Músicas do capítulo (retirar os espaços):
* Adam Hurst: Ruin: http:/ www. youtube. com/ watch?v =Jxe9LcHvp6Q&feature= related
* Rufus Wainwright: The One You Love: http:/ www. youtube. com/ watch?v =tFenIIR47VU
Capítulo 19 – Xeranthemum*
Tradução: Ju Martinhão
*Xeranthemum: é um gênero botânico pertencente à família Asteraceae.
~oЖo~
"Porra." Edward sibila sob um fôlego. "Temos outro problema".
"Ele está aqui?" Pergunto, apavorada.
"Não, Alice está." Ele diz, enquanto uma figura pequena desliza pela porta, cheia de pétalas brancas, roxas e vermelhas, parecendo... nem sei como descrevê-la.
Ela não está chorando, mas parece como se alguém a tivesse queimado por dentro. Ela parece como se fosse alguma louca de uma instituição mental, e você não quereria encrenca com ela.
Ela parece minha melhor amiga, e a irmã que eu sempre quis, sofrendo em agonizante dor.
Ela olha para as pétalas na minha mão, depois olha para nós dois como se nunca tivesse nos visto antes. Ela aponta para meus pés, e do nada, ri.
"Pessoal? Tive o pior caso de déjà vu de todos os tempos." Ela diz com essa voz vazia como se cantasse, indo até minha cama para pegar o convite de Aro e entregar a Edward antes que eu possa impedi-la. É a última coisa que desejo que Edward leia agora. "Essas pétalas, você com seu pé todo enfaixado e você, Edward, você deveria cheirar isto. Depois que você cheirar isso, vocês me ajudarão a encontrar Jasper".
Rápida como eu posso, eu corro entre eles para pegar o envelope. Agora há três mãos sobre ele, nenhum de nós soltando. Edward o agarra, encarando-me como se ele nunca tivesse me visto antes, e mesmo que eu sinta como se esconder isso dele constitua uma espécie de traição, eu ainda estou apavorada. Honestamente, uma parte de mim não pode aceitar que eu consegui chegar do teatro viva e inteira. Ainda estou tremendo, e é uma coisa malditamente boa que o meu estômago já esvaziou porque esta luta física com as duas pessoas com quem eu mais me preocupo fora minha família certamente faria o truque, de outra forma.
"Pare com isso, Bella." Alice aconselha-me com olhos arregalados e temerosos. "Eu não preciso que ele leia isso, ele só tem que sentir o cheiro".
Edward inclina-se e cheira. Ele recua como a maioria das pessoas faria se chegasse tão perto de uma cascavel. Alice abandona o envelope e se senta na minha cama, de repente fascinada com as minhas flores. Eu ganharia a batalha e me agarraria ao convite como se fosse um salva-vidas, e não o catalisador para o desconcertante trem de eventos.
"Tão bonita, margarida significa inocência." Ela diz, pegando uma do buquê do meu pai, em seguida, adicionando uma orquídea e uma pequena flor roxa e as segurando para cima para a luz. "Orquídea vermelha, bela dama. Xeranthemum: imortalidade Tão engraçado, ele deu a você a imortalidade. Ele quer dizer isso também. Imortali..."
Ela pára e segura sua cabeça entre as mãos, balançando para frente e para trás. Edward apenas olha para ela com uma expressão chocada.
"Ele está sofrendo." Ela geme, uma única lágrima escorrendo pelo seu rosto. "Eu posso sentir isso. Por favor, por favor, me ajude. Agora você sabe, você sabe o que está acontecendo com ele. Você não vai querer, mas você vai me ajudar agora".
"Alice." Ele sussurra, a angústia palpável em sua voz. "Se você estiver certa, já pode ser tarde demais. Eu não vou poder fazer nada sobre isso".
"Não, não, não, NÃO!" Ela chora, de repente, alto. "Eu vi isso, tudo isso. Eu vi você cheirando o papel e agora você sabe o que aconteceu com ele. Você pode me ajudar a encontrá-lo, eu sei que você pode".
Ele se senta ao lado dela e olha para mim interrogativamente.
"O que aconteceu, Bella?" Ele pergunta.
"O que ela vê?" Pergunto em um sussurro abafado.
Ele olha fixamente para o envelope incisivamente. Alice geme novamente, como se alguém fisicamente a torturasse. Parece que fitas de metal apertam ao redor do meu tórax, o que torna impossível respirar.
"Alice, você tem que se acalmar." Ele pede com a mão no ombro dela. "Eu não sei o que aconteceu com ele. Eu realmente preciso saber o que está naquele envelope e como Bella chegou a possuí-lo".
"Apenas me dê um segundo, Edward." Eu suspiro, estagnada.
Como posso saber o que ele precisa saber sem arriscar tudo?
"Alice, apenas espere um momento." Ele diz a ela suavemente, depois se vira para mim. "Bella, por favor, apenas fale o que aconteceu. Eu sei que você está com medo, mas temos uma situação muito grave aqui, e eu preciso de toda a informação que puder obter".
Ele tem um ponto, e eu decido dizer-lhe quando Alice de repente perde a calma.
"É JASPER!" Ela grita para ele de repente, saltando para atacá-lo com suas mãos nuas. "Ele está sozinho, e ele está com dor, e eu sei que você pode me ajudar! Você! Você é mesmo humano?"
Ela está batendo nele onde quer que ela possa, no peito, no rosto, nos braços. Eu sei que o que ela está fazendo é ferir suas mãos, mas ela é indiferente à dor e aos danos. Ele apenas fica lá e aceita isso, parecendo todos os tipos de sentimento de culpa e pena.
"Edward, as mãos dela!" Eu choro, e ele rapidamente as prende nas suas.
Ele a vira. Elas estão rosa brilhante, e seu lindo rosto deforma com dor e raiva.
"O que é você?" Ela exige, seus olhos brilhando com um fogo distante. "Você nunca come nada! Você é sempre tão fodidamente frio! Eu sei que você sabe o que está acontecendo com Jasper. Ele está QUEIMANDO, Edward – eu posso sentir isso! Por favor... você... eu não ligo para o que você é... Você é meu amigo, por favor."
E, exatamente assim, ela vai da raiva ao implorar, de furiosa ao coração partido dentro do período de algumas frases. Edward parece que quer chorar, mas não pode. Eu estou provavelmente chorando o suficiente por nós dois. Alice pára de chorar e começa a balançar em pé, cruzando as mãos avermelhadas na frente do seu coração, como um cadáver.
Olho para os lados no corredor, morrendo de medo de ver Demetri, mas ele está vazio, salvo por uma garota carregando uma sacola plástica amarela para os chuveiros. Alice, abençoada seja, reuniu todas as pétalas. Eu percebo que ainda estou com os pés descalços, e pode ser uma boa hora para mudar isso. Eu retiro a meia com sangue do meu armário outrora arrumado, mantendo a saia e shorts, com todas as minhas melhores alternativas na casa de Edward. Enquanto calço um par limpo de meias e velhos tênis confortáveis, eu congelo de medo.
"Alice." Eu pergunto, esperando que ela possa responder. "Por acaso você pegou minhas roupas no camarim?"
"Não, eles têm suas coisas agora." Ela funga, olhando para alguma coisa que não está neste quarto. "Não vão devolvê-las, eles cheiram tão bem. Você deveria ter usado uma capa, Bella. Eles usam capas às vezes. Essas pessoas são tão bonitas, não são, Bella? Como as estrelas, elas não vão sair ao sol. Assim como você, Edward. Você não vai sair ao sol, então você pode me ajudar. Apenas me ajudar a encontrá-lo".
"Quem tem as suas roupas, Bella?" Ele pergunta em voz baixa e firme, acariciando meu rosto. "Eu prometo que vou ficar calmo, mas você tem que me dizer o que está acontecendo. Confie em mim, por favor".
"Eu vou te dizer, Edward, mas temos que sair daqui." Eu sussurro de volta, com urgência. "Precisamos sair daqui – de qualquer lugar que tenha o meu cheiro. E quanto a Alice? Ela está vendo algo real, como ela viu no ano passado?"
"Eu não posso dizer se é algo que pode acontecer, ou está acontecendo." Ele diz, analisando as mãos dela. "As imagens são confusas. É evidente que algumas dessas coisas ainda não aconteceram. Elas não poderiam ter acontecido. Não estamos nem na Itália ainda".
"Você sabe, Edward." Ela chora de novo, amassando em seus braços. Ele desliza para baixo com ela, aninhando-a como um bebê. "Eu sei que você sabe. Apenas me diga. Apenas me diga como encontrá-lo. Você sabe que ele é minha vida, Edward. Por favor, me ajude... por favor".
"Nós vamos ajudar você, Alice." Eu prometo, finalmente abrindo o envelope.
"Eu sei que vocês vão." Ela balança a cabeça, ofegante por ar. "Vocês me amam".
Eu li o papel cremoso dobrado dentro, e meus ombros caíram em alívio. É um convite muito simples para amanhã à noite. Edward e eu somos cordialmente convidados a... eu passo a mão sobre a escrita, mas tudo parece meio sem graça e formal, estranhamente normal para um encontro com os vampiros poderosos. Eles até mesmo nos dizem para vestir casualmente. A este ritmo, amanhã à noite parece que pode nunca chegar, então é uma espécie de baixa sobre as minhas prioridades para me preocupar, com Jasper desaparecido. Entrego para Edward, que o pega e enrijece ao ler as palavras. Pergunto-me se há algo no texto que faz este convite algo diferente para eles.
"Ele me deixou ir." Eu sussurro para ele, tentando mantê-lo calmo. "Pelo que vale a pena, Aro me deu uma escolha".
"Aro diz que há uma escolha, mas ele nunca vai nos deixar ir." Alice diz com ar sonhador. "Nós somos os membros mais fortes da guarda".
Edward olha para ela, inflexível determinação estabelecendo no rosto dele. Alice apenas balança para frente e para trás na cama, alternando entre chorar de dor e apenas dizer coisas aleatórias. Não faz o menor sentido, mas Edward parece levar muito a sério cada palavra.
"Alice, eu acho que é melhor você aceitar que ele se foi." Edward adverte.
"Jasper vai me encontrar, ele vai me morder, ele vai me transformar." Alice canta, melancolicamente. "Pelo menos nós vamos estar sempre juntos, Bella. Eu e Jasper, e você e Edward. Nós quatro, juntos, sempre. É a única coisa boa sobre a eternidade".
"O que ela está vendo?" Pergunto a Edward.
"Nós quatro, como ela diz, como membros da guarda Volturi." Ele murmura.
"O que, como se isso fosse definido agora?" Eu pergunto, horrorizada. "Eu não quero ser como eles".
"Nem eu." Ele diz. "Eu estive prestando atenção aos flashes premonitórios de Alice por um tempo. Ela vê com precisão, mas seu cérebro humano é muito lento para processar a informação. Isso muda, sempre que as pessoas mudam suas mentes. Acho que só temos que ficar mudando as nossas mentes até pensar na coisa certa a fazer".
Agora eu entendo porque ele está tão focado nela. Se a mente de Alice não é rápida o suficiente para processar o que ela vê, Edward é. Ele pode lê-la como uma bússola e nos tirar disso. Uma onda muito necessária de alívio lava através de mim, dissipando o pânico.
"Edward." Eu o lembro. "Precisamos sair daqui. Talvez possamos ajudá-la a encontrar Jasper e descobrir alguma coisa?"
Ele se vira para olhar Alice. Ela está olhando para suas mãos inchadas. Um pouco do pânico retorna. Como ela vai mesmo conseguir tocar o violino novamente? Como ela vai estar com Jasper, se ele é um vampiro recém-criado?
"Quebradas." Ela diz suavemente, e o olhar simpático nos olhos dele confirma isso. "Não se preocupe, elas vão curar com o fogo. Jasper está numa dor muito maior que essa".
"Que fogo?" Eu pergunto. "E quanto a Jasper?"
"Está mudando muito rápido agora, muito pouco claro, exceto pela transformação de Jasper." Ele diz. "Ele foi mordido por um vampiro esta noite. Essa parte provavelmente já aconteceu, e eu provavelmente posso adivinhar quando. Alice teve uma primeira visão sobre a transformação de Jasper ocorrendo às 19h42, no final da sua palestra".
"Onde foi isso?" Pergunto.
"Bluthe Hall." Eles dizem em uníssono.
"Vamos começar por lá." Eu digo, porque esses dois parecem estar mais nas visões de Alice do que no fato de que o meu pior pesadelo literal está correndo por aí tentando me encontrar, e definitivamente tem o cheiro das minhas roupas descartadas.
"Quão rápido o jipe de Jasper pode ir?" Edward pergunta a Alice, pescando as chaves do bolso do casaco dela.
"Você vai chegar a tempo." Ela diz, enquanto caminha até a porta. "Você vai ouvir por ele".
"Deixe-me fazer isso." Eu sussurro, enquanto ela estende a mão para a alça. "Não toque em nada, ok? Vai doer".
"Tudo dói." Ela diz para mim, olhos vidrados e entorpecidos com a dor. "Isso vai doer até a última batida. Sinto muito, Bella. Eu sei que você queria ir primeiro".
Primeira. A palavra atravessa-me com uma quantidade surpreendente de ciúme.
Claro que, se Jasper está se transformando agora, Alice terá que ser transformada, e logo. Nenhuma quantidade de memória apagada pode mudar quem eles são juntos. Ele vai encontrá-la, e se ele estiver sob o controle dos Volturi, eles saberão sobre ela em breve. Se Edward pode lê-la a nosso favor, só posso imaginar o que Aro vai pensar assim que ele descobrir sobre ela. Se ele chegou a Seattle para saber sobre o meu "talento" insignificante como cantora, ou um escudo de algum tipo, e ele está tão contente com Jasper - o quê? A maneira dele de lidar com pessoas para que elas fiquem realmente felizes em fazer o que ele quer? Seja o que for que Jasper faz, Aro parecia feliz com isso. Encontrar Alice seria como o Natal. Eu paro no elevador e me viro para Edward.
"Se Aro tem Jasper, então ele saberá sobre Alice." Eu digo, a compreensão começando a ser entendida. "Se ele transformá-la também, então ele será capaz de lê-la como você está fazendo agora! Mas, como nós-"
"Se ele tiver Alice, ele pode descobrir como chegar até você." Ele confirma, sua voz aparentemente calma pelo olhar em seus olhos. "E uma vez que ele tem você, então eu não tenho escolha. A visão dela é precisa. Ficaríamos sob a influência de Aro indefinidamente. Seria impossível de ele ser parado".
"Temos de encontrar Jasper primeiro." Alice e eu dissemos juntas.
"Eu sei." Edward diz, segurando-me perto enquanto o elevador nos leva para baixo. "Ele não pode descobrir sobre você, Alice. Ele não pode ter Jasper".
"Rose quer fazer outro casamento, desta vez em uma ilha." Alice diz, seu rosto iluminando. "Ela vai deixar-me escolher tudo, exceto seu vestido".
Eu olho para Edward, confusa.
"Isso foi apenas uma idéia." Ele diz. "Ela vê isso acontecendo, eu acho. Eu vou ter que..."
"Você vai ter que conseguir que Carlisle a transforme?" Eu pergunto. Edward parece concentrar-se fortemente, e a expressão de Alice fica triste novamente.
"Aro nunca vai nos deixar ir." Ela sussurra. "Carlisle foi destruído por nada".
"Eu mesmo vou ter que transformá-la." Ele diz com tristeza.
~oЖo~
Edward começa pelo palanque onde Jasper deve ter feito sua palestra, cheirando o seu caminho em direção ao fundo da sala. Eu tenho meus braços em volta dos ombros de Alice, tentando impedi-la de vagar por aí. Quando ele chega ao final das fileiras, ele congela.
"Eleazar?" Ele exclama, chocado. "Eu não entendo isso, ele abandonou a guarda há muito tempo e nunca criaria um vampiro. E alguém que eu não reconheço - uma fêmea, eu acho".
"Eleazar - eu acho que eles o mencionaram. Ele não estava lá ainda, Renata disse que ele estava escondendo o presente que ela fez para Aro." Eu o informei. "Você acha que ela quis dizer Jasper?"
"Eu sabia! Vampiro." Alice ri em meio às suas lágrimas. "Eu sabia. Bella, você sabia?"
"A família dele não mata pessoas." Eu digo a ela, apressando-me para dissipar as implicações formando em sua cabeça. "Edward não mata pessoas, ele caça veados e outros animais".
Os olhos de Edward estão cravados em Alice, mas ele pegou seu celular.
"Carlisle, onde você está?" Ele diz, mal parando para uma resposta. "Você sabia que Aro está aqui?... Ele assustou Bella e nos convocou para um encontro com ele amanhã à noite... Carlisle, fale-me sobre Demetri... Bem, ele está aqui também, e ele não pode rastrear Bella, mas, supostamente, ele me encontrou uma vez, mas não posso entender isso... Isso é verdade... Nós fomos convocados, assim como somos, para amanhã à noite... Ele está interessado em Bella - ele fez Eleazar vir de Denali... Não, eu não o vi, mas seu cheiro está aqui, e Bella reconheceu o nome dele..."
Alice começa a murmurar enquanto Edward explica rapidamente, no entanto eu percebo que ele não menciona Alice ou Jasper. Alice tenta mover os dedos, mas eles estão muito inchados agora, cada movimento faz com que ela grite.
"... amanhã à tarde, então." Edward diz, alívio evidente em sua voz. "Por favor, mantenha o seu telefone celular ligado assim que você aterrissar. Podemos ter que continuar andando... Obrigado, Carlisle, eu também".
"Ele está vindo." Ele diz, fechando o telefone. "Vamos".
Espero que ele esteja falando de Carlisle.
Seguimos Edward durante a noite, arrastando atrás dele enquanto ele se move rapidamente através das sombras. Primeiro, andamos em um caminho bastante direto para o Keys, e posso imaginar Jasper andando este caminho como se ele estivesse com a gente agora. Alice caminha rapidamente, seu rosto calmo enquanto nós nos movemos. Nós deslizamos ao longo de uma calçada até Edward parar e dar uma guinada acentuada para a direita, inclinando-se entre dois edifícios. Por trás de um arbusto espinhoso, Edward se curva e toca o chão.
"Aconteceu aqui." Ele diz. "Mas parece que Eleazar e Renata se separaram. Tem certeza de que Eleazar o escondeu?"
"É o que ela disse." Eu insisto. "Aro perguntou por que ele não estava lá, e disse que os humanitários sempre vagam por aí. Ela disse que ele estava escondendo a surpresa".
"Surpresa!" Alice se anima fracamente. "Eu vejo uma igreja, e fita amarela. Nós não deveríamos entrar nela. Área de risco. Jasper está lá. O outro caminho leva à encrenca".
Edward olha em uma direção, para o Complexo de Artes Cênicas, e depois para a outra, fora do campus e para a parte mais antiga da cidade. Eu vejo uma antiga igreja em ruínas, as portas entrecruzadas com fita isolante amarela. Ao chegarmos perto da porta, um homem grita de dor de dentro do prédio, o som abafado.
"Jasper!" Alice engasga e corre rapidamente para a porta.
Ela a chuta até Edward abri-la pelas dobradiças. Ele a fecha cuidadosamente atrás de nós e pega a minha mão enquanto a seguimos pela escuridão. Eu ouço uma batida, e quando meus olhos se acostumam com a luz fraca de uma pequena vela, eu vejo a sua forma muito magra se contorcendo no chão de mármore, Alice ajoelhada ao lado dele. Edward entrega-me a vela, e chegamos mais perto. Um cachecol apertado está enrolado na metade inferior do rosto de Jasper, abafando seus gritos.
"Jazz, querido." Alice chora, removendo o pano. "Baby, eu estou aqui, eu estou aqui".
As mãos de Edward tapam meus ouvidos enquanto os gritos de Jasper ecoam nas paredes desmoronando. Seu rosto se contorce em agonia, um espelho intensificado das expressões de Alice.
"Agora você vê por que eu hesito?" Edward sussurra para mim enquanto estou parada sobre ele, observando o rosto de Jasper. "A idéia de vê-la passar por isso... eu não posso suportar, Bella".
"Quanto tempo?" Eu pergunto.
"Ele só foi mordido uma vez." Ele murmura. "E ele é grande. Três dias, talvez? Se ela bebeu o sangue dele, ainda mais".
"Eu ainda quero." Eu digo teimosamente, vendo o rosto de Alice relaxar uma vez que ela toca nele. "Você vale a pena".
Ela não parece mais louca, agora que eu sei que ela estava sentindo e vendo. Ela parece calma, ainda que um pouco assustadora. Ela beija o rosto dele, as mãos, os olhos, o tempo todo murmurando que ela está aqui, que o ama, que sente muito por ele estar sofrendo. Ela ainda está chorando, mas ela está muito mais calma agora.
"Ele sabe que você está aqui." Edward diz, um instante antes de Jasper tomar uma respiração irregular. "Isso está ajudando. Alice, eu tenho que falar com você sobre algo. É sério".
"Eu sei, Edward." Ela funga.
Jasper continua a se bater, veias e cordas e tendões se destacando em seu rosto tingido de púrpura. Eu estendo a mão para alisar seu cabelo, querendo, precisando confortá-lo de alguma forma. Eu penso nos diários de Edward, e uma casa em chamas parece uma metáfora totalmente inadequada para o tormento na minha frente.
"Você ainda tem uma escolha." Ele diz com tristeza. "Jasper não, eu estou com medo. Você não tem que ser um monstro. Você ainda pode se afastar disso".
"Um monstro, você quer dizer como você?" Alice suspira, sacudindo sua cabeça. "Eu não vou abandoná-lo. Edward, eu não me importo com nada se eu não puder estar com Jasper. O que Bella disse, sobre sua família não matar pessoas... Isso é verdade?"
"É verdade. Nós caçamos animais e tentamos nos socializar com os humanos".
"E esse Aro, ele mata pessoas?" Ela pergunta, alisando o rosto de Jasper com as costas da sua mão inchada.
"Muitas delas." Ele diz, e eu me arrepio.
"O que está acontecendo com Jasper não pode ser desfeito, pode?" Ela pergunta superficialmente, menos uma pergunta e mais como uma confirmação.
"Eu sinto muito, Alice." Ele sussurra. "Eu não teria escolhido isto por você".
"Há uma bela mulher loira chamada Rose?" Ela pergunta depois de um momento de silêncio. "Verdade?"
"Essa é minha irmã, e, sim, o que você está vendo são possibilidades muito reais." Ele esclarece. "Alice, eu nunca transformei ninguém antes. Eu sei como fazê-lo na teoria. Posso fazer isso acontecer mais rápido, mas eu não posso fazer doer menos".
"Isso já dói, Edward." Ela diz. "Eu vou escolher por Jasper também. Por favor, Edward?"
Eu não ouço nada, mas Edward e Alice olham para a saída em pânico.
"Ele está vindo?" Eu pergunto.
"Eles estão a poucos quilômetros." Ele diz, levantando o corpo muito magro de Jasper sobre um ombro, como se ele não pesasse nada. "Nós precisamos nos mover. Alice, tente se concentrar como você fez antes. Nós não estamos seguros ainda".
Saímos da igreja da mesma maneira que entramos, e Alice olha em várias direções diferentes. Ela olha de volta para Edward com uma expressão perplexa. Ela é tão focada como um laser.
"Este caminho." Ele diz incisivamente, e saímos correndo pela rua desconhecida. Edward corre muito mais rápido do que nós, mesmo carregando Jasper. Nós não vamos muito longe antes que Edward pára, vira-se e pára em frente a nós.
"Alice, fique na frente de Bella." Ele diz. "Agora, Bella, coloque seus braços ao redor dela, sim, assim. Não se incline para trás".
Ele escava o braço sob minhas pernas e, de alguma forma, eu estou sentada no braço de Edward, com Alice no meu colo, com nós duas olhando por cima do seu ombro. A rua passa tão rapidamente que eu tenho que desviar o olhar, e viro meu rosto para beijar o pescoço dele, em um silencioso obrigada. Ele não responde, exceto inclinando ligeiramente sua cabeça para a minha.
Quando ele nos coloca no chão, eu não reconheço onde estamos, e estou quase pensando que erramos o caminho quando aparece um táxi na esquina. Saltamos, ajeitando Jasper primeiro com Alice o apoiando, e eu principalmente no colo de Edward, e chegamos de volta ao jipe em instantes.
"Você pode querer levar esse cara para o hospital - ele parece bem ruim." O taxista nos informa enquanto eu dou a ele todos os dez dólares da minha carteira.
"Vamos levar." Edward diz severamente, levantando Jasper do táxi para o jipe e empurrando-o para dentro. "Vamos".
Alice sobe na parte de trás com Jasper, e o prende na posição vertical. Assim que coloco meu cinto de segurança, estamos praticamente voando pela estrada, tecendo tanto pelo tráfego que eu tenho de fechar meus olhos. Eu sinto uma mão fria na parte de trás do meu pescoço e olho para cima para ver os lindos olhos de Edward nos meus. Ele parece ansioso. Eu sorrio para ele e me inclino ao seu toque.
"Como você pode sorrir?" Ele pergunta tristemente. "Depois do que o meu mundo a fez passar hoje?"
"Estamos juntos." Eu digo simplesmente, e olho para o banco de trás, onde Alice e Jasper inclinam-se como pilares quebrados. "Assim como eles, graças a você. Para onde vamos?"
"Para a Floresta Nacional Olympic." Ele responde, pegando o telefone.
"Eles não esperam isso." Alice diz baixinho. "Eles não vão nos encontrar lá".
"Rosalie, eu preciso de um favor..." Ele diz calmamente. "Na verdade, não, eu não estou brincando... de fato, eu estou ligando por todos os favores que fiz... Rochester, toda aquela situação de 'Emmett cantor', tudo isso..."
~oЖo~
Depois de dirigir na rodovia por quase uma hora, Edward cuidadosamente nos puxa para fora da estrada e diretamente para a floresta. Ele desliga os faróis, e eu ofego quando parecemos dirigir diretamente entre as árvores, mas não batemos em nada.
"Há um caminho aqui? Como você pode ver alguma coisa?" Digo com surpresa.
"Essa era a estrada principal para a floresta da última vez que vivemos nesta área." Ele diz, por pouco desviando o jipe de alguma coisa. "E minha visão é muito, muito melhor que a sua".
Nós nunca tivemos a discussão formal de vampiros, por isso eu estou aprendendo todos os tipos de coisas novas esta noite. Eu pensei que ele era forte antes, mas seu deslize anterior mostra-me agora que parecem trivialidades, em comparação. Nós dirigimos por mais vinte minutos, mais ou menos, neste caminho, o jipe ocasionalmente desviando bruscamente nas trevas pulsantes. Nós parecemos estar dirigindo em um caminho inclinado, e as árvores começam a espaçar um pouco. Não vejo nada além dos remendos ocasionais das estrelas ao longe, mas o ar da noite é livre e selvagem. Chegamos a uma parada, e meus olhos se acostumam para ver o que se parece com milhares de estrelas.
"Esperem aqui, eu vou verificar a caverna por causa de animais." Edward nos diz, como se fôssemos a qualquer lugar sem ele. Ele beija a minha bochecha. "Buzine se você ouvir rosnados".
Com esse pedido perturbador, ele desaparece em uma sombra particularmente densa por um longo minuto. Ouço um barulho alto, mas antes de eu ter tempo para me preocupar com isso, ele está de volta e entra, ligando os faróis. Ele nos leva direto para a entrada de uma caverna, angulando o jipe para fornecer um pouco de abrigo, ou, pelo menos, diminuir a abertura.
"Eu preciso caçar e cobrir os nossos rastros." Ele diz para nós, seu rosto iluminado levemente por uma lua brilhante ligeiramente minguante. "Estou deixando as chaves no jipe. Se algo assustar vocês, buzinem e eu virei. Você pode querer dizer adeus agora. Eu não sei se você vai ser capaz de falar ao telefone, ou escrever, mas vocês não serão capazes de ver uma à outra pessoalmente enquanto Bella é humana, não por cerca de um ano".
Tudo parece como uma bela pintura escura, com os perfis de Alice e Jasper um esboço leve de prata contra a escuridão selvagem e profunda. Enquanto ela está tocando nele, seus choros abafados são mais suaves e mais distantes. Os braços dela ao redor do pescoço dele em uma postura lamentável de proteção, e meu coração dói de pensar o que aconteceria se Edward não pudesse transformá-la. Ela parece tão pequena, tão frágil. Ela não teria qualquer tipo de chance contra os Volturi, nem qualquer escolha, se eles tivessem Jasper em mãos.
"Tantas estrelas." Ela murmura, o brilho contornando seu rosto brilhante inclinado para cima em um arco gracioso contra o ombro trêmulo do seu marido. "Isso está realmente acontecendo, Bella?"
"Eu acho que é hora de contar a você sobre Edward." Eu digo suavemente, esperando que eu tenha tempo suficiente.
~oЖo~
Eu acabei de dizer a Alice sobre tudo o que sei sobre Edward, os Cullen, e sobre os vampiros e os Volturi, quando ele retorna. Ela parece mais aliviada do que surpresa, e eu me sinto mais do que um pouco culpada ao lembrar o quão louca eu me senti quando Edward estava escondendo a verdade. Tendo acabado de encontrar os Volturi, eu tenho uma nova apreciação do por que ele querer me proteger. Quanto mais tempo Edward fica ausente, mais altos e próximos os sons ficam na floresta. Eu verifico o meu celular e encontro a recepção indo de uma barra para "sem serviço" e vice-versa. Os gemidos de Jasper de alguma forma soam como o nome de Alice, e eu sinto olhos nas minhas costas. Estou prestes a tocar a buzina quando ouço o som inconfundível, ainda que desconhecido, de asas enormes batendo muito perto do jipe, e eu solto um pequeno grito.
"O que diabos foi isso?" Eu pergunto quando um silêncio mortal retorna para espelhar a escuridão, sinalizando que Edward voltou.
"Uma grande coruja cinzenta." Ele diz, muito mais perto do que eu pensava que ele estaria. "Rara para essa floresta, mas ela não faria mal a você. Eu acho que ela só estava curiosa".
Edward levanta Jasper e o carrega mais para o fundo da caverna. Está muito escuro para eu ver exatamente o quão distante ele foi, mas eu não posso mais ouvi-lo.
"E se ele acordar?" Alice se preocupa. "Eu não quero que ele esteja sozinho e confuso".
"Ele não vai acordar por dois dias pelo menos." Edward informa a ela. "Como você é pequena e eu não... eu não vou beber seu sangue, você vai acordar primeiro. Você será capaz de explicar tudo para ele, se você se lembrar".
"Você acha que o vampiro que o transformou, bebeu o sangue dele?" Ela pergunta, sobrancelhas franzidas.
"Eles costumam fazer isso." Diz Edward. "É muito difícil não fazê-lo".
"Onde eu estarei quando eu acordar?" Ela pergunta depois de um silêncio desconfortável, parecendo muito como uma garotinha perdida.
"Seu palpite seria muito melhor que o meu." Ele diz com um sorriso. "E não me diga, no caso de Aro encontrar uma maneira de me tocar. Você pode ser capaz de dizer a Bella mais tarde, mas a informação deve ser contida. Falando nisso, você tem algum papel no jipe? Você pode querer escrever uma carta para si mesma. Sua memória ficará um pouco distorcida, e nós não estaremos lá para ajudá-la".
"Pode haver alguma coisa." Ela diz, a dor em sua voz sugerindo que ela está tentando mover os dedos. "Jasper gosta de caminhar e pensar, e ele geralmente leva algo para escrever, no caso de ele ter uma idéia. Eu não consigo escrever, no entanto".
"Eu farei isso." Edward diz a ela. "Eu posso escrever rapidamente".
Nós vamos ao porta-malas do jipe e encontramos uma lanterna e uma velha bolsa com um caderno espiral, algumas garrafas de água e algumas barras energéticas nela.
Fiel à sua palavra, Edward anota tudo o que Alice diz tão rápido quanto ela pode dizê-las. Ele não precisa de uma lanterna, então eu a pego para verificar Jasper. Ao me aproximar, ouço seus gemidos abafados. Toco a sua testa, e está extremamente quente.
"Eu sinto muito, Jasper." Eu sussurro, sentindo-me culpada sobre a chegada dos Volturi. Eu sei que não os convidei, mas Aro veio para me ver.
Quando me viro para voltar, a lanterna pega algo no canto da caverna e eu ofego, quase deixando cair a lanterna. É um leão da montanha, maior do que eu, e está completamente imóvel.
"Não se preocupe, ele está morto, Bella." Edward diz suavemente. "Eu iria movê-lo depois".
Eu estendo a mão para tocá-lo - ainda quente, e surpreendentemente sólido. Esta era uma criatura poderosa até que Edward o pegou. Eu vejo a marca da mordida em seu pescoço e a toco, fascinada pelas implicações. Para mim, pareceu como se Edward acabara de entrar na caverna, verificou por um segundo e a declarou segura. Na realidade, já era habitada por um poderoso predador, e ele o matou sem hesitar, sem luta. Em cima disso, Edward saíra para caçar um pouco mais. Quantos animais ele normalmente abate enquanto caça? A imagem em minha mente como Edward sendo mais forte do que a média dos caçadores muda enquanto eu tento imaginá-lo matando e consumindo esta besta maciça em meros momentos, sem fazer um som, ou danificar sua roupa.
É um pouco assustador, mas estranhamente emocionante também, em certo sentido primitivo. Eu penso em seu toque gentil e me pergunto como seria fazer amor com ele como uma igual. As imagens que vêm à minha mente enviam uma onda de desejo pelo meu corpo tão forte que eu tenho que me apoiar na parede da caverna. Mais uma vez, eu me encontro com ciúmes de que não serei eu a ser transformada nos fundos da caverna esta noite. Eu sei que não é nem culpa minha, nem deles, mas não posso deixar de sentir apenas um pouco de pena por mim. Eu tenho sido aquela se preparando para se tornar uma vampira, e tornaria as coisas muito mais fáceis com Aro se eu me transformasse.
"Eu não vejo por que você não pode simplesmente transformar-me também." Eu me queixo, retornando para Edward e Alice. "E nós podemos fugir para outra direção, se for um grande problema ter três recém-criados em um só lugar".
"O convite de Aro foi muito específico." Edward faz uma carranca. "Se eu transformasse você antes de ele a ver, pode haver graves consequências".
"Eu não vi essa parte." Eu digo, cética. Eu sei que Edward faria qualquer coisa para não me machucar.
"Ele diz Venha como vocês são, especialmente a Senhorita Swan, Bella." Edward suspira. "Acredite em mim, eu estive testando nossas opções com a ajuda de Alice, e ignorar este convite nunca acabaria bem".
"Oh." Eu digo sem jeito, enquanto Alice olha para mim com simpatia. "Foi apenas um pensamento".
Alice pensa por um momento, então sorri para mim, e Edward sorri também. O que seja que eles estão vendo, é bom, e eu sinto um pequeno raio de esperança começar a derreter os meus medos.
"O quê?" Pergunto com esperança. "Você vê alguma coisa?"
"Tudo vai ficar bem." Diz Alice, beijando minha bochecha. "Ou, pelo menos, isso vai ficar bem. Nós seremos capazes de conversar, eventualmente".
"Isso significa que eu estarei viva." Eu sussurro tremulamente, e fecho meus olhos em alívio.
Imediatamente eu sinto Edward, seu corpo como uma coluna de mármore e os seus braços em volta de mim, mais forte do que eu imaginava.
"Claro que você estará viva." Edward diz ferozmente, suas mãos inclinando meu rosto para o seu para um beijo gentil e protetor. "Eu nunca deixarei nenhum deles te machucar. Eu prometi, lembra?"
"Eu sei... é só... há muitos deles." Eu digo. "Eu me preocupo com você. Eles são as únicas coisas lá fora que podem machucá-lo, e há cinco deles".
"A cavalaria está chegando." Ele sussurra. "Nós apenas temos que passar esta noite, meu amor. Tudo muda amanhã".
"Você acha que esse Eleazar vai estar do seu lado?" Pergunto esperançosamente.
"Espero que sim," ele diz, "embora eu esteja um pouco surpreso que ele está aqui, francamente".
"Renata disse que ele não ficou satisfeito com o que ela fez a Jasper." Eu digo.
"Não, ele não estaria." Ele concorda. "Isso é um bom sinal".
"Você não está bravo comigo?" Eu pergunto, segurando a minha respiração. "Por não dizer a você imediatamente?"
"Eu queria que você tivesse me deixado ir, que eu estivesse ali para protegê-la, mas a nossa atual situação seria muito pior agora se você tivesse deixado." Ele admite, com um suspiro de frustração. "E se o que Demetri disse é verdade, eu não posso me dar ao luxo de ficar com raiva. Eu só queria saber onde ele me viu. É verdade que tenho um temperamento ruim, e Carlisle disse que Aro o enviou para procurar vampiros talentosos sem o conhecimento dele, por isso poderia ter sido em qualquer lugar, em quase todo o tempo. Eu não gosto disso".
"Mantenha a calma, Edward." Alice avisa, um olhar ansioso no seu rosto. "Oh! Você deveria me transformar agora. É melhor assim. Eu não sei por que, mas é".
"Você tem certeza?" Edward pergunta, em dúvida. "Você está pronta?"
"Tenho certeza." Ela diz. "Eu não sei como, mas isso é o certo. Bella?"
Eu entrego a lanterna para Edward e a abraço com força, dizendo a ela que eu a amo e que vamos nos ver outra vez.
"Nós vamos ser irmãs." Ela diz com um sorriso marejado. "E melhores amigas para sempre. Eu posso sentir isso. Seja forte, Bella. Tudo vai dar certo".
Ela beija meu rosto e encolhe quando ela tenta dar tapinhas nas minhas costas, e estamos ambas chorando. Então ela se vira para Edward e estende suas mãos.
"Quando serei capaz de tocar violino novamente, Doutor?" Ela pergunta, sabendo agora que ele se formou na faculdade de medicina duas vezes.
"Os ossos em suas mãos começarão a curar imediatamente. Tudo isso vai ser extremamente doloroso, mas quando você acordar, você estará mais forte do que eu." Ele diz a ela. "Então você não será capaz de tocar de novo até que você já domine a sua força e a acalme. Alguns meses, talvez mais. Eventualmente, você será capaz de tocar ainda mais rápido".
"E ganhar o violino de ouro do diabo?" Ela pergunta com um sorriso irônico. "Eu acho que tenho uma eternidade para encontrar um Stradivarius*".
*Stradivarius: é uma das mais famosas marcas de instrumentos de corda do mundo. Seu construtor, o italiano Antonio Stradivari, produziu na Itália renascentista vários violinos e violoncelo. Segundo constatações, mais de mil violinos foram criados, mas apenas 650 ainda existem. O mais famoso é chamado de "O Messias", de 1716, e se encontra no museu Ashmolean Museum de Oxford. Esse violino praticamente nunca foi tocado. Isso foi constatado observando-se o seu verniz pouco alterado, em comparação com os instrumentos de mesma época.
"Você terá." Ele promete. "Mas, até lá, vamos guardar o seu violino, e tudo o que você quiser no depósito. Eu vou cuidar de tudo, exatamente como pediu".
Ela está em silêncio por um momento, e Edward apenas olha para ela fixamente, segurando minha mão. Eu posso dizer que ele está nervoso, por isso dou-lhe um aperto suave. Sua mão é irredutível, mas ele aperta de volta, só um pouquinho.
"Você vai ser meu pai vampiro?" Ela pergunta, franzindo a testa. "Porque, mesmo que você seja cem anos mais velho, eu ainda me sinto como se você fosse da mesma idade, ou mais novo".
"Isso seria um pouco estranho." Ele concorda com um leve sorriso. "Os vampiros costumam chamar de criador, mas provavelmente seria mais fácil se você pensar em Carlisle mais como um pai, se você quiser. Pensamos em nós mesmos mais como uma família do que como um grupo de bruxos".
"Eu gostaria disso." Ela diz depois de um momento, um leve sorriso em seu rosto. "Agora, Edward, rápido".
Ele está olhando para ela, e o que quer que ela esteja pensando o estimula a agir. Ela chora de dor fresca quando ele parece beijar o seu pescoço, e ele se afasta com um silvo baixo. A parede da caverna encontra as minhas costas, e eu percebo que eu tenho dado passos para trás. Ciúme queimando através de mim novamente, e desta vez eu não tenho certeza se isso tem a ver com a visão dele até mesmo parecendo beijar outra mulher, ou se é o fato de que ela é capaz de se transformar antes de mim. Ele morde os pulsos dela, e eu silenciosamente espero que o veneno aja rapidamente. Alice solta um grito alto e lamentoso enquanto o veneno realmente começa a fazer efeito, e Edward prende sua mão sobre a boca dela. O rosto dela fica contorcido e os olhos cegos, e sinto-me terrivelmente envergonhada da minha inveja secreta agora.
Ele pega o cachecol dela e o enrola em torno da sua cabeça muito da mesma maneira como estava em Jasper, e a levanta com cuidado, gentilmente, como se ela fosse uma criança pequena. Eu mantenho a lanterna acesa neles enquanto ele a deita ao lado do corpo se contorcendo de Jasper, colocando uma das mãos quebradas dela no rosto dele, e uma das dele no dela. No momento em que suas peles se tocam, ambos se acalmam consideravelmente, embora seja óbvio que os dois estão com dores agonizantes.
"Eles sabem que estão juntos?" Eu pergunto, pegando a mão dele enquanto olhamos para eles.
É uma sensação estranha, como se nós acabássemos de colocar duas crianças doentes na cama.
"Eles sentem um ao outro, sim." Ele diz com alívio. "Isso ajuda".
"Bom." Eu sussurro, a dor em meu peito começando a se desvanecer.
"Bella." Ele diz, levando-me para fora da caverna, para a noite. "Eu vou camuflar a caverna".
Peço licença por um momento, e quando eu volto, ele me dá uma garrafa de água e uma barra energética.
"Eu não estou com fome." Eu digo, começando a me sentir realmente exausta. "Mas eu estou cansada".
"Você quase não comeu nada em dois dias, então, pode fazer o que peço, por favor?" Ele diz, entrando no jipe. Ele dá tapinhas no assento ao lado dele.
"Nós não podemos deixá-los!" Eu digo, preocupada.
"Não se preocupe." Ele diz. "Ficarei de olho neles. Eu só quero nos mover para longe da caverna, no caso de eles nos encontrarem".
Eu entro e nós dirigimos por alguns minutos. Eu me pergunto como ele vai vigiar a caverna daqui, até que ele pára na base de uma árvore gigante de coníferas.
"Bella." Ele diz suavemente, ajudando-me a sair do jipe. "Alice disse antes que você estava com ciúmes".
Eu pisco de volta algumas lágrimas remanescentes e olho para a escuridão aveludada, a luz das estrelas filtrando por onde as árvores permitem. Eu me pergunto se Edward pode ver bem a luz de outros sóis distantes, quando se leva centenas de anos para que os raios viajem para chegar a nós em pequenos seres temporários, com sorte o suficiente para entender o que são, pelo menos nos últimos cem anos. Temporário... alguns de nós menos do que outros. Ele me olha atentamente enquanto eu respiro fundo, gostando do verde da floresta.
"Terrivelmente ciumenta." Eu finalmente admito. "Eu sei que é irracional, e eu queria que você fizesse isso, mas eu realmente odiei ver você a transformando".
"Fico feliz." Ele diz sombriamente, e eu olho para ele com surpresa. "Porque agora eu posso admitir que eu estava louco de ciúmes sempre que você beijava Leo, apesar de ter sido parte da ópera".
"Foi só na bochecha!" Eu digo, mais aliviada do que contestando. "Mas estou feliz que não sou apenas eu a irracional. Edward?"
"Sim, Bella?" Ele pergunta, e eu fico na ponta dos meus pés para beijá-lo.
Eu não tenho que ficar na ponta dos meus pés por muito tempo porque assim que meus lábios tocam os dele, ele se inclina para mim, segurando meu rosto entre as mãos e beijando-me com uma intensidade surpreendente. Eu grito contra a sua boca quando a minha necessidade por ele me surpreende, e eu enrosco meus dedos em seus cabelos para puxá-lo para mais perto. Ou, pelo menos, para indicar-lhe que eu preciso dele mais perto.
"Eu machuquei você?" Ele pergunta asperamente quando se afasta para olhar para mim. "Desculpe, eu não sei o que deu em mim".
"Não." Eu asseguro a ele, beijando seu pescoço. "Eu juro, você não machucou. Eu só... eu preciso de você, Edward. Por favor..."
"Bella." Ele geme enquanto sua mão desliza debaixo da minha saia e ao longo das minhas pernas nuas. "Nós realmente não deveríamos fazer isso aqui – Deus, seu cheiro – você realmente me quer, porra – eu não posso..."
Eu li sobre isso – a respeito de coisas como terremotos, guerras, e quase todas as situações perigosas, podem levar as pessoas a ficarem sexualmente loucas, mas eu ainda fico surpresa com o quão poderosa a minha necessidade por ele é neste momento. Eu me sinto como qualquer outra parte da floresta, atuando no instinto e necessidade quando ele rasga o meu short minúsculo e os dedos dele mergulham sob a seda para encontrar-me tão úmida quanto nós dois sabíamos que eu estaria. Ele rosna quando saboreia os dedos, o som enviando algumas pequenas coisas curiosas fugindo pela floresta. Eu poderia rir do ridículo disso se eu não estivesse tentando arduamente empalar-me em qualquer parte de Edward que eu pudesse alcançar.
"Deliciosa." Ele diz em um tom incrivelmente sedutor, sua mão retornando para debaixo da minha saia para trabalhar em mim até uma bagunça se contorcendo de frenética necessidade. "E tão impaciente. Você sabe o quão cuidadoso eu tenho que ser com você? Algum dia eu vou te mostrar, embora eu não saiba como replicar o seu incrível calor".
A maneira como ele diz esta última parte me deixa no limite, e eu grito o nome dele e, provavelmente, algumas sílabas adicionais aleatórias quando eu gozo contra a sua mão. Eu desabotôo sua camisa o mais rápido que posso, desesperada para sentir sua pele na minha depois de cada coisa horrível que aconteceu hoje. Eu mal tenho tempo para registrar a árvore contra as minhas costas quando ele me coloca no chão macio.
Eu sinto o ar fresco no meu peito, então estamos pensando da mesma forma, e eu recebo o meu desejo quando a minha pele febril encontra o seu peito frio e rígido e sua boca se abre sobre a minha. Eu mal tenho tempo para ficar tonta quando eu sinto o ar fresco de novo e até os lábios mais frescos e língua, sua boca se movendo, deslizando mais para baixo e deliciosamente sobre cada pedaço nu de mim, até que tudo que eu consigo tocar é o seu cabelo, e ele puxa para baixo o short e meu coração está correndo. Ele me beija através da seda da calcinha até eu gritar de novo, pedindo, simplesmente implorando, embora eu não tenha controle sobre meus pensamentos, ou voz, e tudo se transforma em um canto de favor, por favor, Edward, por favor, por favor, Edward, por favor...
Ele se afasta por um momento doloroso e eu quero uivar em protesto até que eu o ouço rasgar o pacote de preservativo e sinto minha calcinha deslizar pelas minhas pernas ao mesmo tempo. Obrigada, obrigadaobrigada.
"Carregando uma na sua carteira agora? Você esperava isso?" Eu rio, aliviada e gananciosa quando eu o sinto empurrar em mim.
"Eu certamente não estava esperando isso." Ele diz, e eu suspiro de prazer e o fantasma de dor quando ele empurra para dentro de mim lentamente, quase tão dolorosamente como da primeira vez. "Mas é uma coisa malditamente boa que estava lá. Eu não acho que eu poderia ter parado por qualquer motivo, com você me implorando assim, toda quente e apertada e molhada, apertando em volta do meu dedo".
Eu envolvo as minhas pernas ao redor da sua cintura, estremecendo quando ele menciona seus dedos fodidamente belos. Estou apertando em volta dele novamente quando a dor desaparece, e eu sinto essa vontade incrível de fazer algo, uma necessidade de alguma coisa que não posso colocar até que ele xinga de novo e começa a se mover dentro de mim. Essa seria a necessidade misteriosa, sim, penso eu, nossos corpos juntos ensinando-me uma espécie de novo vocabulário enquanto um atrito glorioso substitui qualquer desconforto restante. Eu estou me movendo com ele porque, puta merda, a metade inferior do meu corpo meio que automaticamente sabe como fazer isso. É uma maravilha e uma alegria que minha mente desliga-se quase completamente, fazendo coro só para ter uma nota ocasional, ou apenas nos brindar.
"Edward, não pare." Eu gemo, surpresa com o quão desesperada estou soando. "É tão bom".
"Graças a Deus porque eu realmente não quero parar, Bella. Você tem que me dizer se eu te machucar." Ele me lembra, ofegante enquanto suas estocadas ficam um pouco mais fortes, um pouco mais selvagens. "Eu achava que sabia porque eu podia ler os pensamentos deles, eu apenas pensava que eles eram como animais... eu não tive nenhuma idéia, nenhuma fodida idéia".
Eu arqueio contra ele e grito novamente e ele ri, esse riso baixo e profundo que se transforma em um grunhido quando o seu poderoso corpo se move contra e para dentro de mim. Eu meio que estou fazendo a minha parte também, estimulando-o com meus pés, mas é claramente um gesto oco em comparação com a força incapaz de parar que se desloca entre as minhas pernas. Não importa, pois o prazer começa a conectar-se, e eu me sinto como um oceano inteiro, onda após onda profunda rolando dentro de mim. Ele beija a minha boca até eu ficar tonta, meu pescoço até seu rugido se transformar em um silvo, e eu digo o nome dele como um mantra. Não consigo deixar de pensar no grande leão da montanha no fundo da caverna quando a sua voz adquire esse tom selvagem, e eu me pergunto se o que ele caça faz a diferença. Se fizer, eu vou descobrir onde estão os leões porque é isso que ele deveria estar bebendo o tempo todo.
Outra grande onda cai sobre mim, e eu acho que esta pode ser aquela a me atingir quando seu ritmo aumenta e o rosnado fica mais alto. Estou tentando decidir se isso é ou não muito doloroso porque, honestamente, eu meio que gosto, mas, felizmente, não tenho que decidir porque ele pára de repente, seu rosto se contorcendo gloriosamente sob o luar. Meu cérebro e corpo começam a se reconectar, minha mente montando como um surfista sobre as menores ondas ritmicamente rolando pelo meu corpo, e em torno dele onde ainda estamos unidos.
Ambos olhamos para baixo entre nós ao mesmo tempo, tocando nossas cabeças um pouco, e ele me beija profundamente e ternamente.
"Eu te amo, Bella." Ele diz entre beijos, movendo-se em volta do meu rosto e pescoço enquanto ele descansa o seu peso sobre os antebraços. "E eu estou quase arrependido de atacá-la assim. Por favor, diga-me que está tudo bem".
"Eu também te amo, Edward. Este foi o pior dia da minha vida," eu digo, passando minhas mãos pelos seus cabelos, "até agora. O que foi isso – 20 minutos atrás? Por favor, sinta-se livre para me atacar a qualquer momento. Se nós passarmos por esta confusão com os Volturi, devemos fazer isso mais vezes".
"Foi mais de uma hora. E quando passarmos por esta confusão," ele diz, sua voz misturada com a promessa escura enquanto ele puxa lentamente para fora, "nós vamos fazer isto muito mais vezes. Quando eu transformar você, nós não faremos nada além disso por um ano inteiro".
"Oh." Eu rio, quando ele toca com o nariz as minhas orelhas, uma de cada vez, enviando gloriosos choques elétricos minúsculos através de mim. Eu envolvo meus braços em volta do seu pescoço, sentindo-me macia, quebradiça e amada. "Então isso não é mais um 'se', mas um 'quando'? Essa é uma boa notícia".
"Você é a minha companheira, Bella." Ele explica, levantando-se e me puxando com ele. "Os Volturi sabem sobre nós, e eles não vão deixar você permanecer humana. Eu só desejo que eu pudesse ter a dor por você".
"Você vale a pena." Eu digo a ele outra vez, e falo sério.
Ele beija-me novamente, docemente desta vez, e rapidamente abotoa nossas camisas.
"Feche seus olhos." Ele diz, quebrando o beijo.
Eu fecho meus olhos e sinto um dos seus braços apertar minha cintura. Sinto um leve puxão, como se eu estivesse em um elevador.
"Agora você está se mostrando." Eu sussurro em seu ouvido enquanto ele nos estabelece em um galho grosso com vista para a abertura da caverna e para as curvas da estrada ao redor da floresta em uma tira longa e tortuosa. Do alto da árvore parece uma cobra de diamante e uma de rubi deslizando preguiçosamente em direções opostas.
"Talvez." Ele diz, segurando-me firmemente em um braço enquanto a árvore balança suavemente com o vento. "Mas este é um bom lugar para manter a vigia. Durma agora, amor, se você puder".
Ele se senta de pernas cruzadas sobre o galho grosso, agarrado à árvore com um braço e eu com o outro enquanto ele me segura firmemente sob seu casaco para me proteger do ar frio. Sinto-me segura de alguma forma, e olho para cima para ver o mais glorioso cobertor de estrelas que eu já vi. Elas parecem tão perto que eu poderia tocá-las, as luzes cintilantes me lembrando de como Renée me disse uma vez que as estrelas eram realmente fogueiras das fadas. O vento nos balançando ao ritmo da minha canção de ninar enquanto Edward cantarola para mim. O sono tira a razão da minha mente e eu estendo a mão para tocar o céu. Meus dedos quentes encontram seus lábios carnudos e frios, vibrando com a nossa música, seus olhos atentos são a última coisa que eu vejo quando eu finalmente fico embalada no esquecimento doce e sem sentido.
Nota da Tradutora:
Muitos acontecimentos que provavelmente mudarão o rumo da história... Alice e Jasper sendo transformados ao mesmo tempo, os Cullens chegando, o encontro com os Volturi... o que vc's acham que acontecerá?
Como eu já disse antes, só postarei o próximo cap. depois que tiver no mínimo 10 reviews! Vamos lá, pessoal, essa fic é muito linda e vale a pena!
Bjs,
Ju
