Músicas do capítulo (retirar os espaços):
* Satie, Gnossienne #4: http:/ www. youtube. com/ watch?v =N-DNzwV-M1M&feature =related
* Holst: Neptune, the Mystic (de The Planets): http:/ www. youtube. com/ watch?v =c0i7advgnUk
Capítulo 22 - O diabo está nos detalhes
Tradutora: Shampoo-chan
~oЖo~
Estou sentada ao piano de Edward, tocando o mesmo acorde várias e várias vezes.
Muito embora este exercício esteja na minha lista de coisas para praticar para a Teoria da Música ao longo da próxima semana, é meio terapêutico tocar como eu sinto. Embora eu esteja melhor – depois de um banho, roupas limpas e a ausência da morte iminente pairando sobre a minha cabeça – este tipo de medo não vai embora tão facilmente como os espinhos de pinheiro no meu cabelo, ou a sujeira das minhas roupas.
Minhas mãos parecem se mover por vontade própria, gentilmente rolando as notas da perturbadora estrutura dissonante. Enquanto minhas mãos fazem o serviço delas, tenho tempo para ver uma solitária gota d'água ficando mais grossa enquanto lentamente desliza da curva do meu cabelo molhado. Isso me hipnotiza, apenas o movimento dela como se constrói o momentum, que parece pairar no final e depois finalmente dá um salto para se chocar com uma tecla, como se quisesse adicionar um acorde. Toco essa nota também, e penso que se encaixaria bem em um filme de terror. Encaixaria bem, como a música quando a garota está sem saber na mesma casa com o monstro e ela, como uma besta, decide tomar banho. Claro, eu sabendo disso deixo o vampiro entrar no chuveiro comigo, mas quando Edward Cullen começa a desabotoar sua camisa, monstro não é a palavra que vem à mente. E quando os olhos dele brilham quando ele diz que o seu cabelo está cheio de espinhos de pinheiro e promete tirar todos, você não protesta quando ele segue em direção ao banheiro. Isso envolveria uma música muito diferente.
Mas isso foi há uma hora, e estou ansiosa de novo, então temos o acorde assustador. Na verdade, estou tocando dois, idênticos, exceto pela meia nota no meio. Meus dedos indicadores acertam a tecla preta, depois a vizinha branca, depois a preta de novo, mas todas as notas permanecem as mesmas. A diferença está no acorde que soa como um trem chegando, e a outra que soa como um tornado. Tento lembrar qual metade diminui e qual totalmente desaparece, e se um trem ou um tornado seriam as únicas coisas a sumirem. Estranho como isso soa, é exatamente o tipo de truque de memorização que Jasper usaria, e, maldito seja se isso não funciona. Quanto mais estranha a associação, melhor para a memória, na verdade.
Jasper. O nome dele é como um alarme ligado no fundo da minha mente.
Não consigo parar de pensar nele e, é claro, em Alice. Pensar nos dois como eles estavam na caverna serpenteia minha mente, invadindo meu sistema nervoso e despedaçando minha caixa torácica, a culpa se espalhando como ervas daninhas nas rachaduras. Ele e Alice estão em algum lugar, provavelmente ainda dentro daquele jipe, contorcendo-se e gemendo naquela horrível agonia através dos lençóis quentes. Quem sabe o que eles vão pensar quando acordarem? Eu sei que não serei capaz de relaxar até eu ter notícias deles mesmos, ou sobre eles. E, mesmo assim, não tenho certeza se algum dia serei capaz de relaxar completamente de novo. Talvez essa parte da minha vida tenha acabado, ou talvez agora eu tenha que me acostumar com esta aqui, meio inquieta.
Fico aguardando pelo outro evento acontecer, mas não sei nem mesmo qual evento é este.
Parte de mim espera que sete raivosos vampiros passem pela porta, ou pelas janelas, ou por qualquer canto que eles encontrarem, tendo percebido que precisam me matar de vez. É o tipo de coisa estranha que roda na minha cabeça enquanto outra parte de mim espera acordar de um longo sonho bizarro para me ver no primeiro dia de aula, e que vampiros não existem. Mas isso significaria nada de Edward, e Edward é, de longe, a coisa mais real que já me aconteceu.
A realidade me cerca, eu o sinto chegando antes de ele me tocar, a dor no meu peito sumindo quer eu mereça, ou não.
Longas mãos pálidas cobrem as minhas e param as minhas mãos de tocarem.
"Você não pode tocar outra coisa?" Edward pergunta, parecendo torturado. Um pouco torturado, não do tipo torturado por Jane." Já não tivemos coisas desagradáveis demais para um dia só, Bella?"
Bem observado.
Descanso minha cabeça contra o seu peito e viro o rosto para aspirar o cheiro dele, encontrando minhas próprias ações copiadas na inalação dele, a ponta gentil do seu nariz no meu pescoço, sentindo meu cheiro também.
"Toque você." Suspiro contra ele. "Mostre-me o que tem nessa sua linda cabeça".
"Linda." Ele ri amargamente. "Depois dos erros colossais no julgamento feitos por esta cabeça hoje, essa é a primeira palavra que vem à mente para descrevê-la?"
"Sempre. Sempre, e foi apenas um erro colossal, e estamos bem agora." Argumento, virando-me para encontrar o olhar dele. "E você tirou Alice e Jasper daqui antes de Aro descobrir tudo".
"Eu tive Alice para me guiar." Ele diz pensativo, sua mão esquerda lentamente fazendo um misterioso acorde, menor em natureza, porém mais agradável do que o meu havia sido.
Descanso levemente minhas mãos nas deles e sinto as sutis mudanças enquanto suas mãos se movem pelas teclas. É uma atraente e estranha sensação, e bastante íntima, meus dedos movendo no acorde dele. Mantenho meus braços e mãos completamente relaxados, e apenas deixo as ações dele me moverem. Sua mão direita começa a tocar uma melodia, uma ideia romântica do século 19 do Oriente Próximo, se eu estiver correta. A combinação entre harmonia e melodia se transforma em algo singularmente exótico, misterioso e pensativo.
"Satie?" Pergunto.
"De fato. Então, leia minha mente." Ele diz, o início de um sorriso brincando nos cantos visíveis da sua boca. "No que eu estou pensando?"
"Bem, eu não precisaria de música para adivinhar isso, mas provavelmente você está imaginando como vencer o jogo de Aro, qualquer que seja ele".
"Muito bem." Ele diz, pausando brevemente antes de ir para uma outra peça que já ouvi antes, mas nunca no piano. Só a ouvi com uma orquestra completa e coro. "Agora o que você acha que estou planejando?"
"É uma dica?" Pergunto, tentando contextualizar a estranha e bonita música. Ela me lembra estrelas e o espaço longínquo. "Júpiter*? Um dos planetas?"
*Júpiter, em inglês, é Holst, que, neste capítulo, também se refere a Gustav Holst, compositor inglês conhecido pela sua obra "Os Planetas" (citada no início do cap.).
"Netuno." Ele fala. "E o que a fez pensar nisso?"
"Guerra nas Estrelas?"
Ele me lança um olhar sujo, e eu rio pelo que acho que era a primeira vez desde que vi Demetri depois da ópera. Ele para de tocar e envolve os braços em mim. Percebo que ele cheira meu pescoço, e isso lembra como apenas fisicamente senti-lo me acalma quando tudo mais parece horrível.
"Então, essa coisa de 'cantora'…" Eu incito.
Ele não diz nada, mas parece que quer.
"Eu acho que essa coisa de 'cantora' deve ser como uma rua de mão dupla." Murmuro contra o pescoço dele. "O seu cheiro… é intoxicante para mim. Sempre foi".
"Deve ser uma coisa de vampiro." Ele diz, seus olhos tensos com a palavra vampiro. "Devemos ter um cheiro bom para nossas presas".
Isso é novo para nós, falar a respeito disso tão abertamente. Ele desliza a mão por baixo de mim e me puxa apenas para me pôr no seu colo. Fica um pouco desconfortável quando ele começa a tocar de novo até eu mover minhas pernas para sentar escarranchada nele, de modo que os nossos joelhos não batam no piano quando ele move para trabalhar os pedais.
Interessante.
"Eu sei o que você quer dizer, mas você está errado." Eu digo, olhando para ele e fazendo uma nota mental de tentar isso de novo depois, sob circunstâncias diferentes — tipo, com muito menos roupas. "Eu agora tenho mais proximidade com muitos vampiros, e enquanto vocês todos têm um cheiro bom e coisa do tipo, não é a mesma coisa".
"Odeio que eles tenham chegado tão perto de você." Ele diz, sua voz ameaçando como uma promessa de uma nuvem de tempestade.
"Eu sei, mas não é isso o que eu quis dizer. O seu cheiro grita para mim também. Não é só uma coisa de vampiro. É uma coisa você-e-eu".
Ele relaxa um pouco, e se vira para encarar-me, olhando-me com algo novo – maravilhado, talvez – nos olhos.
"O que foi?"
"Eu devo desculpas a você." Ele diz, inclinando sua testa na minha. "Presumi certas coisas sobre suas emoções baseado em minhas lembranças não muito brilhantes como humano e no que ouvi na mente de outros. Pensei que você possivelmente não poderia sentir o que eu sinto por você. Eu estava errado".
"O que o fez mudar de ideia?" Se isso significa nada mais de olhar para mim como se eu fosse um bebê panda, é uma boa coisa.
Ele pausa, como se estivesse escutando alguma coisa lá fora. "Bem, teremos que continuar isso depois".
Dou um pulo e fico rígida num reflexo, e ele me dá um aperto reconfortante antes de se dirigir à porta.
"É só Carlisle." Ele se desculpa. "Eu não quis deixá-la nervosa".
Carlisle aparece no vão da porta quando Edward a abre, visivelmente imperturbável por não precisar bater. Acho que ele não ficou surpreso.
"Bella." Ele diz, analisando minha aparência pós-banho com o que parecia uma cuidadosa expressão vazia. "É bom vê-la confortável".
Estou usando uma das enormes camisas de Edward e um par das suas boxer de algodão. Eu não queria nem pensar no que o meu pai diria se ele me visse assim. Pelo menos o cabelo de Edward já havia secado. Sinto meu rosto queimar e penso que ele poderia ter visto algo muito pior se tivesse aparecido uma hora antes, quando Edward e eu estávamos vigorosamente celebrando nossa existência juntos no banho.
"Olá, Carlisle." Eu digo timidamente, tentando salvar meu rosto. "Quando Esme vai chegar?"
Ainda tenho uma chance de estar completamente vestida para conhecer um dos "pais" de Edward.
"Amanhã de manhã. Não se preocupe, eu aviso a vocês." Carlisle diz, parecendo desconfortável. "Apenas não estou acostumado a dar avisos a Edward tanto quanto dou a Rose e Emmett".
"Devo a você por todas as entradas inoportunas".
O sorriso provocador de Edward não parece realmente embaraçado. Seria irritante se eu não tivesse lido a respeito da solidão com relação às paixões que li nos diários dele. Não deve ter sido fácil para o único vampiro solteiro viver com dois casais apaixonados, principalmente quando ele sabe cada pensamento deles. Edward foi a proverbial quinta roda por décadas.
"Isso você deve." Carlisle diz, a expressão suavizando. "É maravilhoso vê-lo tão calmo com uma transformação. Ainda precisamos conversar".
Edward balança a cabeça quase imperceptivelmente, e levo um instante para entender que eles estão tendo um tipo de conversa silenciosa. Vou para a cozinha preparar uma xícara de chá para mim para dar a Edward e Carlisle um pouco de privacidade. Enquanto a água esquenta, entro no closet e me troco para minhas próprias roupas. Quando saio, os dois estão sorrindo, e Edward estende os braços para mim num convite. Sento-me perto dele, não no seu colo.
"Desculpe." Ele diz, beijando minha têmpora. Não tenho certeza se ele está se desculpando pela conversa silenciosa, ou pelo pedido sem palavras por um pouco mais de demonstrações públicas de afeto do que estou confortável de exibir na frente de Carlisle, dada as circunstâncias. "Você deve ter muitas perguntas também".
"Definitivamente. Quem era Alfo? Alfonso? Alguma coisa assim?" Pergunto, pensando no cantor de opera que aborreceu Aro a ponto de o nome dele se tornar um palavrão.
"É essa a sua pergunta?" Carlisle ri. "Depois de tudo o que você viu hoje, essa é a primeira coisa que quer saber?"
"Eu não sabia que tinha que colocá-las em algum tipo de ordem." Murmuro em minha defesa. "Mas, sim, eu deveria saber o que ele fez para não seguir o exemplo dele".
Edward e Carlisle trocam por um instante um olhar atordoado, e depois claramente tentam abafar as risadas às minhas custas.
"Ei, é uma pergunta legítima!"
"Bella." Edward diz docemente, "Você não deve se preocupar em repetir o erro de Alfonso. Isso seria fisicamente impossível".
Impossível para um humano, ou impossível sem partes masculinas? Estou quase para perguntar quando Carlisle balança a cabeça e segura uma mão levantada, desencorajando quaisquer discussões mais sobre o assunto. Posso entender totalmente por que Edward pensa nele como um pai quando eles não parecem ter muitos anos de diferença fisicamente. Carlisle é lindo, mas com todo aquele jeitão sério de Ward Cleaver agora. Primeiro Atticus Finch e agora Ward Cleaver? Será que vi muito Nick at Nite com Renée quando eu estava crescendo?
"Eu tenho outras perguntas." Digo, querendo mudar o assunto na minha cabeça também. "Primeiro, com o que eu realmente concordei naquela sala?"
"Você não quis dizer sim." Edward relembra, assentindo. "Isso realmente deixou Aro surpreso. Humanos raramente hesitam antes de cair nas armadilhas dele".
"Não tenho certeza se entendi bem o que aconteceu lá." Admito. "Pareceu fácil demais. Não sei por que, mas eu não teria concordado se vocês dois não tivessem me encorajado. Pareceu quase como se estivéssemos planejando fazer isso de qualquer maneira, mas simplesmente pareceu... estranho, de alguma forma".
"Ele faz isso parecer como algo razoável para você concordar." Carlisle confirma. "Mas a sua intuição estava correta. Ele vai nos segurar até conseguir o que quer. Ele fez com que parecesse algo que vai acontecer em dois ou três anos, mas se ele realmente quiser tê-la na guarda, ele vai esperar o tempo que for para permitir a sua transformação. Ele vai esperar dez, vinte anos, talvez até mais".
"Dez anos!" Eu sabia que havia alguma coisa aí. "Por que vocês me encorajaram a dizer sim?"
"Na minha experiência com Aro, você tem pouca escolha na questão." Carlisle diz no que eu tenho certeza de que é a sua melhor voz de "você tem uma doença incurável".
"Na sua experiência? Quer dizer que ele já fez isso antes?" Eu sou uma idiota. É claro que Aro já fez uma coisa dessas antes. Fausto era provavelmente uma história real, baseada em alguma barganha dele.
"Algo muito parecido, sim." Carlisle diz, observando Edward mais de perto.
Ou talvez, pensando em algo para ele. Estou tão acostumada com Edward não sendo capaz de ler minha mente, ou esconder isso dos outros, que fica claro para mim que essa é provavelmente a maneira mais habitual de eles conversarem.
"Ele nos quer demais." Edward diz, presumo que em resposta a uma pergunta. "Ele vai querer fazer minha cabeça, tentar nos fazer juntar à guarda".
"Você não faria isso, não é?" Carlisle pergunta, alarmado. "A guarda - você não quer isso, Edward. Não consigo imaginar Bella querendo também. O estilo de vida deles-"
"Não, e não vamos precisar nos juntar." Edward diz confidencialmente. "Não vai chegar a acontecer".
"Edward, eu não sei que tipo de acordo você acha que tem com Marcus." Carlisle franze a testa. "Mas você não pode confiar nele. Ele estava mais diferente esta noite do que já o vi antes, e ele deve ter sentido falta de um certo limite esta noite que Aro quase sempre mantém por perto".
"Sim, um membro da guarda chamado Chelsea." Edward confirma. "A mente de Aro estava pouco à vontade com a ausência dela, principalmente por causa de Marcus. Estou interessado nele, mas não conto com ele para nada. Ele já nos ajudou com o voto e com o que me mostrou".
"Estou confusa." Eu admito. "O que foi que Marcus mostrou a você, e quando foi isso? Todos os Volturi têm um talento?"
"Nem todos. Marcus vê a natureza e a intensidade dos relacionamentos." Carlisle explica, educadamente passando por cima da parte do emparelhamento bom e verdadeira. "Você viu como ele os vê, Edward? Sempre fui curioso sobre as percepções dele".
"A mente de Marcus era na maior parte inquieta." Edward diz, sorrindo para mim, embora estivesse respondendo à pergunta do pai. "O talento dele é visual em natureza, como os que dizem ver a aura de alguém. Eu vi laços entre pessoas, como acordes de luz, cercados por fracas luzes brilhantes. Eu pude ver nós todos, conectados em formas que normalmente são perceptíveis intuitivamente, mas invisíveis. Foi realmente fascinante. E além do que ele viu, peguei alguns pensamentos dele também. Antes de você e Bella aparecerem, ele pensou no nome de alguém. Quem é Didyme?"
"Acho que preciso fazer uma tabela." Digo, erguendo minha mão como se fosse uma criancinha no jardim de infância. "Estou oficialmente perdida nos nomes e habilidades especiais de cada um".
"Não é uma má ideia, na verdade." Edward diz. "Temos bastante tempo antes de ir para lá. Preciso saber de tudo o que você sabe sobre os Volturi, toda a história que for possível".
"Claro que vou ajudá-los no que eu puder." Carlisle promete severamente. "Mas não acho que você vai totalmente apreciar o quanto é perigoso tentar frustrar Aro. Edward, você é brilhante e talentoso, mas ele também é, e ele tem quase três mil anos a mais que você".
Três mil anos? Jesus. Não, na verdade é mais velho que isso.
"O que é isso que você vê nele, Carlisle?" Edward pergunta curiosamente. "Os seus pensamentos sobre ele sempre foram tingidos de admiração e desconfiança, e você o chama de amigo".
"É uma boa forma de descrever meus sentimentos por ele. Eu o conheço há trezentos anos, e ele nunca para de me fascinar. Ele é brilhante e pode ser engraçado. Ele tem um gosto impecável em música".
"Isso é verdade." Eu admito, e fico surpresa em perceber que vê-lo em aulas semanais tem um atrativo artístico e intelectual para mim.
"Ele é um verdadeiro produto da antiga civilização romana, tanto formal como brutal, enigmático e claro como cristal nas mudanças. Sua mente – seu desejo, a força da sua natureza - tem uma qualidade inevitável nisso. Mas, acima de tudo, ele é imprevisível".
"Claramente." Edward diz. "Eu nunca tinha visto uma mente tão controlada. As reações imediatas dele não são tão controladas, no entanto".
De novo, Edward pausa, e olha para Carlisle em surpresa.
"Você pediu para Eleazar nos encontrar aqui?" Ele pergunta, indo até a porta.
"Claro, Edward, ele é um de nós".
O vampiro alto e negro que ficou ao nosso lado contra os Volturi aparece, e os homens se abraçam como velhos amigos.
"Eleazar, fico feliz que esteja aqui." Carlisle diz calorosamente. "Estou tentando explicar a Edward precisamente o que significa quando Aro quer alguma coisa".
"Sim, e parece agora que ele quer o seu filho e essa charmosa dama para a guarda dele. Como único membro da guarda a já ter saído e ainda permanecer existindo, posso assegurar a você que é um problema delicado, certamente".
Eleazar sorri tristemente enquanto Edward formalmente nos apresenta. Não parece realmente estranho. Pegando minha mão direita gentilmente entre as dele, Eleazar me dá um sorriso sincero.
"Arrependo-me pela forma como nos encontramos antes, Isabella." Ele fala com o mais fraco traço de um sotaque espanhol. "Espero que você acredite quando digo que minha presença com os Volturi não indica que apoio as ações deles. Quando Aro me convidou para ir a Seattle para ajudá-lo, eu não tinha ideia do que ele estava aprontando".
"Pelo contrário, sua presença foi reconfortante." Asseguro a ele. "Eu escutei Aro falando de você a Demetri e Renata depois da ópera, e eles mencionaram o seu... humanitarismo, entre outras coisas. Fiquei na verdade muito aliviada quando percebi quem você era".
"Oh, então você ouviu o que eu fiz durante a ópera." Ele diz calmamente, olhando entre Edward e eu especulativamente.
O rosto de Edward registra um momento fugaz de surpresa, depois alívio, e ele abraça Eleazar de novo com um quase inaudível "Obrigado".
Aqueço minhas mãos no copo que está diante de mim, tentando decidir como me sinto a respeito dessas meias-conversas. É tão estranho ver Edward com todas essas pessoas que sabem que ele pode ler a mente delas. É quase como se valesse a pena ser digno de ter essas conversas. Quase. Talvez se eu pudesse controlar o que ele ouve, seria mais prático.
Carlisle, sem dúvida mais acostumado com esse tipo de coisa, não percebe essa breve troca, e olha curiosamente para os dois enquanto ajusta o tabuleiro de xadrez de Edward. Exceto que ele ajusta todas as peças brancas e somente algumas pretas. Um cavalo e cinco peões. Já joguei xadrez com Billy Black o bastante para saber que isso é um inferno de imagem em se tratando de desequilíbrio de poder.
"Ninguém joga xadrez com Edward." Carlisle explica para mim. "Porque ele sempre sabe qual movimento vão fazer. A única forma de jogar com Edward é mascarando os pensamentos, ou jogar sem estratégia".
"Talvez algum dia possamos jogar, Bella." Edward sugere, sorrindo para mim enquanto dou um gole no meu chá. "Vai ser ótimo jogar com alguém cuja mente não consigo ler. Sempre me perguntei se realmente sou bom nisso. É difícil saber quando você já tem um sistema anti-trapaças".
"É esse exatamente o meu ponto, Edward." Carlisle diz. "Você nunca teve um oponente com vantagens significativas, e Aro passou três mil anos construindo e defendendo as dele. Você deveria jogar xadrez com Aro, e com frequência, antes de se arriscar demais".
Do tabuleiro armado, Carlisle move todas as peças até que as brancas ficam em posição que pareçam absolutamente inatacáveis. Ele ajusta o cavalo negro, que eu presumo ser Edward, com o talento dele, e eu no meio de tudo, sem espaço para mover. Ele então posiciona os outros quatro peões, Carlisle, Rosalie, Emmett e Esme, ao redor do cavalo e do outro peão. Eles estão em perigo imediato, e eu balanço minha cabeça.
Edward tira os quatro peões do caminho do perigo, e move dois deles para as posições iniciais, numa formação defensiva. Ele entrega os outros dois a Carlisle. Eleazar, que observava essa troca com extrema concentração, pega uma torre e entrega a Edward. Joguei xadrez o suficiente com Billy Black para saber que um jogo com um cavalo e uma torre ainda era um jogo, dado ao jogador certo.
"Ele tem tanto potencial assim?" Edward pergunta, e entendo o por que de Edward tê-lo abraçado. Eleazar deve saber algo sobre Jasper. Mas como?
"Sim, assim como ela." Ele replica, apontando para mim. "Mas vocês ainda precisam tomar cuidado. Se Aro descobrir onde você o escondeu, ele fará tudo para conseguir vocês três. Vocês seriam os mais poderosos membros da guarda".
"Foi exatamente o que Alice disse!" Eu falo, olhando para Edward.
"Muito bem." Carlisle interrompe, parecendo irritado. "Sem mais segredos. Se vocês realmente querem a minha ajuda, preciso saber o que vocês estão escondendo de mim".
"Desculpe, Carlisle." Edward diz com sinceridade. "Não podíamos arriscar que Aro descobrisse. Assim que contássemos a você, provavelmente nunca mais você poderia tocá-lo de novo".
"Ele disse que não estava preocupado com a minha palavra." Carlisle replica com um traço de amargura. "Não tenho problema algum em esconder isso dele, não depois do que ele fez".
"Renata e eu encontramos alguém na noite passada, muito talentoso mesmo em forma humana, e eu cometi o erro de contar a ela a respeito." Eleazar explica. "Ela o transformou como um presente para Aro. Fiquei tão irritado com o jeito como Edward e Bella foram tratados que fui embora sem dizer a eles onde encontrá-lo".
Mil preocupações passaram por mim como morcegos saindo de uma caverna escura, e eu me atiro nos braços dele em gratidão, imitando a reação de Edward com entusiasmo.
"Jasper, o seu amigo?" Carlisle pergunta, atordoado. Edward assente.
"E eu voltei para encontrá-lo, para ajudá-lo se ele precisasse." Eleazar conclui. "Mas quando eu cheguei lá, tudo que encontrei foram o cheiro de Edward e de duas humanas. Uma eu sei agora que era Bella. Quem é essa Alice? Ela era a outra?"
"A esposa de Jasper." Carlisle diz, a compreensão clareando em si. "Pelo que Edward me contou, é uma humana muito talentosa. Ela ainda é humana?"
Edward e eu balançamos nossas cabeças para o lado.
"Você a transformou?" Carlisle pergunta, surpreso.
"Eu precisei." Edward explica. "As visões de Alice eram muito claras sobre o que aconteceria se eu esperasse mais, Carlisle. Se Aro descobrisse, nós quatro seríamos membros da guarda sem chance absoluta de escapar".
"Onde eles estão agora?"
"Emmett e Rosalie estão com eles, muito provavelmente em algum lugar ao norte do Canadá agora. Eles vão avisar Bella onde estão quando for seguro".
Edward pega a rainha negra e a coloca no ponto mais protegido e em vantagem do tabuleiro. As sobrancelhas de Eleazar se erguem em surpresa ao ver a rainha, a peça mais poderosa do jogo, e ele estuda o tabuleiro por um instante. Ele pega o outro cavalo negro e o coloca perto dos peões que representam Emmett, Rose, Alice e Jasper. Depois posiciona mais três peões e o bispo perto da borda. Eu sei pelo que Edward me contou que a experiência de Eleazar será uma ajuda maior que o talento dele por si só, a não ser que queiramos montar algum tipo de exército de vampiros. Não consigo ver isso acontecer, mesmo sob as circunstâncias em que nos encontramos.
"Não posso falar pelo resto do clã Denali antes de explicar as coisas para eles, mas eu tenho certeza de que eles vão querer ajudar com os recém-criados." Eleazar diz com uma calma destacada.
Carlisle coloca mais dois peões em posição, um perto da borda com os outros, e outro protegendo o peão do meio que me representa. Começo a sentir uma dor no meu peito. Minha família sempre foi tão pequena e diferente que eu penso neles apenas como indivíduos. Isto é diferente— indivíduos, sim, mas a dor no meu peito agora tem uma forma. Percebo que isto é uma família de verdade, fazendo o que as famílias deveriam fazer. Carlisle parece preocupado, mas competente, e já passamos por muito juntos para proteger Edward, sinto-me protegida com a presença dele.
"Você vai precisar da minha orientação, Edward." Ele diz. "Perdoe-me por falar assim, mas para você e Bella ficarem lá fora em segurança, você vai precisar de uma cabeça mais fria do que já teve no passado".
Posso sentir Edward ficar tenso com o que quer que Carlisle estivesse pensando, e olho para ele a tempo de ver a raiva inflamar brevemente nos seus olhos. Olho para o tabuleiro, e enquanto as nossas chances parecem ter melhorado bastante, Aro ainda tem a melhor chance. E três mil anos de experiência. Carlisle e Eleazar observam Edward de perto, avaliando a reação dele à gentil provocação. Se ele tinha dificuldades para se controlar quando um homem pacífico e pensativo que quer o melhor para ele pressiona seus limites de propósito, o que vai acontecer se alguém como Aro ficar brincalhão e sádico? Só esta manhã ele foi um brinquedo nas mãos dele, furioso ao pensar que Demetri estava perto de mim. Penso na expressão divertida de Aro quando Edward ficou em minha frente para que Demetri não pudesse me ver.
"Por favor, Edward." Digo suavemente, e sua raiva derrete quando seus olhos encontram os meus. "Posso até esperar dez anos se isso significar sairmos inteiros dessa".
Ele pega a minha mão, beija-a, e olha calmamente para os dois homens mais velhos. Ambos o encaram como se o vissem pela primeira vez. O canto da boca de Eleazar se contorce enquanto ele me olha em apreciação.
"O amor de uma mulher bondosa." Ele fala com um sorriso, e depois diz alguma coisa num rápido espanhol. Carlisle ri e Edward suspira, um pouco embaraçado.
"Tudo bem, vocês têm um ponto. Vocês estão certos." Ele diz aos dois. "Não há necessidade de pressa, e vocês também estão certos sobre o meu temperamento. Fico honrado e agradecido pela orientação de vocês neste assunto. Aparentemente, eu vou precisar".
~oЖo~
"Eu ainda quero uma tabela." Eu digo, entrando debaixo das cobertas mais tarde.
"Você vai ter uma." Edward ri, beijando meu cabelo. "Isso pode esperar até amanhã?"
"Pode. Isso pode definitivamente esperar. Estou muito confortável para sonhar em deixar você sair dessa cama fodidamente maravilhosa".
"Fico feliz que você não tenha usado esse tipo de linguagem na frente de Carlisle." Ele diz, parecendo chocado.
"Isso é meio hipócrita vindo de você." Eu protesto, puxando um pouco o cabelo dele. "Hoje de manhã você estava soltando palavrões que nem um marinheiro dando à luz".
"Devo desculpas a você por isso. Eu estava com raiva." Ele admite pensativo.
"Então agora você vai entrar num programa de controle de raiva para vampiros?" pergunto, tentando não rir.
"Calada." Ele diz, balançando o punho com uma falsa raiva.
Como se ele fosse alguma vez me machucar. Beijo os nós dos seus dedos e me aninho ainda mais nos seus braços. Ele se reajusta e tira o cabelo que cai no meu rosto. Sei que ele pode me ver, mesmo na escuridão, então inclino meu rosto na direção da sua fria respiração e espero pelos lábios dele encontrarem os meus. Cansada como estou, meus sonhos sempre são melhores com um pouco de inspiração, e com tudo o que aconteceu, estou preocupada em ter pesadelos. Ele não me desaponta, e sou agraciada com um beijo de doce intensidade que beira à reverência. Logo tenho que me separar em busca de ar, e lembro uma coisa que queria perguntar a ele.
"Antes de Carlisle chegar, você estava tentando me dizer algo. Você me disse algo sobre me dever desculpas? Você quer dizer por tentar enganar Carlisle e eu com aquela carta falsa para o meu pai?" Ainda não estou feliz com isso.
"Não, e não vou pedir desculpas por isso, embora eu pudesse ter feito algo mais inteligente, com certeza. Eu faria qualquer coisa para salvar a sua vida, e agora sei que você faria o mesmo".
"Claro que faria. Você pensava o contrário?"
"Eu não sei, Bella. Eu vi, através de Marcus, o quanto você me ama. Eu sabia que você me amava, mas não sabia o que isso significava. Eu li a mente de inúmeros humanos apaixonados, e como eles se desiludiram. Eles se convenceram que nunca foram amados de verdade. Sempre pareceu um tênue abraço, mas você, você é diferente. Marcus viu isso também. O seu amor, para uma humana, mesmo que por um vampiro, é tão bonito, tão forte, Bella. Eu nunca mais vou presumir coisa alguma sobre suas emoções de novo".
"Isso significa que você nunca mais vai enlouquecer de ciúmes?" Eu pergunto, notando que as reações dele com relação a Demetri não pararam desde que ele leu a mente de Marcus. Os desígnios de Demetri por mim provavelmente envolvem mais a minha morte do que qualquer outra coisa mais... divertida. Nojento.
"Deve ajudar um pouco." Ele diz, fazendo-me rir sonolenta. "Ei, você não sabe o que é ser agredido com fantasias pornográficas das pessoas constantemente. Já é ruim lidar com alguns pensamentos de mulheres e de gays comigo no meio, mas ter que ver você na mente de outros homens-"
"Argh, chega, por favor!" Eu murmuro em uma tentativa de abafar o que ele diz. As palavras "nua", "balançando" e "flexível" conseguem passar e eu cubro a boca dele com a mão até que ele cai num ataque de risadas. "Não admira que você nunca costumava conversar com alguém".
"É, e as pessoas acham tão estranho que eu nunca tenha me interessado por ninguém antes".
"Então eu estava certa".
Leva algum tempo para ele responder que me sinto levemente despertada quando ele o faz.
"Certa?"
"A respeito de essa coisa de cantor ser uma rua de mão dupla." Eu digo através de um bocejo.
"Que forma mais estranha de pensar nisso." Ele murmura, levemente traçando linhas sem rumo na minha pele. De algum lugar nessa mistura eu o ouço sussurrar, "Eu quero conhecer a sua mãe. Antes de irmos para a Itália, ok?"
"Vocês vão se dar bem." Sussurro de volta. "Ela pragueja como um marinheiro também".
Eu o sinto sorrir contra a minha testa, mas meus sonhos me dominam. As pontas dos seus dedos deslizam pela minha pele como patins de gelo, e logo ele está cantarolando juntamente com as rotas graciosas que faz. Em seu abraço frio, o sono finalmente me cobre como um cobertor de neve, e eu afundo nos sonhos de um lindo palácio feito de gelo e chamas, vagamente lembrando um castelo medieval, onde cada um ou é frio, ou é ardente, mas ninguém parece nem notar.
Nota da Ju:
Ufa, ainda bem que esse "grupo de xadrez" do Edward já ficou maior! Agora é aprender a se controlar e novas estratégias para ser capaz de lidar com Aro...
Por favor, leiam o recado que deixei no final do meu perfil! É sobre as postagens.
Deixem reviews!
Bjs,
Ju
Ah, recebi uma review no capítulo passado que expressa exatamente o que eu sinto, então eu resolvi colocá-la aqui para aqueles que nunca comentam tomarem "vergonha na cara"! Quem deixou a review foi a Bee, aí vai o que ela disse:
GENTE VAMOS LÁ!
NÃO CUSTA NADA A GENTE COMENTAR O CAPITULO! É QUE NEM A JU DISSE:
NÃO VAI CAIR NOSSOS DEDOS!
POR FAVOR NÉ!
e outra, tipo, são só no MINIMO 10 reviews, eu acredito que a muito mais do 15 leitores,não precisa nem ser registrado,eu não sou pelo menos e consigo comentar!
A Ju M. deve ficar muito tempo traduzindo essa fic pra nós chegar aqui, ler, e não comentar! eu acho que é muita falta de consideração!
e eu acho também que é ridiculo toda vez que ela postar ela ter que ta praticamente implorando de nós 10 comentarios, isso é nossa obrigação em respeito por ela que perde o tempo dela traduzindo essa fic pra nós! :x
Detalhe: o cap. anterior recebeu 11 reviews, sendo 5 de pessoas logadas e 6 de pessoas que não tem conta no ff, então eu me pergunto, cadê as outras 31 pessoas que tem essa fic nos seus Favortitos? Ou as outras 17 que tem essa fic em Alerta?
Fica o recado pra vc's! Eu posso simplesmente deixar de traduzir e enviar os caps. por E-MAIL apenas para as pessoas que comentam! A opção é de vc's! Eu sei exatamente quem são as pessoas que tem todas as fics do meu perfil em Alerta e nos Favoritos!
