Escondida no coração

Por Amanda Catarina

BLEACH e personagens pertencem a Tite Kubo.

Notas: sentenças entre aspas indicam pensamentos, classificação recomendada: 18 anos.

Capítulo 9

No peito, um coração batendo acelerado, na alma, uma preocupação tremenda o corroendo. Se ela era tida somente como uma nobre agora, por que se achava na periferia da região e ainda usando kidou? Porém essa dúvida não o afligiu muito, porque logo ele a avistou. Vidrando os olhos, viu que três homens corriam atrás dela.

– Rukia!

Usando um shunpo, apareceu entre ela e os três e os nocauteou com o mero deslocamento de ar de sua zanpakutou, voltando-se a ela a tempo de impedir que lhe escapasse, no último instante, ele a segurou pelo pulso.

– Me solta! - ela gritou e ele estranhou o timbre mais efeminado.

– Calma, eu não sou inimigo - disse e não pôde deixar de reparar em sua condição deplorável: rosto sujo, vestes danificadas, sem sapatos.

Indiferente, ela continuou tentando se soltar, jogando o corpo para trás. Parecia amedrontada.

– Não ouviu, não sou inimigo - disse, esforçando-se para não machucar seu pulso delicado.

Detendo-se devagar, ela o encarou, estava ofegante ainda. Ichigo também sentiu o ar faltar no momento em que os olhos azuis dela encontraram os seus; foi como se tudo que lhe fizesse sentido estivesse encerrado no brilho daqueles olhos.

– Como sabe meu nome? - ela perguntou de repente, tirando-o do devaneio e, outra vez, o timbre suave o fez ter um estranhamento.

– ...estou a serviço das Treze Equipes de Proteção - respondeu, vendo-a olhar momentaneamente para os homens abatidos.

– Você é um shinigami? - havia uma certa urgência em seu tom.

– Sou. Meu nome é Ichigo Kurosaki - respondeu e rogou aos céus que ela se lembrasse dele, mas em face ao silêncio que se prolongou, deduziu que não.

Inesperadamente, ela avançou em sua direção e, apertando seu shihakusho, pediu num tom suplicante:

– Então me ajude, por favor!

Extremamente desconcertado, ele permaneceu estático por alguns instantes, mas então pousou as mãos nos ombros dela, tentando ignorar o calor que se espalhava por seu corpo, devido à proximidade e, com um assentir de cabeça, disse:

– Claro. É por isso que estou aqui.

Afastando-a de si um pouco, ele olhou ao redor. Não havia mais que algumas poucas pessoas por ali, cidadãos comuns ao que parecia - por certo, a maioria achou mais prudente entrar em suas casas, pois a presença de um shinigami num lugar pacato como aquele só podia significar uma coisa: problema.

Ele já não se lembrava em que direção ficava a equipe mais próxima e também era indiferente, pois não tinha a quem contatar. Pensou apenas que se ela estava sendo perseguida, qualquer lugar seria menos arriscado do que aquele espaço aberto.

– É melhor sairmos daqui - disse e estendeu sua mão.

Rukia aceitou o gesto, sem hesitar. Assim, Ichigo a conduziu apressadamente pela estrada de terra, na direção oposta ao limite com a área verde.

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Tinham deixado a rota principal da cidadezinha há alguns minutos e corriam pelas vielas estreitas, ladeadas de casas modestas. Ela mirava as costas dele, perguntando-se se ele não poderia ser também um dos inimigos. Mas balançou levemente a cabeça numa negativa, por algum estranho impulso, simplesmente confiou nele.

Porém, não podendo aguentar mais a dor no peito, devido ao cansaço, e os golpes na sola dos pés, gemeu baixo, mas, mesmo assim, ele se deteve e se voltou a ela na mesma hora.

– O que foi? - o olhar dele era preocupado.

Não achou coragem para responder, pois sentia vergonha da própria fraqueza e estranhou que isso não lhe parecesse um sentimento novo.

– Ah, como sou estúpido! - ele exclamou e em seguida a puxou para um beco.

Permaneceu quieta quando ele se sentou no chão e como ainda segurasse seu braço, ela acabou tendo que fazer o mesmo. Olhava-o sem entender, quando a mão dele resvalou em sua coxa exposta, fazendo com que se retraísse assustada, e isso se agravou quando ele tocou em seu tornozelo. Não que tivesse sido rude, talvez um tanto ousado, mas o fato de ele a ter tocado de uma maneira tão íntima a deixou realmente desconcertada.

– Eu... vou curar isso - ele se explicou, ainda segurando na curva de seu tornozelo, e reparou que tinha o rosto levemente corado, exatamente como o seu devia estar.

Contudo, deixou de reparar nisso, ao ver uma luz prateada brilhar na outra mão dele, a qual ele aproximou de seu pé, mas sem tocá-lo. Sentiu um calor agradável e aos poucos suas dores foram sendo levadas, até não restar mais nada.

"Os shinigami podem até curar ferimentos?" - pensou admirada.

– É o bastante? - ele quis saber e, depois que ela assentiu, se concentrou no outro pé.

– Obrigada - disse encabulada, ao término do processo.

– Não tem de que - disse ameno e lhe sorriu, fazendo-a estremecer levemente com isso. – Você deve estar cansada também...

Concordou com a cabeça e então ele ficou a encará-la tão intensamente que se viu obrigada a desviar os olhos.

– Ah, eu acho que ainda tenho um pouco de água - falou de repente. – Aqui - ele estendeu uma pequena e estranha garrafa –, beba!

Tomou tudo que o recipiente ainda continha e, após alguns instantes, se sentiu curiosa.

– Por que está me ajudando? E de onde você me conhece?

– ...eu sou - ele começou hesitante – amigo de Yoruichi Shihouin.

– Shihouin?! - espantou-se. – Mas eu também sou Shihouin!

Reparou que ele deu um sobressalto como quem se surpreendeu.

– Então você deve conhecê-la, certo? - ele perguntou então.

– Não, não conheço. Seria uma parente da minha mentora, Suzumi Shihouin?

Ele assentiu com um gesto e acrescentou:

– Sim, prima dela para ser mais exato.

Encarou-o bem dentro dos olhos, meio desconfiada, e esperou para ver se ele ia dizer mais alguma coisa, mas como não o fez, resolveu fazer outra pergunta:

– Mas como você sabia que eu estava em perigo?

– Não sabia, eu... estava de passagem - respondeu pouco convincente e mudou o rumo da conversa: – Diga, por que aqueles caras estavam te perseguindo?

– Não sei - disse e abaixou a cabeça.

– Mas já tinha visto eles antes?

– Não - permanecia cabisbaixa, mas então ele lhe levantou o rosto.

– Olha pra mim - pediu e ela pôde sentir seu respirar contra o rosto de tão próximos que estavam. – O que foi? Por que não quer me contar o que aconteceu?

– Que razão eu tenho pra confiar em você? - retrucou e virou o rosto de lado.

– Eu já disse que não sou seu inimigo - falou, afastando-se um pouco. – Acredite, está a salvo comigo.

Olhou-o de esguelha. Havia algo no tom e no jeito dele que a inquietava, mas que, ao mesmo tempo, a tranquilizava também, era uma sensação muito estranha. Voltou a encará-lo. Os olhos amendoados mantinham-se fixos nela tão intensamente como antes. Decidiu então que iria contar tudo.

– Eu... - ela começou, porém ao pensar na própria sorte, o choro quase se sobrepôs as palavras, mas se segurou. – ...eu estava para me casar com um homem... - dizia, mas ele a interrompeu.

– Casar! - exclamou sobremodo ouriçado.

Assustada, apenas concordou com a cabeça e como ele se manteve em silêncio, continuou:

– Estava tudo certo, a cerimônia de noivado ia ser hoje, mas então a minha mentora descobriu coisas horríveis sobre ele – ao se recordar das palavras de Suzumi, ela balançou a cabeça numa negativa. – Não! Não pode ser verdade! - exclamou inconformada. – Eu me recuso a acreditar nisso... - sussurrou triste e tendo escondido o rosto entre as mãos, não pôde ver a expressão de completo assombro dele.

– Quem? Com quem você ia se casar? - ele perguntou num tom nervoso.

Voltou a olhá-lo, deparando-se com uma expressão até intimidadora de tão perturbada; testa franzida e olhos muito abertos. Mesmo sem entender o porque da exaltação dele, achou melhor responder:

– O nome dele é Byakuya Kuchiki.

– Que?! - ele vociferou e ela achando que não tivesse entendido, repetiu:

– Byakuya Kuchiki. Ele é um shinigami como você, o capitão da Equipe Seis.

– Não! - gritou ainda mais alto que antes. – Não pode! Ele é... - percebeu que ele engoliu o que ia dizer.

– Você sabe alguma coisa sobre ele? - outra vez, não pôde controlar o ímpeto de se agarrar às vestes dele. – Diga, a senhorita Suzumi está equivocada não é? Ele não pode ser um assassino! Os shinigami são bons, não são?

Ele piscou os olhos.

– Assassino? - devolveu depois de uma eternidade. – Nada disso! Está tudo errado.

Se não estivesse tão aflita, teria sorrido de alívio.

– Eu sabia - murmurou fracamente. – Senhor shinigami... - começou, mas ele a interrompeu:

– Ichigo! Me chame de Ichigo...

O nome ressoou forte dentro de sua cabeça. Sentiu novamente, e mais forte, àquela sensação tão esquisita que a presença dele lhe trazia, mas deixou isso de lado naquele momento.

– Por favor, Ichigo, o que você sabe sobre o capitão Kuchiki? Precisa me dizer!

Toda a resposta dele foi encará-la com a mesma expressão perturbada de antes.

– Temos que sair daqui - ele desconversou totalmente e, num instante, se colocou de pé.

Como ela permanecesse no chão, ele estendeu as mãos para ajudá-la a se levantar. Aceitou o gesto e mesmo depois de ter se erguido, ele não soltou suas mãos e foi nesse momento que foram flagrados e uma voz inconfundível se anunciou:

– Então havia mesmo outra pessoa, Rukia.

– Byakuya! - Ichigo exclamou e, mais que depressa, soltou-lhe as mãos e se postou a sua frente.

Após um instante de estupefação, o nobre retrucou:

– Quem é você que ousa se referir a mim desse modo?

Rukia, que já tinha ficado extremamente acuada ao reconhecer sua voz, se alarmou ainda mais com o tom severo dele.

– Eu sou... - Ichigo dizia, mas se calou sem qualquer motivo.

Parecendo perder o interesse, o nobre deu um passo ao lado, de modo que pudesse fitá-la, então se dirigiu a ela num tom mais brando, mas ainda muito sério:

– Rukia, você parecia tão contente... Não posso crer que estivesse fingindo. Diga-me, o que um moço como este poderia oferecer a uma nobre como você? - menosprezo permeava suas palavras.

– Mas, capitão Kuchiki... - ela queria se explicar, porém o alto rapaz a sua frente, sobrepôs a voz sobre a dela.

– Você tem que me ouvir... capitão Kuchiki - ele parecia implorar.

– Não tenho nada a tratar contigo - devolveu friamente. – E tenha a decência de sair de perto de minha noiva agora mesmo.

Rukia percebeu o rapaz se ouriçar como antes.

– Não volte a repetir isso, Byakuya - ele rosnou ao nobre.

– Como? Será que meus ouvidos estão me traindo? Quem você pensa que é para me dar ordens? Um relés shinigami querendo fazer frente a Byakuya Kuchiki? Está precisando aprender bons modos, rapaz...

– Ah é? E quem vai me ensinar isso? Você?

Nitidamente indignado com a afronta, Byakuya levou a mão à guarda de sua espada.

– Não é má ideia - ele começou calmo. – Mas fique sabendo que se eu desembainhar minha zanpakutou, não terei misericórdia - Rukia captou um brilho hostil no olhar dele. – Vou fatiá-lo em mil pedaços! E este ainda será um preço baixo por tamanha audácia.

Ela suou frio com a ameaça, ele não lhe parecia a mesma pessoa, era como se um aura sinistra o envolvesse e pensou se as acusações de Suzumi não seriam verdadeiras.

– Nunca me intimidei com suas ameaças, Byakuya e não vai se agora que isso vai acontecer.

Rukia estranhou o comentário tanto quanto o capitão.

– Por que diz isso se nunca nos vimos antes?

– Eu conheço você sim. Por isso digo que está cometendo um erro abominável e que essa história de Rukia ser sua noiva é completamente absurda!

Ultrajado e furioso, o nobre vidrou os olhos e imediatamente sacou a espada.

– Basta! - ele bradou. – Pouco me importa quem você seja, e não fará a menor falta. Despetale-se, Senbon- - dizia, mas se deteve, pois os dois simplesmente sumiram da sua frente. Levantando os olhos ao alto, ele os achou a metros do chão.

– Seu louco! Quer matá-la!? - vociferou o rapaz lá de cima, porém num instante o nobre apareceu à frente deles.

– Só um inepto não saberia controlar seu próprio golpe. Eu jamais colocaria vida dela em risco, o alvo aqui é você! - exclamou feroz.

Totalmente perdida, Rukia permaneceu, por alguns instantes, estarrecida com o fato de que aqueles dois podiam voar, mas ao notar o quão alto estava do chão, ela se agarrou com força em Ichigo, que a segurava com apenas um braço.

– Não precisa ter medo- ele lhe falou baixo.

Ao mesmo tempo, deixando a espada à frente do rosto, Byakuya retomou aquilo que ia dizer antes:

– Despetale-se, Senbonzakura.

Rukia viu então a lâmina da espada do nobre se desmanchar em inúmeras pétalas de flor de cerejeira. Uma enxurrada dessas pétalas veio na direção de Ichigo, mas ele sacou a própria espada num instante e, antes que fosse atingido, contra-atacou:

Getsuga Tenshou! - a este comando, que ela deduziu imediatamente ser um golpe, uma meia-lua de energia azulada se desprendeu da espada dele e partiu em dois o muro de pétalas. Porém, uma única alcançou seu alvo, passando de raspão pelo ombro do rapaz. Foi assim que Rukia viu que a mesma cortou não só o kimono dele como sua pele.

"As pétalas cortam!" - assustou-se ela.

– Não posso brincar com isso... - murmurou Ichigo e ajuntou num brando: – Bankai: Tensa Zangetsu!

Ela não sabia o que aquilo significava, mas pela expressão atônita que o capitão exibiu, imaginou que não fosse bom. As vestes de Ichigo se mudaram e a espada dele também; a lâmina preta e branca, similar a uma faca, virou uma katana totalmente negra.

Bankai? Isso? Não me faça rir - desdenhou Byakuya. – E desde quando alguém de sua patente, ou melhor de sua estirpe, possuiu um Bankai?

– E quando foi que eu te falei a minha patente? - revidou provocativo, fazendo o outro apenas piscar os olhos em resposta. – Escute, Byakuya, embora eu seja um adversário a sua altura, não quero lutar contra você, mas se continuar ameaçando Rukia, não terei escolha.

Rukia se espantou com a altivez e o atrevimento com o qual ele tratava o nobre.

– Não torne a repetir esse disparate de eu a estar ameaçando, quando foi você que veio aqui roubá-la de mim! - retrucou absolutamente possesso.

– Você não pode casar com ela! - ele berrou de volta.

Além dos brados, os dois se fitavam com a agressividade de duas feras. E foi em meio a essa fúria que Rukia acabou se acercando da complicada situação que estava vivendo. De uma vida bucólica e pacata para o meio de lutas de espada em pleno céu, e ainda junto a dois homens que conseguiam, sem esforço, deixar qualquer um com os nervos a flor da pele.

Saindo da estupefação que enérgica afirmação do rapaz havia causado, com um mero gesto, o nobre fez sua espada se recompor e quando ela voltou a ser uma katana, ele girou o pulso e a soltou. Mas ela não despencou no ar, antes, pareceu ser tragada para outra dimensão.

Bankai: Senbonzakura Kageyoshi - ele falou num tom baixo.

Entretanto, Rukia não teve tempo de ver o que aconteceria porque Ichigo a apertou mais contra si, então ela teve a visão obscurecida momentaneamente. Quando voltou a enxergar, percebeu que estavam num lugar totalmente diferente.

– O que foi isso? - ela perguntou de pronto.

– Chama-se shunpo. Lá vem ele.... é muito rápido mesmo. Vou ter que fazer de novo.

Ela nada entendeu e então aconteceu outra vez. Quando tudo voltou a ficar nítido, constatou que estavam em outro lugar.

– Não tem como ficar nessa - ele comentou e, antes que ela se manifestasse, gritou: – Um portal!

Mais um "shunpo" e dessa vez em direção ao solo. Rukia realmente pensou que fossem se espatifar no chão, mas não. Apareceram logo atrás de dois shinigami, que estavam diante de uma porta muito esquisita, aberta no meio do nada e dentro da qual ela só enxergou escuridão.

– Sinto muito, mas é uma emergência - Ichigo falou e tal qual havia feito com os homens que a perseguiam, os abateu com o vento de sua espada. Foi então que duas borboletas negras vieram em direção a eles e mais que depressa, ele a puxou para dentro daquela porta.

Rukia se segurou fortemente no rapaz, com muito medo, e a última coisa que viu foi a porta se fechando silenciosamente.

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Byakuya pousou próximo aos dois shinigami caídos. Um deles, uma moça, recobrava a consciência.

– Ei, mulher, para onde esse portal os levaria? - indagou ríspido.

Endireitando-se e se curvando à frente dele, a jovem respondeu de pronto:

– Para o Distrito de Karakura, no Mundo Real, senhor capitão!

Ele até cogitou reabrir o portal, totalmente indiferente ao estado da moça - que também não tinha coragem de se dirigir a ele -, mas desistiu. Nunca ouvira falar do tal lugar e pensou ser mais sensato se reorganizar primeiro; já havia tido surpresas demais para um dia.

"Mas quem será esse rapaz?" - ele pensava consigo, quando escutou uma voz familiar.

– Capitão? - Renji chegou ali. – Está sozinho? - constatou com estranheza. – Senti o poder espiritual de seu Bankai, então vim o mais rápido que pude.

– E fez muito bem, mas tarde demais. Venha, temos que voltar a Equipe Seis agora - chamou e foi andando.

– Mas o que aconteceu? - ele se apressou a seguí-lo, sem fazer caso daqueles dois também.

– Por hora, tudo que precisa saber é que assim que chegarmos na sede, você deverá delegar suas funções ao terceiro posto e se preparar para ir ao Mundo Real comigo.

– Ao Mundo Real? - de tão abismado, estancou no lugar.

– Sim. Temos que caçar um delinquente e uma certa nobrezinha fujona.

Abarai assentiu sem questionar e logo voltou a acompanhar seu capitão.

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Ao reconhecer a mais famosa torre de comunicação de sua cidade, Ichigo exclamou:

– Ha! Olha só onde aquele portal nos trouxe! - mal acreditava na dádiva, porém o riso que emoldurava seus lábios se desfez, quando ele se voltou a pequena junto a si.

– Rukia! - ela estava inconsciente. – Rukia? - chamou mais alto em função do susto.

Aproximou então a face dela de seu ouvido e, ao captar um leve respirar, se tranquilizou.

– Desmaiou, mas também não era pra menos...

Estavam no céu de Karakura e já era noite. Sustentando-a com apenas um braço ainda, ele se pôs a pensar no que deveria fazer.

– De todo jeito tenho que voltar pra loja, é lá que a gigai dela fica. E é melhor ir logo porque nada garante que aquele estressado não atravesse o portal também. Mas acho que ele não chegou a nos ver entrando.

Decidido, ajeitou melhor Rukia nos braços e seguiu pelo céu mesmo. Após sobrevoar alguns quilômetros, baixou as vistas a ela e então reparou que estava muito pálida. Deteve-se um pouco e, tocando em seu rosto, sentiu uma frieza alarmante. Ventava forte e ele já havia reparado, há tempos, que nada além daquele kimono de seda recobria o corpo dela. Até então, tentava manter o pensamento bem longe desse fato, mas, naquele momento, se viu forçado a levar em consideração.

Resolveu pousar no terraço de um prédio, abrigando-se abaixo de uma imensa caixa d'água. Acomodou cuidadosamente o corpo desacordado de Rukia no chão, então, ajoelhado ao lado dela, ele despiu seu kimono preto e o usou para recobri-la; ela era tão pequena que a veste funcionou perfeitamente como um cobertor.

– Isso! - disse e a tomou nos braços na intenção de continuar o trajeto, porém, tendo-a junto a si, não resistiu ao ímpeto de apertá-la contra o corpo, num terno abraço que não durou muito, mas bastou para desligar sua mente dos problemas por um instante.

Ele estava com tanta saudade. Jamais teria imaginado que quando a encontrasse fosse achá-la tão frágil desse jeito e tão necessitada dele. Este pensamento o deixou desconcertado e até um pouco excitado, foi inevitável. Levantando-se com todo cuidado, tratou de retomar o caminho, desviando o pensar dessa senda perigosa para seus nervos, rumando, entretanto, para outra não muito melhor: Byakuya.

Até agora não sabia como não voara no pescoço dele quando o escutou dizer aquele "minha noiva". O ciúme que o invadiu naquele instante lhe pareceu mais feroz que seu hollow.

– Casar com ela... Não enquanto eu viver, Byakuya!

Tentou bravamente expirar a raiva, buscando se convencer de que ele também era uma vítima da situação. Ainda não sabia o que estava acontecendo, mas de uma coisa estava certo: iria fazer o responsável por tudo aquilo pagar muito caro.

Assim determinado, Ichigo avistou o muro que circundava a residência de Urahara e seguiu para lá o mais rápido que pôde.

Continua...

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Agora é a vez do "estressado" se abalar.

A cada capítulo o número de palavras está crescendo _' Mas deve estabilizar agora...

Agradeço demais todos os comentários, pessoal! Tem sido muito legal compartilhar essa fanfic com vocês! Um grande abraço a todos e até o próximo! =^.^=

Vocabulário:

shunpo = (técnica) passo relâmpago

kidou =(técnica) ataque de magia

shihakusho = (roupa) o uniforme dos shinigamis

zanpakutou = espada espiritual cortante

gigai = (substantivo) invólucro falso

bankai = (técnica) liberação de segundo nível

Senbonzakura = (nome) Mil lâminas de cerejeira

Senbonzakura Kageyoshi = (nome) Amontoado de silhuetas das mil lâminas de cerejeira

Zangetsu = (nome) Lua cortante

Tensa Zangetsu = (nome) Lua cortante acorrentada ao céu

Getsuga Tenshou = (golpe) Canino lunar perfurador do céu