Escondida no coração
Por Amanda Catarina
BLEACH e personagens pertencem a Tite Kubo.
Classificação etária recomendada: Para maiores de 18 anos.
Nota: Sentenças entre aspas indicam pensamentos das personagens.
Capítulo 17
Escutando um ruído ao longe, Renji acordou lentamente. Achava-se ainda naquela casa de praia, tombado no chão, com Zabimaru, em shikai, a seu lado.
Cogitando-se se acaso não teria sido atropelado por um caminhão, ele se ergueu. Não se recordava muito bem de onde estava e do que havia acontecido. Esforçava-se para organizar as lembranças, mas então percebeu o chamado de seu comunicador.
– Ah, capitão, pois não? - atendeu, bem desorientado ainda e somente quando seu superior indagou por que não atendera antes e sobre o resultado da luta, que ele se recordou do que viera fazer ali.
Reunindo as forças, respondeu:
– Minhas imprestáveis desculpas, capitão, mas o delinquente escapou - após um breve silêncio, ouviu uma atroz repreensão por incompetência, sem direito à defesa. – Não sei dizer se ele partiu para a Soul Society - e, depois de ouvir outra dura represaria, encerrou: – Sim, capitão, estarei aí o mais rápido possível.
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Pouco depois de ter se inteirado com Urahara das novas acerca do paradeiro de Rukia e Byakuya, Ichigo estava prestes a partir para a Soul Society. Começava a anoitecer e os dois se achavam no saguão da loja.
– Eu também acho que essa Suzumi deve estar envolvida - ele comentou, enquanto Urahara concluía os preparos para a abertura do portal Seikaimon.
– Quase não restam dúvidas - devolveu o loiro, que mantinha sua típica placidez, apesar de achar-se bastante preocupado com a situação. – E é o que Yoruichi está investigando nesse exato instante. Se tudo correu bem, a capitã Soifon deve estar auxiliando-a.
– Eu tenho que ir pra lá logo!
– Sim, não irei mais atrasá-lo. Dessa vez você poderá atravessar por um portal comum. Yoruichi conseguiu um passe pra você.
– Agradeça a ela por mim, mas vamos com isso, Urahara.
Concordando com um gesto, o loiro abriu o portal, o qual Ichigo atravessou velozmente.
"Aguente, Rukia! Estou indo!"
Assim que o portal se fechou, Kisuke se sentiu invadido por um horrível pressentimento.
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Movendo-se depressa em saltos esparsos, Yoruichi volveu o corpo para trás, ao perceber que sua aliada não mais lhe seguia.
– O que foi, Soifon?
Ela hesitou uns instantes antes de responder.
– Minha senhora Yoruichi... você acha prudente espionar membros da família Shihouin? e se tentarem usar isso para difamá-la outra vez?
– Agradeço pela preocupação, Soifon. Mas, entenda, essa é uma situação delicada. Se minhas suspeitas estiverem certas, Suzumi Shihouin pode ser uma ameaça à Soul Society. Sendo assim, é nosso dever detê-la.
– Sim! - respondeu, plenamente convencida então.
Dentro em pouco estavam no perímetro da mansão, à espreita. Soifon mantinha os olhos fitos na entrada principal, até que, olhando por sobre o ombro, notou que Yoruichi estava agachada ao chão. Usando um pequenino frasco de vidro, a ex-capitã recolheu uma amostra de algo que encontrara ali no jardim.
Aproximando-se dela, Soifon anunciou:
– Deixe isso comigo que em duas horas saberá exatamente do que se trata.
– Não se incomode, Kisuke poderá cuidar disso depois - respondeu calmamente. – A nossa meta agora é ficar de olho na Suzumi. Mais cedo ou mais tarde ela vai fazer algo suspeito.
Soifon obedeceu, ainda que contrariada. Como sombras ambas vasculharam o perímetro da mansão, porém logo constataram que a dona da casa não estava.
– E agora? - questionou Soifon. – Não seria melhor voltar e entregar aquilo que a senhora encontrou aos peritos da Onmitsukidou?
– Se aquilo for o que estou imaginando que é, encontrando Suzumi talvez nem precisemos perder tempo com análises.
– Mas o que pensa que seja?
– Depois eu explico.
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Enquanto conversava com um subordinado através de um aparelho semelhante a um telefone celular, ela desviava-se cuidadosamente dos cacos de vidro no chão imundo.
– Outra vez ele foi até aí? Como é insistente. De todo modo, não posso voltar agora. Dispense-o novamente - e encerrou a chamada.
"Contratempos, tantos contratempos. Não era pra isso ter se prolongado tanto assim. Tenho me arriscado muito. No fim, o tal Kurosaki realmente atrapalhou tudo".
Descontente, deu ainda alguns passos até parar num certo ponto.
"Esse sequestro mexeu demais com Byakuya. Eu não imaginava que ele pudesse se mostrar tão ciumento. Está muito diferente do homem sério e calmo que todos conhecem. Não era bem isso o que eu queria".
Fitando fixamente uma estrutura de aço a sua frente, ela prosseguiu com suas considerações.
"Mas há um ponto positivo. Desse jeito as chances de Byakuya não levar a obsessão que plantei nele até as últimas consequências são quase nulas".
– Ah como eu gostaria de ver, com estes meus olhos, o momento em que o irmãozinho superprotetor irá ceder aos mais devassos ímpetos e macular o corpo e os sonhos de sua preciosa irmãzinha fajuta.
Após murmurar tais palavras, Suzumi riu levemente, para em seguida voltar a marcar os minutos que a impossibilitavam de retornar ao seu aconchegante lar.
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Pouco depois de Soifon e Yoruichi terem deixado as redondezas da mansão Shihouin, Byakuya chegou à recepção da mesma.
– Como assim Suzumi não está? - ele esbravejou com o serviçal que o atendia.
– Não está - repetiu o homem.
– Antes de partir ao Mundo Real, eu deixei avisado que precisava falar com ela com a máxima urgência. Por que ela ignorou meu recado?
– Minhas insignificantes desculpas, ilustríssimo senhor Kuchiki; este servo não sabe responder por quê.
– Muito bem, Suzumi me força a isso: deixarei meus ninjas acampados aqui até que ela retorne e eles a manterão cativa até que eu venha.
– Este servo não seria capaz de dissuadi-lo, meu ilustríssimo senhor, porém tem a obrigação de alertá-lo que se a senhorita Shihouin não se dispor a vê-lo, os ninjas dela apostarão a vida para fazer prevalecer sua vontade.
– Então é bom que ela se disponha, do contrário eles certamente morrerão.
Com toda sua altivez, ele deu as costas ao homem e logo desapareceu num shunpo.
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Enquanto Byakuya não retornava, Rukia aguardava no quarto, na companhia da jovem Enri. Aflita e agitada ela esbravejava com a moça:
– Como pode, senhorita Enri? Já é noite e o capitão Kuchiki saiu à tarde. Não é possível que ele não tenha conseguido notícias até essa hora!
– Sinto muito, senhorita Shihouin. Eu realmente não sei do que a senhorita está falando.
Impaciente, a pequena cerrou os punhos.
"Mas se foi ele quem ordenou a morte de Ichigo, por que iria querer saber de outra noticia senão a confirmação do óbito? Como fui estúpida! Ele me enganou".
– Senhorita Enri, não me sinto bem. Poderia me preparar um banho?
– Claro, senhorita Shihouin. Providenciarei tudo agora mesmo! - exclamou sorridente, saindo em direção a um biombo próximo.
Sorrateira, Rukia aproveitou o momento para escapar pela varanda do quarto. Antes que Enri percebesse o embuste, ela já estava longe.
E Rukia correu e correu, ligeira como o vento. Recordava-se do quanto o terreno da mansão era vasto, mas estava decidida a deixar a propriedade a qualquer custo. Não tinha ideia do que faria depois, primeiro precisava fugir.
Uns bons minutos depois, achava-se oculta atrás de um casebre - casebre esse que em breve descobriria ser um depósito de ferramentas -, e dali podia avistar dois homens fazendo ronda. Pensava em um modo de despistá-los, mas, de repente, seu coração disparou, quando ela ouviu alguém dizer:
– Aonde pensa que vai?
Aterrorizada e com os olhos vidrados, ela reconheceu aquela voz. A voz do capitão Kuchiki. Girou o corpo devagar e o encarou então. Ele tinha uma expressão severa, os punhos cerrados e um olhar hostil; vestia seu shihakusho, mas sem a capa de capitão.
– Eu - Rukia começou, gaguejando – só estava dando uma volta pelo jardim.
– Não minta! - ele vociferou. – É evidente que estava fugindo.
– Não, eu...
Vendo-o dar um passo em sua direção, Rukia recuou a mesma medida.
Byakuya reparou na tremedeira dela e podia ler muito medo em seus olhos. Atormentava-o vê-la assim, ainda mais consciente de que a razão de todo esse medo fosse sua mera presença; isso afligia seu coração. Por outro lado, sentia-se furioso com a rejeição dela também. Assim, era como se dois sentimentos antagônicos se digladiassem em seu ser, e não estava sendo nada fácil suportar essa batalha.
Desviando o pensamento, reparou também que ela não levava consigo nem roupas ou comida, nada. Exibia tão somente o kimono estampado com o qual vestiram-na mais cedo, as meias brancas já estavam sujas de terra, bem como os chinelos de dedo. Ainda o olhava, petrificada, então ele se aproximou e tocou delicadamente seu rosto níveo.
– Rukia - começou com voz mais branda –, por quê?
Ela entreabriu os lábios, mas não achou o que dizer. Ele notou seus olhos brilhando e temeu que ela cedesse ao pranto, agravando assim a furiosa batalha em seu coração confuso.
– Venha comigo - ele chamou. – Cuidarei bem de você. Vou protegê-la.
Mesmo que o toque dele em seu rosto fosse gentil, e a mão dele, macia como veludo, Rukia sentia-se tocada por um ser das trevas. Se o medo não estivesse mantendo-a paralisada no lugar, sairia correndo, sem olhar para trás.
Mas ela sentia que estava tudo errado. Que havia algo muito errado com ele, com ela. Não deveria sentir medo daquele homem, nem se sentir oprimida em sua presença, nem duvidar de sua palavra, nem fugir dele. Nenhum desses sentimentos pareciam corretos.
Contudo estavam todos ali, em seu coração. E não conseguia fazer frente a eles.
Olhavam-se, quando a mão dele escorregou por seu rosto. Pareceu-lhe apenas uma ousada carícia, mas imediatamente depois, ela se sentiu zonza e suas pernas fraquejaram. Como quem já esperasse por isso, Byakuya a amparou e, num instante, pegou-a no colo.
A mão dela pendeu no ar, suas pálpebras pesavam como chumbo, ainda assim se esforçou muito para não fechá-las de vez.
– Está tudo errado - balbuciou debilmente, perdida e cansada.
– É verdade - ele concordou, os olhos percorrendo sagazmente o volume do busto, o pescoço esticado e os lábios dela –, mas eu sei como consertar tudo.
Ela se permitiu ter um fio de esperança, então, fechando os olhos, pensou em Ichigo. Porém, tendo estranhado a movimentação do nobre, Rukia forçou-se a abrir os olhos novamente. Ouviu então o ranger de uma porta - a porta do depósito de ferramentas - e com um ar confuso, inquiriu ao capitão:
– O que o senhor pretende?
Toda a resposta dele foi adentrar o casebre e fechar a porta atrás de si.
– O que significa isso, capitão Kuchiki? - ela começava a se desesperar.
– Eu segui todos os protocolos - ele falava num tom abafado –, fiz tudo do modo como deveria e como você me retribuiu? Fugindo com outro!
Encarando-o, assustada, Rukia notou que os olhos dele não mais pareciam claros e sim negros; e eram terríveis.
– Me coloca no chão - ela pediu, tentando, inutilmente, se convencer de que ele não lhe faria mal algum.
– Como quiser - ele rebateu em tom de zombaria, então deitando-a de costas no chão todo empoeirado, rápido como um felino, se debruçou por cima dela, segurando seus pulsos no alto e dos lados da cabeça.
– Não... - ela murmurou aflita, tentando soltar-se das mãos dele.
– Eu não precisaria estar agindo assim se você não tivesse me dado tanto desgosto, fugindo com aquele miserável pro Mundo Real - acusou e, depois de ter usado um kidou para manter os braços dela esticados, apertou grosseiramente o queixo dela. – Por que permitiu que aquele miserável te beijasse? Por quê?
– Sai de cima de mim - ela retrucou entre dentes, do melhor modo que pôde em virtude do apertão dos dedos dele.
– Você tem sido uma mocinha muito, muito, muito rebelde... Rukia - ele sibilou.
Presa sob o corpo robusto, apertando o pulso dele, Rukia remexia o corpo nervosamente, mas era o mesmo que nada: ele era muito alto, muito forte.
Soltando o queixo dela, Byakuya aproximou o rosto até seus lábios quase se tocarem. Transtornada, Rukia virou o rosto de lado, então ele beijou e mordiscou seu pescoço, enquanto deslizava uma mão pelo lado de seu corpo pequeno.
– Não... - ela implorou, sem conseguir acreditar que aquilo estivesse acontecendo.
Avançando num ímpeto, Byakuya invadiu a boca dela com uma língua ávida e faminta. Rukia achou que sufocasse tamanha a voracidade do nobre. Daria tudo para ser acordada de tão nefasto pesadelo.
Absolutamente subjugado pelo desejo, tendo-a sob seu corpo, ele sentiu que a batalha em seu íntimo finalmente dava-lhe uma trégua. Não se importou com o fato de Rukia estar se debatendo ou que ela não correspondesse seu beijo, na realidade, não percebia nada disso, tudo que conseguia pensar era em satisfazer o desejo que o corroia, tal qual vermes a um cadáver.
Rukia sentia que o calor de seu corpo escapava como se houvesse sido lançada em uma nevasca e certa de estar além de qualquer escapatória, entregou-se ao mais puro desespero.
Continua...
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Se Ichigo chegar agora, ele vai, no mínimo, matar o Byakuya.
Mas se ele não chegar, Rukia será violentxxx...
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