Músicas do capítulo (retirar os espaços):

* "O Bella Ciao": http:/ www. youtube. com/ watch?v=4CI3lhyNKfo

* "Vedrai, Carino" de Mozart, da ópera Don Giovanni, interpretada por Linet Saul: http:/ www. youtube. com/ watch?v=LmYErgrfnYs

* "Batti, batti" de Mozart, da opera Don Giovanni, interpretada por Joan Rodgers: http:/ www. youtube. com/ watch?v=ioyTpq7eAfw

* Nina Simone - My Baby Just Cares for Me: http:/ www. youtube. com/ watch?v=eYSbUOoq4Vg


Capítulo 29 – Resistenza

Tradutora: Ju Martinhão

~oЖo~

Sempre que desço as escadas, eu escondo meu colar Volturi quando desço um andar, apenas no caso da Signora Alberti estar no patamar, varrendo as partículas de poeira invisível ou agitando sobre a pequena hera que ela tem bem do lado de fora da sua porta. Ela está quase sempre lá, a menos que ela não esteja se sentindo bem. Eu acho que ela só anseia por um pouco de interação humana. Quem não quer, mesmo que seja apenas alguns segundos na escada?

Eu sei que eu quero.

Ela é incrivelmente míope, mesmo com seus óculos, quase completamente surda sem a ajuda do seu aparelho de audição, e eu suponho que ela tem aproximadamente 80 anos. Ela não é frágil, porém, e ela me faz rir. Assim que ela ouviu Edward me chamar de Bella, ela teve essa enorme paixão por Edward, e eu acho que ela meio que vive indiretamente através dos seus pequenos vislumbres distorcidos em nossas vidas. Ela está sempre dizendo-me como eu sou sortuda por tê-lo.

"Sei fortunata ad avere un marito così romantico e così bello*." Ela diz timidamente, sempre que ela percebe uma entrega de flores.

*Sei fortunata ad avere un marito così romantico e così bello = Você tem muita sortede terum marido tãoromântico e tão bonito.

"Sì, è vero." Eu sempre concordo. Sim, senhora, eu sou muito sortuda por ter Edward.

Enquanto eu tranco o apartamento e fecho os botões do casaco, suas músicas espiralam para o andar de cima - um disco antigo de um grupo de homens cantando a música que ela muitas vezes canta para mim como uma saudação - "O Bella Ciao". Eu nunca ouvi ninguém além dela cantar isso, e isso quase me faz sentir como se eu estivesse ouvindo o fantasma do seu passado. Há algo inerentemente nostálgico sobre o intrigante crepitar de uma agulha no vinil, e o brilho em seus olhos parece pertencer mais a uma jovem do que uma velha, tão ágil como ela é.

"O bella ciao, bella ciao bella, ciao ciao ciao!" Ela canta junto com o disco, acenando para mim enquanto dança com sua vassoura. "Salve, Isabella*!"

*Salve!: antiga saudação latina, frequentemente usada em pequenas e antigas cidades como Volterra.

"Salve, Signora Alberti." Eu respondo na saudação à moda antiga, beijando sua bochecha. Ela está em alto astral, e eu digo isso a ela, perguntado-lhe sobre a música.

Ela começa a falar muito rapidamente, muito rápido para eu entender tudo o que ela diz, mas acho que a essência disso é que, quando ela era uma menina, era uma famosa canção de La Resistenza, a resistência italiana durante a Segunda Guerra Mundial. Há algo sobre o seu pai e como a música os manteve de bom humor quando eles estavam lutando com i diavoli fascisti, os demônios fascistas. As palavras dos versos, palavras que ela nunca canta, até hoje, falam sobre o que fazer com o corpo quando o cantor morre, mas a música é animada, sem medo. Quando eu faço a observação sobre isso, ela parece incrivelmente orgulhosa.

Esse é o ponto, ela me diz. O lado que ganhou a guerra não era o lado que temia a morte. O segredo para o agressor é o medo profundo e sombrio, ela me diz. Debaixo da sua crueldade inominável está uma covardia incrível. Eles cometem o erro de pensar que as pessoas pacíficas não vão revidar, e eles pegam e agarram até que vejam o que acontece quando os heróis adormecidos são provocados. Ela soa poética e meio que gloriosa quando ela me diz tudo isso.

Pelo menos penso que isso é o que ela diz. Se ela disse alguma outra coisa, eu acho que gosto mais disso, porque isso faz boiar o meu espírito consideravelmente, pensando pela primeira vez que Aro pode realmente ter medo de alguma coisa. Meu primeiro instinto diz que não pode ser verdade, mas talvez ela tenha razão.

"Ciao, Bella!" Ela canta atrás de mim, dançando com a vassoura como se tivesse dez anos de idade novamente e sua vida estendesse à sua frente, em vez do contrário.

"Arrivederci." Eu digo, acenando para ela enquanto faço o meu caminho para descer as escadas.

A música some, arrastando atrás dela como uma espécie de pó de fada. E, de verdade, eu sinto como se eu tivesse sido levantada de alguma forma, apenas pelas imagens e sons de uma senhora dançando, que poderia muito facilmente se enfiar em seu apartamento e ficar deprimida.

Do que possivelmente Aro poderia ter medo? Se o que Eleazar diz é verdade, ele está sempre preocupado com pessoas talentosas o deixando. Eu sei que ele está usando Chelsea para amarrar Marcus e outros a Volterra, e Eleazar teve, ele mesmo, muito medo de partir quando quis. Então há os pesadelos que Alice tem quando ela nos vê tentando nos retirar da influência dele, não importa o quão pacificamente nós tomamos a nossa decisão de partir. Eles não me dizem, e eu sei que Edward tenta esconder especialmente isso de mim, mas eu não sou estúpida.

Um animal sabe quando ele está sendo caçado. Mesmo que seja apenas para a captura.

~oЖo~

"Eu não posso acreditar que este é o papel que ele quer que eu aprenda." Eu sussurro, escrevendo algumas traduções em Inglês no meu registro de Don Giovanni. "Eu pensei que ele escolheria certamente um compositor italiano. Talvez ele simplesmente queira reclamar sobre Mozart na próxima lição?"

Edward bufa enquanto toca uma versão para piano de uma das árias de Zerlina impecavelmente de memória. Eu olho para cima, porque, bufando? Não é tão Edward. Ele parece com raiva, o que é muito mais parecido com ele.

"O quê?"

"O que o quê?" Ele repete, irritado.

"Você bufou." Eu simplesmente coloco para fora. "O que você sabe sobre eu cantando as árias de Zerlina?"

Por um segundo, ele parece que vai negar, mas acho que ele realmente quer reclamar, no fundo.

"Ele está sempre tentando me provocar." Ele faz uma carranca.

"Com Mozart?" Eu pergunto. "Estou perdida".

"Veja, é Zerlina, ela é uma noiva e ama Masetto, mas, no momento em que o garoto mau entra com suas formas sedutoras, ela se distrai." Ele diz. "Aro está sempre pensando em como garotas legais não podem resistir aos tipos de Don Juan. Ou, neste caso, ao de Don Giovanni. E ele fica com ciúmes e faz algo estúpido, e, em seguida, Zerlina consegue acalmá-lo".

"Sim, com os peitos dela." Eu rio. "Mozart deixou isso muito claro. Mas, Edward, eu não vejo o que isso tem a ver com a gente".

Edward não acha que isso é tão engraçado. Ele parece com raiva de novo.

"Oh, você não vê?" Ele desafia, as sobrancelhas levantadas. "Parece bastante claro para mim".

"Não, eu não vejo. Seria mais adequado." Afirmo, meu rosto ficando quente de vergonha, "Se eu estivesse aprendendo a parte de Michaëla em Carmen, onde a garota-legal-mas-chata ao lado persegue seu doce noivo, mas ela simplesmente parece como um nada comparada a Chelsea, então, quem pode culpá-lo? Carmen, eu quero dizer. Ela é simplesmente... muito bonita, e claramente sabe o que está fazendo perto dos homens".

Isto é quando seria muito bom se ele me dissesse que eu sou realmente bonita, mas ele olha para mim com irritada surpresa.

"Eu te disse que Chelsea é vil, Bella." Ele diz, incrédulo. "Se alguém é um nada, é ela. Quem colocou esse pensamento em sua cabeça?"

Demetri.

"É simplesmente meio óbvio." Eu digo, ao invés de evitar uma briga ainda mais estranha. "Agora, do que você está falando? Como Aro poderia estar cutucando você? É sobre Aro e seu jogo constante de 'Vamos fazer um acordo?' Porque, se for-"

Bzzz. Bzzz. Bzzz.

Logo após o meu telefone vibrar com um alerta de mensagem, o de Edward vibra também.

PESSOAL, FIQUEM ONLINE, AGORA.

"Alice é ainda um pouco mais louca com o bat sinal." Eu digo, franzindo a testa para o meu telefone enquanto Edward meio que borra ao redor da sala para ligar o laptop.

Quando ele se move a uma velocidade vampírica, eu não sei se fico tonta ou morro de inveja. Quando eu não estou por perto, eles todos se movem rapidamente assim o tempo todo? Eles não trombariam um com o outro? Eu me pergunto se eu ainda vou ser desajeitada quando eu me transformar. Aposto que dói se esses corpos duros como rocha baterem uns aos outros. Eu me pergunto se faz muito barulho. Se um vampiro A está se movendo a 80 quilômetros por hora e bate em um vampiro B indo na direção oposta, à mesma taxa de velocidade...

"Bella, o que você está pensando?" Edward pergunta em suspeita, olhando para cima do computador.

"Eu, ah... hum... ei, são eles?" Eu desvio, escapando para sentar ao lado de Edward no sofá, mas ele não para de olhar para mim.

"Oi, pessoal!" Alice acena para nós alegremente, parecendo um pouco envergonhada.

Ela tem seu computador estabelecido em uma espécie de sala de estar, e podemos ver Jasper e Rose jogando xadrez logo atrás dela, enquanto Emmett assiste ao jogo de perto.

"O que é isso, Alice?" Edward pergunta, um pouco rude.

"Bem, eu tenho algo que vai fazer vocês muito felizes." Ele diz na "doce voz de dominatrix" que eu conheço muito bem. "Mas se você vai ser um pé no saco sobre isso, você pode voltar para arruinar o seu dia, em vez disso, ok?"

Eu juro que os três vampiros no fundo estão tentando não rir.

"Pare com isso, Jasper." Rose reclama, rindo. "Estou irritada".

Com isso, todos os quatro começam a rir histericamente, até que Alice atira a Jasper um olhar sujo.

"Jasper está fazendo isso?" Eu pergunto, fascinada. "O que mais ele pode fazer?"

"Oh, cara, Jasper é o melhor! Especialmente agora que ele está começando a controlar isso." Emmett diz animadamente enquanto Rosalie olha para ele, horrorizada. "No começo ele estava apenas deixando todos nós realmente com sede, ou realmente realmente exci – ai, desculpe, Rose, quero dizer, românticos".

Alice revira os olhos uma fração de segundo antes de Jasper e Emmett darem uma batida das mãos uma na outra.

"O que eu posso dizer, eu sou um cara romântico." Jasper diz sem expressão, fazendo uma carranca para o tabuleiro. "Eu voto para deixar Edward arruinar seu dia".

Rose estreita os olhos e move uma peça alta. "Cheque".

"Desculpe, Alice." Edward diz, seu tom superficialmente arrependido. "Eu não quis ser rude".

"Eu aceito o seu pedido de desculpas." Alice diz docemente. "Um par de coisas vem vindo, e eu prefiro falar sobre elas e ouvir suas decisões, porque elas são ambas 'mentalmente perturbadoras'. Tudo que eu peço é isso, Edward, que você simplesmente dê a Bella a chance de responder, ok?"

... e isto simplesmente empurra aquele pau um pouco mais na sua bunda. Eu juro, toda vez que eu acho que ele não pode ficar mais tenso, sempre há mais um nível.

"Então, Bella, eu acho que Demetri pode desistir de algumas boas informações, se você estivesse disposta a incentivá-lo um pouco".

"Incentivar?" Eu pergunto, lutando contra uma onda de náusea com o pensamento. "Alice, eu realmente não acho que eu quero fazer isso".

Um medo apavorantemente frio varre-me como uma névoa no inverno. Ela sabe que eu nunca concordaria certamente com qualquer coisa do tipo? Isso é impensável.

"Bem, você não teria que dormir com ele, é claro." Ela diz com desdém, "Apenas talvez um beijo, ou algo assim".

Ela não recebe todas as palavras antes do meu estômago dar uma guinada e eu pegar o primeiro recipiente ao alcance. Acontece que ele já contém uma planta copo-de-leite, mas quando você tem que vomitar, você pega o que pode conseguir. É estranho - eu espero que Edward grite com Alice, ou algo assim, mas ele apenas segura o meu cabelo para mim como um amorzinho total.

"Desculpe." Eu gemo, horrorizada que ele parece querer me ajudar a limpar-me. "Não, deixe-me cuidar disso, por favor. Ugh, estou tão enojada".

"Não seja boba." Edward sorri, toda a sua raiva anterior desaparecida. "Você obviamente não pode evitar isso".

Eu juro, eu nunca vou entender o seu humor.

Eu me levanto e levo a planta para a pia, lavando minha boca enquanto estou ali. Quando eu volto, Edward é só conversa com Alice, os cantos da sua boca ainda um pouco curvados. Sento-me devagar ao lado dele, perguntando por que todo mundo está agindo de modo estranho.

"Alice, que porra é essa?" Eu reclamo amargamente, ignorando Edward por um momento. "Você não viu o que aconteceria?"

"Desculpe, Bella." Ela diz com um sorriso irônico. "Esta foi a única maneira de fazer Edward realmente acreditar na verdade sobre como você vê Demetri".

"Do que você está falando?" Eu me queixo. "Edward sabe que eu não suporto Demetri. Nenhum de nós. Quero dizer, o cara tentou me matar, pelo amor de Deus. E só para que fique absolutamente claro sobre isso, minha resposta foi 'inferno, não', Alice. Não há nenhuma maneira que eu vá incentivar aquele cretino".

"Eu nunca realmente pediria isso a você, querida. Simplesmente não está em você fingir algo assim".

"Vê, Edward?" Jasper diz. "O que eu disse a você?"

Edward não diz nada, ele apenas estende seu braço em volta de mim e me une mais perto dele num gesto estranhamente doce e possessivo, como uma criança com seu cobertor favorito.

"Talvez eu devesse vomitar em Demetri também." Eu murmuro, sentindo-me estranhamente consolada, "Se isso é tão convincente".

"Você disse que havia algumas coisas, Alice?" Edward espeta, esfregando minhas costas levemente.

"Eles estão ligados de certa forma." Alice continua. "Aro incentivando Demetri e outros, para tentar testar o seu vínculo por fraquezas. Ele quer que vocês duvidem um do outro".

Eu descanso minha cabeça no ombro de Edward enquanto ela fala, de repente simplesmente meio cansada. Eu me pergunto se o que ela está dizendo se aplica ao que Demetri me contou sobre Chelsea também. Eu quero perguntar, mas tenho muito medo. Enquanto os braços dele estiverem em volta de mim, eu não vou perguntar isso. Em voz alta, de qualquer maneira. De certa forma, eu me sinto como uma idiota por deixar a fofoca de Demetri me atingir, mas eu me pergunto quantas mulheres podem lidar com múltiplas vampiras lindas abertamente tentando seduzir os seus homens. Qualquer uma ficaria insegura.

E agora eu sei que Edward esteve lidando com a mesma coisa. Deixa-me triste pensar que ele sentiria algo que não fosse confiança em meus sentimentos por ele, mas eu entendo isso também. Ele nunca teve que confiar na palavra de ninguém desde que se tornou um vampiro, já que seus pensamentos eram simplesmente os mais legíveis para ele como qualquer jornal. Agora ele está em torno de vampiros que são capazes de controlar e esconder alguns dos seus pensamentos, alguns que estão, obviamente, manipulando nós dois, e tudo que ele pode fazer é perguntar e confiar em mim quando digo que está tudo bem, quando claramente nós dois estamos no limite em boa parte do tempo. Eu simplesmente tenho que me perguntar, quanto mais disto teremos que aceitar?

Tudo o que eu quero é estar em algum lugar seguro, livre de esquivar-me por aí, sem supermodelos que me fazem sentir inadequada, sem Demetri rondando sobre os telhados, e definitivamente sem Aro para assustar o meu medo cada vez que eu começo a desfrutar da sua companhia. Eu me pergunto quanto seria necessário para convencer Edward a fugir comigo, simplesmente se esconder em algum lugar. Talvez possamos encontrar uma ilha em algum lugar que ninguém conhece. A ideia é tão tentadora que quase posso sentir a areia quente debaixo dos meus pés. Eu sei que Edward faria isso se eu pedisse forte o suficiente.

"Bella, você pode, por favor, se focar?" Alice pergunta, sua expressão mais compassiva do que suas palavras. "Se isso fosse realmente uma opção, você nunca teria colocado os pés em Volterra".

"Eu sei, eu só quero que isso acabe, às vezes. Simplesmente parece como uma casa de espelhos".

"Vocês estão indo muito bem, Bella. Isso é uma coisa que eu queria falar com vocês." Ela diz, seus olhos escuros brilhando de excitação. "Marcus, por algum motivo, parece ficar ofendido que Aro tente se intrometer no relacionamento de vocês."

"Se ele está é porque nós o lembramos do seu casamento." Diz Edward. "A comparação está sempre em sua mente quando ele nos vê juntos. É a única coisa que poderia fazê-lo sentir alguma coisa, eu lhe garanto".

"Ele vai tentar falar com vocês, mas ele está tendo um tempo difícil decidindo como e onde." Ela continua. "Eu acho que seria muito melhor se ele falasse com você sozinha, Bella, e em um momento quando ninguém está por perto. Vai ser seguro, Edward, eu juro. Ele não vai machucá-la. Podemos experimentar um cenário?"

"Só se for completamente seguro." Edward adverte. "Eles podem se encontrar em público?"

Charlie aprovaria isso. Eu me sinto como comprando casacos combinando para eles, na cor laranja refletivo.

"Eu poderia encontrá-lo na biblioteca." Eu ofereço, decidindo fazer isso. "Ele está sempre lá. Eu poderia cabular as minhas aulas amanhã e ir mais cedo".

Alice olha para cima por um segundo e sorri largamente.

~oЖo~

Na manhã seguinte, Edward já se foi, mas há um bilhete com a letra de Edward descansando no meu iPod, apoiado no travesseiro ao meu lado com um pequeno ramo de flores brancas e amarelas. A visão de um pequeno ramalhete de minúsculas flores brotando colhido a mão significa mais para mim do que todos os arranjos caros de Aro, só porque elas são de Edward, e porque eu sei que quando leio o bilhete e procurar o significado, que eu não vou tremer de medo, com meu estômago caindo como um saco de gelo aos meus pés.

Bella,

Os limoeiros estão apenas começando a florescer, e ontem à noite estava simplesmente morno o suficiente para que a maioria das pessoas deixasse suas árvores lá fora. A fragrância no ar da noite estava completamente inebriante, e isso me fez pensar em você. Exatamente agora eu beijei a sua bochecha rosa, e o jeito que você sorriu quando eu fiz isso fez tudo errado no mundo novamente certo. Assim como Nina Simone.

Vista algo quente e, cuide-se. Eu estarei perto da biblioteca durante toda a manhã, apenas no caso de você precisar de mim.

Amor sempre,

Edward

Eu fico sem fazer nada, preparando-me para a manhã como se eu estivesse realmente indo à escola e, em um impulso, decido levar o bilhete comigo para a biblioteca. Enfio o meu colar debaixo da minha blusa e coloco as flores de limão na minha lapela do casaco, como Vovó Swan costumava fazer sempre que eu colhia flores para ela.

"Il Signor Alberti mi dava dei fiori solo quando aveva qualcosa da farsi perdonare, ma un rametto di fiori di limone è un dono meraviglioso.*" Signora Alberti confidencia quando eu beijo sua bochecha em saudação.

*Il Signor Alberti mi dava dei fiori solo quando aveva qualcosa da farsi perdonare, ma un rametto di fiori di limone è un dono meraviglioso. = Sr. Alberti só me dava flores quando ele tinha algo pelo qual pedir perdão, mas um raminho de flores de limão é um presente maravilhoso. (Flores de limão são um símbolo de amor fiel).

O falecido Sr. Alberti costumava usar flores como um pedido de desculpas, aparentemente, mas ela aprova o meu pequeno boutonnière. E eu tenho que concordar em ambas as alegações. Flores colhidas impulsivamente porque lembram meu Edward são, de fato, um presente maravilhoso. Flores caras dizem muitas coisas, mas geralmente elas são sobre perseguição, culpa, ou obrigação. Podemos não ter dado a Aro um compromisso, mas estou bastante certa de que o bombardeio constante de flores caras geralmente significa todos os três.

Eu deslizo meus fones de ouvido e verifico as mais recentes adições ao meu iPod. Com certeza, há algumas novas de Nina, uma música animada que soa vagamente familiar e, de alguma forma, faz tudo parecer bem. É uma boa batida - fácil para eu caminhar – e as palavras, eu espero, são para mim tanto quanto são para ele.

Eu não tenho de fazer um desvio para escorregar em uma das entradas da biblioteca. Os pisos superiores públicos têm alguns humanos que vagueiam ao redor, mas quando eu chego à área restrita no fundo de uma escada em espiral de mármore, o único vampiro à vista é Marcus, sentado em seu lugar de sempre. Ele fareja e olha para cima quando me aproximo.

"Isabella." Ele diz, parecendo como um paciente mental levemente assustado, "Eu estava exatamente pensando em você ontem, e aqui está você".

Parece e soa como se ele não estivesse acostumado a falar - como se cada palavra lhe custasse algo.

"Desculpe interromper." Eu digo, olhando para a pilha de pergaminhos e cartas ao lado dele. "Você parece muito ocupado".

"Às vezes, se eu fechar meus olhos, quase consigo fingir que ela está aqui comigo." Ele diz, tanto para si mesmo como para mim. "Você pode imaginar, eu costumava pensar que era bobagem de Didyme escrever cartas para mim quando mal estávamos além de algumas horas de distância. Agora elas são tudo o que me resta dela".

"Eu amo receber bilhetes de Edward." Eu digo suavemente, chegando um pouco mais perto. "Ele acabou de deixar um para mim esta manhã".

"Ele deixou? Que tipo de coisas ele escreve para você?" Ele pergunta, uma curiosidade leve se misturando com o seu usual tédio dolorido.

Eu lhe entrego o bilhete e ele sorri minuciosamente, verificando-o. Ele não diz nada quando o entrega de volta, mas extrai uma carta bem gasta do seu bolso e começa a lê-la. Eu me pergunto se eu deveria esperar, ou dizer algo. Eu me pergunto se ele se lembra que eu estou aqui.

"Didyme? É esse o nome da sua esposa?" Pergunto encorajadoramente.

"Você disse é, e não era." Ele sussurra, ainda olhando para o papel. "Por que isso?"

"Você obviamente ainda a ama." Eu digo, pensando em Charlie e sua total incapacidade de superar Renée. "E ela não queria deixar você. Portanto, ela ainda é sua esposa, mesmo que você não possa vê-la".

Se um vampiro pudesse chorar, acho que ele o faria. Ele não se move, exatamente, mas parece que algo dentro dele sim. Quando ele olha para mim de novo, ele está todo ali, talvez pela primeira vez. Parece que leva para ele um grande esforço.

"Eu sabia que você entenderia." Ele acena com gratidão. "Eu sabia. Todos eles dizem que eu deveria seguir em frente, mas isso não faz sentido".

"Isso é ridículo. Eu nunca seguiria em frente se algo acontecesse com Edward. Estou falando sério - acho que eu ficaria arrasada".

"Eu sei. Eu posso ver isso a seu respeito." Ele diz, inclinando-se profundamente para olhar profundamente nos meus olhos. "Eu acho que vocês dois ficariam perdidos sem o outro".

"Algumas coisas são óbvias. Quero dizer, basta olhar para isto-" Eu digo, apontando para as cartas na cadeira. "Edward me disse que são todas cartas de amor da sua esposa. Isso é verdade?"

"Sim, todas elas. Palavras que ela escreveu quando ela quis ficar comigo. Algumas ela escreveu quando eu estava lendo, ou conversando com alguém, e ela não precisava da minha atenção, mas queria dar-me a dela. Ela era assim." Ele diz, e uma luz suave vem aos seus olhos quando ele diz isso. "Você gostaria de lê-las? Quero dizer, enquanto você está aqui, não levar alguma com você".

Ele parece um pouco em pânico ao pensar que eu levaria alguma das suas cartas que ela escreveu.

"Eu adoraria. Posso sentar com você?" Eu pergunto, só porque Alice disse que ele ficaria mais disposto a falar se eu sentasse no lugar dela. "Você pode me contar sobre ela, se você quiser, mas eu não sei se isso é muito doloroso?"

"Eu quero falar sobre ela." Ele insiste, movendo bastante das suas cartas de lado para que eu possa sentar. "Ninguém quer escutar".

Ele parece tão triste, que eu simplesmente quero abraçá-lo, mas você não pode confortavelmente abraçar um vampiro bebedor de humanos, então eu concordo e toco seu braço gentilmente.

"Eu vou ouvir".

"Nossa história é muito longa, Isabella." Ele diz com admiração, quase como se ele próprio estivesse ouvindo isso pela primeira vez. "Nós nos conhecíamos quando éramos humanos, veja só. Ela era irmã de Aro, e mesmo que eu não me lembre daqueles dias muito bem, acho que eu sempre fui apaixonado por ela. Eu a amei por mais de três mil anos".

Santa merda fodida. Eu sabia que eles estavam lá durante o Império Romano, mas isto é muito mais do que eu esperava.

"Isso é como, antes dos romanos!" Eu sussurro alto. "Você era o que, Etrusco*?"

*Etrusco: natural da Etrúria (país antigo que ficava situado na Itália). Os Etruscos eram um aglomerado de povos que viveram na atual Itália, na região a sul do Rio Arno e a norte do Tibre, então denominada Etrúria, e mais ou menos equivalente à atual Toscana, com partes no Lácio e a Úmbria. Desconhece-se ao certo quando os Etruscos se instalaram aí, mas foi provavelmente entre os anos 1200 e 700 a.C. Nos tempos antigos, o historiador Heródoto acreditava que os Etruscos eram originários da Ásia Menor, mas outros escritores posteriores consideram-nos italianos. A sua língua, que utilizava um alfabeto semelhante ao grego, era diferente de todas as outras e ainda não foi decifrada, e a religião era diferente tanto da grega como da romana.

"Mais velho do que isso: nós fomos feitos pelos primeiros." Ele zomba com orgulho. "Tudo isso, nosso castelo subterrâneo, é a Volterrae original, você sabe. Estas eram construções de pedra que os historiadores chamam de Período Neolítico. Não que nós o chamamos assim, nós realmente não o chamávamos de nada até que a escrita surgiu. Nós nascemos aqui, nós três, e nos transformamos aqui também".

"Como ela era?" Eu pergunto, pegando uma das cartas dela. Escrita linda e elegante. "Aposto que ela era linda. Vocês todos são, na verdade".

"Ela era adorável." Ele diz sonhador, "Com longos cabelos negros e enrolados e o sorriso mais doce que eu já vi. Ela era gentil e muito engraçada também. Ela sempre fazia todo mundo muito feliz. Ela poderia até mesmo fazer Caius rir".

"Está brincando!" Eu realmente não consigo imaginar Caius rindo de qualquer coisa. A menos que envolva a tortura de gatinhos, ou algo igualmente terrível.

"É verdade. Todo mundo a amava muito." Ele diz, sua carícia em um envelope sobre as palavras que ela escreveu soando como dois pedaços de papel escovando um contra o outro. "É por isso que é tão difícil entender o que aconteceu com ela. Quem poderia querer que ela desaparecesse?"

"Ela parece incrível. Se ela era irmã de Aro, por que ele não conversa sobre ela com você?"

"Ele diz que é muito doloroso. Isso o incomoda muito." Ele parece bastante chateado consigo mesmo. "Foi ele quem a transformou, afinal. Eu estava fraco demais para tentar eu mesmo. Com medo de matá-la, você sabe. Tenho certeza que Edward entenderia isso. E ele foi quem descobriu o que restava dela - suas cinzas. Ele disse que nunca falaria dela de novo, e ele não tem falado. Ele não pode suportar quando os outros falam dela também".

"Ele a amava tanto assim?" Eu pergunto, a minha curiosidade despertada.

Como seria Aro com uma irmã? Uma irmã amorosa?

"Oh, sim! Era impossível não amá-la. E ela o amava muito, intensamente. Eles nem sempre se deram bem, no entanto. Ela não tinha medo de criticá-lo em particular sobre sua maneira de fazer cumprir a lei. Eles entrariam em desacordo de tempos em tempos, mas eles eram família. Na verdade, eles só tiveram um desentendimento de verdade, mas isso cresceu ao longo do tempo. Eles estavam em um impasse quando se tratava do sofrimento dos outros. Aro chamava isso de amor à justiça e estabilidade, e a acusava de ser mole demais para entender o que é necessário para governar. Ela não gostava de machucar humanos também. Ela costumava morrer de fome até nós implorarmos para ela beber, e então ela só beberia dos muito velhos, que estavam prontos para ir. Ela lhes daria um momento de verdadeira felicidade, antes de dar-lhes a morte".

Eu não estou realmente certa do que dizer sobre isso, e estamos ambos em silêncio até que eu penso em algo vagamente apropriado.

"Eu acho que Carlisle é assim também." Eu ofereço, ao invés de, obviamente, apenas levá-lo a falar novamente.

"Eu sei que ele é. Ele e Aro eram grandes amigos, como você sem dúvida sabe. De certa forma, para Aro era como ter Didyme de novo. Ele é tão amável como ela era, talvez ainda mais, por causa da sua dieta, mas ele é mais gentil do que alegre. Ela era pura felicidade. Embora, no final, assim como Carlisle, ela não podia ficar para assistir Aro machucar mais ninguém. Ela queria ir embora também".

"Ela queria ir embora?" Repito, surpresa. "Mas e quanto a você?"

"Oh, eu certamente iria embora com ela." Ele diz em sua voz fantasmagórica e oca. "Como se eu pudesse fazer qualquer outra coisa. Eu iria para onde quer que ela fosse. Eu queria segui-la na morte, mas eu tenho deveres, afinal".

Eu posso exatamente ver isso – a irmã amada de Aro e seu melhor, prestes a abandoná-lo para sempre. Uma suspeita sombria se enraíza na minha mente, uma que tem a ver com por que não podemos simplesmente ir embora em paz, e as sombras nos olhos de Alice quando ela diz a Edward o que ele pode e não pode fazer.

"O que Aro disse sobre isso?" Pergunto cuidadosamente.

"Aro nunca descobriu que estávamos indo embora." Ele diz distraidamente. "Nós diríamos para ele juntos, logo antes de irmos embora. Mas então ele a encontrou já queimando - apenas uma mão deixada no momento em que ele chegou lá, e um pouco do cabelo dela. Ele ficou devastado. Totalmente e completamente. Ele enlouqueceu com isso".

"Então você não disse a ele?"

"Ele sofria tanto que eu não tive coragem para lhe dizer que estávamos indo embora. Não havia qualquer razão para isso, de qualquer maneira. Tenho certeza que ele viu isso na próxima vez em que ele me tocou. Mas ele nunca segurou isso contra mim. Não que eu o culpasse. Eu uma vez implorei para ele me matar, mas ele disse que seria demais para ele perder a mim também".

Eu tremo com a maneira como seus olhos brilham quando ele menciona o suicídio, mas eu entendi isso também.

"Isso é tão triste." Eu simpatizo, minha mente processando. "Quem fez isso com ela?"

"Aro disse que os Romenos estavam, provavelmente, por trás disso, por vingança. Ele estava absolutamente lívido na sua dor, e ele a descontou neles mais uma vez. Qualquer um que eles tivessem recrutado, ele roubava ou destruía. Todos os seus bens pilhados ou queimados. Ele os puniu em uma fúria cega, tomando tudo o que eles tinham conseguido construir desde a última vez que os vencemos. Foi quando Chelsea se juntou a nós. Ela costumava morar com eles. Mas Caius... Caius acha que foram lobisomens".

"E você? O que você acha?" Eu pergunto, perguntando-me como eu poderia ter alguma vez pensado que Marcus parecia entediante. Claramente, ele está apenas mascarando sua dor intensa.

"Eu simplesmente não entendo isso." Ele murmura distraidamente. "O que eu devo fazer agora?"

"Você, coitadinho." Eu digo, sentindo uma quantidade surpreendente de empatia por alguém que bebe sangue humano. "Como é que você continua?"

"Às vezes eu posso desaparecer em um bom livro." Ele diz sonhadoramente, pegando um livro cheio de orelhas do assoalho. Eu juro que tem Fabio na capa. "Eu não costumo ler livros bobos como esse, mas às vezes é bom saber que as coisas serão felizes no final".

Eu sorrio, apesar de tudo.

"Eu sei o que você quer dizer. Eu acho que eu li Jane Eyre uma centena de vezes. Quando eu leio, é mais sobre o conforto do que quando estou lendo algo novo".

"Oh, você gosta de ler também?" Ele pergunta, o fantasma de um sorriso em seus olhos. "Eu não esperava isso. A maioria dos jovens gosta de filmes, me disseram. Que tipo de livros você lê?"

"Todos os tipos, mas eu comecei com os clássicos." Eu começo.

"Você quer dizer, como Eurípides?" Ele interrompe, com um olhar que quase parece meio animado. Para ele, de qualquer maneira. "Eu também adoro os clássicos, minha cara. Suas peças me fazem apaixonar-me por histórias e livros. Os primeiros volumes da minha coleção".

Eu não o corrijo porque eu sou a idiota que pensa que a palavra "clássicos" é a escolha correta para descrever as irmãs Brontë para um vampiro de três mil anos de idade.

Eu apenas o ouço enquanto ele fala da sua esposa de forma tão vívida que posso praticamente vê-la e senti-la perto de mim.

"Ela teria gostado muito de você e Edward." Ele diz, suas palavras escapando como se fossem muito difícil para ele deixá-las sair. "Como Aro, ela amava a música, mas, ainda mais do que isso, ela gostava de ver dois jovens apaixonados".

"Eu gostaria de ter podido conhecê-la. Eu poderia valer-me de um amigo agora, e eu realmente não posso falar para os seres humanos sobre as minhas preocupações".

"Sobre o que você está preocupada, minha cara?" Ele pergunta, seus olhos tristes parecendo quase preocupados.

"Bem, muitas, na verdade. Por um lado, eu não posso esperar para ser uma vampira, para que eu seja digna de Edward." Eu confidencio. "Espero que Aro deixe eu me transformar em breve. Às vezes eu me preocupo que ele não vai me deixar até que eu pareça muito velha para ser companheira de Edward. Ele é tão bonito como é - eu não sei por que ele está comigo quando ele poderia ter alguém como Heidi, ou Rosalie, ou..." Eu paro desconfortavelmente. Não é como se Chelsea fosse Voldemort, ou algo assim, mas desde que Demetri a caracterizou como tendo Edward como uma espécie de meta, eu não quero dar a ela o mínimo de poder, mesmo na minha mente.

"Você não sabe que ele sente o mesmo por você?" Ele pergunta urgentemente, assustando-me com a intensidade incomum. "Ele já é um vampiro, eu não quero dizer isso, mas ele não se sente digno de você. Eu não sei por que, mas é verdade. Confesso que me sinto um pouco culpado por deixar Aro ver a natureza da sua ligação. Eu podia ver tanto a devoção inabalável que vocês têm um pelo outro e a insegurança também. Eu não sei por que ele insiste em brincar com seus sentimentos. Pelo que vale a pena, eu fiz as minhas objeções conhecidas. Por favor, não duvide do amor de Edward por você".

Ele parece tão insistente que suas palavras me aquecem e fortalecem. Ainda assim, uma vozinha na minha cabeça levanta a velha objeção.

"Eu sei que ele me ama, mas eu nem vejo como isso é possível." Eu confesso, encolhendo os ombros, impotente. "Quero dizer, isso seria como eu me apaixonando por um esquilo, não é? Como ele pode estar com alguém como eu? Ele é tão brilhante – sua mente é tão bonita como o seu rosto, e sua música! Ele é perfeito, e eu sou apenas... desajeitada, esquecida, lenta e humana".

"Você deveria ver vocês dois do jeito que eu vejo você." Ele parece mais vivo do que eu já vi até agora, seus olhos avermelhados suplicantes. "Você e Edward, vocês têm o que Didyme e eu uma vez tivemos. Vendo a ligação entre você, isso me faz sentir que, mesmo que não haja esperança para mim, o amor ainda vive em algum lugar. Quando você está por perto, é mais fácil para eu me lembrar dela. Por isso eu agradeço você".

"Eu sinto muito por você perder seu amor." Eu sussurro, uma única lágrima escorrendo pela minha bochecha.

Ele a pega, a pele seca fina do seu dedo áspero suavemente contra a minha bochecha. Ele olha em confusão para o seu dedo brilhante e traz aos seus lábios, se para beijar, ou provar, eu não sei. Ele fecha os olhos, e eu reconheço a sua expressão dos momentos em que Edward prende a respiração para se controlar. Um delicado tremor passa pelo meu corpo, e os cabelos na parte de trás do meu pescoço arrepiam. Sento-me muito, muito imóvel, até que ele abre os olhos, olhando não para mim, mas para longe atrás de mim.

"Minha querida, eu receio que você esteja me deixando com sede." Ele diz, confirmando minha suspeita. "Talvez você deva ir embora agora. Vejo você neste fim de semana, sim?"

"Sim, este fim de semana." Eu concordo. "Nós vamos nos apresentar para a festa de inverno de Aro. Nós estaremos lá".

Quando me levanto para ir, eu não estou nem um pouco surpresa ao encontrar Edward bem atrás de mim, parecendo tenso. Eu vou para os seus braços para lembrar nós dois de que tudo está bem.

À medida que reentramos no mundo humano, eu percebo que deixei cair minhas flores de limão. Em minha mente eu posso vê-las onde elas devem ter caído entre as cartas de amor de Didyme para Marcus.

"Minhas flores!" Eu digo, querendo correr de volta e recuperá-las, mas Edward me segura perto, me parando. "Mas você me deu elas!"

"Eu vou pegar mais para você hoje à noite." Ele promete, beijando minha bochecha. "Há uma abundância de flores no mundo, mas Marcus não estava mentindo, e não há substituição de você".

~oЖo~

"Você está maravilhosa... como uma pálida deusa grega." Edward murmura no meu cabelo alguns dias depois, seus dedos traçando sobre a seda macia drapejando do meu vestido onde se encontra com a minha pele. "Eu não acho que eu deveria deixar você sair do nosso apartamento com essa aparência".

Quando ele diz coisas assim, com aquele tom possessivo e olhar em seus olhos, eu não quero deixar o apartamento.

"Você simplesmente tem que encontrar alguma maneira de marcar o seu território, então." Eu o provoco, mas seus olhos ficam instantaneamente escuros e uma emoção sobe pela minha espinha ao ver que ele está tomando isso como um desafio.

Eu gostaria que pudéssemos ficar em casa, mas essa festa é mais ou menos outra desculpa para Aro nos exibir e fortalecer nossos laços com os Volturi. Quase todos os vampiros na Itália estarão lá, e – eu descobri por acidente e muito para o desprazer de Edward – vamos chegar depois do "jantar" para a música e socialização. Estou um pouco irritada com sua tentativa de esconder esse pequeno detalhe de mim no início. Como se eu não soubesse que eles se alimentam em algum momento. Eu não sou estúpida. É perturbador estar ciente de que está realmente acontecendo, porém, e encontro-me incapaz de entrar na coluna durante nosso ensaio antes de entrar como um resultado. Eu sei que isso incomoda Edward também.

Ele segura uma porta para mim e termina o fluído movimento ao envolver seu braço em volta dos meus ombros ao entrarmos, sua linguagem corporal claramente confiante e territorial enquanto nós vamos nos encontrar com todos.

E eles olham para nós quando fazemos a nossa entrada. O grande salão está cheio de todos os vampiros que eu vi até agora na Itália, bem como alguns que eu nunca tinha visto antes, todos vestidos lindamente. Seu perfume coletivo me lembra de andar em algum lugar estranhamente perfumado, como uma floresta tropical, ou o balé na noite de abertura. É um pouco intimidante estar em tal espaço com novos vampiros, então eu me aconchego para o lado de Edward um pouco.

"Você tem certeza que Alice deu a todos o sinal limpo?" Eu pergunto, um pouco sobrecarregada pelo grande número deles.

Edward enrijece e eu sigo o seu olhar para ver Demetri, ladeado de ambos os lados por Renata e Heidi. Pela primeira vez desde então, estamos no mesmo lugar e ele não está me dando aquele olhar assustador. Eu não sei a quem agradecer por isso, porque estou bastante certa de que as ações de Demetri estão fora do alcance da influência divina.

"Eu não acredito nisso." Edward faz uma carranca, escaneando o salão.

"O quê?" Eu pergunto.

"Ele está tentando deixar você com ciúmes".

"Ele está?" Eu pergunto, incrédula. "Mas ele não está nem olhando para cá".

"Vê como ele está prestando atenção tanto a Heidi como Renata e não olhando para você, afinal?"

Olho de novo e vejo Heidi sorrindo beatificamente para ele enquanto brinca com o seu cabelo. Isto pareceria quase romântico se ele não tivesse a outra mão na bunda de Renata. Quero dizer, eu acho que poderia ser romântico, se Heidi estiver bem com isso, mas pela maneira que Demetri age e Renata sorri, eu tenho quase certeza que ela sequer sabe o que está acontecendo.

"Não é ótimo?" Pergunto sob a minha respiração. "Embora seja meio difícil perder o seu grande alcoviteiro lá. Você acha que Heidi sabe que ele está apalpando Renata agora?"

"Ela sabe agora, graças a você".

Porcaria. Esqueci sobre a audição de vampiros porque Heidi se afasta de Demetri, que olha diretamente para mim com este olhar frustrado e dolorido. Certo, não olhar mais para ele esta noite.

"Oh, vamos lá." Eu sussurro furiosamente, olhando para a camisa de Edward. "Não me diga que os sentimentos dele estão feridos agora".

"Bem-vinda ao mundo do ego masculino hiperinflado." Diz Edward, um toque de malícia rastejando em seu tom. "Basta imaginar o que ele sentiria se soubesse que você vomitou na mera sugestão de que você pode estar o incentivando. Oh não, onde ele está indo agora? Acabamos de chegar aqui".

Seus olhos brilham com satisfação quando Demetri, com raiva, foge para fora do salão, deixando para trás duas fêmeas parecendo irritadas. Por um momento o rosto de Edward é quase irreconhecível até que eu recordo de não ter sido capaz de imaginá-lo matando 137 assassinos e estupradores. Agora, eu posso imaginar isso com bastante facilidade.

"Foi algo que eu disse?" Ele pergunta inocentemente. "Que vergonha. O que é uma festa sem Demetri?"

"Muito mais agradável." Eu admito, me perguntando como eu posso fazer algo semelhante para banir Chelsea, onde quer que ela esteja. "Mas foi realmente necessário? Agora Renata está olhando para mim, e Heidi parece chateada".

Heidi nunca foi nada além de agradável comigo. Se ela não fizesse o que ela faz para os Volturi, eu poderia até mesmo nos ver tornando amigas.

"Aí está você." Aro diz atrás de nós. "Eu estava esperando que vocês pudessem estar prontos para cantar uma das árias de Zerlina hoje à noite? Eu sei que você a pegou na semana passada, mas estou com vontade de ouvir 'Batti Batti'".

"Vou tomar uma facada nisso." Eu digo casualmente, embora eu esteja menos do que satisfeita em ter que mostrar algo que eu realmente não tenho aperfeiçoado. "Ainda que eu prefira fazer algo mais sólido".

Para mim, preparar uma ária é meio como fazer gelatina. Você pode apressar tudo que você quer para memorizá-la, mas há um acerto certo para o corpo que simplesmente leva tanto tempo quanto isso vai levar antes que esteja pronto, e minha gelatina Zerlina não está completa ainda. Felizmente, esta ária foi atribuída a um dos alunos de graduação no estúdio do Dr. George (e no laboratório de ópera da pós-graduação do Dr. Adana) do semestre anterior, por isso, enquanto eu sou nova para cantá-la, eu já a tenho memorizada, movimentos e tudo, então será aceitável. Parte de mim quer simplesmente dizer não e fazer outra coisa.

"Tenho certeza que você vai fazer muito bem, minha querida." Aro diz despreocupadamente.

Falando em assustador, começo a sentir olhos nas minhas costas e viro a cabeça a tempo de testemunhar a expressão "se olhar pudesse matar" na forma de Jane. Felizmente, ela está apenas tentando me mandar para uma ilusão de dor horrível com a sua mente, então isso é um completo desperdício do seu tempo.

"Jane, você poderia, por favor, parar?" Edward reclama, parecendo aflito.

"Eu não sinto nada quando ela faz isso." Eu o tranquilizo, "Além da sensação de estar vagamente assustada".

"Mentirosa." Ela bufa, "Você se virou. Você obviamente sentiu alguma coisa".

"Só porque você estava olhando para mim como uma aberração".

"Eu posso ler a sua mente, Jane." Edward olha para ela. "Eu posso dizer totalmente quando você está fazendo isso".

"Eu posso fazer você gritar como uma menina, Edward." Ela diz com um belo sorriso. "E se você não calar a sua boca, eu vou".

"Senhoras, senhoras, por favor." Aro diz, parecendo se divertir totalmente. Eu não tenho certeza, mas ele parece estar se dirigindo a Edward também. "Nós devemos estar nos apreciando, não reprocessando velhas disputas".

"Bem, talvez nós possamos começar uma nova luta porque Edward e Isabella fizeram Demetri ir embora." Jane diz de forma malévola, conseguindo um último empurrão enquanto Renata e Heidi se aproximam.

"Isso não é divertido. Eu tinha planos para ele. Por que ele foi embora?" Aro pergunta. Renata toca o braço dele e ele olha para a porta de entrada com desagrado. "Que irritante. Honestamente, se alguém é uma primadonna* em Volterra, é ele. Isabella, você deveria tomar nota e seguir o exemplo dele".

*Primadonna: diva, deusa, cantora principal.

"Eu deveria?" Eu pergunto, confusa. "Eu pensei que você estivesse 'impressionado com o meu profissionalismo'. O que aconteceu com isso?"

"Bem, sim, mas, minha querida, você é tão agradável que está francamente deixando você um pouco sem graça." Ele diz, estremecendo um pouco, como se em desculpas. "Quero dizer, eu a coloquei em um coro de reparação e mudei sua programação cinco vezes sem qualquer queixa de você em nada. A maioria dos sopranos estaria gritando para mim por agora, mas você, você simplesmente continua fazendo o que for que eu lhe peço para fazer. Emil não te ensinou nada?"

Eu estreito meus olhos para ele, muito lívida. Quero dizer, este é o mesmo cara que me disse para dar beijo de adeus à minha família antes de vir aqui, insinuando que, ou eu quebraria os laços com eles, ou ele os mataria, e agora ele quer que eu finja que ele é indulgente de temperamentos artísticos? Eu penso em cerca de 20 coisas que eu gostaria de dizer a ele, mas todas elas parecem insensatas, então eu tomo uma respiração profunda. Perversamente, ele parece intrigado quando ele me observa irritar-me, mas Edward acaricia minhas costas duas vezes, um sinal de cautela.

"Agora que você mencionou," eu digo uniformemente, "Dr. George uma vez me disse que o patrono pode pedir algo que não esteja pronto, e que eu tenho que proteger a arte em primeiro lugar".

"É verdade." Ele diz, me observando de perto.

"Então, eu vou cantar 'Vedrai, carino' esta noite em seu lugar. 'Batti, Batti' está tecnicamente memorizada, mas não é arte ainda".

"Certo, o que seja." Ele diz com desdém antes de girar para Heidi. "Onde você encontrou aqueles turistas? Eu tive reclamações sobre alguns deles. Quantas vezes eu tenho que te dizer, Heidi, nada de vegetarianos. Seu sabor é sempre desligado".

Ele ignora a ingestão acentuada de ar de Edward e o olhar de desaprovação. Eu acho que não é por acaso que eu nunca ouvi sobre esse tipo de coisa, porque Edward parece bastante chocado com a discussão. Eu me pergunto se não comer carne faria meu perfume mais fácil para Edward lidar.

"Você pediu muito." Ela diz defensivamente, "E não é nem mesmo época turística!"

"É por isso que planejamos com antecedência." Ele diz raivosamente. "Se eles não vêm para Volterra, então você faz planos alternativos".

"Esses caras pareciam saudáveis o suficiente, e eles estavam realmente incomodando os outros turistas." Diz Renata, em uma possível tentativa de aplacar Heidi. "Quero dizer, eles falavam e falavam sobre por que todo mundo deve parar de comer carne. Eles tinham uma lista de 99 motivos! Eles continuaram falando sobre como isso deixa você mais calmo, mais carinhoso, mais chances de ser fiel ao seu cônjuge, se você pode acreditar nisso".

"Oh, é mesmo?" Murmura uma voz suave que eu não reconheço, mas depois eu reconheço Sulpicia, esposa de Aro, quando ela entra em nosso pequeno círculo e coloca a mão no braço do marido. "Eu me pergunto se isso vale para os vampiros também. Aro, você não disse que o grupo de Carlisle é bastante famoso por sua constância aos seus companheiros? É verdade, Edward?"

"Não há humanitários suficiente para fazer qualquer afirmação significativa de uma forma ou de outra." Aro responde laconicamente. "Marcus sempre teve uma dieta razoável, e ele não vai sequer pensar em tocar outra mulher, mesmo agora".

"Sim, mas Didyme não gostava de matar as pessoas." Sulpicia aponta, divertida. "Ela morreria de fome por semanas, e então, depois que ela se sentisse tão mal com isso, ela andaria pela cidade fazendo todo mundo feliz, só para compensar isso".

"Não me lembre." Aro protesta com as mãos para cima. "Além disso, aquelas garotas em Denali são bastante famosas pelas suas façanhas com homens humanos. Os súcubos* originais. Muito escandalosas na Rússia, de acordo com Demetri. Eu uma vez pensei em fazer algo sobre elas, mas elas eram excelentes advogadas de si mesmas. Que garotas lindas!"

*Súcubo: demônio (espírito ruim) que, segundo a lenda, pratica relações sexuais com homens durante o seu sono.

Sulpicia enrijece em aborrecimento, e eu não a culpo. Edward era razoavelmente cavalheiresco sobre os avanços de Tanya em seus diários, mas a sua atitude em relação a ela era claramente familiar e nada romântica. Eu só posso imaginar como Aro deixou-se ser persuadido por elas.

"Eu sei de alguns membros solteiros do Clã Denali que gostam de relacionamentos casuais." Edward admite, com um tom uniforme e respeitoso tanto para Aro como Sulpicia. "E as irmãs são muito amigáveis, mas não conheço nenhum membro casado que alguma vez tenha se desviado dos seus votos de casamento".

"É por isso que você é tão fiel a Bella?" Renata pergunta, com um olhar incisivamente traiçoeiro para Chelsea. "Quero dizer, você é o primeiro vampiro a recusar todas as solteiras entre nós".

Eu acho que eu amo Renata agora, porque pelo olhar nos rostos de todos – especialmente no de Chelsea - Demetri estava fora de base em suas insinuações.

Não, não, ela ainda mordeu Jasper, eu me lembro silenciosamente. Ainda assim, ela subiu no meu livro, consideravelmente.

"Sim, mas antes de você encontrar sua companheira." Chelsea pressiona, nem mesmo olhando para mim, "Certamente você deve ter apreciado a companhia das suas amigas em Denali, certo, Edward?"

"Definitivamente não. Eu não sou amigável." Edward responde, sorrindo maliciosamente para mim.

Todo mundo ri, como se ele estivesse fazendo uma piada, mas eu conheço melhor. É verdade, ele é apenas educado, então ele não se sente obrigado a ser amigável. A lista de pessoas a quem ele mostra afeição é incrivelmente curta, e eu acho que tem a ver com os seus pensamentos desprotegidos. Carlisle, Alice, Esme, Emmett, Ângela. E então existe eu, por algum motivo.

"Então como é que vocês dois ficaram juntos?" Renata pergunta, perplexa.

"Era inevitável, uma vez que nos conhecemos." Edward diz. "Embora eu tenha tentado ficar longe por um tempo, já que ela é humana".

"Você foi muito convincente até Demetri tentar me matar." Eu digo com um arrepio.

"A velha rotina da donzela em perigo?" Chelsea pergunta conscientemente. "Eu deveria ter adivinhado. Isso quase sempre funciona".

Um pouco distraída por essa ideia de arrancar a cabeça de Chelsea e tacar fogo nela, eu capto os olhos de Jane atirando para frente e para trás de Edward para mim e vice-versa. Eu fico um pouco tensa, meio que esperando outro ataque.

Ela percebe que eu a noto e sorri docemente, nunca um bom sinal vindo dela.

"E, como para o resto do absurdo," Aro continua, como se não interrompesse, "Edward tem um temperamento completo. Eu vi por mim mesmo, assim como aqueles de nós que fomos para Seattle no ano passado".

"Na verdade, é mais fácil controlar o meu temperamento quando estou me abstendo." Edward diz com uma calma quase angelical. "Quando eu passei pela minha fase rebelde, como você a chamou, eu perdia a minha paciência com bastante frequência, mas, felizmente, era meu objetivo matar as pessoas que me irritavam, por isso funcionou bem. Quando eu voltei para a família, demorei um pouco para me acalmar. Eu notei a mudança depois de aderir às nossas regras novamente".

"Família?" Heidi pergunta curiosamente. "Você não os chama de Clã?"

Aro dá a Edward um olhar azedo.

"Há dois Clãs que eu conheço que se abstém de sangue humano." Ele continua, impávido. "Nós nos consideramos sendo mais como família do que meramente clãs. Às vezes vivemos separados, se temos alguma meta a perseguir, como eu fiz recentemente com a música, mas nós gostamos muito uns dos outros".

"Isso soa lindo." Sulpicia diz docemente, para a descrença evidente de Aro. "Eu me pergunto, quão difícil é resistir ao sangue humano? Eu nunca tentei".

"Você concordou em não defender seu estilo de vida desviante aqui." Aro silva para Edward, inclinando-se para ele.

"E você concordou em se abster de discutir o seu na frente de Isabella." Edward responde em um tom igualmente cortante, abafado. "Eu acredito que você começou essa linha de conversa, Aro. Estou apenas sendo educado e respondendo às perguntas que vêm disso. O que você queria que eu fizesse, fosse rude e ignorasse sua adorável esposa quando ela me faz uma pergunta?"

"Você trouxe isso à tona, querido." Sulpicia diz nesse tom em que apenas o cônjuge poderia se safar.

Ela acaricia o braço dele e eu só posso imaginar a conversa silenciosa e unilateral acontecendo que o faz relaxar e sorrir.

"Claro, você está certa, querida. Touché, Edward." Aro admite, em uma aparência de benevolência. "O erro foi meu. É completamente natural ser curioso sobre como fazer uma escolha tão estranha. Eu me senti da mesma forma quando Carlisle vivia aqui. Estávamos sempre discutindo sobre isso do ponto de vista filosófico, então um dia eu aceitei a sua oferta para ir caçar com ele. A parte da perseguição foi divertida, provavelmente mais para um jovem vampiro menos experiente. Cervos tendem a ser muito mais rápidos fisicamente do que os seres humanos, mas não tão inventivos. Eu sempre preferi uma busca mais cerebral quando eu era mais jovem e gostava do esporte nisso. O sabor, no entanto, não posso imaginar um dia me acostumando a isso. Carlisle, eu quase posso entender. Ele não sabe de nada. O único sangue humano que ele já provou, ele cuspiu antes que pudesse mesmo desfrutar o sabor, quanto mais experimentar a satisfação. Mas você, Edward, você sabe o que é ficar realmente satisfeito. Como você pode ficar sem ele?"

Tenho a sensação de que estou assistindo um político magistral. Aro parece estar tomando a temperatura da multidão, e ele me lembra de algo em um dos livros de Eleazar, sobre bons líderes não lutarem contra a vontade do povo, mas dobrarem suas inclinações naturais e curiosidades para atender seus próprios propósitos. Felizmente, Edward leu todos esses livros também, e parece não se incomodar.

"Disciplina, principalmente." Edward responde, conversando. "E nós frequentemente caçamos uma variedade de animais. Como você mesmo apontou, os carnívoros tendem a ter um gosto muito melhor do que os herbívoros. A propósito, Aro, se você algum dia quisesse tentar de novo, javali é bastante similar ao humano em sabor, porcos domésticos também. Carlisle nunca vai beber isso porque ele teme que poderia fazê-lo desejar sangue humano".

"Sério?" Eu pergunto, surpresa. "Edward, você nunca me disse isso antes. Você acha que se eu me tornasse vegetariana, seria mais fácil para você?"

"Eu não sei se seria aplicável à situação de cantora." Ele diz gentilmente, pegando uma das minhas mãos e completamente encapsulando-a com as suas. "Mas você adora bife e presunto e tudo isso. Eu não pediria isso a você".

Heidi e Sulpicia sorriem uma para a outra, para o meu constrangimento. Este é o meu Edward particular, e não tenho certeza se quero compartilhá-lo.

"Mas pode - eu sei que meu perfume te faz sofrer, Edward." Eu sussurro sob a minha respiração, embora eu saiba que todo mundo pode ouvir, de qualquer maneira. "Eu vou tentar, e você pode me dizer se isso ajuda".

"Você faria isso por mim?" Ele pergunta com admiração, um pequeno sorriso brincando em seus lábios.

"Eu faria qualquer coisa por você." Eu digo, meu rosto aquecendo. "Você sabe disso".

Algumas das mulheres suspiram, no que soa como lenços de seda caindo ao chão. Aro parece ficar um pouco horrorizado, mesmo que apenas por um momento.

"Por que eu não estoco a reserva com veados extras e o que for?" Aro oferece, parecendo igualmente divertido e determinado. "Vocês todos podem experimentar algum - então vocês podem ver por si mesmos as alegrias de consumir sangue que tem gosto de grama e sujeira".

Eles riem com bom humor, mas sinto uma leve tensão entre Aro e Edward. É o mesmo silêncio estranho que repousava entre eles quando Aro quis que Edward o ajudasse a ganhar a aposta com Caius. Eu não posso imaginar que algo de bom pode vir disso, mas enquanto Aro continua nos empurrando e Alice continua nos guiando, nós fazemos o que temos a fazer.

Através da multidão graciosa de vampiros em movimento felinos, ou imóveis como estátuas, eu vejo Marcus em seu trono, olhando distraidamente para a multidão. Eu tento capturar seus olhos, mas tenho a sensação de que o que quer que ele esteja assistindo não está nesta sala. Mesmo que ele seja completamente sólido e real, eu me sinto mal-assombrada, olhando-o observar algo além de nós todos enquanto ele lentamente gira um raminho de flores brancas murchas entre seus dedos.


Nota da Tradutora:

Conseguimos saber o que aconteceu com a esposa de Marcus e por que ele é tão "alheio" ao mundo, mas acho que agora, depois da conversa com Bella, ela e Edward conseguiram um aliado entre os Volturi... e o que vc's acharam dessa pequena "discussão" entre Edward e Aro? Será que ele está tramando mais alguma coisa?

Bem, só pra esclarecer, eu não postei o capítulo na semana passada pq eu tinha pedido pelo menos 12 reviews no capítulo anterior para postar, como vc's não tinham chegado a esse número, eu não postei. E essa semana eu posto com um atraso pq viajei a trabalho na segunda e na terça e hj fiquei o dia inteiro fora.

Mas vou continuar com a "meta"... 12 reviews e vc's têm o próximo capítulo na segunda-feira, caso contrário, só na outra semana... que tal tentarem chegar a 350 reviews? Acho que essa fic merece, não é?

Bjs,

Ju

Ah, pra quem acompanha, vou postar em The Screamers amanhã, sem falta!