AVISO: para quem não sabe, o FF está com "problemas" desde o dia 19/03, aparentemente, isso acontece uma vez por ano para que eles resolvam possíveis problemas que pode ocorrer. Para nós, o que aconteceu é que ninguém conseguia postar fic nenhuma pq a página ficava dando erros! O problema ainda não foi resolvido, mas conseguimos encontrar uma forma de "enganá-lo" para postar. Eu realmente não sei se todas as pessoas que têm a fic em alerta receberão o aviso da postagem, espero que sim! Estou fazendo um "teste" postando as fics de hoje, mas se eu perceber que ninguém está deixando reviews, possivelmente pq o FF não está enviando os alertas de postagem, então eu vou esperar até que a situação volte ao normal oficialmente para postar as fics de acordo com o cronograma, ok?
Espero que vc´s entendem, já que realmente dessa vez não foi culpa minha! E preparem-se pq quando o FF voltar ao normal, teremos estréias de novas fics, já que estou aproveitando esse tempo e adiantando todas...
Música do capítulo (retirar os espaços):
* Chopin: N. º 4: Étude in C-sharp minor "Torrent":http:/ www. youtube. com/ watch?v =p0wMR1Qadpw
Capítulo 12 - Confissões em Série
Tradutora: Shampoo-chan
"Hoje à noite. Conte-me esta noite".
"Eu vou descobrir uma maneira de protegê-la. Apenas saiba isso." Ele põe sua testa à minha. "Antes que você saiba tudo e nunca mais queira me ver novamente".
Afasto-me um pouco. Ele parece infeliz.
"Mesmo que seja ruim, eu prefiro saber. Preciso de algo real, mesmo que eu odeie. Você me entendeu?"
"Bella, isto não é exatamente conhecimento banal." Edward diz, fazendo uma careta. "Eu não posso só falar a você algo sem explicar primeiro as conseqüências. Mas entendo sim. Podemos ir a algum lugar reservado? Não é exatamente algo que eu possa falar em público. A menos, é claro, que você prefira não ficar sozinha comigo, o que eu entenderia perfeitamente".
"Você disse uma vez que me levaria para o seu apartamento se eu quisesse." Eu o interrompo. "A oferta ainda está de pé?"
Ele para completamente de dançar, seu rosto congelado de surpresa.
"Sozinha?" Ele pergunta, franzindo a testa. "Você realmente quer ficar sozinha comigo?"
"Vamos, Edward." Balanço a cabeça, rindo apesar do meu estado. "Já entendi, você é o lobo mau. Acontece que você também é aquele que me salvou do outro grande lobo mau, então vou arriscar. Quantas vezes já ficamos sozinhos antes? Além disso, eu realmente quero ver o seu apartamento. Antes que você tenha a chance de limpar tudo".
"É mais limpo que o seu." Ele se opõe. "E posso até ser culpado de muitas, muitas coisas, mas ser um lobo imundo não é uma delas".
"Vamos dizer boa noite a Alice e Jasper, então".
~oЖo~
O apartamento de Edward é relativamente pequeno, mas tem dez vezes o tamanho do meu minúsculo dormitório. Ele tinha razão, é muito limpo. É tão limpo que mal parece ter vida. Entendo por que ele nunca me convidou para passar por lá. Se eu tivesse aceitado sua oferta duas semanas antes, sem dúvida alguma confirmaria minhas suspeitas. Ele é um ótimo blefador.
A minúscula cozinha parece conter somente partituras. Levo um momento para sentir falta do zumbido de uma geladeira, e percebo que ela está simplesmente desligada. Os móveis são econômicos e elegantes. Livros e CDs estão alinhados nas paredes externas, e tiro um instante para procurar por autores conhecidos. Fico particularmente curiosa a respeito de várias pilhas do que parecem ser diários. Quando as paredes não estão abarrotadas de livros, estão cobertas num material acústico que lembra-me vagamente aquelas caixas de ovo.
Um piano de cauda ocupa toda a área que seria normalmente utilizada para o jantar. Um microfone está perto da tampa aberta. Ver aquilo me faz sorrir.
"Você gravou o meu presente aqui?" Pergunto, percebendo Edward me observando de perto.
Ele sorri suavemente e senta-se ao teclado. Faz uma pausa para olhar para mim e, como eu não me oponho, ele começa a tocar. Imediatamente ele toca incrivelmente rápido uma peça de Chopin que logo reconheço.
"Torrent." Sussurro. Então ele fica ansioso. Não sei por quê. Seus dedos continuam numa enorme velocidade. Fico esperando que ele termine de tocar.
"Muito bom, Edward, mas nós viemos aqui para discutir o fato de você ser um-" Sou interrompida pelos dedos frios e elegantes de Edward nos meus lábios, o polegar segurando meu queixo.
"Não diga isso. Pode pensar o que quiser, mas não fale isso em voz alta." Ele adverte, delicadamente seguindo o contorno dos meus lábios. "Haverá conseqüências se você disser a palavra. Você pode preferir ter uma escolha neste caso".
"Eu escolho você revelar o que é e me contar tudo, então." Eu insisto.
"Por favor, me distraia, pelo menos até eu saber o que e como contar a você." Ele implora. "Há muitas verdades para contar que não arriscam a sua vida. No momento em que você conhecer metade delas, você provavelmente não vai querer ter nada comigo, muito menos arriscar a sua vida e carreira por causa dessa palavra em particular".
"Minha vida e carreira." Repito. "Como?"
"Por favor, confie em mim." Ele implora.
"Sem mais mentiras." Aviso.
"Tecnicamente-" Ele começa, e eu o interrompo.
"Se as próximas palavras da sua boca não são 'eu era um idiota, e eu vou contar feliz da vida o que você quiser saber,' eu vou embora".
"Eu fui um idiota, concordo. Mas, Bella," ele implora, "eu juro, eu não quis dizer para você duvidar de si mesma dessa forma. Por favor, não vá embora".
"Eu não quero ir." Falo com cuidado, olhando em seus olhos por traços do Edward mentiroso, que eu nunca mais quero ver de novo. "Mas por que eu deveria confiar em você depois das últimas semanas?"
"Eu não poderia contar a você, por inúmeras razões." Ele suspira. "Primeiro, você tem alguns planos que poderiam ser seriamente interrompidos por saber o que quer. Segundo, é uma infração enorme da única regra que realmente se faz cumprir. Alguma vez você já teve que manter algo em segredo?" Suas sobrancelhas franziram num desafio, como se ele soubesse que com certeza eu tinha.
"Claro." Assenti, pensando em Jacob. "Há... certas coisas que eu já devo ter ouvido por acidente, não por culpa da... pessoa, que, sem querer, deixou escapar. Conheço alguns segredos que não são meus para ficar espalhando por aí".
"Sim, exatamente." Ele concorda, assentindo. "Não são seus para contar. E se eu prometer não enganá-la de qualquer maneira, mas você tiver que soltá-la se eu deixar você saber se a informação for, por falta de uma palavra melhor, secreta?"
"O que aconteceria se alguém descobrir que eu sei?" Pergunto curiosamente.
"Nesse caso, muito provavelmente, você teria, ou que morrer, ou se tornar uma de nós." Ele diz, seu tom brusco e claro. Ele para por um segundo, e acrescenta baixinho, "Ou poderíamos ir embora. Teríamos que nos esconder, mas provavelmente poderíamos fugir com isso".
"Você quer dizer, de acordo com as leis, eu tenho que tornar-me uma va-" Antes de terminar, a mão dele tapa a minha boca novamente.
"Caramba, Bella." Ele geme. "Eu estou fazendo o possível aqui, e você não está facilitando as coisas".
Penso que seria ridículo se eu não estivesse tão consciente do braço dele envolvendo meus ombros.
"Por que dizer..." Eu hesito enquanto ele começa a franzir a testa para mim. "Por que dizer isso em voz alta seria um problema? Existe alguma forma para alguém além de nós saber sobre isso?"
"Eventualmente, sim." Ele diz gravemente, voltando a sentar ao piano. Ele começa a tocar uma música estranha e sombria que eu não conheço. "Aqueles que cumprem essas coisas têm maneiras de descobrir. E eu tenho medo que se o Dr. George conseguir o que quer, você acabará praticamente sendo vizinha deles no ano que vem na Itália".
"Em Volterra?" Eu ofego. "Como você sabe sobre isso?"
"Eu ouvi o Dr. George... pensando nisso." Ele diz, observando meu rosto.
Click. Mais uma vez, isso explica muito. Exceto...
"Mas você disse que não podia ler minha mente!" Aponto acusadoramente.
"Eu não estava mentindo. Eu não posso." Ele rapidamente me assegura. "Você é a única pessoa que já conheci cuja mente é completamente silenciosa para mim".
"Isso é o que você quis dizer quando falou que eu era silenciosa?" Pergunto, grata por qualquer defeito cerebral que deu-me essa abençoada privacidade.
Penso em todas as vezes que eu apenas olhava para suas mãos elegante enquanto ele tocava, imaginando em detalhes gráficos como seria se ele me tocasse daquela maneira, e fico ruborizada. Não consigo imaginar ser tão linda como Edward e ser forçada a lidar com as fantasias eróticas assim de todo mundo que o acha atraente. Não consigo imaginar precisar lidar com pensamentos íntimos de outra pessoa. Eu não gostaria de estar na cabeçona da Putaexplosão nem por um milésimo de segundo.
"Percebo que a situação é péssima." Concordo com relutância. "Seria bom dar pausa nisso aí".
"Sim. Estar perto de você, é muito complicado para mim." Ele diz, um canto da sua boca curvando ligeiramente. "Mas tirando isso, bem, é bom ter uma companhia sem todas aquelas conversinhas. O que me surpreende é quantas vezes eu quero poder ler a sua mente".
"Bem, eu fico feliz que não possa." Admito. "Mas o que você quis dizer com 'é complicado?'"
"Vamos dividir isto em duas conversas. Há a conversa sem conseqüências, com você fazendo a escolha. Há também a conversa que discutimos anteriormente, a que eu esperava evitar".
"Qual você quer que eu escolha?" Eu pergunto.
"Honestamente? As duas." Ele admite. "Mas eu não tenho o direito de sequer considerar isso, certamente não antes que você saiba algumas coisas a meu respeito. Eu não a culparia se você nunca quisesse me ver de novo depois de hoje à noite".
"Eu estaria segura em Volterra se eu não escolher entender a história toda?" Pergunto, pensando a respeito. "Oh! O Dr. George sabe? Ele é um de vocês?"
"Talvez como resposta à primeira pergunta e, definitivamente não sobre as duas em relação ao Dr. George." Ele diz. "Por mais que eu queira dizer para você ficar longe de lá, a oportunidade que ele oferece é completamente legítima. Ele passou pelo mesmo programa lá, sem nunca descobrir a verdade. Tenho a impressão de que as suas suspeitas permaneceriam em segredo enquanto eu, pessoalmente, evitasse o contato direto com eles. No entanto, você pode entrar em problemas, de qualquer maneira. E eu não vou ser capaz de ajudá-la, se for esse o caso".
"Você não poderia ir também?" Pergunto, franzindo a testa. "A ideia toda parece como um sonho lindo, bom demais para ser verdade. Eu acho que não considerei realmente todos os detalhes porque simplesmente não parece real para mim. Dr. George continua dizendo que entrar no programa é como ganhar na mega-sena da ópera".
"Ele tem razão, Bella." Ele diz suavemente. "Seria o caminho mais direto para a fama e fortuna. Mas lá eu não poderia nem chegar perto de você".
Eu olho nos seus olhos e vejo que ele está falando a verdade. A ideia de passar um ano inteiro sem Edward é dolorosa demais para considerar. Até agora eu só preenchi a papelada, imaginando que a história toda era mais um sonho do que uma realidade.
"Não estou gostando disso." Falo baixinho, sentada ao lado dele no banco ao piano.
"Nem eu." Ele admite, seu olhar persistente mais uma vez na minha boca antes de ele se virar para tocar algumas notas aleatórias. "Mas se é tudo o que você sempre sonhou, Bella – eu não posso pedir para você abrir mão disso por mim".
"Agora eu sei que você não pode ler meus pensamentos." Eu o informo. "Eu nunca sonhei em ser famosa. Nunca passou pela minha mente! Talvez um ou dois cantores de ópera em uma geração ficam realmente famosos".
Ele me olha como se eu tivesse duas cabeças.
"O quê?" Eu pergunto, autoconsciente.
"Você sabe que isso a torna a única cantora que eu já conheci que não sonha em ser essa exceção à regra?" Ele pergunta, colocando algumas mechas de cabelo atrás da minha orelha. Seus dedos ficam parados lá por um momento, e eu começo a tremer.
"Não me entenda mal." Eu digo. "Eu gosto de cantar na frente das pessoas, se estiver tudo bem. Mas eu não tenho que ser famosa para fazer isso".
"Bem, fama é uma opção para você agora." Ele me lembra. "Eu acho que você deve considerar isso".
"Mas você está dizendo que é uma opção que exclui ter você em minha vida." Respondo.
Ele parece tão triste que eu quero abraçá-lo, mas agora não é o momento.
"Mesmo se você quiser isso, eu não estou tão certo assim de que você estaria segura na Itália. O mesmo silêncio que a protege poderia fazê-los quererem você para algo mais do que apenas cantar".
"Todos eles podem ler mentes?" Pergunto. "Tipo, eu faria pelo menos uma refeição agradável e tranquila?"
"Não, não é assim." Ele diz, irritado. "E não, somente eu e outra pessoa podem fazer algo muito parecido. O seu silêncio pode indicar um grande dom, o que a faria muito poderosa se você se tornar uma de nós. E eles procuram esse tipo de talento na minha espécie, ainda mais ferozmente do que dons artísticos na sua".
Os olhos dele brilham quando fala se você fosse se tornar uma de nós. Fiquei me perguntando se ele já pensou em me transformar. Agora eu sei. Honestamente, desde que passou pela minha cabeça a ideia de ser imortal sem ser uma assassina, eu considerei isso uma vez ou duas - especialmente se isso significa ficar com Edward.
"Agora eu entendo por que você tem estado tanto em conflito." Eu digo, tocando algumas notas de MoonlightSonata . "Mas até agora você não me disse nada que me faria odiá-lo".
"Eu sei." Ele diz, alegremente juntando-se comigo e tecendo notas com as minhas para complementar a melodia. "Isso tem a ver com a outra conversa".
Ele para de falar por muito tempo enquanto continuamos a canção, mas não o pressiono. Posso sentir que essa é a coisa mais importante, e é difícil para ele dizer.
"Mas eu posso te dizer uma coisa: Eu matei pessoas, Bella".
Sinto um arrepio na minha corrente sanguínea.
"Eu pensei... eu pensei que você só matava cervos".
"Agora eu só mato cervos e outros animais. Faz algum tempo desde que eu matei uma pessoa – não que isso faça diferença".
"Pode fazer alguma." Digo ansiosamente. "Quanto tempo faz?"
"Um pouco mais de oitenta anos." Ele diz.
Encaro-o, tentando moldar 80 anos naquele belo rosto sem rugas. Não consigo. Não encontro uma morte lá também, diferente do vampiro daquele beco. O rosto do outro gritava assassino. Respiro profundamente, preparando-me para a próxima pergunta.
"Quantas pessoas você já matou?" Pergunto de olhos fechados. Eu quase quis que ele pudesse ler minha mente agora. Por favor, saiba quantos foram.Quero que se importe com isso também.
"Cento e trinta e sete." Ele confessa em um sussurro quebrado.
Minha respiração escapa numa rajada e meu estômago vira numa guinada seca. De repente eu fico feliz por não ter comido nada. Pensamentos completamente absurdos vêm à mente a respeito de todos os filmes de vampiros e programas de televisão que eu já vi. Há sempre algum vampiro sexy seduzindo alguma dama. Pensei tão longe, mas a suspensão da descrença tem um limite, e eu não consigo conciliar sensualidade com assassinato. Um deles não pode fazer parte da mesma pessoa.
"Você sabe como se chamavam? Você os conhecia? Ou eram apenas... convenientes?"
"Convenientes?" Ele pergunta, chocado. "Claro que não! Esta não é a palavra que eu usaria. Eu sabia alguns dos nomes, mas eu os escolhi de propósito".
"Com qual propósito?" Pergunto, agarrando-me à palavra como um pedaço de madeira flutuante solitária num mar muito agitado. Algo me ocorre então, e eu abro meus olhos para encará-lo. "Você lia a mente deles".
"Sim. Eu achava que estava fazendo uma boa coisa." Ele explica. "Procurei os piores tipos de homens. Homens que mataram alguém e estavam determinados a matar novamente. Estupradores em becos escuros, encurralando alguma infeliz dama. Acabei com todos eles, procurando homens que planejavam cometer atos horríveis envolvendo a morte da vítima, pelo menos na intenção. Eu os seguia até que ficava claro que eles realmente fariam aquilo. Eu sempre dei a todos a oportunidade de parar, até o último momento. Eu sabia o que eles estavam pensando. Eu pensava... na hora, eu pensava que ficaria equilibrado".
Suspiro em alívio. O frio e náuseas desaparecem rápido, mas não inteiramente.
"Charlie, meu pai - ele matou pessoas também. Não tantas assim, mas eram homens como esses aí." Eu acrescento, pensando no tempo que ele tirou licença. "Entendo porque isso o perturba, mas isso não o torna um deles".
"Não?" Ele ri amargamente. "Eu não estou tão certo sobre isso. O seu pai pode ter precisado matar algumas pessoas durante o dever, mas estou bastante certo de que ele deixou os corpos deles relativamente intactos depois. Eu não. Tive que esconder os corpos uma vez que eu passei por eles. O que eu fiz foi revoltante. E... irreversível".
"Então, por que você parou?" Eu pergunto, pensando sobre a lenda Quileute.
"Carlisle." Ele disse calmamente.
"Isso foi quando você o conheceu?" Eu toco sua mão e o brasão dos Cullens em sua abotoadura.
Que bom que ele não consegue ler minha mente, penso, percebendo que não só a minha reação interna poderia machucá-lo, mas também que a sensualidade está definitivamente de volta agora que a parte assassina mais parece homicídio justificado.
"Não, essa é a pior parte." Ele admite. "Eu já conhecia Carlisle, e tinha vivido de acordo com as regras dele por anos. Eu deveria saber mais. Pensei que seria diferente se eu estivesse salvando pessoas boas e acabando com os maus. Eu estava brincando de Deus".
"Faz sentido." Eu digo, tentando me colocar na situação dele. "Entendo por que isso seria tentador. Não ajuda pensar nas pessoas que você salvou?"
"Claro." Ele diz, olhando a minha mão no braço dele como se fosse uma fascinante espécie da natureza. "Não é direito meu decidir quem vive e quem morre, mas ajuda saber que alguém viveu por causa dos meus pecados".
"E seus filhos, e o filhos dos filhos deles." Percebo-me sorrindo, só um pouco.
Omnes Generations*. Silenciosamente penso nas pessoas que devem sua própria existência a Edward e nunca saberão que ele existe.
*Omnes generations: todas as gerações, referência a uma música de Bach.
"Eu tento não pensar sobre isso, mas sim. Isso também." Os olhos de Edward elevam para encontrar os meus, e sei que ele está pensando na mesma coisa.
"E por que você parou?" Eu pergunto, entrelaçando os meus dedos com os dele, apertando um pouco.
"Eu costumava dar às famílias um pouco de dinheiro, se o assassino - a minha vítima – tivesse uma." Ele diz baixinho, olhando nossas mãos unidas, maravilhado. "O último, bem, ele tinha uma família, e eles não tinham ideia que ele morreu. Era neles que ele pensava quando morreu. Eles o amavam. Então, eu os encontrei. Eu podia ouvir a dor deles, a preocupação. Eles nunca encontraram o corpo. Tive a certeza que não encontrassem. Isso me fez perceber que eu não estava agindo corretamente. Isso me fez enfrentar a parte mais vil do meu crime".
"E agora, o que acontece se você ouvir alguém pensando em cometer um assassinato? Você simplesmente vai embora?" Pergunto, curiosa. "Ou eu sou um caso especial?"
"Você é muito mais que um caso especial." Ele diz, dando-me um olhar abrasador que me deixa um pouco tonta. "Mas não, claro que não. Isso não acontece com muita frequência, mas quando eu me deparo com algo parecido eu, é claro, paro isso. Eu só não mato os malditos depois, mesmo que isso seja realmente tentador".
Sorri de verdade nessa hora, e ele sorri também, embora com apenas metade da boca, e um pouco de culpa que apareceu nos seus olhos.
"Tem mais alguma coisa?" Eu pergunto, cutucando. "Você está escondendo algo".
Nada pode ser pior do que matar cento e trinta e sete pessoas. Seu sorriso enfraquece, os olhos parecem realmente transmitir culpa. Não culpa assassina, mas ainda assim culpa.
"Você vai querer tirar a sua mão da minha depois disso." Ele diz arrependido, com um aperto muito gentil e a soltando. Ele começa a tocar o piano novamente, apenas um acorde, e para.
Ele se levanta e começa a andar e a passar as mãos pelos cabelos.
"Vamos, Edward. Fala logo." Eu digo, começando a sentir-me preocupada. "Você está me assustando agora".
"Certo." Ele diz. "Bem, falando em você ser um caso especial, o que tenho a dizer é algo que, tipo, começou naquela noite".
"Ele era um de vocês, não é? O cara no beco?" Eu pergunto, sentindo meu coração começar a bater em pânico. Eu me levanto e paro ao piano, não querendo ficar sentada como uma criança enquanto ele passa por mim.
Ele não responde, mas nem precisa. O rosto dele suaviza e ele se aproxima de mim, e lá está a familiaridade com a maneira como ele suavemente toca meu cabelo e beija minha testa. Estou sentindo como um grande déjà vu, mas não situo isso com precisão. Então eu me lembro.
"Você ficou comigo." Eu disse suavemente. "Para acordar-me da concussão. Você cuidou de mim".
"Sim, é isso que eu quero dizer." Ele diz, dando meio passo para atrás. "No começo, foi a concussão... e ele. Eu tinha certeza de que ele a procuraria. E eu estava preocupado com a sua cabeça. Mas então, meio que... se tornou um hábito".
"O que se tornou um hábito?" Pergunto em tom de conversa que desmente a profunda desconfiança crescente em minha mente.
"Eu meio que encontrei-me protegendo você, a maior parte do tempo." Ele murmurou, olhos meio fechados.
"Como é, você tem me observado dormir todas as noites?" Faço piada. Ele nem ri, ou me encara, e então a realização me atinge. Meu rosto fica extremamente quente. "Edward! Você tem me observado dormir? O que diabos é isso?"
Ele tem a graça de estremecer. "Se ajudar, eu sei que é assustador e errado, e eu me sinto muito, muito mal por isso".
"Você deveria se sentir péssimo." Eu digo, empurrando o peito dele, realmente chateada. "Isso é apavorante. Quantas vezes? Você fica perto da minha cama e só me observa como um perseguidor pervertido?"
"Ok, eu mereço isso." Ele diz, erguendo as mãos no ar.
"Oh Deus! Você me vê trocando de roupa e no banho também?"
"Não! Deus, não!" Ele exclama, parecendo tão horrorizado que eu realmente acredito nele. "Não, eu não faço isso, juro! Quero dizer, você é linda e eu adoro observá-la, mas não assim".
"Bem... se você diz isso." Eu falo, pensando no você é linda e eu adoro observá-la. Ele é tão sortudo que ele é bonito.
"Em minha defesa, eu só estava tentando protegê-la." Ele continua, sério. "Não é culpa minha se você tinha pesadelos. A primeira vez que você falou meu nome, achei que você estivesse acordada. Estou aliviado que você sabe agora. Eu não tinha ideia que você estava dormindo até que começou a falar coisas sem sentido".
Estou olhando para ele, olhos semicerrados e me sentindo um pouco transtornada. Por um lado, ele é um vampiro assustador e perseguidor. Por outro lado, ele me salvou de um vampiro mais fraco não apenas uma vez, mas eu suspeito que muitas outras nos meus sonhos. Só me lembro de alguns deles, quando o pesadelo durou o tempo suficiente para me fazer acordar gritando, apavorada e sozinha. Tremo só de pensar nessas noites. Não dói que eu estive me apaixonando por ele por meses e achando-o incrivelmente atraente.
"Eu aprecio a gentileza," admito, "mas não tem mais essa de observar-me, a não ser que eu saiba que você está lá".
"Você me perdoa?" Seus olhos se iluminam com entusiasmo. "De verdade?"
"Eu não disse isso." Eu aviso. "Mas eu não terminei de fazer perguntas. Eu acho que estou mais curiosa do que irritada. Posso até perdoá-lo, eventualmente, se você nunca mais mentir para mim de novo e mantiver suas visitas de forma que eu fique ciente delas. E você pode continuar respondendo minhas perguntas. Eu gosto disso." Acrescento como uma boa medida.
"O que mais você quer saber?" Ele pergunta, olhos negros brilhando com uma alegria luminosa que eu nunca vi nele antes.
Minha respiração para. Há uma coisa que eu realmente quero saber. Mais do que qualquer outra coisa a ver com vampiros e com regras esquisitas.
"Por que você nunca me beija?" Eu pergunto timidamente, olhando para ele com a minha cabeça ainda curvada. "Você não quer?"
"Jamais pense que eu não quero, Bella." Ele diz, estendendo a mão para acariciar meu rosto enquanto ele olha nos meus olhos com aquele olhar brilhante como o de um tigre. Eu não posso dizer se me deixa nervosa em um bom sentindo, ou apenas nervosa quando ele faz isso.
"Então por que não? Tem a ver com o que você é?" Eu pergunto, tentando manter meus pensamentos em conjunto, e falhando miseravelmente.
"Um pouco." Ele admite, inclinando meu rosto em direção ao dele. Oh, ótima idéia. Umedeço meus lábios num reflexo e seus olhos ficam levemente arregalados. "Mas é mais sobre o que eu já fiz. Eu pensei que você merecia saber primeiro. Eu não podia suportar pensar em você lamentando o que poderia ser o momento mais bonito da minha existência".
"Oh." Falo inutilmente, incapaz de pensar em qualquer outra objeção diante dessa revelação.
Não posso deixar de notar que ele está ficando cada vez mais perto pelas mínimas aproximações. É quase insuportavelmente lento. Exatamente quando eu estou prestes a perder a paciência e me jogar em cima dele, ele de repente fecha os seus olhos e eu sinto, ao invés de ver os lábios dele. Meus próprios olhos se arregalam com a mudança, como se eu estivesse de alguma forma tentando ver este evento maravilhoso em vez de apenas senti-lo. Seus lábios, no início gelados e rígidos, rapidamente se tornam um pouco mais quentes e macios nos meus. Logo estamos nos beijando em um ritmo doce, lento, que me faz sentir como se estivéssemos num barco. Estendo as mãos, deslizando-as pelo pescoço dele e pelo cabelo desalinhado, tentando puxá-lo para mais perto.
Logo percebo que ele está quase me colocando em cima do piano quando sinto meus ombros tocarem a madeira envernizada. Eu ouço um ruído surdo vindo do peito dele enquanto minha língua se lança a lamber seus lábios. De repente, sinto suas mãos segurarem meus braços firmemente enquanto ele me olha num movimento frenético. Ele sorri perigosamente quando se afasta, lambendo seus próprios lábios. Ele me solta, recuando ainda mais, e eu me inclino com um baque contra o piano.
Estou confusa e mal no controle dos meus pensamentos, quanto mais de qualquer outra coisa, mas ele não poderia ficar mais agitado. Com seu cabelo cor de cobre virado para todas as direções, ele parece como um leão no zoológico, caminhando animadamente antes do jantar. Não posso evitar a minha comparação, e abafo uma risada nervosa, mordendo meu lábio inferior. Ele deve ter ouvido isso porque ele olha para mim um pouco severo. Eu dou um sorriso para mostrar o quanto eu confio nele, e seu rosto relaxa num sorriso deslumbrante.
"Eu deveria levá-la para casa." Ele diz, sua voz mais profunda do que o habitual.
Respiro profundamente para me recompor.
"Ok, mas se você vai ficar, você tem que se deitar comigo, não me espionar como um perseguidor vam-" Eu o provoco, até que ele põe a mão sobre a minha boca.
"Não me tente." Ele ri, enrolando o outro braço em volta de mim. "Agora que eu descobri uma maneira deliciosa de fazer você parar de dizer essa palavra".
Ele tira a mão de cima da minha boca com um olhar de advertência meio brincalhão. Ele se afasta e espero até que ele pegue meu casaco para eu falar:
"Que palavra seria, Edward?" Pergunto, meus olhos arregalados com falsa inocência. "Oh, você quer dizer a palavra vam-"
Nós dois rimos quando a boca dele cobre a minha de novo. Quebramos o beijo relutantemente após um longo minuto de um delicioso emaranhado de línguas.
"Está vendo o que fiz?" Ele pergunta ao teto, revirando os olhos dramaticamente. "Eu criei um monstro."
Nota da Tradutora:
Capítulo não tão dramático quanto o anterior, com muitas revelações e beijos :) Espero que tenham gostado, assim como eu.
Nota da Ju:
O próximo cap. é uma cena extra, a visão do Edward sobre este capítulo.
Porém, ele só será postado quando vc's decidirem deixar reviews!
O último cap. recebeu apenas 3 e tem 24 pessoas com essa fic em alerta, então, cadê as outras 21?
Eu já disse isso em várias fics que traduzo e vou repetir, isso aqui é uma troca!
Nós traduzimos e o mínimo que esperamos de vc's é que deixem reviews! Nós fazemos isso de graça! Não ganhamos nada e nos esforçamos, entre o trabalho, faculdade e outras coisas da vida real, para postar sempre em dia pra vc's! Então vc's podiam, no mínimo, deixar reviews!
Pra gente é muito mais simples apenas ler a fic e pronto, sem precisar traduzir! Mas estamos aqui fazendo um esforço e queremos a colaboração de vc's tb! Afinal, se a gente atrasa um dia pra postar, aparece 'trocentas' pessoas reclamando, então agora quem faz a reclamação sou eu!
É como eu disse, só posto o próximo cap. quando receber reviews!
Ju
