Nota da Autora: Esta cena ocorre no final do outono, não muito depois de Bella e Edward chegarem a Volterra.


Cena Extra do Capítulo 25 – Um pássaro na mão (Aro POV)

Tradutora: Ju Martinhão

~oЖo~

Aro POV

O velho vampiro ficou parado na porta entre a biblioteca e o palácio, sorrindo ligeiramente com a visão diante dele. Por um momento ele se entreteve com a ideia de que aqueles que via estavam completamente inconscientes da sua observação. E dois deles provavelmente estavam, imersos em uma conversa como estavam. A garota humana, pelo menos, e o irmão dele, que poderia estar ciente de que ele tentou.

Mas Edward Cullen estava certamente consciente, apesar da sua máscara polida de atenção para as palavras dos outros.

Ele não se preocupa com a conversa, Aro observou cinicamente. Ele está aqui para proteger a garota. Ele sabe que estamos com fome, e sabe que sua presença vai mantê-la mais segura do que ela ficaria sozinha. Imagino que ele conhece a nossa programação de alimentação, assim como o resto de nós.

O jovem vampiro inclina a cabeça em direção às grandes portas enquanto sorri minuciosamente com apenas um canto dos lábios, como se dissesse: Touché.

Admiração e inveja rodam nos cantos mais escuros da mente de Aro, antes que ele queira que fiquem quietos, e descansem em segredo com o seu mais profundo e mais acarinhado desejo de manter todos os Cullen em Volterra. Esses eram os pensamentos que ele só entretinha quando soube, através da espionagem de Demetri, que Edward estava longe o suficiente na caçada para não ler sua mente. O que ele não daria para ter os talentos de Edward e Bella à sua disposição, é claro, mas todos os Cullen eram atrativos para ele em suas próprias maneiras.

Ele teria o prazer de olhar na voluptuosa carne de Rosalie: de todas as belezas da corte não havia loiras, e Aro sentia que aquilo era uma vergonha. Ele se perguntou se ela permitiria que ele a seduzisse, embora ele adivinhasse que poderia levar séculos para derreter seu comportamento gelado. Seu forte companheiro ficaria bem em frente a Felix. Dois guardas poderosos e intimidantes eram mais equilibrados e adequados ao seu clássico gosto estético do que um. Mesmo a gentil e fiel Esme (um pouco dócil demais para o gosto de Aro), faria uma companheira adequada para Sulpicia, particularmente se ela insistisse em manter sua ridícula dieta. Sulpicia era leal e merecia ter uma amiga com quem ele não tivesse dormido, e Carlisle provavelmente preferiria isso também.

Carlisle.

Acima de tudo, ele queria que seu velho amigo voltasse, e aliviasse a sua solidão. Carlisle, o único que nunca adulou, nunca lisonjeou, nunca, nunca quis nada além do prazer da sua companhia. Esses pensamentos, claro, eram secretos. Quaisquer pensamentos semelhantes que ele tivesse em qualquer lugar perto de Edward, esses pensamentos eram ordenados a ficar escondidos com o resto. Seus pensamentos obedeciam, assim como todos. Aro estava sempre no comando das suas emoções.

Bem, quase sempre.

Apenas duas vezes em sua vida de vampiro suas emoções tinham ultrapassado sua mente racional, e Aro não se permitia pensar isso. Ele desejou que Marcus seguisse o seu exemplo, em vez de chafurdar por toda a eternidade nas coisas que não poderiam ser alteradas.

Ele entrou na sala, muito parecido com um gato escapando, talvez para interagir, talvez não. Ele não tinha decidido ainda. Viciado que ele era, ele tocou a mão no ombro do seu cunhado, uma mera ponta do seu dedo entrando em contato com a pele como papel tanto como a sua. Esta era uma mente familiar, e ele conseguia passar pelo sofrimento constante e memórias insuportáveis para chegar ao que ele desejava mais: o talento.

Fitas de cor, todas girando ao redor. Cordas luminosas, como o cordão umbilical, companheiros amarrados e irmãos mais fortes, seguido por amigos próximos, depois amantes casuais e assim por diante. Tentáculos temporários de ódio e ciúme girando ao redor, por vezes com precisão, como o de Edward para Demetri. Às vezes os tentáculos apenas se debatiam, como aqueles do companheiro patético de Chelsea, particularmente sempre que Aro a levava para a sua cama, ou colocava Afton em seu lugar. O ódio glorioso, violento e perfeitamente preciso de Jane. Sua lealdade a ele era uma fita roxa brilhante linda, só rivalizada pelo azul que irrevogavelmente a ligava ao irmão gêmeo.

As ligações de Edward e Bella ainda eram uma das mais fortes conexões entre um e outro, embora apenas lembrar o azul puro entre Carlisle e seu primeiro filho deixasse Aro doente de inveja. No próprio pensamento, através de Marcus ele viu um tentáculo seu chegar para golpear Edward, e ele puxou de volta exatamente a tempo de detê-lo, mas não rápido o suficiente para manter a surpresa de cintilar nos olhos do jovem.

Aro levantou a sobrancelha ligeiramente quando percebeu que havia um buraco no esquema para impedir Edward de ver sua mão - o quanto ele realmente o desejava, assim como Bella, pelos seus talentos. Edward podia ver o talento de Marcus com a mesma facilidade, embora apenas no momento. Ele podia ver os próprios tentáculos de Aro de ciúme e despeito atacando, e os profundos tentáculos magenta do desejo. Edward podia ver isso a qualquer momento em que Aro estivesse no campo de visão de Marcus.

Os dois homens franziram a testa ao mesmo tempo, e Aro pensou novamente como eles eram semelhantes. Só para equilibrar as coisas, Aro colocou sua outra mão em cima dos finos cabelos escuros de Bella, permitindo-se o prazer de um toque macio e humano, sem a interrupção de todos aqueles cansativos pensamentos humanos. Ele ouviu o tom de resmungo de Edward, e riu.

Vê, Edward? Eu não tenho que tocar você para saber o quanto isso te irrita, ele pensou incisivamente para o jovem vampiro. Você reage exatamente como eu gostaria. Você me condena por querer possuir, mas você é tão culpado como eu, se não mais.

Aro sorriu com a expressão brevemente perturbada de Edward. Aro, com seu talento assinado e um pouco de ajuda de Marcus, era muito bom em descobrir como conquistar alguém. Ele sabia até mesmo sem tocá-lo que a chave para conquistar esse jovem homem tinha a ver com respeito porque essa é a única coisa com a qual o próprio Aro respondia. Edward era inteligente, mesmo para um vampiro. Ele sentiu através de Marcus que Edward também respeitava a inteligência Aro, e temia seu poder.

Dado tempo suficiente, Edward veria que seu lugar era com os Volturi, ou o seu respeito e medo de Aro o levariam à conclusão de que ele poderia muito bem ficar e desfrutar do prestígio. E se ele não o fizesse, o temperamento do rapaz certamente o colocaria em algum lugar abaixo da linha. Ele quebraria a sua parte do trato, e eles pertenceriam a ele, sem dúvida ou argumento.

Edward franziu a testa novamente, e o sorriso de Aro cresceu, pensando em várias formas de incitar o temperamento do jovem, e observando os tentáculos chicotearem para fora para ele na mente de Marcus. Tentáculos irritados e vermelhos que Edward não poderia esconder, não importa quão disciplinada fosse a máscara.

Vê, meu filho? Ele funciona nos dois sentidos. Aro pensou presunçosamente. A verdadeira questão é, você é mais inteligente do que você é temperamental? E por quanto tempo?

Os tentáculos de fogo de Edward lentamente recolheram quando a ligação para sua companheira pulsou com intensidade. O menino estava aprendendo, dominando suas emoções voláteis exatamente como Aro tinha sido forçado a fazer. Edward estava realizando a tarefa muito rapidamente. Ele era disciplinado, organizado. Ele era um para ser observado. Aro tentou, em vão, parar de mostrar a sua própria admiração, seu desejo de adquirir para a sua corte esse jovem brilhante, este espelho lisonjeiro da sua própria personalidade, mas as imagens eram totalmente claras na mente desenfreada de Marcus, para ambos os vampiros verem.

Respeito e medo nunca foram afastados, nem foram a admiração e inveja. Estes quatro elementos juntos faziam uma combinação muito volátil, ainda mais quando espelhados em duas personalidades tão semelhantes.

Aro decidiu então retroceder, um recuo temporário a fim de manter seus segredos.

Afinal, eu posso sempre ler você através da memória dele, Aro provocou suavemente quando saiu da sala.


Nota da Tradutora:

Levante a mão quem também não entendeu nada desse capítulo! o/

Fiquei completamente confusa! Ou é a mente de Aro que é tão confusa assim?

Sorte a minha que minha parceira Shampoo-chan é muito mais esperta e entendeu perfeitamente essa cena extra, então aqui vai a explicação dela:

"Huehuehuehue, é confuso mesmo. Acho que porque a autora coloca sob o ponto de vista do Aro, quando deveria ter também do Marcus ali. Ele vê o primeiro encontro deles a partir das lembranças dele, porque Edward se recusa a dar a mão para ele no capítulo 25. Daí como Marcus vê a ligação (como tentáculos de cores diferentes) entre as pessoas, o outtake é todo contado a partir disso)".

Depois disso, eu até consegui entender um pouco... hehehehe

Enfim, deixem reviews e até a próxima segunda!

Bjs,

Ju