos por que levara para o escritório a caixa com a rã. Além disso, tra balhava na firma há pouco tempo, o primo a empregara com relu tância e tinha um encontro com Sophia às dez.
— Sam jamais vai me perdoar.
As duas jovens continuavam a busca debaixo da mesa.
— Será que entendi bem? — O tom de Sophia por cima da es crivaninha era uma indicação clara de que ela não se divertia. — Vocês estão procurando uma rã?
— É de estimação e é de Sam. — Hermione quase soluçava. Ela afastou do rosto as madeixas escuras e começou a arrastar o ar quivo da parede. — Ajude-nos.
— Recuso-me a esperar por causa de uma rã. E quanto a ajudar...
Hermione arrastava a peça com energia e Ângela levantou-se, com
as mãos na cintura. As duas eram muito amigas e Ângela a defen deria até a morte.
— A senhora sabe quem é Sam?
— Claro que não, menina! E por que eu deveria saber?
— Lembra-se daquele acidente horrível ocorrido há seis meses? — Ângela perguntou. — De um caminhão que se desgovernou e caiu sobre um carro com três passageiros? De dois adultos que morreram na hora e de um menino que ficou preso nas ferragens durante horas?
A mulher, horrorizada, quedou-se boquiaberta.
— Era aquele Sam?
— Sim. E ele é sobrinho de Hermione.
— Oh, não!
— E agora nós perdemos a rã dele!
Seguiu-se um silêncio mortal. As três serventes e Sophia de ram-se conta da tragédia. E as cinco entregaram-se a uma busca frenética.
Inconsciente do drama que se desenrolava do outro lado, Trevor Granger ficava cada vez mais atrapalhado.
Eufórico no início, nem mesmo acreditara em sua boa sorte, com o telefonema de Hannah Copeland aquela manhã.
— Ouvi dizer que Sirius Black está pensando em comprar uma mansão na costa. Eu não venderia Birraginbil para qualquer um, mas para Sirius... Trevor, meu pai costumava negociar com seu avô, por isso eu lhe autorizo a contatar o sr. Black e descobrir se a propriedade lhe interessa. Isto é, se você deseja ganhar a comissão.
Oh, céus! Era a comissão dos sonhos de qualquer imobiliária!, Trevor pensara, atônito, e ligara imediatamente para o advogado de Sirius. E o milionário em pessoa estava no momento naquele escritório modesto, vestido com um terno italiano de alto preço. Com seu olhar frio e calculista, Black esperava por detalhes.
Havia um pormenor alarmante. Trevor não conhecia os "deta lhes" e por isso ganhava tempo.
— A propriedade fica a trezentos e vinte quilômetros de Sydney. — ele explicou. — Hoje é sexta-feira e já tenho compromissos para o final de semana. Os senhores gostariam de ir até lá na segunda?
— Achei que o senhor tivesse ao menos fotografias — o advogado mostrou seu desagrado.
Tal como Trevor, Roger Francis fora pego de surpresa e ficara irritado. Ele tinha uma propriedade em Blue Mountains para Sirius ver que lhe daria uma recompensa polpuda, além de um di nheiro por fora. Mas a sua secretária atendera o telefonema de Trevor na sua ausência e ligara pessoalmente para Sirius. Mu lher estúpida!
— Ligue para nós quando tiver mais informações. — Francis foi ríspido. — Nem teríamos vindo se soubéssemos que nada haveria de concreto. O senhor fez o sr. Black perder parte de seu tempo valioso.
O causídico estacou e arregalou os olhos ao ver no chão um objeto verde que deu um pulo no carpete.
Era uma pequena rã, uma personificação da natureza. E o ad vogado sabia o que fazer com a intrusa que ousava conspurcar a civilização.
Levantou o pé.
— Será que ela poderia ter entrado na sala de Trevor, quando eles abriram a porta? — Hermione desesperou-se. — Onde mais Lionel poderia estar?
— Pode até ser. — Ângela considerou, sentada nos calcanhares.
— Quer dizer... todos estavam olhando para Sirius. Os idiotas!
— Vou verificar. — Hermione levantou-se.
— Trevor vai matá-la pela interrupção! Ele está com "Sirius Black".
— Nem que ele fosse a rainha de Sabá eu deixaria de procurar lá dentro.
Hermione espiou pela porta de vidro e o que viu a fez arremessar-se para a frente.
E Sirius?
Há um minuto, ele tentava compreender a raiva de seu advo gado e a perturbação do corretor. No instante seguinte viu um ser verde pulando no carpete bege, o sapato engraxado de Roger er guido para atacar... e uma jovem de cabelos ondulados empurrar a porta com violência e jogar-se no chão.
O pé de Roger atingiu o par de mãos que protegiam o pequeno animal.
— Ai!
— Hermione!
— Mas o que...
— Conseguiu pegar?
— Ele esmagou o anfíbio de Sam, o bruto! — Sophia Cincotta, furiosa, vinha logo atrás de Hermione. Ao ver o cenário, não teve dú vidas. Acertou o advogado com a bolsa. — Assassino!
Angela chegou em seguida, horrorizada. Hermione estava estendida no carpete e cobria Lionel com as mãos ensangüentadas.
— Hermione... sua mão está sangrando!
— Ele quebrou-lhe os dedos! — Sophia gritou, levantando a bol sa de novo.
O advogado escondeu-se atrás da mesa de Trevor.
— Lionel está bem? — Angela quis saber.
— Ele foi esmagado. — Sophia respondeu, aproximando-se do advogado. — Como poderia estar bem, depois da pisada que levou de um monstro?
— Pensei que esses animais fossem protegidos. — uma das fa xineiras interveio.
— Poderia ser um sapo, idiota! — alguém comentou. — É preciso matá-lo.
— Não no meu tapete! — Trevor recuperou-se do susto. — Hermione, o que você tem a ver com esse sapo?
— Tudo. — Hermione espiou entre os dedos ensangüentados. — E não é nenhum sapo. Oh, Deus, a perna dele parece estar quebrada.
— Seus dedos é que devem estar quebrados — Angela deduziu, ajoelhou-se ao lado da amiga e fulminou Roger Francis com o olhar. — Ele é que é um sapo.
— Mas que falta de profissionalismo... — Roger cuspiu ao falar e afastou-se mais de Sophia. — Sr. Black, sugiro que procuremos uma casa em outro lugar.
Ao ouvir aquilo, Trevor recompôs-se e assumiu posição entre Hermione e Sirius. Na sua mente viu evaporarem-se milhões de dó lares de comissão.
— Sr. Black, nem pode imaginar o tamanho de meu pesar. Este sempre foi um escritório eficiente e sério. — Trevor fitou Hermione com ódio. — Meu pai persuadiu-me a empregar minha prima, a srta. Granger, por compadecer-se dela. Mas se ela pretende ofender meus melhores clientes... Hermione, levante-se! Pegue seu último pagamento e pode ir embora!
Hermione não escutou, absorta na perna torta de Lionel. Como engessar membros quebrados de uma rã? O que diria para Sam?
— Hermione, vá embora.
Daquela vez, Hermione escutou.
— Quer dizer que minha rã vai morrer e você vai me demitir? — ela murmurou, refletindo em como iria fazer para sustentar-se.
— Se está pensando que pode aborrecer o sr. Black...
— Ela merece ser demitida. — o advogado sibilou, do outro lado da mesa e Sophia tornou a ameaçar com a bolsa.
— Um momento. — Sirius Black levantou-se, com a mão er guida.
A voz aveludada, profunda e determinada era de quem não du vidava da obediência a uma ordem sua. Ajoelhou-se ao lado de Hermione e afastou Angela com gentileza. Ele mexeu os ombros largos que ostentavam um paletó caro e bem talhado, e inclinou a cabeça de cabelos negros. Ninguém ousava respirar, de olhar fixo no magnata.
— É uma rã... de verdade? — ele perguntou, amável.
Hermione limpou as lágrimas com as costas da mão livre, fungou e anuiu.
— Sim.
— E o sr. Francis, meu advogado, machucou-a?
— Eu não gosto de insetos. — Roger resmungou.
— Ela não é um inseto... — Hermione começou, mas Sirius inter veio, sempre no comando.
— Deve ser muito difícil para a srta. Granger ter machucado a mão, ver seu bicho de estimação ferido e perder o emprego, tudo em um dia só.
Ele abriu a mão de Hermione com delicadeza e pegou a rã. Ficou em pé com toda sua altura e elegância, com o minúsculo anfíbio verde alojado em sua palma e afastou da testa uma mecha de ca belos negros.
Trevor não escondia o mal-estar. Vida selvagem não era seu ponto forte.
— Sr. Black, deixe a rã comigo. Eu a levarei...
Sirius não lhe deu atenção.
— Sabe, senhorita, o dano não foi grande. Posso dar um jeito nisso.
Hermione suspirou duas vezes, sentou-se e puxou a barra da saia que subira, para cobrir as coxas.
— O senhor está falando sério?
Sirius demorou o olhar sobre Hermione e a achou excepcional. Era uma jovem de pele clara, quase translúcida, cabelos castanhos on dulados e olhos imensos, também castanhos.
Concentre-se na rã!, Sirius repreendeu-se.
— Na verdade, não podemos engessá-la...
— Esperem! — Ângela animou-se, fazendo graça como sempre, passado o perigo de Lionel morrer. — Poderíamos arrumar-lhe mu letas como as de Tiny Tim, dos Muppets.
— Cale-se, Ângela. — Hermione fitou a amiga com severidade e mal notou que Sirius a ajudava a levantar-se. — O que dizia, sr. Black?
— Teremos de fixar-lhe um pedacinho de madeira. — Ele e Hermione fitaram o pequeno animal aconchegado na palma da mão grande.
— Muletas! — Ângela riu e ficou séria de repente. — Hermione, o sangue está pingando no tapete.
— Não é nada. — Hermione fechou o punho de encontro à saia, mas Sirius levantou-lhe a mão.
Os nós dos dedos estavam feridos e sangravam.
— Veja, Roger, o que você fez!
— Eu ia pisar na rã. Não poderia adivinhar que ela...
— É preciso fazer um curativo.
— Nada disso. — Hermione puxou a mão e escondeu-a atrás das costas. — É só um arranhão. Se a pata de Lionel ficar boa...
— Lionel?
— Minha rã.
— Ah... pode-se dar um jeito.
— Como é que o senhor sabe? — Hermione fitou-o, desconfiada.
— Quando eu era menino, costumava criar girinos na represa de nossa propriedade, durante as férias. — Para fugir dos pais. — Pode perguntar-me qualquer coisa sobre rãs.
— O senhor acha que é possível salvar-lhe a pata?
— Acho.
Hermione inspirou fundo e acalmou-se um pouco.
— Então vou levá-la ao veterinário.
— Se me permitir, poderei imobilizar a perna de Lionel. Mas não posso fazer curativo na sua mão.
— Eu a levarei ao hospital. O senhor conserta a rã e eu conserto Hermione. — Ângela fez graça de novo.
— Ângela! — Trevor repreendeu-a, mas ela fitou-o com um de seus sorrisos mais doces.
— O sr. Black gosta da rã de Hermione e nós não queremos desa gradá-lo, não é verdade, sr. Granger?
Trevor emudeceu.
— Pelo amor de Deus! — Hermione suspirou e afastou-se de Ângela.
— Agradeço a todos, mas vou levar a rã para o veterinário e fazer um curativo nos meus dedos. — Olhou o primo e achou-o um idiota. — De qualquer forma, já estou mesmo na rua.
— A senhorita não pode ser despedida. — A voz de Sirius novamente provocou silêncio. Virou-se para Trevor com olhar intimidativo, enquanto acariciava lentamente as costas do ranídeo. — Vim até aqui para inteirar-me de uma propriedade que está à ven da. As informações iniciais foram do meu agrado, mas preciso de mais detalhes. O senhor disse que estaria ocupado neste final de semana?
— Sim, mas... — Trevor continuava aturdido.
— Tenho de dar a resposta sobre uma outra fazenda até segun da-feira, por isso terei de visitar a de Copeland sábado ou domingo. Como viajo para fora do país na terça, não terei tempo de fazer uma negociação, se vir o imóvel apenas um dia antes.
Negociação! Ah, que palavra linda!
— Sem dúvida. — Trevor esfregou as mãos. — Poderei desmar car meus compromissos...
— Não se dê a esse trabalho. Um de seus funcionários poderá mostrar-me a herdade.
— O senhor ainda tem de visitar a fazenda de Blue Mountains. — o advogado interrompeu-o e foi calado com um olhar enérgico.
— Estou mais interessado na propriedade Copeland. Agora, em vista da srta. Granger ter sofrido um ferimento, qual a melhor maneira de fazê-la recuperar-se senão fazer um passeio? Sr. Granger, acredito que não falou sério em despedir uma funcionária só por causa de uma rã?
— Não... Sim, mas...
Sirius virou-se para Hermione.
— Srta. Granger, eu gostaria que me acompanhasse na visita à fazenda. Sr. Granger, se sua funcionária está a ponto de fazer uma venda desse porte, tenho certeza de que poderá oferecer-lhe o em prego de volta.
Trevor não era totalmente estúpido e imaginou de novo uma fortuna em dólares voar pela janela.
— Ah, poderei dar um jeito de ir com o senhor.
— Não quero incomodá-lo. — Sirius foi seco e voltou o olhar para o advogado. — Ah, Francis, outra coisa. Como Copeland é uma propriedade rural, as rãs serão um impedimento para você ir até lá. Acredito que a srta. Granger e eu dispensaremos os interme diários. Senhorita, aceitaria mostrar-me a propriedade no final de semana?
Hermione inspirou fundo e relanceou um olhar apreensivo ao redor. Trevor, sr. Francis, e a pequena rã sentada na mão enorme de Sirius Black.
A expressão do milionário era de simpatia e Hermione não teve escolha. O fato de o primo ser odioso não importava. Ela precisava trabalhar e Sirius oferecia-lhe uma oportunidade de manter do emprego.
— Terei muito prazer em ir com o senhor. — Hermione não acreditou que houvesse aceito.
Sirius tomou todas as decisões. Não fora eleito o Homem do Ano da Austrália por nada.
— Eu a encontrarei no aeroporto de Mascot amanhã às nove.
— Ah? Iremos de avião?
— Fretarei um helicóptero.
— Ah, bom.
— A senhorita tem a documentação pronta?
Seria um milagre se o advogado da firma aprontasse tudo, Hermionerefletiu.
— Sem dúvida. — ela teve de concordar.
— A casa está em condições de ser usada?
— Acredito que deve haver alguns empregados. — Trevor es forçou-se para manter o controle que já perdera. — A srta. Copeland afirmou que ficará satisfeita de oferecer-lhes hospedagem, mas eu...
— Então está ótimo.
— Não sei se Hermione deveria ir... — Trevor tentou de novo.
— Ela não é competente?
— Muito. — Angela respondeu pelo patrão e recebeu um olhar aprovativo do magnata.
— Se o senhor está preocupado com a reputação da srta. Granger, posso sugerir que ela traga uma acompanhante. E deve ser uma que adore rãs. Mas não quero a presença de intermediários. Então, até amanhã, às nove. Com ou sem babá. Isso será suficiente para a senhorita esquecer a mão ferida e a rã manca? — Sirius completou, com um sorriso malicioso.
O sr. Black estava acostumado a comandar e a ser obedecido. E nesse caso, em particular, ela nem teria se incomodado de exe cutar-lhe as ordens. Mas qual a explicação que daria a Sam?
— Como queira, senhor. — Hermione respondeu em tom monocórdio e com a testa franzida.
— Ainda está preocupada com Lionel?
— É óbvio.
— Como deve saber, rãs também morrem.
Droga! O sr. Black zombava dela.
— O senhor disse que poderia imobilizá-la.
— E cumprirei o prometido. — Sirius falou com Angela. — A senhorita não quer levar sua amiga para fazer um curativo?
— Só depois de Lionel ter sido atendido. — Hermione não deixaria o pequeno animal por nada.
— Bem... sinto parecer grosseiro, mas trata-se apenas de uma rã.
— Por favor, salve a pata dele.
Hermione sentia a mão latejar e a última meia hora a deixara esgo tada. Admitia que se tratava de um anfíbio insignificante, mas para Sam era tudo. Desde a morte dos pais, Lionel despertara o primeiro lampejo de interesse em Sam. E isso era o mais importante.
— Por favor, imobilize-a. — Hermione tornou a pedir, mesmo saben do que Sirius não poderia entender o motivo da insistência.
— Está bem, srta. Granger. Já percebi que sua rã é de vital impor tância. — Sirius acariciou-lhe o rosto de leve. — Mas a senhorita também é. Se não aceita a sugestão de ir ao pronto-socorro para fazer um curativo, eu mesmo o farei. Depois cuidaremos de Lionel.
— A rã primeiro.
— Sua mão primeiro!
E assim foi feito.
Era uma sensação estranha alguém cuidar dela. Desde a tragé dia em sua família, ela passara a cuidar dos outros.
Sirius ignorou os protestos de Hermione e examinou os ferimentos.
— Não foi muito fundo. Não serão necessárias suturas.
Ele pediu a Ângela para ir até a farmácia mais próxima e a moça não demorou para voltar, trazendo o pedido. Anti-séptico, bandagens, compressas de gaze e... alguns pedaços de bambu.
Sophia e as faxineiras tinham ido embora. Trevor e Francis não escondiam a desaprovação.
Hermione estava sentada enquanto aquele homem alto, de olhar bondoso e dedos suaves, ajoelhado a seus pés, limpava, desinfetava e enfaixava-lhe a mão.
Era angustiante. Era...
Droga, ela não sabia dizer o que era. Mas entendia o motivo da reputação de Sirius Black em relação às mulheres. Ele tinha apenas de tocá-las.
— Terminei. Está melhor? — Sirius olhou para cima e sorriu. Oh, Senhor! Hermione sentiu o coração bater em descompasso.
— Sim, obrigada. Agora...
O sorriso de Sirius Black era de enlouquecer.
— Já sei. Lionel.
Ângela entregou a ele a caixa onde guardara novamente o pobre animal, alvo de tantas disputas, e fitou a amiga com curiosidade. Não era do feitio de Hermione parecer tão perturbada.
Hermione não via nada, a não ser Sirius. Era uma espécie de hipnose.
Ele deixou a rã sobre a palma da mão sadia de Hermione e executou um trabalho perfeito de ortopedia. Desbastou uma pequena lasca do pedaço de bambu, ajustou a perna diminuta e amarrou-a cui dadosamente no lugar.
— Parece que ela sabe que está sendo tratada.
— É verdade.
— Quanto tempo deverá ficar assim?
— Umas duas semanas. Verá como a perna vai sarar.
— Nem sei como lhe agradecer.
— A culpa foi do meu advogado. — Sirius levantou a caixa e gostou do que viu. Sam forrara o fundo com plástico e palha mo lhada. — Esta é uma umidade perfeita para a recuperação. — Ele pôs a rã dentro e fechou a tampa. — Tudo pronto.
— É maravilhoso.
— A senhorita quer que eu e o sr. Francis a levemos para casa?
Sirius Black a deixava ansiosa, mas era necessário manter a
calma.
— Não se preocupe, estou bem.
— Ela gostaria que o senhor a levasse — Ângela interveio, sob o olhar faiscante de Hermione.
— Até amanhã, às nove, sr. Black. — Molly deu a palavra final. Sirius fitou-a, intrigado.
— Com acompanhante?
O que ela poderia responder?
— Pode ter certeza disso.
Ele tornou a sorrir e a acariciar-lhe a face.
— Uma decisão sensata, srta. Granger. Até amanhã. Cuidado com a mão e com Lionel.
— Hermione, posso ir? Por favor! Eu posso ajudá-la e juro que não a deixarei constrangida. — Ângela implorou, assim que Sirius fechou a porta.
— Obrigada, encontrarei uma acompanhante. — Hermione tentou sorrir.
— Eu tenho de ir com você. — Trevor afirmou. — A imobiliária é minha.
Na verdade, Trevor Granger era o terceiro dono da firma e sob sua direção desastrosa, a empresa acabaria por ir à bancarrota. O pai de Trevor conversara com Hermione no dia do funeral e conseguira persuadi-la a fazer uma tentativa de impulsionar os negócios.
— Se você quer um emprego na cidade, eu ficarei agradecido se puder unir-se à empresa da família. Você poderá aprender com ele como se fazem transações na cidade e ele terá muito a aprender com você, que é a melhor corretora que conheço.
Ela trabalhara com venda de fazendas na costa meridional. Ven der imóveis na cidade era completamente diferente e Hermione desco brira também que o primo era fraco e ineficiente. Além de ressen tir-se com a competência dela, desde o começo.
— Eu me arranjo sozinha, Trevor. — Hermione retrucou, com um sorriso. — Além disso, o sr. Black deixou bem claro que não quer envolvimento de intermediários. Se a preferência dele significar uma venda... Quanto é que a srta. Copeland quer pelo lugar?
Trevor engoliu em seco.
— Três milhões.
— Uau!
— E não vá aprontar nenhuma confusão!
— Fique tranquilo, Trevor.
— Tem alguém respeitável para servir-lhe de chaperon? — Tre vor não era totalmente insensível e sabia que teria de dar satisfa ções ao pai, se algo saísse errado. — Sirius tem fama de conquis tador. Ângela não serve.
— Tem razão. — Hermione piscou para a amiga.
— Tem alguém em mente?
— Tenho.
Trevor hesitou, frustrado pelo laconismo da prima.
— Então está bem.
— Ótimo.
— Seus dedos não devem estar muito doloridos. Pois então trate de aprontar os documentos necessários.
— É o que farei. — Hermione flexionou a mão e gemeu.
Além dela, somente Trevor seria capaz de reunir a documenta ção necessária. E a última coisa que Hermione desejava era a ajuda dele.
— Vamos vender uma fazenda para o sr. Black. — ela lhe as segurou.
N/A: Mais uma adaptação, espero que gostem. Desculpa qualquer erro, se tiver algum, por favor me avisem. Bjzzz
Ahhhh, deixem um comentário. Pode ser até pequenininho.
