Músicas do capítulo (retirar os espaços):

* (Um arranjo incomum de) Rimsky Korsikov, Flight of the Bumble Bee: http:/ www. youtube. com/ watch?v =cdGwOmijRJ4

* Fatboy Slim, Right Here, Right Now: http:/ www. youtube. com/ watch?v =ub747pprmJ8


Capítulo 18 – V

Tradutora: Shampoo-chan

"Infelizmente, minha jovem amiga aqui não aprecia ópera como eu." Ele confidencia como se eu fosse uma velha amiga. Seu sotaque soa realmente estranho, não é bem o italiano, mas muito próximo a isso. No entanto, seu sotaque inglês é preciso, aristocrático. "Talvez ela ache que você é excepcional também. Jane, venha aqui e conheça Isabella. Você vai achá-la… excepcional?"

A vampira em uma inspeção mais próxima parece mais jovem, na faixa etária dos 13 ou 14 anos. Quem sabe quanto tempo ela está congelada assim. Ela se aproxima num sussurro de seda, olhando-me com vertiginosa especulação.

"Aqui, em público, Aro?" Ela diz com um ar de puro deleite. "Tem certeza?"

"Sim, sim, vá em frente, se você puder." Ele diz, erguendo a cabeça apreciativamente. "Mas acho que você ficará desapontada. Vamos descobrir com certeza depois, mas um pequeno teste não vai doer".

Ela apenas fica parada lá, sorrindo para mim, como se eu fosse a coisa mais divertida que ela já tivesse visto na vida. É realmente apavorante, e eu acho que seria mesmo se ela não fosse uma vampira adolescente. Lembro de um velho filme preto e branco chamado A Tara Maldita*, em que essa menina loira bonitinha era legal até que dá alguma coisa nela e então ela fica louca e mata todo mundo, indo depois pular corda. Jane bem que poderia ser parte de uma sequência, A Tara Maldita: A Eterna Puberdade Vampírica.

* A Tara Maldita: filme de 1956. Christine parece ter a vida perfeita: um lar adorável, um marido carinhoso e uma filha perfeita, Rhoda. Na realidade, porém, Rhoda está longe de ser perfeita, e sua moral totalmente deformada entra em jogo após um acidente mortal com um de seus colegas durante um piquenique da escola.

Sem saber o que fazer e não querendo irritá-los, eu decidi só... sorrir de volta.

Péssima idéia, aparentemente. Ela faz uma carranca para mim. Assusta, mas não é tão apavorante.

"Desculpe, Jane, eu deveria dizer alguma coisa?" Pergunto. Um punhado de gente se arrasta pelos corredores separando os vampiros e eu.

"Não se preocupe com Jane agora." Ele diz com um sorriso divertido e aponta o programa da ópera, aberto nas pequenas biografias do elenco. "Vamos falar sobre isto: o compositor, Menotti. Nome perfeitamente italiano, mas esta música? Não, isto não é música italiana. Música italiana está acima de tudo que é belo. Por que ele insiste em fazer esse barulho tão desagradável?"

Inacreditável.

Olho para as páginas cor de creme de papel barato que listam pequenas biografias e imagens de rostos de cada membro do elenco, incluindo Edward e Dr. Adana. Quando Aro revela precisamente por que ele não é um fã da música de Menotti, apenas continuo olhando as imagens, tentando clarear minha cabeça. Eu estava tão chateada quando essa foto foi tirada, e agora eu faria qualquer coisa para estar lá de novo. E Edward... eu sei que há algum tipo de regra a respeito de ficar longe dos noticiários, longe da publicidade. Com certeza ele não vai ficar com problemas por aparecer em uma pequena produção universitária, não é?

Onde diabos você está, Edward?

A essa hora, ele e Alice devem estar chegando ao apartamento dela, e ele voltará logo.

Relaxe. Simplesmente relaxe. Aro parece gostar de conversar.

"E, Isabella, você tem 19 anos, certo?" Ele pergunta, não esperando realmente minha confirmação. Acho que ele sabe exatamente quantos anos eu tenho, pelo fato de escolher pessoalmente todos os bolsistas de Volterra, de acordo com Edward. "Você tem uma ótima voz, uma presença maravilhosa de palco".

"Obrigada." Eu digo, percebendo alarmada que não há muitas pessoas no lobby.

Annike foi embora, e há somente Leo e os amigos dele de teatro, conversando besteiras. Justo quando eu penso em pedir licença, Aro confirma uma coisa que me perturbou durante minha performance.

"Então isso não é, hã, tão ruim na sua idade, mas sabe o C maior no final?" Ele diz, balançando a cabeça e retraindo-se um pouco. "Por que, em vez disso, você não canta uma nota menor? Suas notas maiores são adoráveis, tão completas e lindas como uma mulher deve ser. Seu G é adorável, A é muito lindo, B é bom, soa completo, mas depois você chega ao C e parece um cantor mirim que chegou do nada, sabe? É como um sininho de uma bicicleta para criança".

Ele até segura um sino imaginário na altura do ouvido e o faz 'soar', fingindo que é impossível de ouvir.

"Eu sei exatamente o que você quer dizer." Eu concordo, pega desprevenida pela observação completamente válida dele. "Eu queria usar a nota menor, mas Dr. Adana disse que era um lembrete de quão jovem Monica é, de quão patética a vida dela é".

"E o que você pensou?" Ele pergunta, assentindo e franzindo a testa. "O que você achou dessa decisão estúpida?"

"Eu achei que foi um lembrete de quão patético meu C maior é." Eu admito.

A despeito de mim mesma, começo a me acalmar, pelo menos mentalmente. Fisicamente, estou meio que me desligando. Tudo parece estar em câmera lenta. Minha mente não consegue decidir entre lutar e... inércia, suponho. Não posso lutar contra essas criaturas e, até agora, eles não tentaram me intimidar. Aro pode estar aqui só para falar da ópera. Eu sou oficialmente agora um investimento dele, no final das contas. Jane, no entanto, parece estar pensando horrores de mim. Ela parece meio que com dor e com raiva.

"Dê um tempo." Ele aconselha. "Com uma voz como a sua, o sininho torna-se um enorme sino depois. Transformar você fará uma diferença, é claro, se for essa a decisão final, mas eu gostaria talvez de esperar para ver o que aconteceria. Talvez em alguns anos, com uma orientação certa, a mudança deixaria sua voz melhor... ah, mas você realmente tem alguns anos ainda, é essa a questão?"

"O quê?" Pergunto, mal processando o que ele quis dizer.

Não diga em voz alta. Os Volturi são cheio de tecnicalidades. Parecia aquela estúpida brincadeira de antes – não dizer a palavra vampiro. Agora eu tenho a sensação de que estou sendo testada. Como se Edward estivesse sendo testado pelo que eu digo.

"O que você sabe sobre nós, Isabella? Essa é a pergunta verdadeira." Ele murmura, inclinando-se perto o suficiente para eu sentir seu cheiro doce, hipnótico-

Mexo minha cabeça para baixo e para a direita, tentando fazer com que pareça um gesto de timidez, e respiro fundo. Ele ergue um dedo frio e levanta meu queixo. O olhar dele possui uma estranha e diferente mistura de astuta avaliação e, possivelmente, benevolência?

"Não ficarei bravo, Isabella." Ele me assegura numa voz suave e aveludada. Sinto o hálito frio dele no meu rosto, mas não ouso respirá-lo. "Estou apenas intrigado. Edward não terá problemas se você simplesmente me contar a verdade. Até onde você sabe?"

Honestidade é a melhor arma, Vovó Swan diz na minha mente. Mas, algumas vezes, é sábio segurar a língua.

"Você conhece Edward de algum lugar?" Pergunto no que espero ser uma voz educada. Alguma coisa me diz que civilidade é algo importante para Aro. "Sinto muito, mas se ele me disse para esperar pelo senhor, devo ter esquecido. Fiquei muito nervosa por causa da apresentação, sabe. Por favor, perdoe-me".

"Por que isso não está funcionando com isso, Aro?" Jane finalmente balbucia em frustração.

Ela acabou de se referir a mim como isso?

Mentalmente, calculo a distância entre onde eu estou e a casa de Alice. Edward não estará de volta por pelo menos dez minutes, cinco se ele dirigir rápido.

"Isso é o que eu vim ver, querida Jane." Aro diz, ainda sorrindo para mim. "Bem, isso e a ópera, claro. Nada funciona com ela. Todos falham com esta aqui. Você, eu, o filho de Carlisle, Edward, até mesmo Demetri. Ela é excepcional, mesmo na forma humana. Imagine o potencial".

Agora estou realmente confusa, o que ajuda a manter as aparências de não saber coisa alguma. Leo e um dos amigos dele estão demorando, mas eles se abraçam no que parece ser uma despedida. Não sei se quero que eles fiquem, ou que vão embora. Quão segura estou com eles aqui? Quão seguros eles estão, ponto?

"Vejo que vocês estão tendo uma conversa particular." Eu digo no que espero que soe um tom educado de voz. "Obrigada por virem assistir a ópera. Vou me trocar agora".

"Isabella, um momento, por favor. Onde está Edward?" Ele pergunta. "Ele não nos esperava, mas eu, de fato, esperava vê-lo. Tenho algo para ele".

Leo olha para mim por um instante questionadoramente, e eu aceno para ele com um sorriso fraco. Nesse ponto, prefiro que ele vá embora.

"Vejo você em um minuto." Eu digo, imaginando se eu algum dia o verei novamente. Não há razão para ele estar em perigo por minha causa. Sou eu quem se apaixonou por um vampiro, e não há motivo para ele sofrer por causa dos meus problemas.

Aro parece estar me tratando com uma capa muito fina, mas surpreendentemente forte, de civilidade. Tenho a impressão que se eu responder com qualquer coisa que ele julgue como uma resposta apropriada, posso ficar bem. Minhas entranhas dizem que Aro, assim como Hannibal Lecter, não teria problema em me apreciar como comida se eu for indelicada.

Eu posso ser educada. Edward é geralmente de uma formalidade incrível, o que pode ser a mesma coisa. Penso em Edward, educado até demais, a não ser que você ameace a namorada dele, e então ele vira uma bomba, rosnando e quebrando teclas de piano.

Percebendo isto, começo a ficar nervosa por uma razão completamente diferente. Não acho que ele vai ver esta situação como nada além de hostil, a não ser que Carlisle esteja aqui também.

Talvez a vinda dele não seja mais uma boa ideia.

Pelo corredor abaixo na direção oposta, risadas como o som de sinos filtram pelos cantos da entrada do público ao teatro. Parece um homem e uma mulher. E parecem vampiros.

"Isso deve ser interessante." Aro diz, evidentemente se divertindo. "Jane, leve Bella para dentro do teatro. Não faça barulho. Não a machuque, mas não a deixe fugir também. Nós não terminamos nossa conversinha ainda".

"Você quer que eu sirva de babá para uma humana?" Jane faz uma carranca.

A risada como sinos fica mais próxima, e dois lindos vampiros aparecem no corredor, suas cabeças inclinadas juntas em uma conversa. Eles são altos e devastadoramente atraentes. Ela é tão linda que eu me distraio por um momento até ouvir a voz dele. Depois eu vejo o rosto dele, ainda de perfil enquanto ele flerta com ela.

Aquele rosto, aquela voz.

Esse é o rosto e essa é a voz que tem assombrado meus pesadelos desde aquela horrível noite de outono, quando o ar ainda estava estalando de frio. Por um horrível segundo eu não estou mais no corredor, mas no beco atrás do Keys, os rostos das pessoas que amo passando rapidamente na minha mente enquanto a Morte se inclina na minha direção. Estou fria e sozinha, cercada de maldade. Sinto uma mão no meu braço e fecho meus olhos em terror.

De novo não.

A mão é muito menor, mas é exatamente tão dolorosa quando me arrebata para a escuridão. É a mão de Jane no meu braço desta vez, e ela me puxa pelas portas do palco em um momento cegamente rápido. Eu pisco rapidamente, tomando profundas e silenciosas respirações. O pânico que veio num instante retrocede num lento e assustador refluxo enquanto percebo que a mão dela não mais me toca. Meu braço lateja onde ela agarrou, mas não parece quebrado. É o mesmo maldito braço de antes também. Enquanto meus olhos se ajustam, percebo que não está tão escuro quanto pensei, e o fraco brilho vermelho da luz da saída acima das nossas cabeças mostra que a atenção de Jane está focada no ruído da porta, e não em mim.

"Aro, como foi sua ópera de jovens? Tudo foi como você esperava?" Meu pesadelo pergunta indiferentemente.

Talvez ele não tenha me visto. Ele vai ouvir meu coração batendo? E se ele souber que há um humano aqui?

"Bem, a viagem valeu a pena, considerando tudo. Demetri, você teve alguma sorte encontrando seu passarinho cantante?" Ouço Aro dizer através da porta enquanto eu tento reunir meu bom senso.

Demetri.

Meu monstro tem um nome. Por algum motivo, saber o nome dele me faz sentir estranhamente melhor, como se ele fosse apenas um outro vampiro, e não vampiro como um pesadelo geral, uma realidade emergente.

"Não, ela não estava naquele bar." Ele diz. "Eu falei a você que ela não estaria. Ela nem pode possivelmente estar viva".

"Oh, mas você está errado, meu amigo." Aro ri. "Você não pode senti-la? Ela estava bem aqui, conversando comigo a respeito da ópera. Ela era uma das principais, de fato".

"Não, eu não acredito nisso. Você está brincando, Aro." Demetri zomba. "Não pode ser a mesma. Minha humana estava cantando algum tipo de música pop".

"Veja por si mesmo." Aro diz, parecendo mostrar a ele o repertório. "Eu a vi no palco por uma hora inteira enquanto você vagava pela cidade, mais perdido que um detetive comum".

"Não é possível, mas isso parece mesmo com ela…" Ele divaga. "Espere, o que é isso? Mas é ele! Ele é o estranho vampiro que estava querendo lutar comigo por ela, quando havia centenas de humanos por perto. Foi a coisa mais estranha, Renata; ele estava completamente enfurecido. Era como se eu estivesse interrompendo a caçada dele, em vez do contrário. O comportamento dele foi tão irracional; pensei que simplesmente nem valia a pena. Lutar contra um oponente imprevisível por uma simples refeição pareceu estúpido na hora, mas agora estou curioso. O que ele poderia querer com ela?"

"Que bizarro." Diz a mulher em uma voz sedutoramente petulante. "Ela parece normal para mim".

"Renata, minha querida." Ouço Aro dizer. "Você ainda está amuada por eu tê-la mandado embora? Já contei por que você não poderia ir. Havia um leitor de mentes presente, e você não tem habilidade em esconder seus pensamentos. Jane é bastante reservada, e sabe se controlar".

"Sim, todos nós sabemos que você mantém seu cãozinho numa coleira curta." Replica Renata.

Perto de mim, Jane sibila, e Renata ri.

Quatro vampiros, um dos quais já me atacou antes, e Edward vai passar pela porta a qualquer minuto.

De forma alguma ele pode lutar com todos eles e, conhecendo o temperamento dele, de forma alguma ele não vai tentar. Jane não parece prestar atenção em mim de todo, embora eu tenha certeza de que seria diferente se eu tentasse fugir. Lentamente, estendo a mão sob a minha roupa para pegar meu celular dentro do short.

"Desculpe, Jane." Ela chama através da porta, embora não pareça sentir muito mesmo. "O que você está fazendo aí dentro?"

Não posso simplesmente falar para Edward não vir. Rapidamente eu mando uma mensagem para ele, com minhas flores e meu celular num ângulo que Jane não possa ver o que estou fazendo. Felizmente eu ainda tenho meu celular no silencioso.

Meninas más me aborrecendo, volte. Encontre-me em meu dormitório, ao invés disso.

Só espero que ele faça isso.

"Apenas uma pequena tarefa para mim." Aro diz, e eu sinto a postura levemente curvada de Jane ficar rígida novamente. "Jane faz o que eu digo, e eu a amo por isso. Você deveria seguir o exemplo dela, Renata. Eu falei para você ficar com Eleazar; agora, onde está ele? Estou dizendo, esses humanitários vivem andando por aí. Não podemos confiar neles para ficar concentrados num lugar só. Acho que é a dieta deles; eles estão sempre com fome. Sempre presas muito fáceis".

Humanitários? Bem, para ser honesta, esse é um termo melhor que chamar os Cullens de "vegetarianos", embora eu saiba que isso é para ser uma piada. Ângela é vegetariana. Vegetais estão envolvidos. Edward nunca me falou que existiam outros além da sua família. Pergunto-me se essa pessoa ficaria do lado dele, ou contra, em uma luta. Ou são quatro contra dois, ou cinco contra um. De qualquer forma, eu não gosto disso.

"Ele está vindo em breve." Ela insiste. "Ele queria explorar o campus, então eu vim com ele. Ele encontrou algo maravilhoso, que eu trouxe de presente para você. Eleazar não aprovou, mas ele está escondendo isso por mim como um favor".

"Uma surpresa para mim, Renata?" Aro pergunta. Ele deve tê-la tocado porque, depois de uma pausa, ele diz suavemente. "Uma surpresa muito boa, realmente. Mal posso esperar que esteja pronta. Mas por que você está com inveja dessa garota humana que eu vim ver? É muito lindo, minha querida, mas você deveria saber que não há razão para se preocupar".

"Eleazar diz que ela pode ser um escudo, ou algo do tipo, pelo que você contou a ele." Ela faz beicinho. "Só quero mostrar o quanto você significa para mim".

Eu sou um escudo? É por isso que Edward não consegue ler minha mente?

Aro não consegue me ler; Demetri não consegue me rastrear. Se nada disso fosse verdade eu estaria mortificada com Aro, ou apenas morta se fosse Demetri. Olho para Jane, perguntando-me exatamente o que diabos essa maluca estava tentando fazer comigo. Era provavelmente doentio. Checo meu celular. Nada de resposta ainda. Só mais um minuto, é tudo que preciso. Sinto-me mal em pensar em Edward andando para um grupo de vampiros em que ele não confia. Se Aro está aqui, por que não Carlisle? Não consigo imaginar Carlisle sabendo dessa visita e não estando aqui.

"Ainda não posso acreditar que ela está viva." Demetri insiste, incrédulo. "Onde ela está? Quero vê-la com meus próprios olhos se isso não for uma das suas piadas, Aro".

"Você não consegue mesmo senti-la?" Aro questiona. "E o tão falado pianista vampiro demente, você o sente? Não faz quinze minutos que ele estava aqui".

"Acontece algumas vezes." Demetri replica. "Ele estava tão alterado quando eu o vi, tão furioso. Por baixo disso há a mente de um clássico mártir. Nunca senti nada assim. Deixá-lo com muita raiva e eu tere-"

Meu celular cintila, indicando uma nova mensagem.

Desculpe chegar atrasado. Alice fica fazendo perguntas e se recusa a sair do carro. Espero que você não volte sozinha para o dormitório a esta hora da noite.

A parte do meu cérebro que uma vez se perguntou se Edward manda mensagens de sentenças completas experimenta um nível de satisfação que causa inveja ao resto maluco do meu eu.

"Por que você não vai procurá-la?" Aro atira para ele. "Ela provavelmente ainda está no camarim. Demetri, lembra o que eu falei antes? Agora é em dobro. Não a mate se por acaso você esbarrar nela. Traga-a de volta, mas não a machuque. Isso é uma ordem. Estou muito interessado nela e no humanitário também".

A pedra de gelo passando pelo meu estômago derrete em vários graus quando percebo que minha morte não está distante. A não ser que eu confie demais em Aro, como Carlisle. Começo a fazer uma dessas orações de trincheiras imaginando Carlisle em algum lugar com seu outro colega vampiro humanitário/falso vegetariano, e que todos eles todos passarão pela porta em breve e que podemos ligar para Edward vir dar um passeio conosco.

Claro, Bella, e depois iremos juntos ter uma bom jantar vamp, no qual as carcaças drenadas dos meus colegas cobrirão metade da mesa, e terei um prato especial extra só para mim.

"Você quer fazer disso um jogo, então?" Demetri diz, rindo. "Tudo bem então. Eu tenho outros meios de rastrear, embora eu nunca tenha precisado usá-los antes. Quero alguma recompensa, se eu, pelo menos, não sentir um gostinho".

"Eu começaria com os vestiários." Grita Aro enquanto eu ouço os suaves passos indo em direção aos vestiários.

Alice sabia que eu tinha meu celular, carteira e chaves comigo. Será que ela levou todo o resto? Demetri vai deixar meus colegas de elenco em paz? Meu estômago quase vazio começa a girar enquanto penso em Annika e Leo, e mesmo nos outros que não gosto. Se alguma coisa acontecer a eles, será culpa minha.

Jane abre a porta para mim, e eu saio antes de ela poder me empurrar. Ela parece desapontada pela minha obediência. Fico feliz de não ter sido transformada em vampira na pior idade possível. Por um lado percebo que deve ter sido horrível para ela, mas, por outro, isso meio que explica.

Renata se recusa a olhar para mim. Bom ver que a imortalidade não deixa alguém automaticamente maduro. Ela nem parece ser ameaçadora como os outros por algum motivo.

"O que foi, Isabella? Eu falei para ele não matar você." Aro diz numa voz defensiva. "Você deveria saber que estou no comando aqui e que minha guarda não a machucará, se eu quiser que seja assim. Algumas vezes, eu mudo de idéia".

Meu braço direito discorda veementemente sobre a extensão da obediência da guarda dele, mas acho que é falta de educação trazer o assunto à tona, e definitivamente quero encorajar este tipo de pensamento não-violento. Também quero dar o fora daqui antes de Demetri retornar, se for possível. Apenas aceno com a cabeça e aperto as minhas flores.

"Estou surpreso que seu Edward tenha deixado você sozinha por tanto tempo." Aro enruga a testa. "Ele já não deveria ter voltado numa hora dessas?"

"Não, receio que vamos nos encontrar mais tarde." Eu digo rapidamente e quase totalmente por acidente, com sinceridade.

"Talvez possamos nos encontrar todos juntos!" Ele diz, muito brilhantemente para alguém que sente necessidade de especificar aos seus capangas para não me matar. "Por que você não liga para Edward agora? Eu estava tão ansioso para encontrá-lo hoje. Quem sabe você consiga mudar os planos dele, como um favor para mim?"

Se eu fosse uma boa vampira como Carlisle, eu poderia imaginar querer sair com Aro. Realmente consigo. Claramente, ele sabe muito a respeito de ópera. Eu até acharia o senso de humor dele divertido, se ele não estivesse, de fato, brincando sobre a minha morte. Carlisle o conhece e confia nele. Eu me pergunto se esta é a maneira fácil de fazer qualquer que seja a coisa inevitável que ele tenha planejado. Talvez ele só queira conversar.

Penso em fazer dessa maneira fácil por uma fração de segundo. No momento em que penso em fazê-lo, apenas ligar para Edward como Aro quer, eu imagino a cena toda. No momento que Edward entrar no lugar, muitas das nossas escolhas podem simplesmente desaparecer. E, se eu fosse Aro e quisesse persuadir Edward, eu mandaria Carlisle fazer isso, ou, pelo menos, trazê-lo consigo para uma apresentação.

Se o que Edward diz a respeito de Aro é verdade, Aro sabe disso. O que ele está encenando? Por que não trazer Carlisle? Quem diz que ele não trouxe?

"Você não é amigo de Carlisle? Ele e Esme estão aqui com vocês então?" Pergunto esperançosamente. "Estamos esperando os dois para uma visita. Sei que ele fala bastante sobre vocês".

"Oh, ele chegará logo, eu acho." Ele diz com um olhar duro.

Aro me lembra o mais encantador velociraptor em Jurassic Park. Posso dizer que ele é incrivelmente inteligente e talvez até admirável em algumas maneiras, mas, neste momento, ele está me assustando. Exatamente como aqueles dois garotos que passam metade do filme parecendo aterrorizados, escondendo-se numa cozinha limpa cheia de dinossauros enlouquecidos, e estou apenas imaginando como chegar em casa sem virar petisco de alguém.

"Eu gostaria muito que nós nos encontrássemos com você, se pudermos." Eu digo, meu sussurro mal audível, meus olhos arregalados como pires, "Mas receio que Edward esteja indisponível pelo resto da noite. Obrigada pelas flores, Aro. Foi uma longa noite para mim e estou exausta, então se você puder me perdoar, eu gostaria de apenas ir para casa agora, por favor".

"Se é essa verdadeiramente sua preferência, Isabella." Ele diz, de uma maneira desaprovadora, estendendo um envelope cor de creme lacrado em cera com um V vermelho sangue. "Você pode ir por conta própria. Eu suponho que você precise dormir, afinal de contas. Mas, prometa-me que você dará a ele este convite? É para vocês dois. Enquanto espero que a noite provará ser agradável a todos, devo informar que sua presença é requerida. Ele entenderá. Promete?"

"Prometo." Eu digo, concordando. Tento segurar o envelope, mas ele não larga.

Renata ri. A civilidade de Aro desliza por um instante, e ele parece ser mais violento que antes. Pergunto-me o que aconteceria se eu simplesmente deixasse para lá e corresse. Eu não teria o convite e, além disso, não poderia manter minha promessa. Não acho que isso daria certo. Meu sangue começa a martelar em meus ouvidos, e eu olho para o corredor, de onde eu acho que Demetri vai surgir a qualquer momento.

"Não se preocupe." ele provoca. "Terei a certeza de dar a você uma vantagem".

"O quê?" Pergunto, chocada. Apenas me deixe ir antes que ele volte, por favor!

"Oh, e Isabella." Ele diz, puxando o envelope, e conseqüentemente eu, para mais perto dele.

"Sim, Aro?" Pergunto, medo atando minha respiração de novo.

Ele aproxima demais o seu rosto do meu, mas, em vez de um monstro completamente mau, eu vejo... divertimento?

"Corra!" Ele sussurra com um sorriso sinistro, soltando o hálito doce, vampiro-hipnótico na minha cara. Tento não respirar, mas acidentalmente faço isso, e é o momento antes de eu perceber que ele não está mais segurando o envelope.

Minha mente se divide entre o desejo de correr como doida, danificando o vestido, e o desejo de reassegurar a Aro que sou educada e culta e, acima de tudo, não-digerível. Pelo menos, espero que esse jeito funcione. No fim, graças a uma corrente não-educada do hálito de Aro, tudo que posso fazer é dar passos de bêbado até a saída pelo que pareceu durar um ano inteiro.

Abro a porta e uma brisa fresca me sobressalta numa rajada pura, de limpar a cabeça. Estou livre, mas, por quanto tempo? Já vi Edward mover-se incrivelmente rápido. Quanto tempo posso durar usando uma saia e saltos? Realmente, meus saltos são do tipo que Ginger Rogers usava em sapateado por horas, mas eu não estou habituada a usá-los e nem sou Ginger Rogers. Também não sou rápida, ou forte, mas a fraqueza sempre recai em discrição e números. Talvez eu consiga me camuflar entre vários estudantes por aí. Eles parecem cervos pacíficos trotando, sem saber o verdadeiro lugar deles na cadeia alimentar. Eles parecem entediados. Eu me sinto caçada.

Sem confiar ainda no meu equilíbrio, eu avisto um grupo de dez estudantes, todas garotas, se dirigindo por um caminho torto em direção ao meu dormitório, e eu desajeitadamente me uno a elas. Elas me olham como se eu fosse maluca, mas elas não viram nada ainda. Eu me enrosco ao lado do grupo exatamente a tempo de ver Demetri sair do Centro de Artes de Atuação da Universidade pelo canto do meu olho. Deixo meu cabelo solto em uma cortina e espio através dela para vê-lo. Ele pausa, cheirando o vento. Tardiamente eu me chuto por não pensar nisso logo quando engato minha saia pela cintura por cima do short, e aperto meus dois buquês de flores com o convite de Aro no tecido enrolado justo na hora que um grupo ainda maior de corredores aparece indo na mesma direção. Eu me apresso com eles para assim permanecer escondida. Minha camisa não é do mesmo estilo, ou cor, mas minha sorte muda para melhor com a mudança na direção do vento – aparentemente bem nessa hora também. Por cima do ombro avisto Demetri se apressando em direção ao grupo de garotas que acabei de abandonar em uma improvável, se ainda tecnicamente, velocidade humana.

O medo força minhas pernas a esticarem, e imagino-me como uma tesoura, cortando caminho entre os corredores. Consigo ouvir gritos de raiva e um uivo de dor vindo da direção de Demetri, e isso faz meu estômago girar. A dor das novas tiras de couro dos saltos Mary Jane da minha personagem me previnem de vomitar até eu pegar uma incisiva volta assim que os corredores viram a esquina da entrada do meu dormitório. Eu não comi por horas, então tudo o que o arbusto recebe de mim é bile, medo e chá de ervas.

Meus pés, entretanto, mostram pequenas listras de vermelho manchando minha meia-arrastão.

Fantástico, isso vai afastar todos os vampiros. Assim como tubarões na água.

Uso minha chave e amaldiçôo um pouco enquanto entro no elevador, ainda não me sentindo segura, mas incapaz de ir mais rápido. Pego meu celular do bolso e mando uma mensagem final a Edward.

Não respire, cortei o pé. Estou no elevador agora.

Eu não corria assim desde o segundo ano, a última vez que tive que fazer o teste físico no Ensino Médio. Enquanto manco pelo curto corredor até minha porta, deixo a saia cair e tento recuperar meu fôlego. A porta já está ligeiramente entreaberta e eu entro, esperando como louca que o vampiro certo esteja do outro lado.

Edward me olha com apreensão e confusão, mas ele vem e me segura por um segundo, e eu ofego em alívio. Descanso minha cabeça contra o peito dele e ouço o sangue martelando meus ouvidos, sinto-o pulsar por todo meu corpo. Tento me manter calma, mas meu corpo inteiro virou um tambor de pânico. Ainda sem respirar, ele me beija suavemente. Os olhos dele estreitam enquanto ele lambe os lábios, sentindo o gosto de quê? Adrenalina? Bile e chá de ervas?

"Não se preocupe." Ofego, balançando a mão. Não consigo dizer nada mais que isso.

Ele parece ter muito a dizer, mas guarda a respiração e me manda uma mensagem em vez disso.

Nem ao mesmo checo meu celular, sabendo que vai ser algum pedido de explicação, e nem remotamente pensei em como contar a Edward o que está acontecendo sem deixá-lo com raiva o bastante para Demetri rastreá-lo. Ele me ajuda a tirar meus sapatos enquanto eu desajeitadamente manco até a prateleira de remédios acima da pia para pegar ataduras. Edward pega meu celular do bolso e o empurra para mim, franzindo levemente o cenho com preocupação.

O que aconteceu? Por que você estava correndo com essa roupa?

"Só... um... segundo." Eu ofego, levemente exagerando minha falta de fôlego.

Levanto um pé de cada vez na pia, primeiro limpando-os e depois aplicando uma camada dolorosa de uma coisa que limpa, estanca o sangue, cheirando a remédio, ardendo como tentáculos de água-viva, e sopro para secar antes de pôr um band-aid em cima.

Edward abre a janela e fica próximo a ela, respirando ocasionalmente.

"Bella, o que diabos está acontecendo?" Ele questiona, parecendo mais preocupado do que com raiva.

Ainda incapaz de falar alguma coisa boa, solto bruscamente o que está na minha cabeça desde que vi aquele monstro – Demetri – de novo.

"Acho que você deveria me transformar, Edward. Imediatamente, se possível".

"Bella, por favor, é sério. Eu acabei de passar trinta desagradáveis minutos sendo interrogado por Alice." Edward diz, parecendo realmente desconcertado. "Que, incidentalmente, receio que esteja perdendo a cabeça. Penso que ela suspeita, embora viva mudando de idéia sobre alguma coisa. Ela agora está tentando adivinhar corretamente e imediatamente esquece, mas a ideia está começando a perturbá-la".

"Eu devia ter dito a ela que você tem Lúpus." Murmuro. "O coração dela ficou comovido domingo passado. Okay, apenas me escute. E o que quer que aconteça, apenas me prometa que não vai se enfurecer, ok?"

"Você está sangrando e suando, e tenho certeza que acabou de vomitar." Edward observa friamente. "E agora está me pedindo para transformá-la, tipo, agora. Então por que, exatamente, eu não deveria ficar furioso?"

"Porque o vampiro que você encontrou daquela vez que ficou com raiva está aí." Eu digo. "E ele só consegue nos rastrear se você ficar com raiva de novo, porque isso é, sei lá, a coisa que ele faz, como a sua é ler mentes".

"Você está me dizendo que esse rastreador está atrás de você agora?" Ele pergunta, apertando o nariz perto da ponte.

Merda. Merda. Merda.

Só espero que esse apertar de nariz não se qualifique como uma fúria monumental para ajudar no truque do rastreamento. Não. Não pode. Não podemos permitir isso.

"Tudo bem, Edward. Ele não pode me rastrear." Eu digo precipitadamente. "Assim como você não pode ler minha mente. Eu provavelmente serei um escudo de qualquer coisa do tipo quando você me transformar".

"Bella, odeio dizer isso a você, mas uma criança de dois anos poderia rastreá-la agora, imagine um vampiro".

Olho para baixo para ver os borrifos de sangue no carpete, as pétalas das flores metade fora dos buquês que eu joguei com o envelope na minha mão esquerda. Algumas pétalas de margaridas esvoaçam até o chão, levando a uma trilha até a porta. Ele tem razão. Qualquer um pode me rastrear.

Eupoderia me rastrear.

"Vou contar a você, mas precisamos sair daqui agora mesmo".

"Porra." Edward sibila sob um fôlego. "Temos outro problema".

"Ele está aqui?" Pergunto, apavorada.

"Não, Alice está." Ele diz, enquanto uma figura pequena desliza pela porta, cheia de pétalas brancas, roxas e vermelhas, parecendo... nem sei como descrevê-la.

Ela não está chorando, mas parece como se alguém a tivesse queimado por dentro. Ela parece como se fosse alguma louca de uma instituição mental, e você não quereria encrenca com ela.

Ela parece minha melhor amiga, e a irmã que eu sempre quis, sofrendo em agonizante dor.

Ela olha para as pétalas na minha mão, depois olha para nós dois como se nunca tivesse nos visto antes. Ela aponta para meus pés, e do nada, ri.

"Pessoal? Tive o pior caso de déjà vu de todos os tempos." Ela diz com essa voz vazia como se cantasse, indo até minha cama para pegar o convite de Aro e entregar a Edward antes que eu possa impedi-la. É a última coisa que desejo que Edward leia agora. "Essas pétalas, você com seu pé todo enfaixado e você, Edward, você deveria cheirar isto. Depois que você cheirar isso, vocês me ajudarão a encontrar Jasper".


Nota da tradutora:

Oh, não! Jasper! :(

Achei que o capítulo se chamasse V por conta da regra de não falar a palavra "vampiro", mas parece que tem significado além... Convite lacrado em vermelho-sangue é o tipo que não gostaria de receber, hahah.

Espero que gostem do capítulo movimentado! :)


Nota da Ju:

Muitos acontecimentos simultaneamente... Aro completamente se divertindo com o medo de Bella... e o que será que tem nesse envelope? Será que alguma coisa relacionada a Jasper?

Vamos lá, pessoal, mexam esses dedos e deixem reviews! Só posto o próximo quando tiver pelo menos 10! O de hoje quase não saiu...

Ju