Escondida no coração
Por Amanda Catarina
BLEACH e personagens pertencem a Tite Kubo.
Notas: sentenças entre aspas indicam pensamentos, classificação recomendada: 18 anos.
Capítulo 13
Embora inutilmente, Ichigo lutava para manter o pensamento longe da exaltação que as mãozinhas delicadas de Rukia, apertando seu abdômen, estava gerando em si. Fazia uns vinte minutos que rodavam pela estrada escura e de asfalto irregular. Era quase nove da noite.
Ele riu discreto ao recordar, de um tempo atrás, do tanto que Rukia o advertira quando ele comentou que iria comprar uma moto, ela dizia temer que sofresse algum acidente e parecia até uma irmã mais velha o aconselhando. Não houve ocasião, antes da desse momento, de convidá-la para um passeio e ele lamentava por isso. Em circunstâncias normais, habituada que estava com as vias e os meios de transporte do Mundo Real, Rukia certamente não estaria demonstrando tanto desconforto quanto aparentava agora.
– Daqui uma meia hora chegaremos lá - ele falou alto, afastando as lembranças, porém ela nada disse em resposta. Ficou indeciso se ainda estaria brava, mas logo nem pôde se inquietar com isso, pois um guarda rodoviário sinalizou para que parasse.
– Não acredito! Justo a gente? - bronqueou, dirigindo-se ao acostamento.
– O que acontece? - Rukia perguntou, meio alarmada.
– Não deve ser nada sério. Procedimento de rotina, com certeza. Apenas aja normalmente - ele instruiu.
– Como se fosse fácil nesse mundo estranho - devolveu num muxoxo e desceu da moto, para que ele pudesse fazer o mesmo em seguida.
Eram três guardas, um deles caminhava na direção de Ichigo, enquanto os outros, mais adiante, ficaram conversando com as faces abaixadas a um papel. Conforme o homem se aproximava, Ichigo foi pegando sua habilitação e a exibiu antes mesmo de ser solicitada. Após inspecionar a foto e o nome no documento, o guarda indagou austero:
– E quem é a pessoa com o senhor, senhor Kurosaki?
– Minha amiga - respondeu e gesticulou para que Rukia também tirasse o capacete.
Notando o homem franzir o cenho ao vê-la, Ichigo captou algo estranho no ar. Percebeu então os outros se aproximando e pôde avistar sua figura e a de Rukia naquele papel. Compreendeu então que aquilo não era um procedimento de rotina, estavam sendo interceptados.
– Senhor Kurosaki, o senhor está preso por... - anunciava o primeiro guarda, estendendo uma algema, mas Ichigo não deixou que completasse o intento.
– Espere! - ele se esquivou agilmente. – Isso é um engano - falou para ganhar tempo, pensando em como despistá-los. Sendo que a estrada estava pouco movimentada, nem precisou pensar muito: empurrou o guarda que estava com a algema encima dos dois que se aproximavam e usou o Modificador de Memórias.
Enquanto os homens ficaram como que três patetas, sem compreenderem o que faziam ali, Ichigo vestiu novamente seu capacete, pulou na moto e gritou à Rukia:
– Sobe, sobe!
Assim que ela se ajeitou, ele saiu rasgando e cantando pneu. Porém o motivo de tanta pressa não era apenas aqueles simplórios humanos, e sim a presença de, pelo menos, quatro indivíduos com poderes espirituais que ele imediatamente percebeu, e os quais passaram a segui-los em hiper-velocidade.
Virando a cabeça para trás, Rukia avistou uma pessoa usando o mesmo tipo de traje que seus perseguidores usavam quando ela saiu foragida da mansão de Suzumi.
– São aqueles homens da outra vez! - ela gritou ao ruivo.
– Eu vi! Se segura!
Sentindo que ele aumentava cada vez mais a velocidade, Rukia estreitou o aperto em torno da cintura dele, com o coração disparado, então, sem mais nem menos, Ichigo cortou para o lado, se embrenhando pelo matão da beira da estrada.
– Você ficou louco? - desesperou-se ela.
– Calma. Eu tenho um plano! - e logo parou a moto bruscamente.
Rukia apeou depressa e ele mais ainda.
– Fica aqui perto da moto! - ele mandou, arrancando o capacete e, num instante, passou a forma shinigami. Ela se achava tão desconcertada que se manteve estática, de fato.
Afastando-se um pouco e concentrando poder espiritual, Ichigo usou sua energia como isca para atrair os ninjas, enquanto conjurava um bakudou, em tom de sussurro:
– "Desintegre-se, cão negro de Rondanini. Analise, reduza tudo a cinzas e rasgue a própria garganta." - e conforme planejara, o bando avançou em sua direção, ao mesmo tempo em que ele finalizava o encantamento: – Bakudou número nove: Hourin!
Dos dedos de Ichigo saíram faixas de energia mística de um brilho alaranjado e prateado, que enlaçaram juntos os quatro ninjas, clareando um bocado o espaço ao redor.
Findada ação, diante de uma Rukia impressionada, Ichigo se aproximou dos capturados.
– Qual de vocês vai dizer pra quem estão trabalhando? - inquiriu ameaçador.
– Para o senhor Byakuya Kuchiki! - exclamou um deles com tanta prontidão, que o fez dar um leve sobressalto.
Atônita, Rukia vidrou os olhos e pensou consigo: "Então os homens que me perseguiram estavam mesmo a serviço do capitão Kuchiki?" Possivelmente intrigado pela mesma dúvida e notando o assombro na expressão dela, Ichigo falou:
– Tá aí mais uma coisa que não faz o menor sentido - em seguida, ele usou Zangetsu para abater de uma vez o bando. Logo depois, voltou a seu corpo humano.
Rukia continuava atônita. Aproximando-se da moto, Ichigo levantou o assento, tirando de lá uma sacola plástica e, enquanto procurava algo em seu interior, comentou:
– Não achei que íamos precisar dos disfarces tão cedo - e estendeu uma peruca loira a ela.
– Não vou usar isso! - contestou enérgica.
– Olha... não deve estar longe, mas não podemos arriscar que nos parem de novo. Viu? Eu também vou colocar - e meteu uma peruca de fios negros na cabeça.
Ao vê-lo com os cabelos escuros, naquela penumbra, Rukia ficou paralisada e vidrou os olhos. Aquela sensação de já o conhecer, e que não a abandonava, se tornou ainda mais forte.
– Por favor, Rukia - ele a despertou, empurrando a cabeleira de fios sintéticos em sua mão.
Ela mordeu o canto da boca, mas acabou concordando.
– Se você rir de mim, vou te dar um soco... - ela dizia, mas se calou, perplexa com o próprio linguajar. – Digo, vou... - como não conseguiu encerrar a frase, ele tomou a palavra.
– Eu, rir? Por quê? Vai ficar uma gracinha - brincou, sem disfarçar a ironia.
Ela estremeceu aborrecida, porém logo se aquietou ao ver a expressão brincalhona dele tornar-se séria e apreensiva.
– O importante é que não nos reconheçam. Nunca imaginei que ele fosse colocar esses caras atrás da gente.
Ela o encarou um pouco e compartilhava de sua apreensão, embora não da mesma forma, então vestiu a peruca.
– Pronto? - ele perguntou e ao vê-la assentir, subiu na moto.
Dentro de mais alguns minutos, voltavam à estrada.
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– É aqui - Ichigo falou, mirando o sobrenome "Kojima" na placa ao lado do portão, que velava por completo o interior da propriedade.
Tirou do bolso da jaqueta um controle-remoto que acionava o portão. Ao passarem pelo mesmo, se depararam com uma casa térrea e uma trilha de pedras, sobre um tapete de grama, que conduzia até a entrada. A fachada era adornada com pedras e a pintura de um bege claro; uma porta larga, de madeira maciça e duas folhas; esquadrias negras nas janelas, vidraças em tom fume; garagem para dois automóveis.
Mesmo após ele ter desligado a moto, Rukia continuou olhando ao redor e demorou um pouco para perceber que ele a olhava por sobre o ombro. Entendendo a deixa, ela desceu da moto então e, sem se afastar muito, livrou-se do capacete com alívio.
– Vamos entrar primeiro e depois eu pego as coisas - ele resolveu, buscando a chaves no bolso da calça.
Adentraram então e ainda no hall de entrada, Ichigo soltou um assobio de admiração e pensou consigo: "Nada mal ter amigos ricos." Embora não tenha comentado nada, a expressão de Rukia também trazia admiração com o lugar.
– A casa é ótima. Mas ainda bem que trouxemos comida - Ichigo comentou. – Não vi um mercado na vizinhança, só casas. Está com fome?
– Não.
– Quer tomar um banho? - o tom dele foi normal, mas Rukia achou a pergunta indiscreta, por isso virou o rosto de lado antes de responder.
– Seria bom.
– Certo - devolveu, livrando-se daquela peruca. – Vamos descobrir onde tem banheiro por aqui. Espero que tenha água.
Ele foi andando casa a dentro e ela o seguia. Então viu ele se virar em sua direção.
– Gostou de ser loira? - brincou, se referindo à peruca que ela ainda usava.
Corada, ela puxou aquilo da cabeça.
– Cada coisa que você me faz passar... Se eu não fosse uma pessoa tão calma, já teria tido um surto.
Ele riu levemente, mas logo reconheceu que ela estava coberta de razão.
– Vejamos, pelo padrão da casa, deve ter um banheiro em pelo menos um dos quartos - considerou e abriu uma das portas. Deu uma espiada dentro, avistando uma cama de casal enorme e, mais adiante, uma porta. – Perfeito! Vem, Rukia, você vai ficar aqui. Deixa só eu ver se tem água.
Ao entrar, ela correu as vistas ao redor, atenta à mobília e pensou consigo: "É bem diferente da casa do capitão Kuchiki, mas não deixa de ser harmonioso." Ouvindo então o ruivo chamá-la, se encaminhou até onde ele estava.
– Tá vendo esse registro? É só abrir que sai água quente - ele fez uma breve demonstração.
Ela assentiu com a cabeça.
– Vou lá pegar as coisas e já volto - disse e saiu de lado.
– Ichigo? - ela esperou ele se voltar. – Por quanto tempo vamos ficar aqui?
– Um ou dois dias, no máximo. Do jeito que o Byakuya está nos procurando, acho difícil que ele demore a nos encontrar mesmo aqui.
Meneando a cabeça, ela concordou, então ele saiu do quarto.
Rukia sentou-se à beira da cama e suspirou fatigada. Sozinha ali não pôde deixar de recordar de tudo que acontecera naquele dia tão longo: primeiro a ida ao colégio, seguida da aparição do capitão Kuchiki, depois as compras no shopping, a estada na casa da família Kurosaki e, por fim, essa curta viagem, perturbada pelos homens encapuzados.
Ainda mais extenuada, deitou-se atravessada na cama e era tão pequena e a cama tão grande, que foi praticamente o mesmo que se tivesse deitado na posição normal. Por qualquer razão, pensou na diferença de poder entre Ichigo e os perseguidores e sentiu-se admirada. De olhos fechados, vislumbrou em sua mente uma imagem dele lhe sorrindo.
Achou desconcertante como tudo nele a deixava admirada: o sorriso, a força, a voz, o físico. Essa última constatação a fez ficar levemente corada. Contudo, era realmente inegável o tanto que ele mexia com ela, e ter viajado quase uma hora, praticamente agarrada a ele, só tornou isso mais evidente.
Esticou-se, ficando de barriga para cima, e deixou um braço sobre os olhos. De repente, se pegou desejando que sua vida fosse outra. Desejou morar de fato naquela tal cidade de Karakura, ser amiga de Ichigo e até estudar naquele colégio. Subitamente, esse seu desejo não lhe pareceu algo novo, muito pelo contrário, teve plena certeza de já ter desejado coisa semelhante antes, porém não pôde refletir a respeito, pois Ichigo retornou ao quarto.
– As roupas - ele falou, exibindo uma sacola de pano.
– Ah obrigada - disse e se levantou.
– Eu vou dormir no quarto do lado. Qualquer coisa você me chama.
– Sim - seu tom foi tão sumido, que o preocupou.
– Tudo bem?
Após um longo suspirar, ela falou:
– Eu gostaria de dizer que sim, mas não está... Me pergunto quando poderei finalmente voltar pra casa.
O coração dele se angustiou no peito. Foi horrível pensar que aquele "voltar pra casa", não correspondesse ao lar dela de verdade. Aproximando-se, tocou-a no ombro num gesto de encorajamento.
– Não fica assim. Logo tudo estará resolvido, eu prometo.
Ela lhe sorriu levemente.
– Vai tomar seu banho e depois tenta descansar.
– Sim... - concordou abatida.
Os dedos de Ichigo fremiam de vontade de abraçá-la, mas o bom senso o levou a sair de lá antes que cometesse essa imprudência, pois sabia que não se contentaria só com isso.
Do lado de fora do quarto, escorado à porta que ele próprio fechara, expirou forte e reafirmou a si mesmo a promessa que acabara de fazer, numa tentativa de refrear os instintos mais que aflorados, porém não adiantou muito. O simples fato de estarem sozinhos ali naquela casa o estava transtornando de excitação; a qual não tardou em se fazer notória em seu baixo ventre, agravando muito mais sua angústia.
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Plenamente restabelecido - depois de um banho quase frio e umas batidas de cabeça na parede -, vestindo bermuda, camiseta regata e com uma tolha de rosto estirada na nuca, Ichigo estava sentado no meio de um largo sofá de três lugares, conversando com alguém pelo celular.
– Urahara, se você não der um jeito de limpar minha ficha na polícia, eu vou derrubar sua casa e disparar um Cero nas ruínas - cobrou num tom contido e a ameaça teve um naco de seriedade.
"Sei, mas isso se sua irmã não te pulverizar antes.", foi a resposta do outro lado da linha.
– Muito engraçado... E o que me conta?
"Yoruichi foi até a Soul Society conversar com a nobre Suzumi Shihouin. Essa mulher é o único elo que temos com essa 'nova' Rukia. Quero saber se a versão dela da história confere com a que sabemos até agora."
– Tá, mas enquanto isso eu fico nessa de fugir do Byakuya? Não tem como, né?
"Mas, tirando Yoruichi, não há quem nos dê auxílio na Soul Society, ao passo que Byakuya, por ser um capitão, e ainda um nobre, tem inúmeras regalias."
– Percebi. Mas não dá pra dar um choque na cabeça dele e ele voltar ao normal? Por que se eu ouvir mais uma vez ele chamando a Rukia de "minha noiva", não respondo por mim.
Escutando a risada do outro lado, Ichigo já ia soltar um impropério, porém o celular até escapou de sua mão quando viu Rukia aparecer ali, vestida com nada além de uma camiseta, que inclusive era dele; branca na parte do corpo e preta nas mangas.
A silhueta dela, suficientemente perceptível contra a luz que vinha do corredor adiante, e sua expressão confusa detiveram toda a atenção dele por alguns instantes, até que a compreensão de que devia ter trocado as mochilas cruzou seu pensar, mas antes que dissesse qualquer coisa, Rukia começou:
– Eu não... - ela dizia, mas ele, se lembrando da ligação, fez um gesto para que aguardasse e logo alcançou o celular.
– Ligo depois! - após largar de qualquer jeito o aparelho, falou: – Desculpa, o que você ia dizer?
– Não encontrei aquele traje que você me comprou - disse, referindo-se a um pijama comprado naquela loja do shopping – e nem... - ela enrubesceu um pouco – as peças de baixo que sua irmã me mostrou. Só tinha isso. Não sei se é apropriado.
Ichigo vidrou os olhos e prendeu a respiração. Não fosse o nítido constrangimento que lia na expressão dela e a ingenuidade em seu falar, seu corpo já teria desperto de excitação novamente. Desviou o rosto de lado e respondeu:
– Eu misturei as sacolas. Deve ter sido naquela hora que nos pararam.
Arrastou a toalha da nuca, deixando-a no sofá e se levantou.
– Só um instante que já resolvo isso - falou e ao passar por ela, o esforço que fez para não ceder ao ímpeto de agarrá-la foi verdadeiramente homérico.
Não tinha se afastado quase, quando ela o chamou:
– Ichigo, não foi exatamente por causa das vestes que vim aqui falar com você.
Voltou-se a ela, com o cenho franzido e um tanto preocupado.
– Pelo que então?
Ficaram de frente um ao outro. Rukia o encarou por alguns instantes, mas quando começou a falar, abaixou a cabeça.
– Eu sinto... - ela hesitou ainda – uma coisa muito forte aqui dentro do peito quando olho pra você.
Ele estremeceu da cabeça aos pés e até enrubesceu levemente.
– Você insiste que é aliado do clã Shihouin e que por isso tem me ajudado, mas pra mim está claro que você me conhece há mais tempo do que admite - declarou, fazendo-o engolir em seco. – Não tem como ser diferente - ela levantou o rosto a ele. – Me diz então por que eu não me lembro de você? O que aconteceu afinal?
Desconjuntado, ele nem soube o que pensar, quanto mais o que responder e, para aumentar seu abalo, Rukia ainda se aproximou mais.
– Você precisa me dizer - ela acrescentou suplicante. – Não é justo que me esconda isso.
Ele ficou tonto por causa da proximidade. Era coisas demais ao mesmo tempo: estarem sozinhos ali, ela daquele jeito, o fato de não poder ainda revelar a verdade. Parte de si só pensava em tomá-la nos braços e beijá-la, enquanto a outra se afligia com o problema.
– Por que, Ichigo? O que existe entre a gente? Algo me diz que posso confiar minha vida em suas mãos, mas isso me assusta.
Abaixando o rosto, ele falou:
– Você pode.
– Isso eu já percebi, mas se coloca no meu lugar...
Ele demorou uma eternidade para voltar a falar e quando o fez, foi para mudar de assunto:
– Vou buscar as coisas.
Ele deu as costas a ela e ia saindo, mas antes que escapasse, Rukia o segurou pelo pulso.
Já estava sendo uma superação para Ichigo se conter com a proximidade, mas tendo ela o tocado, seu bom senso foi pelos ares. Virando-se devagar, ele pousou sua mão sobre a dela e logo deslizou a mesma até o cotovelo de Rukia, puxando-a um tanto mais para perto.
O olhar dela exibia espanto, sua pele ficou toda arrepiada, porém não recuou um passo sequer. Isso o fez pensar que ela realmente confiava muito nele e serviu para que encontrasse forças para soltá-la. Ainda sim, Rukia continuou parada no lugar, tão próxima, sustentando seu olhar vidrado. Desse modo, a razão lhe escapuliu outra vez, então ele se inclinou um pouco e pousou uma mão no rosto dela. Fitou-a com olhos vulpinos, enfeitiçado com sua graça e beleza, louco para provar seus lábios avermelhados.
Rukia pensava que devia se afastar, mas suas pernas simplesmente não se moviam. Então num súbito, Ichigo enlaçou sua cintura e suspendeu seu corpo do chão. Antes até que abrisse a boca para expressar um susto, sentiu os lábios dele se encostarem nos seus.
Piscou desconcertada, corou e sentiu como se frio e calor se espalhassem por seu corpo ao mesmo tempo. Contudo, meio sem saber porque, talvez num ato meramente instintivo, ela entreabriu os lábios recebendo a língua morna dele dentro de sua boca. O abraço dele se tornou mais apertado e o calor de seu corpo fluía para o dela, de um modo irresistível e tranquilizante. Enlevada, segurou-se nos ombros fortes dele e moveu um pouco a cabeça de lado, consentindo que o beijo se aprofundasse ainda mais.
Beijavam-se e Ichigo mal podia acreditar que estava acontecendo. Vinha sonhando com esse momento há muito tempo. Pois fora na mesma época em que tomou consciência de seu amor por Rukia, que a convivência deles se tornou mais rara: ela sempre ocupada na Soul Society e ele defendendo Karakura.
Quando a escassez de ar já virava quase um incomodo, ele afastou devagar os lábios dos dela, vendo-se obrigado a voltar à confusa realidade que estavam vivendo. Esperava encontrar censura, indignação, revolta, nos olhos azuis dela, mas qual não foi sua surpresa, ao sentir Rukia deitar a cabeça em seu ombro e o abraçar. Sentia que devia dizer alguma coisa, mas apenas fechou mais os braços em volta dela.
Rukia se sentiu confortada e segura. Todas suas aflições desapareceram como num passe de mágica. E essa sensação, de segurança e conforto, foi tão intensa que lhe roubou as forças, suas mãos escorregaram pelas costas de Ichigo, não conseguiu mais manter os olhos abertos e seu corpo amoleceu inteiro nos braços dele.
Percebendo que ela estava a um triz de desmaiar, Ichigo pegou-a no colo, aninhando carinhosamente sua cabeça junto ao peito. Em seguida, ele se sentou com ela, no canto do sofá.
Apesar daquela camiseta ser comprida para ela, o detalhe do tanto que a mesma subiu, expondo ainda mais as pernas delgadas, não pôde passar despercebido por ele nesse instante, mas a preocupação gerada com a dúvida se ela estaria sentindo alguma dor ou mal-estar, ajudou-o a manter um fiapo de auto-controle. Assim, limitou-se em afagar levemente os cabelos dela por um tempo.
– Rukia? - chamou então, num sussurro, mas só isso bastou para despertá-la.
Ela ergueu o corpo, mas permaneceu ali, sentada em suas coxas. Parecia confusa e ele imaginou que devia mesmo ter perdido os sentidos por alguns instantes. Desvencilhou os braços da cintura dela, olhando-a encantado, como se diante de uma fada.
– Minha mente me diz que você é um desconhecido - ela falou de repente, num tom baixo –, mas meu coração grita, grita...
Ichigo estreitou os olhos, o corpo inteiro em febre, e perguntou:
– O que ele grita?
– Grita o seu nome - respondeu ainda mais sussurrado.
Ele fechou os olhos, novamente afligido por uma tontura, mas logo os abriu, ao ouvi-la falar:
– Já nos conhecemos, não é? - ela tocou os próprios lábios. – Você não me beijaria se não fosse assim.
Naquele momento, ele lamentou um pouco que seu primeiro beijo houvesse sido sob àquelas circunstâncias, e sem um reconhecimento pleno da parte dela, no entanto, o fato de ela ter se mostrado tão solicita, o fez ter a certeza da profundidade da ligação que compartilhavam. No entanto, ele não quis confirmar a, mais que acertada, dedução dela.
– Seu nome também está gravado aqui, Rukia - ele apontou o lado direito do peito. – Isso eu posso te dizer.
Após uma muda exclamação, a surpresa deixou a face dela e um pequeno sorriso desabrochou em seus lábios. Ichigo lhe sorriu também. Olharam-se um tempo, ambos os corações descompassados no peito, então, como se uma força atrativa tivesse começado a atuar, sobretudo entre seus lábios, foram aproximando os rostos.
No derradeiro instante que suas bocas iriam se unir outra vez, Ichigo soube que haviam sido subjugados por Eros e que, àquela altura, seria impossível parar.
Continua...
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Vocabulário:
Hourin = (magia de defesa) círculos de desintegração
Are? Parou? Bem agora? Vai dizer que não imaginam por quê?
É, no próximo capítulo farei valer essa classificação. Os menores de 18 podem passar reto, pois não comprometerá o entendimento da história. Os maiores (e/ou aos menores devidamente conscientizados) fiquem sabendo: vai ter Hentai.
Bom, agradeço mais uma vez os comentários e gostaria de dizer que estou impressionada com a fidelidade da galera que tem comentado. Obrigada de coração, pessoal! E agradeço também todos que estão acompanhando! Até o próximo! ^_~
wanessa shiba, muito obrigada pelo lindo review!
