Músicas do capítulo (retirar os espaços):
* Gershwin: "I Got Rhythm", de An American in Paris: http:/ www. youtube. com/ watch?v= LvglHa_P9BA
* Barbara Bonney canta Verdi: "Sul fil d'un soffio etesio", de Falstaff:: http:/ www. youtube. com/ watch?v= Ky74TrH31_Q
* Anna Moffo canta Verdi: "Sempre Libera", de La Traviata: http:/ www. youtube. com/ watch?v= 2Xn6p5hB7fU
Capítulo 24 – Sempre Libera*
Tradutora: Shampoo-chan
*Sempre Libera: referência à peça de Verdi, que significa 'Sempre Livre'.
~oЖo~
O resto do feriado voa, graças em parte à visita dos Cullen e ao convite deles ao meu pai. Posso dizer que Charlie se sente mais confortável perto de Edward, tendo conhecido Esme e Carlisle, e eu sinto-me mais à vontade com a relativa naturalidade como eles lidam com as suas histórias disfarçadas. Acabou sendo menos embaraçoso do que eu imaginei ver os Cullen jantando e Carlisle sendo tratado por outro nome, sabendo que Billy perguntará. Eles conseguiram dar a Charlie uma impressão que certamente contará como controle de danos neste departamento. Graças aos quentes copos de café, usados em grande parte como adereços, eles conseguiram até esquentar relativamente as mãos quando o saudaram e quando se despediram dele.
No meio da viagem de volta ao apartamento de Edward, meu telefone toca no meu bolso.
"Um, Edward? Rosalie acaba de me mandar uma mensagem. Ela diz que você deveria olhar as suas também".
Ele olha o seu celular e balança a cabeça.
"O que é? Eles estão bem?"
Ele entrega o celular para mim, e eu fico pasma.
"Vindo de Rose, isso é praticamente uma declaração de amor." Ele explica. "Não acho que ela teria todo esse desembaraço se houvesse algum problema. Ela só é inconveniente e quer o pagamento dela".
"É, mas por que ela sempre chama você de panaca?" Pergunto, imaginando o que ele está escrevendo na mensagem tão depressa.
"Só quando ela está de bom humor." Ele diz, o canto da sua boca se curvando. "Ela e Emmett adoram caçar, e tenho certeza de que é isso que eles estão fazendo agora".
Pelo olhar na cara dele decido que talvez eu não queira saber. O olhar desaparece quando ele guarda o celular, e ele parece verdadeiramente feliz pela primeira vez em uma semana. Ele começa a cantarolar uma melodia alegrinha de jazz e pega a minha mão. Não consigo parar de encarar, principalmente porque eu acho que nunca o vi assim tão feliz.
"Gershwin?" Eu pergunto, tentando lembrar se era uma canção que ele escutou quando era humano. Parece ser algo dos anos 20, ou pouco depois disso.
"Menina inteligente." Ele confirma, em um ritmo perfeito enquanto estacionamos na casa dele. "Problema velho? Eu não me importo com ele – Você não vai encontrá-lo rodeando a minha porta*".
* Em inglês, a frase é: "Old man trouble? I don't mind him – You won't find him 'round my door", que é uma parte da música "Girl Crazy", do musical estrelado em 1930 por Ginger Rogers.
Lanço a ele um olhar engraçado, perguntando-me o que aconteceu ao meu temperamental namorado, mas não quero testar o quão frágil a felicidade dele pode ser, então quando ele torce as sobrancelhas para mim, ainda cantando, eu só rio e balanço minha cabeça.
"Eu só quero apreciar este tempo que temos antes de tomarmos cuidado com cada passo." Ele explica. "Não sou tão temperamental assim para não apreciar a calma antes da tempestade".
"Eu achava que você não podia ler minha mente!"
"Isso é o que todo mundo que me conhece estaria pensando." Ele admite. "Além disso, eu tenho ritmo. E você, eu tenho você." Ele adiciona com um beijo na minha mão e um olhar de soslaio tão cheio de doce desejo que quase me faz esquecer onde estamos, e só o meu cinto de segurança me impede de me atirar para cima dele.
Seu sorriso alarga e ele continua segurando minha mão, cantando para mim, para variar. Toda vez que ouço a voz dele cantando, fico encantada em como é rica em cores, como a sintonia é sempre perfeita e o quanto é ressonante. De muitas formas é melhor que a minha.
"Você sempre cantou assim? Quero dizer, eu consigo perceber que as vozes de v-vampiros." Eu digo, tropeçando na palavra antes proibida, "São diferentes, mas eu pergunto de que forma?"
"Bem, você provavelmente já notou o tipo de qualidade estridente do tom." Ele começa. "Essa é a maior diferença. Embora a diferença na audição seja bastante impressionante. Além disso, eu acho que sempre tive um bom ouvido para afinação, mas a diferença em ouvir combinada com a diferença na memória torna isso perfeito".
"Ouvi que a afinação perfeita afinação é mais uma maldição que uma benção".
"Não é tão ruim assim." Ele diz. "Embora eu afine todo piano antes de tocar. É como olhar uma pintura contra uma fotografia nítida – dá para apreciar algo aproximado quando uma tem bastante coisa da outra. Às vezes a aproximação tem uma qualidade bonita".
"Que alívio." Eu murmuro. "Quanto você acha que a minha voz vai mudar?"
"É um pouco complicado, Bella. Quando nos transformamos, em algumas formas a mudança traz uma melhoria; em outras, o que você tem de humano vai congelar e permanecer daquela maneira para sempre. Então, enquanto muitos vampiros podem cantar com um tom adorável e numa sintonia perfeita, dificilmente alguém teve o treinamento necessário quando humano para cantar uma ópera. Um vampiro que não tem vibrato* como humano nunca vai desenvolver um, por exemplo, e o arranjo de notas que podemos cantar não muda também, apenas o arranjo que podemos ouvir. Vampiros podem cantar muito depressa, mas não é a mesma coisa que um estilo muito bem desenvolvido de bel canto. Qualquer técnica que você possa aperfeiçoar antes da transformação irá com você. Depois haverá uma mudança no tom, quase como mudar de um instrumento de sopro para metal. As pessoas vão definitivamente notar, então passar um tempo fora no seu ano de recém-criada vai ajudar a esse respeito".
* Vibrato: a técnica denominada vibrato (expressão de origem italiana, literalmente traduzida como vibrado) consiste na oscilação de uma corda de um instrumento muscial, utilizando-se um dedo, produzindo assim um som diferenciado, "vibrante", como sugere o nome. Esta técnica é também utilizada com a família do violino (violino, viola, violoncelo, contrabaixo), ou seja, de uma forma geral, em outros intrumentos de cordas.
Eu meio que prefiro instrumentos de sopro, mas Louis Armstrong tem um lugar especial no meu coração também. Enquanto ele cantarola, toco com os elegantes dedos dele, maravilhada com a diferença de textura na pele. Pergunto-me o que ele sente quando me toca. Preferindo escutá-lo cantar mais do que perguntar, penso em coisas que são suaves e quentes, tentando adivinhar o que ele diria se eu perguntasse a ele. Em algum ponto eu fecho os olhos, e nem sequer percebo que adormeci até ouvi-lo desligar o carro. Na hora que solto o meu cinto, ele abre a minha porta e me puxa nos braços, carregando-me.
"Eu não sou um bebê." Murmuro em um protesto. Pareço como uma criancinha sonolenta. "Eu posso andar, você sabe disso".
"Você é o meu bebê." Ele sussurra, e eu encosto minha cabeça contra o seu ombro, ridiculamente gostando do elogio. "Agora durma".
Eu não discuto mais.
~oЖo~
Então, somos patinadores de gelo agora, e todo mundo está nos observando. Milhares de flashes surgem de uma vez, e no meio da pista há argolas multicoloridas e interligadas.
"As Olimpíadas?" Pergunto, confusa. "Nós somos músicos, Edward. O que diabos estamos fazendo aqui?"
"Não se preocupe." Ele diz, sorrindo quando as notas iniciais de "Um Americano em Paris", de Gershwin, ecoam pela enorme pista coberta. "Vamos descobrir".
De alguma forma estamos patinando, fazendo "oitos", e Edward está me girando. Eu fico apavorada em cair, mas ele nunca me solta, então eu não caio. E é estranho porque estou patinando, mas eu sou a pista também – não, agora é o lago, e a cúpula virou um profundo céu, os flashes das câmeras agora são brilhantes estrelas.
Eu sou uma patinadora e o lago, sentindo as lâminas frias dos patins fazerem cócegas na minha superfície estranhamente quente—
"Edward?" Murmuro sonolenta, reconhecendo a trilha gelada da ponta dos dedos dele quando acordo, virando-me para ele.
"Desculpe." Ele sussurra, embora seus dedos continuem se movendo levemente pela minha pele – agora pela minha barriga e exatamente pela curva dos meus quadris e costas. "Eu deveria ter deixado você dormir mais, mas parece que não consigo parar de tocar você".
"Você não tem que parar. Nunca".
Ele continua a cantarolar e eu inclino meu rosto em direção ao som, instantaneamente recebendo seus lábios e língua, suas mãos deslizando por mim em círculos até que eu estou enrolada nele e nos viramos, os lençóis de algodão deslizando pela minha pele nua onde a pele dele não me cobre. Tudo que sempre vou querer está nesse beijo, penso enquanto a boca dele e a minha formam um glorioso lugar secreto que só nós sabemos a respeito. Eu queria que fôssemos pequenos o bastante para viver dentro dele para sempre e continuar apenas nos beijando.
Parte da minha mente simplesmente deriva, tendo esses estranhos pensamentos a respeito da incrível sensação de flutuar, afundando na sua boca e corpo, o meu próprio corpo parecendo como se estivéssemos em algum glorioso oceano. É isso que aquela música significa, afogando num mar de amor? Quebro o contato quando a minha língua adormece e percebo que não consigo respirar.
"Desculpe." Ele sussurra enquanto eu respiro fundo sobre o seu ombro.
"Por um beijo assim?" Sussurro calorosamente na sua orelha, ganhando um raro tremor dele, e um glorioso rosnado familiar. "Nunca, nunca peça desculpas pelo que a sua boca faz comigo".
Para ilustrar e mudar as coisas, guio a mão dele mais para baixo. Ele não precisa ser guiado, é claro, e eu arqueio contra ele quando ele começa a me acariciar.
Eu não estou parada.
"Bella, se você quiser voltar a dormir nós temos que parar-" Acabo com a sua idiotice colocando minha boca na dele e movendo meus joelhos para dar a ele melhor acesso.
Ele se move rápido, enterrando-se em mim com uma intensidade e um gemido que mandam tremores duelando da minha orelha direto para onde ele já está penetrando. Ele não está tão cuidadoso como de costume, e eu não consigo chegar perto o bastante. As mãos dele viajam dos meus quadris para os joelhos enquanto ele reposiciona minhas pernas para aprofundar, então eu sei que ele sente isso também. É como se cada centímetro da minha pele quisesse contato com a dele, e giramos até estarmos mais entrelaçados que fios de corda, braços e pernas nos enrolando cada vez mais.
Mordo a orelha dele, desejando por um momento fazer uma marca mais forte na sua pele. Isso provoca alguma coisa porque ele grita e nos segura parados.
"Não se mexa." Ele avisa, seu hálito frio na minha orelha enviando tremores pelo meu pescoço. "Eu não quero gozar ainda".
Fico com esse desejo perverso de empurrá-lo ao limite, de ver o rosto dele ficar com aquele olhar, como se o prazer tivesse se tornado completamente indistinguível da dor. É uma casa de espelhos naquele momento para mim porque ele é tão bonito que quase machuca olhá-lo, e é como se eu estivesse assistindo ao que eu estou sentindo, e isso sempre me deixa no limite também. Por um instante em suspenso eu o deixo segurar, mas suas sobrancelhas exuberantes se unem em quase agonia e eu me sinto pulsando ao redor dele, segurando-o mais apertado de todas as maneiras possíveis.
"Eu não vou a lugar algum." Sussurro calorosamente na orelha dele, e movo meus quadris encorajadoramente. "Não pare".
Com um delicioso gemido de angústia ele se liberta, e tenho certeza de que terei que esconder alguns hematomas pela forma como ele segura meus quadris enquanto grita o meu nome.
"Eu amo você." Sussurramos juntos, nossas vozes já tomando uma qualidade fantasmagórica de uma lembrança favorita.
Não sou forte o bastante para conter tanta beleza, mas senti-lo e a promessa de mais momentos como esse nos mantêm juntos agora, embora precariamente. Eu sei, com uma forte apunhalada de incerteza, que se algo algum dia acontecer para nos separar, a lembrança deste momento vai tornar o resto da nossa vida realmente insuportável.
Às vezes a dor da nostalgia aparece imediatamente.
~oЖo~
Na segunda-feira as aulas começam novamente, e um pequeno pedaço de papel grudado perto das portas das salas do Laboratório de Ópera informa que eu só tenho uma pequena participação nas cenas da próxima ópera: serei a Irmã Constance numa cena de Diálogos das Carmelitas, de Poulenc, da qual eu nunca ouvi falar. Se isso significa menos drama social e mais tempo para estudar italiano, estou de acordo. Mesmo que signifique ser a pior das garotas humanas que já conheci em alguns bons momentos, como o Dueto de Flores, de Lakme. Essa ainda é uma das coisas mais deslumbrantes que já ouvi, mesmo quando me faz pensar no comercial da British Airways. Tenho um pouco de inveja disso. E Christine vai interpretar Violetta no primeiro ato inteiro de La Traviata. Eu posso na verdade imaginá-la trabalhando muito bem com isso também. Só porque ela é uma vadia hedionda não quer dizer que ela não cante bem. Além disso, isso significa que ela vai ter menos tempo para o website.
Eu espero.
Quando chego para a minha aula de voz com o Dr. George, ele me surpreende com uma desculpa.
"Sinto muito por não poder estar lá na sua apresentação." Ele diz, entregando-me um cartão levemente granuloso. Eu nem havia percebido a ausência dele por causa dos vampiros. "Vá em frente, abra. Eu teria estado lá, mas meus patronos na Itália me ligaram pedindo um favor e eu tive que viajar para Boston no último minuto para cantar em um concerto beneficente. Você vai descobrir que essas coisas não podem ser evitadas, e se você for boa, vai ter que se acostumar a uma programação caótica. É um bom problema de se ter, ser procurado".
Acho estranho que eles o queiram longe, mas eu imagino que, ao longo dos anos, Dr. George deve ter visto Aro o bastante para notar a decidida falta de envelhecimento dele se o visse de novo.
"É a bagagem que vem." Eu digo, abrindo o cartão. É muito bonito, e há um fino metrônomo eletrônico dentro, com meu nome gravado. "Muito obrigada".
"Agradeça por usá-lo." Ele aconselha, folheando o fichário de aula. "Vamos começar? Nossa próxima aventura?"
"Professor, podemos conversar sobre uma coisa?" Pergunto, sentindo-me um pouco nervosa. Não tenho ideia de como ele vai responder a isso, mas é o que eu preciso saber. "Quero falar a sobre estratégia".
Ele para de folhear o fichário e me olha por cima do aro dos óculos.
"Estratégia-" Ele diz nesse tom meio assustado, meio questionador. "O que você quer dizer, criança?"
"Quero dizer, quando eu for para Volterra, eles vão esperar que eu seja boa. Tipo, realmente boa. E estar na ópera serviu para abrir meus olhos, de muitas maneiras. Eu apenas sinto como se precisasse estar focada em me tornar, eu não sei, comercialmente viável, talvez – o mais rápido possível. O que quero dizer é que eu não quero perder mais tempo".
Enquanto estou tagarelando, mal sendo coerente, ele começa a sorrir para mim timidamente, como se fosse pego roubando a jarra de biscoitos e quisesse metade do meu espólio.
"Bem, bem." Ele diz, tirando os óculos. "Você gostou do palco, não foi? É bom estar sob os holofotes, não é?"
"Digamos que estou me sentindo motivada a melhorar depressa." Eu admito, e ele balança a cabeça em concordância. "No que eu devo focar?"
"Bem, você é jovem, mas não é como se não tivesse existido jovens cantoras começando a trabalhar." Ele reflete, pensativo. "E se você jogar as cartas corretamente, sua aparência e juventude vão trabalhar a seu favor, principalmente para coisas como Romeu e Julieta, ou Manon*, onde as histórias precisam de uma garota adolescente. Estou pensando nesses papéis de soubrette** de Puccini que servem tanto para uma coloratura*** como para uma jovem soprano lírica como você".
*Manon: óperaem cinco atos deJules Massenet, comlibretode Henri Meilhac e Philippe Gille, baseado em 'L'histoire du Chevalier des Grieux et de Manon Lescaut'porAbbé Prévost.
**Soubrette: tipo de cantora lírica mais jovem.
***Coloratura: para os cantores líricos, a palavra 'coloratura' em português tem uma conotação diferente do que tem em outras línguas. Em português, significa a execução de diversas notas em uma única sílaba, geralmente rapidamente e com grande agilidade, podendo ser legato ou staccato. Em inglês faz-se diferença entre coloratura e melisma, usando aquele como sinônimo de cadência melódica, e este para coloratura.
"Okay, e eu quero um C mais forte melhor." Eu adiciono, lembrando da conversa com Aro. "Quanto tempo vai levar para chegar lá?"
"Bem, isso é algo com o qual não se pode realmente correr." Ele diz. "Vai acontecer quando tiver que acontecer. Mas você tem bons costumes. Mantenha-os, e isso vai aparecer mais cedo ou mais tarde. Eu posso dar a você um repertório mais desafiador pelo resto do semestre, no entanto. Primeiro, vamos aquecer".
Ele vai ao piano e toca uma escala e meia, mais rápido do que eu jamais cantei antes. Luto para acompanhar no início, mas depois começo a pegar o jeito.
"Isso foi bom." Ele encoraja. "Você tem que sair da sua zona de conforto se quiser melhorar. De novo".
Tento novamente, tentando fazer exatamente o que fiz antes, mas Dr. George me para imediatamente.
"Nunca imite ninguém, nem você mesma. Você é a arte, e você é a artista. Existe a técnica, sim, mas é uma ferramenta, não o trabalho em si. Eu não me importo em quantas vezes você tenha cantado um verso antes, quantas vezes alguém já tenha cantado, ou quando foi escrito. A chave para tornar isso interessante é fazer uma nova, o tempo todo. O que é melhor, uma original ou uma cópia?"
"Original." Eu digo automaticamente, sabendo que é o que ele quer ouvir.
"Por quê?" Ele pergunta.
Isto é mais difícil.
"Eu não tenho certeza do por que, mas é a verdadeira." Eu digo, pensando em todas as apresentações convincentes que eu já vi, e algumas que não foram por motivos que não consigo entender. Isto me faz pensar no velho com o violino, e no porquê de eu querer ouvi-lo. "É por isso que algumas apresentações são tecnicamente perfeitas e ainda assim enfadonhas? E outras são falhas, mas realmente interessantes?"
"Bingo. Sempre crie,Isabella, sempre." Ele diz, e por um momento ardente ele parece tão divino quanto um vampiro, embora eu saiba que ele é tão humano quanto eu. "Nesta área, você é a artista e você é a arte. Quando o patrono telefonar você lida com as obrigações, sim? Respeite quem respeita o que faz a ponto de financiar. Mas a primeira tarefa é sempre esta. A vida é curta, a Arte é longa".
Quando Edward entra na sala, Dr. George folheia entre os arquivos, murmurando algo sobre os italianos nunca quererem ouvir outra ópera senão a deles mesmos. Nós mal temos tempo de trocar um rápido sorriso antes de o professor estatelar alguma música sobre o piano e indicar para eu me aproximar e escutar quando Edward começa a tocar.
"Veja, aí está, algum Verdi iniciante para você. Esta é uma ária de Falstaff, e é perfeita para a sua voz agora; você não pode moldá-la, mas pode usar a sutileza e deixá-la fluir. Esta personagem é Nanette, e ela usa um disfarce, não a força bruta, para conseguir o que quer. Ela quer ver fadas dançarem, então ela finge ser a rainha delas. Algumas vezes um pouco de trapaça pode levar a um longo caminho, como você vê".
Ele parece todo animado enquanto faz uma rápida demonstração de um dos versos mais altos. Ele faz uma incrível imitação de uma tímida garota que imediatamente me faz pensar em Pernalonga cantando parte da Brunnhilde* em tranças louras e sutiã de metal. A canção é realmente maravilhosa.
* Brunnhilde: personagem de 'O Anel dos Nibelungos'.
"Escute essas palavras, Isabella, tão delicadas – isso ajudará você a continuar este verso fluído se pensar neles — Sul fil d'un soffio etesio scorrete, agili larve; 'No sopro de uma brisa etésia debandam apressadas sombras ágeis'. Você consegue imaginar isso, ter criaturas mitológicas ao seu comando?"
"Só um pouco." Eu digo, sorrindo para Edward.
~oЖo~
No final da semana, ouço uma mensagem de voz de um consultório de obstetrícia/ginecologia, lembrando-me de uma consulta próxima que Alice marcou para mim, o que parece ter sido há uma vida. Estou quase para ligar para eles quando o telefone toca em minhas mãos, assustando-me tanto que eu pulo. O nome na tela quase me faz largar o celular.
"Não ouse desmarcar essa consulta, Isabella Swan." A voz dela soa realmente diferente agora, como se tivesse passado por um intensificador. Mas é inconfundivelmente a dela.
"Alice!" Eu grito, lágrimas brotando nos meus olhos. "Você está bem! Oh, graças a Deus, eu fiquei tão preocupada. Jasper está bem também? Espere, vocês estão bem?"
"Calma, eu estou bem." Ela diz, rindo. "Estamos bem agora, na maior parte. Eu não quero que você cancele essa consulta só porque Edward é um vampiro. Há muitas coisas boas que virão com essa consulta, e eu não quero que você estrague tudo".
"O que você quer dizer com 'na maior parte'?" Eu pergunto, realmente não querendo pensar em ir a uma dessas consultas.
"Jasper está tendo alguns momentos de Hulk esmaga! desde que finalmente se recuperou, mas tudo considerado como indo bem." Ela diz, e pausa. "Ei, por que eu ainda não vejo você indo? Bella!"
"Que diferença isso faz? Edward é um vampiro, pelo amor de Deus. Não é como se ele fosse me deixar grávida. E ele ainda usa proteção, de qualquer maneira, porque ele se preocupa com o veneno".
"Bem, tudo bem, mas você sabe como os seus hormônios e ciclos podem fazer sua voz mudar durante o mês?"
"Como você sabe disso?" Eu estremeço. Não é a primeira vez que ouço isso, mas isso faz com que eu sinta nojo só de pensar. Renée fala sobre esse tipo de coisa o tempo todo, mas isso nunca deixa de me deixar embaraçada.
"Eu ouvi cantores falando sobre isso. De qualquer forma, o ponto é que eu vi que está levando menos tempo para convencer Aro de que você está preparada para ser transformada se você for nessa coisa de quatro-períodos-por-ano. Parte disso é uma leve mudança na sua voz, mas grande parte é ter menos dias de "folga" devido ao seu ciclo".
"Espere um pouco, você pode ver isso?" Eu pergunto, endireitando a minha coluna. "O que mais você pode ver? Quanto tempo posso ter para fazer Aro concordar com a minha transformação?"
"Bem, se eu não estou enganada, seguindo o conselho do Dr. George, pode levar três anos." Ela diz pensativamente. "E os hormônios outros dois. Há outros fatores, é claro. Vocês precisam tanto de mim para mantê-los nos trilhos. Um minuto é dez anos, o próximo é quatro, a manhã seguinte é vinte anos. Edward continua mudando de ideia e ficando mais possessivo e estragando tudo. Olha só, falando no diabo".
Falando no diabo, Edward bate na porta da minha sala de prática, mal esperando para eu destrancá-la. Eu clico no viva voz e a gargalhada alterada dela preenche a sala o melhor que o aparelho permite.
"Oi, Edward, seu perseguidor. E pare de se preocupar; eu não estou brava com você. Jasper ficou no início quando soube. Levou um tempo para eu convencê-lo de que não sofri tanto quanto ele".
"Por que não tivemos mais notícias de Emmett e Rose?" Ele pergunta, parecendo mais preocupado do que deixa transparecer. "Está tudo bem?"
Percebo algo diferente na expressão dele enquanto ele a ouve. Não é uma qualidade inteiramente desconhecida, mas é difícil de definir.
"Está tudo bem, Edward." Alice diz docemente. Ela parece como o normal dela, exceto por algo mais. "Bem, ficará melhor assim que os outros chegarem. Rose e Emmett são realmente bons caçadores, e isso ajudou. Jasper perdeu muito sangue antes da transformação, eu acho que isso faz com que ele sinta mais sede. E ainda tem o dom dele".
"O que você quer dizer?" Ele pergunta, impaciente e um pouco irritado.
Então ele não consegue ler a mente dos outros pelo telefone, pelo menos não desta distância. Bom saber. Ele parece não gostar disso, no entanto, e isso me faz perceber que ele é usualmente muito à vontade com Alice, mas talvez porque ele estivesse o tempo todo lendo a mente dela.
"É com relação às emoções. Dá tanto trabalho manter Jasper calmo, principalmente quando nós todos sentimos o que ele sente." Ela explica. "Mas este estágio não vai levar muito tempo. Acho que em poucos meses ele será capaz de controlar as mudanças de humor, e Rose poderá ser capaz de ter um tempo sozinha".
"Será um inferno pagar quando eu vê-la da próxima vez, não é?" Edward pergunta, fazendo uma careta. "Ótimo. Eu devo a Rose".
"Oh, ela tem realmente uma queixa contra você." Ela diz, rindo. "Mas ela vai se acalmar até lá. Você vai comprar o carro que ela sempre quis".
"Um Bugatti? Alice, nós vivemos no conforto, mas não temos tanto dinheiro assim para gastar por aí. O carro que ela quer custa mais de um milhão de dólares".
"Eu sei, mas não se preocupe com isso. Estou me divertindo testando meu talento em ações da bolsa, e abri um fundo especificamente para o meu papai vampiro fazer minha titia vampira mais feliz tendo que lidar com as pequenas birras temperamentais de Jasper".
"Papai vampiro, é?" Ele reclama, fazendo uma careta. Se olhar matasse celulares, o meu estaria em milhões de pedacinhos no momento que ela ri dele. "Tudo bem. Divirta-se comigo. Enfim, eu acredito que ter ações da bolsa seja um meio muito útil de praticar".
"Eu arruinei a guitarra de Rose tentando tocar, então eu tive que arrumar um pouco de dinheiro para pagar. É meio que um hobby agora, fazer dinheiro. Considere isso a minha forma de agradecer você por me ajudar a ficar com Jasper e quão maravilhosamente brilhante meu cabelo está agora. Meu Deus, eu estou muito linda. Isso é tão legal, Bella, você vai amar. Bem, um dia, quem sabe. Muito em breve se vocês fizerem o que eu digo para fazerem".
Edward e eu trocamos um olhar. A Alice humana era impressionante e meio mandona. A Alice vampira é assustadora.
"Alice?" Eu digo, mas ela me corta impacientemente. Ela tira as palavras diretamente da minha boca.
"Eu estou feliz em ouvir suas vocês também, pessoal. Edward, eu ligo depois para você para uma reunião. Meio chato que você não possa ler minha mente daqui, mas nós podemos falar mais rápido depois que Bella dormir".
"Alice, nós temos problemas maiores que o temperamento de Rose, tão aterrorizante quanto seja pensar nisso".
"Eu já sei, Edward, e sei o que você decidiu dizer. A ligação é para você, não para mim. Bem, eu preciso fazer um ajuste nos nossos documentos acadêmicos de ausência, então isso é por mim, mas é principalmente por você".
"Alice, será que eu preciso lembrar você que eu sou mais velho aqui e tenho mais experiência nesses assuntos?"
"Oh, supere isso. Eu posso ver a porra do futuro, e eu estou muito irritada por causa da sede de sangue. Apenas faça o que eu digo e ninguém vai se machucar".
Mordo minhas bochechas para me impedir de rir quando Edward faz uma carranca para o telefone. Ele realmente parece que quer machucá-lo.
"Eu não posso acreditar que ela desligou na minha cara!" Ele reclama, parecendo seriamente fora de si. "Não acredito que ela vai me fazer comprar um carro de um milhão de dólares para Rose".
"Não machuque meu celular." Eu digo, arrebatando-o do olhar incandescente dele.
Ele vibra na minha mão, e eu vejo uma nova mensagem.
Se cancelar essa consulta, eu vou sugar seu sangue todinho. Beijinhos, -A.
~oЖo~
"Você é chato para ensinar, Edward." Jogo minha caneta no chão, seriamente frustrada. "Eu queria que Jasper estivesse aqui".
Já se passaram algumas semanas desde que Alice ligou pela primeira vez, mas eu sinto falta de Jasper mais ainda, já que as minhas notas de teoria começaram a cair um pouco. Não é tão ruim como no começo do ano, mas sem o toque mágico de Jasper, algumas das minhas matérias parecem quase impossíveis. É claro, nada comparado às lutas que Jasper está enfrentando, graças a mim e aos ímãs atraindo vampiros que estão no meu sangue.
"Isso é ridículo." Ele diz, parecendo totalmente surpreso com a minha explosão. "Eu sou um vampiro, o que significa, por definição, que eu sou bom em tudo, Bella. Enfim, isso aqui nem é difícil! Você simplesmente não está tentando".
"Isso é exatamente o que eu estou dizendo! Você parece como o Dr. Coppa quando eu perguntei a ele sobre a unidade da Teoria-"
"O Dr. Coppa é um humano brilhante, e talvez você devesse prestar mais atenção nas aulas dele".
"E talvez você e o Dr. Coppa nunca tiveram que lidar com isso porque é tão fácil para vocês que ficam sem compaixão dos meros mortais que são um pouco mais lentos para entender isso! Jasper nunca fez eu me sentir estúpida por não entender na hora; ele sempre soube como me ajudar".
"Bem, uma pena para você que Jasper prefere matar você agora a dar uma aula de reforço, e você está presa aqui comigo, o chato Edward!"
"Pare de me olhar assim! Deus, você está seriamente me enlouquecendo!" Ele realmente está. É meio assustador, mas estranhamente quente ao mesmo tempo. "Eu nem sei dizer se você quer me matar ou me foder neste momento".
A face dele muda abruptamente com isso, e seus olhos estreitam. Artimanhas de vampiros, na íntegra, em efeito bad-boy. Eu sei que soa estranho, mas não consigo evitar.
"O que você disse?" Ele pergunta numa voz cautelosa, e eu acho que o equilíbrio acaba de ser derrubado.
Eu umedeço meus lábios sem pensar sobre isso, apenas percebendo porque ele está observando a minha boca. O olhar dele faz o meu já elevado batimento aumentar, e eu sei que ele pode ouvi-lo. Eu não sei o que isso significa para o futuro do nosso relacionamento, mas um Edward com raiva é um Edward ridiculamente fodível. Talvez eu devesse confrontá-lo mais vezes.
"Eu disse," estou respirando mais rápido agora. "Fôda-me, agora".
Bem, isso é tecnicamente preciso, se ligeiramente editado.
"Eu não acho que isso é uma boa idéia neste momento." Ele diz perigosamente calmo. Ele está olhando o meu peito. Eu estou respirando com dificuldade.
"Por que não?" Eu pergunto, avançando até ele. "É claro que precisamos aliviar certa tensão, e eu ouvi por aí que sexo furioso pode ser muito divertido".
"Não se um vampiro estiver furioso com um humano, Bella." Ele diz, mas ele não está se afastando de mim. Agora ele está olhando abaixo da minha camiseta. "Não se o humano não quiser se machucar".
"Então, relaxe." Eu sugeri prestativamente, deslizando minhas mãos por dentro da camisa dele. "E aproveite a minha ira. É tudo culpa sua, você sabe, Senhor Perfeição. Se você não fosse tão malditamente bonito e bom em tudo e tão fodidamente sexy, eu não ficaria com raiva de perder meu precioso tempo fazendo meu dever de casa em vez de ter você".
"Bella, isso não é inteligente." Ele diz enquanto eu desabotôo o seu jeans. Ele se cala quando eu o beijo forte.
"Ow." Eu digo, afastando-me com um pequeno sorriso. "Okay, eu entendo o que você quer dizer. Mas nós dois ainda precisamos de certo alívio, então eu me acalmarei também".
Eu o beijo de novo, e liberto o seu membro, que meio que acena alegremente para mim.
"Oi, amiguinho. Eu não estou nem um pouco brava com você".
Edward ri de mim, e eu começo a rir também, mas eu o acaricio ao mesmo tempo. Seus olhos reviram e ele começa a deslizar a mão pelo meu cabelo.
"Bella, você está dizendo que está em melhores condições para falar com o meu pênis do que comigo?"
Eu apenas murmuro algo em resposta porque não é educado falar com a boca cheia.
~oЖo~
As demais semanas do semestre passam depressa demais, principalmente com as visitas a Forks todo final de semana. É fácil demais ficar enrolada com Edward, literal e figurativamente. Sem grandes surpresas, sem a ajuda de Jasper algumas notas minhas começaram a cair, mas fiquei focada demais em praticar a voz e treinar italiano o mais rápido possível para dar mais atenção às outras matérias necessárias. Eu me surpreendo indo bem em piano, mesmo com a minha técnica atraindo muitas críticas por parte de Edward. Eu simplesmente paro de tocar com ele, optando por estudar com Ângela quando ela tem tempo. É um caso claro de um cego guiando o outro, mas é um pouco melhor do que estudar nada.
A previsão de Alice sobre os efeitos do anticoncepcional na minha voz torna-se totalmente precisa. Eu mal noto a ligeira mudança na voz, mas Edward e Dr. George sim. Nas gravações eu posso notar que as minhas notas altas estão mais cheias, soam mais adultas, e isso é definitivamente encorajador.
As últimas duas semanas do semestre envolvem todos os tipos de provas, dos tipos que eu tinha sempre esperado, dos tipos sentada, nas provas finais de papel e caneta em Teoria da Música e História, até minhas provas de voz e de piano, apropriada e terrivelmente chamada de Júris. Cada intérprete tem que se apresentar em frente a uma faculdade inteira do departamento, e todos os professores de voz são notáveis por usar júris para indiretamente criticar as técnicas de ensino dos rivais. No caso do Dr. George, isso inclui quase todos os outros professores da equipe. Meu Júri de piano foi muito mais calmo do que eu me lembro do final do semestre de outono, mas por alguma razão o Júri para voz leva muito mais que o esperado. Enquanto eles falam que tem diversas seleções preparadas, é bastante normal para os alunos cantarem apenas uma ou duas seleções. Eu acabei cantando todas as seleções do meu repertório, e os outros professores pareciam muito impassíveis durante minha apresentação, o que fez eu me sentir reservada na hora de entrar na coluna. Um dos outros professores, uma educada senhora chamada Suzanne, é amiga do Dr. George e eles sentam juntos, sorrindo para mim enquanto eu canto. Eu tento me focar nos rostos deles para impedir que meus nervos se destruam, pelo menos até eu chegar a Verdi.
É a terceira das oito canções que termino cantando para a prova, e até este momento eu mantenho um ritmo aprimorado, passando pelas duas primeiras canções puramente na técnica decente, cantando as notas e as palavras corretas, mas não realmente conectando a música. Algo sobre Verdi me faz passar direto, no entanto, e em vez de tentar defender contra os rostos inabaláveis e sem resposta dos outros professores, começo a sentir aquela familiar atração de Edward ao piano, e permito que a música assuma. Eu cometo um pequeno erro na primeira estrofe, mas a coluna assume completamente e nada mais importa.
Vagamente fico ciente do sorriso do Dr. George se transformando de superficial a verdadeiro, mas é apenas um bom toque se comparado com a beleza e a graça que vêm com esse sentimento. O tempo passa num trecho lânguido e fervoroso, e eu fico corada de constrangimento ao descobrir isso, no final da última canção, os rostos impassíveis do júri assumindo várias formas de paixão: animação, desejo, inveja, ódio. Fico um pouco pasma com a mudança e sinto-me defensiva de novo quando saímos do palco, mentalmente fechando tudo, exceto Edward. Eu pergunto a ele sobre isso assim que saímos do palco.
"O que eles estavam pensando? Eu devo querer saber?"
"Não se preocupe, você vai tirar um A. Eles sempre lançam a nota mais alta e a mais baixa por um motivo, Bella".
"É, mais ainda assim é um pouco opressor." Eu digo, perplexa. "Quatro deles pareciam totalmente – eu não sei - impassíveis, no início? Depois eles ficaram estranhos depois, e eu não sei por que".
"Pense nisso." Ele pede, mas os dois amigos do júri caminham até nós antes de eu poder formular uma resposta.
"Ao todo muito bem feito, Isabella." Dr. George diz, apertando os meus ombros. "Você me preocupou no começo, mas então foi muito bem com Verdi. Você precisa controlar sua presença no palco, no entanto. Ligue isso antes de pisar no palco e o mantenha assim até você ter o sinal para sair. Eu não acredito que você deixou algo como isso de lado".
"Presença de palco?" Pergunto um pouco ofendida com a sugestão que algo tão sagrado quanto a coluna possa ser ligado e desligado como um interruptor. "Isso não é algo que tenho controle total, Dr. George".
"Há muitas formas, criança. Não fique presunçosa - você quer saber como ficar comercialmente viável, não é? Este é o caminho mais rápido, garotinha. Você quer isso ou não?"
Olho para Edward, e ele assente encorajadoramente. Qualquer coisa que Dr. George esteja pensando faz com que ele concorde, ou pelo menos há algum mérito nisso. Alice disse que seguir o conselho dele economizaria três anos da minha espera para me tornar uma vampira, para minha idade congelada ficar próxima a de Edward. Estou determinada a conseguir isso em dois anos, se não antes.
"Sim, senhor." Eu digo, erguendo meu queixo. "O caminho mais rápido, por favor".
"Venha, podemos discutir isso durante o almoço".
~oЖo~
A última aula de laboratório de ópera envolve o conjunto de críticas de cada um, e acontece de ser no meu dia de apresentação de uma ária, assim como o de Christine. Nós recebemos notas não apenas em apresentações individuais, mas também pelas avaliações das críticas orais de outros estudantes. O Dr. Adana tem uma reputação de dar aos alunos notas que mal dão para passar se eles estragarem boas apresentações ou elogiarem as ruins, e as pessoas tendem a ser inflexivelmente honestas como resultado disso. É sabido que amizades são destruídas nesse exercício.
Eu faço uso do novo conselho do Dr. George em entrar na coluna muito antes de os dedos de Edward tocarem as teclas na abertura da minha ária de Verdi. Isso começou horas antes da aula iniciar, praticando tanto em minha mente como também com Edward no mundo físico. As pessoas tentam falar comigo, mas eu mal me encontro em interação com elas enquanto eu luto para me manter na zona. Fiz uma lista inteira no meu iPod que me mantém no espírito correto na mente, e é útil para evitar pessoas. Metade disso é Edward tocando minhas peças favoritas de piano. Eu não tenho ideia de quando ele as gravou, mas eu acho que ele as adiciona à minha lista enquanto eu durmo. Toda vez que eu acho uma música nova eu beijo cada um dos seus dedos de beijar seus lábios sorridentes.
Olho aqueles lábios sorridentes quando é a minha vez de cantar, e eu sei que a coluna está lá, esperando por mim mesmo antes de ele tocar uma única nota. Eu posso senti-la. É quase arquitetônico: tão real quanto uma casa ou um carro, se você tiver as chaves certas para abrir. Dr. George sabe sobre o que está falando, e eu deslizo em Verdi como entraria na minha própria picape. Eu sei que chuto uma bola proverbial fora quando as mesmas garotas que dedicaram um website à minha pessoa chata enquanto ser humano e cantora são forçadas a dizer coisas boas a respeito da minha apresentação, ou correm o risco com as próprias notas. Elas provavelmente arriscariam, de qualquer forma, se eu não tivesse ido contra a minha própria náusea e dado críticas honestas sobre as apresentações delas também. Eu admito, é gratificante.
Ângela as acusou de serem bruxas sem talento, mas era principalmente a lealdade dela falando. Nenhum deles teria passado pela audição para o conservatório e no laboratório de ópera se não fosse um cantor decente. Eu realmente não tenho nada além de coisas boas para dizer sobre o Dueto de Flores, e então eu finjo que elas são estranhas totais enquanto elogio as vozes delas. Elas são, virtualmente, estranhas totais no final das contas, e Dr. George me alertou que se tudo corresse bem, eu teria que aguentar muitas dessas porcarias pelo resto da vida, então eu devo também aprender a ser graciosa sobre isso desde cedo.
Quando Christine canta "Sempre Libera" de La Traviata,eu chego ao ponto de fechar meus olhos enquanto ela canta. Tanto quanto eu a odeio, a música é incrivelmente poderosa, e ela faz um trabalho decente com ela. É claro que já a ouvi antes, mas nunca cantada ao vivo, e sou tomada por um desejo quase irracional de aprender essa ária em particular, de fazê-la minha. Eu sei italiano o bastante para entender que essa canção trata das alegrias da liberdade e do amor. Eu odeio que essa música maravilhosa esteja vindo de alguém que detesto intensamente, mas não muda como eu me sinto com relação a essa música. Usando meu celular, olho a letra dela enquanto ela canta. As palavras são exatamente o que eu pensava que fossem, e é tudo o que eu quero em música e vida – a liberdade de viver e amar completamente. O verso de Alfredo em particular, cantado durante a ópera, traz lágrimas aos meus olhos.
Saber o significado das palavras traz uma nova dimensão a essa ária, e vejo-me chorando. Estou até nervosa, preocupada se o Dr. George vai me falar que essa ária é muito grande para o meu tipo de voz, e eu uso meu celular para ver se é meu fach*. Eu realmente não entendo dessa coisa toda de fach, de qualquer forma, porque as pessoas frequentemente discordam a respeito do que pertence a que lugar exceto pelos papéis mais óbvios, então eu apenas olho o nome dos cantores que Dr. George comparou comigo antes, e eu acho que a ária está conectada com todos os nomes no Youtube. Eu me pergunto se Aro gosta dessa ópera e faço uma nota mental para tentar descobrir. Eu quase não me importo se ele gosta ou não. Eu vou perguntar a ele sobre isso. Meu celular vibra, e vejo uma nova mensagem de Alice.
*Fach: é um tipo de classificação de voz na ópera alemã.
Bom plano. Isso dá mais cinco anos a seu favor.
Cinco anos. Cinco anos? Isso é, tipo, oito anos a menos, tirando do mínimo de dez que Aro planeja nos fazer esperar. Mínimo. Quase me faz passar mal ao pensar em quanto tempo ele realmente está planejando me segurar e o quanto ele nos quer para a guarda. Minha mente volta para a ária e eu me pergunto quanto tempo levará para eu poder cantar dessa forma. Pelo menos um ano antes de eu tentar, eu penso, já sentindo a frustração. A canção leva exatamente esses elementos que me faltam atualmente: flexibilidade e uma nota incrivelmente alta em algum ponto entre o C ou maior. Eu espero que não leve mais que um ano.
Quando chega a hora das críticas, o Dr. Adana me chama. Ele parece aborrecido e curioso.
"Senhorita Swan, o que você tem a dizer? Ou você estava absorta demais no seu celular para prestar atenção?"
"Eu estava vendo a letra." Eu admito. "Foi realmente impressionante. Maravilhoso, nota alta completa, passagens de coloratura fluída como mercúrio, tão cheia e rápida e líquida e adorável." Adiciono num tom desconcertantemente sentimental. Christine parece maldosa e uma cadela, e eu ainda meio que quero socar a cara dela, mas isso é totalmente sem importância comparado à minha necessidade de aprender esta música e aperfeiçoá-la assim como fiz com a ária de Fallstaff.
"Está bem, então como é a letra?" Ele desafia, claramente não convencido de que eu não estava jogando alguma coisa. Como seu pudesse jogar com essa música maravilhosa tocando na mesma sala.
Leio as palavras diretamente do meu celular sem mexer uma tecla, e ele visivelmente relaxa, já que eu obviamente estava falando a verdade. Todos parecem surpresos com o meu entusiasmo, incluindo Edward. Suas sobrancelhas contorcem expressivamente e eu encolho os ombros, impotente contra a minha nova obsessão. Honestamente, podia ser outra pessoa cantando, e eu provavelmente reagiria da mesma forma.
"Eu simplesmente... amo essa canção, e ela fez um bom trabalho com ela." Murmuro depois, quando estamos sozinhos. "Deus, essa música! Eu tenho que aprendê-la. Mata-me que eu não esteja preparada para ela".
"Isso explica." Ele diz, rindo. "Não posso acreditar que você disse algo bom sobre aquela mulher horrível. A música, sim, isso eu consigo entender. Deve existir uma palavra para esse tipo de desejo de aprender uma peça em particular, como wanderlust para a vontade de viajar. Eu tive obsessão por muitas peças e fiquei realmente feliz por nunca ter que dormir. Boa ária para fixar, a propósito. Uma das favoritas de Aro".
"Eu sei, Alice disse que tiraria cinco anos do nosso tempo de espera".
"Cinco?" Ele pergunta, parecendo determinado, mas surpreso. Ele fica com a expressão de jogo no rosto, uma expressão calculada e feroz com a qual eu estou acostumada. "É um bom espaço de tempo. Isso vai ajudar".
Eu sei que ele e Alice discutem os planos dele para a nossa sobrevivência em Volterra, e eu sei pelas conversas com ele que muito do processo deles acontece nos planos das velozes mentes vampirescas. Geralmente isso me deixa sentindo um pouco de fora, embora muito dessa fase de pré-planejamento deixe todo mundo de fora, exceto os dois. Depois de ouvir os mais violentos aspectos do que Edward quer fazer para me proteger, eu decidi não saber de nada até que as opções mais perturbadoras tenham sido eliminadas. Eu não acho que é maduro tapar meus ouvidos e dizer "eu não quero saber", mas depois de uma das descrições mais gráficas de Alice sobre os hábitos alimentares dos Volturi, eu realmente não quero saber dessas coisas.
A ideia da minha própria habilidade de fazer uma contribuição não-violenta para resolver nosso dilema me dá algo para focar minha considerável nervosa energia.
"Eu quero aprender essa ária, Edward. Acredito que vai ajudar a ganhar nossa liberdade, mas não é apenas isso. É isso e muito mais. Eu quero ser capaz de cantar assim. E é perfeita, tão bonita, principalmente o verso de Alfredo - é como eu me sinto com relação a nós dois, algo que senti, mas que nunca antes tive palavras para dizer, exatamente".
Tento lembrar as exatas palavras e pego meu celular com a letra já armazenada, mas ele põe a sua mão sobre a minha. Em seus olhos negros eu encontro tudo o que sinto - o desejo, a urgência da nossa situação, mas, acima de tudo, os poderosos laços idênticos que nos unem. Eu sinto como se nós dois tivéssemos sido lançados num oceano perigoso que vai além da experiência dele, deixando-me sozinha num pequeno barco com tempestades à frente e ameaças de dragões escritas nos únicos mapas disponíveis para nós. Grande parte disso não parece real para mim; certamente isso não parece razoável. Amor e música são as únicas coisas que fazem sentido, e eu agarro ambos como se fossem meus únicos remos.
"O amor é um pulso por todo o universo, misterioso, alterado, o tormento e o deleite do meu coração." Ele diz, enlaçando seus dedos nos meus, unindo corpo quente e frio. "Eu sei".
Fim do Ato I
Nota da Ju:
Bem, muitas coisas acontecendo e o tempo passando rápido... Alice e Jasper reaparecendo na história, mesmo que longes...
Como explicado no início da fic, ela é composta por 3 Atos. O Ato I foi encerrado com este capítulo, a partir do próximo começa o Ato II, com eles na Itália, então não deixem de continuar acompanhando!
E deixem reviews, vamos lá! Até segunda!
Bjs,
Ju
