Músicas do capítulo (retirar os espaços):

* Martha Wainwright, I Will Internalize: http:/ www. youtube. com/ watch? v=-d_zRf_xaxg

* Chopin, Nocturne em E menor (por Sviatoslav Richter): http:/ www. youtube. com/ watch? v=vHAOrjgIfbg

* Chopin, Fantaisie Impromptu op.66 em C# menor (por Arthur Rubinstein): http:/ www. youtube. com/ watch? v=75x6DncZDgI

* Também mencionada em outros capítulos: Giancarlo Menotti, The Medium: http:/ www. youtube. com/ watch? v=RAcADZ0J_kI

* O Cisne Negro (The Black Swan): http:/ www. youtube. com/ watch? v=VhnoNzKMT7w


Capítulo 10 – Senhora das Trevas e Suas Vespas

Tradutora: Shampoo-chan

Dirigindo de volta para casa, sinto como se houvesse apenas uma noite ainda para ser o meu antigo eu. Horas, talvez. Uso essa oportunidade para vestir o meu mais antigo e confortável dos moletons e uma camisa, e escuto Martha Wainwright enquanto dobro e escolho algumas roupas quentes e cheirosas.

Nada faz separar meu antigo eu com meu novo eu mais claramente do que ter que organizar minhas roupas e arrumar as coisas na viagem de volta para casa. Minhas roupas recém-lavadas vão em duas pilhas distintas: escola de música e Forks. Mulher e criança. Nada diz "mulher" mais do que as roupas que peguei do sótão: coisas velhas de Renée de antes de ela ir embora. Elas couberam em mim perfeitamente.

Ela era da moda vintage naquela época, e eu acho que as roupas não são apenas do início dos anos 90, como também de décadas antes. Renée costumava dizer que odiava tendências da época, e ela realmente queria parecer como Stevie Nicks por volta de 1977, o que significa roupas ciganas em seda, veludo e renda. Algumas delas eram demais para o meu gosto e eu as darei para Alice se ela as quiser, mas posso ver a combinação de um pouco de talento dramático com outras linhas clássicas e limpas. Eu nunca seria tão revoltada quanto Renée.

Cuidadosamente evitei a camisola até não ter mais nada para pôr na mala. Tenho um pouco de medo dela, ou para ser honesta, de me ver nela. Eu não a vesti desde a noite em que descobri que Edward me quer tanto quanto eu o quero. Também tinha sido na noite que descobri que ele era um vampiro. Isso com certeza complica como o inferno as coisas, mas não as muda.

Edward beijou minhas mãos, orelhas, pescoço e rosto, enquanto evitava meus lábios. Ele olhava tanto para eles que eu sabia que não era um problema de não querer beijá-los. Deveria ser algo a ver com ser um vampiro. Pergunto-me se as vertigens que tenho todas as vezes que ele está quase para me beijar tem a ver com isso. Posso até sentir o gosto da respiração suave, e a lembrança é eletrizante, não vertiginosa.

É minha própria reação que realmente me enerva.

O sonho enlouquecedor que tive naquela noite deve ter chegado a ser físico. Há anos que falo enquanto durmo, mas não seria surpresa que eu tivesse falado naquela noite. Acordei na manhã seguinte completamente nua, minha camisola enrolada no chão. Meu cabelo estava emaranhado, selvagem e eu tinha pequenos hematomas nos meus quadris e ombros. Eles não doíam muito, mas quando se é desajeitada e pálida que nem eu, você passa uma grande parte do tempo jogando o jogo "de onde veio esse roxo?". E eu perco.

Não consigo imaginar a origem dos pequenos pontos circulares em mim.

Termino por colocar a camisola na mala para levá-la comigo.

~oЖo~

Não descobri como contar a Edward o que eu sei.

Pensei em escrever uma carta a ele, um e-mail, mesmo uma mensagem por celular. Pensei em contar a ele por telefone no meu último final de semana em Forks, mas em nossas duas rápidas conversas o assunto não surgiu. De certa forma, eu queria que ele me contasse. Algumas vezes acho que ele quer.

Ele está se controlando um pouco. Se eu não tivesse descoberto o grande segredo dele, provavelmente seria um caso perdido, com ele se mantendo quente e frio o tempo inteiro. Eu daria uma semana para descobrir como lidar com essa confusão.

"Eu devo a você um pedido de desculpas." Ele anuncia quando nos encontramos antes do ensaio. Ele está parado a 50 cm de mim. Medida dos braços dele, não dos meus.

"Pelo quê?" Pergunto, mordendo o resto da pergunta para não escapar. Por ser um vampiro?

"Por tratá-la inapropriadamente na noite do sábado passado, Bella." Ele diz, os olhos voltados para baixo. "Eu só queria mostrar respeito a você, o tempo inteiro".

Ele parece realmente culpado.

"Hey." Eu digo, aproximando-me. "Você mostra. Você sempre me trata com respeito, e eu realmente aprecio isso".

"Não tratei." Ele insiste. "Mas tratarei de agora em diante. Prometo".

Pego nas mãos dele e, por um instante, achei que ele se afastaria, mas não.

"Eu prometo," digo com cuidado, "que vou avisar se algo que você fizer me ofender de alguma maneira".

"Bella." Ele beija o topo da minha cabeça, e se afasta, parecendo tão triste que eu queria fazer alguma coisa para ele se sentir melhor.

Já é hora de começarmos a nos dirigir para o ensaio, entretanto, e certamente não era a hora certa para abrir uma discussão a respeito de vampiros ainda. Isso certamente levaria mais de cinco minutos.

"Edward." Eu digo, no que espero ser uma voz suave, clara, não largando as mãos dele. "Eu acredito que suas intenções são boas e que você nunca me machucaria de propósito. Estou certa?"

"Sim, absolutamente. É verdade." Ele relaxa visivelmente, mas ainda parece se sentir culpado.

"Então estamos bem." Concluo, sabendo muito bem que ainda temos negócios inacabados. "Você pode tentar se animar um pouco para eu não estragar este ensaio?"

"Posso sim." Ele diz, relaxando completamente. Esse grande mentiroso.

~oЖo~

"Bella, eu amo a sua mãe." Alice posa dramaticamente num longuíssimo vestido preto, um laço combinando prendendo a maior parte do seu longo cabelo preto.

Senhoras e senhores: o vestido de formatura de Renée Higgenbotham.

Ou foi. Eu tinha fotos para provar isso também. Ainda não haviam começado a chamar de gótico na época, mas aquilo significava que ela estava à frente do tempo dela.

"Você parece Scarlett O'Hara de luto." Dou uma risada, olhando o portal de registros do semestre no meu laptop.

"Você é um inseto vaidoso de coração negro, Rhett Buttler, e não sei por que deixei você entrar e me ver." Ela bufa no que penso ser provavelmente uma boa imitação de Vivian Leigh, e se esperneia até a cozinha do minúsculo apartamento. "O que você vai ter este semestre?"

"Professor George bagunçou todo o meu horário." Reclamo. "Ele me fez pegar Italiano este semestre, e quer que eu tente os seminários com os alunos de ópera. Não posso entrar neles até que eu tenha sido escalada para alguma coisa, e se eu não for eu tenho que pegar Panorama da Música Antiga em lugar de Cantores de Câmara, a não ser que queira ter aula de Italiano à noite".

"Bella, calouros nunca são escalados." Alice franziu a testa. "E é muito difícil entrar em Cantores de Câmara. Por que você não desiste dessa?"

"Não posso falar a respeito disso." Suspiro. "Mas não é talvez ruim contar a você que ele acha que tenho boas chances de conseguir pegar um papel".

"Ugh, que modo de começar um drama, Professor George." Alice rola os olhos. "Há três anos uma soprano da graduação foi escalada para a ópera da turma dos pós-graduandos, e vou contar uma coisa, teve pluma voando para tudo quanto é lado. Aquelas cadelas invadiram o escritório da administração enquanto eu estava atendendo telefonemas de trabalho e de estudo, e pensei que o mundo acabaria pelo jeito que elas encararam a coisa toda".

"É? E por quê?" Pergunto, alarmada.

"Por quê? Você está de brincadeira comigo?" Alice sacode a cabeça. "Esses papéis são prêmios muito sérios de se receber, especialmente entre as sopranos. Algumas pessoas nunca são chamadas, nem profissionalmente, nem nos programas de doutorados, e provavelmente nunca serão aceitas nas melhores oficinas de verão. Querida, você precisa pensar a respeito desse ensaio. Se você for escalada para esse papel, você vai fazer alguns inimigos bem sérios. Se não, vai perder seu lugar na Câmara de Cantores".

"O quê?" Começo a me sentir mal agora. "O teste foi hoje de manhã! Por que ninguém me contou isso?"

"E como foi?" Ela pergunta, passando o braço pelos meus ombros.

"Muito bom. O Professor Adana pareceu satisfeito, e Dr. George estava lá. Estava torcendo por mim, com polegar para cima e tudo".

"Maldição." Ela sussurra simpaticamente. "Bem, vamos lidar com o que tivermos. Ele deve ter contado a você o que esperar".

"Ele é famoso." Dou de ombros. "Tenho certeza que está acostumado que os outros sintam inveja dele que nem mesmo pensa a respeito".

É estranho como uma coisa que foi boa há algumas horas pode de repente mudar e me deixar em pânico. Eu sabia que Edward não estava contente com alguma coisa depois que o teste acabou, mas como eu estava tentando dar um pouco de espaço para ele, achei melhor não pressionar. Ele parecia mais em conflito do que nunca, só agora descubro o por quê.

O que eu não sei é por que o humor dele muda tão abruptamente. É quase como se ele estivesse respondendo a algo sendo gritado. Eu imagino...

~oЖo~

O primeiro dia de aulas começa, e a hora da verdade chegou. Será a ópera, ou a música antiga? Eu não tinha visto ainda o Dr. George, mas algo me diz que ele já sabe, e como ele sabe, eu meio que sei. Ele me mandou um e-mail pedindo para chegar à aula o mais cedo possível. Temos um monte de trabalho separado para nós.

Quando me aproximo do Laboratório de Ópera, vejo cerca de quinze meninas e um cara aglomerados em cima da lista do elenco selecionado. Eu não os conheço, exceto por duas sopranos e um tenor do estúdio do Professor George. O tenor, um cara legal chamado Alex, sorri e pisca para mim. Veronica e Alicia (as sopranos) me encaram e irrompem para dentro do teatro. Eu me aproximo quando a saída delas abre mais espaço. Não consigo realmente chegar perto o bastante pra ver claramente, mas consigo visualizar pequenos quadros com nomes e então o maior, The Medium. Há muitos papéis e nomes. Isso me faz suspirar aliviada. Todo mundo parece ter um papel, então não vai ser um problema, certo?

"Quem diabos é Isabella Swan?" Uma morena alta, bonita, faz a pergunta. Se eu olhasse à parte, então ela também era, mesmo que fosse um pouco alta para interpretar uma menininha.

"Exatamente o que estou pensando." Rosna uma loura baixinha, que manda um olhar curioso para mim.

"Alicia disse que é uma vaquinha que flerta melhor do que consegue cantar. Ela é só uma maldita caloura, mas já é a favorita do Dr. George".

"Ela provavelmente está indo para a cama com ele e com o professor Adana." Ri outra morena azedamente. "Sou uma porra de veterana e só me escalaram para ser uma das três damas? Vá se foder. Vou virar uma bomba. Isso é in-fodidamente-aceitável".

"Ouvi falar que ela namora Edward Cullen também. Ele é o acompanhante dela".

"Só assim ela alcança as notas mais altas."* Outra faz piada, e eu faço meu caminho entre elas para entrar no laboratório.

*Aqui ela faz um comentário maldoso, uma piada com os gritos do ato sexual e as notas mais altas que as sopranos precisam alcançar para conseguir um papel.

Ouço as vozes delas sumirem num monte de sussurros ásperos enquanto sinto meus olhos arderem.

Não vou chorar. Tomo várias respirações profundas e encontro um assento perto de Alex porque fico feliz em ver um rosto não tão hostil.

"Tudo bem, pessoal, entrem logo; vamos começar." Professor Adana bate palmas. "Temos muito trabalho a fazer".

Ele olha para mim e sorri.

"Olá, Isabella. Bom vê-la por aqui, minha nova estrela." Ele sorri enquanto aproximadamente trinta hostis rostos femininos se viram na minha direção de uma vez. "E temos o seu pianista, Edward, para os ensaios como bônus neste período. Temos várias grandes cenas e uma pequena ópera. Será um semestre muito bom, posso já sentir a emoção nesta sala".

Emoção. É uma palavra para isso.

Quando Edward chega depois dos anúncios, ele sorri suavemente para mim durante o seu trajeto até o piano. Tento sorrir de volta, mas fico pensando nos olhares assassinos que vou receber.

Edward parece notar isso imediatamente enquanto olha rapidamente a sala com uma expressão de choque no rosto. Já vi diversas emoções naquela face deslumbrante antes, mas surpresa nunca foi uma delas. Ele pára e olha para a soprano que disse que viraria uma "bomba" do lado de fora. Ela é a única que não está nem olhando para mim, ou zombando de Edward. Parecia mesmo que ela estava meio feliz, digitando algo no laptop. Edward parece que quer arrancar a cabeça dela.

Huh. Talvez ele arranque, se ela fizer realmente alguma coisa de ruim a mim. Abafo uma risada, mas depois isso me incomoda. Por que ele está focado nela, se ela nem mesmo parece com raiva?

Ele me olha de novo, ergue uma sobrancelha, e dou de ombros. Escondendo meu celular, mando uma discreta mensagem para ele:

As meninas não estão contentes com o elenco.

Acho que ele nem recebeu ainda a mensagem, mas dentro de segundos recebo outra de volta.

Senhorita Swan, você está atenuando as coisas.

~oЖo~

"Parabéns, Isabella." Dr. George balança minha mão durante a minha aula daquela tarde. "Não pense que é hora para descansar nos seus louros. Você tem trabalho dobrado agora! Mas é onde começa a ficar divertido".

"Dr. George." Eu digo, tentando imaginar como dizer aquilo sem ofendê-lo. "Eu não tinha idéia de que as outras meninas ficariam tão aborrecidas assim. É verdade que nunca escolhem calouros?"

"Nem sempre. Eles já escalaram muitos calouros como tenores antes." Ele entoa, dando-me aquele olhar torto de novo.

"Isabella," ele diz de modo firme, "nestas coisas, toda hora alguém ferve de inveja, toda hora começa um rumor a seu respeito – apenas lembre-se: isto é um prêmio. É uma coisa boa. Erga a cabeça e tenha confiança. Trabalhe duro e não dê a eles a chance de pisarem em você. Se eles mentirem a seu respeito, vá em frente e fique com raiva. Com a sua raiva você consegue lidar. A raiva vai reluzir nas suas notas mais altas. Tristeza não fará bem a você. Não se lamente porque alguém não gosta de você. Fique bem e com raiva, e cante com eles".

"Eles acham que eu..." Comecei, sem saber como terminar a sentença. "E eu nunca os vi..."

"Eles vão falar todo o tipo de coisas." Ele me interrompe, olhando-me com uma expressão gentil, mas firme. "O que você faz no seu tempo livre não é da minha conta, nem deles. Se eu fosse você, não me dignificaria a dar uma resposta. Se fosse diferente, eu diria 'mate-os com delicadeza', mas para você eu diria apenas que permaneça quieta e honrada, e trabalhe bastante. Sempre haverá gente que tem mais inveja que talento, Isabella. Você tem talento e disciplina. Se seguir meu comando, terá também a ambição. Prefiro orientar alguém que quer praticar e escutar como você. Você ganhou isto por mérito próprio. Eu ajudei a ter a oportunidade, mas foi você que fez o trabalho".

Assenti, mas no fundo acho que preferiria entrar em uma sala lotada de vampiros sedentos do que em uma com aquelas vacas enlouquecidas.

"Agora, vamos começar, Isabella. Há uma outra ária nesta ópera para você, O Cisne Negro. Você já a escutou, correto?"

"Estive trabalhando nisso." Falo triunfantemente. "Tenho quase toda memorizada".

"Essa é a minha garota."

~oЖo~

Sábado chega finalmente, e estou sob o piano de novo, desta vez com minha lição de Italiano. Entre um curso de línguas de cinco horas e uma ópera, meu prazer por leitura baixou para vinte minutos antes de ir dormir. Acho muito difícil me concentrar, entretanto, meus olhos se focam nos pés de Edward. Ele está tocando Chopin. Muito dele, e não é a coisa alegre também.

Algumas vezes ele me diz o que está tocando, em outras não. Agora é uma Nocturne em E menor. Eu sei porque ele já a tocou antes e eu gostei tanto que a comprei online enquanto ele ainda a tocava. Começo a cantarolar suavemente. A próxima peça é um pouco mais alegre, e nunca a ouvi anteriormente.

"Essa é bonita." Falo suavemente e aguardo.

"Fantaisie Impromptu, opus 66." Ele replica calmamente.

"Vamos começar com a nova ária?" Ele pergunta assim que a nova peça acabou.

"Claro." Eu digo. "No entanto, eu realmente queria que o Dr. George tivesse me alertado a respeito do inferno que seria quando um calouro pegasse o papel".

"Tente não se preocupar a respeito disso, Bella. Há sempre uma exceção. Você é uma".

"Eu não pedi por isso," encolho os ombros, "mas posso também fazer o melhor possível, não é?"

Fico de pé, folheando minha música e tirando da pasta a cópia dele. Quando a entrego, ele me olha em reprovação.

Estou começando a gostar desta canção. Como o resto da ópera, é moderna e sombria. Não consigo acreditar que isto deveria ser algo que minha personagem canta para acalmar a mãe louca e violenta. Parece algo saído de um filme de terror, o que é engraçado, se for pensar a respeito.

Não consigo evitar de roubar um olhar a Edward assim que chegamos na parte onde canto as palavras "Dei um beijo de fogo nele e um anel de ouro." Ele finge me ignorar, mas a boca se contorce ligeiramente e as sobrancelhas se distorcem numa quase imperceptível carranca, então eu olho para o outro lado, sabendo que a próxima parte é muito pior.

Eu praticamente enterro meu rosto no caderno para esconder meu rubor, pensando nos sonhos que tive com ele desde aquela noite.

Don't you feel your lover moan?
Eyes of glass and feet of stone,
Shells for teeth and weeds for tongue,

Deep, deep, down in the river's bed
He's looking for the ring.
Eyes wide open, never asleep
He's looking for the ring, looking for the ring

Você não ouve o seu amante gemer?
Olhos de vidro e pés de pedra,
Casca para os dentes e grama para a língua,
Fundo, profundo, no leito do rio
Ele procura pelo anel.
Olhos bem abertos, nunca dorme
Ele procura pelo anel, procura pelo anel.

Não olho para ele, mas sinto os olhos dele na minha nuca. Ele errou duas notas nos últimos trinta segundos. Sinto alguma coisa se formando no ar entre nós.

The spools unravel and the needles break.
The sun is buried and the stars weep.
O black wave, O black wave take me away with you

I will share with you my golden hair,
And my bridal crown-

Os carretéis se emaranham e as agulhas se quebram.
O sol está enterrado e as estrelas choram.
Ó onda negra, ó onda negra, leve-me com você
Vou dividir com você o meu cabelo dourado,
E minha coroa de noiva-

O som de piano pára abruptamente, e ele está atrás de mim muito rapidamente para um humano. Não posso evitar ofegar. É isso – ou ele me conta, ou conto para ele o que eu sei.

Sinto a cortina do meu cabelo ser varrida por gélidos dedos enquanto ele beija meu pescoço.

Estremeço. Não consigo evitar. Ele me beijou tantas vezes no mesmo local há duas semanas em Port Angeles, mas agora sinto aquilo com um novo entendimento.

"Não estou com medo." Eu digo, enquanto os braços dele se enrolam na minha cintura.

"Deveria estar." Ele murmura em uma advertência no meu ouvido. "Qualquer um ficaria com medo agora. Mas não você, não. Você é sempre uma exceção, não é?"

"Exceção?" Repito vagamente. Do que ele está falando?

Tão suave quanto é a sua voz, ele parece muito frustrado, quase com raiva. Mas ainda não sinto medo. Viro-me e sinto o cheiro dele, extasiada por finalmente estar perto dele de novo, e ele ri na minha orelha. Depois começa a falar coisas sem nexo.

"O seu cheiro, Bella." Ele diz distraidamente, como se falasse para si mesmo. "Não basta que seja minha cantora, mas você também é um silêncio completo para mim? Você foi atribuída para mim quando quase todo mundo escolhe seus pianistas aleatoriamente. Você atrai... os piores problemas num raio de 100 milhas, e você ainda vem e impressiona o único professor que pode mandá-la para o lugar mais perigoso do planeta. Por que isso?"

"Eu?" Suspiro, tendo tido exatamente o suficiente daquilo. "Não vou fingir que entendo metade do que você está falando, mas acho que é mais seguro dizer que tanto no que concerne às exceções, vampiros são meio que superiores a humanos, Edward".

Os braços dele enrijecem na minha cintura por um momento, e eu arquejo. Instantaneamente ele solta os braços e se afasta de mim.

Volto a olhá-lo, mas ele se afasta. Ele leva uma das mãos ao rosto, como se estivesse com dor de cabeça.

Tão dramático. Cruzo os braços e espero.

Depois de um longo instante, ele se volta para mim, a face quase ilegível.

"Desculpe, o que você disse?"


Nota da Tradutora: Ih...


Nota da Ju:

Uaaaau... Bella finalmente disse a ele que descobriu que ele é um vampiro... o que será que acontecerá a seguir?

Então, pra quem não sabe, eu estou de férias e na praia até 13 de março! Então por isso não consegui postar na segunda, pois a internet aqui é meio difícil! Vou seguir o cronograma de postagens, mas talvez atrase alguns dias, mas fiquem tranqüilas pq os posts semanais estão garantidos! Eu venho postar o próximo assim que acessar a internet na semana que vem!

DEIXEM REVIEWS! E até segunda!

Bjs,

Ju