_Eu tenho um... "Defeito".

Ele disse enquanto fazia aspas com os próprios dedos.

_Não sou como meus irmãos, Dean.

E olhando o loiro a sua frente perguntava-se por que apenas ele, Castiel, podia sentir e seus irmãos não.

Os outros agiam seguindo regras e mandamentos, comandos de Deus. Não que Castiel não fizesse isso, mas apenas ele tinha o prazer de ouvir seus próprios batimentos cardíacos. Talvez, bem no começo Castiel tenha sido como seus irmãos, mas aí, ele apareceu.

Dean Winchester.

Ele tinha lhe mostrado o lado bom da vida e o ruim também, tinha lhe mostrado a verdade, o fez ver que os humanos não eram tão desprezíveis, o ensinou que mesmo quando todos os seus caminhos apontam para o mal, você tem uma escolha. Você pode escolher o bem.

Castiel não escolheu o bem, nem o mal.

Castiel escolheu Dean.

Sempre escolheria a ele. Por que Dean, apesar de tudo era verdadeiro, e cada dia que passava com o loiro tinha uma nova lição pra aprender.

Levou um tempo para Castiel descobrir que sentia. Mas quando isso aconteceu não foi Dean quem ele procurou.

O loiro se perguntava no que Castiel pensava. Mal sabia que era ele próprio quem sempre habitava naquela mente e coração.

Castiel voltou-se para o dia em que pedira resposta ao garoto com sangue de demônio. E enquanto seu olhar se perdia olhando o rosto do loiro, Castiel lembrava-se tão claramente desse dia que poderia repetir cada palavra dita naquela conversa.

Lembrava-se tão claramente da voz de Sam que parecia ter voltado no tempo.

A mão de Sam tocava a sua. O calor espalhando-se pelo rosto enquanto ouvia o humano lhe responder de uma forma que ele entendesse.

_Eu não acho que você sente um amor de irmão ou de pai pelo Dean, Cas.

_O que eu sinto então Sam?

_Por que você não me fala como se sente quando está com ele?

_Bom... Eu não sei... Eu fico com vontade de abraçá-lo e nunca mais soltar, como se eu quisesse protegê-lo dos meus irmãos, de Lúcifer, da dor... De tudo.

_Foi o que eu pensei. Está apaixonado por ele.

_Apaixonado? Quer dizer o amando, como os humanos amam?

Sam balançou a cabeça concordando com meu raciocínio. E oh Deus, estava amando.

_Será que você pode... Me dizer como sabemos que amamos Sam?

_Amor é quando você... É quando você quer estar com aquela pessoa o tempo inteiro, porque você sabe que morre se ela se afastar muito. Você liga pra ela e fica mudo, apenas escutando a voz dela do outro lado. Você olha pra ela e parece que não há mais ninguém no mundo.

Eu escutava cada batida do seu coração acelerar. Eu sabia que Sam, como todos os humanos já havia amado, mas eu sabia que o grande amor de sua vida era a Jéssica, e mesmo depois de todos os acontecimentos, Ruby e mais algumas garotas, era apenas nela que Sam pensava.

_Você se sente abençoado pelo simples fato dela ter cruzado seu caminho. Você começa a reparar em coisas nela, em alguns gestos ou manias que nem mesmo ela percebe. Você sempre a elogia, porque pra você, nunca parece ser o bastante dizer apenas que ela é especial e linda.

A necessidade de completar me fez abrir a boca sem nem mesmo pensar no que dizer, minha voz parecia ter vida própria e eu quase não reconhecia as palavras, porque era tudo o que eu tinha pensado,mas nunca disse em voz alta.

_Você olha em seus olhos e se perde, e você fica imaginando se poderia existir algo mais perfeito do que seu sorriso, porque quando ele sorri o mundo parece parar, e não existe nada que possa tirar sua atenção daquele rosto. Tudo parece ficar mais alegre.

_Sim. E você anseia cada minuto para poder tocá-la ou sentir seu cheiro, e quando ela fala com você, você não sabe o que dizer, porque a única coisa que você pensa é em beijá-la infinitamente.

Completei mais uma vez sem perceber.

_Até o mundo acabar.

Sam sorriu.

_Não me parece que você precisa saber sobre o amor.

Abri os olhos sem perceber que o tinha fechado.

_Você pensa nessa pessoa o tempo todo Sam?

O moreno sorriu concordando com a cabeça, os olhos marejados.

_Eu sinto muito pela Jéssica, Sam, se tivesse algo que eu pudesse... Fazer...

_Tudo bem Castiel.

Samuel levantou-se indo em direção ao banheiro, fui embora sabendo que ele precisava ficar um pouco só.

Passei as últimas horas pensando naquela conversa, e agora tinha certeza que amava Dean. Quando perguntei ao Sam sobre o amor, se referia a amor fraternal, ou até mesmo paternal, já que cuidava dele o tempo todo.

Descobri que não era dessas formas que o amava, o amava mais, muito mais que isso. Soube que amava Dean como homem, como amigo, como irmão. O amava de todas as formas e modos.

Não sabia como expressar. Não sabia o que fazer, e minha falta de reação me entregava totalmente.

_Castiel, você disse que tinha um defeito... Eu não acho que amar seja um.

Nunca Dean me pareceu tão sincero e tão atraente como naquele momento.

Pensei em um modo de agradecer Sam. E sorri enquanto fazia uma prece silenciosa em nome do amor.

Coloquei meus dedos em seus cabelos e fiz algo que nunca pensei que chegaria a fazer.

O beijei.

O gosto dele misturando-se com o meu, suas mãos correndo por minhas costas faziam-me ofegar baixinho. Puxei-o pra mim e um segundo depois tínhamos desaparecido.

As batidas na porta acordaram o moreno alto que se encontrava jogado no sofá. Levantou-se, abriu a porta e paralisou.

A mão feminina passou por cima do tecido da camisa, sentindo o pulsar de felicidade.

A voz dele saiu fraca e baixa, como se a respiração faltasse.

_Jess?

Teve medo de sua mente estar projetando aquela imagem, mas algo em seu coração o fazia acreditar que era real, que ela estava mesmo ali.

A loira sorriu pra ele, colou os lábios macios, sentindo o gosto que já tão conhecido. Ela separou-se dele e sussurrou ao seu ouvido, como se fosse um segredo.

_Eu voltei pra você, Sam...

O moreno apertando-a contra si, nunca mais a largaria, nunca mais a deixaria só e desprotegida. Ela era sua vida... Era seu tudo.