Músicas do capítulo (retirar os espaços):
Todas altamente recomendadas para o máximo prazer e a compreensão deste capítulo. Essas músicas explicarão muito mais do que as palavras isoladamente:
* Nina Simone, I Put a Spell on You: http:/ www. youtube. com/ watch? v=8Y99tXNxV5s
* Lauridsen, O magnum mysterium: http:/ www. youtube. com/ watch? v=cHOtfLvrjI8
* Heitor Villa-Lobos, Bachiana Brasileira nº 5, cantada por Bidu Sayão: http:/ www. youtube. com/ watch? v=bLZD0XplYrI
* Manu Delago, Hung Drum Solo: http:/ www. youtube. com/ watch? v=TQXn5ba0aT8
* Eisley, Marvelous Things: http:/ www. youtube. com/ watch? v=Lci0pnWk7nM
Capítulo 9 – Eu coloquei um feitiço em você
É manhã de Natal e eu estou com um pouco de medo de deixar a minha cama. Por mais estranho que pareça, este é o primeiro Natal que me lembro de passar com Charlie, e eu não tenho idéia de como nós dois devemos fazer as coisas de festa, ou o que ele espera de mim. Eu daria meu braço direito para Renée, Jake, ou Alice, estarem aqui. Eu só estou criando coragem para me levantar e enfrentar a estranheza quando o telefone toca. Eu olho para o identificador de chamadas e sorrio.
"Feliz Natal, mãe!"
"Feliz Natal, Baby!" Renée grita. Eu posso ouvir a música estranha de festa no fundo, tambores melódicos de algum tipo, e o som de pessoas festejando. Ela está três horas à frente, por isso tem que ser logo depois do meio-dia em Jacksonville. Isso não soa como Jacksonville. Isso soa como um comercial de fim de noite com horríveis vídeos temáticos de férias de primavera.
"Onde você está, Renée?" Eu pergunto, me preparando.
"Cancun, baby! Sim!" Eu posso ouvir o sorriso em sua voz enquanto um coro de jovens vozes masculinas ecoa nas proximidades quando ela responde. "Ah, eu queria que você estivesse aqui! Há tanta coisa acontecendo; você não acreditaria! Concertos e vôlei de praia, luzes de Natal em todos os lugares, mas ainda está quente o suficiente para vestir um biquíni. Ah, e, por alguma razão, há muitos grupos de câmeras na praia - um deles está tentando chamar a minha atenção agora. Vou esperar até terminarmos de conversar para saber o que eles querem".
"Renée!" Eu começo a entrar em pânico. "Mãe, por favor, por favor, só me prometa que, se alguém chegar até você com uma câmera que você não vai tirar a sua blusa?"
"Vamos, Bella, eu só estou brincando com você." Ela ri deliciada. "Phil tem estado colado ao meu lado desde que alguém me ofereceu uma camiseta 'MILF* Quente' na piscina ontem. Estou agradavelmente surpresa ao descobrir que você assistiu TV o suficiente para saber sobre essas coisas. Agora conte-me sobre esse delicioso jovem Edward. Você já teve êxito com ele?"
*MILF: é um acrônimo para "Mother I'd Like to Fuck", em português, "Mãe Que eu Gostaria de Foder", é um termo comum coloquial encarado geralmente como vulgar quando explicitado. Ele denota uma mãe sexualmente atraente, geralmente entre 30 e 50 anos de idade.
"Tive o quê?" Estou profundamente arrependida de ter enviado a foto de nós dois juntos no show da mistura. "Você já viu a foto? Eu apenas a enviei na noite passada".
"Sim, está no meu telefone. Bella, querida, ele é adorável. Esse garoto está dando a você o olhar, se eu alguma vez já o vi. Você ainda parece como uma virgem." Ela diz em um tom incompreensivelmente acusatório.
Eu levo tudo de volta - eu definitivamente preferiria enfrentar Charlie neste momento.
"Oh Deus." Eu gemo. "Eu deveria ir, Renée. Talvez eu devesse fazer panquecas se Charlie ainda não fez".
"O quê? Isso não soa como ele." Ela diz com ceticismo. "Charlie provavelmente está acordado há horas até agora. Espere, vocês dois não estão se escondendo um do outro, não é?"
"Pode haver alguma ligeira estranheza acontecendo aqui, sim." Eu admito a contragosto.
"Querida, ele ama você. Basta levar o seu presente para ele, colocá-lo em seu prato enquanto você cozinha o café da manhã e dar a ele um grande abraço quando você vê-lo. É fácil. Bem, seria mais fácil se vocês não fossem tão exatamente iguais".
"Eu sei. Há quanto tempo você está no México? Você pegou o pacote?"
"O vizinho disse-me que um chegou, obrigada, querida. Oh, hey, isso me lembra. Enviei o seu presente para Charlie, mas não abra o maior na frente dele, ok?"
"O que você fez?" Eu suspiro.
"Não é nada mau, apenas uma camisola bonita. Edward vai adorar".
"Jesus".
"Essa é a idéia. Você tenha um bom Natal e diga um oi para o seu pai por mim, ok? Eu te amo, baby".
"Eu também te amo, mãe. Dê o meu amor a Phil, ok?"
Eu sentia falta de Charlie. Sentir falta dele é uma sensação estranha, mas só um pouco estranha do que estar na sua presença pode ser às vezes. Charlie e eu somos tão parecidos e tão profundamente privados, que muitas vezes sua presença parece toda ressonante, reconfortante e redundante. Podemos sempre responder à leveza dos outros, mas deixados à nossa própria sorte, nos tornamos muito sérios, a nossa seriedade combinada ameaçando afundar-nos sob um oceano de silêncio. Somos duas cidadelas, separadas por uma única escada.
É reconfortante e confuso ao mesmo tempo. Muitas vezes eu sinto um inchaço de afeto por ele, particularmente durante reuniões, ou ocasiões especiais, só para entrar em pânico sem saber o que fazer com esses excessos de emoção. Eu sempre olho nos olhos dele e vejo meus próprios sentimentos espelhados lá, seguidos pelo alívio e silêncio sociável. Nós cuidamos um do outro à nossa própria maneira. Para ele, é a corrente nos pneus da minha picape em um dia de neve. Para mim, é cozinhar-lhe as refeições saudáveis para o coração que ele realmente gosta. É a nossa maneira de dizer o que se pareceria muito dramático, muito embaraçoso dizer em voz alta.
Eu pego os presentes da minha mala e desço para tomar o conselho de Renée.
~oЖo~
Aproximando-me das janelas de vidro na livraria de paredes verdes Odyssey, em Port Angeles, alguns dias depois, eu verifico o meu reflexo uma última vez. É só uma semana desde que vi Edward, mas, por alguma razão, eu me sinto nervosa com a minha aparência. Eu acho que talvez uma semana nos meus caminhos de moleca poderia ter apagado o que Edward pode ter visto em mim. É difícil imaginar que qualquer recurso que eu poderia ter para ele seria frágil, fugaz. Penso na canção de ninar que ele escreveu para mim, e tremo. Ele poderia ter escrito a canção para outra pessoa, mas a registrou como um presente?
Eu o vejo do outro lado da loja, sentado em um banquinho na frente dos clássicos. Ele está equilibrando uma capa dura usada em uma mão e ele está virando as páginas em intervalos de ritmo acelerado. Ele está girando rápido demais para estar realmente lendo, então eu assumo que ele está procurando uma passagem familiar. Ele não me viu ainda, então eu tomo um raro momento para olhar para ele.
O rosto de finos ossos de Edward é atraído para uma tensa expressão familiar. Uma ligeira careta puxa seus lábios e suas sobrancelhas expressivas indicam tanto concentração, ou desaprovação, com alguma coisa. Eu costumava ver este olhar em seu rosto todo o tempo, mas ultimamente ele está parecendo menos austero. Isso me faz pensar o que ele está lendo.
Uma rajada de ar quente de um aquecedor atinge a parte de trás do meu pescoço e eu removo o meu casaco, ainda olhando. Edward inala sensualmente, como se estivesse saboreando um perfume sedutor, ou um cozido deliciosamente bom. Eu me pergunto se ele ama o cheiro dos livros tanto quanto eu. Isto é quando ele vira a cabeça e varre a multidão. Não querendo ser pega olhando, eu começo a andar em direção a ele exatamente antes que ele me veja. Seu rosto ilumina-se mais brilhante do que qualquer árvore de Natal que eu já vi e eu não posso deixar de sorrir de volta, espantada.
Para mim. Seu rosto se ilumina para mim.
"Você está esperando há muito tempo?" Pergunto quando nos aproximamos um do outro.
"Apenas cerca de cem anos." Ele brinca e eu olho para o meu celular para ver a hora, alarmada ao pensar que eu poderia ter ficado observando-o com admiração mais do que eu pensava.
"Relaxe, Bella. Estou brincando. Eu não estive por muito tempo aqui".
"Marcus Aurelius parece dizer o contrário." Eu aceno para o livro em sua mão, finalmente capaz de ler a capa. "Um dos preferidos do meu pai".
"Nenhum dos seus?" Ele pergunta, curioso.
"Eu gosto muito dele." Eu insisto. "Há muita lógica reconfortante lá. Eu particularmente gosto quando ele me lembra que é irracional esperar que os outros se comportem racionalmente. Meu pai tende a lê-lo sempre que o seu trabalho fica mais escuro do que chato".
"Eu imagino que ser o Xerife de uma pequena cidade seria em grande parte chato." Ele diz, enfiando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
Minha respiração engata, não só pela ação íntima. Mentalmente estou juntando sobre os detalhes de todas as conversas que já tivemos. Não me lembro de nunca mencionar a profissão de Charlie. Decidi deixar isso passar e silenciosamente adiciono à pilha crescente de peças faltando.
"Bem, seu trabalho lida muito com infrações de trânsito e as ocasionais brincadeira dando errado, mas de vez em quando alguém encontra um corpo na floresta, ou alguém leva um tiro. Ele não diz muito, mas quando as Meditações vêm, eu sei que algo o está incomodando".
"Acho que ele não é religioso, então?"
"É meio difícil de falar com Charlie. Ele é quase impossível de ler." Eu começo, e percebo Edward arquear uma sobrancelha. "O quê?"
"Assim como sua filha, eu entendo." Ele está me dando aquele olhar focado de novo, como se estivesse tentando ler a minha mente.
Eu gostaria que ele não fizesse isso. Isso faz meu coração vibrar e meus joelhos tremerem, para não mencionar as mudanças bruscas no fluxo sanguíneo.
"Eu? Você está brincando? Eu venderia a minha alma para nunca mais corar de novo." Eu digo, cobrindo minhas bochechas quando elas ficam vermelhas.
O sorriso de Edward cai e seus olhos suavizam quando ele pega minhas mãos no meu rosto, virando uma de forma que um dos nós dos seus dedos frios mal toca a inclinação da minha bochecha.
"Não diga isso, Bella." Ele murmura. "Eu adoro o jeito que você cora".
Aparentemente, o meu rubor o adora de volta porque a minha pele onde ele a tocou se torna uma trilha ardente. Eu esqueço todos os idiomas além do doce hálito frio de Edward no meu rosto em chamas até que sua voz interrompe.
"Você disse que queria olhar para algum novo material de leitura?" Ele pergunta, franzindo a testa novamente enquanto recoloca o Marcus Aurelius na estante atrás dele.
Eu tenho que agarrar nas prateleiras para não cair enquanto ele olha ao redor da loja. Tento esconder minha humilhação enquanto faço minha respiração se acalmar. Ele pode se iluminar por mim, mas eu sou claramente a mais seduzida do que sedutora nesta relação.
"Sim, mas o vendedor de livros que normalmente me dá as melhores recomendações não está trabalhando hoje." Eu digo com tristeza.
"Eu acho que tenho uma noção do seu gosto." Ele diz com um sorriso. "Deixe-me escolher algo para você?"
"Coloque um em mim." Eu digo sem pensar.
Seus olhos se arregalaram ligeiramente e o sorriso se desloca de atrevido para algo que me deixa muito nervosa.
"Qual é o seu livro favorito?" Pergunto a ele, cobrindo meu caminho.
Isso parece distraí-lo por um momento, mas eventualmente ele balança a cabeça.
"Resposta impossível. Seria difícil escolher um autor ou gênero favorito alguma vez".
"Eu acho que faz sentido se eu pensar nisso. Quais dos seus favoritos você acha que eu gostaria de ler?"
"Você realmente gostou de Bulgakov, certo?" Ele pergunta.
"Ah, sim! Eu não acho que já li nada parecido. Devo ler mais dele?" Eu pergunto quando nos aproximamos do início do alfabeto na seção de literatura de ficção.
"O que é isso?" Ele pergunta, puxando um livro grosso preto e azul.
"Ângela mencionou que eu deveria ler Borges se eu gostei de Bulgakov. Coleção de Ficções? Por que não 'Contos'?" Pergunto, mais para o livro do que para Edward.
Ele desapareceu em algum lugar, então eu começo a folhear e a ler um aleatoriamente. É só meia página, mas é uma das coisas mais incríveis que eu já li.
"Eu amo isso." Respiro animadamente quando Edward reaparece com uma pequena sacola com o nome da livraria.
"Estou feliz em ouvir isso." Ele sorri, olhando para a cópia idêntica que ele acabou de comprar. "Eu acrescentaria isso à minha coleção se você não quiser, mas eu realmente quero que você o tenha".
"O quê? Edward, não." Eu protesto. "Eu não quis dizer para você comprar-me qualquer coisa".
Seu sorriso se desvanece.
"Você não quer que eu compre nada para você?" Ele diz, parecendo um pouco ferido.
"Eu não comprei nada para você!" Eu confesso, afobada. "Eu não estou muito confortável aceitando presentes quando eu não tenho nada para dar em troca. Você vai me deixar pagar pelos ingressos do cinema, pelo menos?"
Ele parece um pouco tranqüilizado, mas fica com um brilho teimoso em seus olhos.
"Que tal isto: você pega o livro, lê, marca como quiser e ele mora com você, mas me reservo o direito de visitá-lo sempre que eu quiser".
"Isso parece... justo." Murmuro estupidamente, tentando não pensar sobre as implicações envolvidas com Edward me visitar a qualquer hora que ele quiser. "Feito. Mas eu ainda quero pagar pelo filme".
"Você é teimosa." Edward observa, desaprovadoramente.
Ele enfia o livro no grande bolso do meu casaco, tomando o tempo para fixá-lo com um estalo. Eu rio e seguro minha mão direita para o alto como se nós estivéssemos nos encontrando pela primeira vez.
"Você me encontrou?" Eu provoco quando ele pega a minha mão na sua e olha para ela. "Embora eu tenha certeza que você poderia me dar uma corrida para o meu dinheiro nessa frente".
Ele traz suas mãos juntas, envolvendo completamente a minha. Ele parece hipnotizado pela visão do meu braço desaparecendo em suas mãos no que parece como se todo o mundo estivesse em posição de oração.
"Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas." Ele sussurra tão baixinho que eu mal o ouço.
Se continuar assim, eu vou desmaiar até o final do encontro. Ninguém nunca disse nada remotamente parecido com isso para mim.
"Isso é de um poema?" Pergunto fracamente, tentando abster-me de me envergonhar neste momento.
A questão o tira do seu devaneio e ele solta minha mão com um sorriso triste.
"Sim. Posso recitá-lo para você mais tarde, se você quiser." Ele franze a testa um pouco, como se lamentando imediatamente fazer a oferta.
"Eu gostaria disso. Eu amo o jeito que você lê em voz alta." Eu digo, pensando na sala de espera do hospital.
Eu caminharia durante cinco dias pelo deserto para ouvi-lo ler as letras miúdas de advertência em bulas de remédios.
"Eu esqueci de perguntar como estão indo as suas férias." Ele pergunta, mudando de assunto. "Você está tendo um bom tempo com sua família e... velhos amigos?"
"Claro, eu acho. Apenas a família, na verdade." Eu respondo, um pouco confusa com a mudança brusca na conversa.
"Oh? Nada de correr para qualquer ex-namorados?" Ele pressiona, olhando para uma tela de calendários vintage, como se ele gostaria que isso explodisse.
Ele parece... seriamente com ciúmes. Eu não posso acreditar em meus olhos, mas sua expressão é clara.
"Ex-namorados?" Eu rio um pouco mais alto do que o esperado, surpresa com a pergunta.
Edward não está divertido.
"Sim, você sabe, velhos namorados, meninos que você costumava namorar nos tempos de escola, ou talvez, ao longo dos verões." Ele olha nervosamente para mim.
"Lamento informar que o triste estado do meu histórico de namoros é praticamente inexistente." Dou de ombros.
"Praticamente?" Ele parece um pouco aliviado, mas não totalmente. "O que há de errado com os meninos na sua escola? Por que eles não te convidaram para sair?"
"Eu fui convidada para os bailes algumas vezes." Dou de ombros. "Mas eu não danço. Oh! Eu fui ao baile no meu primeiro ano. Isso foi realmente estranho".
"Estranho?"
"Sim, eu fui com esse cara, Tyler Crowley. Garoto legal, de verdade, mas o tipo ilusório. Eu acho que ele só me convidou porque ele se sentia culpado por bater em mim com sua van".
"Desculpe, o que você disse?" O tom de Edward é calmo, mas me dá calafrios, no entanto.
"Eu não fiquei realmente machucada." Eu digo rapidamente. "Eu tinha acabado de afivelar meu cinto de segurança quando sua van atingiu um pedaço de gelo e ele bateu em Bertha, minha picape velha de guerra. Tyler ficou muito mais ferido do que eu, mas ele estava tão apavorado com a possibilidade do meu pai tirar sua carteira de motorista que ele importunou-me para ir com ele. Eu disse a ele que não podia ir a um baile com ele, e eu lembro vagamente dele dizendo algo sobre ainda ter baile".
"E ele simplesmente assumiu que você iria ao baile com ele?" Ele pergunta, sorrindo.
"Sim, e a melhor parte sobre isso foi que ele nem sequer mencionou novamente!" Eu ri, lembrando-me vivamente. "Eu só estava fazendo o jantar para Charlie uma noite quando há uma batida na porta e Tyler parado lá em um grande sorriso e um smoking".
Edward racha de rir junto comigo e ocorre-me que esta é a primeira vez que eu já o vi realmente rindo. Eu o vi com muitos sorrisos irônicos e os ocasionais risos tranqüilos e privados, mas essa expressão de diversão audível e com vontade é uma coisa nova. Eu me sinto como me dando uma medalha.
"Então, o que você fez?" Ele pergunta curiosamente, ainda sorrindo.
"O que eu poderia fazer? Subi, cavei o meu vestido mais bonito do meu armário, passei alguma base e fui com ele".
"E ele pediu para você sair com ele de novo?" Ele diz, parecendo com ciúme de novo. Eu sei que eu não gostaria disso, mas vindo dele é meio quente.
"Eu esqueci de mencionar que quando eu finalmente desci as escadas de ficar pronta, meu pai estava limpando todas as suas armas e Tyler parecia que desmaiaria. Eu não sei se alguma vez alguém disse a ele que tentar beijar a bunda do chefe de polícia para namorar sua filha não era o movimento mais brilhante que ele poderia fazer. Ele foi um cavalheiro completo naquela noite, mas ele nunca me perguntou de novo, não".
"Eu realmente não posso ver você namorando alguém tão estúpido".
"Tyler era doce, mas, para ser completamente honesta, nem eu posso." Eu confesso. "Portanto, nada de namoro até a faculdade. Acho que meu pai está extremamente satisfeito com isso. Minha mãe, por outro lado, me envia lingeries embaraçosas e artigos ainda mais embaraçosos cortados da Cosmo".
"Ela manda?" As sobrancelhas grossas de Edward atiram para cima de surpresa. "Eu realmente não sei nada sobre ela".
"Ela manda." Eu murmuro. "Renée - essa é a minha mãe - mora em Jacksonville com seu marido, Phil. Ela é uma espécie de espírito livre. Ele é um jogador de baseball da segunda divisão. Eles estão, uhm, em Cancun agora".
"Então, você disse que tem visto na maior parte sua família." Ele continua. "Se sua mãe está no México, quem mais está lá em Forks além de Charlie?"
"Bem, eles tecnicamente não são parentes de sangue, mas o melhor amigo do meu pai, Billy Black, e seu filho, Jacob, são como da família".
"Hmm." Ele diz, estreitando os olhos.
Ele parece que realmente quer dizer alguma coisa, mas está hesitante. Aproveito a oportunidade para começar uma pergunta dentro da minha própria.
"Nós temos falado um pouco sobre a minha família." Eu interrompo o seu monólogo interno. "Você deve sentir falta da sua".
Estou provavelmente arruinando algum pensamento muito eloqüente, mas pensando em Jake, lembrei-me de algo.
"Conte-me sobre a sua família. Você disse que existem quatro além de você?"
"Eu acho que estamos perdendo o filme." Edward diz, olhando para o relógio. "Você quer pegar o próximo?"
Eu estreito meus olhos para ele. Ele acha que é tão liso, e eu acho que ele realmente é, mas estou começando a pegar suas pequenas formas sorrateiras. Eu não sei se ele está evitando falar sobre seus pais, ou se ele só me enganou para nos pagar o cinema, ou ambos. Eu dou-lhe um olhar para dizer que estou nele antes de olhar para fora. O sol muito bonito já morreu agora, mas o céu está claro e um belo tom de azul profundo se transformando quase em roxo.
"Nós perdemos o pôr do sol, mas eu prefiro caminhar ao longo da beira-mar e observar as estrelas saindo. Você se importaria?"
~oЖo~
Caminhamos alguns quarteirões até o cais, parando apenas para colocar os nossos livros em nossos carros. O ar está muito frio e eu abotôo meu casaco ao redor do meu pescoço.
"Você está quente o suficiente?" Edward pergunta, parecendo preocupado.
Ele começa a tirar o seu casaco, então eu o impeço.
"Estou bem." Eu digo, sorrindo para o seu cavalheirismo. "Mas, obrigada, Edward".
Eu o pego sorrindo quando digo seu nome.
"Você conseguiu o que quer que fosse para impedi-lo de visitar seus pais preocupados?" Eu pergunto com curiosidade.
"Tão longe, tão bom." Ele sorri de volta, como se estivesse desfrutando de uma piada particular.
"Conte-me sobre a sua família." Eu pergunto novamente. "Quando eles foram para a França?"
"Cerca de quatro anos atrás." Ele diz, franzindo a testa. "Eu estudei piano em um conservatório em Paris, enquanto minha mãe estudava arte. Ela sempre sonhou em aprender diferentes técnicas de pintura. Meu pai, eu disse a você sobre ele. Ele é um cirurgião e teve um convite especial para ensinar algumas técnicas cirúrgicas inovadoras na Universidade de Paris Descartes".
"E seu irmão?" Eu pergunto, deslizando as mãos nos bolsos do meu casaco.
"Emmett?" Ele sorri amplamente. "Emmett é muito para qualquer coisa, contanto que ele tenha Rosalie. Ela ama a França. Ela foi realmente a mentora para o deslocamento da família. Assim que ela ouviu falar sobre o convite do meu pai ensinar em Paris, não demorou muito tempo para ela convencer Esme - minha mãe - para seguir seu sonho de estudar arte nas margens do Sena".
"Então, vocês foram arrastados?" Eu pergunto, pensando em como são estranhos os nomes da sua família.
"Sim, mas eu não me importei muito. Você já foi, ou você era simplesmente boa em francês na escola?" Ele pergunta curiosamente, à medida que caminhamos para leste.
Eu localizo um planeta brilhante e uma fraca estrela acima da água. Eu fecho meus olhos e faço um pedido.
"Eu só fui para um intercâmbio de verão." Eu digo, sorrindo com a lembrança. "Começamos em Paris e tomei algumas aulas com um bando de garotos de todo o mundo. Depois fui para Montpellier com a minha família de acolhimento. Eles tinham uma garota da minha idade e nós tentamos sair. Nós realmente não tínhamos muito em comum. Ela não gostava de ler e eu não me importo tanto assim com moda".
"Você sempre parece que se veste bem para mim." Ele disse, apesar de eu perceber um pequeno brilho travesso em seus olhos.
"Obrigada, mas eu realmente não posso levar o crédito. Certamente você sabe sobre as regras do Dr. George?" Eu pergunto, e ele concorda. "Eu realmente não me importo sobre moda, mas eu sei do que eu gosto. Alice conhece um par de excelentes brechós e tem o dom de escolher as coisas que ficam bem em mim. Eu realmente não gasto mais tempo nisso do que o absolutamente necessário. Se dependesse de mim, você provavelmente só me veria de jeans e casacos com capuz".
"Alice vestiu você esta manhã?" Ele diz, sorrindo para a bainha da minha saia esvoaçante e brilhante marrom, botas de salto médio.
Sim. Definitivamente eu não estou contando a ele sobre a minha teleconferência em pânico desta manhã.
A calçada curva com a borda da água e logo chegamos a um bosque arborizado. Por força do hábito, eu espreito para a floresta. Enquanto caminhamos, eu observo que os pássaros voam para longe de nós em todas as direções, deixando para trás um silêncio assustador. Eu não estou prestando atenção para onde estou andando e tropeço no que eu realmente espero que seja uma parte irregular da calçada. Minhas mãos estão entaladas muito profundamente em meus bolsos para efetivamente me abraçar contra o impacto e, num piscar de olhos, eu vejo o chão aparecer para encontrar meu rosto. Eu tenho apenas o menor momento de esperança de que eu não precise de pontos desta vez quando sinto braços fortes em torno de mim e todo o processo se reverte.
"Obrigada." Eu me encolho, envergonhada. "Você acreditaria se eu lhe dissesse que sou muito mais graciosa do que eu costumava ser?"
"Eu tomarei sua palavra para isso." Ele brinca, não me deixando ir por apenas mais alguns momentos que o necessário. Ele se inclina para perto antes de olhar para longe. "Este parece um bom lugar para parar e olhar as estrelas".
Paramos em uma faixa gramada entre a calçada e a água. Ele tira seu casaco de lã grossa e espalha no chão. Ele senta e eu me deito ao lado dele para olhar para o céu.
"Eu amo o som da água contra as rochas." Eu murmuro, mas ele não diz nada. Ele está apenas olhando para mim e isso está me deixando nervosa. "Hey, Edward, você está olhando na direção errada. As estrelas estão lá em cima." Eu aponto.
Ele apenas sorri para mim e continua olhando. Isso está ficando irritante. Simplesmente beije-me se você vai fazer isso. A distância entre nós parece insuportável.
"Deite-se ao meu lado." Eu digo, puxando a manga da blusa dele. "Você está me deixando nervosa".
"Mandona, não estamos?" Ele sorri. "Faça-me".
Eu suspiro e dou uma cotovelada debaixo do seu braço. A qualquer momento que dou uma cotovelada em Jake nesse local, ele grita de uma forma totalmente divertida, sua voz estridente. Edward só revira os olhos e delicadamente prende minha mão cutucando na sua. Não vejo razão para voltar para baixo ainda, e logo ele tem a minha outra mão também. Para um espectador isso provavelmente pareceria como se estivéssemos simplesmente nos acariciando docemente, mas eu estou completamente presa.
"Você já desistiu?" Ele sorri maliciosamente.
Eu tremo ao ver seus dentes e os olhos brilhantes, mas também estou estranhamente excitada. Eu sei que ele não me machucaria.
"Você é mais forte do que parece." Admito, sem tecnicamente admitir a derrota.
"Um fato para o qual eu sou eternamente grato." Ele disse delicadamente, soltando o seu aperto e colocando seus lábios contra as minhas mãos.
Oh meu Deus.
"Eu também." Eu me lembro, tentando recuperar. "Se você não estivesse lá naquele beco..."
"Falando nisso, eu quero te perguntar uma coisa, mas se isso faz você se sentir desconfortável, por favor, deixe isso claro." Ele diz cuidadosamente. "O que você estava pensando quando eu apareci? Você estava sussurrando algo, mas não fazia muito sentido".
"Não fazia muito sentido para mim também." Confesso. "Eu não sei o que eu disse, mas o que eu estava pensando - era uma combinação de um poema de Blake e algum tipo de oração de último minuto. Eu estava absolutamente certa de que ele me mataria se você não tivesse aparecido".
"'O Tigre?" Ele pergunta. "Isso é uma coisa estranha de se estar pensando. Você reza muito?"
"Na verdade, não".
"Você acredita em Deus?" Ele pergunta, sério.
Eu não posso deixar de pensar em sua 'confissão' musical e pergunto novamente se ele acha que é condenado. A questão parece ser importante, por isso eu tomo meu tempo em respondê-la.
"Depende o que estou fazendo." Eu finalmente respondo.
Ele pisca para mim em surpresa.
"Bem, funciona".
"Isso não era uma das respostas que eu estava esperando." Ele diz, balançando a cabeça. "Você pode explicar o que quer dizer?"
"Bem." Eu começo, buscando no bolso do meu casaco pelo meu iPod. "Na maioria das vezes, eu tenho certeza de que tudo é natural. Racional. O método científico é maravilhoso. Olhe para tudo o que as pessoas podem fazer. Nós temos a internet, viagens espaciais, podemos ler nossos genes e medir a idade da Terra e a distância das estrelas. Eu olho em volta e vejo que tudo o mais faz sentido se seu objetivo principal é ver as coisas claramente".
"E o resto do tempo?" Ele diz, pegando um fone de ouvido quando eu ofereço a ele.
Ele estende seu braço para trás, mão no chão para nos apoiar enquanto nos sentamos. Eu instintivamente me aconchego ao seu lado enquanto procuro pela peça de coral que eu quero, O magnum mysterium, de Lauridsen. Nós nos inclinamos para trás um pouco, ouvindo e observando enquanto a parte mais alta e mais escura do céu acima de nós se transforma em um preto azulado profundo e começa a mostrar um vislumbre de brilhante caindo. As vozes requintadas, sem auxílio de instrumentos musicais, parecem ecoar às estrelas emergentes. O fundo preto brilhante parece quase como a pupila de um gigante, azul, olho que tudo vê. As estrelas, a música, a suave batida da água contra as pedras nas proximidades: todos são delicados, sem idade, implacável, e quase intermináveis. Encontro a mão de Edward atrás de mim e com o meu dedo de leve traço oitos em sua pele.
"Eu não tenho palavras para isso." Eu digo baixinho quando a música termina. "Mas isso não me faz sentir insignificante. Faz-me sentir... de alguma forma ampliada porque eu posso até mesmo testemunhar tal beleza. Eu não sei o que significa quando outras pessoas dizem que acreditam em um deus. Mas eu posso entender por que eles acreditam quando me sinto assim".
O iPod muda para Villa-Lobos e continuamos ouvindo. Edward está em silêncio. Espero alguns minutos antes de falar novamente.
"Edward?" Eu peço.
"Bella".
"Você acha..." Eu não posso trazer-me a perguntar o resto da questão em minha mente. É muito pessoal, muito invasivo, então eu mudo de rumo no meio da frase. "O que você sente quando você está tocando? É algo assim?"
"Um pouco." Ele diz. "Embora, neste momento, eu esteja passivo, impotente contra isto. Quando estou tocando estou mais no meu controle".
Parece que alguém gosta de estar no controle.
"Isso é o que sinto sob o piano quando você toca," eu confesso, "quando eu me movo pela sua coluna".
Ele sorri para mim. "Coluna?"
"É o que eu chamo isso." Eu digo, sentindo-me tola. "Mas é como aquele poema de Henry Vaughan: 'como um anel de luz pura e infinita'. Quando as condições são certas e algo mais acontece com a música, torna-se quase arquitetônica, ou como água correndo. Eu não estou explicando isso direito".
"Não, eu entendo o que você quer dizer." Ele gentilmente interrompe quando eu começo a ficar nervosa. "Eu penso nisso como um fluxo*. Um livro com esse título veio sobre este assunto há 20 anos. Na verdade, você está quase poética sobre o assunto. Não se repreenda. Você escreve poesia, ou você apenas gosta de lê-las?"
* O termo "flow" foi cunhado pelo psicólogo húngaro-americano Mihaly Csikszentmihalyi, professor de psicologia e educação na Universidade de Chicago, que também foi professor de ciências sociais da Peter Drucker School of Business, na Universidade de Claremont, na Califórnia. Mike Csikszentmihalyi definiu flow (em português: fluxo ou fluir, referindo-se ao substantivo ou verbo) como um estado de gratificação em que o indivíduo entra quando se sente completamente engajado no que está fazendo em um dado momento. "Fluxo" é o estado de total absorção numa determinada atividade, que, embora possa ser exigente, ou até mesmo estressante, enquanto você a está realizando, oferece posteriormente um profundo senso de satisfação. Vale a pena ler o livro "Flow", é altamente recomendado pela autora desta fic, assim como qualquer outro livro mencionado por ela.
"Oh, não, eu não escrevo poesia. Eu apenas gosto de ler. Eu nunca nem perguntei se você gosta de poesia." Eu sussurro, sentindo-me vulnerável novamente.
"Eu certamente não agora." Ele declara, mergulhando a cabeça para baixo para falar diretamente em meu ouvido. "A mistura mais fascinante dos poemas reunidos por você, Bella. Vamos ver, qual era a minha seleção preferida e a menos esperada? Ah, sim, Neruda, Soneto Oitenta e Um. Agora, como é que isso vai?"
Eu prendo a respiração, pensando o quanto eu debati, ou não, rasgar a página fora, uma vez que eu tinha decidido dar o livro a Edward. Eu permaneço em silêncio, e ele fala novamente.
"Ah, sim. Eu me lembro agora." Sua voz fica mais profunda e sedosa.
"E agora você é minha." Ele cita.
Meus olhos rolam para trás em minha cabeça com a sensação da sua voz nos meus ouvidos. Tenho que morder o lábio para não gemer enquanto ele continua a recitar as palavras que me fazem pensar em cada sonho que eu tenho dele, noite após noite.
"Rest with your dream in my dream.
Love and pain and work should all sleep, now.
The night turns on its invisible wheels,
and you are pure beside me as a sleeping ember.
"No one else, Love, will sleep in my dreams. You will go,
we will go together, over the waters of time.
No one else will travel through the shadows with me,
only you, evergreen, ever sun, ever moon."
"Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor e dor e trabalho devem dormir agora.
A noite gira em suas invisíveis rodas,
e junto a mim és pura como o âmbar dormindo.
"Ninguém mais, Amor, vai dormir nos meus sonhos. Você vai,
vamos juntos, sobre as águas do tempo.
Ninguém mais viajará através das sombras comigo,
só você, sempre viva, sempre sol, sempre lua."
Frio como está, eu sinto como se meu sangue tivesse sido substituído por lava. Ele pega minha mão e afaga suavemente contra sua bochecha fria enquanto ele continua a me torturar. Eu estendo mais alto e enrosco meus dedos em seu cabelo selvagem, minha respiração engatando.
"Your hands have already opened their delicate fists
and let their soft drifting signs drop away;
your eyes closed like two gray wings, and I move
"after, following the folding water you carry, that carries
me away. The night, the world, the wind spin out their destiny.
Without you, I am your dream, only that, and that is all."
"Suas mãos já abriram seus punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo;
teus olhos fechados como duas asas cinza, e eu me movo
"depois, seguindo a água dobrando que carrega você, que carrega
a mim para longe. A noite, o mundo, o vento gira o nosso destino.
Sem você, sou seu sonho, só isso, e isso é tudo."
Ele se inclina e beija meu pescoço, logo abaixo da minha orelha, e eu viro minha cabeça para ele. Nossas testas se tocando e seu nariz roçando o meu enquanto seus lábios vêm muito perto dos meus e eu posso sentir a vibração quando ele fala em seguida.
"Você sabe qual poema sempre me faz pensar em você?" Ele pergunta em vez de me beijar, como eu completamente espero que ele faça agora. Eu faria isso sozinha, só que eu pareço estar completamente hipnotizada.
Eu balanço minha cabeça, perguntando-me por que eu pareço ser capaz disso, mas incapaz de fechar a lacuna entre nós.
"Há um de E.E. Cummings." Ele diz, e mergulha a cabeça de volta para o meu ouvido.
Eu me pergunto se os ouvidos de todos são uma grande zona erógena, ou se é possível que só Edward possa conectar os nervos do meu pescoço e orelha com cada outro nervo no meu corpo. Eu me sinto como uma corda vibrante, cada célula pulsando, cantando Edward.
Ele começa:
"somewhere I have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which I cannot touch because they are too near
"your slightest look easily will unclose me
though I have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose
"or if your wish be to close me, I and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
"nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture —"
"em algum lugar que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não posso tocar porque estão demasiado perto
"teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,
tu abres sempre pétala por pétala como a primavera se abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) sua primeira rosa
"ou se seu desejo é me fechar, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda parte;
"nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder da tua intensa fragilidade: cuja textura -"
Aqui ele faz uma pausa para beijar o meu pescoço suavemente, várias vezes, exatamente onde eu o sinto pulsando. Ele geme e pára, apoiando a testa contra o meu cabelo, e continua a falar. Eu não posso evitar gemer enquanto seus lábios pastam meu ouvido com qualquer outra palavra.
"compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
"(I do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands."
"obriga-me com a cor de seus países,
restituindo a morte e para sempre cada vez que respira
"(eu não sei o que há em ti que fecha
e abre; apenas algo em mim compreende
a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas."
"Você disse essa última parte na livraria." Eu me lembro de alguma forma depois de um longo momento sem fôlego.
Seus lábios encontram a minha testa, depois o meu nariz. Ele hesita novamente, simplesmente tímido de beijar minha boca.
"O que é isso, Edward?" Eu pergunto em frustração quando ele se afasta novamente. "Você está me deixando louca. É a minha respiração?" Eu me pergunto se a doçura da sua respiração indica alguma impureza da minha.
"Não, Amor." Ele jura, afastando-se para ainda mais longe. "Não, sua respiração está perfeitamente bem, cheira a canela".
Sim, bem, eu malditamente bem tento ter certeza que cheire.
"Então o quê? O que é que estou fazendo de errado?"
Ele parece tão triste.
"Eu não sou -" Ele faz uma pausa, olhando melancolicamente para a água. "Eu não sou bom para você, Bella. Eu sou uma pessoa horrível, de certa forma; já fiz coisas que eu nunca posso voltar atrás. Você provavelmente vai se machucar, só de estar perto de mim. Eu sei que devo a você uma explicação, mas eu não posso me explicar. A coisa certa a fazer seria manter distância de você".
"Eu não quero uma explicação, e eu não quero ir para lugar nenhum." Eu afirmo, ficando irritada com suas tendências emo. Estou finalmente sentindo-me frustrada o suficiente para falar abertamente. "Eu só quero você. Você pode, por favor, parar de me dizer o que você deveria querer e me dizer o que você quer? Isso realmente ajudaria a me impedir de perder minha cabeça agora".
"Bella, eu quero o que você quer, mais do que você imagina." Ele diz, fazendo meu coração disparar. "Mas é mais complicado do que isso. Eu gostaria de poder encontrar alguma maneira de explicar isso sem deixar você mais confusa do que eu já deixo. Deixe-me falar com meu pai. Eu só preciso da perspectiva de Carlisle".
Click.
"Oh." Eu digo sem jeito, omitindo-se as três palavras muito vulgares que seguem silenciosamente em minha mente.
"Venha, é melhor irmos. Está ficando tarde".
Ele se levanta e oferece-me sua mão. Eu tomo porque sinceramente não tenho a porra da idéia do que mais fazer neste momento.
~oЖo~
Eu aleatoriamente empurro os botões no meu iPod enquanto assisto a forma de Edward se retirar. Eu tinha beijado sua bochecha um adeus, entorpecidamente notando sua pele suave e fria, seu doce perfume e um sorriso gentil. Eu tinha notado essas coisas antes. Enquanto eu dirijo para casa, o genius* do iPod decidiu que eu precisava ouvir alguma música de tambor assustadora. Bem tocado, gênio.
*Genius: é uma lista de reprodução de músicas criada no iPod. Uma lista do Genius é uma coletânea de músicas que acompanha uma música que você escolheu na sua biblioteca.
Eu paro num posto de gasolina para encher o meu tanque e compro uma caneca de capuccino debilmente doce na parada da picape, cortando com café descafeinado e algum leite desnatado. É uma mistura profana, mas se eu vou conseguir dormir hoje à noite vai ser um milagre mesmo, então eu poderia muito bem ficar atenta na estrada.
Eu volto para Bertha e a elogio pelo seu respaldo. "Marvelous Things", de Eisley, toca enquanto meu choque se desgasta, e eu posso ouvir o som quase inaudível de muitas pequenas peças do quebra cabeça clicando juntas em meu cérebro, graças ao aparecimento inesperado, totalmente acidental, da peça final.
Carlisle.
Não faz a porra de sentido algum. É apenas uma lenda, certo?
Traços amarelo-laranja do centro da estrada são registrados na minha visão periférica enquanto re-examino a minha coleção de momentos com Edward na luz do que agora eu sei que ele é. Minha mente racional se esforça sob o peso de todas as peças vindo juntas, do que ele me salvou no beco, ao que eu sei de observá-lo. Cada peça se encaixa agora, mas ainda não faz qualquer sentido.
Não faz o menor sentido. Mas é inegavelmente verdade.
E isso absolutamente não faz nenhuma diferença fodida para mim.
~oЖo~
Eu finalmente chego em casa e Charlie olha para mim com surpresa. Ele estava fora pescando quando eu tinha saído para Port Angeles.
"Encontrou o que você estava procurando?" Ele pergunta, olhando para o meu pacote da livraria.
"E algo mais." Eu respondo com sinceridade. "Estou exausta. Boa noite, pai".
"Boa noite, Bella." Ele grita para mim.
Eu marcho pelas escadas como se meus pés tivessem pesos atados a eles. Tomo um banho para tentar relaxar, lavo meu cabelo duas vezes e ensabôo tudo uma vez. A água quente acaba e eu desisto. Quando volto ao meu quarto, eu hesito em minha rotina normal.
Ainda no meu roupão, eu configuro meus alto-falantes e encontro o que eu quero ouvir. Só Nina Simone pode me ajudar a descobrir essa merda.
Todo mundo tem ido para a lua, Nina, eu penso, e consigo sorrir.
Eu me pego sorrindo no espelho. Eu pareço muito como eu faço na foto da festa. Está situada no meu armário, então eu a pego e olho para ela, tocando a imagem de Edward. Ele ainda é o mesmo homem que ele era quando tocou Debussy para mim enquanto eu lia sob seu piano. Ele ainda é o mesmo homem que me salvou daquele... outro.
Daquele outro vampiro... Eu me obrigo a pensar na palavra.
Ele é o mesmo Edward que cuidou de mim, segurando minha dor de cabeça e me acordando a cada hora para se certificar de que eu não morresse. Ele é o mesmo Edward que me beijou e me disse que não era bom o suficiente para mim. Eu fecho meus olhos, lembrando de quão estranha eu costumava pensar que sua fixação na caça era. De repente, sua caça ao veado tornou-se a coisa menos assustadora sobre ele. Agora isso é absolutamente nobre.
"Sim, você é um menino muito mau, Edward." Eu sussurro. "Mas você está tentando ser bom. Isso conta para alguma coisa, não é?"
Nina Simone termina pedindo em um devastador francês, e sua voz ganha uma confiança incrível na canção seguinte. Tenho inveja dela. Eu alguma vez poderia ser assim? Como Nina, ou Renée, ou cada mulher francesa que eu já conheci? Pergunto-me se há alguma Renée em mim. Eu olho no espelho. Os olhos sérios de Charlie, os lábios cheios de Renée. O cabelo marrom escuro de Charlie, as maçãs do rosto de Renée. A estrutura de Renée. Eu poderia ser pior. Eu sempre observei a forma como os homens olham para ela. As atenções de Edward têm acrescentado alguma coisa à minha aparência, mas eu não poderia dizer o quê. Apesar do banho, meu corpo ainda está em chamas pela voz de Edward, seus beijos, seu toque. Minha habitual camiseta e shorts para dormir parecem estar todo errado para esta noite.
O presente "extra" de Renée está situado, ainda fechado, na minha mala. Eu arranco o papel brilhante e suspiro quando levanto a tampa da caixa. Isto não é o que eu esperava. Eu tinha visto partes da coleção de lingerie de Renée na lavanderia ocasionalmente, e isso sempre me envergonhava. Não, esta camisola era definitivamente mais o meu tipo. Eu a tirei da caixa e fiquei maravilhada com a seda do vintage e renda. Isso me lembra algo que Rita Hayworth usou em 1940 em uma foto de pin-up. É elegante. Eu não posso resistir e a coloco, olhando no espelho novamente. Meu cabelo está pendurado úmido, levemente em mechas onduladas, e eu quase posso ver o tipo de mulher da qual Nina poderia cantar.
Eu coloquei um feitiço em você porque você é meu.
Tome isso, Edward Cullen. Você pode ser um vampiro, mas eu sou sua, de qualquer maneira.
Hora de afundar, ou nadar, mais uma vez.
Ou isso, ou eu perdi a minha cabeça.
Eu mudo a música para a canção de ninar de Edward e deito na minha cama, deixando a canção ser aquela a me acalmar para dormir, apesar de tudo.
~oЖo~
Estou andando por uma estrada longa, e ela se bifurca em dois caminhos bem desenhados.
O letreiro diz, Alguém vai em uma viagem e conhece um estranho que vem à cidade.
Eu sou o estranho na viagem, chegando à cidade.
Eu me encontro.
Eu olho nos dois caminhos e vejo cópias de mim, indo embora, voltando.
Centenas de Bellas.
Edward.
Edward vem para mim, meu coração acelera. Ele se aproxima, caminha diretamente através de mim. Viro-me para vê-lo cumprimentar outra Bella e pegar a mão dela, carinhosamente.
Outro Edward vem, com olhos de tigre amarelos. Este não é meu Edward também. Ele vê uma Bella, desta vez numa versão um pouco mais jovem de mim. Ele foge. Ela caminha inexoravelmente em sua direção. Ela vai pegá-lo, eu posso dizer. Eu conheço aquele olhar.
Outro Edward corre para mim, corre quase diretamente através de mim, e eu sinto a força deste quando ele encontra sua Bella exatamente atrás de mim. Ele a pega e a gira ao redor, de modo que eles passam por mim. Eu dou um passo no seu rodopio alegre. Eles são puro amor, felicidade brilhante, beijo profundo.
Ele tira a roupa dela, rasgando o tecido quando ele vai.
E
eu
estou
nua.
Você é minha, ele diz para ela através dos meus ouvidos.
Sim, ela responde. Sua, sempre.
Isto é o suficiente para ele, finalmente. Devo me lembrar disso.
Seus lábios são quentes, devorando a boca dela.
Sim, ela diz, sim. Eu esperei tanto tempo por você.
Nenhuma espera agora, ele disse, encontrando a pele pêssego pálida em júbilo.
Eu movo meu rosto para encontrar os beijos deles,
E deslizo, estremecendo de lado para alcançar suas mãos com meu quadril
ele pega a dela, abraçando, a língua dele deslizando para baixo
para prová-la, e eu arqueio como ela faz,
Sim, Edward, sim.
Eu sinto o sussurro emaranhado do seu furacão como fantasma enquanto ele empurra dentro dela. Isso não é o suficiente para mim. É tudo para ela. Ela grita de novo, e eu sinto o eco do seu estremecimento –
Ela geme. Eu tremo.
Eu não posso sentir o suficiente, mas ainda assim eu levo-o dentro.
Eu os invejo.
Eles giram em torno de mim, eu os sinto como um agora, circulando mais rápido, agora invisíveis, agora dentro de mim, como uma memória viva, fazendo cócegas no meu entendimento.
Mais Edwards se aproximam:
Olhos vermelhos, olhos pretos, olho de gato.
Uma luta, uma perseguição, um assassinato: Cenas mudando tão rapidamente, eu quase perco a sua chegada.
Finalmente ele está aqui. Eu o reconheço pelo zumbido,
Eu o conheço porque o volume aumenta, meus sentidos apurados,
Seu perfume em espirais, ramos lilases encontrando trevos de abelhas ao sol – doce
Este é para mim.
Eu o conheço pelos seus olhos negros ardentes diretamente nos meus, não para alguma outra Bella.
Todas as Bellas e Edwards desaparecem quando ele se aproxima, salvo a memória dos espectros de estocadas ainda em minha memória.
Eles tremem. Eu gemo.
"A voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas." Eu digo a ele, e quero dizer isso.
Meu Edward pára, comprimento dos braços de distância. Comprimento dos braços dele de distância, não dos meus.
"Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas." Ele veio para a admiração, de longe.
Eu preciso fechar essa lacuna. Meus membros são mais pesados do que parecem – essas Bellas fantasmas têm conseguido se mover tão facilmente nesse ar espesso.
Com força de vontade, e eu sigo em frente. A roupa rasgada das Bellas anteriores cai longe de mim e meu Edward suspira.
Eu me movo para suas mãos frias, meus membros como a mais lenta das criaturas marinhas.
Suas mãos serpenteiam no mais frio sussurro de seus dedos como penas, deslizando.
Eu arqueio para os movimentos fluindo, minha sorte – o movimento de deslizar o pega, um escorregão delicado em meu próprio tremor, uma lenta agitação baixa na escala Richter, mas profunda em outras magnitudes.
"Edward, amor. Deixe-me tocar você".
"Bella." Ele sussurra - geme. Seus olhos pretos como carvão brilham, e eu o tenho.
"E agora você é meu." Eu digo a ele, mas acho que ele sabe.
Ele foge.
Eu vou pegá-lo, eu posso dizer.
Nota da Tradutora:
Muitos acontecimentos para apenas um cap… o passeio de Bella e Edward por Port Angeles, ele recitando o poema no ouvido dela, *suspire*, ele praticamente se declarando para ela… Bella chegando à conclusão que ele é realmente um vampiro… e esse sonho no final… ufa! O próximo é uma cena extra POV Edward, então...
Deixem reviews e até segunda!
Bjs,
Ju
