Músicas do capítulo (retirar os espaços):

* J. Haydn: Baryton Trio No. 97, 2. Satz Allegro (interpretado pela Esterhazy Ensemble nos instrumentos originais): http:/ www. youtube. com/ watch? v=lzBEdG_ZJHc

E só para dar a você uma idéia do que é o som de um fortepiano:

* Beethoven: Moonlight Sonata em fortepiano (interpretada por Trevor Stephenson): http:/ www. youtube. com/ watch? v=iUDUmWaus3Q

Dos capítulos anteriores:

* Debussy: Arabesque No. 1: http:/ www. youtube. com/ watch? v=GWpV7L4YHuU

* Schubert, Gretchen am Spinnrade, Op. 2, D. 118 (por Te Kanawa): http:/ www. youtube. com/ watch? v=MY0eeotSDi8

* Giancarlo Menotti, The Medium: http:/ www. youtube. com/ watch? v=RAcADZ0J_kI


Capítulo 17 – Se Maomé não vai até a montanha...

Tradutora: Ju Martinhão

"Você se importaria de cantar em traje de época para a palestra de Jasper, Bella?" Alice pergunta com toda a doçura da bomba caramelada tripla do café mocha, ou o que quer que ela chame a sua bebida. "Não é necessário, mas pode ser um toque agradável".

"Eu farei isso." Eu digo com veemência, olhando para cima da minha lição de Teoria Musical para encontrar três rostos chocados olhando para mim. "O quê?"

Vestir-se bem para mim significa vestir-se bem para Edward. Não é exatamente a ciência de foguetes, pessoal.

"Eu pensei que ia tomar toda a tarde para implorar." Alice sorri. "Vou ligar para Magda na loja de fantasias e ver se ela pode nos ver mais cedo".

"Ela já tem as minhas medidas da ópera." Eu indico, acabando com o meu chá de gengibre. "Não tem que ser uma grande produção... uh, desculpe?"

Jasper cobre os ouvidos de Alice antes de eu terminar de pronunciar as palavras. Os olhos dela estreitam e eu quase posso ver o vapor saindo por entre as mãos de Jasper.

"Você fez isso agora." Edward sussurra quando arrebata meu copo vazio para pegar tudo a quatro metros de distância do tubo de café.

"O que eu fiz?" Eu pergunto, perplexa. Eu estava tão nervosa que estava fazendo tudo sair errado. "Sim, tudo bem, podemos ver Magda. O que você quiser, Alice. Vou até o shopping para pegar suas velas e porcarias superfaturadas de banho, apenas, por favor, pode tentar relaxar? Eu preciso ir àquela loja de dança e comprar alguns sapatos do personagem para vestir no ensaio amanhã".

"Podemos ir agora?" Ela pergunta. "Dessa forma, mantemos o compromisso com Magda às quatro, e isso deixa a noite felizmente livre".

"Mas, Alice, eu também estou livre esta noite." Jasper diz com fingida confusão, puxando-a para o seu colo. "O que faremos um com o outro se nós dois estamos livres na mesma noite?"

"Jogo noturno com Edward e Bella, duh." Alice ri quando ele começa a fazer cócegas sem piedade.

"Sem ofensa, Bella, Edward." Jasper nos informa com firmeza durante o riso incontrolável da sua esposa. "Mas se qualquer um de vocês entrar em qualquer lugar perto do nosso apartamento hoje, eu nunca vou perdoá-los, e pode haver violência. Eu não me importo com o que ela diz, não se aproximem".

"Tio!" Ela engasga. "Eu desisto, pare!"

Jasper agarra suas mãos e envolve seus braços ao redor dela, então os braços dela se cruzam na frente do seu corpo, efetivamente prendendo-a em seus braços.

"Nós temos um encontro esta noite?" Ele exige divertidamente.

"Sim, Jasper." Ela concorda recatadamente, obviamente satisfeita consigo mesma.

"A que horas?" Ele insiste. "Eu não quero você vagando sem rumo no shopping, experimentando sapatos, enquanto suas flores murcham, se você souber o que quero dizer".

De repente, eu sinto a necessidade de conferir triplamente a minha lição de Teoria, e Edward decide que é necessário limpar a mesa muito bem.

"Oh, pare, você está constrangendo as crianças." Alice repreende, acotovelando Jasper. "Mas eu estarei em casa por volta das seis, o mais tardar. Estarei esperando flores de verdade também, já que você trouxe à tona. Você nunca me deu nada murcho no passado, Sr. Whitlock, e hoje a noite é melhor não ser uma exceção. Venha, Bella, vamos antes de você ficar completamente roxa e Edward começar a polir a máquina de café expresso".

Dei a Edward um rápido beijo na bochecha e virei para seguir Alice, mas ele pega minha mão e me puxa para o seu colo antes de eu chegar muito longe.

"Não é bom o suficiente." Ele insiste. "Você vai ficar fora por horas".

"Isso é lisonjeiro." Eu digo, e passo meus dedos pelo seu cabelo sedoso.

Nunca recuando de um desafio, fecho meus olhos e me desloco, beijando-o com muito mais paixão do que alguma vez exibimos em público. No começo, ele enrijece de surpresa, então eu lambo seu lábio inferior e ele então me beija de volta como se eu estivesse indo embora por vários meses em vez de apenas uma tarde. Somos interrompidos por um assovio baixo de uma direção e o toc toc batendo de pequenos pés impacientes da direção da porta.

"Eu acho que eles superaram o constrangimento." Jasper observa quando eu quebro o beijo e Edward literalmente rosna em frustração. "Bella, você vai quebrar o coração de Alice, ou de Edward aqui. De qualquer maneira, você consegue ser má, irmãzinha".

"Desculpe." Eu digo. Férias de Primavera, por favor, venham depressa. Eu preciso de vocês.

"Eu vou devolvê-la, Edward". Alice diz, puxando minha mão.

"Eu não acredito em você." Ele resmunga, enterrando seu rosto no meu cabelo enquanto eu tento escapar do seu colo, sem sucesso. Eu tenho algum sucesso em sentir exatamente o quanto ele quer que eu fique, no entanto.

"Vou levá-la para comprar algo que você vai goo-oostar." Alice canta e não encontra mais resistência quando me puxa para a vertical. De fato, Edward abre a carteira e pressiona nas mãos dela o que parece ser uma enorme quantidade de dinheiro para qualquer estudante universitário transportar. "O que é isso?"

"É para tornar essa sua pequena visão uma realidade." Ele diz com um sorriso. "Seja o que for, eu confio em você. Você sabe que se eu der a ela o dinheiro, ela vai simplesmente esgueirá-lo de volta para a minha carteira mais tarde".

"Oooh, eu sei aonde ela vai. Adoro essa loja." Ouvi Jasper rir quando saímos. "Especialmente os catálogos".

Alice mostra o dedo do meio para ele através da janela, enquanto caminhamos para o carro dela. Ele acena e faz caretas de beijinhos para ela. Seu sorriso desaparece um pouco enquanto ela ajusta o espelho e o banco.

"Então, vocês parecem muito confortáveis." Ela diz casualmente. "Que tipo de contraceptivo você está usando?"

Meu queixo cai, e eu estou um pouco chocada. Para ser honesta, ainda que esta seja uma questão perfeitamente legítima à luz do que ela acabara de testemunhar. Legitimada por uma genuína pessoa que interrompe como Alice, o que é. Percebo com alguma surpresa que eu nem sequer pensei nisso uma vez. Levou a Edward tanto tempo para chegar à segunda base, eu ainda nem pensei sobre os aspectos práticos disso, de tanto que eu tenho fantasiado sobre ele chegando à primeira base.

"Nós realmente não chegamos a essa parte ainda." Eu murmuro.

"Querida, acho que você precisa se preparar." Ela aconselha. "Presumo que você não está tomando pílula ainda?"

"Eu deveria estar?" Eu pergunto, mastigando meu lábio inferior.

"Já que vocês estão sérios e, eu estou assumindo, relativamente inexperientes-" Ela faz uma pausa até que eu dê um pequeno "mhmm" de assentimento. "Querida, você já tem um médico para isso?"

"Ainda não." Eu sussurro, balançando a cabeça.

Meio que percebo que a idéia de Renée de uma conversa sobre sexo seguro envolveria amarras, ao invés de controle de natalidade, mas estou mortificada ao perceber que tenho estado mais do que disposta a fazer algo como ter relações sexuais sem sequer pensar sobre as possíveis conseqüências. Talvez tenha a ver com Edward ser um vampiro, e o que ele disse sobre Esme e Rosalie. Presumo que a esterilidade vampírica se aplica aos homens também.

"Tenho certeza que Edward não pode ter filhos." Eu digo baixinho.

"Ele disso isso a você?" Ela pergunta criticamente.

"Não em tantas palavras." Eu admito.

"Ok, primeiro, isso soa absurdamente estúpido, mas muitos homens têm essa ilusão de que eles são estéreis, quando não têm nenhuma prova real disso." Ela suspira. Alice está em modo total de aula. "Não brinque com o seu futuro assim. Segundo, eu sei que não é da minha conta, mas desde que você trouxe à tona, Edward tem algum tipo de problema de saúde?"

Deixo escapar uma respiração ruidosa, interiormente me chutando pela indicação de que Edward era ainda mais anormal do que ela poderia imaginar. Enquanto Jasper parece ser indiferente, ou educado demais para perceber as idiossincrasias de Edward, a curiosidade de Alice pode revelar-se problemática. Eu odiaria se Edward fosse forçado a comer na frente dela, mas pode ser necessário.

"Eu não me sinto confortável falando sobre isso." Eu digo honestamente.

"Mas você sabe, certo?" Ela pergunta.

"Sim, nós já discutimos isso." Eu admito. "Edward não achava que eu deveria estar interessada nele por causa do... seu problema... mas não é culpa dele, e ele está administrando de forma admirável. Mais do que isso, não muda o que sinto por ele".

"Huh." Ela diz calmamente. Quase posso vê-la percorrer as possibilidades em sua mente. "É Lupus?"

"Você assiste muito House." Eu digo, balançando a cabeça. "Não, e essa é a última pergunta que eu estou respondendo sobre isso. Eu te disse, eu não estou à vontade para discutir isso, e eu já falei demais sobre esse assunto".

"Ok, tudo bem." Ela admite. "Mas você vai me deixar marcar uma consulta com a minha ginecologista para você? Você vai ter que esperar pelo menos algumas semanas para conseguir, mas ela vale a pena. Vou até mesmo ir com você à sua primeira vez".

"Você vai?" Eu pergunto, sentindo a maré de ansiedade quando ela faz a oferta. "Eu realmente gostaria disso, se você não se importar".

"É claro." Ela diz com um sorriso reconfortante. "Eu sempre quis uma irmã mais nova para mandar e cuidar, você sabe".

"Eu também te amo. Hey, você se importaria de mandar em mim na noite de sexta-feira antes da ópera?" Peço impulsivamente. "Eu tenho tido este pesadelo recorrente sobre tudo dando errado, como o meu traje não cabendo, e eu fico perdida, e estou coberta de abelhas".

"Abelhas?" Ela ri. "Isso é novo. Claro, eu vou ajudá-la. A última palestra de Jasper é nessa noite, mas é um processo muito simples, mais acadêmico do que para o público em geral".

"Eu não quero que você perca uma das palestras dele!" Eu protesto, franzindo a testa.

"Garota, por favor." Ela acena sua mão com desdém. "Eu fui tão longe até sua idiotice sobre essa série de palestras que ele estará satisfeito por ter uma pausa de mim. Além do mais, eu já planejava ir. Se você não tivesse pedido, eu ofereceria. Eu não confio naquelas garotas, elas podem mudar sua cola de cílios por molho de pimenta".

"Quem faria isso?" Eu suspiro, encolhendo ao pensamento. "Espera aí, você acha que eu preciso de cílios postiços?"

"Um bebê na floresta." Ela suspira, sacudindo a cabeça. "Isso é o que você é. O que você faria sem mim?"

~oЖo~

Quarta à noite eu mal tenho tempo depois do ensaio para vestir meu traje para a palestra de Jasper. Pendurando minha fantasia no banheiro, tomo uma ducha rápida enquanto uso os bobs de cabelo que Alice insistiu que vão ajudá-la a me arrumar de forma autêntica uma vez que chegarmos ao museu. O vapor do chuveiro leva embora algumas rugas que se recusam a sair com o ferro, mas os bobs não se saem tão bem com a mesma umidade, deixando o meu cabelo mais como uma nuvem de ondas do que cachos arrumados. Espero que Alice possa trabalhar com isso também.

O traje prova ser o maior desafio. Se eu fosse completamente autêntica com essa fantasia, eu teria uma camisola de linho debaixo do espartilho, mas o decote da parte de cima do vestido estava irregular, então eu apenas vou sem. Eu estava pensando em ter um pouco de diversão conseguindo que Edward me ajudasse a tirá-lo, mas parece que eu preciso da ajuda dele para colocá-lo também. A saia simplesmente não abotoa toda a extensão a não ser que eu aperte o espartilho um pouco mais, e os cordões nas costas estão onde os meus braços não alcançam facilmente. Mudo tanto de ângulo para obter uma boa visão no espelho do banheiro de Edward e tento puxar o fino cordão de laços, e simplesmente não consigo alavancar o suficiente para apertar.

É impossível imaginar ser uma mulher totalmente independente, sem uma empregada doméstica, ou irmã, ou apenas alguém para ajudar a lidar com os espartilhos, penteados complicados, e o que parece como milhões de pequenos botões. Eles parecem ser detalhes insignificantes, mas dizem muito sobre o período de tempo em que uma mulher não seria capaz de vestir-se sem assistência. Para uma mulher da época, era um lembrete diário do seu lugar na sociedade. Para mim, essa geringonça de feminilidade exagerada é apenas um pé no saco.

"Edward." Eu o chamo baixinho, e num instante ele aparece atrás de mim no reflexo do espelho.

Ele está principalmente vestido, faltando apenas seu paletó. Sua gravata branca pendurada no pescoço em uma promessa tentadora de gostosura vindo. Uma mão percorre o cabelo despenteado, e vejo o brilho das suas esmaltadas abotoaduras. Olá, lindão.

"Você poderia me ajudar com os cordões? Fiz o máximo possível sozinha, e precisa ser um pouco mais apertado para a saia se ajustar..."

Minha voz diminui um pouco quando vejo sua expressão mudar de leve curiosidade para luxúria interna quando seus olhos captam meu reflexo, demorando-se brevemente sobre meus ombros e a clavícula e se deslocando para baixo.

Huh. Vestimenta antiquada, machista, você pode ter alguma utilidade, afinal.

Eu olho no espelho e tento ver o que ele está vendo, e tenho que admitir que há algo extraordinariamente erótico sobre o efeito combinado da minha pele pálida enrubescida e da roupa de baixo do período eduardiano*. Pareço estar à beira de arrebentar a maldita coisa e, isso de alguma forma faz minha clivagem relativamente mediana parecer muito mais generosa do que realmente é. A renda na borda superior do espartilho mal esconde os meus mamilos, e se você olhar muito de perto, pode ver um pouco da aréola pêssego pálida através do padrão de renda.

*Eduardiano: relativo ao reinado de Edward IV, rei da Inglaterra.

Edward olha de muito perto.

"Eu, ah, só preciso de um centímetro, ou algo assim." Eu consigo dizer em voz vacilante. "Você pode dar apenas um puxãozinho?"

"Não temos que sair logo?" Ele pergunta, ignorando os cordões que estou segurando para ele meio sem jeito nas minhas costas. "Apesar de, já que você falou... mais um centímetro certamente faria o truque".

Tenho certeza que ele não está falando sobre conseguir abotoar minha saia.

Suas mãos deslizam para cima dos meus braços nus e ao longo dos meus ombros gentilmente acariciando a pele sobre a minha clavícula e arrastando ao longo da curva exagerada dos meus seios. Minha respiração engata quando aqueles dedos mágicos mergulham sob a renda para gentilmente provocar meus mamilos. Seu toque delicado e direto envia uma onda de desejo direto através de mim, como se houvesse algum tipo de eletricidade conectando diretamente tudo que é rosa e sensível. A parte de trás da minha cabeça bate no seu ombro e um pequeno gemido escapa enquanto eu estou lutando para reunir meus pensamentos por algum motivo.

"Olhe para mim, Bella." Ele exige, e é melhor que seja bom porque seus dedos são absolutamente pornográficos, e eu só quero vê-lo tocar-me tanto tempo quanto possível.

Arrasto meus olhos da maravilha das suas mãos sobre mim para encontrar seus olhos observando os meus com tamanha intensidade que parece improvável que o espelho não seja danificado do ricochete. Minhas pálpebras estão pesadas e eu tento lembrar por que eu estou em um traje, além da promissora, ainda que acidental, situação acontecendo no momento.

Jesus, Edward, nós temos que sair em cerca de quinze minutos e você escolhe agora para explodir? Viro minha cabeça para tentar lembrá-lo, mas encontro-me ficando mais que um pouco perdida em seus olhos cobiçando e respiração doce. Eu realmente deveria dizer alguma coisa agora.

O ar carregado entre nós desaparece lentamente, e a bela boca de Edward é a única coisa que eu sei enquanto seus lábios se mexem nos meus no lugar de formar palavras, e sua respiração torna-se a minha também. O choque escorregadio da sua língua dentro da minha boca mal me impede de deixar a tontura me derrubar. Eu me afasto e tomo uma respiração profunda e neutra.

"Ah, hora do intervalo, Edward?" Eu pergunto, tentando lembrar o que eu ia perguntar a ele.

Tenho certeza de que era importante. Algo sobre o mau momento... e eu suspiro enquanto seus lábios escovam meus ombros e começam a viajar até meu pescoço, àquele ponto. Aquele ponto maravilhoso e mágico que me faz esquecer meu nome e me faz sentir como se a minha pele fosse composta por mil borboletas tremendo que podem decolar a qualquer momento. Ele se inclina mais para perto de mim, e eu sinto sua ereção através das suas calças e contra a minha saia, a inclinação das minhas costas, minhas mãos segurando cordões. Ele geme e aperta-se totalmente em minhas mãos, e eu exploro a situação através da textura mágica da sua calça do concerto. Concerto. Certo.

"Concerto." Murmuro, começando a lembrar. "Nós temos que ir ao museu. Juro que há alguma razão pela qual eu te chamei aqui, mas eu não me lembro".

"Poderia ter alguma coisa a ver com isso?" Ele pergunta, suas mãos deslizando de debaixo do meu espartilho - desculpe, mamilos – para as minhas costas para cobrir as minhas mãos explorando, ainda segurando os cordões.

Eu relutantemente deixo ir - desculpe, mãos - e ele cautelosamente pega os cordões.

"Apenas um centímetro?" Ele respira no meu ouvido, e eu aceno com a cabeça, concordando com tudo o que ele poderia eventualmente dizer com isso.

Lentamente, ele puxa a corda, e vejo a ligeira transformação no espelho, minha cintura estreitando levemente enquanto o topo dos meus seios empurra para cima e para fora em outro grau improvável. Os olhos de Edward arregalam pela mesma margem, e me pergunto por que as mulheres alguma vez pararam de usar essas coisas. Bem, pelo menos na cama.

"Você consegue respirar?" Ele pergunta, franzindo a testa um pouco, mas ainda olhando.

Tomo um fôlego experimental e o solto usando meu exercício favorito de cantora. Tomo outro e canto uma nota aleatória alta, segurando-a enquanto eu posso.

"Surpreendentemente bem." Eu digo, lembrando-me de agradecer Magda da próxima vez que eu a vir. Profusamente.

Ele desliza o pálido corpete lilás do meu vestido sobre meus braços, e rapidamente prende os muitos botões na parte de trás. Enquanto ele está fazendo isso eu olho no saco de acessórios que veio com a fantasia, e pesco algumas jóias de imitação de diamante bem exagerada. As mãos de Edward ainda estão em mim quando eu procuro desajeitadamente o fecho do colar.

"Eu tenho algo muito melhor." Ele sussurra. "Quer experimentar?"

Eu concordo, pensando que seu tom de voz é um pouco pesado para a ocasião.

Ele confirma minhas suspeitas quando me leva a uma caixa de madeira esculpida primorosamente em uma das suas estantes. É assustador ver a caixa que Carlisle tirou do quarto da mãe de Edward quando ele o ajudou a reivindicar a sua herança de direito. Ele a abre com uma antiga, mas polida, chave, e vejo a coleção relativamente impressionante de jóias para o tamanho da caixa. Ele a coloca no chão em frente ao piano e se ajoelha na frente dele, batendo no banco para eu me sentar. Eu não quero estragar o vestido, então tomo o assento.

"Eu espero que você não se importe." Ele diz suavemente. "Eu dei alguns brincos a Esme. Ela tem sido como uma mãe para mim, e eu queria que ela os tivesse. O restante pertence a você".

"A mim?" Eu pergunto, perplexa. "É muito, Edward." Balanço minha cabeça um pouco, até captar a pergunta em seus olhos.

"Você não vai querer para sempre?" Ele desafia, me encarando intensamente.

"Eu quero você para sempre." Esclareço. "Eu nunca me importei com essas coisas".

"Bem." Ele argumenta, beijando-me suavemente, "Você precisa de jóias para usar com este vestido. Não é a última vez que você vai precisar delas também, dada a sua escolha de profissão. Acontece de eu ter jóias, e você me ter. Portanto, você tem as jóias. Não é como se eu pudesse usar qualquer uma delas".

Nisto ele equilibra um pente elaborado de jóias em seu cabelo selvagem, e eu rio.

"Aqui." Ele diz, gentilmente prendendo-o atrás da minha orelha com um movimento suave da sua mão. Ele acaricia o meu cabelo e me dá um olhar sonhador, satisfeito. "Muito melhor em você".

"Tudo bem então." Eu respondo. "Mas parece um pouco estranho usar algo tão precioso. E se eu perdê-lo?"

"É seu para perder." Ele dá de ombros, decorando as minhas orelhas com ametistas. "Você é a coisa mais preciosa neste quarto".

Reviro meus olhos, e ele ri baixinho, claramente divertido com o meu embaraço.

"Já acabou?" Eu pergunto, imaginando se ele vai me fazer usar todos os itens da caixa de uma vez quando ele pega uma pequena caixa de veludo.

"Quase." Ele diz suavemente. "Só mais uma coisa".

Agora eu percebo que esgueirar-se tem nos manobrado, então ele está em um joelho na minha frente, parecendo todo devastadoramente lindo e abotoaduras perfeitas. Esta é uma clara exploração da minha fraqueza, mas eu ainda sugo minha respiração em clara apreensão quanto ele produz o antigo anel e pega a minha mão. Eu não posso evitar o medo de chegar aos meus olhos, e ele percebe, mas não se abala.

"Naqueles tempos, eu estaria falando com o seu pai primeiro." Ele diz com um sorriso apreensivo. "Mas provavelmente eu estou em apuros o suficiente como está. Eu sei que os jovens hoje em dia deveriam levar uma eternidade para algum dia pensar em fazer isso, mas eu estaria mentindo se eu dissesse que isso não passou pela minha mente".

Ele parece tão vulnerável e esperançoso que chega a ser impressionante, quanto poder eu tenho sobre essa criatura maravilhosa neste momento. Eu sinto que eu poderia quebrá-lo com a menor palavra.

"Isso é importante para você, não é?" Pergunto, procurando seus olhos.

"Sim." Ele admite, buscando o mesmo cuidado. "Mas eu não quero que você diga sim só porque é importante para mim. Se você realmente tem dúvidas-" Ele corta com um olhar angustiado ao anel.

"Eu não tenho quaisquer dúvidas sobre você." Eu digo, acariciando seu rosto até que ele olha para mim novamente. "Não tenho dúvidas sobre nós. O único medo que tenho é o mesmo medo que você receberia de qualquer pessoa com pais divorciados, eu acho. A palavra 'casamento' me assusta completamente, é verdade. Mas isso tem mais a ver com Charlie e Renée e ser tão jovem quanto eles eram quando se casaram. A idéia de estar com você para sempre nem remotamente me assusta, em nada. Para ser justa, você não me fez realmente uma pergunta".

"Verdade." Ele diz, pensando sobre isso por um momento. "Você pode dizer sim para sempre então? Verdadeiramente minha, e eu seu?"

"Eu já disse a você isso quando eu disse que eu te amo, isso não mudaria, nem nunca." Eu o lembro com um sorriso genuíno, sem qualquer receio. "E eu te amo. Mas você pode considerar isto um 'sim' oficial, se você quiser".

Em um movimento ele desliza o anel no meu dedo e me faz rodopiar no ar. Quando ele me beija é cheio de inocência e êxtase, e desta vez eu não sinto tonturas, apesar do mundo girando ao nosso redor. Tudo o que vejo é Edward.

"Vamos." Eu rio, sentindo toda a força da sua alegria radiante. "Alice vai nos matar se nós não estivermos lá em dez minutos".

"É tudo culpa dela, pedindo a você para usar esta fantasia incrível." Ele ri, estabelecendo-me para baixo levemente.

"Como assim?" Eu pergunto com curiosidade.

"Eu não estava pensando em fazer isso por semanas." Ele admite, traçando a pele abaixo da ampla gola quadrada da minha roupa. Há uma diferença sutil em seu toque, embora seja tão suave como antes. "Mas eu simplesmente não podia esperar mais".

~oЖo~

Conseguimos chegar ao museu em tempo recorde, mal cruzando a porta da frente um minuto além do horário que Alice nos pediu para chegar. O museu, que foi originalmente construído como uma mansão durante o final de 1800, foi iluminado nesta noite usando apenas as lamparinas originais e a iluminação inteligentemente rebaixada, o que traz os detalhes em cada obra de arte. Devido a uma diferença sutil entre o teto e a parede, a iluminação não parece sequer ter uma fonte. É quase como se cada quadro fosse simplesmente iluminado por conta própria, como uma pequena lua, ou estrelas. Estudantes em vestidos do concerto estão ajustando cadeiras dobráveis de mogno, e algumas velas brilham no pódio da palestra.

"Uau." Eu respiro, oprimida pela mudança na atmosfera. "Eu me sinto como se tivesse viajado no tempo".

"É impressionante. Tudo está exatamente como eu me lembro, talvez até mais antigo." Edward concorda, ajeitando sua gravata borboleta branca. "Até mesmo as cadeiras para o público parecem autênticas".

"Elas são, tudo é!" Alice confirma presunçosamente quando aparece em torno de um canto, parecendo uma figurante em um filme de Merchant Ivory. "É por isso que escolhemos este local para esta palestra em particular. Queríamos fazer todo o possível para criar a ilusão de um tipo muito diferente de experiência musical. Eu gostaria de poder fazer o aparelho de som completamente invisível, mas a cortina tem que fazer isso. Pelo menos a câmera é quase totalmente silenciosa".

"Edward, você pode afinar os pianos, por acaso?" Ela pergunta. "Eu juro que o E4 sobre o cravo está plano por, pelo menos, vinte centavos".

"Claro, mas meu kit está no carro." Edward parece um pouco surpreso quando ela produz uma bolsa de couro e abre para revelar um conjunto de maioria de ferramentas longas e magras. "Ou eu posso usar as suas".

"Estranho." Eu digo, espiando o kit. "Eu não sabia que você poderia fazer isso".

"Com tantas teclas como eu quebrei, é melhor eu saber tudo isso e muito mais." Ele murmura sob sua respiração - mas não o suficiente baixo, aparentemente, já que vejo as sobrancelhas de Alice atirarem para cima.

O rosto de Edward parece quase calmo demais, mas eu tenho certeza que ele está consciente da curiosidade de Alice agora, embora nunca falássemos sobre isso. Ele mencionou mais de uma vez que ela é conhecida por falar demais, e a leitura da mente dela pode ser muito semelhante a descer pelo buraco do coelho.

"Vale a pena estar preparada." Alice diz, dando-me um olhar significativo enquanto me leva para o banheiro das mulheres.

"Sutil." Eu digo. "Falando nisso, obrigada pelo pequeno presente que você deixou na minha bolsa no domingo. Estriada, para o meu prazer?"

"Você sabe o que não é sutil, Bella?" Ela bufa. "Bebês. Bebês são provavelmente as coisas menos sutis do planeta. Embora eu ouça que o aborto também não é muito sutil. Também não é ter que escolher entre ter um ou outro. Adoção seria o mais sutil, mas você ainda tem o momento não sutil quando um gigante de 4 quilos-"

"Eu entendo, eu entendi. Mensagem recebida." Eu interrompo enquanto ela trabalha a parte da frente do meu cabelo em um rabo de cavalo, faz uma mágica louca e começa a trabalhar em grampos para formar o início do mesmo tipo de coque no alto da cabeça que ela está usando também. É muito lisonjeiro para suas feições delicadas. "Você aprendeu como fazer este penteado apenas para essa palestra?"

"Você está brincando?" Ela bufa, escovando a parte de trás do meu cabelo com uma pá. "Não, eu aprendi isso logo após ver o filme Em Algum Lugar do Passado. Esta palestra só me deu uma desculpa para usá-lo. Aqui, agora para este lindo pente, e voilà*".

*Voilà: é uma expressão francesa, de satisfação ou sucesso.

Ela segura a minha mão por um momento, olhando para o anel, e depois para os meus brincos e, finalmente, de volta ao anel.

"Vocês arrombaram um banco em seu caminho até aqui?" Ela pergunta, "Ou Edward simplesmente não ostenta sua riqueza?"

"Eles pertenciam à mãe de Edward." Eu digo, ainda pensando em Elizabeth, que teria se sentido em casa neste ambiente. "Sua mãe biológica, eu quero dizer. Antes de ela morrer".

"A mãe de Edward morreu jovem?" Ela pergunta, enchendo os olhos de compaixão. "Seria a mesma coisa que Edward tem?"

"Eu te disse, eu não vou falar sobre isso." Eu digo, começando a entender como muitas pessoas acham seus irmãos irritantes.

"Desculpe." Ela diz, e eu quase acredito nela. "Caramba, Bella. Você tem uma sorte estranha. Todas essas grandes coisas acontecem para você tão rápido, mas a que preço, hein?"

"Você é muito perspicaz." Suspiro. Alice é uma mulher brilhante e curiosa. Estou começando a me preocupar sobre como lidar com ela.

"Bem, se você algum dia mudar de idéia e quiser falar sobre isso, eu estou aqui".

"Obrigada, Alice." Eu digo, e realmente quero dizer isso. Impulsivamente eu a abraço. "Posso ajudar com alguma arrumação?"

"Quer distribuir os panfletos da programação?"

"É isso aí." Eu digo, então nó seguimos para o museu.

A palestra acaba por ser mais um concerto fascinante, com Jasper dando a cada um dos instrumentos anteriores mais uma biografia do que uma história seca. Começo a perceber como eu sou sortuda por ter encontrado alguém como ele para a tutoria. Ele tem esse dom de explicar as coisas de uma maneira que faz tudo parecer interessante e relevante, e então ele se vira e conecta idéias em maneiras que você nunca pensaria em conectá-las. Cada era tem uma pequena apresentação feita por colegas estudantes com fantasias tocando instrumentos do período. Entre o edifício, a minha roupa, e a música, é incrivelmente fácil de me imaginar em outro lugar e tempo.

A certa altura, durante uma das partes faladas da palestra, o telefone celular de alguém se apaga, e todos nas primeiras fileiras se remexem um pouco. Jasper leva tudo na esportiva, provocando o homem enquanto ele silencia seu telefone com um improviso sobre as tecnologias modernas e o ritmo da vida. Eu posso imaginar outras pessoas ficando perturbadas e com raiva, ou simplesmente ignorando a interrupção, mas Jasper simplesmente a inclui em sua palestra e faz o cara parecer ser um exemplo inesperado ilustrando seu ponto.

Quando é hora do nosso conjunto, que é o último da noite e o exemplo crucial da mudança para os instrumentos modernos, estou bastante feliz por ter escolhido cantar duas peças que eu tinha memorizado por meses, em vez da nova de Duparc. Entre sentir-me ansiosa sobre a ópera, a antecipação de ver a família de vampiros de Edward - provavelmente este fim de semana - e toda a emoção do planejamento para viver na Itália no próximo semestre, eu não acho que eu poderia agüentar mais pressão. Enquanto o Duparc tinha sido memorizado para minha lição, não foi bem resolvido na minha voz ainda, e eu quero realmente levar algum tempo com ele. Em vez disso, estamos apresentando duas peças de Schubert do semestre passado.

Primeiro, Edward senta ao fortepiano atrás de mim e, na minha indicação, começa a paixão contida de Ständchen. Eu já estou na minha coluna, sentindo a estrutura da canção quase arquitetonicamente, como se fosse uma escada que estou subindo - cuidadosa, contida, mas de pé firme. Esta é a primeira audiência que eu não encontrei composta inteiramente de outros músicos desde o início do ano letivo, e percebo a mudança na energia imediatamente. Há, naturalmente, alguns músicos aqui, incluindo o Dr. George e o resto dos apresentadores, mas essa palestra foi promovida principalmente para um público externo.

O público é grande para o local, mas não é imenso, cerca de três centenas de pessoas, ou algo assim. Quando eu me apresento para outros músicos, eu sinto a energia do público como crítica, nem positiva nem negativa, mas algo do qual eu tenho que proteger-me, a fim de me concentrar. Com os não músicos, é uma história completamente diferente. Essas pessoas prestam atenção, não tanto com um ouvido crítico, mas com o desejo de se divertir e impressionar. Apesar da quantidade habitual de medo do palco, uma vez que eu começasse, eu sempre sentiria uma onda de energia projetada de um público como este. Agora que estou firme na minha coluna, que a energia tem se intensificado, e eu sinto a coluna se expandir para incluir não só Edward e eu, mas todo o salão também.

Sinto-me enrubescida e agraciada com a intensidade dos aplausos após a primeira música, e eu me concentro novamente para Gretchen am Spinnrade enquanto Edward muda para o piano moderno. Agora eu posso vê-lo enquanto eu canto, o que é sempre preferível, se distrair um pouco às vezes. Quando eu canto o ponto mais e mais alto da música, "Ach, sein Kuss", que significa "oh, seu beijo", eu sinto tanto dessa energia que parece ser muito, e eu troco um olhar com Edward carregado com todo o calor e a paixão do nosso beijo de mais cedo, multiplicado pelo número de pessoas no salão. Eu sinto, ao invés de ouvir - já que não posso ouvir nada além da minha própria voz alta neste momento - um suspiro coletivo da platéia.

Certa vez li que Janis Joplin comparava a apresentação com fazer amor com cada pessoa na platéia, e só agora eu entendo o que ela queria dizer. Eu sinto que estou em um cavalo não domado, selvagem, mas as rédeas estão firmemente nas minhas mãos. É assustador e incrivelmente sexy. A energia do público dobra ao meu redor como uma grande onda de lembranças, e eu fico paradoxalmente melancólica e aliviada quando a música chega ao fim. O público irrompe em aplausos de pé, a primeira e única vez da noite, e eu estou completamente envergonhada até que Jasper, vendo meu rosto, suavemente leva o restante dos músicos para compartilhar os aplausos. A mão de Edward desliza na minha, e eu fecho meus olhos alegremente ao sentir seus lábios frios sobre a minha bochecha em chamas.

"Você simplesmente é cheia de surpresas, irmãzinha." Jasper sussurra quando me abraça depois. "Você sentiu a emoção no salão? Eu não esperava esse tipo de presença de palco vindo de vocês dois".

"Nem eu." Eu admito, voltando-me para o Dr. George quando ele abre os braços para abraçar tanto Edward como eu, ao mesmo tempo.

"Meus tímidos tesouros..." Ele sussurra dramaticamente. "Espere até a sua voz realmente florescer. Meus tesouros. Nunca terminem o namoro".

~oЖo~

"Incomoda você quando Dr. George fala sobre nós assim?" Pergunto mais tarde no apartamento de Edward, quando começo a tirar os grampos do meu cabelo. Luz de velas e Debussy preenchem os espaços entre nós, ambos dispostos a deixar o passado apenas deslizar para longe ainda.

"Deixe-me fazer isso." Edward murmura, tirando o pente do meu cabelo e recolocando-o na caixa de madeira. "Eu estava ansioso para esta noite".

"Ele é simplesmente tão... eu não sei." Eu digo, balançando a cabeça.

"Honesto." Edward responde. "Dr. George, por todos os segredos que ele guarda, e todas as suas ambições, raramente mente".

"A maioria das pessoas mente?" Eu pergunto, curiosa.

Isso é algo que ele raramente menciona em seus diários, pelo menos até onde eu li. Ele não pode escrever sobre isso livremente, caso alguém encontre e leia os diários, mas uma dica disso surge.

"A maioria das pessoas mente? Eu acho que sim." Ele diz, libertando o meu cabelo do resto dos grampos e jogando-o para fora em torno dos meus ombros. "Principalmente para si mesmas e para as pessoas que eles acham que pode prejudicá-los. As pessoas podem ser extremamente frágeis, na maneira como pensam sobre si mesmos".

A música muda para as cascatas suave da Arabesque No. 1 de Debussy.

"Você se lembra?" Ele pergunta suavemente, um sorriso tímido brincando nos cantos da sua boca.

"Claro que sim. Esta foi a música que você tocou para atrair-me debaixo do piano".

"Eu não fiz tal coisa!" Ele ri, enterrando seu rosto no meu cabelo. "Se alguma coisa, foi você. Eu só toquei o que me veio à mente quando você estava por perto".

"Estou feliz que você me atraiu." Eu brinco saudosamente. "Eu tinha uma paixão por você, mas eu estava muito intimidada para me aproximar até que você tocou isso. Então, eu simplesmente não consegui me conter".

"Eu conheço o sentimento." Ele murmura, correndo os dedos pelas minhas costas.

Sinto o corpete do meu vestido afrouxar, e as pontas dos dedos roçando a superfície da pele exposta recentemente como uma brisa gelada. Eu tremo e gemo quando a brisa se move ao redor para frente, o corpete agora escorregando pelos meus braços. Mãos de vampiros são mãos rápidas, e no momento que eu pego o corpete antes que ele caia no chão, a saia e a anágua do vestido caem no chão em ondas pálidas e onduladas.

"Isso fica." Ele diz, ajoelhando-se diante de mim e beijando meu anel. "Mas o resto sai. Tudo bem?"

"Está mais do que bem." Eu sussurro antes de curvar-me levemente para reivindicar a sua boca com a minha. "Eu sou sua, Edward. Sempre e somente sua".

"Eu te amo, Bella." Ele diz com fervor, subindo de volta até encontrar meu rosto, mãos e pescoço com beijos leves e rápidos. "Minha".

Ele envolve os braços em volta de mim em um abraço unido, tão apertado que rivaliza com o espartilho, e começa a beijar languidamente a ondulação dos meus seios onde eles ameaçam derramar sobre a crista de renda. Minhas mãos estão nos cabelos dele, puxando-o para mais perto, e seus braços liberam a mim e a roupa de baixo simultaneamente. Seus olhos parecem hipnotizados quando ele toma a visão de mim em apenas uma roupa íntima minúscula de seda branca. Ele parece totalmente extasiado quando desliza suavemente um dedo longo e elegante sobre a seda, parando apenas na borda superior, onde ele usa as duas mãos para deslizar suavemente a seda para baixo, descendo pelos meus joelhos trêmulos, acrescentando à piscina de roupas no chão. Seus olhos movimentam-se rapidamente, e ele me beija , enquanto meus joelhos finalmente cedem.

"Edward." Eu ofego, quando ele levanta-me na cama. "Você ainda está usando-"

"Meu terno de castidade?" Ele ri. "Algo me diz que não vai funcionar esta noite".

Oh, inferno, sim.

"Permita-me, por favor." Eu pergunto, e começo a trabalhar para soltar sua gravata.

Minhas mãos tremem enquanto eu desabotôo sua camisa, mas eu nunca quis nada tanto na minha vida como eu quero Edward agora. Sinto seus olhos queimando dentro de mim e encontro o seu olhar, então o ataco com todo o desejo que senti durante a performance, abrindo a minha boca sobre a dele e deixando as minhas mãos explorarem a vastidão fria das suas costas, ombros, e músculos torneados. Seus braços apertam em volta de mim, e leva-me um tempo para perceber que ele está fazendo mais contenção do que abraçando.

"Desculpe." Eu digo sobre o seu ombro. "Eu apenas me deixei levar".

"Você pode se deixar levar." Ele diz de modo arrependido, soltando-me. "Eu sou o único que tem que ser cuidadoso".

"O que você precisa que eu faça?" Eu pergunto, realmente perdida.

Eu me sento na cama, e percebo que estive mordendo meu lábio inferior quando ele estende a mão para acariciá-lo sempre tão suavemente. Ele não está respirando, então eu só espero. Ele tira suas abotoaduras e as coloca cintilando sobre o criado-mudo, dando-me um sorriso dissimulado quando ele me pega olhando para elas. Ele tira a camisa e eu olho suas costas, brilhante e pálida e prateada sob a luz amarelada das velas sobre o suporte. No momento em que ele se vira eu consegui entrar debaixo das cobertas, mais do que um pouco nervosa, se eu sou honesta sobre isso. Pareço reagir instintivamente o suficiente, contanto que ele esteja me tocando e beijando, mas esperando por ele recuperar o controle sobre si mesmo, eu sinto que estou simplesmente perdida. Eu me enterro debaixo das cobertas, vendo-o tirar as calças, imaginando o quão longe nós vamos fazer isso esta noite.

Eu desvio meus olhos quando ele sobe na cama e sinto-me tanto desapontada como aliviada quando sinto o algodão macio da sua boxer contra a minha perna.

"Nós não temos que fazer nada hoje à noite." Ele diz, levantando meu queixo. Eu olho nos olhos dele e vejo amor, só amor. É como se eu estivesse vagando por aí sem rumo e acabasse de encontrar a Estrela do Norte, e eu já não estou perdida, afinal. "Eu posso esperar o tempo que você quiser".

"Podemos apenas nos amassar por um tempo?" Eu peço. "E ver o que acontece a partir daí?"

Minha timidez momentânea desaparece rapidamente, em pequenos suspiros seguidos de gemidos e até mesmo o selvagem som ocasional de Edward. Nós lemos os corpos um do outro como mapas novos, com um monte de apalpadas e giros, e a ocasional risada nervosa.

Suspiros, gemidos.

Definitivamente ele age junto com a cautela, quase suave demais em seu toque, e eu encontro-me pressionando em suas mãos mais de uma vez para indicar a quantidade desejada de pressão. Eu coloco a mão dele onde preciso dela, e tremo quando a carne do seu polegar gera ondas de prazer estático. Quando as ondas se transformam em uma pulsação constante e explosão de calor liso, ele desliza primeiro um dedo dentro de mim, depois outro, e eu posso sentir-me apertar em torno dele em um ritmo acelerado. Meus olhos reviram e meu corpo empurra contra ele. Ele suga uma respiração através de seus dentes, tirando a sua mão enquanto minúsculos eu te amo enchem o ar, alguns em silêncio, alguns em sussurros suaves.

Gemidos, rosnados.

Quando abro meus olhos, ele está me observando atentamente, e trilha seus dedos brilhantes primeiro pelo meu pescoço, depois com os nós dos seus dedos delicadamente escova um grande X de cada ombro para os mamilos opostos. Ele evita qualquer tipo de contato entre os dentes e minha pele, apesar da sua longa língua saltar para fora, provando a pele do pescoço e ombro, seguindo os padrões que ele fez. Puxo a sua cabeça e ele se move mais para baixo. Nós dois gememos quando sua língua circula um mamilo enquanto ele copia a ação com um dedo incrivelmente talentoso, de certa forma replicando a pressão com precisão. Eu pressiono nele, mas ele recua um pouco, alerta piscando em seus olhos.

Sussurros, risadas, suspiros.

"Tentado?" Eu pergunto, me sentindo como Eva no jardim. Meu Adão, astuto como uma cobra, traça a linha diagonal do ombro esquerdo ao mamilo direito, com a língua.

"Você não faz idéia." Ele diz, a voz melosa e sedutora.

"Eu quero tentar." Eu digo timidamente, e enterro meu rosto em seu pescoço.

"Você tem certeza?" Ele pergunta, com preocupação genuína, mas outra parte dele não mostra qualquer receio em nada quando pressiona contra a minha entrada através do tecido fino da sua boxer.

"Eu não tenho certeza que essa coisa vai caber." Eu admito. "Mas eu estou pronta".

"Isto é provavelmente uma boa idéia." Ele murmura, pegando uma familiar embalagem laminada do criado-mudo. "Embora eu esteja mais preocupado com o veneno do que qualquer outra coisa".

Longe do seu toque mesmo por um momento, eu sou uma estranha, para ele e para mim. Os lençóis em volta de mim enrolam como um casulo, e eu me pego pensando sobre lagartas e o que elas sonham de quando estão invisíveis e se transformando. Depois de algum ruído, ele volta e beija minha timidez embora até que sejamos Edward e Bella novamente. Enquanto ele paira, cuidadosamente para não colocar qualquer peso sobre mim, ele hesita, e seu rosto é sombreado de angústia e desespero.

"Eu não posso machucar você." Ele confessa, sentando de volta depois de um momento. "Por que tem que ser você a sentir dor?"

"Então eu vou fazer isso." Eu digo, beijando a preocupação entre seus olhos. "Fique apenas parado".

Mudamos de lugares e eu me abaixo para ele, dolorosamente, lentamente. Parece impossível, dada a quantidade de dor que estou sentindo, mas quando olho para baixo ele claramente não vai mais longe do que um centímetro, no máximo. Respiro fundo e apenas deixo o meu peso corporal afundar-me mais do que eu posso forçar sozinha. Eu mordo a mão de Edward para não gritar até meus dentes começarem a pulsar. Seus olhos parecem selvagens por um minuto e, por um momento, ele realmente se parece com o demônio que ele sempre diz ser.

"Está sentindo dor?" Ele pergunta, parecendo todo tipo de torturado.

"Eu não acho que a primeira vez é boa para qualquer mulher." Eu o lembro, enquanto pergunto-me se é possível que eu esteja fazendo isso completamente errado e apenas fazendo um novo buraco no meu corpo para nenhuma razão, afinal. "Então, eu estou simplesmente esperando ansiosa pela segunda vez".

Ele toma um fôlego para dizer alguma coisa quando ambos percebemos o nosso erro, ao mesmo tempo.

"Sangue." Eu sussurro sobre seu rosnado profundo.

Seu rosto muda sutilmente de humano para a besta selvagem e, pela primeira vez, estou realmente com medo dele. Suas narinas incendeiam enquanto suas mãos formam punhos apertados. Por puro impulso, eu pego um travesseiro e uso todas as minhas forças para sufocá-lo com ele. Quero dizer, não é como se ele precisasse de ar. Suas mãos seguram as bordas e ele o rasga ao meio, enviando penas voando sobre a cama. Quando elas se estabelecem, estou aliviada ao ver Edward de volta ao normal, me encarando em choque, e cuspindo tufos. Ele parece meio ridículo, e eu começo a rir, apesar da dor e do medo retrocedendo.

"Melhor agora?" Eu pergunto, limpando as penas do seu cabelo bagunçado.

"Ganso... nojento..." Ele diz, cuspindo as penas. "Eu odeio gansos. Nunca pensei que ficaria grato por tal cheiro horrível." Ele admite, acariciando-me suavemente entre as pernas. "Isso foi uma suficiente, senão desagradável, distração. E você, melhor agora?"

"Não respire." Eu aviso, e começo a balançar delicadamente em cima dele.

A dor se aproxima de esmagadora, mas à beira disso há um indício de prazer, e tento me concentrar nisso. Piano vira guitarra espanhola, e eu não tenho certeza o que mais eu posso agüentar. Edward de repente nos rola, xingando enquanto empurra dentro de mim. É então que eu sinto a necessidade imperiosa de estar perto dele, e me envolvo em torno dele, sussurrando o conteúdo do meu coração.

"Eu nunca me senti tão inocente." Confesso. "É como se eu soubesse os segredos de todo mundo agora".

"Eu sinto que eu acabei de sair do inferno." Ele diz com seu fôlego restante.

Eu me banho em sal Epsom e água quente, enquanto ele troca os lençóis. Quando eu saio do banheiro sinto o cheiro de água sanitária, um pequeno preço a pagar. Edward abre uma janela e uma brisa fresca e doce esfria a minha pele úmida, até que eu esteja quase tão fria quanto Edward. Nós rastejamos sob os lençóis de novo, cuidadosamente dobrados um no outro.

A gentil escuridão nos envolve quando a última vela apaga, e com um suspiro final dizemos adeus ao nosso passado solitário. Enquanto ele canta, eu durmo, e nós somos um, nus e novos.

~oЖo~

Sexta-feira chega como um comboio desenfreado, e eu nunca estive mais feliz de conhecer Alice. Ela vibra e dá conselhos enquanto eu aplico a maquiagem. Todo o tempo eu estou tão nervosa que eu quero vomitar.

"Você pode esconder esse grande anel brilhante com algum curativo fosco se você não quiser tirá-lo." Ela diz, por uma vez não tão curiosa enquanto me dá uma abertura para compartilhar. "Embora virá-lo ajudaria também, é tão longo".

"Obrigada, Alice. Hey, como Jasper está indo agora que está quase tudo acabado?" Eu pergunto, mudando de assunto. "Ele está recebendo o tipo de resposta que ele queria?"

"Até aqui tudo bem, bate na madeira." Ela diz com um sorriso. "Há alguns burburinhos dignos, e dois dos quatro artigos definitivamente serão publicados. Se isso não aumentar suas chances de possuir um emprego excelente em uma faculdade decente na Califórnia, ou na Costa Leste, eu não sei o que vai. Eu estive olhando os vídeos das palestras, e alguns deles podem até ser comercializáveis, talvez como uma palestra de transferência eletrônica, ou uma coisa de ensino à distância, não tenho certeza ainda. Você e Edward estariam dispostos a assinar os formulários de liberação?"

"Claro que sim." Eu digo, imediatamente querendo me chutar.

Edward pode realmente fazer isso? Eu posso, já que eu estou pensando em me transformar? Se eu vou estar por aí tanto quando Edward, ou Carlisle, algum dia, não deveríamos tentar evitar qualquer tipo de publicidade em massa? Eu realmente deveria saber como tudo isso funciona antes de fazer algo irrevogavelmente estúpido.

"Você vai ser ótima, Bella." Alice diz pela décima vez, vendo a minha expressão preocupada. "Um pouco de nervosismo é um bom sinal. Você conhece a sua música, você não está coberta de abelhas, a fantasia se encaixa bem-"

Eu salto quando uma batida forte na porta do camarim a interrompe. Eu começo a levantar-me para atender, mas ela me empurra de volta na minha cadeira.

"Posso ajudá-las, senhoritas?" Ela indaga acidamente quando abre a porta apenas o suficiente para eu ver duas das minhas sopranos favoritas do outro lado.

Putaexplosão e sua serva nº 3 (cujo nome me escapa) tentam abrir a porta um pouco mais, mas a encontram surpreendentemente bem bloqueada pela minúscula Alice. A idéia delas até mesmo respirando o mesmo ar que ela me enfurece, e eu me levanto. Não tenho certeza do que eu vou fazer, mas se vai haver uma briga violentamente agressiva, estou dando suporte à minha garota. Alice não parece que precisa de alguma ajuda, no entanto. Ela parece ainda mais furiosa do que eu.

"Serena e Venka estão aqui?" Christine pergunta, esticando o pescoço para me dar a sua característica cara de puta. "Estamos aqui para dar flores a elas".

"Vocês não se preocuparam em ler a placa, ou vocês são tão analfabetas em Inglês como são com a música?" Alice pergunta, apontando para a placa na porta. "Aqui, deixe-me ler para você: Annike barra Madame Flora e Bella barra Monica. Isso significa que Venka e Serena estão no outro camarim feminino, gênias".

"Você não tem que ser uma idiota tão estúpida, Alice Brandon." Christine bufa. "Só porque você untou a Tola-Bella aqui para você e o clube popular das crianças do seu marido não significa que você sabe alguma coisa sobre cantar. Ela é super-fodidamente-estimada".

"Oh, sério? Isso é engraçado." Alice diz com um riso amargo, "Porque enquanto você estava registrando suas desgraças invejosas no seu patético bloguezinho, 368 pessoas deram a ela uma ovação de pé no museu há duas noites".

"Há, eu sabia que ela lê meu blog." Christine irrita.

"Na verdade, eu não leio." Dou de ombros. "Alice e Jasper gostam de tirar sarro da sua gramática e erros de ortografia, no entanto. Eu acho que meio que ouvi sobre isso de segunda mão".

"Você sabe o quê?" Ela diz, ficando magenta. "Eu vou tornar a sua vida um inferno a partir de agora. Marque minhas palavras, você não estará de volta no próximo ano quando eu acabar com você".

"Você poderia muito bem não perder seu tempo." Alice diz docemente. "Porque Bella não estará aqui no próximo ano, de qualquer maneira. Você não ouviu? Ela conseguiu a bolsa em Volterra! Você sabe, aquela grande em que eles pagam a você para estudar com os melhores professores de voz no mundo? Ou, neste caso, onde eles pagam Bella, não você".

Silêncio mortal.

"Você tem que estar fodidamente brincando comigo." Christine finalmente diz em uma voz profunda e assassina.

Eu ouço um sonoro assobio e a porta suavemente clica quando Alice a fecha firmemente.

"Dez, nove, oito..." Alice conta até que ouvimos uma batida de porta do outro lado do corredor e alguns gritos abafados.

"Eu estaria mentindo se eu não dissesse que isso foi doce como o inferno." Eu digo, enfiando meu celular e a carteira no bolso do meu short por baixo da saia do traje. "Não há nenhuma maneira que eu estou deixando algo de valioso aqui agora".

"Sim, eu estou com você nessa, mas isso com certeza valeu a pena." Alice sorri. "Eu nunca vi ninguém com tanta raiva! Ela se parece com uma framboesa, toda inchada e vermelha de raiva!"

Eu verifico o meu traje de novo, e Alice está certa, ele se encaixa bem.

O espelho mostra-me como eu sou, certa para o papel de uma colegial jovem e ingênua brincando vestida bem e pronta para se apaixonar. Eu ainda posso ver o fantasma feliz da Vovó Swan, me olhando no espelho através dos meus próprios olhos. Eu me pergunto se eu parecerei com ela quando eu ficar velha, por um momento, até que eu me lembro que eu não estou pensando em ficar velha em nada.

"Faça a escolha." Eu posso ouvi-la falando sobre envelhecer. Eu me pergunto se ela teria feito a mesma escolha. O que ela teria feito em meu lugar?

"Nos lugares para The Medium. Nos lugares para The Medium." A voz do supervisor de palco toca pelo interfone, e meu tempo se esgota.

Fiel à sua palavra, Alice leva-me diretamente para fora da cortina do palco e me conduz com um tapinha na bunda. Minha ansiedade chega ao máximo quando encontro o meu lugar e, por um breve instante, eu só quero pedir desculpas a todos pelo mal entendido e voltar correndo para casa. Eu olho ao redor em pânico e vejo Alice nos bastidores, dando-me os polegares para cima.

Edward toca a pequena introdução, e eu sorrio, sentindo-me confortada pela sua presença palpável, e o tempo começa a arrastar e fluir naquela estranha forma enquanto sou puxada para a sua coluna. Sento-me no meu lugar, e as cortinas se abrem. As luzes do palco me cegam momentaneamente, mas eu ainda posso sentir a presença do público. Eu sempre consigo ver Edward na minha visão periférica, mas não me atrevo a olhar para ele. Quando eu começo a cantar eu sinto Bella desaparecer e as trevas perigosas da história de Monica deslizam sobre mim como um nevoeiro.

Por tudo o que eu pensei que Leo era um bom ator nos ensaios, ele é algo totalmente diferente no palco. Ele não é mais Leo, ele é Toby, seu personagem. Ele é tão convincente que é muito mais fácil para eu cantar ao longo do que nos ensaios. Dentro de momentos da abertura da cortina eu me sinto como se estivesse em um apartamento sujo, brincando de me arrumar, sentindo-me completamente inocente e livre. As luzes brilhantes do palco tornam mais fácil para eu ignorar o público, ou, pelo menos, evitar olhar para eles. Mesmo se eu olhar para fora, não vejo nada além das luzes brilhantes. Minha conexão com Edward surpreendentemente me ajuda a me perder no papel, em vez de me lembrar que eu estou fazendo algo tão estranho como cantar em vez de apenas falar. Ele e eu estamos tão conectados que a mudança do seu tempo se torna a minha, como se fôssemos gansos em formação, ou golfinhos, e nós nunca lutamos um contra o outro. Eu sei que estou sendo mimada por uma produção que geralmente usa o piano, ao invés de uma pequena orquestra.

Por todo o tempo que eu estive preocupada e me preparando para esta noite, não é tão excitante quanto tinha sido cantar algumas canções para a palestra de Jasper apenas duas noites atrás. Eu não consigo explicar direito, mas há uma diferença na maneira como vejo o público. É uma interação completamente diferente, é claro. Não havia nenhuma luz brilhante no museu, e era meu trabalho olhar para eles, enquanto que esta noite isso seria apenas uma atuação ruim. Também acho um pouco irritante trabalhar com alguém além de Edward. Leo e Annike têm presença de palco natural, e eles não interferem com a obtenção na coluna, pois eles têm suas próprias. Annike, interpretando a abusiva Madame Flora, na verdade meio que me assusta algumas vezes. Nós atravessamos os movimentos tantas vezes nos ensaios que bater a minha marca não parece encenado, mas simplesmente parece que estou presa revivendo esta memória intensa da juventude.

Mas toda vez que eu tenho que interagir com o resto do elenco no palco, eu sinto uma espécie de desconexão, não realmente da minha coluna, mas das deles. Eu odeio dizer isso, mas eles não chegam nem perto de realmente se tornar seus personagens. Robbie é Robbie, Venka é uma puta diabólica, e eu não posso mais pensar neles como Sr. e Sra. Gobineau que eu posso imaginar Charlie tocando a parte de Julia Roberts em Uma Linda Mulher. Toda vez que eles entram no palco é um pouco chocante, e eu me esforço para permanecer no personagem. Somente durante as minhas árias eu alguma vez me aproximo desse tipo de foco e intensidade.

Quando eu canto Waltz de Monica, tenho 14 anos novamente, uma criança no corpo de uma mulher, interpretando o amor. Leo parece tão esmagado e desanimado que eu realmente tento confortá-lo. Neste ponto, estamos tão perto do piano que eu me encontro praticamente debaixo dele. Quando eu canto a linha final da canção, Toby, eu quero que você saiba que você tem a voz mais bonita do mundo, eu sinto tanto carinho fraternal por ele que eu quase imagino o rosto de Jacob, em vez de Leo, e quando a nota alta flutua tão docemente e inocentemente como o balão de uma criança, eu descanso minha cabeça contra a dele, sentindo-me serena. Uma onda de aplausos entusiasmados me apanha desprevenida, mas eu sou capaz de segurar o meu lugar até a próxima dica. Cantar O Cisne Negro com Annike vai tão bem, e eu me pego pensando em Renée o tempo todo. Quando Toby leva um tiro, eu passo mal, e não tenho que fingir as lágrimas.

Aplausos trovejam enquanto eu sorrio de alívio. Eu mal me lembro de fazer uma reverência até que as luzes da casa acendem e estou chocada ao ver quantas pessoas estão na platéia - quase o dobro do desempenho de quarta-feira. Eu vejo os rostos do meu pai e Billy, na frente e centro, sorrindo e aplaudindo. Estou um pouco decepcionada que Jake não está com eles, mas eu mal posso culpá-lo após o resumido e-mail que ele enviou sobre a visita do meu pai. Fico feliz em saber que ele está saindo com uma garota. Talvez em breve possamos ser amigos novamente, eu penso tristemente. Arrisco um pequeno aceno para eles e ouço o assobio surpreendentemente alto de Billy.

"Você poderia ouvir se os seus pais vieram?" Pergunto a Edward enquanto saímos do palco, e ele balança a cabeça.

"Eu estava focado no maestro." Ele diz. "Com essa quantidade de pessoas torna-se necessário desligar de quase tudo".

"Você foi ótima!" Alice abraça-me forte quando chegamos a ela. "Eu odeio ser estraga-prazer, mas, Edward, você poderia dar-me uma carona para casa enquanto Bella recebe seus dedicados fãs? Eu gostaria de verificar as fitas da palestra de hoje à noite antes de dormir, e Jasper provavelmente ainda está fora celebrando. Eu ligaria para ele, mas eu nunca consigo um sinal neste edifício, mesmo que ele pudesse me ouvir".

"Claro, Alice." Ele diz, e volta-se para beijar-me na testa. "Estarei de volta antes que você perceba".

Eu sigo Annike para o corredor onde nós somos obrigados a encontrar os membros da platéia, e o encontramos já lotado. A grande maioria das pessoas parece estar empurrando para vir em minha direção, mas uma vez perto eles mantêm uma distância respeitosa. Estranhos totais me olham ansiosamente, como se me conhecessem por toda a sua vida. É realmente estranho, mas posso dizer que eles querem dizer também e estão felizes, então eu tento relaxar e apenas dizer obrigada quando dizem coisas agradáveis para mim. Annike e Toby são muito melhores nisso do que eu, simplesmente conversando e rindo como se eles conhecessem todos.

Quando a fila se move, eu vejo alguns rostos familiares, e suspiro com alegria genuína.

"Obrigada, papai." Sorrio quando ele desastradamente oferece-me um pequeno buquê de margaridas.

"Estou tão orgulhoso de você, Bells." Ele diz com a voz rouca, e prende as minhas mãos por um momento.

"Onde está aquele seu jovem rapaz?" Billy pergunta curiosamente.

"Ele está levando uma amiga para casa, mas ele vai voltar em breve, se vocês quiserem ficar por perto." Eu digo, esperando que ele não vá querer esperar tanto tempo. "Onde está o seu jovem rapaz?"

"Provavelmente comendo na casa dos pais da namorada e em casa." Ele responde. "Ela é louca por ele".

"Dê a ele um abraço por mim?" Eu pergunto, abraçando-o pelo pescoço. Ele fareja-me e tosse.

"O seu perfume é um pouco doce demais para mim." Ele diz sem rodeios. "Deve ser popular, tivemos que mudar de lugar porque alguém estava usando o mesmo tipo. Eu não sei como isso pode cheirar bem para alguém".

Eu não estou usando perfume e, por um segundo, eu acho que ele poderia estar sentindo o cheiro do meu shampoo, mas é apenas o mesmo material barato com cheiro de fruta que eu sempre usei. Eu também poderia ter o mesmo cheiro de Edward, o que significaria que alguns dos seus familiares poderiam ter vindo como uma surpresa.

"Bem, nós temos um longo caminho de volta." Charlie anuncia, seu sorriso tão largo que até mesmo seu bigode parece estar sorrindo. "Com certeza foi bom vê-la cantar esta noite Bells. Eu não poderia estar mais orgulhoso".

Quando eles desaparecem ao virar a esquina, eu notei que a multidão diluiu consideravelmente. Isto é quando eu vejo o casal sobrenaturalmente bonito na parte de trás da fila. Eu sorrio, pensando como é fácil agora para eu dizer quem é humano e quem é vampiro. Eles são tão requintados, e a forma como se movem! Em comparação, todos os seres humanos parecem estranhos e irregulares. Passando tanto tempo com Edward, eu reconheço a qualidade sobrenatural da sua quietude e a graça dos seus movimentos felinos à medida que eles se aproximam. Eu não sei se é a vertigem de um desempenho decente, ou o alívio de tudo ter terminado, mas nem sequer remotamente ocorre para eu estar nervosa em conhecê-los.

"Isabella... Bella." A beleza da sua voz me surpreende quando a mão fria dele aperta a minha. "Eu tenho visto o seu lindo rosto e ouvido a sua linda voz, mas devo dizer que há algo verdadeiramente especial sobre você pessoalmente".

Ele dá à minha mão um pequeno aperto delicado e mantém por muito mais tempo do que eu esperava. Ele olha fixamente em meus olhos e eu começo a ficar um pouco desconfortável. Eu me pergunto se isso é uma coisa européia, e percebo que vou ter que me acostumar com isso em Volterra. Ele olha para mim como se eu tivesse esquecido minhas falas. Oh Deus, ele falou comigo e eu apenas estive completamente silenciosa.

"Obrigada." Eu digo brilhantemente. Eu tento mascarar o meu embaraço com um sorriso.

"Perdoe-me, Isabella." Ele diz, oferecendo-me um buquê de orquídeas vermelhas e algumas pequenas flores irregulares roxas que eu não reconheço. Estou contente com a desculpa de tirar a minha mão, e minha respiração engata quando a frieza do seu toque flui através de mim como a água indesejável. "Eu simplesmente estive tão ansioso para conhecê-la que eu esqueci as minhas boas maneiras. Meu amor por ópera às vezes supera o meu melhor juízo, e estou achando que você é um caso muito excepcional".

De alguma maneira eu mantenho o sorriso no meu rosto, enquanto todo sinal de alerta na minha cabeça diz-me para mentir, manter a calma e fazer algo para que eu possa sair de lá.

"Que lindas flores!" Exclamo, enterrando meu rosto nelas.

"Infelizmente, minha jovem amiga aqui não aprecia ópera como eu." Ele confidencia como se eu fosse uma velha amiga. Seu sotaque soa realmente estranho, não é bem o italiano, mas muito próximo a isso. No entanto, seu sotaque inglês é preciso, aristocrático. "Talvez ela ache que você é excepcional também. Jane, venha aqui e conheça Isabella. Você vai achá-la… excepcional?"

A vampira em uma inspeção mais próxima parece mais jovem, na faixa etária dos 13 ou 14 anos. Quem sabe quanto tempo ela está congelada assim. Ela se aproxima num sussurro de seda, olhando-me com vertiginosa especulação.

"Aqui, em público, Aro?" Ela diz com um ar de puro deleite. "Tem certeza?"


Nota da Tradutora:

Segundo a autora, esse seria um cap. de muitos acontecimentos… e realmente foi! A apresentação na palestra de Jasper, a primeira vez deles e agora a aparição de Aro e Jane... como será que Edward vai reagir a essa visita inesperada?

Lembrem-se, só posto o próximo cap. se tiver pelo menos 10 reviews! E garanto que vc's querem saber o desenrolar desse encontro...

Bjs,

Ju