Escondida no coração

Por Amanda Catarina

BLEACH e personagens pertencem a Tite Kubo.

Notas: sentenças entre aspas indicam pensamentos, classificação recomendada: 18 anos.

Capítulo 10

No quarto amplo, pouco além de dois futon no chão, há algum tempo ele a olhava e ao ouvi-la resmungar, se ergueu e se achegou a ela. Um facho de luz, vindo pela janela semi-cerrada, é que o permitia enxergar o contorno de seu rosto. Estava deitada de lado, sob um acolchoado e se remexera há pouco. Tão linda.

Seus olhos insistiam em pousar na fresta do pijama que usava, num ponto sobre o busto, onde dois dos botões redondinhos estavam abertos, deixando exposta uma porção da pele tão clara e de aspecto acetinado, porção essa mais que suficiente para deixá-lo agitado, com a garganta seca e a mente infestada de coisinhas obscenas. Ainda assim, deitou-se ao lado dela, bem pertinho, sedento para tocá-la e fascinado com a delicadeza de seus lábios, louco para descobrir o gosto deles.

"O que o Urahara tinha na cabeça pra me deixar no mesmo quarto que ela? Ele não percebeu que eu já cresci." - pensava, deitado no chão de madeira, sobre o braço e comprimindo os dedos. "Céus, assim eu vou acabar fazendo uma besteira!"

Piscou de repente, diante desses devaneios, achando até engraçado que conseguisse ocupar a mente com tais bobagens, em face à situação tão séria e complicada na qual se encontravam. Contudo, para conseguir manter o pensamento na preocupante situação, precisou virar de costas a ela.

– Tonto - xingou-se baixo.

"Mas como será que conseguiram mexer na cabeça de tantas pessoas? Yoruichi, Ukitake, Byakuya, Renji."

Levantou-se e, depois esticar bem o corpo, veio até a janela. A lua estava alta no céu, era uma noite fresca.

Quando chegaram ali, Rukia já recobrara a consciência, mas mesmo na presença de Kisuke e de Yoruichi, não os reconheceu e, ao contrário do que acontecera com a líder da Onmitsukidou, ela não fora acometida de dores de cabeça ou de quaisquer disfunções fisiológicas. Assim, enquanto ele colocava os ex-capitães a par de tudo que descobrira na Soul Society, ela ficou aos cuidados de Tessai e Ururu, que providenciaram a gigai, banho, roupa, sapato, comida.

Ichigo contara que havia constatado que todos que conheciam Rukia, de fato, não se lembravam dela como sendo pertencente ao clã Kuchiki e nem uma shinigami integrante da Equipe Treze. Falara também sobre o interesse de Byakuya em desposá-la, o que deixou Kisuke e Yoruichi totalmente perplexos. Em contrapartida, fora informado de que os exames feitos em Yoruichi não revelaram vestígios de toxinas; e uma hipnose em tão larga escala também não teria sido possível, pois em nenhuma ocasião, nos últimos dias, todas as pessoas afetadas tinham sido reunidas num mesmo local.

Além disso, Urahara pensava que tivesse sido a vinda do mundo espiritual para o real que tivesse restaurado a memória de Yoruichi, mas como o mesmo não ocorreu com Rukia, isso não se confirmou e se converteu numa grande incógnita. O fato de a existência da Rukia que conheciam ter sido substituída por outra era tudo de que dispunham. Assim, após uma demorada discussão, a melhor hipótese que puderam formular foi que um ser, dotado de um poder similar ao de Orihime Inoue, ou seja, capaz de alterar toda uma realidade, devia ser o responsável por tudo. Mas o que seria esse ser? Um shinigami, um hollow ou um humano com poderes espirituais? E em qual dos mundos estaria? Não faziam a menor ideia e nem tinham qualquer suspeito até então, e era neste pé que a situação estava.

Naquele momento, entretanto, o que mais o preocupava era a questão com Byakuya. O líder Kuchiki estava mergulhado de cabeça naquela nova realidade, totalmente intratável e enfurecido. E a ideia de que ele pudesse chegar ali a qualquer momento, disposto a levar Rukia, não deixava Ichigo pregar os olhos.

– Ele que tente encostar um dedo nela que eu decepo o braço dele - mirabolava baixo, provavelmente influenciado pelo sono. – E proíbo a Inoue de reverter o dano!

Balançou levemente a cabeça como que para afastar essas tolices do pensamento, então se voltou para a direção em que a pequena nobre estava e logo sorria, enlevado. Puxou seu futon para mais perto do dela e se deitou.

– Pode ficar tranquila, Rukia, eu vou dar um jeito nisso.

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Ela abriu os olhos, descansados por uma boa noite de sono, e imediatamente tomou um susto ao se ver diante de um moço sem camisa, deitado a menos de um palmo a sua frente. Enrubesceu na hora e piscou encabuladíssima, então fechou os olhos com força, tentando reordenar as ideias. As lembranças da cruciante perseguição do dia anterior foram voltando a sua memória e o nome daquele rapaz - que a salvara dos homens de capuz e a trouxera a esse estranho lugar chamado Karakura - reverberou tão forte em sua mente que acabou proferindo esse nome, porém num tom baixo:

– Ichigo...

Mas ela logo ficou alarmada com a ideia de que pudesse acordá-lo com isso e tratou de virar o corpo no futon, ficando de costas para ele.

– E o que vai ser agora? Se aqui é o Mundo Real, como a senhorita Suzumi vai me achar? - perguntava-se baixinho, mas então notou que Ichigo estava se mexendo.

Estremeceu e se encolheu, apreensiva, sem saber o que fazer. Passados alguns instantes, não ouvia mais nada. A curiosidade começou a alfinetá-la e não conseguiu se conter: tornou a virar-se. Outra vez, a visão da robustez e dos músculos dele a deixou corada, mas tratou de manter os olhos no rosto dele. Contemplou-o dormindo então, parecia tão sereno e calmo.

"Por que sinto como se já o conhecesse?", pensativa, não notou o tempo transcorrendo, então os olhos dele se abriram, bem devagar. Mesmo depois de os orbes amendoados estarem totalmente abertos, ele permaneceu quieto, deitado na mesma posição. Seus olhos mergulharam no brilho dos dele, mas então ele piscou e se ergueu num ímpeto.

– Já acordou? - exclamou e sentou-se bem perto de si, não parecia nada incomodado em exibir aquele peitoral desnudo.

Toda sua resposta foi encará-lo, estava desconcertada demais para falar.

– Rukia, eu tenho muito pra te explicar - ela estreitou os olhos diante de sua informalidade em chamá-la pelo nome –, mas agora vou ter que ir num lugar e você terá que vir comigo.

– Como assim? - retrucou meio mau-humorada e logo se sentou também, porém não de frente para ele.

– Não posso te deixar sozinha nem por um segundo. É perigoso. Precisa acreditar em mim.

– Escute, antes que o senhor se vista apropriadamente, não quero ouvir mais nada! - exigiu, de nariz empinado.

Após um breve silêncio, ouviu ele dar uma risadinha.

– Agora sua voz saiu do jeito que estou acostumado - foi a coisa sem sentido que ele falou.

Mesmo sem olhar, percebeu que ele se remexia por ali.

– Pronto, já vesti minha camisa. Agora vira pra cá que eu preciso te explicar uma coisa.

Voltou-se à contra-gosto, indignada com o tom atrevido dele.

– Isso é jeito de falar com uma nobre? - repreendeu severa.

Ele entreabriu os lábios como se fosse retrucar, mas não o fez. Então se dirigiu a um canto do quarto. Acompanhava-o com os olhos.

– Aqui, vendo essa roupa? - ignorou totalmente sua reclamação, exibindo dois trajes estranhos, um de cor branca e outro cinza. – Você vai ter que vesti-la.

Balançou a cabeça em negação e anunciou:

– Me recuso! E, por certo, isso nem serve em mim.

– Serve sim, é seu - retrucou, mas diante de seu estranhamento, se emendou: – Digo... seu... Seu número!

– E o que significa isso? - devolveu de pronto.

– Quer dizer que é adequado ao seu tamanho - ele deu uma piscadela.

– Hum... mas cadê o resto?

– Resto? Não, não tem resto é só isso mesmo - silenciou um pouco. – Ah, tem as meias. Devem estar aqui em algum lugar... É, estão aqui. E os sapatos... - procurou ao redor - os sapatos devem estar lá na entrada.

– Mas isso sequer irá cobrir as minhas - ela enrubesceu de novo – pernas - completou e abaixou a cabeça.

– Não precisa se preocupar, todas as meninas estarão usando o mesmo lá.

– Como assim?! - levantou imediatamente o rosto a ele. – Por acaso irá me levar a uma prisão?

Notou que ele parecia fazer um grande esforço para conter a vontade de rir e isso a estava deixando muitíssimo irritada.

– Não... - disse, claramente se divertindo a suas custas. – Olha, como o caminho daqui até esse lugar é meio longo, terei tempo suficiente para te explicar tudo. Então, por favor, apenas faça o que estou te pedindo.

Olhou-o com desconfiança. Era assim desde que chegara a esse lugar. Estavam sendo atenciosos e gentis com ela, era verdade, porém não conseguia se livrar da sensação de que todos ali estavam lhe escondendo alguma coisa.

– Vai mesmo me explicar o que está acontecendo? - indagou depois de um tempo.

– Vou sim - garantiu e lhe sorriu.

– E quando poderei voltar à Soul Society? Minha mentora deve estar preocupada.

– Tudo a seu tempo, Rukia.

– Senhorita Shihouin, quero que me chame de senhorita Shihouin.

– Ah, sem essa - outro comentário sem sentido, estava tendo um pouco de dificuldade com o dialeto dele.

Um olhar intenso e muito sério foi sua resposta.

Tá! Senhorita Shihouin. Consegue se arrumar sozinha ou quer que eu chame a Ururu, senhorita Shihouin?

– Ururu? - ela puxou pela memória. – Aquela menininha de ontem?

– Ela mesma.

– É, seria bom.

– OK.

Depois de ficar uns instantes a encarando, ele lhe sorriu de novo e, em seguida, saiu.

– Mas que moço abusado - bronqueou. Porém, estando sozinha, não pôde deixar de se intrigar com o fato de que aquele jeito espontâneo dele de sorrir a estivesse deixando tão desconcertada.

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Seus olhos estavam fitos na tela de um grande monitor, quando ele sentiu alguém tocar em seu ombro. Virou-se um pouco, erguendo o rosto.

– Ah, capitão. Nem vi quando saiu... aonde foi?

– Até a Equipe de Desenvolvimento, encomendar nossas gigais - respondeu Byakuya na costumeira frieza.

Gigais? O senhor acha que será necessário?

– É sempre melhor se precaver; chega de surpresas. O que descobriu? - o tom exigente transparecia alguma impaciência.

Renji moveu a cadeira giratória na direção em que ele havia se assentado e, dentro de alguns instantes, começou a falar:

– Quando o senhor fez a descrição física do rapaz, eu estranhei um pouco, porque, há uns quatro dias, um moço de aparência idêntica esteve aqui e fazendo perguntas acerca de uma certa Rukia, mas não essa que o senhor conhece.

– Mas como assim? Por que não fui informado disso antes?

– Bem, o senhor disse que não queria ser incomodado, pois tratava de assuntos particulares naqueles dias.

Notou ele bufar, claramente descontente, mas não se importou, afinal de contas, seguira com precisão suas ordens.

– Sim, prossiga.

– Ele se apresentou sob o nome de Ichigo Kurosaki e se dizia um "shinigami substituto" e até mostrou um distintivo; eu nem sabia que existia esse cargo. Ele insistiu muito em querer falar com o senhor. Era bastante abusado e tivemos um certo desentendimento, porém eu o coloquei pra correr.

Renji pigarreou, diante da expressão impassível de Byakuya, e continuou:

– Bom, sabendo seu nome, fiz uma consulta no banco de dados central. Não havia quase nada sobre ele, mas o pouco que descobri é que ele fez uma chamada desse mesmo distrito de Karakura, alguns dias atrás.

– Ele é o responsável por esse distrito?

– Na verdade, passou a ser considerado, visto que não havia nenhum outro nome associado a essa região.

– E o que se sabe sobre essa região?

– Parece ser uma cidade comum. A única coisa relevante é que há uns vinte anos, aquele hollow monstro, o Grand Fisher, foi visto zanzando por lá. Existe um posto de abastecimento para shinigami não muito recomendado lá, o dono é Kisuke Urahara.

Percebendo que ele parecia ponderar, aguardou um tempo.

– Então este será nosso ponto de partida - ele anunciou então. – O tal Kurosaki deve usar este posto de abastecimento. Agora, me explique direito essa história de ele ter vindo aqui à procura de uma Rukia que não é... a minha Rukia.

Renji assentiu com os olhos e, em seguida, deu início a um relato mais detalhado.

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Ichigo olhava na direção em que Ururu saíra, quando escutou algumas vozes familiares no sentido contrário. Seguiu até a sala em que sempre se reuniam, e lá estavam Yuzu, Karin e Kon, ao lado de Kisuke e Jinta.

– Ei, Ichi-nii! - exclamou Karin.

– Maninho! - Yuzu se jogou contra o corpo dele, abraçando-o pela cintura. – O Jinta me contou tudo. Que coisa horrível! - exclamou num tom dramático.

Ichigo estreitou os olhos e virou a cabeça na direção do adolescente, como quem dissesse: "Seu fofoqueiro!"

– É, horrível - concordou num muxoxo.

– E onde ela está? - perguntou Karin, objetiva como sempre.

– É! Onde está a Rukia lindinha? - choramingou Kon.

– Ela está se arrumando. Gente, ela não lembra de ninguém, hein. Não vão dar mancada. E outra coisa, vou precisar ir até o colégio e pretendo levá-la comigo.

– Vai no colégio? - estranhou Yuzu, erguendo os olhos a ele. – Maninho, eu sei que tenho cobrado isso de você, mas agora não é hora, né?

– Acredite, eu mais do que ninguém adoraria mandar tudo isso pras cuias, mas não posso deixar o pessoal na mão - explicou, se desvencilhando dos bracinhos miúdos da irmã. – Faltou entregar uma porcaria de uma lista de exercícios, atividade em grupo. E essas antas as quais me junto não tiveram capacidade nem pra pedir uma força pro "casal supergênios": Inoue e Ishida. É dose, se não sou eu pra avisar, aqueles lesos nem respiram por si mesmos. Tenho que ir, não tem jeito, são os últimos dias de aula, antes das férias de verão. O Keigo me mandou uma mensagem ontem, desesperado.

– Mas - começou Yuzu –, quando você vai ter tempo de resolver esses exercícios?

– É por isso que tenho que me apressar.

Os olhos da loira cintilaram de admiração ante a genialidade de seu irmão.

– Você é tão incrível, maninho! - exclamou ela, fazendo Karin rir e Jinta balançar a cabeça em negação.

– Yuzu, você podia me ajudar com uma coisa... - falou Ichigo.

– Claro, maninho! - disse animada.

– Quero que ligue pro pessoal da minha sala, não precisa ser todo mundo, só os que sabem da verdadeira identidade da Rukia, e avise pra eles que não devem mais chamá-la de senhorita Kuchiki, mas de senhorita Shihouin. Toma, fica com meu celular.

– Senhorita Shihouin? - estranhou ela.

– É, Yuzu - agilizou a morena. – Eu te ajudo com isso.

As duas nem bem tinham se organizado e então Rukia chegou ali, acompanhada de Ururu.

– Bom dia... a todos - falou pausado, por certo, surpresa em ver tantas pessoas ali.

– Lindinha! - berrou Kon e não se conteve: atirou-se em direção à nobre, mas Ichigo o pegou no pulo.

– O que é essa coisa? - Rukia indagou, pasmada e de olhos vidrados.

– É meu brinquedo - Yuzu arrancou Kon das mãos do irmão e o escondeu atrás das costas, cuidando de espremer bem a cabeça dele. – Você deve ser a senhorita Rukia Shihouin. Meu nome é Yuzu Kurosaki, sou a irmã mais nova de Ichigo - ela se apresentou, curvando-se respeitosamente.

– Ah, prazer em conhecê-la, senhorita Kurosaki - a nobre sorriu levemente e retribuiu o gesto, olhando momentaneamente na direção de Ichigo, que também olhava para ela.

– Ah, você pode me chamar de Yuzu.

– E eu sou Karin - se apresentou a morena, curvando-se também.

– Maninho, não deviam estar tomando o café? - alertou a loira.

– Ah, Rukia... digo, senhorita Shihouin, pode ir tomando o café, enquanto eu me apronto. Não vou demorar.

Ela assentiu com um gesto de cabeça.

– Sim, coma, senhorita Shihouin! - incentivou o dono da casa, que até então apenas ouvia o falatório. – O senhor Tessai fez essa comida especialmente pra você! - anunciou, deixando Rukia levemente corada. – As senhoritas também, por favor, nos acompanhem.

– Obrigada, senhor Urahara - Yuzu começou –, mas não se incomode conosco, já comemos em casa e temos uma coisa importante para fazer - disse e balançou o celular de Ichigo. – Vamos né, Karin.

– Acompanho vocês até a porta! - Jinta se prontificou. Mesmo em meio à agitação, Ichigo estava bem atento ao modo que ele olhava para Yuzu.

Logo as meninas se foram e um tanto depois, quando Ichigo retornou, apenas Urahara, Yoruichi e Rukia continuavam na sala.

– Muito simpáticas suas irmãs, senhor Kurosaki - foi assim que ela o recebeu. Definitivamente, era horrível todo aquele formalismo.

– São sim. Então, podemos ir?

– E eu tenho escolha? - retrucou ela, com um olhar congelante. – Mas o senhor não vai se alimentar?

– Não. Estou sem fome - disse meio sem jeito, diante de sua evidente má vontade. – Compro alguma coisa pelo caminho.

Muito comedida, ela se levantou então.

– Ah, jovem Kurosaki, seu celular - Urahara entregou-lhe um outro aparelho –, não vá esquecer. Ichigo compreendeu que ele queria ter um meio de contatá-lo, talvez já tivesse alguma notícia sobre Byakuya.

– Claro. Então nós já vamos. Obrigado por tudo, Urahara.

– É um prazer ajudar.

Yoruichi se despediu dos dois com um aceno.

Ao chegar lá fora, Ichigo pensou como seria bom ter sua moto naquela hora, e chegou a cerrar um dos punhos com raiva de Ishida, mas logo relevou.

Olhando de esguelha para a pequena a seu lado, se sentiu contente. Desde o fim da batalha contra Sousuke Aizen, ele não a via mais com aquele uniforme escolar. Achou que o traje lhe caíra melhor agora do que antes, mas logo compreendeu que era seu modo de observar que se tornara mais apurado. Andar daquele jeito, ao lado dela, foi como voltar no tempo.

– Será mais ou menos uns vinte minutos de caminhada, mas podemos tomar um ônibus, se a senhorita preferir.

– Estou acostumada a caminhadas longas, nem sempre fui uma nobre - ele percebeu, pelo tom ríspido, que ela ainda estava muito mau-humorada.

– É mesmo? - devolveu meio sem graça.

– O senhor já pode começar as explicações - desconversou ela.

Ichigo piscou, pego de surpresa. Urahara o instruíra a não contar a verdade a ela, ao menos, não a princípio, argumentando que seria menos traumático a ela se continuassem tratando-a como a nobre da família Shihouin, até que descobrissem um meio de restaurar sua memória. Ele havia concordado com isso, porém esteve tão ocupado em contemplá-la, durante a noite, que se esquecera de pensar no que exatamente iria dizer a ela.

Como permanecesse calado, Rukia acabou fazendo uma exigência fulminante:

– Conte-me tudo que sabe sobre o capitão Kuchiki.

Expirou fundo e pensou: "Já vi que isso vai ser mais complicado que os exercícios."

Continua...

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Capítulo mais descontraído, não? Rukia muito OOC? É, né. Mas não tinha como ser diferente, a memória dela foi toda modificada. Mas cá entre nós, meninas, como ela conseguiu não agarrar o Ichi naquela hora?

Bom, mais uma vez, agradeço muito todos os comentários! Esse incentivo tem sido determinante! Um mega abraço a todos que estão acompanhando, em breve tem mais!

Nota: Não, o "Ichi-nii" da Karin não passou despercebido. Acontece que esse modo de ela o chamar é um trocadilho, é como um apelido, assim não convém traduzir. Quem não entendeu, me pergunta depois.