Escondida no coração
Por Amanda Catarina
BLEACH e personagens pertencem a Tite Kubo.
Notas: sentenças entre aspas indicam pensamentos, classificação recomendada: 18 anos.
Capítulo 12
Era uma transição entre aulas. Ichigo, ao lado de Rukia, e seus amigos caminhavam ao longo de um corredor do colégio. Ele explicava aos colegas que já estava de partida e que, provavelmente, só voltaria a reencontrá-los depois das férias de verão; a lista de atividades que o forçara a vir até ali repousava entre as folhas do caderno de um aliviado Keigo.
Ao mesmo tempo, flutuando ao lado da vidraça adjacente a esse corredor, Byakuya procurava com os olhos pelo tal shinigami substituto, guiado por sua reiraku, rogando para que Rukia estivesse com ele, assim não precisaria passar pelo infortúnio de descobrir seu paradeiro em meio aquela cidade humana.
Porém, sua mente não estava preparada para aquilo que seus olhos avistaram: Rukia caminhava ao lado do rapaz de cabelos laranja, numa gigai, sem sombra de dúvida, trajando vestes do Mundo Real, munida de uma bolsa nas mãos, com uma expressão descontraída e um singelo sorriso nos lábios.
"Mas o que significa isso?", indagou-se e logo balançava a cabeça em negação, sem acreditar no que via. Cerrou o punho, furioso. Lançando o bom senso a um canto longínquo de sua mente, adentrou o prédio, entrecortando o caminho do grupo.
– Capitão Kuchiki! - Rukia foi a primeira a exclamar, reparando também que ele não trazia sua capa, somente o shihakusho e o costumeiro cachecol.
– Byakuya! - ajuntou Ichigo.
– Shinigami substituto Ichigo Kurosaki - começou o capitão –, nem quero imaginar o que tem feito. Apenas saiba que lhe trago uma intimação - anunciou, deixando a todos espantados. – Por ordem da Soul Society, você deve comparecer à corte judicial e tentar, se puder, justificar seus crimes. E quanto a você... - dizia ele, mas Ichigo o interrompeu.
– Crimes? Que crimes?
Byakuya franziu o cenho diante da interrupção e respondeu ríspido:
– Desacato a autoridade e sequestro - ele fitou pesadamente o semblante de Rukia, deixando-a extremamente acuada.
– Absurdo... - bufou Ichigo e olhando ao redor, ficou preocupado que estivessem atraindo a atenção das pessoas, pois já não tinha cargas do Modificador de Memórias.
– Rukia, você deve vir comigo - exigiu Byakuya.
– De jeito nenhum! - Ichigo se opôs num grito.
Perplexa, Rukia não disse nada e moveu a cabeça numa leve negativa, deixando Byakuya mais descontente do que já estava. Os amigos de Ichigo também não ousavam dizer nada, apenas mantinham os olhares atentos ao capitão shinigami; sua altivez e frieza eram intimidantes.
– É inútil resistir - retomou o capitão, em seu tom arrastado e expressão severa –, meu oficial se encarregará desse rebelde e você, senhorita Shihouin, deve me acompanhar.
– Deixa de conversa, Byakuya! Eu não sou nenhum "rebelde", e posso provar!
– Pois faça isso diante da corte. Quanto a mim, tudo que quero é que fique longe de minha noiva - anunciou no mesmo tom, porém mais enfático.
Rukia arregalou os olhos, constrangida. A cada instante, seu temor com a presença do capitão crescia de um modo inexplicável. Apenas em encará-lo sentia como se um amargor enchesse sua boca e o corpo tenso como se uma cascavel estivesse a espreitando.
Ichigo, por sua vez, quando ouviu aquela declaração de Byakuya, desejou estar em sua forma shinigami para poder acertar um soco bem no meio da cara dele. Num tom agressivo e abafado, ele retrucou:
– Se tem alguém aqui que precisa ficar longe dela, esse alguém é você.
Byakuya estreitou os olhos nele, levemente intrigado com essa afirmação, porém logo desviou o olhar, e se dirigiu a sua dileta.
– Rukia, você deve vir comigo. Não me obrigue a ser drástico.
Se ela já se sentia acuada, diante dessa ameaçadora exigência, prendeu o fôlego. Ichigo foi quem respondeu, berrando:
– Eu já disse que ela não vai com você de jeito nenhum!
Várias pessoas andavam por ali e a grande maioria delas não podia ignorar o estranho comportamento daqueles oito jovens, estacados no lugar como se olhassem para algo ou alguém que não estava ali.
Em contrapartida, os amigos de Ichigo exibiam perplexidade nas faces exatamente por estarem vendo o que os demais não podiam. Aquele homem a sua frente não fazia jus à reputação do austero e comedido Byakuya Kuchiki, a quem conheciam de vista e pelos seus feitos nas lutas dos shinigamis.
– Definitivamente não estou disposto a tolerar sua impertinência hoje, rapaz - respondeu em toda sua autoridade e somente Ichigo parecia não se intimidar.
– Estou dizendo - replicou o ruivo –, Rukia não vai com você. Não me obrigue a ser drástico - citou o outro em patente provocação.
Ultrajado com a afronta, Byakuya tentou, verdadeiramente, se conter, mas a fúria, e também o ciúme, o subjugaram, levando-o a puxar Senbonzakura.
Rukia ficou alarmada. Orihime e Tatsuki compartilharam desse sentimento com ela. Keigo estremeceu da cabeça aos pés e Mizuiro, embora mais discreto, ficou assustado também. Ichigo, já perplexo com o aparecimento do capitão ali, ao vê-lo desembainhar a zanpakutou ficou absolutamente atônito.
– O que pretende? - ele indagou, descrente.
Byakuya apontou a lâmina a ele e declarou friamente:
– Não medirei esforços para atingir meus objetivos.
Ishida olhou de esguelha para Ichigo, então, virando o rosto na direção oposta, trocou um rápido olhar com Sado. Através desse gesto, combinaram que iriam intervir se o capitão atacasse de fato.
– Olhe ao redor, Byakuya! Não podemos lutar aqui! - desesperou-se Ichigo, ao senti-lo expandir seu poder espiritual.
– O clã Kuchiki irá ressarcir os danos! - devolveu de pronto e com essa curta justificativa, cegado pela raiva, não hesitou em avançar contra o rapaz. Mas, antes que o atacasse, dois moços se interpuseram na frente do ruivo.
– Some daqui, Kurosaki! - alertou Ishida. – Esqueceu que não pode com ele em sua forma humana?
Rememorado pelo alerta, Ichigo fechou a mão no pulso de Rukia, mas hesitou em fugir.
– Cuidaremos dele, Ichigo! - exclamou Sado, então sim, o ruivo não perdeu mais tempo, puxou a pequena consigo e saiu correndo.
Keigo e Mizuiro, abismados demais se mantiveram lá, apenas olhando, mas Orihime e Tatsuki não demoraram a correr atrás dos dois que haviam fugido.
Desperto do estado de torpor, pelo fato de aqueles humanos estarem enxergando-o, Byakuya viu que Rukia e o ruivo se afastavam. Imediatamente, apontou o dedo na direção dos dois jovens a sua frente e, numa tonalidade baixa, lançou um kidou:
– Hadou número quatro: Byakurai.
Foram dois raios de luz que voaram cada qual na direção de Sado e Ishida, porém nenhum nem outro sofreu dano algum. Byakuya vidrou os olhos, espantado.
– Não somos humanos comuns - anunciou Ishida, ajeitando os óculos.
Byakuya até pensou em lançar um kidou mais potente, mas logo se convenceu que ir atrás daqueles dois era mais importante do que entender o que se passava ali, assim o que fez foi saltar por sobre os rapazes. Entretanto, rente ao teto, ele notou, em uma fração de segundo, um brilho vindo do braço do moço mais alto e, por puro reflexo, se esquivou de uma rajada de energia, mas não completamente.
– Não podemos deixá-lo passar - a voz grave de Sado se fez ouvir.
O nobre pousou ao chão, segurando o braço, atingido de raspão, incerto quanto ao que fazer, quando sentiu a presença de seu subordinado.
– Capitão! - Renji gritou ao chegar ali e logo estava boquiaberto diante do quadro: seu capitão com a zanpakutou em punho e dois jovens de um notório poder espiritual o afrontando.
– Renji - Byakuya o chamou num tom alto –, cuide desses dois. Eu vou atrás do Kurosaki. Ele fugiu levando a Rukia.
Meio apatetado, o vice-capitão assentiu com a cabeça e foi sacando Zabimaru.
– Não estou entendendo nada, mas tudo bem!
Antes de se afastar com um shunpo, Byakuya recomendou a ele: – Tome cuidado. Essas não são pessoas comuns como você havia constatado - e então sumiu.
Rukia e Ichigo não tinham se distanciado muito; Ichigo não podia usar shunpo estando em seu corpo humano. Assim, em questão de instantes, Byakuya estava no encalço deles.
– Ele está vindo, jovem Kurosaki! - desesperou-se Inoue.
Ichigo olhou por sobre o ombro e depois para Rukia, ela já estava esbaforida e daquele jeito seriam pegos em dois tempos.
– Inoue, Tatsuki - berrou ele -, cuidem dos nossos corpos! - ele usou então seu distintivo de shinigami substituto, passando à forma espiritual. Seu corpo sem alma, tombou no lugar e Tatsuki logo se abaixava para apanhá-lo.
Concomitantemente, Ichigo usou o dispositivo em Rukia. Byakuya acompanhava tudo, cada vez mais de perto. Quando a gigai inerte de Rukia tombou, Inoue se apressou para pegá-la. Ela e Tatsuki tiveram apenas o tempo de sair do caminho, pois Byakuya passou voando baixo entre elas, seguindo Ichigo que agora carregava Rukia nos braços.
– Por Deus, o capitão Kuchiki está alucinado! - exclamou Inoue.
– Com certeza! Vem, Orihime, temos que esconder os corpos deles - chamou Tatsuki.
Ao mesmo tempo, Ichigo saia por uma das vidraças, voando velozmente, rente ao prédio e em direção ascendente, rumo ao terraço do colégio. Byakuya já quase os alcançava.
"Isso, me segue, me segue!" - tencionava o ruivo.
Após se afastar alguns quilômetros do perímetro do colégio, Ichigo freou bruscamente no ar e, em seguida, desceu veloz até a cobertura de um armazém. Num instante, Byakuya pousou logo atrás dele.
Vendo o rapaz descer a jovem ao chão, o nobre deu um passo adiante.
– Seu miserável... - soprava entre dentes, mas silenciou quando o rapaz se voltou a ele de súbito. Eles se fitaram com hostilidade por alguns instantes, mas então Ichigo desapareceu.
– O que? - exclamou Byakuya e logo deduzia que ele usara outro shunpo; no entanto, sentiu que a presença dele desvanecia muito mais rápido daquilo que se esperava de um passo rápido convencional.
Apesar do estranhamento, deixou isso de lado e se voltou para a jovem Rukia e, no exato instante em que seus olhos pousaram no corpo pequeno, a imagem dela desapareceu, sobrando ali apenas um laço vermelho. Ele piscou, atônito.
– Uma ilusão? - e não parecia se tratar de uma ilusão qualquer, assemelhava-se a um tipo que ele conhecia muito bem. – Técnicas da Onmitsukidou? Mas como aquele...
Silenciou e seus olhos arderam em fúria. A descrença com a situação foi tamanha que fez com que gastasse alguns preciosos instantes tentando se convencer do que acontecera, até que finalmente tratou de se mover, voltando na direção do colégio.
xxx xxx xxx
Inoue e Tatsuki entraram numa sala vazia qualquer. Após ter arrastado pelas axilas o corpo de Ichigo, Tatsuki deixou o mesmo estirado no chão. Inoue ajeitava a gigai de Rukia numa cadeira, quando ambas sentiram a ventania de Ichigo entrando pela janela desta sala.
– Jovem Kurosaki! - exclamou a ruiva e logo em seguida: – Cadê a senhorita Kuchiki?
– Você deixou ele levar ela? - a morena foi mais objetiva.
– Claro que não! - respondeu como se fosse muito óbvio. – Não cheguei a usar o dispositivo nela naquela hora. Só quis que ele achasse que sim - e em seguida retornou a seu corpo humano.
Confusa e ainda segurando a suposta gigai vazia pelos ombros, Inoue exclamou:
– Mas eu vi a alma dela saindo! - e recebeu um gesto em concordância de Tatsuki,
Ichigo se levantou e se aproximou delas.
– Foi uma ilusão. Ela só está paralisada... - explicava ele, mas se calou ao perceber a pequena se mexendo. – ...está se soltando do bakudou? - isso ele falou sozinho.
Num repente, Rukia abriu os olhos e ergueu o rosto, assustando bastante Inoue e Tatsuki com isso. Ichigo a encarava com certo assombro também.
"Ela conseguiu se libertar sozinha.", pensava ele. "É... perda da memória não tem que implicar em perda de poder. Além do que não foi nada além de um Sai. Coisa que ela tira de letra."
– O que você fez comigo? - Rukia perguntou ao ruivo e seu tom saiu cansado; por qualquer razão sentia-se exausta. Toda a resposta dele foi encará-la.
– O que está acontecendo? - Inoue queria muito entender.
– Meninas, explicações mais tarde - disse Ichigo, ao perceber que o mísero tempo que havia ganhado se escoava a cada instante.
Estendendo a mão a uma Rukia ainda bem confusa, ele falou:
– Rukia, vem comigo. A gente precisa sair daqui, agora!
– Mas, Ichigo...
– Não discute. Eu explico depois - cortou ele e foi arrastando ela consigo.
Inoue e Tatsuki os acompanharam até a saída da sala.
– Podemos ajudar de alguma forma, jovem Kurosaki? - perguntou Inoue, prestativa.
– Já ajudaram bastante. Eu me viro agora...
Ambas assentiram com a cabeça e logo acompanhavam com os olhos os dois correndo apressados pelos corredores.
Renji, que havia sido arremessado ao pátio por Sado, e que ainda estava às voltas tanto com este como com Ishida, avistou então a jovem Rukia e o tal do shinigami substituto correndo em direção à saída do colégio e exclamou:
– Estão escapando!
Ele intentou seguí-los, mas foi detido pelo jovem de óculos, que lhe acertou uma flecha no ombro, deixando-o atordoado por alguns instantes.
– Merda... - praguejou e em pensamento acrescentou: "Mas quem são esses caras?". Foi então que avistou Byakuya voando há uns dez metros acima. Abandonando a contenda com os rapazes, Renji se impulsionou ao céu também.
– Capitão, os dois saíram por ali!
– O que? - exclamou o nobre. – Mas como assim você deixou que saíssem dessa área? - trovejou possesso.
– Aqueles dois me atrapalharam! O senhor viu: não eram pessoas comuns.
Puxando-o pelas vestes, Byakuya perguntou, exasperado:
– O Kurosaki estava como um shinigami ou como um humano?
– Hã? Como assim?
– O miserável estava vestindo um shihakusho?
– Não... - respondeu meio hesitante e confuso. – Ele está usando uma gigai.
Soltando-o de qualquer jeito, o capitão exigiu bem seco:
– Me dê aquele rastreador.
Renji se retraiu antes de dizer:
– O moleque do arco destruiu o rastreador.
– O quê? - devolveu exaltado, com ímpetos de esganá-lo, tamanha sua raiva. Tentando se controlar, apertou os olhos e falou do modo mais contido que pôde: – Consiga outro.
– Certo - gaguejou e já se preparava para abrir o portal.
– Espere - Byakuya o chamou de volta. – Aquele elemento é cheio dos truques. Ele pode muito bem conseguir camuflar a presença agora que sabe que estamos aqui...
Renji apenas o encarava.
– Volte à Soul Society sim, e traga além do rastreador um grupo de ninjas. Vai ser preciso mais gente para procurá-los.
– Sim! - ele já ia partindo, mas antes resolveu perguntar: – E quanto ao senhor?
Ao invés de responder, Byakuya sumiu num shunpo.
xxx xxx xxx
Rukia empregava toda sua força na vã tentativa de fazer Ichigo parar.
– Ali, aquele é um bom lugar! - ele exclamou e a arrastou para dentro de um estabelecimento faraônico, cheio de lojas, vitrines e pessoas.
Correram um bom tanto ainda até que finalmente, ele se voltou em sua direção.
– Tudo bem? - perguntou e não fosse sua expressão preocupada, teria cedido ao ímpeto de dar-lhe um belo bofete.
– Claro que não! - respondeu muito brava, e até ela mesma se espantou com o timbre grave com que sua voz saiu.
– Foi mal... Mas você viu, não tinha outro jeito.
– Não existe mesmo outro meio de resolver isso? Por que você se opõe tanto que eu vá com ele? O que há de tão ruim nisso? Você não disse que ele não é perigoso? - desatou num só fôlego. Eram observações pertinentes, mas, em seu íntimo, algo lhe dizia, com a mesma relutância que Ichigo demonstrava, que não podia fazer isso.
– Tá, ele não é perigoso, mas ele está perigoso agora. Não viu que ele empunhou a zanpakutou naquele lugar cheio de gente?
Ela se encolheu amuada e não deu resposta.
– Não posso deixar você ir com ele, Rukia - insistiu, olhando ao redor. – Acredita em mim.
– E que escolha eu tenho?
– Ah, não começa... - devolveu irritado, então puxou um aparelho eletrônico do bolso e começou a apertar os botões. Colou o mesmo ao ouvido, esperou qualquer coisa, então bronqueou. Repetiu tudo de novo e então reclamou outra vez: – Droga, por que não completa? Isso é um celular mesmo?
Ela apenas o olhava.
– Oi? Ishida? - silenciou uns instantes. – Estamos aqui no shopping... é, acho difícil ele conseguir perceber nossa presença aqui.
Rukia suspirou, sem saber o que fazer ou pensar.
– Tentei ligar pro Urahara, mas essa droga de aparelho não completa a ligação. De todo jeito, eu vou pra lá, só ele deve saber um jeito de fazer o Byakuya voltar ao normal - silenciou um tempo. – Você acha que ele iria pra lá? - após alguns instantes: – É, faz sentido... mas o que eu faço então?
Enquanto escutava um falatório do outro lado da linha, Ichigo olhou para Rukia, ela estava recostada numa pilastra, com as mãos ao lado do corpo.
– Fala, Ishida - disse ele, mostrando que o ouvia. – Do Mizuiro? Sério? E como faço pra chegar lá? ...não, não conheço muito bem... Vou fazer assim: vou pra minha casa, pego a moto e passo na casa dele então, daí ele me explica melhor... Ok, mas, por favor, tentem entrar em contato com o Urahara. Valeu então! - dito isso ele desligou o aparelho.
Rukia o encarou com uma expressão aflita.
– Diga alguma coisa! - ela pediu suplicante.
– Olha, seja o que for que está acontecendo com o Byakuya é sério demais. No normal ele nunca faria uma loucura daquela.
– E?
– E enquanto ele não voltar ao normal, tenho que te manter escondida dele.
– Me manter escondida?
– É, preciso te deixar num lugar seguro. A casa do Urahara já não serve - disse e, erguendo o rosto acima da cabeça dela, notou uma loja de roupas.
Rukia levantou o rosto a ele e falou:
– Ainda não entendi o porque disso, Ichigo.
– Confia em mim. Olha, fiquei sabendo agora de um lugar. É pra lá que vamos. Mas antes temos que comprar umas coisas ali - e apontou aquela loja.
xxx xxx xxx
Horas mais tarde.
– Kisuke - chamou Yoruichi ao adentrar a sala –, Isshin acabou de ligar. Ichigo está a caminho da rodovia, ele pretende esconder a Rukia numa casa no interior, naquela região de Shonan.
– Bem pensado. Shonan? Então deve ser uma casa de praia, não? - devolveu e ela confirmou com um gesto. – Só espero que Byakuya não tenha acionado a polícia local.
A morena o olhou de canto.
– E por que não? Se ele já chegou ao ponto de encher a cidade de ninjas?
– Será? Como ele está irreconhecível e intratável... Eu vi a hora dele voar no meu pescoço - contou com temor fingido. – Foi difícil despistá-lo e penso que ele só se foi porque sentiu que estava perdendo tempo aqui.
– Preocupante. Muito preocupante. Ele fala com tanta insistência dessa coisa da Rukia ser a noiva dele. Não entendo por que alguém iria querer fazê-lo se apaixonar pela própria irmã - ponderava ela, com um ar pensativo.
Urahara estreitou os olhos e lançou num tom insinuante:
– Não vai dizer que está com ciúme.
Piscando desconcertada, Yoruichi logo soltou uma risada alta e devolveu:
– Mas que besteira foi essa?
– Nada. Ou melhor, nada além disso: uma besteira - e a encarou com um olhar indecifrável –, mas voltando, o que exatamente Ichigo tem em mente?
– Por hora ele só quer manter a Rukia longe do Byakuya.
– Entendi. E ele deve estar contando com a gente para restaurar a memória do nosso nobrezinho enlouquecido?
– Por certo.
– Muito bem, deixe as coisas por aqui comigo. Quero que volte à Soul Society e tente conversar com sua prima Suzumi. Talvez ela tenha alguma pista que nos leve ao responsável por essa confusão de memórias.
– Você manda - assentiu ela e ia saindo, mas ele a segurou pelo pulso e falou:
– Mas tome cuidado.
Num gesto afetuoso, ela pousou a mão no rosto alvo dele e disse:
– Não se preocupe. Eu quero colocar minhas mãos nesse miserável tanto quanto o Ichigo.
Soltando vagarosamente o braço dela, Kisuke meneou a cabeça em concordância. Em pouco tempo, Yoruichi se foi.
Continua...
xxx xxx xxx
Vocabulário
Reiraku = (técnica) Fita Espiritual. Trata-se de uma técnica que permite a seu usuário visualizar a energia espiritual de uma pessoa ou de um shinigami na forma de uma fita, no caso dos shinigamis essa fita tem cor vermelha.
Byakurai = (magia de ataque) Relâmpago pálido.
Sai = (magia de defesa) Contenção, aprisionamento. É o bakudou número um.
Casa na praia? He, algo me diz que no próximo capítulo só vai dar IchiRukia... Vamos torcer! Estimo que a fic tenha chegado à metade agora, gente.
Meu muito obrigado a todos que tem acompanhado e comentado! Um grande abraço!
