Músicas do capítulo (retirar os espaços):
* Glenn Gould toca Bach:Prelude in D minor (BWV 926): http:/ www. youtube. com/ watch?v=PUNtGG1tH9c
* Granados- Danza española Andaluza, tocada por Yehudi Menuhin & Andres Segovia: http:/ www. youtube. com/ watch?v=tY6r-6xpGK0
* Bach: Coro da paixão de São João #1 Herr, Unser Herrscher: http:/ www. youtube. com/ watch?v=QIGy2x2KhCg
* J.S. Bach: A Paixão de São Mateus BWV 244 Kommt, ihr Tochter, helft mir klagen: http:/ www. youtube. com/ watch?v=Dl9lL_ou8c4
Capítulo 28 – Competição
Tradutora: Shampoo-chan
~oЖo~
"A curiosidade é uma virtude altamente subestimada." Eu leio no cartão do último lote de flores. "Okay, então Amaryllis é fácil de imaginar. Esqueci o que boca-de-dragão significa. Ele parecia estar feliz o bastante com o concerto na noite passada, certo?"
Edward pega o cartão da minha mão e o examina, cheirando tanto o cartão quanto as flores. Ele dá de ombros, pegando as flores de mim, mas posso ver que ele está ficando cansado com este tipo particular de atenção. Ele considera que isso seja apenas parte dos muitos métodos de Aro para foder nossas mentes.
Não me importo de ter flores novas o tempo todo, e não há como negar que o homem tem bom gosto. Enquanto as escolhas florais parecem ser orientadas mais para comunicação do que o prestígio da flor, os arranjos são sempre excelentes.
"Bocas-de-dragão têm um duplo significado." Ele diz, ajustando um pesado vaso retangular num lado da mesa. "Pode significar graça, o que pode fazer sentido com a forma como você lidou com o solo que ele arranjou para você cantar, ou pode significar falsidade ou dissimulação".
"O quê?" Eu pergunto, incapaz de evitar o pânico na minha voz. "Você acha que ele sabe de alguma coisa?"
"Hey, olhe para mim." Ele diz, pegando meu rosto em suas mãos, forçando-me a tirar o olhar das flores. "Não se preocupe com isso, ok? Esse é o meu trabalho. Eu vou cuidar de você".
Não sei por que está tão difícil respirar. Grande parte das vezes eu consigo bloquear a complexidade e o perigo da nossa situação, mas quando eu a sinto, fico sufocada. Toda vez que isso acontece, é pior que a vez anterior. Tento esconder isso de Edward, mas não acho que eu o engano. Sei que ele pode sentir o cheiro da adrenalina nas minhas veias, não importa o quanto eu controlo minha expressão. O medo se desenrola no meu estômago e golpeia como uma serpente, mandando pequenos espirais elétricos para minha pele até eu sentir coceira.
"É, mas, Edward, se ele descobrir sobre-" Ele me interrompe cobrindo minha boca com a dele num apaixonado e inflexível beijo.
A princípio eu fico tensa, mas ele me conhece muito bem. Sua mão acaricia a pele sensível do meu pescoço e ao redor das minhas orelhas, e sua boca, como sempre, me faz esquecer tudo até eu ficar mole nos braços dele, fazendo ruídos estranhos como uma pequena criatura da floresta.
"Você está tentando me distrair?" Pergunto sem fôlego quando ele finalmente me deixa respirar.
Minha pele parece eletrificada, mas desta vez os espirais são quentes, não frios, apesar do gelo do toque dele.
Parece mágica. Ou drogas. Dane-se, isso é melhor que qualquer um dos dois.
"Nem um pouco. Diga o que quiser." Ele murmura, trilhando beijos entorpecentes pelo meu pescoço.
Ele me puxa para mais perto, e me gira levemente para que minhas costas encontrem a parede. Sentindo-me levemente tonta, no melhor sentido possível, afundo meus dedos no cabelo dele.
"O que estava dizendo?" Ele pergunta, afastando-se o suficiente para olhar tão profundamente nos meus olhos que eu começo a ficar atordoada. "Tem alguma coisa que você queria conversar, Bella?"
"Só isso." Eu digo, movendo nos centímetros que levam a outro beijo, como uma viciada.
Desta vez ele faz o ruído, mas vindo dele parece mais um animal de uma selva, e meus lábios se curvam contra os dele. Eu me pergunto rapidamente se é correto para nós usar isso como um mecanismo de defesa, mas depois eu consigo ouvir meu coração batendo forte em meus ouvidos e não importa mais se é correto ou se faz sentido porque está simplesmente funcionando.
"Isso mesmo." Ele concorda, beijando meu pescoço de novo no ponto pulsante, apenas um movimento da sua língua enquanto saboreia a pele no local. "Apenas isso. Não pense, apenas sinta".
Meus olhos rolam para trás e eu deixo pele, nervos e fracos ruídos incoerentes se tornarem nossa única linguagem.
~oЖo~
"Isabella." Aro me chama na nossa aula seguinte, a propósito de nada. "Você sabe a respeito do período de rebeldia de Edward, não? Como ele viveu de sangue humano por anos?"
Edward parece tropeçar numa nota da complexa peça que ele está passando a vista, e Aro sorri para mim com o canto da boca para que Edward não veja. Eu olho a minha música, alerta com a intimidade do gesto, de ter um segredo, com Aro, de Edward.
Eu não quero isso.
"É claro que eu sei a respeito disso." Tento manter meu tom neutro, trivial. Supreendentemente, sai dessa maneira.
"Isso a aborrece?" Ele pressiona, os olhos um pouco ansiosos, em antecipação.
É tão estranho. Ele me dá flores lindas quando estou na segurança da minha casa e eu enlouqueço, mas ele me coloca na mira da arma e eu me sinto estranhamente bem. Algumas vezes acho que eu faria uma policial decente, como aqueles na TV que fazem um grande trabalho, mas bebem demais e não ficam casadas por mais que alguns meses.
"É claro que sim." Eu digo, sentindo nada mais que calma apesar da óbvia insistência de Aro. "Mas foi há muito tempo, e ele não faz mais isso".
Ele me olha especulativamente, fazendo pequenos ruídos de assentimento e, por alguma razão, decide mudar de rumo.
"Edward, eu não sei por que eu não perguntei a você sobre isso antes," ele diz, "mas quem é o seu compositor favorito?"
"Impossível responder." Ele diz.
"Nem um pouco." Aro argumenta. "O meu é Verdi. Pfft, pronto. O quanto isso foi difícil? Agora, pare de esconder coisas e me diga quem é o seu favorito. Use a mente que Carlisle lhe deu e imagine – use o critério que quiser – as mais memoráveis e originais melodias, influencias de outros compositores, estruturas harmônicas inovadoras, o que quiser – mas me diga, se tivesse que escolher um, quem seria?"
Tenho certeza que ele vai dizer Debussy, ou pelo menos algum outro compositor romântico, mas ele me choca tocando o Prelúdio em D menor de Bach. Eu já tinha ouvido Edward tocando essa e outras peças de Bach, geralmente antes ou depois de falar com Alice ou Eleazar sobre estratégia. Lembra um pouco de como o marido de Angela, Ben, tocaria com a Rubik's Cube quando ele ficava preso num problema de matemática. Acho que isso surpreende Aro também, porque ele praticamente se encolhe com o som.
"Você sabe que Bach não escreveu nem uma ópera." Aro murmura ironicamente, depois suspira, como se renunciasse a uma antiga discussão. "Então, o que é isso? Por que ele?"
"Você falou para escolher um." Edward argumenta agradavelmente. "Baseado no critério que você mencionou e alguns outros, ele veio primeiro. Claro, você consegue apreciar quão proféticas as estruturas harmônicas dele são, como o trabalho dele mostra tanto genialidade quanto paixão? Compositores estão compondo a partir das ideias dele por séculos, e você sabe disso. Então, por que isso o aborrece? Ele não era um dos seus protegidos também?"
Aro parece impertinente por um instante, como se concordasse, mas não quisesse admitir.
"Com certeza você não pode estar tão chateado. Nosso próximo concerto de coro será cheio dos mais belos coros de Bach." Eu adiciono de uma vez. "Tão maravilhoso e movimentado, quero agradecer por escolhê-los. Eu estava ouvindo o primeiro movimento da Paixão de São João, ele simplesmente me enche de admiração cada vez que o coro começa. É de tirar o fôlego".
É verdade. Eu às vezes a toco dez vezes numa sequência no meu iPod. É uma dessas peças que me dá a mesma sensação de olhar o Grande Canyon – como se eu pudesse ver para sempre – todas as vezes desdobrando como um grande rio, cortando a terra com o peso, com a força da gravidade e a consequência de dez milhões de anos. Não sei dizer se isso é por causa de algo que aconteceu da última vez que eu disse algo do tipo, mas me faz pensar um pouco em Carlisle Cullen também. Há algo pesado e indefinidamente bom nisso.
"Na verdade, eu não escolhi nenhuma dessas." Ele diz em um tom irritado. "Eu deixo o mestre do coro organizar um programa todo o ano. Qualquer coisa menos Händel, eu digo a ele. Homens de sangue italiano, e ainda assim ele me escolhe um Kapellmeister* alemão, toda vez".
*Kapellmeister: significa "mestre de capela", como Aro diz a palavra em alemão mesmo, decidi deixar assim.
"O que, você não gosta dele também?" Pergunto com cuidado. "Por que ele não é italiano?"
"Não, é claro que reconheço o talento dele; eu não sou tolo." Ele diz friamente. "Desagrada-me porque ele não foi meu".
Troco um olhar com Edward, e ele pressiona uma tecla, tendo terminado o prelúdio. Agora ele toca o que eu sei que é uma das variações dele. É ligeiramente menos articulada, mas tão complexa e um pouco mais rica em cores, como uma vívida pintura a óleo baseada em uma nítida fotografia em preto e branco.
"Mas você o conheceu." Ele diz, olhando Aro minuciosamente. "Mesmo quando ele não era bem conhecido na época. Ele realmente negou o seu pedido?"
"Três vezes, e mesmo trabalhando para um príncipe alemão inferior, ele se recusou a trabalhar para mim." Aro assente, parecendo imperturbável pela intromissão de Edward em seus pensamentos. "Ele disse que só serviria à Santíssima Trindade. Eu quis matá-lo".
"Mas você não o matou." Edward diz. "Por causa da música. Você ficou e escutou, sabendo o que ela era, o quão brilhante ele era. Sabendo que ele sabia também, e não dava a mínima".
"Oh, ele dava sim. Ele queria reconhecimento, mas ele não queria barganhar comigo por isso. Ele era tão teimoso, e de alguma forma ele sabia o que eu era." Aro insiste. "Ele tocava por mim, o seu melhor trabalho. Era desvalorizado por eles, a pequena burguesia ignorante, e mesmo pelos nobres que pagavam para ele reger o coro da igreja. Eles o mantiveram desconhecido, depreciado, desvalorizado. Eu poderia tê-lo ajudado. Eu poderia torná-lo grande, mas só se ele fizesse uma reverência. Mas não. Ele acabou tocando coisas que só um gênio ou um vampiro poderiam apreciar plenamente, e depois ele foi até as vigas da sua pequena igreja em ruínas para dizer 'Soli Deo Gloria', somente para a glória de Deus!"
"Então você não o ajudou." Edward diz, maravilhado. Pela expressão dele, ele deve estar tendo uma versão ao vivo e a cores dos pensamentos de Aro, e sinto um pouco de inveja. "Ele quase entrou na obscuridade como resultado. Mas outros compositores mantiveram o trabalho dele vivo, e ele recebe mais reconhecimento a cada século".
"Isso ele recebe. E eu deixei isso acontecer, como ele queria." Aro diz, parecendo tanto presunçoso quanto enojado. "Ele nunca experimentou a glória enquanto vivia. Protestantes, digo a vocês, e principalmente daquela era! Bach, Carlisle, você não consegue lidar com eles. Totalmente intratáveis, e pelo quê? Como você consegue competir com um ideal invisível, imaginado? Ainda assim, eu tentei. Diga-me, Carlisle ainda é religioso?"
"Não falamos de religião." Edward diz calmamente. "Mas está na mente dele às vezes, particularmente quando ele fala de compaixão, de um bem maior".
"Bem, isso é algum progresso, suponho." Aro suspira. "Eu consegui temperar pelo menos esse aspecto da personalidade dele. Você deveria realmente me agradecer por isso, Edward. E quando a você, Isabella? Você é religiosa?"
"Hm, não particularmente, não." Eu digo, não querendo dar a ele a resposta mais íntima e complexa que dei a Edward quando ele me perguntou antes. "A mãe do meu pai era católica, mas nenhum dos meus pais tinha inclinação para a religião, então eu não fui levada adiante com isso. M-meu pai, ele gosta de filósofos estóicos".
"Isso é excelente, minha cara." Ele diz, parecendo genuinamente satisfeito. "É muito mais fácil trabalhar com alguém que não tem preconceitos das superstições. Talvez por isso você seja tão calma perto de nós, não é? Sabe, Edward, algumas vezes eu acho que você não dá tanto crédito a Isabella. Eu posso entender que você queira proteger sua parceira, mas ela é mais durona do que você pensa".
Se ele simplesmente soubesse.
Ele mostra um sorriso afiado, brilhante e vira a cabeça, assim só eu posso ver a mudança na expressão dele cintilar tão rápido que nem tenho certeza do que eu vi. Fecho meus olhos com força e observo através dos meus cílios, como uma fotografia. E eu não entendo isso, nem mesmo remotamente. Não é ódio, mas é exatamente tão intenso. Não é desejo também, mas é simplesmente determinação, se não mais ainda. Lembra-me as expressões nos rostos dos melhores atletas, como Lance Armstrong, Michael Jordan, ou Muhammed Ali, exatamente antes da competição. É uma confiança dominante e devastadora.
E isso me assusta.
~oЖo~
As noites finalmente começam a ficar mais frias, e começo a dormir com as janelas fechadas. Sinto falta de tê-las abertas, porém, porque Volterra faz alguns sons estranhos e adoráveis durante as noites. Nunca se sabe quando você vai ouvir música ecoando pelas ruas estreitas, e do nosso ponto avantajado do andar superior, eu frequentemente ouço isso de duas ou três direções diferentes.
Não fiquei surpresa então, quando uma noite eu acordei sozinha ao som de um delicado violão espanhol. Era uma canção absolutamente adorável, mas havia algo de estranho que era difícil saber. O ritmo estava certo, mas parecia que era um pouco mecânico. Se não fosse tão óbvio que vinha de um violão real, eu pensaria que era gerado por computador. E soava perto de mim, e não tem a ressonância assustadora de um eco distante, então eu levanto e vou até a minha janela investigar. Quando eu afasto as cortinas e olho, não vejo nada, mas o violão parece continuar vindo do prédio vizinho.
Talvez porque eu ainda esteja meio sonolenta, ou porque sou estúpida, abro a janela para olhar melhor, tentando deixá-la aberta o bastante para deixar a música entrar bem claramente.
"Aha, eu sabia que isso chamaria a sua atenção." Uma voz sedosa diz, tão perto que sinto meu coração pular no meu peito.
"Ai!" Dou um pulo, batendo minha cabeça contra o peitoril da janela.
Irritada e com dor, olho para cima e para a direita, onde meu vampiro menos favorito está sentado no topo da construção próxima a nós, segurando um violão muito bonito. Ele está perto o bastante para eu ver que ele é pintado com flores, e se não estou enganada, o que eu realmente espero estar, o que parece ser uma mancha fraca de sangue perto da base. Encantador.
"Maldição, Demetri, o que diabos você está fazendo aí?" Eu sibilo, cobrindo minha fina camisola com o roupão.
"Vamos lá, você gostou. Senão não teria aberto a janela." Ele insiste, esticando a cabeça para olhar para mim. "Se eu aprendi alguma coisa no concerto da semana passada, é que todas as mulheres adoram músicos".
Não quero nem pensar nas conversas e trocas que ele deve ter tido com certas vampiras para chegar a essa conclusão.
"Então você decidiu dedicar-se ao violão porque não está conseguindo o suficiente do seu jogo?"
"Não é com a quantidade que estou preocupado, mas com a qualidade." Ele diz, parecendo como se estivesse me dando uma rosa, ou algo do tipo. "Seu cabelo está mais rebelde esta noite, Bella. Eu gosto dele assim".
Seus olhos brilham como os de um gato no escuro, e minhas bochechas queimam em constrangimento.
"Você tem o hábito de acordar mulheres inocentes e dizer a elas como o cabelo delas está?"
"Sim." Ele diz, e eu reviro os olhos. "Mas não é o único motivo que eu as acordo".
Ele sorri, mas parece uma sedução encenada, não um sorriso verdadeiro. Assim como o seu violão tocando, é tecnicamente apurado, mas não totalmente convincente.
"Ótimo." Digo completamente irritada agora. "Obrigada pela música, mas eu realmente preciso dormir. Vá embora, Demetri".
Eu me movo para fechar a janela.
"Pare, ou eu vou entrar." Ele avisa, e se move tão rapidamente que só noto o violão subitamente caído perto dele.
"Você não ousaria." Eu digo. "Você não pode. Eu sei disso".
"Não, eu não posso. E eu não vou machucá-la, mas apenas dê-me um segundo." Ele se agacha na junção dos dois prédios, seu rosto apenas a centímetros da minha janela. "Eu só quero conversar com você".
"Você deveria realmente ir embora antes de Edward voltar." Eu digo, sentindo-me um pouco mais que assustada. "Não que eu não amaria vê-lo chutando seu traseiro por isso".
"Edward nem está perto daqui." Ele diz, tocando a testa com o dedo. "Rastreador, lembra? Além disso, eu não acho que você vai querer ver tão cedo uma luta entre nós dois. A menos que violência a deixe excitada. Eu entraria em uma boa briga por você, sabe?"
"Você é nojento. Eu não quero uma briga; só quero que você me deixe em paz".
Ele não parece acreditar em mim.
"Olha, vou continuar tocando, apenas fale comigo por um minute, então eu vou embora." Ele diz, começando a canção de novo. "Você gosta de música, não é?"
"É claro que gosto de música." Esclareço. "Foi o que me trouxe para cá".
"Você acha isso?" Ele ri. "Bella, você é tão ingênua. Imagino que é o que ele gosta em você. Eu sei que eu gosto. Mesmo agora, depois de ele tê-la tantas vezes, e você parecer mais mulher do que era no ano passado, você ainda assim pode passar por uma inocente".
Puxo ainda mais forte o meu roupão, e olho para ele irritada.
"Você fica linda quando está zangada também".
Quando Edward diz isso, eu coro, mas quando Demetri diz, soa tão clichê.
"É sangue isso no seu violão?" Pergunto incisivamente. "Você matou mesmo alguém para consegui-lo?"
"Está vendo? É disso que estou falando. Você é ingênua." Ele diz com desdém. "Bella, para alguém que vive com um vampiro, você parece ter um julgamento maravilhoso da nossa natureza. Não pense que seu Edward é tão perfeito".
"Do que você está falando?" Pergunto, apesar do meu melhor julgamento.
"Ele está vivendo há muito tempo sob influência de vampiros não-naturais. É simplesmente natural que agora que ele vê como pode viver, ele começará a ser mais como nós. Eu não ficaria surpreso se isso não acontecesse muito em breve, de fato".
"Você acha que ele vai começar a matar pessoas depois de oitenta anos de abstinência, só porque todo mundo faz isso?"
"Eu conheci Carlisle Cullen. Ele é puritano, um esquisito que ainda vive sob a influência da história humana dele. Do que eu ouvi, Edward teve mais de cem anos de um tipo diferente de abstinência, até você aparecer. Quando mais tempo ele ficar longe de Carlisle, mais ele vai parecer um vampiro de verdade, você não vê? Nós somos criaturas sensuais e perigosas por natureza, e Edward nunca foi um bom Cullen, foi? Ele assumiu a natureza dele uma vez; isso vai acontecer de novo. Matar é apenas parte do que estou falando, é claro." Os olhos dele brilham como duas pedras, seu rosto iluminado pela rua abaixo, e isso me lembra as crianças contando histórias com lanternas embaixo dos queixos.
Ele está me atraindo. Eu sei que ele está me jogando uma isca, então eu não falo nada.
"Por exemplo, embora seja verdade que uma vez emparceirados, será por toda a vida, mas nós estimamos lealdade mais que fidelidade física." Ele continua, como se eu o tivesse encorajado. "Muitos vampiros na civilização apreciam uma variedade de relacionamentos prazerosos. A eternidade é muito longa para ser monogâmica, você não acha?"
"Eu deveria saber que você tocaria nesse assunto." Eu murmuro, exasperada. "Apenas… vá embora, okay?"
"Exceto pela mulher de Aro, é claro." Ele diz dando os ombros, ignorando-me. "Qualquer um que toca Sulpicia encara a execução. Mas isso é de se esperar, com o dom e a posição dele. Muito ruim para ela, porque todo mundo se diverte. Você é muito inexperiente para entender isso ainda, mas você verá. E Edward é apenas um homem, afinal de contas. Ele não é um santo, como o pai dele".
"Você não conhece Edward." Eu digo sem rodeios. "Ele não é assim".
"E você, minha querida, não conhece Chelsea." Ele ri, e meu estômago revira um pouco, muito embora eu saiba por que Edward olha para ela. Espero. "Eu acho que você deveria se preparar. Alguns de nós levantaram apostas de quanto tempo vai levar para ele desistir e mostrar a verdadeira natureza dele".
"Apostas. Vocês estão levantando apostas." Eu sibilo, enfurecida com isso. "Isso é simplesmente ótimo. Então você está apostando em quê, na minha morte, ou no meu coração irrevogavelmente partido?"
Por um instante a máscara dele cai, e ele olha para mim com genuína surpresa com a profundidade da minha resposta. Ele quase parece preocupado, mas é a primeira expressão real que vi nele até agora. É estranho como isso muda o rosto dele. Infelizmente ela não dura muito.
"Não seja tão histérica. Não é tão ruim assim! É altamente improvável que ele mate você se ele não fez isso ainda. Mas você deveria saber que o seu oh-tão-perfeito Edward olha para a nossa amável Chelsea muito frequentemente quando você não está prestando atenção. Agora, vamos lá, você não está nem um pouco curiosa em como seria com outra pessoa? Alguém mais experiente, talvez?"
Fecho a janela abruptamente, não me importando em ouvir o que mais ele tinha para dizer. A música continua, então eu pego meu telefone e mando uma mensagem para Edward pedindo para ele voltar logo, em todo caso. Nada dramático, mas eu preparo uma mais urgente no caso de Demetri realmente tentar entrar. Tudo que eu tenho que fazer é apertar o "enviar", e aperto o celular contra o meu peito, subindo na cama.
Depois de um minuto eu ouço algo arranhando o vidro da janela e clico em enviar. Edward vai estar aqui logo; eu sei disso.
"Eu não vou forçá-la, Bella, não faz meu estilo." Ele diz em uma voz fraca, mas carregada e soando como se viesse de dentro do quarto. "Eu não precisarei. Você virá a mim pedindo consolo".
Fico debaixo das cobertas, deixando apenas a cabeça de fora para ver a janela. Consigo ver uma esbelta silhueta através das cortinas brancas, empoleirada na minha janela.
"Isso não vai acontecer, cretino".
Ele ri, um som oco e fantasmagórico.
"Quando ele cometer um erro, você virá a mim." Ele promete suavemente. "E eu prometo, eu tornarei tudo melhor. Eu darei a você tanto prazer que você esquecerá esses seus ideais infantis. Você verá".
Meu celular toca, e eu o atendo.
"Bella, o que foi?" Edward pergunta ansiosamente, e parece que ele está passando por um túnel.
"Acho que alguém está tentando entrar aqui." Eu sussurro, alto o bastante para Demetri ouvir. "Quão rápido você consegue chegar aqui?"
Antes de eu ter terminado de falar, a sombra na janela desaparece, e eu ouço o acorde estridente de um violão apressadamente recuando no telhado do prédio ao lado.
Covarde.
Mas isso faz com que eu me sinta melhor. Depois dessa conversa de Demetri lutar por mim e da inevitável traição de Edward, aquele em quem confio está correndo para ficar ao meu lado e ele está fugindo com as suas palavras vazias. Suspiro em alívio.
"Menos de dois minutos. Fique ao telefone e não fale com ninguém a menos que alguém entre. Então eu quero que você grite bem alto para os vizinhos escutarem, ok?"
Em menos de um minuto ele diz "sou eu" bem antes de a porta da frente abrir. Ouço a porta da sacada abrir na sala de estar, e depois ele está bem ao meu lado.
"Bella?" Ele pergunta suavemente e eu me sento, notando rapidamente a sua aparência rebelde sob a luz suave do abajur. "Não senti o cheiro de nada estranho perto da porta ou na sacada. Não foi talvez um sonho ruim?"
Há sangue nas roupas dele, e eu sei que não apenas interrompi a necessidade de caça dele, como também o assustei completamente no processo. Ele raramente se deixa sujar com sangue, até onde eu sei. Ele está perto da parede, olhos arregalados, narinas inflamadas, e as mãos fechadas em punho. Ele parece um assassino em série em um tumulto. Penso em contar a ele a verdade, mas ele mal parece se controlar agora, então eu não ouso.
"Talvez. Eu sinto muito, Edward." Eu digo, não querendo lidar com o seu temperamento se eu contar a verdade. Vou contar a Alice amanhã e perguntar o que devo fazer. "Você ainda está com sede, não é? Talvez você devesse voltar?"
Não consigo esconder o medo na minha voz ao fazer a sugestão, e pela expressão no rosto dele, sei que ele ouve o medo também.
"Não se preocupe comigo." Ele diz, indo ao banheiro. "Estou feliz que você tenha me falado. Eu quero que você me conte, okay?"
Ouço barulho de água corrente e fico preocupada. Se eu contar, acho que ele vai caçar Demetri e não acho que isso vai terminar bem. Mas se eu não contar, como vou impedir que isso aconteça de novo, sempre que Edward sair para caçar à noite? Posso pedir para ele ir quando estou em aula? Parece meio grudento e errado, mas eu realmente não quero uma reprise do que acabou de acontecer. Se eu contar a ele, terá que ser agora. Indecisão me atormentando, decido perguntar a Alice agora em vez de mais tarde. O telefone, ainda na minha mão, sinaliza o recebimento de uma nova mensagem.
Você fez a coisa certa. Melhor resultado possível. Não conte a ele. Apague isto.
Apago a mensagem assim que a água para de correr, e eu largo o telefone, pensativa. Ainda estou pensando, vários longos minutos mais tarde quando ele sai, gloriosamente nu com vapor ainda saindo dele e por trás da porta. É uma distração incrível.
"Você ainda está assustada?" Ele pergunta, sentando na cama ao meu lado.
O rosto dele está calmo, o cabelo ainda molhado, a pele ainda está rígida, é claro, mas quase... quente. Fica mais fria a cada segundo, mas eu corro meus dedos pelos seus ombros e braços, maravilhada com a rápida mudança de temperatura. Tantas vezes que gozamos juntos assim, eu sempre fico maravilhada com ele, de como nós estamos juntos. Nunca é o mesmo. Enquanto traço as linhas do músculo e do osso atrás do mármore fluído da sua pele, a crescente familiaridade disso faz-me sentir quase como se eu o estivesse memorizando. Eu sou a sua cartógrafa e carrego o mapa dele no fundo do meu ser, marcando e memorizando cada colina e vale, cada veia que parece um rio, fluindo agora com claro veneno, embora mais elevados em alguns lugares como se fossem em um humano.
Onde minhas próprias veias mostram um caminho de azul, ele gosta de trilhar com um leve toque, do meu pulso até meu braço e continua a rota invisível que eventualmente vai até o meu coração. Essa é a rodovia dele, como também está o tesouro enterrado que ele nunca pega, não importa o quanto cante para ele. Toda vez que gozamos junto eu o conheço mais, assim como ele me conhece. Toda vez que eu o toco é um conhecimento mais profundo – qual toque leve vai fazê-lo tremer, qual ângulo e movimento dos meus quadris vai fazê-lo gemer. Eu sempre quero mais – eu preciso saber tudo sobre ele desse jeito, e em outros também.
É como eu sei que Demetri está errado. Em centenas de vidas, eu nunca me cansaria de explorar a divina criatura em meus braços. O terreno pode ser limitado, mas instintivamente eu sei que há infinitas variações e combinações de toque, gosto, emoção e paixão. Apenas espero que as variações na qual eu sou essa fragilidade terminem logo. Eu sei que ele sofre, e muito embora Edward diga que não se importa, eu amaria estar com ele quando ele se sentisse completamente livre, quando a garganta dele não queimar pelo meu sangue.
Eu sei que Demetri está errado. Ele é só uma sombria desculpa para um homem, vampiro ou não.
"Você ainda está assustada?" Ele repete, parecendo preocupado.
"Não. Não estou assustada agora que você está aqui. Mas ainda estou um pouco tensa." Enquanto eu falo, o corpo dele desliza contra o meu, e eu inconscientemente me abro para ele. "Oh..."
"Eu posso ver." Ele murmura, ajustando-se entre as minhas pernas.
Há apenas uma fina cama de seda entre nós, mas parece deliciosamente macia, como a boca dele na minha. Como as minhas mãos no cabelo dele. Cada parte dele que me toca eletrifica a conexão e preenche as fendas de cada coisa errada que Demetri disse a mim.
Demetri não sabe nada sobre nós. Eu posso facilmente acreditar que ele sabe os mecanismos de dar prazer assim como ele sabe tocar um violão, mas ele não sabe como fazer eu me sentir segura. Edward faz amor comigo do jeito que ele toca música – com uma profundidade de sentimento e paixão que alguém como Demetri nunca poderia sequer imaginar. E eu não consigo imaginar ser capaz de confiar a outra pessoa o meu corpo do jeito que confio a Edward.
Edward nem faz esforço no que Demetri tenta tão desesperadamente simular, e tudo isso porque… com Edward é real. Algumas coisas não podem ser fingidas.
"No que está pensando?" Ele pergunta no meu ouvido. "Posso ouvir as rodas girando aí dentro".
Eu rio, constrangida de ter sido pega. Não há nenhuma maneira que eu diga a ele o que estou pensando. De alguma forma tenho certeza que ele deixaria o elogio de lado e se focaria no nome do outro cara surgindo nos meus pensamentos enquanto ele está nu e se esfregando contra mim.
"Você é tão bom." E isso é verdade também. "Eu preciso tirar essas roupas".
"O que, isto?" Ele pergunta, inclinando de um lado para puxar o nó do meu roupão, que abriu quase todo, exceto na cintura.
Ele abre como se fosse um presente, um pequeno sorriso de antecipação e tudo.
"E isso embaixo." Eu digo, erguendo-me nos cotovelos para tirar o roupão.
"Eu meio que gosto disso." Ele murmura antes de beijar um seio enrijecido através da fina camada de tecido.
As mãos dele deslizam por baixo, afastando a curta camisola para que eu sinta a boca dele por cima da seda e seus dedos deslizando pela pele nua.
"Mudei de ideia. Não quero sentir a seda." Ele diz, dissecando o tecido com uma afiada ponta de unha. "Quero sentir você".
Eu não poderia concordar mais, mas estou completamente incapaz de falar no momento, então eu o puxo para mim num assentimento silencioso.
Ele desliza para dentro de mim sem nenhuma orientação, e é simplesmente como o céu e lar ao mesmo tempo.
Envolvo minhas pernas ao redor dele e seguro enquanto ele investe um pouco mais forte que o normal, feliz com a cama macia embaixo de nós. Parece que há um pequeno tom de desespero nos movimentos dele, como se ele tentasse invadir tanto a minha mente como também o meu corpo. Ele domina os últimos dois, não importa quão privados meus pensamentos tenham que ser, e talvez isso é o que o deixa assim. Talvez haja algum desespero em meus movimentos também, porque eu sinceramente não me importo se isso dói, contanto que ele esteja mais perto, e dói um pouco. Mais do que a dor, eu sinto prazer e tranquilidade, então não falo nada. Não falo para ele ir com mais calma, apenas dou um gemido e beijo o lado do seu rosto porque acho que ele está mordendo meu cabelo ou o travesseiro por baixo, ou os dois.
"Eu amo você." Eu digo, e sei que nunca vou querer fazer isso sem ser capaz de dizer isso também. Sem sentir isso voltar para mim.
Ouço um fraco sussurro que soa como meu nome, e me afasto para ver o rosto dele, porque é impressionante quão bonito ele fica quando goza.
Ficamos muito quietos, e eu sei que vou sentir dores pela manhã, mas não ligo. Agora eu simplesmente quero sentir esta conexão.
"Você se importa se ficarmos assim por um instante?" Ele pergunta, seus lábios bem no meu ouvido. "Eu gosto de cobrir você".
Edward é mais um escudo do que um cobertor. Eu sei que é isso que ele quer, mais do que qualquer coisa. Algumas vezes eu me preocupo sobre essa obsessão dele com a minha segurança.
"Você quer fingir que está dormindo?" Pergunto calmamente, trilhando a ponta dos meus dedos nas costas dele de lá para cá em movimentos aleatórios.
Ele não responde, mas logo escuto um ronco suave, o que me faz rir.
"Hey, eu adormeço pela primeira vez em quase um século e você tem que me acordar? Seja boazinha comigo, mulher".
"Okay, Edward, ronque o quanto quiser." Eu digo, mexendo meus quadris. "Mas a verdadeira humana aqui precisa pulverizar o eufemismo dela, então mexa-se um pouco. Você pesa mais que minha velha picape".
Sinto os olhos dele em mim enquanto eu me levanto para ir ao banheiro.
"O que?" Eu pergunto, percebendo que ele me observa quando eu me viro para fechar a porta.
Ele parece preocupado.
"Você me diria se tivesse alguma coisa errada, não é, Bella?"
Eu congelo, lembrando a mensagem de Alice. Melhor resultado possível. Quer dizer: ele enlouqueceria.
"Você me pergunta isso depois das mensagens que mandei hoje? Ora, Edward, eu claramente fui longe demais. Como se eu dependesse de você em tudo. Eu não deveria ser tão fraca".
Dou um sorriso e fecho a porta, mas eu ouço a voz dele bem do outro lado.
"Não diga isso. Nem sequer pense nisso, Bella. Você pode sempre me contar." Ele diz suavemente, ainda parecendo um pouco ansioso. "Eu não me importo, mesmo se tudo o que você realmente precisar for um sexo casual".
Eu rio porque as palavras sexo casual são provavelmente as últimas que eu esperaria ouvir dos lábios de Edward Cullen. Ouço a sua risada suave do outro lado da porta e, em meio segundo, o piano do quarto ao lado começa a tocar Bach.
~oЖo~
"Edward, eu me pergunto se..." Aro para de falar de uma maneira muito estranha, mas estou ocupada demais marcando minha escala de música para notar.
Subitamente, o som da fricção da minha caneta contra o papel parede insuportavelmente alto, e eu noto a tensão, vívida e palpável como fumaça na sala. Ergo a cabeça e meu estômago contorce.
Aro está parecendo um pouco intrigado demais, e Edward parece tão confortável quanto uma caixa de segredos, e eu me pergunto que diabos de pensamentos Aro está tendo no momento. Eu não tenho que esperar demais para descobrir.
"Por quê?" Edward pergunta firmemente. "Você nunca me pediu para sair do lado dela antes. Por que agora?"
"É Caius. Ele não acredita que você confia totalmente em mim." Aro replica com uma calma sobrenatural. "Ele aposta que você não ficaria afastado dela por um segundo sequer".
Bem, sendo justos, nós sabíamos que isso viria, e sabemos o que significa. Estive escutando Edward e Alice argumentarem sobre isso nos últimos dias. Embora ele tivesse tempo para se acostumar com a ideia, ele parece quase tão irritado sobre a ideia como quando Alice falou para ele na primeira vez.
"Ele realmente está começando a considerar deixá-la ser transformada logo." Ela dissera. "E em nenhum momento tem a intenção de machucá-la. É só um teste, Edward".
"Ele pode mudar de ideia, Alice. Eu não vou permitir isso".
"É uma melhoria de pelo menos cinco anos. Ele não vai deixá-la ir até que você concorde, eu já vi isso. Quanto antes você concordar, melhor".
"Talvez Caius tenha razão, afinal." Aro diz, desapontamento nublando seus olhos já leitosos.
"O que está havendo?" Eu pergunto, notando a mandíbula de Edward ficar tensa.
Um sinal muito ruim.
"Aro me pediu para dar a Caiu uma mensagem".
"O que tem de ruim nisso?" Eu pergunto, tentando parecer indiferente.
Deve ter funcionado, porque os dois me olham com surpresa.
"Se isso ajudar Aro a vencer uma aposta contra Caius, eu mesma entregarei a mensagem." Eu ofereço, voltando-me para Aro. "Qual é a mensagem? Vocês podem ficar aí se olhando até eu voltar".
Aro gargalha. Edward fica horrorizado.
"Bella, você não vai andar por aí sozinha!" Ele explode. "Você sabe quantos vampiros sedentos andam por aí?"
"Você não acabou de dizer isso, Edward." Eu argumento, genuinamente irritada. "Eles são os mesmos vampiros que vejo o tempo todo na superfície. Qual a diferença? Sinceramente, acho que você me enrolaria em plástico-bolha e me carregaria por aí como um bebê se eu deixá-lo continuar com isso".
"Você não tem senso de autopreservação." Ele me lança um olhar curioso, e eu posso ver que os dois vampiros estão tentando ler minhas intenções.
Os dedos de Aro contorcem, como se ele quisesse tocar um de nós, ou nós dois. Isso não passa despercebido por Edward, e eu começo a me preocupar quando a mandíbula dele enrijece ainda mais.
"Seja razoável, Edward." Eu suspiro dramaticamente, relembrando-o de um dos argumentos de Alice usando as exatas palavras dela. "Se Aro realmente quisesse me machucar, ambos sabemos que ele poderia quando quiser. Além disso, Caius odeia você. Você não gostaria de vê-lo perder uma aposta?"
Edward olha para mim e eu posso ver que ele está seriamente irritado, mas ora, vamos, cinco anos? Ele vai ter que deixar isso acontecer eventualmente, então por que não acabar logo com isso?"
Ainda assim, eu posso simplesmente ouvir Renée falando na minha cabeça sobre o frágil ego frágil e como o que eu acabei de dizer a Edward foi como um soco no estômago, então eu vou até o banco do piano, coloco meus braços no pescoço dele e olho dentro dos seus olhos assustadores, intensos e totalmente irritados.
"Desculpe, eu não quis dizer isso desse jeito." Eu sussurro, como se estivéssemos falando em particular. "Eu sei que você só quer me proteger, mas, por favor, Edward, tente relaxar? Tenha um pouco de fé, por mim? Por favor?"
O olhar penetrante dele dá lugar a um lampejo de vulnerabilidade, e eu o vejo começar a vacilar na sua decisão.
"Eu ficarei bem." Murmuro contra os lábios dele. "Está tudo bem. Apenas confie, por uma vez, okay?"
As mãos dele agarram meu lado e ele me beija gentilmente antes de ir até Aro.
"Se você quiser que eu o ajude a fazer um ponto, eu prefiro fazer nos meus próprios termos." Ele diz laconicamente, perto o bastante de Aro para a diferença de tamanho entre os dois se tornar mais aparente que o normal. "Não confunda minhas boas maneiras como falta de tato. Eu não sou tão dado como Carlisle, e não serei tratado como um garoto de recados".
"Non serviam*, é? Que intrigante atitude para o primogênito do bom doutor Cullen." As sobrancelhas de Aro erguem ligeiramente no que parece ser uma boa diversão. "Você pode ficar surpreso, meu filho, mas eu consigo admirar isso. Quais termos você propõe?"
*Non Serviam: "Eu não servirei", atribuída a Lúcifer antes da queda dele dos céus.
Edward não hesita nem por um instante. Muito menos Aro. Eles se encaram até Edward começar a falar de novo.
"Eu sei exatamente onde Caius está, e o que ele está fazendo. Acontece que há uma pintura que eu gostaria de dar de presente para a minha mãe, e eu vou pedir a Caius para me ajudar a obtê-la. Vai levar menos de dois minutos para eu voltar a esta sala. Posso confiar que será suficiente para ganhar sua aposta?"
Realmente parece que Edward está inventando isso na hora. Fico impressionada porque eu sei melhor, e Aro parece quase vacilante.
"Sim, é claro, você pode dizer a Caius que eu consideraria isso um favor a mim se ele ajudasse você." Aro disse ansiosamente, movendo-se para substituir Edward ao piano. "É claro que ele vai mandar Afton fazer o atual trabalho, mas não vai acontecer de outra forma. E, apenas para tranquilizar sua mente preocupada, eu vou tocar o piano o tempo todo que você estiver fora, então você vai saber onde minhas mãos estão, e onde elas não estão. Em dois minutos nós não poderemos terminar toda esta nova ária, mas vamos tocar um trecho, não é, Isabella?"
Edward olha para mim mais uma vez antes de sair da sala, e eu me encolho ao ver a dor nos olhos dele. Sinto-me horrível, muito embora eu não possa me arrepender de ele sair. Isto é por nós, afinal de contas. É demais dizer isso num só olhar, então coloco a minha mão no meu coração e espero que ele entenda.
Eu pisco e ele já se foi, mas a música já começou a tocar, então eu me foco. É uma ária nova e, como de hábito, Aro me para frequentemente, nenhum detalhe pequeno demais para ser corrigido.
"Vamos discutir essa frase, Achevons la metamorphose." Ele diz, ainda tocando, as teclas soando como uma caixa de música. "O que isso significa em inglês?"
"Vamos conseguir a metamorfose?" Eu pergunto, traduzindo na minha cabeça.
"Algo mais como vamos completar a metamorfose." Ele diz com um sorriso ligeiramente selvagem.
E agora fico feliz que ele ainda esteja tocando, porque o cabelo da minha nuca eriça e eu sei que ele não está mais falando mais sobre música.
"Certo, isso faz sentido nesse contexto." Eu digo nervosamente.
"Eu gosto da língua francesa." Ele diz, adicionando a linha da melodia aos acordes posteriores. "Tem tanta personalidade. Interessante o caminho das palavras de uma língua a outra. Latim para francês, francês para inglês. Eu acho esses caminhos significativos, você não acha?"
Eu aceno com a cabeça, perguntando-me onde ele está indo com isso. Suas palavras parecem tão neutras, mas há uma mudança nele que lembra-me em um nível visceral que eu estou sozinha com um predador.
"Por exemplo, a palavra francesa para esperança. L'espoir." Ele esclarece, e eu relaxo aos poucos, reconhecendo isso como o modo de leitura dele. "Próximo, mas não diretamente relacionado à palavra latina respirar. Vampiros não encontram uso algum para nenhuma das duas. Não é realmente do nosso feitio, sabe? Nós vemos, nós desejamos, nós pegamos. Geralmente, esperança não é sequer um fator nisso. É fácil. Apesar de tudo, encontro-me com algumas esperanças particulares. Isso é um segredo, Isabella. Posso confiar seu silêncio a respeito do meu segredo?"
Eu aceno.
"Ótimo. Então pegamos o oposto. Desapontamento. Qual a palavra francesa para isso, Isabella?"
"Déception." Eu falo, minha voz mal dando para ouvir.
"Sim, ladéception. Interessante caminho do francês para o inglês, não acha? O que você acha que significa?"
"Eu não sei o que significa exatamente, mas meu professor de francês no ensino médio nos disse para lembrar ao pensar que enganar a si mesmo leva ao desapontamento".
"Enganando a si mesmo, ou sendo enganado pelos outros".
Fico com o cenho franzido com a música, as palavras dele badalando nos meus ouvidos. O que diabos devo dizer agora?
"Poucos são capazes de me enganar, então eu tenho poucas esperanças, Isabella." Ele diz, lento como uma cobra deslizando pela grama alta. "E já que poucos são capazes de me enganar, eu devo avisar a você, eu não estou acostumado a ser desapontado. Eu não lido com isso muito bem. Nem um pouco, de fato".
Ele soa como se falasse por experiência própria. Tiro os olhos da música e o vejo me observando mais de perto, a ameaça transparente em seus olhos. Na realidade, havia tanta coisa que eu poderia dizer, como talvez se você não fosse um maníaco controlador eu não precisaria mentir para você agora, precisaria?
"Você pode me enganar, Isabella. Você está me enganando?" Ele soa tão paciente, tão útil.
Mas, é claro, eu o conheço melhor que isso. E eu sei que estamos de fato o enganando. Se ele sequer suspeitasse exatamente o quanto, duvido muito que ele estivesse tocando piano agora.
"Há uma diferença entre mentir e privacidade, Aro".
"Uma resposta de uma advogada." Ele ri deliciado. "Muito bem. E que é adequada à sua personalidade e ao seu dom. Eu gosto de você, Isabella. Você daria uma excelente romana, sabia disso?"
Eu apenas sorrio. Isso é um enorme elogio vindo dele, e eu sei disso. Eu gostaria de pensar que isso significa que ele está se tornando o Aro amigável de novo. Quero encorajar o Aro amigável. Ele é bom. Fascinante e divertido, com bom gosto em música. Eu realmente odeio pra caralho o Aro assustador, porém. Seria muito mais fácil se os dois não habitassem no mesmo corpo.
"Você gostaria de viver por aqui, depois que o nosso acordo acabar?" Ele pergunta, quase docemente. "Você gostaria de fazer parte da minha guarda? Porque eu asseguro a você, depois do que você fez esta noite, eu acho que você pode convencer Edward em quase tudo".
Alice e eu nunca conversamos a respeito dessa conversa. Eu não sei se ele está improvisando, ou se meus instintos naturais estão caminhando certo, mas ele definitivamente espera uma resposta.
"Eu não sei como responder isso." Eu digo com cuidado.
"Tente a verdade." E o assustador Aro está de volta.
Eu não sei onde Edward está, mas tenho certeza de que ele pode ouvir isso e que pode enlouquecer. Aro ainda está tocando o piano, o que é alguma coisa, pelo menos.
"Eu não quero mentir, mas eu sinceramente não sei se a verdade vai decepcioná-lo ou não." Eu confesso. Respiro muito fundo e continuo. "Eu disse a você que manteria uma mente aberta. Ambos prometemos, e até agora mantivemos a palavra".
"Até agora." Ele diz, mudando para uma peça de Bach que Edward tocou antes.
Não soa correto do jeito como ele toca. Não está equilibrada, talvez? Mas não ouso responder o por quê, no entanto. Não é o mesmo problema de Demetri com o violão. Aro toca com plena paixão, é só talvez o tipo errado? As notas claras, porém misteriosas de Bach colidem com a sinistra beleza incoerente do estilo de Aro.
"Sim. Então, em manter essa palavra." Eu digo, tomada com o último minute de inspiração, "Eu não tomei a decisão ainda. Além disso, eu não tenho nem mesmo toda a informação que preciso para fazer isso".
"Informação?" Ele pausa por um breve instante, obviamente intrigado. "O que você quer dizer?"
"Assim como todos continuam insinuando." Eu aponto, pensando na provocação de Demetri no telhado. "Eu sou apenas uma humana. Eu não tenho a inteligência de vocês, os instintos, então não posso nem começar a apreciar o que é ser como vocês. Como posso tomar uma decisão como essa sem saber o que é ser uma vampira?"
"Você parece ser bastante decidida com relação a Edward." Ele conta, embora eu sinta que tenha tocado em um nervo. "No entanto, você não está casada com ele em termos humanos. Por que isso, eu me pergunto?"
"Você mesmo viu na mente de Marcus." Eu argumento, irritada que ele tenha trazido esse ponto doloroso à tona por causa de Edward, muito certamente dentro do raio de escuta dele. "Nós estamos bem e verdadeiramente juntos, como você disse. Além disso, é completamente diferente para pessoas da minha idade, com muitos casamentos terminando em divórcios nesses dias. Não consigo me imaginar mais ligada a Edward do que já sou – nós pertencemos um ao outro, ponto final. Ficar com ele não é mais uma decisão como respirar, e eu sei que ele sente o mesmo".
Tecnicamente, Edward não precisa realmente respirar. Eu gostaria de pensar que é mais uma falha na minha metáfora do que no meu entendimento sobre nosso relacionamento. Mas eu sei que ele prefere que estejamos casados, e Aro sabe disso também, maldito.
"Que romântico." Ele diz com um sorriso indulgente, senão condescendente. "Então você realmente sente que há uma decisão a tomar depois de tudo isso? Talvez ajudasse se eu entendesse seu processo de pensamento. Quais são os prós, o que faz você querer ficar?"
"Eu gosto daqui." Eu digo simplesmente, "Na maior parte das vezes. A Itália é linda, eu amo o sol. Vocês têm sido mais do que generosos. Eu amo a música e a biblioteca, especialmente".
"O que faz você hesitar?" Ele pergunta, seus olhos leitosos brilhando de orgulho.
"Vocês têm sido de incrível ajuda, mas muitas vezes são realmente intimidantes. E eu não vejo isso, mas sei que pessoas morrem por causa da dieta de vocês." Eu admito, e é realmente difícil dizer as palavras em voz alta. "Eu sei que você não é um humano há centenas de anos, mas imagine-se em minha posição. Não seria normal da minha parte simplesmente aceitar uma matança da minha espécie indiferentemente. Quero dizer, eu ainda sou humana, afinal. Eu não pertenço realmente ao mundo dos humanos, nem ao dos vampiros ainda. Se não fosse por você e por Edward, ninguém falaria comigo".
Os olhos dele estreitam e ele me olha, como se realmente me avaliasse pela primeira vez.
"Bem, talvez você tenha razão." Ele diz num tom inquisitivo. "Talvez algumas decisões devam ser tomadas depois que você se transformar em uma vampira, afinal".
Tento não deixar nenhuma emoção aparecer no meu rosto. Ele realmente deixaria eu ser transformada antes de ter uma promessa nossa de ficar na sua guarda? Os sons de Bach vindo das mãos dele parecem enfeitiçados, excitados e quase maníacos. Como se a música tivesse se tornado uma grotesca paródia da coisa real.
"Eu tenho uma teoria sobre você." Ele confidencia. "Penso que você descobrirá, Bella, que um dia depois que você acordar, você terá tanta sede quanto iluminação. Você descobrirá que beber sangue humano é natural para nós, assim como é para vocês comer carne de animais. Você descobrirá que não há deus nem superstições. Não há ideais. Há apenas a lei".
A expressão dele assume o mesmo ar sinistro da música, que fica gradativamente mais alta.
"E, Isabella." Ele adiciona, inclinando-se mais perto, sussurrando de forma que eu mal posso ouvi-lo com o som do piano. "No nosso mundo, você descobrirá que os Volturi são a lei, e que nós teremos a nossa maneira".
Nota da Ju:
Então, ficamos indignadas com o que Demetri disse para Bella... ele realmente acredita que Edward seria capaz de traí-la... e essa confissão de Bella e Aro, o que vc´s acharam?
Lembrem-se, próximo cap. na segunda-feira se tiver pelo menos 12 reviews!
Deixem reviews!
Bjs,
Ju
