Música do capítulo (retirar os espaços):

* Chopin: Polonaise in F# minor performed by Horowitz: http:/ www. youtube. com/ watch?v =Lq-ScKoB_BY

* Henri DuParc: L'invitation au voyage performed by Jessye Norman: http:/ www. youtube. com/ watch?v =HwaYbshcSa0

* Guggenheim Grotto: Her Beautiful Ideas: http:/ www. youtube. com/ watch?v =G9U2N4i20Rs

Aviso da Tradutora: escutem Her beautiful ideas para entender uma das partes principais do capítulo.


Capítulo 16 – Convite à Viagem

Tradutora: Shampoo-chan

Acordo durante a noite com o som de Edward conversando com alguém ao telefone. Ele está de costas para mim, e a luz vinda das luminárias da rua dando à silhueta dele um brilhante dourado. Ele está sussurrando, mas está irritado, e eu silenciosamente desço da cama para ir até ele. Ele olha por cima do seu ombro para mim culpadamente antes de descansar a testa contra o vidro.

"Não, Carlisle, eu não acho que estou exagerando." Ele diz. "Acho que você confia demais. Você só vê o lado bom das pessoas".

Suas palavras ganham velocidade até eu não ouvir nada além de um fraco zumbido e o som harmonioso do vento na vizinhança.

Deslizo meus braços pela cintura dele e descanso meu rosto contra as suas costas, derretendo-me nele. Sua mão livre cobre meus dedos entrelaçados, e ele parece relaxar aos poucos enquanto eu beijo suas costas. A brisa começa a nodular e deturpar até que eu consigo entender de novo o que ele está falando.

"Certo, isso será bom." Ele fala, suspirando. "Não, claro que não, eu só quero mais tempo, é isso. Nós adoraríamos uma visita. Tão logo você queira, assim que você voltar de Volterra." Uma pausa. "O quê? Sim, ela está. Claro que irei. Mande um abraço a todos também".

"Carlisle tem notícias ruins e manda um abraço?" Eu pergunto suavemente.

"Não exatamente notícias ruins." Ele suspira. "Suponho que eu possa estar exagerando um pouco".

"Com o quê?" Pergunto.

"Carlisle alega que seus amigos em Volterra são de confiança." Ele diz, balançando a cabeça. "Mas alguns dos pensamentos dele não estão sendo consistentes neste caso".

Um tremor percorre minha espinha.

"Então, o que aconteceu?" Pressiono.

"Ele cumprimentou Aro com a mão." Ele murmura.

"Sério, Edward?" Pergunto, confusa. "Você está chateado porque Carlisle cumprimentou um amigo dele com a mão? Espere, é esse de quem o Dr. George fala? Eu lembro de você murmurando o nome dele uma vez, mas eu pensei que estivesse falando de outra coisa".

"Sim, esse mesmo. Ele tem um dom similar ao meu, em que ele pode ler mentes." Ele explica. "Exceto que o dele funciona através do toque. Ele não pode ler a mente de ninguém sem tocar diretamente a pele, mas, diferente de mim, ele tem acesso a todos os pensamentos que a pessoa já teve. Ele alega que Aro nos acha interessantes. Ele nos convidou para estudar música em Volterra no ano que vem".

"Convidou?" Pergunto, sentindo excitação e nervosismo ao mesmo tempo. "Dr. George vai ficar entusiasmado".

"Bella." Ele suspira. "Eu não quero que você me entenda mal. Não podemos levar essa situação por muito tempo. Mesmo que ele permita que você permaneça como humana por um tempo, seu... interesse... não é necessariamente uma boa coisa. Ele tem o hábito de colecionar pessoas talentosas".

"Dr. George explicou tudo isso para mim." Eu o recordo. "Ele diz que esses misteriosos benfeitores fizeram a carreira dele".

"Não falo apenas de humanos talentosos, Bella." Seus olhos parecem ficar focados, não em alguma coisa no quarto, mas em alguma lembrança remota. "Ele se cerca de pessoas talentosas para tentar reter autoridade. Ele sabe que posso ler mentes, e que eu não consigo ler a sua. Isso indica que você pode ter um talento de algum tipo. Eu não gosto disso. Eu não quero que ele pense em nós de forma ambiciosa".

"Você acha que eu posso ter algum tipo de talento como o seu quando eu me transformar?" Pergunto curiosamente.

"Sevocê se transformar." Ele corrige. "Você provavelmente tem um talento. Vou chutar que isso tem a ver com a sua extrema teimosia. Você é admiravelmente intratável para uma humana, aposto que sua cabeça dura não permite que nenhum poder no universo a penetre. Agora que menciono isso, seria algo interessante ver você entrar em uma disputa com Rosalie".

Ele sorri, e percebo que é um dos poucos momentos que ele menciona a irmã.

"Como ela é?" Pergunto, recusando-me a discutir com ele. "Além de teimosa, se é assim que você quer caracterizar a virtude altamente menosprezada da perseverança, como ela é?"

Okay, eu estava mesmo querendo discutir um pouco.

"Sim, perseverança." Ele ri, claramente divertido. "Isso é uma forma educada de pôr em questão. Vejamos, ela é vaidosa – incrivelmente vaidosa – egoísta e, antes de encontrar seu parceiro, realmente irritante, quase o tempo inteiro, embora ela tenha uma boa razão para isso. Desde que encontrou Emmett, ela é muito mais feliz. Ela é muito leal, suponho que isso é algo bom para dizer a respeito dela. Não somos muito próximos, mas sempre podemos contar um com o outro".

"Você mencionou que eles virão para uma visita." Eu o lembro. "Isso significa que não vamos a Paris nas férias de primavera?"

"Não, não vamos." Ele fala, franzindo a testa de novo. "Você está muito desapontada?"

"Não, estou bem com a espera se isso faz você se sentir melhor." Asseguro. "Já estive em Paris, e nós podemos ir depois quando estivermos na Itália ano que vem".

"Carlisle pode ter razão sobre eu estar exagerando, mas eu simplesmente não acho que seja seguro agora." Ele admite. "Não acho realmente que será mais seguro depois, mas isso me dará tempo para pensar, e algum tempo para você como humana se eles decidirem que você tem que ser transformada imediatamente. Aro insiste que nós o visitemos quando formos a Paris, e eu prefiro esperar até o último momento possível. Agosto, talvez, antes de nos mudarmos para Volterra".

Então aquilo me atinge. "Isso significa que sua família vem para cá nas férias de primavera? Isso será em algumas semanas! E se eles vierem para a ópera e eu não cantar bem? Edward, Billy virá nessa noite! E se ele reconhecer Carlisle?"

"Relaxe, Bella." Ele me cala, massageando meus ombros tão gentilmente que mal sinto. "Billy é muito novo para ter conhecido Carlisle. Ele vai usar um nome diferente se tiver algum tipo de interação. Você vai cantar maravilhosamente e, de qualquer forma, eu duvido seriamente que eles estarão aqui nessa época. Carlisle prometeu ajudar Aro e Marcus em alguma coisa, e depois eles virão. Isso pode significar uma semana, ou meses, ele não sabe dizer com certeza. Mas eu aposto que não será por algum tempo".

"Ok." Suspiro. "Obrigada. É gentil da sua parte me consolar quando você ainda está irritado".

"Sinto-me um completo imbecil por acordá-la." Ele diz, beijando minha têmpora. "Você precisa descansar".

"Amanhã é domingo." Replico, "Vou dormir até tarde. Você toca alguma coisa para mim? Estou agitada demais a respeito da Itália para dormir agora".

"Se você quiser." Ele sorri para mim. "O que gostaria de ouvir?"

"Faça o que você sempre faz." Eu instigo. "Toque qualquer coisa que mude o seu humor. Você vai se sentir melhor mais rápido".

"Já falei a você." Ele sussurra contra o meu cabelo. "Você me conhece melhor do que imagina".

"Fico feliz que seu apartamento seja tão isolado." Eu digo, pensando nas escadas abaixo de nós e no banheiro e no closet entre o apartamento de Edward e a porta ao lado. É um excelente ajuste para um pianista que nunca dorme.

Sentamos ao piano, e ele começa a tocar algumas notas agourentas repetidamente, sorrindo ironicamente para mim. A Polonaise de Chopin começa muito intensa e um pouco assustadora, mas logo relaxa em um gentil interlúdio. Inclino minha cabeça contra o ombro dele até que os braços dele se mexem demais até que a melodia retorna com vigorosa paixão.

"Se esse é o seu humor, estou de acordo com ele." Murmuro num flerte quando ele termina.

Infelizmente, a próxima coisa que sai da minha boca, para minha surpresa e embaraço, é um enorme bocejo. Ver as mãos de Edward enquanto ele toca sempre me excita, mas são três da manhã, e estou realmente com sono agora que a ansiedade se acalmou consideravelmente.

"Vamos." Ele diz, carregando-me como se eu pesasse não mais que um travesseiro de penas. "Vamos levá-la para a cama".

"Eu odeio dormir." Eu murmuro sonhando.

"Que coisa ruim, menina sonhadora." Ele sorri, ajustando-me debaixo dos cobertores. "Sr. Sandman* acabou de chegar."

*Sr. Sandman: é um daqueles mitos bonzinhos que dizem que coloca as crianças para dormir soprando areia nos olhos delas.

Adormeço com o som dele cantarolando minha canção de ninar e a sensação dos seus braços ao meu redor, confortáveis e rígidos como uma dessas barras de segurança de metal que nos segura numa montanha-russa.

~oЖo~

Meus dedos mal tocaram a porta do Professor George quando ela se abriu para revelá-lo parecendo uma fútil garotinha do ensino médio.

"Isabella, entre, entre!" Ele me cumprimenta, olhando para os lados do corredor.

Embora eu saiba o que ele vai dizer, preciso parecer surpresa, mas eu concilio ao frear meu entusiasmo genuíno por estudar o próximo ano no exterior até ele me falar.

"O senhor parece feliz." Eu observo verdadeiramente. "Boas notícias?"

"A melhor, Bella Cigna, a melhor de todas." Ele se ilumina. "Conseguimos. Você e eu conseguimos. Eles a querem para o programa do ano que vem. Você vai para a Itália!"

"Isso é ótimo!" Eu digo com um enorme sorriso. "Mal posso acreditar. Obrigada, Professor!"

Ele parece tão feliz com a minha reação que eu começo a me sentir um pouco culpada.

"Veja só você, está toda corando!" Dr. George ri, entendendo meu desconforto como um sinal de exaltação. "E antes que você trabalhe a idéia de deixar seu glorioso namorado para trás, eu posso contar a você agora que ele também foi aceito no mesmo programa. Apesar disso, faça-me o favor e finja que não sabe de nada quando eu der a notícia a ele. Não pude esperar para contar a você, e eu tenho certeza de que ele quer estar aqui quando você descobrir".

Com certeza, por que não, se você já está no programa? Vamos só jogar mais lenha e fazer uma grande fogueira de mentirinhas para podermos ficar boquiabertos melhor com isso. O pedido do Dr. George faz eu me sentir um pouco culpada pela meu pequeno mal entendido. Então eu não vou avisar Edward a respeito disto.

"Claro, eu nem sonharia em contar a ele e estragar a surpresa." Sorrio com genuíno entusiasmo. "Não posso agradecê-lo o suficiente – eu sei o quão longe o senhor foi por mim, ajudando-me a ficar com Edward e tudo mais. Eu realmente aprecio isso".

"Quando você tiver a minha idade," ele entoa entusiasmadamente, "você descobrirá que consegue muito prazer ajudando um estudante a seguir o caminho dele. Além disso, você e Edward são bons juntos. Vocês dois são atraentes, e o romance venderá ingressos quando vocês estiverem no circuito do recital".

Eu ri, incapaz de ficar irritada com a natureza aterrorizantemente prática dele. Ele está cintilando como se fosse dez árvores de Natal juntas. Conversamos a respeito da época dele na Itália por algum tempo, e planejamos trabalhar em alguns exercícios de vocalização antes de Edward aparecer.

"Você está brincando!" Edward exclama quando ele ouve as novidades. "Não acredito que você conseguiu para nós dois!" Se eu não o conhecesse bem, diria que ele parece realmente entusiasmado e surpreso o bastante para o Dr. George, mas consigo ver que ele está fingindo. É só um minúsculo apertar ao redor dos olhos. Provavelmente ninguém pode perceber, exceto alguém completamente viciado em observá-lo. O que, sim, eu admito que sou. É um problema, e não vai deixar de existir tão cedo.

Enquanto estamos conversando sobre a Itália, de repente eu lembro do pedido de Jasper de duas canções e menciono isso ao Dr. George.

"Que bom que você conseguiu entrar no programa." Ele diz, parecendo impressionado. "Tenho ouvido falar muito sobre esse projeto ambicioso do jovem senhor Whitlock. 'A História do Som,' não é? Leituras múltiplas entremeadas com apresentações ao vivo de vários e raros instrumentos históricos, vinculados a instalações de multimídia no museu da universidade? Os panfletos estão muito bons. A primeira vez que os vi achei que se tratava de uma apresentação do novo documentário de Ken Burns".

"Ele é nosso amigo." Dou de ombros, sem jeito. "Ele e sua esposa, Alice. Acho que ela fez os panfletos. Ela tende a ficar um pouco maluca quando se trata de apresentações".

Por "maluca", quero dizer que ela passa grande parte do dia xingando e rosnando o Photoshop e ninguém ousa interrompê-la. Os panfletos parecem mesmo incríveis, tenho que admitir.

"Esses são bons amigos para você cultivar." Ele entoa em uma aprovação, e tento não estremecer com a cínica visão dele sobre amizades. "Esse tipo de atenção aos detalhes é o que separa os melhores do nível A dos melhores do nível B, Isabella".

Ele começa a vasculhar o armário em busca da pasta de partituras. Edward aproveita o momento para me lançar um olhar faminto que me faz querer arrancar as roupas dele. Eu divago por um minuto, olhando para a boca dele. Quase posso senti-la na minha boca, no meu pescoço, e logo minha imaginação tem esses lábios deliciosos percorrendo mais abaixo onde ainda não estiveram realmente. Um delicioso estremecimento percorre todo o meu corpo, e sinto o ridículo rubor aquecendo meu rosto pela segunda vez em uma hora. Finalmente chego aos olhos de Edward e noto, com um nervoso choque, que ele está todo como uma besta da floresta de novo. É um pouco assustador e completamente quente, mas ele não pula em cima do piano como eu acho que ele faria. Felizmente, Dr. George começa a falar antes de ele se virar, e nos traz de volta à realidade antes de sermos pegos.

"Digo apenas uma coisa. Você deveria usar uma das suas canções de Schubert do semestre passado para a peça restrita – acho que o staccato de Ständchen vai cair bem para o piano mais antigo. E para a romântica canção de arte luxuosa… perfeito. Aqui está, L'invitation au voyage, de Duparc. Sim, perfeito para Edward, excelente para ensinar. E as palavras são perfeitas para vocês dois, se me perdoem. Escutem esta tradução.

Think of the rapture
Of living together there!
Of loving at will,

Of loving till death,
In the land that os like you!

Pense no arrebatamento
De viver juntos lá!
De amar em vão,
De amar até a morte,
Na terra que é como você!

"Sim, é assim, meus queridos, assim mesmo. Acho que vocês acharão Volterra como isto, como eu sempre achei. Vejam, não é perfeita?"

There all is order and beauty,
Luxury, peace, and pleasure"

Lá tudo é ordem e beleza
Luxúria, paz, e prazer"

Ele dá às últimas palavras um verdadeiro cuidado artístico vocal, e não deixo de imaginar como será a vida vivendo com Edward na Itália no ano que vem. Imagino se até mesmo serei humana. O rosto de Edward é um estudo de emoções misturadas, e isso me faz imaginar se ele está pensando a mesma coisa.

"É linda." Eu concordo.

"Devemos mergulhar fundo se houver alguma chance de apresentar isso na próxima quarta. Se não estiver pronta até lá, então você pode fazer o Marx. E eu não quero que você exagere ao cantar. Não seja uma heroína e cante demais para perder sua voz".

~oЖo~

Mais tarde, na biblioteca, Edward coloca um livro na minha mão, aberto no texto da nova canção e uma tradução em inglês da folha de rosto. Viro a capa e leio o título, Les Fleurs du mal.Enrugo a testa e olho para ele.

"As flores do mal?" Pergunto, vagamente lembrando de ouvir o curioso título em algum outro lugar antes. "Você está tentando me assustar?"

"Estou tentando ajudá-la a entender." Ele diz calmamente. "Você descobrirá que nosso amigo Emil George edita um pouco, mas ele está certo. Esta poesia é perfeita para Volterra".

"Você não está exagerando?" Pergunto, folheando o fino volume de poesia francesa. A princípio parece sexy e perigoso e muito bem nomeado. "Você disse que nunca esteve lá antes. Isso pode ser diferente do que você imagina. Se Carlisle pôde viver lá antes e ainda quer visitar agora, então não pode ser tão ruim".

"Espero que você tenha razão." Ele replica, observando cuidadosamente o meu rosto. "Mas eu tenho certeza de que a dieta deles não é como a da minha família. É mais… tradicional… para a minha espécie".

~oЖo~

Entre os ensaios, minha aula regular no curso e uma nova canção para memorizar, a semana passou rápido. Não tive tempo suficiente para ler os diários de Edward, e só na sexta eu cheguei aos relatos datados de 1926. O tom da escrita dele fica crescentemente sombrio, e eu começo a perceber o que deve estar chegando. Sei que a sua temporada de matança como vampiro começou por volta dessa época. Muitas das passagens se referem à Crime e Castigo, de Dostoyevsky, o que parece ter sido o catalisador para a rebeldia dele. Edward escreve páginas e páginas a respeito de como o personagem Raskolnikov está cego sobre suas verdadeiras motivações, mas não inteiramente sem razão quanto aos homicídios justificáveis, e algumas pessoas estão acima das normas da moral.

Se alguém consegue ler mentes,ele escreve num relato datado na noite de Natal de 1926, então toda a razão dele seria inteiramente válida. Se tal pessoa pode ler entes, ele seria praticamente obrigado a matar homens ruins, particularmente assassinos e estupradores. Homens verdadeiramente maus não sentem remorso pelos crimes, mas o ônus dos seus crimes cairia severamente na consciência do telepata que poderia prevenir tais atrocidades de ocorrer.

Estou esperando no auditório durante o ensaio da cena da ópera A Flauta Mágica quando finalmente chega a parte que ele decide se separar de Carlisle e Esme. Enfiado nas páginas do diário eu encontro um pedaço de papel com meu nome escrito nele. Olho para cima para ver Edward ao piano, observando-me com uma expressão ansiosa. Eu sorrio e mostro o papel. Ele assente, e eu leio.

Querida Bella,

Semana passada, ao entrar na sala para sua aula, Dr. George tinha uma incrível imaginação para um homem tão cínico. Na mente dele, uma mulher estava cantando em uma igreja, o rosto dela iluminado de alegria e a voz dela era um belo instrumento de elogio. Acredito que a mulher era a mãe dele. Ele a amava, mas ele achava que ela era tola por desperdiçar seu talento. Ela achava que ele não tinha razão. A mente dele mostrou um pedaço de uma discussão que eles tiveram sobre o que ela considerava vaidade dele e o que ele considerava ser a trágica falta de ambição dela.

"Apresente-me uma pessoa que canta puramente por amor a isso, e eu apresento sua real glória, Emil." Ela disse. Ela vem à mente dele freqüentemente quando você canta, e eu posso ver por que. A expressão no seu rosto quando você entra na sua coluna é admiravelmente similar à dela quando cantava nas manhãs de domingo. Você tem um brilho suave nesses momentos, e você torna tudo tão bonito apenas estando presente no mesmo ambiente. Quanto entrei, ele estava desejando que ela pudesse ter vivido para conhecer você. Ele estava pensando nela naquela hora, e dizendo à ela na cabeça dele que ela estava certa. A mente cínica dele não foi a única que você tocou e transformou.

Bella, eu dei esses livros a você para que possa me conhecer melhor, mas, por favor, entenda que o que você está lendo é história. O homem que fez esta escolha horrível, por mais bem intencionada que fosse, não existe mais. Você, que é cheia de idéias bonitas, está prestes a ler sobre os pensamentos mais horríveis que eu já tive. Eu quero que você entenda que qualquer coisa dentro de mim que veio a tomar tal desastrosa decisão foi destruído não somente por longas décadas de solidão e arrependimento, mas pelo seu calor. O que destruiu essa parte de mim é o fogo que segue na esteira do seu olhar, do seu toque, do seu beijo. Em qualquer lugar que o seu amor me toca, não há espaço para tal escuridão.

Isto é como você me conhece. Você me conhece porque tudo em mim se sente novo e iluminado pela primeira vez em minha longa existência. Você é uma luz pura, brilhante para todos os serem capazes de reconhecê-la. Tudo verdadeiro em você destrói tudo em mim que era arrogante, solitário e perdido. Ainda há muito em mim para criticar, receio, mas qualquer coisa que ainda resta pertence a você.

Com amor,

Edward

P.S. Escutei uma canção que me lembra você e adicionei ao sei iPod enquanto você dormia.

Edward está prestando atenção ao que quer que seja que o Dr. Adana está dizendo a ele naquele momento, então eu enfio a mão na minha mochila para pegar meu iPod. Encontro a música imediatamente sob a posição de "Recentemente Adicionadas". Fecho meus olhos para ouvir os sons dos tambores, como uma antecipação e um coração acelerado, um órgão de igreja, e um homem confessando sobre a garota que o tornou alegremente desamparado e apaixonado. Instrumentos e vozes participam no crescente êxtase harmônico até a última batida, onde – espere, o quê? Sério?

Olho para cima, boquiaberta e chocada com Edward enquanto ele sorri para mim, os olhos cheios de promessas mal intencionadas. Balanço minha cabeça e mordo meu lábio, incapaz de deixar de sorrir.

"Você é um provocador." Eu sussurro tão baixinho que mesmo eu não consigo ouvir.

Logo, é a minha vez de ensaiar, e não consigo parar de pensar sobre a carta e no que Edward queria dizer com essa música. Como uma idiota, bem no meio da cena eu tropeço em um fantoche e caio, forte, sobre um joelho.

A música para imediatamente, e eu olho para cima para ver o rosto de Edward rígido em uma máscara de medo e angústia. Eu posso dizer que ele está prendendo a respiração, e parece que uma nuvem escura cai sobre ele enquanto observa Leo oferecer uma mão para me ajudar. Por um momento eu não sinto nada, exceto a estática temporária da dor diferida. O som da risada abafada do outro lado da sala mal é registrado enquanto eu passo uma mão sobre o ponto de impacto. Seco.

"Obrigada, eu estou bem." Eu digo, muito brilhantemente, ignorando a mão dele enquanto eu me arrumo. "Não estou sangrando, e nada está quebrado. Só o meu orgulho está ferido".

Inferno do caralho, amaldiçôo silenciosamente enquanto meu joelha começa a latejar, lembrando-me de como é ser Bella Atrapalhada de novo. A poeira de humilhação e mentiras temerosas engrossa na minha garganta.

"Isso já é um." Adverte o Dr. Adana, lançando-me um olhar frio.

Estive nas aulas dele o suficiente para saber o que isso significa. Cada aluno tem três chances de errar, se não estiver com a música memorizada no momento certo, ou chegar atrasado ao ensaio, ou se atrapalhar. Depois da terceira vez, você pode não participar das aulas dele porque você está acabado, no entendimento dele. Ocorre-me que a minha queda não foi apenas devido à imperícia, ou a um acidente que poderia acontecer a qualquer um. Eu realmente não estava prestando atenção, e é totalmente minha culpa. Se isso tivesse acontecido no palco... Mais ainda, eu sou só uma caloura. Se eu já tenho um de três depois de apenas algumas semanas de aula, eu estou seriamente encrencada.

É quando percebo então o trio de câmeras de celular apontadas em minha direção e os sorrisos assustadores de palhaços estampados em rostos cruéis. Eu não preciso sequer adivinhar o que vai acontecer hoje à noite no blog.

Ótimo.

~oЖo~

Voltamos para o apartamento de Edward muito tarde, e eu tomo um banho rápido. Vejo uma pequena contusão formando no meu joelho quando a lâmina passa sobre ele. Depois do banho, saio para encontrar Edward sentado na beirada da cama, a cabeça apoiada nas mãos e uma carranca aparecendo em seu rosto. Fecho meus olhos e desejo ser religiosa para que eu possa orar pedindo paciência.

"Não aconteceu nada." Digo a ele suavemente, "Além de eu mesma sendo um desastre. Você vai mesmo deixar isso estragar a nossa noite?"

Ele me olha por um momento, depois suspira e dá um tapinha na cama ao lado dele. Eu chego perto, mas não sento, optando por ficar onde eu possa ver o rosto dele com facilidade.

"Você é tão frágil, tão quebrável." Ele diz em um sussurro angustiado. "Qualquer coisa pode acontecer com você a qualquer momento - um acidente de carro, uma queda nas escadas, qualquer coisa. Toda lembrança que tenho de perdas humanas espontâneas – e, acredite-me, há bastante delas – estão me deixando louco agora. Eu posso imaginar as mesmas coisas acontecendo com você. Claro que eu normalmente estou lá para fazer algo, mas nem sempre. O incidente de hoje só me faz lembrar que, se houver sangue envolvido, eu sou o maior perigo na sala. E depois Leo, Leo pode oferecer-lhe consolo, enquanto eu não me atrevo a respirar por medo de perder o controle e matar você".

Eu aninho a cabeça dele no meu peito e inclino minha cabeça sobre a dele. Ele me disse que o acalma ouvir meu batimento cardíaco.

"Pensei que tínhamos parado com essas coisas tristes." Eu digo, acariciando o rosto dele. "Eu amo você. Você me ama. Podemos descobrir uma maneira de lidar com isso".

"Você deveria estar namorando alguém como ele." Ele diz, virando o rosto de mim.

Posso ver o reflexo dele no tampo de vidro, e ele tem aquele olhar no seu rosto de novo. O olhar que me faz pensar na grande coleção de música emo da minha mãe e em como eu a ouviria cantando junto com Morrissey por dias cada vez que ela terminava com alguém. Aparentemente, é hora de colocar a prática em bom uso.

"Um bissexual?" Eu pergunto, sendo deliberadamente obtusa na esperança de distraí-lo.

Os cantos da sua boca se contorcem em um sorriso quase imperceptível.

"Você sabe que eu não quero dizer isso." Ele resmunga.

"Você quer dizer que eu deveria namorar alguém que eu não amo?" Eu pergunto, acariciando seu cabelo. É macio, sedoso até, mas não muito suave. Lembro-me de ler algo sobre as teias de aranha serem uma das mais fortes fibras naturais, comparável aos metais. O cabelo dele não é pegajoso nem tão fina como a seda da aranha, mas parece extremamente durável, e ocorre-me que nunca parece crescer. É uma textura estranha, resistente, eu poderia ficar fazendo isso por horas.

"Talvez possamos descobrir uma maneira de ajudá-lo a se acostumar com o cheiro do meu sangue, neste caso." Eu sugiro, e ele se enrijece, abrindo os olhos.

Nós olhamos um para o outro através do reflexo, o que o faz parecer fantasmagoricamente transparente. Ele vira a cabeça para olhar para mim, e a luz fraca do quarto lança uma sombra misteriosa, deixando metade do rosto dele na escuridão, metade na luz. Algo dentro de mim avisa que Edward não é alguém para se chocar em vão. A última vez que eu soube de ele ficar assim chateado, ele matou mais de cem pessoas. Eu não tenho idéia do que ele vai fazer sobre esse receio em relação à minha segurança, mas não parece ser nada bom.

"É muito perigoso." Ele diz depois de um tempo. "Talvez quando Carlisle estiver aqui. Eu confio nele".

"Eu confio em você." Eu replico. "Quero dizer que confio que você não vai me matar, mas eu também confio em você quando você diz que Carlisle pode ajudá-lo. Vou fazer o meu melhor para evitar me ferir por algumas semanas, até ele estar aqui".

"Isso seria muito útil." Ele murmura, e eu dou uma risada.

"Agora eu sei que você está exagerando sobre Volterra." Eu provoco. "Veja como você está apavorado com algo que nem aconteceu ainda. Em algumas formas você tem realmente 17 anos, não é?"

"Verdade," ele suspira profundamente, "se eu me acostumar com o seu cheiro, eu posso provavelmente lidar com o seu sangue".

Ele inspira da maneira como ele faz quando está saboreando o meu cheiro, como se quisesse lembrar-se das primeiras vezes, quando ele diz que pensava que ele poderia surtar e me matar. Carlisle o ajudou também, ligando para ele todas as vezes que nossas aulas práticas estavam para acabar. Saber que o pai ligaria era, de acordo com Edward, o suficiente para lembrar de me manter viva. Eu mal posso esperar para ler esses relatos no diário.

Depois de um tempo seus braços enrolam ao redor de mim, e ele começa a acariciar minhas costas suavemente. Ele ainda parece triste, e seus olhos ainda estão fechados, mas ele está me deixando consolá-lo. Levo um tempo para perceber que estamos cantarolando a canção de ninar que ele fez para mim. Eu não sei quem começou, mas participo da melodia, e ele pega as partes mais tristes da harmonia depois de mim em arpejos lentos.

"Tudo estava indo tão bem até eu ter que tropeçar e cair. Primeiro, eu levei uma advertência do Professor Adana. Depois, graças aos celulares modernos, garotas antipáticas, e minha falta de jeito, eu tenho certeza absoluta que minha vergonha está na internet agora, provavelmente em vários lugares. E agora meu Edward sequer olha para mim. Quanta punição você acha que eu devo levar por sonhar acordada?"

"Sonhar acordada? E com o que você estava sonhando?" Ele pergunta, abrindo seus olhos.

"Como se você não soubesse." Eu brinco gentilmente. "Aquela música. Tão doce e adorável. Edward, não pense que eu esqueci sobre o final, com a nudez e os lençóis? Eu não conseguia parar de pensar sobre o que aconteceria quando finalmente voltássemos para casa. Se eu soubesse que seria essa diversão toda, eu provavelmente poderia ter me concentrado na cena.".

Ele bufa, o humor sombrio finalmente destruído, e uma onda de alívio me domina.

"Oh, eu planejo, e logo." Ele sussurra baixo e sedoso. A doce e quente promessa passa por mim em espirais preguiçosas, incendiando a imaginação, assim como o corpo. "Vamos devagar, amor. Eu preciso ir devagar".

"Você define o ritmo." Eu prometo, enquanto ele desliza o nariz no meu pescoço. "Podemos ouvir a música de novo? Eu não a ouvi o suficiente".

Ele se afasta e em um instante tirou meu iPod da minha mochila.

"Eu já estou à frente de você." Ele sorri maliciosamente, apertando botões do som e conectando o iPod. "Eu tenho uma playlist inteira".

"Dissimulado." Eu acuso, acolhendo-o de volta em meus braços. "Essa música realmente faz você pensar em mim?"

"Você não faz idéia." Ele murmura, empurrando-me de volta para a cama. "Sabe, eu pensei em nos livrarmos de toda a coisa das camisas na cama".

Os olhos dele assumem o olhar que eu não via desde a minha lição de voz na segunda-feira, e meu coração começa a acelerar. Um beijo gentil me diz que ele está se divertindo, e eu mordo meus lábios em antecipação. Ele sorri perigosamente, e um tremor nervoso faz girar meu estômago, enquanto suas mãos brincam com a gola da minha mais velha e confortável camisa. Eu ouço um rosnado baixo e selvagem, e sinto um puxão leve enquanto a minha camisa se transforma em dois pedaços de pano pendurados em meus braços.

"Acho que você não gosta desta camisa." Dou uma risada enquanto vejo o pano cair no carpete, e depois o vejo observando-me especulativamente. "Perverso. Pensei que você queria ir mais devagar?"

"Era nesse sentido." Ele explica, e tira sua própria camisa pela cabeça, deixando-o gloriosamente nu da cintura para cima. Ele olha para a roupa intacta e dá de ombros, jogando-a ao lado da destruída. "Talvez eu odiasse essa camisa um pouco".

Finalmente, ele puxa-me em seus braços e me deleito na textura suave e firme do seu corpo frio. Eu me sinto como uma chama dentro de um copo num vidro.

"Tão bonita." Ele sussurra, beijando minhas bochechas quentes. "Você está bem?"

Confirmo com a cabeça e estremeço, e em segundos ele nos coloca sob as cobertas felpudas, quase trazendo à tona minha fantasia induzida no ensaio, salvo pelas finas calças de flanela do pijama e a minha própria roupa íntima de seda.

Os olhos dele dizem desejo e necessidade e cautela e desculpas, e eu sei que o resto das roupas permanece, por hora. Acaricio sua bochecha com a minha mão, dizendo a ele com toda a gentileza e suavidade em mim que eu sei, e está tudo bem.

Agarro nele com as mãos, boca e uma profunda e brilhante alegria. Ele nos gira gentilmente na gaiola segura dos seus braços, os lábios se aquecendo nos meus. Eu quase consigo provar a sua última tristeza quando ela escapa pelo espaço que ele cria para não me esmagar. Nunca me senti tão querida, tão protegida na minha vida, mesmo na casa do meu pai. A alegria transborda, inundando minha mente, meu ventre e meu peito até doer, quebrando a concha de isolamento que eu não sabia que estava ali, para começar. A solidão se dissolve e vaza num riacho salgado pelos cílios para esfriarem numa língua doce.

Edward limpa a minha tristeza com a língua e beija minhas pálpebras com lábios gentis como flocos de neve.

"Diga-me o que você está pensando." Ele implora.

"Não é nada de ruim." Asseguro a ele, rindo e fungando. "É simplesmente tão impressionante - Eu estou tão apaixonada por você que não consigo conter tudo isso".

Ele consome cada lágrima com beijos delicados enquanto eu desmorono, sacudindo e tremendo e tentando sufocar minhas lágrimas. Ele murmura algo aqui e ali, mas eu não entendo o sentido até eu começar a me acalmar, e quando eu finalmente entendo o que ele está dizendo, isso rouba todo o ar dos meus pulmões.

"Eu preciso para sempre, Bella. Seja minha para sempre".


Nota da Ju:

Então agora temos a resposta de que os dois foram aceitos em Volterra... E logo logo teremos uma visita da família de Edward... mais uma vez, o cap. termina na melhor parte! Mas é tão lindo esse amor que eles sentem...

Espero que vc´s estejam gostando da história tanto quanto nós estamos gostando de traduzi-la!

Agora é sério, eu vou falar pela última vez, só posto o próximo cap. depois que receber pelo menos 10 reviews! Toda semana tem pelo menos 5 pessoas colocando essa fic em Alerta e nos seus Favoritos, mas não deixam nenhuma review! Já estou pensando até em tirar essa fic daqui, aí o azar é de vc´s pq eu leio em inglês!

Desculpe aquelas que sempre acompanham e comentam! Mas essa fic é tão linda e a gente tem que pesquisar tanto pra traduzir, que acho que não custa nada perderem 1 minuto pra comentar!

Bjs,

Ju