Nota da Autora: você deve ter percebido que a família Cullen não morava em Forks nos anos de colégio de Bella. De fato, para o propósito da história, a família não tem vivido perto de Forks desde os dias de Ephraim Black. Sem vampiros como vizinhos dos Quileutes, nós vemos uma situação muito diferente acontecendo na Reserva.


Músicas do capítulo (retirar os espaços):

* Gemma Hayes, Back of My Hand: http:/ www. youtube. com/ watch? v=mMh-Y2IWJZc

* Gian Carlo Menotti, Monica's Waltz da opera The Medium: http:/ www. youtube. com/ watch? v=fhFiIhDHu-M

* Ralph Vaughan Williams, Fantasia on a Theme by Thomas Tallis Pt.1: http:/ www. youtube. com/ watch? v=8c3XvNZ3ns4


Capítulo 8 – A Palma da Minha Mão

Tradução: Shampoo-chan

Felicia é o nome da minha colega de quarto oficial. Na realidade, ela mora com o namorado dela a poucas quadras daqui, no apartamento de um quarto dele. Fico, por isso, imensamente chocada de ver tanto ela quanto os pais dela passarem por mim enquanto eu carrego minha maleta e uma caixa enorme para minha picape. O único motivo para reconhecê-la é que o lado dela no quarto é decorado com fotos dela com os amigos do Ensino Médio.

Quase a desejo boas festas, mas tenho certeza de que ela nem me reconhece. Enquanto não tiver interesse em mentir para os pais dela, também não tenho interesse em pôr mais lenha na fogueira. É o mínimo que faço em troca de um quarto barato só para mim. O pai de Felicia me ajuda com a caixa quando eu tropeço tentando chegar à porta. Não preciso voltar lá, de qualquer maneira, e todas as minhas fotos estão nesta caixa. Os segredos de Felicia estão salvos por hora.

Segredos.

Embora eu nunca tenha sido de dar informações para pessoas de fora da minha pequena esfera social, nunca me senti particularmente enigmática. Até agora. Conheço o maior segredo de Felicia, mas não a conheço realmente além dessa complicada informação. Odeio mentir para as pessoas a menos que seja por um bom motivo para fazê-lo. O amor da vida de Felicia não é da minha conta, mas na verdade eu estava temendo o dia em que os pais dela aparecessem do nada para uma visita surpresa. Meu plano de fuga envolvia um súbito desejo de praticar e uma corrida ligeira até a Escola de Música.

Meu professor de voz, o famoso tenor Emil George, quer que eu guarde também alguns segredos. Primeiro, eu não devo falar para ninguém que estou me inscrevendo para estudar em Volterra, Itália, ano que vem. Não posso nem contar aos meus pais até que a família Volturi decida por me aceitar, ou não, no programa. Terei, ou não terei, eu mesma que contar a Charlie e Renée, mas é realmente muito estranho não poder. Alguma coisa simplesmente não está muito certa nessa história para mim. Dinheiro não é o problema; do jeito que o programa funciona, ou eu teria uma bolsa completa, ou eu não iria. Se eu não passar no programa, não falo para ninguém e, mesmo se eu passar, não posso nem proferir o nome Volturi. Apesar de tudo, eu adoro o professor George. Ele é, entretanto, enigmático a ponto de ser excêntrico.

Por exemplo, o jeito que ele me deu a minha última tarefa. Logo que acabei de cantar minha prova final em Voz Aplicada, o Dr. George se aproximou de mim como uma ave de rapina e agiu como se ele estivesse me entregando documentos altamente confidenciais, em vez de uma simples ária.

~oЖo~

"Um trabalho maravilhoso, minha querida, maravilhoso." Ele dizia efusivamente quando Edward e eu descemos do palco. "Você já foi longe em um único semestre. Tenho a impressão que colocar você com o pianista certo faria de você um mundo de coisas boas.

"Edward, você tocando estava perfeito, como sempre." Ele disse por cima do ombro, deixando-me de lado por um instante.

Ele entregou-me um envelope pardo do tamanho de uma carta em minhas mãos, e eu o abri. Continha folhas de música e dois CDs sem nome.

"Agora, Isabella, eu quero que aprenda esta ária durante o recesso. Que a tenha memorizada e na ponta da língua." Ele falou num tom severo. "Escute a ópera inteira pelo menos dez vezes e tente estudar o papel de Monica tanto quanto for possível. Um passarinho me contou que os graduandos farão o ensaio de The Medium semestre que vem, e ninguém é mais perfeita para isso que você. Eles quase nunca escalam calouros para o papel, mas você vai ter uma chance de lutar. Ah, e não diga nada aos seus amigos a respeito disso. Não há razão para dar a dica da competição".

"Posso pelo menos contar a Edward e a meus pais sobre isso?" Perguntei cautelosamente. Não tenho muitos amigos entre os cantores, exceto Ângela, que é meio-soprano, portanto não poderia competir comigo.

"Sim, claro, vá em frente e conte a Edward. Ele nunca fala com ninguém mesmo. Veja se consegue ensaiar com ele durante o recesso, se puder. Duvido que ele diga não, não com a forma que ele olha para você." Ele falou, observando.

Olhei-o atentamente, mas ele não parecia excessivamente diabólico. Não esfregava as mãos, ou piscava, numa conspiração. Dr. George sempre falava do quão competitivo o mundo da ópera é, e de como você tem que ter a psique voltada para si mesmo e para a competição, sem recorrer à maldade.

A verdade é que ele é um dos mais sinceros e educados professores que conheço, e um dos melhores músicos também. Não consigo realmente culpá-lo por ser tão competitivo. Se não fosse, ele não teria uma carreira de sucesso. Há alguma coisa na maneira dele que simplesmente não é algo que eu quero estimular. Certamente não o culpo por querer me ajudar, embora seja problemático pensar que ele está dando uma de investidor para alavancar minha carreira, e não posso culpá-lo por me colocar ao lado de Edward. Espero realmente que Edward nunca perceba isso, se era de fato a intenção original do Dr. George.

Edward ficou me esperando em um ponto impossível de ouvir a conversa, olhando suspeitamente o Dr. George durante a nossa conversa. Desejei ao professor boas festas e me juntei a ele.

"Você nunca adivinhará sobre o que era." Eu falei, balançando a cabeça.

"Claro que posso adivinhar." Ele falou presunçoso, com o que parecia – poderia ser? – um sorriso preguiçoso no rosto normalmente taciturno de Edward Cullen?

"Não, não pode." Insisti.

"Eu posso!" Ele protestou num tom divertido.

"Vá em frente então, figurão. Deixe-me surpresa." Desafiei, provocando-o.

"Se você insiste." Ele sorriu. "Ele acabou de entregar a Monica's Waltz para aprender durante os feriados porque os alunos de ópera estão ensaiando The Medium. Ele não quer que você conte a ninguém mais a respeito, a não ser a mim e talvez seus pais. Ele acha que você pode me persuadir a praticar com você durante o recesso".

Parei de andar, olhando para ele.

"Você consegue ler lábios?" Perguntei incrédula. "Isso é tão legal".

~oЖo~

Enquanto estava carregando minha picape e checando meus pneus, começo a pensar a respeito do meu maior segredo. Estou completamente louca pelo mal-humorado, leitor de lábios, caçador de veados do Edward Cullen. As únicas pessoas que sabem a extensão disso são Alice e Jasper, e eles descobriram por conta própria. Não acho sequer que Edward saiba exatamente como me sinto, embora nossa atração mútua seja difícil de perder, e meu presente de Natal tenha sido acertado. Estamos namorando? Se eu tiver que perguntar, a resposta é provavelmente não, certo? Ainda tinha todas aquelas mensagens confusas. A canção que ele escreveu para mim e nos encontraremos em Port Angeles em uma semana e dois dias. Isso é um encontro? Posso esperar e-mails, mensagens de texto, um telefonema? Será que devo mandar um e-mail para ele?

Liguei Bertha e coloquei meu iPod no "Genius". Alguém na Apple deve ser tão paranormal quanto superdotado porque imediatamente a música exata para o meu humor vem: Back of my Hand, de Gemma Hayes. Alice me emprestou um dos álbuns dela há algum tempo, perguntando se eu queria aprender uma das músicas de Hayes para tocar com ela no Keys numa noite. Não fiz isso ainda, mas decido que é hora de memorizar a canção, então a coloco para repetir. Estou na terceira repetição dela quando alcanço a Rodovia 16, e isso leva todo o caminho até Bremerton antes de sair da minha cabeça.

Em seguida, escuto a ária que me foi designada, uma estranha, mas muito bonita canção de Menotti sobre uma adolescente brincando de faz-de-conta com um garoto mudo. Continuo e escuto a ópera inteira porque só leva uma hora, e tenho pelo menos duas ainda para terminar a viagem. A ópera toda é sombria, triste, e minha ária é provavelmente a coisa mais feliz nela. É cheia de segredos e tragédia. Na hora que a ópera terminou, já estou na Rodovia Olympic, e chorando um pouco, mas não acho que é só por causa da música triste. Sinto como se todos esses segredos estivessem me mudando rápido demais, e preciso limpar minha mente. Eu queria poder limpá-la dos segredos dos outros. Eu mal consigo lidar com o meu.

Eu só quero voltar para casa e ser eu mesma novamente. Na última volta da viagem eu escuto Fantasia on a Theme by Thomas Tallis, composta por Ralph Vaughan Williams. Vejo menos e menos lágrimas enquanto choro, e mais e mais floresta enquanto continuo a dirigir, e começo a me sentir melhor. Aumento o volume e deixo a qualidade transcendente dessa música gloriosa lavar através de mim. Uma sensação vibrante de calma toma o lugar da minha breve tristeza. Eu sei quem eu sou, enquanto eu tiver isso.

Muito embora eu saiba que alguns dos meus segredos me seguirão.

~oЖo~

Quando finalmente entro na garagem, mal tenho tempo para um abraço carinhoso e desajeitado com Charlie antes de Billy e Jake entrarem na garagem atrás de mim. Não consigo deixar de pensar se eles tinham planejado aquilo. Os Black e os Swan interagem melhor juntos do que separados, desde a morte da mãe de Jake. Ele está um pouco mais alto do que era no final do verão, o que quer dizer não tão alto e não tão baixo para um cara da idade dele, mas ele ainda tem bochechas de bebê e nada de pêlo de barba. Ele me abraça, forte, até eu dizer finalmente "tio".

Charlie leva minha maleta e a caixa de papelão para dentro de casa e sobe para o meu quarto antes de eu poder sequer protestar. Vamos para a cozinha e checo o lamentável estado da despensa e da geladeira enquanto Charlie e Jake ficam perto de mim como ovelhinhas perdidas e confusas. Billy é o único com a presença de espírito de tentar educadamente conversar.

"Então, fale-me sobre essa escola de música, Bella." Ele diz, como sempre a cola social da nossa família por agregação.

Estou escrevendo a lista de supermercado enquanto conto a eles sobre minha primeira semana horrível na escola, sobre o professor George e meus novos amigos. Claro que omito certos detalhes, como minha concussão e todos os eventos que levaram a ela. As orelhas de Billy balançam quando eu menciono o último nome de Edward de passagem.

"Cullen?" Ele diz, franzindo a testa. "Qual é o primeiro nome dele mesmo?"

"Edward." Murmuro, escondendo minha cara no freezer enquanto tento achar alguma coisa além dos malditos peixes. Não comi peixe durante todo o semestre, mas minha aversão não diminuiu nem um pouco.

"Ele é parente de um Carlisle Cullen?" Ele pergunta em um tom sinistro.

"Carlisle?" Nunca ouvi Edward mencionar o nome dos familiares. "Não, nunca ouvi esse nome Carlisle. Conheço uma cidade chamada Carlisle, a algumas horas ao sul daqui, mas nunca ouvi realmente alguém ser chamado assim".

Billy fica em silêncio, mas troca olhares com Jake, que revira os olhos ofensivamente.

"Não revire seus olhos para mim, filho." Billy ralha em um tom sem disparate. "Isso é de interesse seu também".

"Okay, pai." Jake assente, captando a seriedade do tom de Billy.

"Ei, Jake, quer ir comigo ao mercado, ou ficar aqui e assistir ao jogo?" Pergunto, sabendo muito bem o que ele vai escolher.

~oЖo~

Enquanto passamos pelos corredores do supermercado, tento aparentar indiferença.

"O que foi aquele olhar entre você e o seu pai lá na cozinha?" Pergunto curiosamente, apertando um abacate.

"Só algumas velhas lendas que eu supostamente deveria conhecer e levar mais a sério se eu ficar no lugar do meu pai no conselho da tribo algum dia." Ele diz, pegando o mesmo abacate que eu tinha acabado de colocar de volta e apertando-o.

"Ah, é? Sobre um cara chamado Carlisle? Isso parece meio estranho." Murmuro distraidamente, não fazendo contato visual algum com Jake.

Ele odeia quando faço isso.

"Weird? Essa é a parte mais normal da história." Ele sussurra encenando, tentando chamar a minha atenção.

"Ah, sim? Qual é a parte estranha?" Eu olho direto para ele agora, para encorajá-lo a cuspir as palavras.

Não é muito justo da minha parte, mas sempre que eu, a filha do chefe de polícia, decido interrogar Jake, o filho do chefe Quileute, ele se fecha como um terno barato. Fico um pouco desapontada com ele, sério mesmo. Eu gostaria de tentar umas técnicas mais avançadas, mas muito do que funciona com um cachorro funciona com Jake também. Ele só quer atenção, afeto e ter uma barriga cheia, e ele vai contar tudo que alguém precisa saber.

"Okay, mas você não pode contar pra ninguém que eu falei pra você porque isso é para ser um grande segredo." Ele diz dramaticamente. Ele olha ao redor, mas não há nenhum Quileute por perto para ouvir. "Meu grande avô, Ephraim Black, aparentemente fez algum tipo de tratado com esse demônio imortal, um dos Frios, um homem chamado Carlisle Cullen".

"Frios?" Eu pergunto, esfregando meu braço direito distraidamente.

"Sim, vocês têm lendas a respeito deles também, só que chamam de vampiros. Eles supostamente são frios como gelo, com olhos vermelhos brilhantes e e pele dura como pedra".

"Isso não parece como vampiros." Argumento.

"Eles bebem o sangue das pessoas".

"Certo, agora sim isso parece coisa de vampiro." Começo a rir. "Então, por que Ephraim fez um trato com Carlisle Cullen?"

"Porque Carlisle e a família dele eram diferentes." Jake sussurrou, agora no modo completo de contador de histórias. "Ephraim e os outros descobriram o que eles eram porque estavam bebendo sangue de animais na floresta. Esse Carlisle o convenceu de que ele não queria machucar pessoas, então Ephraim e os outros anciões da tribo fizeram um trato, proibindo que os Cullen usem as terras da tribo, em troca de nosso silêncio com os caras-pálidas".

~oЖo~

Jake me ajuda a guardar tudo e eu coloco uma lasanha congelada tamanho família no forno. Vai ter comida de verdade só mais tarde, não esta noite, meus amores. Sinto-me um pouco mal por conta dessa preguiça, então abro um pacote de salada mista e jogo tudo sem cerimônia numa vasilha enorme com algumas nozes e frutas vermelhas. Agora sim. A harmonia é linda. Eu marco o tempo e depois me junto a Jake, cabeça com cabeça.

"Você ficou mais alto." Observo quando Jake caminha até a porta na minha frente.

Edward a teria segurado para mim, penso, e imediatamente me sinto culpada. Jake não é Edward e não é justo compará-los.

"Você notou! Estou com quase 1m82cm, ainda vou chegar lá".

"E quais são as outras novidades na reserva?" Pergunto.

"O filho de Sam e Leah Uley nasceu sexta-feira passada!" Ele diz sorrindo.

"Incrivelmente rápido, não é? O casamento deles foi em julho!" Eu rio. "Como eles estão, e qual nome eles deram?"

"Pois é, é prematuro com quatro quilos e 100 gramas." Ele dá um sorriso. "É um menino, e eles o nomearam de Harry Levi Uley".

"Harry eu entendo, mas Levi? É um nome estranho".

"Eles queriam um nome de cada lado da família." Jake explica. "O pai de Sam abandonou a mãe dele, mas ela sempre contava histórias sobre o avô dela, Levi, por isso eles escolheram por ela".

"Que legal! Tenho que convidá-los para jantar um dia – alguns cookies, com certeza, e talvez um prato de comida cozida, ou algo assim. Você sabe do que Leah gosta?"

"Ah, você sabe, ela realmente gosta daquele seu estrogonofe de carne. Venho pessoalmente ver se ela vai ter nesse dia." Ele diz esfregando sua barriga.

"Você sabe que vou preparar para você o seu estrogonofe favorito, Jake." Dou uma risada, cutucando a barriga dele enquanto caminhamos para o jardim. "Você não precisa roubar dos bebês e das novas mamães. Que tipo de monstro você é?"

"Um esfomeado." Ele reclama. "Com você longe é só comida de restaurante e peixe frito todo santo dia".

Vou até o balancinho que meu pai construiu para mim quando era criança e Jacob começa a me empurrar, não muito forte, do jeito que ele fazia quando éramos mais novos. Ele parecia querer dizer alguma coisa, então eu espero, cantarolando a canção de ninar que Edward fez para mim.

"Bonita música." Ele diz, depois faz uma pausa longa até continuar. "Caramba, Bella, você está tão... diferente agora. Você sempre foi quietinha, mas agora está toda misteriosa – chega a ser intocável. Você não é mais a mesma garota que beijei no verão passado." Ele fala suavemente.

Um barulho estrondoso ecoa por entre as árvores exatamente atrás da minha casa e nós dois olhamos naquela direção assustados.

"O que diabos foi isso?" Pergunto, uma mão ainda sobre meu coração batendo forte. "Parecia um trovão".

"Deve ter sido um galho quebrando aqui perto. Dá para ouvir algumas vezes." Ele fala indiferente. "E então, você está saindo com alguém? Vamos lá, há alguém, não há? Dá pra eu perceber".

"Sim." Admito baixinho e sinto meu rosto ficar quente.

"É aquele tal Cullen, aquele que toca com você, não é?"

"Sou tão óbvia assim?" Pergunto fingindo mal humor.

"Não, era um palpite, mas esse vermelhão na sua cara te entregou." Ele provoca com uma gargalhada infantil. "E como é, vocês estão namorando?"

"Acho que sim".

"Ugh, por favor, não me diz que vocês estão se agarrando por aí e nem sabem em que pé da situação estão, Bella." Ele diz com um carranca sombria. "Porque eu juro que dou uma surra nesse filho da mãe desprezível".

"Você está dopado, Jake? É de mim que estamos falando." Não obstante os pontos que ligam a situação, é isso, adicionei mentalmente. "Não, o problema é o oposto. Edward é um verdadeiro cavalheiro. Eu acho que ele gosta de mim, mas ele nunca me beijou".

"Ele é gay. Ele é muito gay." Jake assentiu, fazendo graça.

"Ele não é gay. Meu radar gay está funcionando bem, muito obrigada. Ele não estaria cheirando meu cabelo, compondo música para mim e olhando para a minha boca como ele faz se ele não quisesse me beijar. Ele até me contou que acha que, por algum motivo, ele não me merece. Eu tive que ter uma concussão para ele poder me tocar".

"As mãos dele são frias como gelo? Ele te deixou apavorada? Vai ver que ele é mesmo um daqueles Cullen." A voz de Jake muda para um falso tom sombrio e ele ergue as mãos como se fosse um zumbi e começa a imitar o Count Chocula*. "Vai ver – ele queeeer – sugar todo o – seu saaaaaangue, Isabella".

*Count Chocula:é uma marca de cereais baseada em monstros populares, criada pela indústria alimentícia General Mills e à venda até hoje. É famosa a frase He vants to drink your blaaaad" (He wants to drink you blood – ele quer beber o seu sangue) que o locutor fala no comercial, mudando depois para ele falando I vant to eat your cereal (quero comer seu cereal). Além do vampiro Count Chocula, há ainda o Franken Berry (Frankenstein) e o Boo Berry(Fantasma).

"Sim, imbecil, tenho certeza que sim. Claro que vampiros existem e estou saindo com um deles." Sibilei. "Típico mesmo de mim, adoro caras com uma identidade secreta".

"Olha só, meu povo descende de lobos." Ele deu um sorriso irônico, dentes cintilando sob o luar. "Isso significa que tenho chances com você se eu começar a uivar para a lua e dançar Thriller* com você?"

*Thriller: é ainda hoje o videoclipe mais famoso do astro Michael Jackson. Para entender o que Jacob fala, vejam o vídeo original (14 minutos): http:/ www. youtube. com/ watch? v=p_MuUcxHATo (retirar os espaços).

"Sim, Jake, depois e só depois disso você vai ter uma chance." Começo a rir, balançando a cabeça. "Sem caninos, sem amor. Desculpe, mas a natureza fez isso comigo".

"Como é?" Ele gritou com uma cara indignada. "Você quer caninos, vou te mostrar alguns, garotinha. É melhor você correr agora, Bella!"

Ele para suas mãos no ar como um lobisomem de filmes B e começa a uivar como um retardado.

"Oooh, estou assustadíssima!" Dou risada e salto do balanço, sentindo-me como uma criancinha de novo.

Disparo em direção às árvores, feliz por estar usando meu velho uniforme de inverno, jeans, camisa e moletom grosso com capuz. Eu conheço esse caminho como a palma da minha mão, mas isso não impede que eu tropece em uma raiz exposta bem antes de eu alcançar a velha árvore da "primeira base".

"Mas o que temos aqui?" Ele diz em um tom estúpido e irritantemente forte. "Você está retornando à época da Bella desajeitada que mudou pra cá há quatro anos, ou você apenas caiu de propósito para eu te pegar e te beijar de novo?"

Ele ergue suas sobrancelhas e fica de quatro, prendendo-me embaixo dele. Ele começa a fazer cócegas em mim, e então eu dou um soco no estômago dele. Enquanto ele está ofegante, chego à base e subo no galho mais baixo. Ele fica realmente engraçado quando faz uma carranca e não consigo deixar de rir.

"Só nos seus sonhos, lobinho. Tive beijos melhores da minha falecida avó".

"Isso está ficando nojento, Bella Swan." Ele diz, parecendo que acabou de chupar um limão. "Necrofilia não é para se brincar. Então você está me dizendo que você prefere beijar um vampiro, ou um cadáver, do que eu, é? Caramba, Bella, você me machucou! Talvez seu interesse não seja caras com identidades secretas, mas sim fazer isso com gente morta. Você precisa de um sério tratamento psiquiátrico".

"Seu tosco! Eu quis dizer quando ela estava viva, e não era nem um pouco sensual, seu pervertido. É só que você parece o irmão mais novo, Jake. Além disso, vampiros não são mortos. Eles são mortos-vivos. E mesmo se a sua lenda for verdadeira e Edward Cullen for mesmo um vampiro, então sim, eu ainda preferiria beijá-lo do que beijar você, ou qualquer outro".

"Isso é mesmo nojento, Bella. Você beijaria um monstro morto-vivo sugador de sangue?" Ele me olha como se estivéssemos tendo uma conversa muito séria.

Acho que de alguma forma estamos porque estou falando a verdade. Isso me deixou um pouco nervosa ao perceber.

"Hey, a lenda diz que eles caçam animais, não pessoas, certo?" Eu argumento, tentando manter o ambiente mitológico. "Não vejo como pode ser pior que fazer churrasco. Ele seria um vampiro bonzinho, não um malvado. Seria como Angel, em Buffy. O que há de errado nisso?"

"Provavelmente ele vai te transformar numa vampira também. Senão você vai ficar velha enquanto ele permanece o mesmo. Então ele trocaria você por uma escrava mais jovem, mais sensual e mais coordenada. De qualquer forma, Buffy e Angel nunca ficaram juntos, lembra? Ela começou a atazanar a vida daquele militar e depois do Spike. Amor verdadeiro mesmo".

"Não foi culpa deles! Foi uma maldição cigana que os separou. Mas isso não tem importância porque isso aqui é uma conversa incrivelmente estúpida. Embora eu queira muito viver no universo de Buffy, vampiros não existem. Jesus, devo estar como o inferno. Espero que isso aqui não seja hera venenosa." Eu falo, tirando as folhas do meu cabelo.

"Não é hera venenosa, garota deprimentemente ignorante." Jake sorri. Depois o seu sorriso desaparece e ele me olha como se sonhasse. "E você não está horrível. Você sempre está muito bonita".

Jake é tão teimoso. Ele não entendeu nada, afinal. Preciso que ele entenda direitinho, por isso fico séria também. Desço do galho e cruzo meus braços na frente do peito. Ele revira os olhos e os esconde colocando o braço dele na cara. Claro, esconda-se agora, bochecha de esquilo. Mesmo que ele seja mais alto que eu, ainda parece muito criança para mim.

"Olha, Jake." Falo suavemente. "Estamos brincando aqui, mas você precisa ouvir isso. Eu amo você como uma irmã ama um irmão. Sempre foi desse jeito para mim e vai ser sempre assim. Você me conhece, eu não mudo. Sou parecida com Charlie nesse sentido. Olhe essa casa! Você pensaria que a mamãe ainda mora aqui, e ela já foi embora há quase 16 anos".

"Mas você disse que esse tal Cullen ainda nem sequer beijou você." Ele argumenta. "Você não pode me falar que você sente como Charlie se sente com relação a Renée. Eles se casaram por causa de uma criança, pelo amor de Deus. Você não pode me dizer que isso é assim".

"Olha, Jake, eu não quero falar a respeito disso." Sinto como se tivesse falado demais e estivesse a ponto de falar ainda mais. Não estou pronta para ouvir, muito menos dizer.

"Porra, Bella, não chore." Ele sussurra rudemente, chegando mais perto. "Isso é trapaça. Não chore, porra. Merda, o que eu deveria fazer?"

"Cale a boca, eu não estou chorando!" Eu fungo, limpando as lágrimas das minhas bochechas.

"Okay, Bella, está tudo bem. Shhhh, tudo bem. Vou parar de ser um imbecil." Jake enrola os braços em mim e me abraça docemente, como um irmão. Ele me acalma desse jeito por um tempo.

"Ah, é? E como eu vou te reconhecer, então?" Provoco, tentando sorrir apesar do meu ataque emocional porque ele parece muito chateado.

Eu não tenho um lenço de papel, então eu fungo um pouco mais e tomo algumas respirações profundas. Se fosse qualquer um além de Jake eu ficaria envergonhada, mas ele sempre tem um jeito de me fazer sentir confortável. Pelo menos, quando ele não está tentando me beijar.

"Eu não quis dizer que deixaria de ser um imbecil para sempre, só até você parar de chorar." Ele diz, sorrindo para mim. "E se eu te encontrar perto de algum visgo*, vou te beijar e fazer você mudar de idéia".

*Tradição do Visgo: é uma tradição dos casais e familiares americanos, que diz que se o casal estiver sob o visgo na noite de Natal, deve se beijar! A tradição de beijar sob o ramo de visgo foi originada pelos Celtas. Este povo acreditava que o visgo era mágico com poderes de curar ferimentos e aumentar a fertilidade. Os celtas penduravam ramos de visgo nos telhados e batentes para afastar os maus espíritos e trazer sorte. Na Era Vitoriana, na época do Natal, os ingleses passaram a pendurar visgos nos batentes e se alguém fosse pego parado debaixo de um ramo de visgo, ele poderia ser beijado por qualquer pessoa que estive próximo, como uma forma de transgredir a rigidez moral desta época.

"Ugh, você é tão teimoso." Eu digo, livrando-me dos braços dele. "Se você tentar, eu vou de dar uma joelhada muito forte na virilha, estou avisando".

"Vai valer a pena!" Ele dá uma gargalhada. "OW!"

Escuto um resmungo irritante bem na hora que ele grita e vejo Jacob esfregando sua cabeça. Olhamos para cima e ao redor e não vemos nada fora do normal.

"O que houve, um esquilo voador acertou você?" Pergunto, inspecionando seu couro cabeludo à procura de ferimentos. Ele tem muito cabelo e uma cabeça super dura. "Não estou vendo sangue. Teria que ser algo muito forte para quebrar isso aqui".

"Não pode ser, eles são noturnos." Ele diz, estremecendo. "Alguma coisa deve ter caído da árvore de uma altura muito grande, como uma pinha. Está doendo pra porra".

"Ôôô... vamos, pobre bebê lobinho. Vamos lá para dentro, onde as árvores malvadas não vão te machucar. Vou preparar um chocolate quente para você".

"Você é muito má, Bella. Muito má".

"Com marshmallows".

"Agora melhorou".

~oЖo~

Deitada na minha velha cama, tento dormir, mas não consigo, então coloco a canção de ninar de Edward para tocar e preencher todo o quarto com música. Eu me enrolo num cobertor e sento na beirada da minha janela. Fico olhando a lua e os arcos dela no céu. Imagino se ele está olhando também e me inclino mais para ver o maior número de estrelas que puder. O ar está frio, e isso me faz lembrar as mãos gentis de Edwards na minha cabeça.

A canção de ninar se repete e eu pego meu lugar na cadeira de balanço para escutá-la. Não me lembro de adormecer.

Em algum momento da noite eu devo ter levantado porque na manhã seguinte eu acordo aquecida e confortável, cuidadosamente instalada na cama.


Nota da Tradutora:

Olá a todos :)

Aqui é a Shampoo-chan, e eu vou ajudar a Ju na tradução de alguns capítulos :)

Espero que gostem do capítulo... eu adorei Bella e Jacob juntos como amiguinhos (hmm... sei) imersos num ambiente meio Jardim Secreto, correndo e brincando por entre as árvores. Queria só ver mesmo o Jacob dançando Thriller ("So let me hold you tight...") com a Bella se alguém estiver por perto... hahaha.

E pra quem quiser ler outro trabalho da philadelphic, eu traduzi recentemente um one-shot chamado You don't know me – em português ficou Você não me conhece e pode ser encontrado aqui: www . fanfiction . net/s/6642496/1/Voce_nao_me_conhece (retirar os espaços)

Até a próxima! :D


Nota da Ju:

Pessoal, como vc´s viram, agora tenho uma parceira para traduzir essa fic, ela apareceu em muito boa hora para me ajudar...

Eu tenho notado que pouquíssimas pessoas deixam reviews, apesar de 8 pessoas terem essa fic em alerta e 20 nos seus favoritos. A maioria das pessoas que comenta, no entanto, nem tem essa fic em alerta e nem tem conta aqui no ff. Tem inúmeras pessoas que eu vejo sempre adicionando as fics e nunca comentam.

Acho que não custa nada vc´s perderem 2 minutos do seu tempo para deixar uma review, levando em consideração que nós levamos HORAS para traduzir um cap.! Isso aqui é uma troca, pessoal! Nós abrimos mão do nosso tempo livre para traduzir e o mínimo que esperamos é uma resposta de vc´s. Todas nós temos nossas vidas, trabalho e conseguimos arrumar tempo pra traduzir pra vc´s! Então, por favor, mexam seus dedos e deixem uma review! Podem ficar tranqüilas que não vai cair e vc´s não vão perder mais do que 2 minutos com isso!

Desculpas àquelas que sempre deixam reviews, essa "bronca" é para as leitoras que nunca comentam...

Bjs,

Ju