Músicas do capítulo (retirar os espaços):

* Shivaree: Goodnight Moon: http:/ www. youtube. com/ watch?v= LRqUONe_aAI

* Chris Isaak: Baby Did A Bad, Bad Thing: ttp:/ www. youtube. com/ watch?v= EWf7cT8CTDI


Capítulo 20 – Perseguir

Tradução: Shampoo-chan

~oЖo~

"O que diabos você fez, Edward?"

Essa bonita voz feminina invade meus sonhos, ou meu sono, não tenho certeza. É difícil dizer quando você espera estar em sua cama, recebendo o velho tratamento de conchinha de vampiros, o que admitidamente não é tão aconchegante quanto sexy como o inferno. Não, em lugar do combo cama macia/forte namorado ao qual eu estava acostumada, eu sinto o chão sujo e meus membros rígidos. Consigo ainda sentir o cheiro de Edward no tecido que não me cobre o suficiente, e fecho minhas pernas apertadas enquanto fecho os meus olhos o mais forte possível.

Não funciona. Ainda estou deitada no chão sujo. O que não deveria– porque eu dormi... em uma árvore? Os acontecimentos do dia anterior flutuam na minha mente como destroços de um naufrágio, nenhum deles fazendo sentido. Relutantemente, eu abro os olhos para encontrar um vampiro realmente grande me olhando a alguns metros de distância.

Ele é enorme, como um grande jogador de futebol americano, mas seu rosto dele é meio doce e curioso, com covinhas nas bochechas, e o cabelo em suaves cachos. Ele tem aquele brilho pálido e quente de vampiro sexy, e eu reprimo a vontade de perguntar se ele é a bruxa boa, ou a bruxa má.

"Hm, Edward?" Eu chamo hesitantemente, esperando que ele esteja aqui.

Ele se move levemente ao meu lado, e eu suspiro de alívio em ver Edward, até eu ter uma boa visão da mulher que o encarava como se ele fosse um completo idiota. Alice havia descrito Rosalie como uma "linda loura". Isso é como falar que o Grand Canyon é uma "boa paisagem". Vê-la ao lado de Edward, muito embora eles parecessem irritados um com o outro, faz-me querer colocar uma sacola de papelão na minha cabeça. Sinto-me como se tivesse acabado de acordar no Monte Olimpo e estivesse cercada de belíssimas estátuas gregas que ganharam vida, absolutamente certa de que passar a noite em uma árvore depois de toda a insanidade de ontem não qualifica um sono de beleza, para não dizer o hálito matinal.

"É só Emmett e Rose, Bella." Ele diz com um sorriso de desculpas para mim. "Eles não vão machucá-la".

Eu tinha certeza absoluta que ele falou cedo demais quando a deusa se virou para me olhar, e me senti como se ela pudesse ter terminado o que quer que fosse que Jane estivesse tentando fazer comigo na noite passada. Aposto que Rose é uma dessas mulheres que provavelmente fica linda fazendo qualquer coisa: ficando com raiva, sendo feliz, chorando, aplicando rímel, qualquer coisa. Essa dama não tinha ângulos ruins.

"E não me faça começar com isso." Ela aponta para mim. "Uma humana? Sério, Edward? Você não tem nada que interferir na vida dela".

"Acontece que eu quero Edward na minha vida." Eu digo, levantando-me lentamente.

"Ótimo." Edward murmura para ela, afobado. "E acontece de eu lembrar de você levando um certo humano para casa um dia, implorando pela ajuda de Carlisle. O que eu não lembro é você sofrer demais com isso".

"Você sabe que não é a mesma coisa." Rose repreende. "Vocês não se pertencem. Ela ainda tem uma chance de ter uma vida de verdade. Você simplesmente vai tirar tudo isso dela?"

"Eu sei o que eu quero." Eu insisto, pegando a mão de Edward quando um instante de culpa atravessou seu bonito rosto. "E eu não tenho medo de você".

Na verdade eu estou morrendo de medo, mas tenho certeza que Edward vai me proteger se ela tentar alguma coisa.

"Olha só, a gatinha tem garras!" Emmett diz, rindo. "Tão fofa, mesmo enquanto enfrenta a fúria de Rose. Ela é sempre assim?"

"O tempo todo." Edward diz conspiratoriamente para Emmett, envolvendo os braços em torno de mim. "Você pode, pelo menos, ser civilizada com Bella, Rose?"

"Emmett estava morrendo." Ela dispara. "Como você, eu e Esme. Bella me parece muito saudável. O que aconteceria se os Volturi descobrissem a respeito disso? Você colocaria todos nós em risco, Edward".

"Você acha que eu cobraria cada favor que eu fiz por algo pequeno?" Edward rebate. "Metade dos Volturi está aqui, e já fomos convocados".

"Oh, é mesmo?" Ela pergunta em um tom de conversa como se uma bandeira alegre estivesse no topo de um iceberg de sarcasmo. "E suponho que você nos queira junto e que os enfrentemos ao seu lado, lutemos e morramos por você e sua espetacular chamada de julgamento? Por que toda vez que você deixa a mamãe e o papai você se envolve ou em um banho de sangue, ou transforma metade de Seattle em vampiros? Você pensaria que depois da marca de um século você seria capaz de tomar suas próprias decisões".

"Vamos, Baby." Emmett a persuade, colocando o braço ao redor dela. "Se Edward está pedindo ajuda, estamos aqui para ajudar, não importa no quê, você sabe disso".

"Na verdade, não, Rose." Edward diz calmamente, apertando o ombro de Emmett em apreciação. Estávamos todos conectados agora, embora uma notável lacuna permanecesse entre Rose e eu. "Não estou pedindo para vocês ficarem e lutarem. Preciso que vocês fiquem o mais longe possível dos Volturi, e fiquem escondidos por um tempo. Isso será complicado, haverá recém-criados envolvidos".

"É, você disse isso. Você quer dizer ela, eu suponho, e quem mais?" Ela bufa, embora o tom dela suavize com o toque de Emmett. Eu começo a relaxar um pouco. "Recém-criados dão muito trabalho, Edward".

"Na verdade, não." Ele diz, virando para o fundo da caverna. "Não é Bella. Venham comigo".

Pego a lanterna e seguimos até o fundo da caverna, tomando tempo para notar que o leão da montanha se foi. Estou meio chateada que ele tenha dito não é Bella, mas eu acho que a prioridade claramente envolve deixar Alice e Jasper longe de Aro. Eu ainda desejo que nós simplesmente fujamos. Antes que sequer cheguemos perto deles, Emmett dá um silvo baixo, e Rose ofega enquanto ele tira galhos do caminho, revelando Alice e Jasper, tremendo e parecendo estarem tendo o mesmo pesadelo. Eles estão agarrados um ao outro, seus lenços mal abafando os gritos de angústia deles.

"Maldição." Emmett diz, balançando a cabeça em admiração. "Rapaz, quando você decide fazer uma bagunça, você vai longe. Como isso aconteceu?"

"É meio complicado." Edward começa, parecendo desconfortável. "Eles são nossos amigos, e são muito talentosos, mesmo como humanos. Uma versão resumida é que um dos Volturi transformou Jasper aqui. A mulher dele escolheu ser transformada com ele, e agora eles precisam ficar escondidos de Aro".

"Espere aí, o quê? Então você a transformou?Quem o transformou? Por que Aro está interessado em Bella?" Rose pergunta em uma rápida sucessão, seu queixo caído de surpresa. "E você quer dizer que deveríamos roubar algo dos mais poderosos vampiros do planeta? Isso não é loucura?"

"Alice é uma vidente fantástica," Edward explica, "mesmo na forma humana, mas os Volturi não sabem a respeito dela. Isto vai dar certo, contanto que vocês não contem a ninguém além de Bella para onde estão indo. O que não vai dar certo é Aro controlar Jasper. Se ele o tiver, ele tem Alice, e se ele tiver Alice, ele vai conseguir tudo o que quiser, incluindo Bella e eu".

"Então ele teria uma vidente, um telepata, e o que são esses dois aí?" Ela pergunta, apontando para Jasper e depois para mim.

Objetos, aparentemente. Tento não discutir, mas a atitude da Vênus aqui não está ajudando.

"Jasper apresenta um certo tipo de habilidade para convencer pessoas a fazerem coisas por ele." Ele diz, aparentemente acostumado com a grosseria dela a ponto de ignorá-la. "E o mais estranho é, eles ficam felizes com isso. Li a mente das pessoas conversando com ele, enquanto isso acontecia e, de alguma forma, quando ele fala para eles, eles mudam de ideia. Ele tem algum tipo de influência – possivelmente até mesmo sobre mim, quando eu estava lidando com alguma decisão. E nenhum poder de qualquer um funciona em Bella, até onde eu sei, exceto os de Alice. Eu não consigo ler a mente dela, nem mesmo Aro. Demetri é o rastreador pessoal de Aro, e ele é conhecido por conseguir rastrear qualquer pessoa em meio mundo focando em algum tipo de padrão de pensamento, quase como um radar. Ele não consegue rastrear Bella, aparentemente".

"Também tem uma vampira adolescente chamada Jane." Eu adiciono. "O que quer que ela faça, não funciona em mim também, embora, sinceramente, eu ainda não tenha certeza do que ela estava tentando fazer".

Os três vampiros simplesmente olham para mim boquiabertos.

"Aro trouxe Jane?" Edward pergunta depois de um momento, mantendo sua voz em tom baixo. "Como você sabe que ela tentou o poder dela em você?"

Pela forma como ele diz, o que ela estava tentando fazer deveria ser bem ruim.

"Aro falou para ela fazer, hmm..." Eu paro, tentando pensar em um jeito de falar isso apropriadamente. "Ele disse a ela que o poder dela não funcionaria em mim, então que ela poderia tentar. Ela meio que só ficou me olhando com esse sorriso estranho no rosto, então eu sorri de volta e depois ela ficou frustrada e meio aborrecida. Suponho que vocês sabem quem ela é?"

"Sim, Bella." Edward diz contra a palma da mão. "Ela é meio famosa no nosso mundo. É um condecorado membro da guarda dos Volturi e uma total sadista".

O ferimento em forma de digitais aflorando no meu braço direito concorda com ele, mas eu desamasso minha longa e suja manga por cima para evitar ficar muito visível.

"Então, Bella, se você se transformar, você poderia ter uma séria defesa natural." Emmett murmura, olhando-me com um novo respeito. "Você poderia ser uma defesa. Vocês quatro juntos, combinados com a guarda existente? Isso seria extremo. Eles poderiam fazer o que quiserem".

"Isso foi o que Alice disse," eu confirmo, "e, sim, supostamente Aro pensa que eu posso ser um tipo de escudo. Quando eu me transformar".

Edward me puxa mais para perto com a minha insistência, e Emmett assente ligeiramente com a cabeça em entendimento.

"Ótimo, então agora temos que lidar com dois talentosos recém-criados?" Rosalie protesta, trazendo o assunto de volta para a reclamação dela. "Como vamos fazer isso sem você junto para ler a mente deles? E se eles nos derrotarem?"

"Eles não vão, e Alice vai nos ajudar assim que completar a transformação." Edward promete. "Ela nos viu juntos como uma família. Ela viu vocês duas planejando o próximo casamento. O resto de nós vai ser juntar a vocês assim que pudermos. Sinto muito, mas realmente precisamos da sua ajuda, Rose. Carlisle chegará hoje à noite. Ele vai tentar falar com Aro a nosso favor".

Rose fica parada, os braços cruzados em frente ao considerável peito, olhando Jasper e Alice. O rosto dela suaviza quando ela olha para as pequenas feições de Alice e os dedos entrelaçados dos dois. Noto que, enquanto os rostos deles ainda se contorcem de dor, eles possuem alguns traços da estranha beleza que vi em todos os vampiros. Ainda reconhecíveis, eles parecem versões de Hollywood de si mesmos, como gêmeos idênticos mais atraentes de cada um.

Não sei se é a beleza, ou o amor deles, evidenciados principalmente pelos espasmos da transformação, mas algo neles despedaça a determinação de Rose em recusar nos ajudar. Ela passa a mão pelo cabelo louro de Jasper, tão próximo ao tom de cabelo dela, e o rosto de Alice relaxa num sorriso por um brevíssimo segundo. Volto a olhar para Edward, que apenas aperta meus ombros para reassegurar.

"Não vou dizer que gosto disso." Rosalie finalmente diz. "Mas não acho que quero viver em um mundo onde os Volturi são tão poderosos. O que você quer que façamos?"

~oЖo~

Enquanto Edward e Emmett colocam Jasper e Alice dentro do jipe novamente, Rosalie me olha com precaução.

"Ele realmente não pode ler a sua mente?" Ela pergunta, um pouco menos hostil agora.

Eu suspiro, percebendo que provavelmente eu a conhecerei por uma eternidade se as coisas forem bem, então eu deveria fazer o melhor disso.

"Isso mesmo." Eu digo, tentando adquirir um tom neutro.

"Eu me pergunto se é isso é por que..." Ela não termina.

Eu não digo nada. Por que ele se apaixonou por mim em vez das outras mulheres cujas mentes ele pode ler? Por que ele se apaixonou por mim em vez de Rose, sendo ela tão linda? O que leva à idéia de que, se ele pudesse ler a minha mente, eu deixaria de ser atraente para ele?

"E Jane? Nada? Sério mesmo?" Ela pergunta, parecendo um pouco maravilhada e muito cética. "Tem certeza de que ela estava tentando?"

"Ela estava tentando fazer alguma coisa e, acredite em mim, ela ficou infeliz por falhar." Eu sorri, um pouco curiosa por mim mesma. "E o que é isso que ela é capaz de fazer, aliás?"

"Carlisle diz que ela dá a ilusão de uma dor horrível, até pior que a da transformação." Ela diz com um estremecimento. "Imobiliza completamente – vampiros ou humanos – no chão, contorcendo de dor enquanto ela sorri como uma criança no carnaval. Ela é doente".

"Ela pareceu ter um deleite quando Aro a deixou tentar agir em público." Eu franzi a testa com a lembrança. "O prazer dela… era assustador, agora eu sei por quê".

"Assustador nem é uma palavra forte o bastante. Os Volturi são um circo de horrores." Ela diz, e depois hesita, olhando para mim em aprovação. "Sinto muito eles chegarem perto o suficiente para assustar você. Eles me aterrorizam. Um humano não deveria estar sujeito a tais coisas".

"Obrigada." Eu digo, amolecendo um pouco. "Eu não tinha nem ideia de que estava assustada até Demetri aparecer. Quando eu vi quantos deles eram -"

"Quantos?" Ela pergunta curiosamente.

"Eram quarto, e depois outro estava vindo, mas eles disseram que ele era como você, então eu esperava-"

"Você esperava que Edward chegasse lá a tempo?" Ela pergunta, assentindo.

"Não! Eu esperava que eles me deixariam ir embora." Eu estremeci. "Mandei uma mensagem de texto para Edward para mantê-lo longe. Edward contra quatro vampiros? Eu já sabia que ele não confiava em Aro, e se ele reconhecesse Demetri-" Fecho minha boca e meus olhos ao mesmo tempo, horrorizada com o meu deslize.

"Você queria protegê-lo?" Ela pergunta, os olhos dela me avaliando especulativamente. "Isso foi corajoso".

"Não sei se foi corajoso." Eu admito. "Tudo aconteceu tão rápido. Eu estava apenas reagindo a cada coisa nova, apenas tentando chegar ao próximo instante".

Um silêncio preenche o ar entre nós, e pelo olhar no rosto dela, ela provavelmente estava dividida entre sua hostilidade inicial e um invejado respeito.

"Vou mandar uma mensagem de texto para você quando decidirmos um lugar para ficarmos." Ela diz, entregando-me seu celular. Adicionei-me aos contatos dela e mandei-me uma mensagem. "Não acredito que estamos fazendo isso. Você está me devendo essa, Edward".

Andamos até Edward e Emmett trocarem as chaves dos carros e abraços fraternais beirando à violência. A visão de Edward se separando da família no que poderia ser um tempo muito longo me atinge profundamente, e eu coloco a mão dentro do jipe para cobrir as mãos unidas de Jasper e Alice com a minha. Eles parecem num estado tão lamentável, como namorados se agarrando um ao outro nas lavas da erupção de Pompeia. Culpa borbulha em mim enquanto penso, se eu tivesse dito a Dr. George que eu não estava pronta para Volterra, se eu não tivesse me apaixonado por Edward, talvez então Aro não ficasse curioso ao meu respeito e eles continuariam humanos, sem se transformar. Se eu tivesse ficado de boca calada quando Demetri tentou me matar naquele beco...

"Sinto muito, Jasper, Alice." Eu sussurro de novo, esperando que eles possam me ouvir. "É tudo culpa minha. Eu sinto muitíssimo. Por favor, perdoem-me".

"Não, Bella." Edward diz, colocando a mão dele por cima da minha. "É culpa minha. Rose tem razão, eu fui egoísta, eu a coloquei em muito perigo".

"Não diga isso! Se não fosse por você, eu estaria morta agora, mas agora eles estão aqui por minha causa, então é mi-" Edward e eu falamos ao mesmo tempo, disputando quem é o dono da culpa, quando eu ouço um exasperado suspiro atrás de nós.

"Retiro o que eu disse." Rose diz secamente. "Vocês são feitos um para o outro. Vão logo, mártires. Divirtam-se com isso".

Ela entra no banco do motorista do jipe, e Emmett me surpreende ao me abraçar alegremente, como se abraçasse um monte de pintinhos numa fazenda. O sinal de jóia que ele dá a Edward por cima do meu ombro soa como um trovão, e eu agora gostaria que eles ficassem para nos ajudar a encontrar os Volturi. Intuitivamente, sinto-me incrivelmente segura com Emmett, e algo me diz que Rose é uma boa pessoa para ficar do seu lado, se você conseguir o feito. Com Demetri no nosso rastro, não podemos correr o risco.

"Até mais, Bella, foi bom conhecer você." Ele diz, "Tenho certeza que nos veremos em breve de novo".

O jipe desaparece entre as árvores, deixando-me numa bagunça de culpa, perda e alívio. Eu me volto para Edward como uma tartaruga se retraindo na casca e sinto os braços dele me prendendo exatamente da forma como eu preciso dele para me manter longe do desespero.

"Você acha que eles vão nos perdoar?" Pergunto contra a camisa dele.

"Nem vai ocorrer a eles nos culpar." Ele diz. "Embora eu não saiba por que".

"Alice?" Eu pergunto, olhando para ele, aliviada apesar de tudo.

"Alice." Ele sorri.

"Ela é realmente alguma coisa, não é?"

"Apenas espere até ela ser uma vampira." Ele diz. "Qualquer habilidade que um humano tem se multiplica pelo menos por cem quando se transforma".

"Então quando você era humano, você não lia a mente das pessoas?"

"A memória apagou muito para eu dizer exatamente, mas Carlisle diz que era impossível mentir para a minha mãe." Ele diz, e seu celular toca. "Falando no diabo, Carlisle, onde está você? Podemos pegá-lo… Assim é melhor, eu prefiro encontrá-lo longe de Seattle, talvez Bremerton?... Não, estamos em uma floresta agora, perto da caverna onde Emmett encontrou filhotes de urso... Exatamente. Não, esse lugar parece perfeito. Encontraremos você lá.".

Edward e eu mal pegamos a estrada quando eu olho no espelho do passageiro.

"Edward, eu não posso conhecer seu pai assim!" Eu grito, tentando pentear meu cabelo com os dedos. "Podemos parar num posto onde eu possa pelo menos escovar meus dentes e lavar meu rosto?"

"Claro." Ele diz, tirando uma folha do meu cabelo. "Embora eu ache que você está linda assim".

"Prefiro não encontrar meu futuro sogro pela primeira vez parecendo uma gata raivosa." Eu replico, tentando limpar com saliva a sujeira da minha bochecha.

"Fale isso de novo." Edward diz, e eu viro meu rosto para olhá-lo. Fico preocupada se ele vai perder a cabeça a qualquer minuto, mas o rosto dele estava praticamente eufórico.

"Que eu pareço uma gata raivosa?" Pergunto estupidamente.

"Não, a outra parte." Ele sussurra. "Sobre o nosso futuro".

Ah, sim. Eu disse "sogro" sem nem ao menos pensar.

"Você é o meu futuro, Edward." Eu digo, sorrindo para ele quando paramos em um desses postos-de-gasolina-e-mini-mercados.

Corro enquanto Edward enche o tanque, parando para comprar uma escova de dente, uma escova para cabelo, um kit de primeiros-socorros e uma garrafa gigante de água. O homem no caixa me olha com uma cara engraçada, definitivamente em desaprovação, o que eu totalmente entendo, dado o estado em que estou. Corro ao banheiro e faço o melhor que posso em dez minutos. Os cortes nos pés não parecem infeccionados, e faço uma nota mental de comprar mais desinfetante para os machucados o mais rápido possível.

Quando eu volto para o carro alugado, o sorriso se foi do rosto de Edward, sendo substituído por uma carranca séria. Mal tenho tempo de ajeitar o cinto antes de acelerarmos, com os pneus protestando.

"O que foi?" Pergunto preocupada. "Estamos sendo seguidos?"

"Não que eu saiba." Ele diz laconicamente.

"Então o que há de errado?" Pergunto, mas tenho uma sensação ruim. Estou perdendo alguma coisa.

"O homem do caixa." Ele diz entre os dentes. "No posto".

"O quê?" Eu pergunto, tentando me lembrar o que pode ter acontecido na nossa conversa para deixar Edward assim. "O que ele estava pensando?"

"Não é o que ele pensou." Edward diz, estendendo a mão para dar um puxão na minha manga direita, que percebo agora que está um pouco levantada. "É o que ele viu. Bella, o seu braço - está todo ferido. Eu sei que você está com medo de contar o que aconteceu, mas eu preciso saber".

Olho para ele, e ele está quase para perder o controle.

"Edward, olhe para você mesmo." Eu digo. "Por favor, tente manter-se calmo. Se você ficar com mais raiva, Demetri vai-"

"Mais raiva? Estou com muita raiva agora, e como você saberia quanta raiva eu preciso estar para ele me rastrear? Como você saberia disso a não ser que Demetri... você disse... você contou a Rose…" Edward grita ao subitamente perceber, e eu sinto a crise chegando num tsunami agora incontrolável.

Ele está praticamente vibrando, e eu dou uma espiada no rosto dele. Os olhos estreitos, ele olha a pista, como se desafiasse Demetri a aparecer de algum lugar Contra meu melhor julgamento, tentei imaginar como Edward se pareceria caçando grandes presas, ou matando as pessoas como eu sei que ele fez, mas eu nunca pude imaginar até ver esse olhar assassino no rosto dele. Agora é fácil. Quem quer que disse 'o inferno não conhece a fúria de uma mulher traída', obviamente não conheceu Edward Cullen.

Porra. Porra. Porra.

"Você o reconheceu do bar, não foi? Foi por isso que você não quis que eu aparecesse. È por isso que Aro veio para ver você. Ele viu o seu rosto na memória de Demetri, na mente de Carlisle por causa da foto que mandei, tudo adicionado à recomendação do Dr. George. Inferno maldito!" Edward grita, socando o painel do carro, que quebra como se fosse vidro em terremoto. "Aro intencionalmente a colocou num jogo de gato e rato com o vampiro que tentou matar você, não foi? Aquele DOENTE DO CARALHO!"

"Edward." Eu grito, culpa e frustração me atingindo. "Ele vai nos encontrar!"

"Ele queria isso o tempo todo." Ele ferve, descaradamente furioso agora. "Aro quis que eu descobrisse, que eu ficasse com raiva. Ele deliberadamente assustou você. Foi por isso que você estava tão assustada que correu até seus pés sangrarem. Por isso você ficou tão aterrorizada que você cheirava a adrenalina na noite passada. Ele quer nós dois, e ele quis me provocar para que aquele animal pudesse nos rastrear. Eu vou arrancar a cabeça dele".

"Ele falou para Demetri não me matar." Eu digo, embora seja tarde demais para fazer diferença agora. "Eu deveria ter contado a você antes. Sinto muito, Edward. Ele disse a ele que isso era uma ordem, ele não me machucaria".

"Você estava assustada, Bella." Ele diz em uma voz mais calma agora, acariciando meu cabelo. "Eu não culpo você. Veja o que aconteceu. Isso certamente complica as coisas".

"Talvez-" Eu digo, mas ele balança a cabeça.

Encolho-me contra o painel quebrado enquanto mudamos de pista num movimento quase horizontal.

"Não, é tarde demais. Demetri acabou de focar em mim, eu posso ouvi-lo." Ele diz, e o gelo começa a se formar nas minhas veias de novo. "Ele já estava passando por aqui, tentando nos encontrar. Ele está a apenas cinco quilômetros ao sul, vindo em nossa direção".

Ele pega seu celular e disca um número, falando rápido demais no receptor para eu ouvir. Fecho os olhos enquanto o número do velocímetro rapidamente dobra. Consigo nos sentir costurando o trânsito, o carro sacudindo decisivamente à esquerda, depois para a direta de novo enquanto ele troca de faixa. O tempo todo ele está falando ao telefone, e eu não consigo evitar imaginar Demetri chegando perto de nós.

Edward faz uma curva acentuada à esquerda, voando da estrada interestadual por cima da grama mediana e adentrando o tráfego de uma rodovia antes de derrapar suavemente atrás de um armazém, onde um elegante carro prateado nos espera, parado.

"Saia do carro e entre no de Carlisle." Edward diz. "Por favor, Bella, apenas faça o que eu digo. Não se preocupe, eu vou nos tirar dessa".

"O quê?" Eu digo, alarmada.

Ele sai e abre minha porta ao mesmo tempo em que um vampiro louro absurdamente lindo se aproxima de nós. Ele e Edward se abraçam, e ele se vira para mim com um sorriso caloroso e preocupado. Essa expressão me lembra o médico que nos contou que a Vovó Swan havia morrido.

"Por que estamos encontrando Carlisle aqui?" Pergunto confusa.

"Ele não consegue rastrear você, Bella." Ele explica. "Então estamos nos separando, só até ficar seguro".

"NÃO!" Eu protesto enquanto ele meio que me carrega até o carro de Carlisle. "Não é seguro!"

"Está tudo bem, Bella." Carlisle diz. "Prometo não machucá-la".

"Não estou preocupada com isso." Eu digo. "O que você vai fazer, Edward?"

"Carlisle vai levá-la para um lugar seguro." Edward diz, colocando o cinto de segurança em mim no banco do passageiro. "E eu me juntarei a vocês em breve. Posso cuidar de Demetri, mas não se eu estiver preocupado com você".

Ele me beija apaixonadamente — quase apaixonadamente demais— enquanto Carlisle senta no banco do motorista.

"Leve Bella para a casa do pai dela e entregue isto a ele." Ele diz, pegando uma caneta e um pedaço de papel do bolso. Ele escreve rapidamente e o entrega a Carlisle depois de dobrá-lo quase como um envelope. "Eu me juntarei a vocês dentro da hora da sua chegada. Essa carta vai explicar tudo a ele".

Antes que eu possa sequer processar o que está acontecendo, os dois carros partem em direções opostas na rodovia, Edward correndo em direção a Seattle, Carlisle e eu acelerando em direção a Forks.

Está errado, tudo errado, e eu levo um minuto para imaginar o motivo. O tom metálico da voz dele, o rosto sem emoção — o erro disso quebra em mim como uma pilha de pratos. Edward não me deixou ouvir o que quer que ele disse a Carlisle, e agora ele não quer que Carlisle leia o bilhete.

"Ele está mentindo." Eu insisto. "O que quer que tenha nessa carta não é para o meu pai, é para um de nós. Ele só não quer que você leia agora".

"O quê?" Carlisle pergunta, olhando-me nos olhos. "O que a faz dizer isso?"

"Eu sempre sei quando ele está mentindo." Eu digo. "Apenas leia, por favor".

Ele desacelera um pouco enquanto abre o papel e lê.

"Edward." Ele rosna. "Como pode meu filho ser tão brilhante e tão estúpido ao mesmo tempo?"

Carlisle gira o carro numa repentina meia-volta, e eu juro que só metade das rodas toca o asfalto. Se eu achava antes que Edward dirigia perigosamente, aquilo não era nada. Isto aqui é alguma coisa. Isto aqui é a Fórmula 1.

"Jesus!" Eu sussurro, encolhendo-me no meu lugar.

"Não use o nome do Senhor em vão." Carlisle diz, mas posso ver que ele não está irritado comigo. "A não ser que você esteja rezando agora, o que eu altamente aconselho".

Olho para o vampiro ao meu lado, e encontro esperança na expressão determinada dele, no total ar de competência. Ele deve ser, penso, para liderar personalidades tão fortes como Edward e Rose, sem mencionar o tamanho absoluto de Emmett. Encontro-me seguindo a ordem dele, apesar das minhas dúvidas, e rezo para qualquer que seja a ligação que Carlisle Cullen tem com os Volturi seja suficiente para fazer a diferença se Edward fizer alguma loucura. A voz de Rosalie ecoa na minha mente enquanto me pergunto qual é, exatamente, o plano dele.

O que diabos você está fazendo, Edward?


Nota da Ju:

Muitos acontecimentos... Rosalie e Emmett surgindo na história, assim como Carlisle, e o que será que Edward escreveu nesse bilhete? Como será o encontro deles com os Volturi?

Pessoal, mais uma vez eu vou ser chata e insistir nisso, mas essa fic está no alerta de 21 pessoas e como favorita de 33 pessoas, sendo que a maioria das pessoas que deixa reviews nem tem conta no fanfiction! Então, pra vc que só adiciona e nunca deixa nenhum comentário, está na hora de mexer os dedos! Nem que seja pra dizer que não vai ler mais, que não gosta da nossa tradução etc etc etc... Eu já disse antes, isso aqui é uma troca! Portanto, capítulos novos só vêm se vc's colaborarem tb! E a única forma é deixando reviews!

O próximo capítulo só será postado se tiver, no MÍNIMO, 10 reviews!

Bjs,

Ju