Músicas do capítulo (retirar os espaços):
* John Adams, China Gates (altamente recomendado): http:/ www. youtube. com/ watch? v=w29xxwICV34&feature=related
* Phillip Glass, Music Box: http:/ www. youtube. com/ watch? v=Q1Hn9UTq16k&feature=related
* Regina Spektor, Fidelity: http:/ www. youtube. com/ watch?v=wigqKfLWjvM
* Natacha Atlas, Kidda (muito recomendado para a cena final deste capítulo): http:/ www. youtube. com/ watch? v=KpgtILuOl68
Capítulo 5 – Tigre, Tigre, Brilho em Brasa*
*Tigre, Tigre, Brilho em Brasa (Tyger, Tyger, Burning Bright): é a primeira linha do poema "Tyger, Tyger", de William Blake (Londres, 28/11/1757 – 12/08/1827), que foi um poeta, pintor inglês (sendo sua pintura definida como pintura fantástica), e tipógrafo.
No momento em que Edward está programado para entrar para a minha lição, eu tenho tudo, mas esqueci da minha missão de tocá-lo. Dr. George tem andado comigo pela última meia hora, nunca deixando-me enquanto ele me leva através de escalas e vocalizações. Ele me colocou diante de um espelho de corpo inteiro na parede em seu estúdio para que eu possa ver todos as loucas caretas e gestos que estou fazendo. Ele é educado o suficiente para não colocar isso dessa maneira, mas é exatamente isso que está acontecendo. É frustrante, a princípio, ter que olhar para mim mesma e cantar, mas estou me acostumando a isso. Pergunto-me se este é o primeiro passo para o crescimento de um gigante Ego de Diva. Eventualmente eu terei o cabelo grande e brilhante e aquela expressão facial única de alguma forma simultaneamente lembrando os olhos inocentes de uma corça e a ameaça de dentes afiados dos felinos.
Não me importo com a sua intensidade porque prefiro que ele seja exigente comigo do que desprezível. Eu já passei por aulas de Estúdio do Grupo o suficiente para saber que ele está apenas exigindo dos alunos que trabalhem duro, então eu realmente quero que ele aja desta forma, só que é muito intenso, e tenho que me concentrar e não ficar frustrada novamente.
Estou focando tão atentamente que nem percebo quando Edward toma o lugar do Dr. George ao piano. Eu começo levemente quando ouço a voz do professor muito mais perto do que o esperado e não posso evitar o arremesso do meu olhar em direção ao piano. Os olhos de Edward estão suaves e um lado da sua boca se curva em um pequeno sorriso. Eu sorrio de volta, então pego o olhar confuso do Dr. George no espelho e me foco de novo no que estou fazendo.
A lição vai muito bem e eu sinto aquele mesmo brilho ofuscante da nossa última sessão de prática juntos. No entanto, não é a experiência plena e transcendente que estou procurando e estou me sentindo frustrada. Estou batendo na porta, mas não consigo entrar. Claro que isso me faz pensar em Edward.
Edward, que desliza para fora quando estou mexendo com a minha mochila, tão silenciosamente como entrou.
~oЖo~
Durante toda a semana meus tormentos similares conseguiram fornecer uma fonte constante de irritação. Mesmo nos meus sonhos, Edward me escapa. Toda noite eu sonho que estou sob o piano enquanto ele toca. Eu estendo a minha mão, mas por mais longe que eu chegue, eu nunca possa tocá-lo, nem mesmo o seu pé, que parece tão perto.
"Por que você está tão longe?" Eu pergunto a ele.
Ele apenas cantarola uma música assombrosamente bela e desconhecida em resposta, e eu não posso nem ver o seu rosto. Toda noite é a mesma melodia.
Eu sempre acordo ofegante e chorando, esticando meus braços, encontrando somente o ar da noite.
A realidade diária da situação de Edward não é muito melhor. Às vezes eu o vejo me olhando à distância, seja na biblioteca ou nos corredores do conservatório. Eu vejo um flash de sua pele clara e expressivos olhos e, em seguida, inevitavelmente, os destaques de cobre do seu cabelo escuro brilhando metade de uma cabeça acima da multidão enquanto ele se afasta.
Estou me sentindo como um pinto no ovo, lutando contra algo que não posso ver. Estou ligada, à espera de algo que só pode vir de mim.
~oЖo~
Estou andando em círculos apertados em uma minúscula sala de prática, sem ar, tentando com absolutamente nenhum sucesso conseguir o equilíbrio correto com a canção de Schubert, consultando o piano apenas para verificar a minha altura quando a frustração finalmente transborda em raiva.
Meu rosto esquenta e minhas mãos tremem, e eu tenho que tomar algumas respirações profundas para me equilibrar. Apago a última tomada do meu gravador e o estabeleço novamente. Eu não paro de cantar só porque eu sou teimosa demais para admitir a derrota.
Isto é quando isso acontece.
Eu toco minha nota de partida e encho meus pulmões com ar. O calor no meu rosto se intensifica e estou nadando em alguma luz interna. Estou quase cega com o que quer que seja isso que estou sentindo, que é muito aberto, muito grande para eu conter, ou controlar. Então eu apenas deixo a música fluir através de mim e é tão fácil que eu poderia chorar de alívio. Eu canto Schubert, depois o resto do meu repertório tão longe do semestre e então repito completamente. Estou quase com medo de parar, preocupada que eu não seja capaz de fazer isso novamente, que é uma casualidade.
Meu celular vibra e é uma mensagem de texto de Alice.
Você nunca vai sair dessa sala de prática esta noite?
Eu mando um texto de volta e relutantemente recolho minhas coisas.
Ela e Jasper estão me esperando no estacionamento do conservatório. Eu me aproximo deles, totalmente atordoada.
"Você parece meio alta, Bella." Alice murmura, olhando um pouco mais profundamente em meus olhos.
Eu me sinto invadida. Eu quebro o contato visual e olho para a cara digital do meu gravador de MP3. Olho para eles, sentindo-me um pouco confusa. Isso me lembra da minha última concussão leve. Eu o seguro para eles verem.
"Isso diz que eu estava gravando por mais de duas horas." Eu murmuro. "Que diabo de horas são, afinal?"
Suas sobrancelhas se atiram para cima simultaneamente. Se eu não estivesse ainda me sentindo incomodada por ter de parar e surpresa com o tempo que estive lá, eu provavelmente teria rido. Eu me sinto meio drogada.
"Posso?" Jasper suavemente pega o gravador de mim e mexe com os botões.
Nós todos curvamos para ouvi-lo e eu ouço a minha própria voz, só que ela soa um pouco diferente do habitual. Eu não vou mentir, não é nada surpreendente como o menino-rei Arthur puxando Excalibur da pedra, ou o bebê Superman levantando o caminhão do seu pai adotivo, mas é definitivamente o melhor que eu já cantei. É como uma gravação polida do melhor trabalho possível que posso fazer atualmente, mais um pouquinho extra. Ouvir não é tão poderoso quanto como me senti enquanto cantava, mas ainda é inegavelmente agradável de ouvir, especialmente depois desta semana frustrante.
"Nada mal, garota." Jasper disse, colocando seu braço sobre meu ombro.
Alice apenas sorri enquanto ela está olhando para o gravador.
"Bom trabalho no Schubert, querida. Eu não poderia tocá-lo nada melhor sozinha." Eu posso dizer que ela quer dizer isso e eu já a ouvi tocar. Ela é incrível.
Eu me sinto quente por dentro.
"Vamos para casa".
~oЖo~
É noite de sexta-feira e estou toda vestida de preto para um concerto de coral. Estamos cantando Magnificat, de Bach, que eu havia descrito para Jacob, e estou animada para finalmente ouvir a coisa toda com a orquestra completa e solista soprano. Uma das professoras de voz feminina, uma simpática senhora loira chamada Suzanne, está cantando o solo e eu a observo com cuidado enquanto ela canta. Ela teria sido a minha professora de voz se o Dr. George não tivesse concordado em assumir-me como sua aluna. Ela é excelente e é fácil para mim ter essa sensação apaixonada enquanto a observo cantar.
No momento em que chegamos à gloriosa ação-cachoeira do Omnes Generationes, eu estou na minha zona, sentindo o mesmo êxtase da sessão de prática de ontem à noite. É a primeira vez de todos os dias, apesar de eu não tentar forçá-la. Quando a música termina e os holofotes escurecem, estou pensando que poderia ser sábio começar um blog para que eu possa acompanhar tudo o que leva a este sentimento. As luzes do teatro acendem e-
Edward.
Seus olhos - eu juro, ainda que não faça sentido - seus olhos escuros estão praticamente incandescentes e ele está olhando diretamente para mim. Não consigo desviar o olhar. Ele me lembra algo que li uma vez, um poema que eu conhecia, mas não posso situá-lo. Eu tenho uma imagem em minha mente de olhos queimando de dentro de uma selva.
Nós não sorrimos um para o outro.
~oЖo~
"Como é chamada esta canção?" Eu pergunto, virando uma página do meu livro. Esta semana eu trouxe Far From the Madding Crowd, de Thomas Hardy. "Eu nunca ouvi isso antes".
Notas deliciosas e delicadas giram em torno de mim, não os sons de cachoeira de Debussy da semana passada, mas mais como folhas numa brisa suave. Os pés de Edward trabalham os pedais em movimentos hipnótico e rítmicos. Eu sei que posso tocar seus pés daqui, mas até mesmo eu não sou tão patética, então eu mantenho minhas mãos para mim no momento. Minha hora vai chegar e eu não vou levar recados de ninguém. Minha Vovó Swan interior concorda.
"É John Adams." Ele diz suavemente. "Esta composição é chamada China Gates. É minimalismo".
Eu ainda estou olhando para seus pés. Seu ritmo é perfeito. O tom é leve, melancólico, mas não tão dolorosamente.
"Você gosta dela? ... Bella?" Há uma pequena pausa em suas palavras, como se ele não tivesse a intenção de dizer meu nome, mas depois diz, de qualquer maneira.
Minhas orelhas ficam quentes quando ele diz meu nome, como se ele tivesse acabado de acariciá-las com a sua língua. Não sei se este é um efeito colateral de muitos romances vitorianos, se isso é por eu ser patética, ou se esse comportamento é normal para uma paixão. Esta é a minha primeira paixão, tecnicamente, então eu não tenho idéia. Eu não acho que alguma vez estive tão miserável, feliz e viva, tudo ao mesmo tempo. Como as pessoas podem colocar-se com esse tipo de coisa em uma base regular? Pode ser emocionante, mas também é humilhante e desgastante.
"Sim." Eu finalmente respondo. "Edward." Apenas no caso de ele sentir isso também.
Ele pára de tocar por um momento, mas eu não posso dizer se a canção acabou ou não. Eu o ouço inspirar profundamente pelo nariz.
"É meio repetitivo, mas há algo realmente libertador sobre isso. Isso meio que me lembra de Phillip Glass." Eu elaboro.
"Outro minimalista." Ele diz, lançando em algo que eu reconheço do filme As Horas.
"Eu sei que é Glass." Eu digo, sorrindo. "Eu tenho essa trilha sonora. Eu costumava tocá-la enquanto fazia a tarefa de matemática no colegial. Por alguma razão me ajudava a concentrar-me".
Depois de alguns minutos ele pára e eu saio de debaixo do piano.
"Podemos começar com algum Vaccai para aquecer?" Eu pergunto, surpreendendo a nós dois.
Corando, eu tiro a fina folha amarela vinculada de música da minha mochila e a coloco na frente dele na página desejada. Eu mudo de idéia e não realmente o toco, mas meu cabelo escova seu ombro e eu o pego cheirando-o com um olhar embriagado em seu rosto. Eu posso sentir o cheiro dele também e ele não cheira à colônia cara da faculdade. Ele cheira surpreendente, uma espécie de doce e como algo que eu nunca senti antes. Eu quero me inclinar para mais perto, mas escondo meu sorriso afastando-me dele e esticando meus braços um pouco para relaxar.
Ele começa a tocar e eu começo o exercício. Há palavras para estes exercícios em particular – tipo rimas infantis e doces - mas eu começo a sentir o aquecimento quase imediatamente. Depois de algumas destas curtas vocalizações, eu paro.
"Gostaria de trabalhar em Schubert?" Eu pergunto, trabalhando para controlar o meu entusiasmo.
Estou tentando parecer casual, mas estou morrendo de vontade de cantá-la. Eu posso dizer que a zona está ao meu alcance e, já que Edward está sempre na zona, estou morrendo para sentir o que é como quando estamos lá juntos.
Seus dedos arrancam no teclado e eu quase posso ouvir uma canção do rouxinol, guitarras espanholas e minhas próprias esperanças e sonhos nas notas. Por um momento estou oprimida pela carícia requintada de suas mãos sobre o marfim, como se ele estivesse tocando a minha própria pele pálida, e eu coro furiosamente com o pensamento. Como eu fiz na prática sozinha, sinto o calor no meu rosto intensificar quando tomo o ar e começo a cantar.
No início estou pensando no violino de Alice, o arco e a madeira chorandos junto com o grito da corda. Estou em excelente postura, sem tensão (salvo os músculos que funcionam os pulmões) e uma coluna de som aberto. Então eu sou o pássaro, o desejo, o desespero, a saudade e a esperança.
Eu sou rica, jorrando som e apenas uma embarcação para esse momento, e é tão forte que eu posso olhar para ele. Nós travamos os olhos e o tempo cessa para nos unir neste momento fluindo. Estamos separados por metade do comprimento de um piano de cauda, de madeira e aço e marfim e ar glorioso vibrando. Estamos ligados por tudo isto também, e pela força de um olhar penetrante que me deixa completamente nua e vulnerável.
Ele olha para mim como se eu estivesse completamente nua e vulnerável.
Estou tremendo quando ele se levanta, pega alguma coisa do piano e caminha em minha direção.
Nós ainda estamos olhando para o outro como se estivéssemos possuídos e eu não tenho certeza de que não é esse o caso.
Eu vejo um flash de amarelo - a ponta do meu livro de música, o fino Vaccai enrolado em sua mão. Ele o segura para cima e a borda gasta da ligação mal toca a minha testa, leve como uma pluma. Ele está tão perto que eu posso sentir seu cheiro doce e único novamente. Eu inspiro profundamente, memorizando-o. Ele move o papel macio suavemente ao redor da curva do meu rosto e, ficando tonta, eu fecho meus olhos.
Quando eu abro, então ele se foi.
~oЖo~
Na segunda-feira, eu não posso esperar para minha aula de voz. As minhas aulas da manhã quase não são registradas em minha consciência e estou impaciente. Eu não sei o que eu quero mais - ver Edward, ou voltar para aquela gloriosa coluna de som que fizemos juntos. Eu não sou a garota mais sexualmente experiente no mundo, tendo apenas deixado um par de meninos chegar tão longe como a segunda base no colégio, mas nenhum beijo nunca foi sentido como aquele antes.
É claro que isso me faz pensar sobre beijar Edward, e em sua provável namorada francesa, e no papel amarelo fazendo cócegas no meu rosto. E na sua possível namorada francesa. Eu preciso saber se ele tem uma namorada agora. Se ele tiver uma e não está à beira de romper com ela, o seu não toque em mim foi altamente inapropriado. A maneira como ele olhou para mim facilmente vale dez beijos fraternais de Jacob, não que eu o tenha deixado me beijar mais de um par de vezes. A maneira como ele me tocou com o Vaccai valia uma dúzia de apalpadas desajeitadas sobre a camiseta de Mike, não que eu não tenha dado um tapa na cara dele por esse "acidente" na aula de ginástica.
Estou finalmente no estúdio do Professor George, brilhando como um raio e voando através das escalas escapando para dentro do estúdio depois de uma batida superficial. Ele não olha para mim, mas toma seu lugar ao piano enquanto eu termino o aquecimento.
"Pergolesi." Dr. George ordena, na zona também.
Nós nos movemos rapidamente através do meu repertório inteiro do semestre, todos a partir da memória e quase todo ele na zona. Há um pouco de esforço residual nas duas primeiras peças que eu aprendi no semestre, mas resolvemos esses pontos e estou começando a sentir como se não posso errar novamente. Edward e Dr. George parecem focados e nítidos, como aves de rapina. Eu olho no espelho e vejo algo semelhante em meus próprios olhos. Eu gosto disso, mesmo que me assuste um pouco.
"Schubert." Dr. George finalmente disse, e nós começamos a delicada Serenata.
O professor senta-se à sua mesa e fecha os olhos. Dada essa privacidade, arrisco um olhar para Edward pela primeira vez desde que ele entrou na aula. Sou instantaneamente recompensada com outro intensamente íntimo olho-trancado. Meu rosto fica quente, mas não consigo desviar o olhar e, assim como na prática, eu encho meus pulmões e a magia começa tudo de novo.
Alegria.
Nós terminamos a música ininterruptamente e o professor está em silêncio por um momento. Eu finalmente arrasto meus olhos de Edward a tempo de encontrá-lo lentamente abrindo seus olhos. Ele acena uma vez para si mesmo e sorri para mim.
Alegria.
Por um momento, pelo menos, a cabeça de Edward empurra para cima, olhos arregalados e narinas incendiando.
Mas que diabos? Eu acabei de ter a melhor lição de voz da minha vida quando Edward escapa da sala como se o seu cabelo estivesse pegando fogo, telefone celular já na mão. Meu humor altivo despenca como se ele acabasse de atirar uma das suas preciosas flechas do caralho. Antes que eu possa segui-lo, o Dr. George me pára.
"Bella." Ele diz animadamente. "Excelente trabalho hoje, minha cara, realmente excelente. Sabe, eu tenho meus olhos em você para um programa de estudos no exterior, na Itália. É em uma cidade bastante pequena não muito longe de Roma, mas se você impressionar os habitantes locais, isso pode fazer sua carreira. Fez a minha. Diga-me, minha querida, você já ouviu falar de Volterra?"
"Nunca ouvi falar, senhor." Eu admito. "Mas então, eu não consegui viajar muito pela Europa quando morei na França".
"Bem, você não iria até o início do próximo ano." Ele diz, vasculhando o seu catálogo de músicas do cartão. "Eu acabei de decidir enviar a gravação desta lição para a família do meu velho patrono lá. Eles são discretos, mas eles têm influência com gravadoras e alguns dos maiores teatros na Europa. Eles são, de certa forma, ávidos coletores de talento, eles ajudam músicos, dançarinos, escritores - artistas de todos os tipos, ou assim eu entendo. Você nunca os conhecerá pessoalmente, ou, pelo menos, você não saberia que encontraria um deles, mas se eles acham que você tem talento, você encontrará as portas abertas para você em todo o mundo".
Ele sorri para mim beneficentemente e eu tenho que sorrir de volta.
"Que tal outra canção, minha querida Bella? Você já aprendeu o suficiente para este semestre, mas eu gostaria de ouvir esta peça em particular na sua voz".
Eu aceno entusiasticamente e ele rabisca em um post-it e entrega para mim.
"Você vai amar Wolf." Ele sorri de alegria se despedindo, fechando a porta do escritório atrás de mim.
~oЖo~
Alice e Jasper deveriam estar aqui, mas eu não os vejo em lugar nenhum ainda. O Keys está mais cheio do que eu gosto, e eu desisto da minha mesa para um grupo depois de esperar meia hora. Estou sempre desconfortável no meio da multidão, então resolvi montar a minha introversão ao piano. Isso é mais ou menos como eu comecei a tocar em público, em primeiro lugar. Eu sempre gostei de tocar e cantar sozinha, mas descobri que, quando forçada a estranhas situações sociais que envolvem os pianos, eu poderia entrar em minha própria pequena bolha e ainda obter crédito por interagir com as pessoas.
Eu vou para o piano e espero até que esteja disponível, então eu entro e começo em uma favorita dos meus dias na Forks High – Fidelity, de Regina Spektor. Algo sobre a canção me lembra – bem, tudo e qualquer coisa me faz lembrar de Edward porque eu sou patética e minha paixão está me consumindo tanto quanto ou mais do que a música está. Mas com Edward está tudo amarrado junto. Termino de cantar e olho ao redor por Edward, Alice, Edward, Jasper, ou Edward, mas não vejo nenhum deles. Eu verifico meu telefone e ninguém tentou ligar para mim também. Ângela não está sequer trabalhando esta noite. Estou começando a pensar que estou aqui na noite completamente equivocada.
A multidão ficou muito alta e um grupo cigano tomou o palco agora. Há um monte de instrumentos estrangeiros que eu só posso classificar como tambores, cordas e percussão. Há uma linda mulher vestida em véus de seda, uma tonelada de maquiagem e uma métrica excessiva de jóias brilhantes e barulhentas e ela começa a gemer no microfone. A música soa como árabe para mim agora, e a vocalista começa a balançar seus quadris. Eu acho o ritmo hipnótico e o lamento melancólico de sua música puxa-me um pouco mais para perto.
Estou tecendo meu caminho através dos corpos aquecidos, suados e questionando a minha decisão, quando eu corro para o peito de alguém, duro. Alguém alto. Sou firmada por mãos frias. Eu fungo e cheiro Edward. Por um segundo estou sorrindo por ter acidentalmente o tocado pela primeira vez com praticamente todo o meu corpo, mas então eu olho para cima e percebo o meu erro.
Ele é bonito o suficiente para ser Edward, e alto o suficiente também, mas ele não é Edward. Alguém que cheira muito bem como ele. Seus olhos são tão semelhantes que eu me pergunto se eles são parentes – aquele breu tão profundo que eu me pergunto se há alguma íris ali. Eu não posso evitar olhar fixamente nos olhos dele e eu o cheiro novamente, tanto como Edward que eu de novo acho que eles devem ser da mesma família, de qualquer forma, além do cheiro, dos olhos e intensidade eu não consigo ver nenhuma outra semelhança.
Lembro-me de como os olhos de Edward queimavam em mim da platéia na semana passada no concerto do coral, e eu finalmente lembro da peça que tinha estado me iludindo por uma semana. Era um poema de William Blake que eu tinha memorizado na terceira série.
Tyger, Tyger, burning bright
In the forests of the night
Tigre, Tigre, brilho em brasa
Que a floresta à noite abrasa
Ele sorri sedutoramente. Sinto-me tonta e seu aperto frio em mim aperta. Eu tenho oito anos de novo, em pé na frente dos meus colegas e totalmente aterrorizada. Minha mente subconsciente está gritando para mim, como se de dentro de um sonho:
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?
Que olho eterno ou mão podia,
Traçar-te a fera simetria?
"Olá." Ele diz suavemente. Eu não posso acreditar que posso ouvi-lo claramente em todo esse barulho, mas eu posso. "Sua música foi primorosa. Qual é o seu nome?"
I what distant deeps or skies
Em que longe abismo, ou céus
Posso ouvir o traço de sotaque europeu, mas não é forte o suficiente para que eu estabeleça um país específico. Eu balanço minha cabeça em uma tentativa de limpar a tontura. Na minha visão periférica eu vejo o cabelo cor de bronze e eu levanto o meu pescoço, de repente focada novamente.
Burn the fire of thine eyes?
Arde o fogo dos olhos teus?
Porra. Por favor, seja Edward.
"Obrigada." Eu digo para o não-Edward, evitando ainda mais contato visual. "Eu acho que vi meu amigo, com licença".
Eu tento puxar-me de suas garras, mas eu recebo nada além de dor e a sensação que terei contusões amanhã de manhã.
On what wings dare he aspire?
Em que asas ousa ele ir?
Seu sorriso se alarga e seus olhos pretos brilham com malícia.
What the hand dare seize the fire?
Que mão ousa o fogo pegar?
Eu me sinto como se um pedaço de gelo está crescendo no meu estômago, mas eu fico irritada com ele –
And what shoulder and what art
E qual ombro e qual arte
- e, por algum motivo, eu silvo. Isso vem de dentro de mim. Isso é meio estranho, mas parece que o surpreende e ele solta meus braços por tempo suficiente para eu deslizar para a multidão para longe dele e para a entrada da frente. Eu sinto meu pescoço, meu pulso está correndo, o que foi isso –
Could twist the sinews of thy heart?
Pode os tendões do coração vergar-te?
Pego meu celular enquanto luto pelo meu caminho e ligo para Alice. Coloco o telefone no meu ouvido, mas o bar está tão alto que não posso nem ouvir se a ligação será atendida.
And when thy heart began to beat
E quando a bater teu coração se pôs
Então eu desligo e mando uma mensagem de texto, em vez disso:
No Keys, 911
Assim que a mensagem de texto vai, no entanto, sinto-me tola e espero não surtar Alice e Jasper. Eu apenas bati em um cara muito pegajoso, não há razão para chamar a cavalaria. Eu mando uma mensagem de texto novamente:
Não se preocupe, estou indo para casa. Fiquei assustada.
Mas eu ainda estou assustada e sinto que estou sendo seguida. Quanto a isto não há nenhuma evidência.
What dread hand and what dread feet?
Que atroz mão e que atrozes pés?
Estou procurando na multidão por Edward, mas ele não está em lugar nenhum. Eu não posso imaginá-lo em uma multidão deste tamanho, de qualquer maneira. Eu não posso acreditar que estou em uma multidão tão grande sozinha e acho que talvez seja por isso que estou tão ansiosa.
What the hammer?
Qual martelo?
O gelo no meu estômago começa a se espalhar através das minhas veias e meus ouvidos começam a tocar.
What the chain?
Qual a corrente?
Eu tomo longas e profundas respirações quando o pânico ameaça tirar-me meu último pedaço de razão.
In what furnace was thy brain?
Em que fornalha estava teu cérebro?
Meu cérebro parece como se estivesse em um forno. Estou seriamente perdendo-o. Se eu pudesse apenas sair daqui, eu ficarei bem. Os corpos estão pressionando todos ao meu redor, me empurrando e me cutucando, e eu só quero gritar, mas tenho que focar –
What the anvil? What dread grasp
Qual a bigorna? Que aperto atroz
Eu acho que avisto um flash de bronze novamente, mais perto da saída, e eu disparo nessa direção. É difícil fazer progressos porque os corpos estão perigosamente embalados e eu começo a esperar que os bombeiros cheguem. Eu sinto que vou vomitar.
Dare its deadly terrors clasp
Teu mortal terror prende?
Se eu apenas chegar a Edward, eu ficarei bem. Aproveito o meu pequeno tamanho para me espremer através de um grupo de músicos de jazz carregando seus estojos de instrumentos sobre suas cabeças.
When the stars threw down their spears,
Quando as estrelas lançam suas lanças,
E eu começo a sentir o ar fresco do exterior no meu rosto.
And water'd heaven with their tears,
E o céu molha com suas lágrimas,
Eu também sinto a umidade no meu rosto. Eu estou chorando?
Porém, sirenes de alarme ainda estão saindo de todo o meu corpo, e o ar fresco faz pouco para ajudar o meu pânico. Embora eu sempre odiasse multidões, eu nunca tive qualquer tipo de ataque de pânico sobre isso antes. Eu finalmente liberto-me das pessoas me tocando e começo a procurar um táxi, ou um policial. Por um segundo estou quase aliviada ao ver alguém vagamente familiar exatamente do lado de fora da entrada, até que eu percebo que é aquele cara europeu perfeito de quem eu acabei de me afastar. Ele está sorrindo para mim com a sua cabeça inclinada, como se estivesse se divertindo bastante.
Did He smile His work to see?
Ele sorriu ao ver Seu feito?
Eu não posso olhar em seus olhos, então para manter o foco eu começo a esfregar meus braços onde ele agarrou-me e procuro por Edward no fluxo de alunos andando para cima e para baixo pela Oak Street.
"EDWARD!" Eu grito em forma de ópera pela rua, querendo saber em que direção ele provavelmente foi.
Estou ignorando os olhos arregalados e percebo que não tenho idéia de onde Edward vive. Eu olho para o meu celular. Sem ligações, sem mensagens de texto.
"Quem é Edward, amor?" O cara europeu pergunta, fixando-se em uma caminhada lenta ao meu lado enquanto eu tento me afastar dele.
"Não é você, imbecil." Eu mordo de volta. "Deixe-me fodidamente sozinha".
"Venha agora, não tenha medo." Ele diz, alcançando-me com uma velocidade desumana enquanto a razão estilhaça em minha mente. "Vamos encontrar seu Edward juntos".
Ele agarra-me em um beco escuro e eu sinto um grito não derramado de lágrimas ameaçar destruir meus pulmões quando –
Eu não consigo ver nada, mas eu ouço um som sibilante e sinto um arrepio profundo como se a própria Morte se dobrasse em relação a mim.
Oh Deus, oh Deus, perdoe-me. Por favor, minha mãe, não - Charlie - por favor, não isso, por favor, não, por favor –
Did He who made the lamb make thee?
Quem fez o cordeiro também fez a ti?
"O que você disse, meu animal de estimação?" Ele diz, baixo e diretamente no meu ouvido. Ele parece confuso. Assim como eu. Eu disse essa última parte em voz alta?
"Eu acredito que ela disse para deixá-la fodidamente sozinha." Rosna a voz mais linda que já existiu.
A alegria explode dentro do meu medo e eu acho, sim - eu o vi. Ele me ouviu. Eu olho para cima e vejo estrelas. Eu olho de volta para baixo, e não vejo nada.
Eu só ouço e cheiro e sinto.
Assobios e doçura, rosnados e o cheiro de lixo. Espessa escuridão e confusão.
Eu sinto algo me jogar de volta contra a parede, com facilidade, como se eu pesasse tão pouco como um punhado de moedas de um centavo. Eu ouço um barulho, e depois nada mais.
Nota da Tradutora:
Uau, quantas coisas acontecendo em um só capítulo... um quase beijo, outro vampiro aparecendo (quem será?) e agora, pelo jeito, Bella desmaiada... o que será que vai acontecer?
Deixem reviews! E até a próxima segunda-feira.
Bjs,
Ju
