Música do capítulo (retirar os espaços):
* Bizet - Je dis que rien ne m'epouvente* (I say that nothing scares me) (de Carmen): http:/ www. youtube. com/ watch?v =bRrYwTxxQ_g
* Stevie Wonder - They Won't Go When I Go:: http:/ www. youtube. com/ watch?v =whjD_1E0Lls
* Aquecimento da Orchestra: http:/ www. youtube. com/ watch?v =4xeSF0-PwPA
* Orchestra sincronizando: http:/ www. youtube. com/ watch?v =RHSbZBuqOvU
* Maxim Vengerov – Brahms - Dança Húngara No.5: http:/ www. youtube. com/ watch?v =nKHQ36NOxzk
Capítulo 14 – Todos em seus lugares
Tradutora: Shampoo-chan
~oЖo~
Puxando meu traje para a ópera, tento fazê-lo assentar corretamente, mas ele é muito grande. Sempre que eu tento enfiar a blusa dentro da cintura, a gola se desfaz, e sempre que eu arrumo a gola, a camisa de alguma forma fica novamente fora da saia. Quanto mais eu ajusto pior fica, e eu começo a me preocupar.
Como pode ser isso?Como vou entrar no palco em uma hora, quando nós ainda não começamos os ensaios?Eu conheço a música, mas não tenho ideia do que fazer no palco.Acho que vou simplesmente fingir.
A Putaexplosiva está sentada do outro lado do camarim das mulheres, escrevendo no seu odioso blog. Ela tira uma foto de mim com o celular, eu lutando com a minha roupa, e ri de mim.
Você vai foder com tudo isso, Isabella Swan, ela ri. E eu vou estar lá para gravar o desastre.
Tento ignorá-la e ajeitar o meu traje pela última vez. Ele parece melhor, mas ainda estou preocupada.
Precisamos de todo mundo em seus lugares em cinco minutos; em seus lugares em cinco minutos , ouço o Dr. George dizer pelo interfone.
Cinco minutos?O que aconteceu com a minha hora? Meu traje parece pior ainda, mas não há tempo para isso. Eu tenho que ir para o palco.
Corro para fora do camarim, só para tropeçar e cair, como acontece com muita frequência. Olho para baixo e vejo uma mancha vermelha desabrochar na minha saia na altura do meu joelho e me preocupo com Edward. Consigo ouvi Bizet tocando pelo interfone, e isso me deixa em pânico. Essa é uma ópera completamente diferente, mas sei qual é essa ária. Conheço o refrão, mas não lembro as primeiras palavras, e meu joelho dói loucamente. Preciso de curativos, mas não tenho tempo. Tenho que ir ao palco com uma enorme mancha de sangue na frente do meu vestido. Corro em direção ao lugar onde deveria haver escadas para o palco, e percebo que estou completamente perdida. Em corredores estreitos e escuros.
Como?Eram só alguns metros do camarim ao palco, Bella, repreendo-me, virando um corredor para eu voltar. Encontro só a sala da caldeira. De alguma forma chego ao porão.
Fantástico.
Eu tenho que me perder no porão na hora que eu preciso estar no palco.
Ouço um zumbido vindo de trás da caldeira, e quando eu olho, vejo um enorme ninho de vespas. Eles estão flutuando ao redor do ninho, e eu não posso deixar de notar, mesmo com meu sangue correndo frio, como elas se movem muito bem. Eles ainda não estão com raiva. Não posso deixá-las com raiva, mas é difícil relaxar e não mostrar o meu medo quando estou perdida, sangrando e com um caso maciço de medo de palco prestes a aflorar.
Acalme-se, digo a mim mesma, e ando lentamente para trás. O que é que eu devo lembrar sobre vespas? Nada de movimentos bruscos.
Certo, sem movimentos bruscos.
Todos em seus lugares.Isabella, precisamos de você no palco.Não me decepcione, garota. De alguma forma, a voz Dr. George se transformou na da minha avó na última frase. Talvez ela esteja aqui - talvez eu consiga encontrá-la.
Lentamente saio da sala da caldeira e esbarro em Alice, que está tocando violino no corredor escuro. A caixa dele está aberta, e há dinheiro nela. Quem diabos jogaria dinheiro na sua caixa no porão do prédio de música?
Alice, cuidado - não toque muito rápido!Você vai assustar as vespas, e elas vão te atacar! Sussurro, mas ela não me ouve. É como se ela não pudesse ver, ou me ouvir. Ouço o zumbido se aproximando.
Ela toca mais e mais rápido, suas mãos talentosas trabalhando loucamente e os olhos acesos com o espírito da música. Tento chamar sua atenção, gritando o nome dela, e ela finalmente se vira para mim, sorrindo.
Eu posso ver tudo, ela diz, ignorando as vespas pairando ao redor agora. Sua mão, muito mais fria que o habitual, toca o meu rosto.
Algo errado, amor? Ela pergunta com a voz de Edward. Eu pisco, e é Edward, afinal, segurando meu rosto entre as mãos enquanto as vespas circulam ao nosso redor num furioso padrão. Ainda posso ouvi-lo tocando Bizet no outro andar.
Sinto muito, Edward.Eu caí, e isso vai ser difícil para você, eu confesso, apontando para a minha saia, que agora está coberta de vespas. Lembre-se apenas que eu te amo, ok?
"Fale-me quando estiver acordada." Ele pede, tocando minha bochecha.
Acordada? Pergunto, fascinada quando primeiro ferrão de uma vespa perfura as costas da minha mão. Curiosamente, não dói nada, e o corredor à minha volta desaparece, exceto o toque na minha bochecha.
"Falar para você o que quando eu estiver acordada?" Pergunto sonolenta e levanto-me nos meus cotovelos.
"Acordando, finalmente? Deve ter sido um sonho e tanto esse que você estava tendo." Ele sorri para mim, continuando a acariciar meu rosto. "Muito do que você disse não fez sentido".
Aconchego-me no seu toque, suspirando em doce alívio. Estamos no apartamento dele para uma mudança, na cama ridiculamente nova e confortável que ocupa o que é a sala e o quarto.
"Foi, hum... Alice se transformou em você, e a ópera já estava acontecendo, mas eu me perdi no porão, e havia abelhas, acho." Murmuro, reprimindo um bocejo atrás da minha mão enquanto os detalhes do sonho desaparecem rápido demais para descrever adequadamente.
Meu celular toca, e eu verifico o número. É a chamada semi-regular de Renée aos domingos. Mordo meu lábio. Estou evitando isso há muito tempo, mas não sei se quero Edward testemunhando metade dessa conversa. Ele fica apenas me observando com um olhar extremamente divertido no rosto.
"Você prometeu que contaria a ela." Ele sussurra, abrindo o meu telefone para que eu seja obrigada a atender a chamada.
Eu não estou acordada ainda! Apenas mexo meus lábios sem que saia a voz, horrorizada e um pouco chateada.
"Bella? Você está aí?" A voz da minha mãe pergunta com preocupação.
"Oi, Renée." Eu digo, olhando para Edward. "Desculpe, acabei de acordar. Eu não tinha ainda me levantado para atender".
"Então por que atendeu?" Ela pergunta, depois ofega, tendo uma daquelas suas espetaculares ondas de iluminação. "Ele pegou o telefone, não foi? Ele está aí, e você acabou de acordar. Oh, baby, estou tão orgulhosa de você! Não admira que não tenha atendido os meus telefonemas ultimamente! Oh, minha menininha é uma mulher agora! Phil, escuta só essa!".
"Mãe!" Eu grito, meio implorando. "Quer parar com isso? Por favor?"
"Estou brincando, Phil nem está por aqui mesmo." Eela mente, enquanto eu o ouço espirrando e resmungando ao fundo.
Tudo fica em silêncio do lado dela, e eu decido deixo essa passar. Edward tenta esconder um sorriso, mas ele olha para as minhas bochechas, que se aquecem. Bato nele com um travesseiro e levo o telefone para o banheiro. Parece o local ideal para as funções indelicadas.
Quando eu saio, aliviada por ter sobrevivido ao bombardeio preliminar, Edward tem o café da manhã pronto para mim em uma daquelas bonitas bandejas projetadas para novos casais, Dia das Mães e pessoas doentes. Ele está ouvindo alguma música de Stevie Wonder que nunca escutei antes. É bonita e meio triste, e ela corresponde ao rosto de Edward.
"Bonita música. Acho que nunca a ouvi antes." Eu digo, sentindo-me vagamente culpada.
Pergunto-me se fiz algo errado, e tento observar tudo através da perspectiva dele. Sinto como se estivesse alguma coisa errada.
"Sim, ela não é muito tocada. Ela me lembra meu pai. Carlisle, quero dizer." Ele esclarece, dando-me um sorriso triste.
"O seu pai está bem?" Eu pergunto, voltando para debaixo dos lençóis. Escovei os dentes no banheiro, mas não sinto que agora é o momento adequado para um beijo, então eu tentativamente acaricio a mão dele, em vez disso. Sinto-me um pouco nervosa para comer o café da manhã agora.
"Tenho certeza de que ele está bem." Ele diz, tomando a minha mão. "Eu estava esperando ligar para os meus pais em breve. Eles estão pedindo para falar com você, e eu pensei que seria uma boa forma de se apresentar".
"Ah, é?" Eu falo, percebendo o por que de ele estar chateado. Meu estômago remexe um pouco. "Olha, eu não sabia".
Ele brinca com o próprio telefone, fazendo uma careta e recusando-se a olhar para mim. Stevie Wonder diz que preciso ser boa, o que eu entendo que implica em ser honesta, então eu respiro fundo e tento novamente.
"Hum, sobre Renée." Eu começo, e Edward olha para mim novamente. "Ela quer conversar com você também, mas eu queria meio que preparar vocês dois primeiro. Eu não tenho vergonha dela, o problema é que ela diz tudo que vem à cabeça na hora, e pode ser um pouco chocante para as pessoas. E você é muito formal e educado, sabe? Ela pode provocá-lo a respeito disso e tentar fazê-lo relaxar e agir como alguém da sua idade. Eu só não queria que nenhum de vocês ficasse ofendido, ou com raiva, por causa de um mal-entendido".
"Você não tem vergonha dela? Por que você deveria ter?" Ele pergunta, franzindo a testa. "E quanto a mim, você tem vergonha de mim?"
Dou uma risada na cara dele, surpresa com a pergunta ridícula. Ele faz esse barulho que varia entre um resmungo e um rosnado e lentamente segura meus pulsos em suas mãos. Eu ainda fico rindo até que ele me tem de repente de costas e presa à cama. Isso é muito quente, mas eu noto também que a bandeja de café nem mesmo treme. Isso é que é um colchão de qualidade.
"Por que diabos eu teria vergonha de você?" Pergunto enquanto envolvo minhas pernas ao redor da cintura dele. É um pouco arriscado para nós, já que estou vestindo apenas calcinha e uma camisa enorme de Edward, mas ele está usando um pijama de flanela, então há cobertura suficiente. Um tecido bom, felpudo e macio num jovem forte. Jovem na aparência, de qualquer maneira, e com certeza forte.
"Talvez porque eu seja um meio-demônio desalmado e centenário?" Ele pergunta, sentando-se e tentando desprender delicadamente minhas pernas.
Ele não quer me machucar, e meus tornozelos estão entrelaçados, então ele falha. Consigo senti-lo endurecer entre as duas camadas de tecido, e eu dou um gemido divertidamente, cobrindo as mãos dele com as minhas. Ergo-me para um beijo. Ele não coopera.
"Você fala sério sobre esse negócio de alma, não é?" Eu pergunto com admiração.
"Claro que eu falo." Ele diz com uma voz áspera.
"Se eu tenho uma alma, você também. Como isto aqui seria então possível?" Mexo minha mão entre nós. Ele desvia o olhar, então eu continuo. "E, além disso, se sua espécie não tem uma alma, então, primeiro, eu não acho que você seria capaz de se importar de não ter uma e, segundo, não haveria como esta canção poder lembrá-lo do seu pai".
Ele pisca, e permanecemos imóveis por alguns instantes, ouvindo o poderoso espiral de sons se construindo ao fundo, elevando-se em um reino misterioso e desconhecido. Eu não sei o que a letra quer dizer exatamente, mas eles convidam o ouvinte a acompanhar algo difícil e verdadeiro e belo e puro.
"Isso realmente lembra seu pai?" Eu pergunto. "Eu acho que vou gostar muito dele".
"Eu sei que vai." Ele diz, o rosto dele quebrando em um sorriso. "Você está pronta para dizer oi?"
"Claro." Eu falo, sentindo-me nervosa.
Relaxo minhas pernas em torno dele e analiso a bandeja do café da manhã. Parece uma coisa vinda de alguma reportagem sobre boa nutrição. Provavelmente é de onde veio, conhecendo Edward. Pego a xícara de chá quente e tomo um gole. Ervas, porque Edward acha que cafeína me deixa hiperativa. Às vezes ele realmente age como se tivesse 100 anos. Não há nenhuma maneira que estou reclamando do café na cama, de maneira alguma, então eu não toco no assunto. O som da discagem européia me força a alisar meu cabelo e a sentar-me direito.
"Relaxe, ninguém pode ver você." Ele diz, enquanto estende a mão para o seu telefone. "E você está absolutamente adorável, mesmo se pudessem vê-la. Eu os tenho no viva-voz".
"Edward! Como vai, filho?" A voz do homem é quase tão bonita quanto a de Edward, mas mais quente, mais confortante. Eu posso imaginar que ele tem maneiras muito agradáveis.
"Estou bem, Carlisle, e eu tenho Bella aqui do meu lado. Estamos no viva-voz." Ele ergue as sobrancelhas para mim.
"Olá, Dr. Cullen." Eu falo em uma voz que esperava que soasse como a de alguém que você quereria que namorasse o seu filho.
"Por favor, chame-me de Carlisle. É um prazer falar com você, Bella. Edward fala muito bem de você. Esme está aqui também." Ele diz. Eu ouço uma voz feminina encantadora exclamando baixinho no fundo, "Venha, podemos compartilhar o telefone".
"Oi, Esme." Edward disse. "Esta é Bella".
"Nós vimos uma encantadora imagem sua." Ela diz com uma voz que me faz imaginar córregos fluindo suavemente e o tipo de estímulo reconfortante que os cartões de Dia das Mães falam."Estou tão feliz por finalmente falar com você".
"Eu também." Eu digo, querendo desesperadamente não desapontá-la. "Você está gostando de pintar em Paris? Seu trabalho é muito bonito, pelo que Edward tem me mostrado".
Enquanto conversamos um pouco, Edward pega a minha mão. Eu fiquei sem querer torcendo os botões da minha camisa, proporcionando a Edward o que deve ter sido uma visão interessante, dado o perigoso olhar que ele tem em seus olhos. Eu arquejo e sinto o rosto enrubescer, envergonhada, e ele desliza o nariz pelo meu pescoço, brincando, dando-me um pequeno beijo atrás da orelha. Ele sabe que eu não consigo pensar quando ele faz isso.
"Desculpe." Confesso ao perceber que Esme acabou de me fazer uma pergunta, e eu não tenho ideia do que ela disse. "Edward me distraiu, e eu não entendi a pergunta".
"Bella me distraiu." Ele ri antes de eu pôr a minha mão sobre a sua boca.
Esme e Carlisle fazem os tipos de sons que os pais fazem quando veem seus filhos pequenos dando os primeiros passos, como 'awnn', e Edward revira os olhos.
"Não é como se vocês nunca tivessem me ouvido rir." Ele diz, constrangido. "Emmett me faz rir o tempo todo".
"Não é o riso, filho." Carlisle diz, e eu posso sentir o calor do seu sorriso brilhante com um oceano de distância. "Eu apenas nunca te ouvi soar tão feliz antes".
"Você deveria tê-lo ouvido cinco minutos atrás." Arrisco porque eu preciso muito vencer essa discussão. Edward me dá um olhar de aviso, mas eu ignoro. "Estou tentando convencer Edward de que ele tem uma alma, e ele está sendo teimoso e sombrio a respeito disso".
"Não conspire contra mim agora." Edward resmunga. Carlisle diz algo muito rápido para eu entender. Edward responde em igual velocidade.
"Ei, isso não é justo." Eu aponto.
"Oh, eu gosto dela." Esme respira feliz. "Edward, você tem que trazer Bella aqui para as férias de primavera. Eu insisto".
"Talvez." Ele diz, beijando meus dedos. "Eu não sei se Bella tem planos, e eu não quero pressioná-la.
"Isso é muito galanteador da sua parte." Ela aprova. "Mas eu não sou tão facilmente dissuadida. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Talvez possamos assistir a um dos seus concertos?"
"Podemos ter muitos concertos para você assistir em breve na Europa. Falando nisso, Carlisle," Edward diz, "o que você acha sobre a possibilidade de eu ir a Volterra com Bella ano que vem? Você acha que eles serão razoáveis a respeito disso?"
"Eu não tenho certeza se a sua ideia de razoável vai corresponder com a deles." Ele responde. "Mas eu estou devendo uma visita a Aro e Marcus, de qualquer maneira. Vou tentar fazer perguntas o mais discretamente possível, dadas as circunstâncias. Somos velhos amigos, afinal de contas".
~oЖo~
"Edward!" Alice exclama, correndo em nossa direção da escada da biblioteca. "Exatamente a pessoa para quem eu estava prestes a ligar. Preciso de um grande favor. Oi, Bella".
Ela abraça-me ferozmente e transfere os enormes olhos suplicantes de volta para Edward. Ele está sorrindo como se ela fosse uma criança implorando por chocolate. Ocorre-me que ele já sabe o que ela vai perguntar, e que a resposta é sim.
"Ouvi dizer que está na hora de dar parabéns, Concertina*." Ele diz, com uma reverência cortês.
*Concertino (do alemão Konzertmeister): é a primeira posição que um violonista assume em um concerto. No Reino Unido, o termo comumente utilizado é 'líder'. Qualquer solo de violino em um trabalho orquestral é desempenhado pelo concertino (exceto no caso de um concerto, em que solistas convidados podem ser ouvidos).
"Você pegou a primeira posição?" Exclamo. "Alice, isso é ótimo!"
"Eu deveria ter tido a primeira posição o tempo todo." Ela diz, com olhos estreitos e determinados. "Mas, felizmente, o afortunado destino e um pouco de sapinho corrigiram o grave erro cometido pelo nosso obviamente surdo maestro. Infelizmente, o mesmo destino se abateu sobre o nosso pianista, e o concerto é hoje à noite. Por favor, por favor, por favor, Edward, você pode tocar? É a Dança Húngara No. 5 de Brahms, eu tenho certeza que você conhece. O maestro me deu 30 minutos para encontrá-lo antes que ele chame outra pessoa, e eu não confio em mais ninguém que me deixa tocar do meu jeito".
"Claro que eu toco no seu concerto. Isso significa que eu vou ignorar o maestro a seu favor?" Ele ri enquanto ela faz uma dança boba de vitória e pega o celular.
"Ah, com certeza." Ela informa a ele, em termos incertos. Ela ergue um dedo enquanto escuta. "Maestro, sim, é Alice. Edward Cullen pode tocar. Ele pode estar no ensaio às quatro horas? Sim, ele diz que sim. Ótimo!"
Jasper se aproxima segurando dois grandes copos de café descartáveis e faz uma carranca para Alice.
"Mulher, você é impossível de acompanhar. Eu nunca deveria ter dado cafeína para você hoje de manhã. Hey, pessoal." Ele diz, dando-nos uma inclinação de queixo como saudação.
Edward fica com aquele olhar complacente com a referência de Jasper em permitir que Alice tenha cafeína, então eu roubo o copo com o nome de Alice escrito e bebo tudinho. É tão doce quanto A noviça rebelde em forma de bebida.
"Então, percebi que você se meteu no concerto desta noite." Jasper pergunta a Edward, enquanto Alice e eu passamos o café de lá para cá entre nós, bebendo como se fosse uma garrafa de uísque.
"Tomara que você não tenha sapinho." Sussurro para ela sob a minha respiração, evitando o olhar de Edward.
"Ugh, como se eu respirasse o mesmo ar que Mark Evans." Ela zomba, como se ela nunca tivesse se sentado ao lado dele por um ano. "Além disso, eu nunca fico doente".
Entramos na biblioteca e encontramos nossa mesa usual livre. Jasper senta conosco, o que é bastante estranho, mas, aparentemente, ele tem suas razões.
"Você sabe sobre o grande projeto que Alice e eu estivemos comentando?" Ele nos pergunta, e eu confirmo com a cabeça. "Eu estava esperando que vocês dois pudessem me ajudar, tocando uma canção ou duas, para demonstrar a evolução do piano".
"Parece interessante." Edward diz, e trocamos um rápido olhar. "É claro que nós vamos ajudá-lo. Nós apenas precisamos arranjar um horário. Bella e eu estamos nos ensaios e apresentações da ópera pelas próximas três semanas".
"Vamos fazer isso dar certo." Jasper sorri. "Eu aprecio isso. Terei um piano de cauda e um moderno no palco, por isso, se puderem conseguir uma composição do século 18 e outra do 19, eu ficaria agradecido. Para ter certeza, o primeiro é muito pequeno e o segundo muito exuberante, isso me ajudaria a fazer um belo contraste".
À medida que avançamos sobre os detalhes, incluindo planejar um tempo de execução, começo a pensar em como tudo está se movendo rapidamente. Tive que fazer um enorme esforço e poupar muito para conseguir ir à França durante o verão entre meu segundo e terceiro ano do Ensino Médio. Cada audição na época era um grande desafio, e era como se eu sempre tivesse meses para me preparar para uma apresentação. Agora tudo corre tão rápido, eu estou falando sobre ir para a França em um mês e para a Itália em sete, como se essas coisas pudessem acontecer tão rapidamente e com tão pouco esforço da minha parte. Qualquer um poderia pedir-me para cantar a qualquer momento, e eu deveria simplesmente fazer isso com algumas semanas de antecedência. Talvez um dia eu seja tão casual quanto Alice e Edward - serei convidada a cantar uma obra com um aviso de apenas algumas horas de antecedência. Sinto pânico do meu sonho de ansiedade voltar, e desta vez firmemente enraizado na realidade.
Além de tudo isso, eu estou prestes, ao que parece, a cada sessão de amassos, a perder minha virgindade com meu namorado exponencialmente bonito. Meu namorado que parece um pouco relutante em transformar-me em vampira. Antes eu agia como se ele estivesse sendo razoável, mas agora estou começando a ver o lado dele nas coisas. Intuitivamente, eu sei o que eu quero. Só não tenho certeza do quão rápido eu quero chegar lá. Alice e Edward estão debruçados sobre a partitura de Brahms, discutindo mudanças de tempo, e eu começo a me sentir um pouco fraca.
"Ei, irmãzinha." Jasper sussurra, sua mão quente esfregando suavemente minhas costas. "Você está bem?"
Edward olha para mim com preocupação e amor em seus olhos escuros, e eu encontro o olhar dele. A corrente flui fortemente entre nós, e tudo faz sentido novamente.
"Só estou preocupada com a ópera, irmãozão." Confesso, o que também é verdade. Ainda estou com os olhos travados com Edward, mas coloco minha cabeça agradecidamente no ombro largo de Jasper. "Mas eu sei que tudo vai dar certo".
~oЖo~
Depois do ensaio, Edward e eu caminhamos de volta ao meu dormitório e, em seguida, para o seu apartamento para trocar de roupa para o concerto.
"Charlie está vindo para ver a ópera." Eu digo e espero. Edward está olhando para mim com uma expressão guardada, então eu continuo. "Você gostaria de conhecê-lo? Como o meu namorado, quero dizer. Como você sabe, ele é um chefe de polícia, então ele provavelmente vai autuar você como-"
Eu paro porque eu giro, e a boca de Edward encontra a minha, faminta no começo, depois com doçura. Meus pés estão no chão, mas meus olhos estão fechados e, até onde sei, estamos girando, girando, e me pergunto se é possível fisicamente se dissolver de tanta felicidade. É incrível como essas formalidades de relacionamento são realmente importes para ele.
"Ele vai processar você." Repito enquanto ele beija o meu nariz novamente. Ele parece mais feliz agora do que estava o resto do dia.
"Espero que sim." Ele diz, segurando-me nos braços, então estamos andando de um jeito engraçado, como o monstro de Frankenstein. "Você vale a pena ser protegida".
~oЖo~
Jasper e eu nos sentamos cinco fileiras diretamente atrás do maestro, em assentos principais normalmente guardados para os grandes doadores da universidade.
"Como você conseguiu esses ingressos?" Eu pergunto enquanto a orquestra se aquece. Alice e Edward ainda não estão no palco. "Honestamente, Jasper, às vezes eu acho que você parece algum milionário excêntrico, ou chefe da máfia, ou algo assim".
"Eu só conheço um monte de gente." Ele diz encolhendo os ombros. "Os caras legais que normalmente ficam nestes lugares estão na costa leste agora, e eles não queriam que os bilhetes fossem para o lixo".
"Esta é uma das minhas músicas favoritas." Eu digo animadamente enquanto os músicos ajustam os instrumentos e tocam pequenos fragmentos do que está por vir. É tão caótico, mas mágico ao mesmo tempo. "É o som de antecipação".
Edward e Alice entram no palco, e me engasgo quando vejo quão incríveis eles estão. Eu já vi Edward com o traje de concerto e gravata branca, mas ainda não me acostumei. Acho que nunca irei.
"Alice parece mais alta." Fico admirada, uma vez que Edward está sentado ao piano e Alice está segurando o arco como uma Concertina".
"Sapatos plataforma com saltos de 12,5 centímetros." Jasper confidencia. "E personalidade suficiente valendo por três pessoas apenas completa a ilusão".
O vestido longo de seda preto tem drapeados sutis e a transforma em uma deusa grega. Jasper bate palmas mais forte, e consigo sentir o orgulho emanando dele em ondas. Sinto que ele mal está se contendo em assoviar forte, ou gritar. Alice nos dá uma piscadela e se vira, posicionando o violino abaixo do delicado queixo. Ela toca uma longa nota, constante, e lentamente a orquestra inteira, exceto Edward, toca junto.
"Este é o meu som favorito." Jasper sussurra para mim. "Eu adoro ouvir todos na mesma página da partitura. Você só diz se será um bom concerto se eles se sintonizarem bem".
O maestro entra no palco, e ele parece completamente diferente de como eu imaginei. Pelas reclamações de Alice eu esperava ver um velhote decrépito com um aparelho auditivo, mas ele era apenas um senhor, talvez um pouco mais velho que meu pai, usando um traje formal com um irritante sorriso na cara. Ele é do tipo arrogante, mas com um jeito estranhamente antiquado. Faz-me lembrar dos antigos filmes de piratas com Errol Flynn.
"Ele sempre é assim?" Eu pergunto, franzindo a testa.
"Como a crise de meia idade encontra bonitões fanfarrões?" Ele diz com uma cara séria enquanto todos aplaudem. Não consigo evitar rir por trás da minha mão enquanto ele acena com a cabeça. "Sim, sim, sempre".
Quase sem avisar, eles começam a Dança Húngara, num primeiro momento com apenas Edward e Alice tocando. Alice assume o comando da familiar melodia e do palco, exalando uma presença irresistível. Ela de alguma forma inclui o maestro, mas posso dizer que Edward é mais sintonizado com ela do que ele. A parte lúdica é perfeita para a personalidade da Alice cigana, e consigo ver por que ela estava tão ansiosa para tocar. Ela faz tudo parecer fácil, mesmo quando meus sentidos registram o seu ritmo alucinante e curvatura altiva. O comportamento animado dela parece ser contagioso em Edward e, por um momento, eles parecem estar brincando com o ritmo em um jogo, como duas gralhas perseguindo um ao outro em torno de algum prêmio invisível. Exatamente no momento certo, eles arrancam juntos para terminar a primeira interação da melodia. A plateia vibra entusiasmada enquanto a orquestra se junta para o segundo refrão, e posso dizer que é apenas a educada tradição que evita que as pessoas rompam em aplausos cedo demais.
"Eu sou o homem mais sortudo do mundo." Jasper disse reverentemente. "Às vezes eu não acredito que ela volta para casa comigo".
"Eu sei o que você quer dizer." Eu respondo, olhando para as mãos de Edward graciosamente correndo para cima e para baixo das teclas.
~oЖo~
"Realmente, você foi ótimo no palco esta noite. Maravilhoso. Eu fiquei tão orgulhosa. Não, não, não, continue com ele." Protesto entre beijos enquanto ele tenta tirar o paletó e a gravata sem quebrar o contato com a minha boca.
"O quê?" Ele pergunta, confuso. "Você quer que eu continue usando o terno, gravata e tudo mais? Normalmente você tenta tirar as minhas roupas".
"Você pode tirar os sapatos. É por você." Eu insisto. "Para ajudar com o seu controle. Você não quer perdê-lo um pouquinho enquanto nós nos amassamos e ter você acidentalmente, você sabe..." Eu mordo meus dentes juntos brincando no pescoço dele, um pouco acima da gravata branca e da gola.
Estou brincando com as abotoaduras e os pulsos sexy exatamente abaixo delas enquanto manualmente encorajo suas mãos a passearem livremente em minha pessoa. Ele me olha com curiosidade por um momento, depois sorri.
"Sua pequena pervertida." Ele ri. "Você tem fetiche por roupas formais, não é?"
"Você está realmente reclamando?" Eu pergunto, mordendo ao longo da incrível linha da sua mandíbula. "Você sempre se esforça tanto para proteger a sua virtude. Estou apenas tornando as coisas mais fáceis para você. É como um terno de castidade".
Eu esperava que um raio me acertasse depois da magnitude dessa mentira, mas tudo que eu tenho são mais risadas de Edward e algumas quase apalpadas. Edward é o mestre das quase apalpadas, mas isso não me deixa frustrada como costumava ser, agora que eu sei por que ele está sendo tão cuidadoso. Mais algumas sessões práticas ao piano e eu espero que essas mãos façam um bom trabalho em muitas promessas não-faladas. As mãos em questão movem-se livremente agora, os dedos mergulhando um pouco mais sob o meu decote com cada carícia.
"Fácil não é exatamente a palavra certa, mas seria hipócrita eu me queixar." Ele diz com a suave voz sexy que ele guarda para momentos como este. "Estou começando mesmo a amar a textura da seda contra a sua pele. Ah, olha só, aqui está mais... e mais ainda." Ele observa, expondo a delicada combinação do meu vestido semi-transparente, e a seda e renda da borda do sutiã por baixo. Os lábios dele percorrem as pontas dos dedos, beijando cada centímetro de pele exposta.
"Se faz você se sentir melhor, você pode tirar todas as minhas roupas." Ofereço solicitamente, e ele ri.
"Aqui está a minha garota. Essa é a minha Bella." Ele cantarola, e eu noto a pequena ênfase no artigo possessivo. "Não, eu gosto da sua ideia original. Eu gostaria de ser capaz de encarar seu pai nos olhos a primeira vez que nos encontrarmos".
"Vou levá-lo ao drive in* amanhã." Eu começo a rir quando ele faz cócegas em mim, e caímos na cama juntos.
*Drive in: é um cinema ao ar livre, onde as pessoas entram com os seus carros e ficam lá para assistir. É muito comum nos EUA.
Ele realmente acha que eu estou brincando.
Nota da Ju:
Então, o que acharam de tudo? Bella já é "adorada" por Carlisle e Esme, será que ela vai aceitar ir para a França visitá-los?
O próximo cap. só será postado depois que tiver pelo menos 10 reviews! Portanto, só depende de vc´s! Cansei de ficar "implorando" por reviews e me esforçando pra postar em dia e vc´s não colaborarem!
Ju
P.S.: Pra quem ainda não leu, comecei a tradução de uma fic Alice & Jasper no sábado, chama-se"Been Here All Along", leiam e comentem!
