Músicasdocapítulo (retirar os espaços):
* Prokofiev – Sonata No. 8, tocada por Sviatoslav Richter: http:/ www. youtube. com/ watch?v=h-bmxgxH_WU
* "Gavotte", da Manon de Massenet, cantada por Natalie Dessay: http:/ www. youtube. com/ watch?v=y6_MuLgHT20
Capítulo 32 – O Frio e a Sombra
Tradutora: Shampoo-chan
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No capítulo anterior:
"Se fôssemos humanos, eu não hesitaria em escolher você para ser meu herdeiro." Ele diz com uma voz gentil. "Você tem, apesar das primeiras impressões, uma capacidade natural para a liderança. Com Bella como companheira você é ainda mais formidável".
Edward me aproxima, um gesto que Aro toma com olhos gananciosos.
"Mas, ao contrário de Carlisle, eu não brinco com humanos." Ele se inclina mais perto, sussurrando, como se para nos dizer algum grande segredo. "E Edward? Caso você não tenha notado..."
Ele para, e nos seus olhos eu vejo uma força da natureza tão brutal que me faz querer acreditar em Deus, apenas para que eu possa ter para quem rezar.
"Eu não preciso de um herdeiro".
Algumas vezes você não precisa segurar uma concha perto do ouvido para ouvir o oceano. Algumas vezes tudo o que você precisa é de alguém que assuste o diabo em você, e você ouve loucas ondas batendo, exatamente como se você estivesse em uma praia. Então é como se você estivesse flutuando, como se você estivesse no oceano, e se você tiver realmente sorte, a sua cabeça não baterá em nada quando você desmaiar. Porque isso totalmente vai acontecer.
Isso só não acontece agora porque meu vampiro me segura firme.
"Posso falar agora?" Edward pergunta friamente, mal esperando pelo assentimento de Aro. "Importa-se? Você está assustando Bella. Isso não é nada bom para a voz dela".
Aro revira os olhos.
"Isso é tudo que você tem a dizer para mim?" Ele desafia.
"Você teve o seu teste e a sua diversão." Edward continua, sua expressão séria. "Bella está absolutamente apavorada, basta ouvir o coração dela batendo! Sem mencionar que foi completamente desnecessário dizer algo assim, em voz alta ou na sua mente. Se há uma coisa que qualquer vampiro propriamente criado sabe é que você não está pensando em se aposentar".
Estou tentando não me apoiar nele, mas a sensação do seu corpo próximo ao meu é tão reconfortante que mal posso me afastar. Mais ainda, meus joelhos estão tremendo loucamente.
"Pelo contrário, meu caro Edward." Aro replica, um sorriso divertido curvando ligeiramente seus lábios. "Desde que renunciei ao luxo de ler a sua mente, vejo-me tendo que me apoiar nos métodos mais mundanos só para ter a absoluta certeza de que vocês dois me entendem".
Eu malditamente o tranquilizaria se pudesse ao menos encontrar minha voz. Edward parece mais do que capaz de lidar com a situação, então eu simplesmente me concentro em respirar.
"Você viu o suficiente de mim através das lembranças de Carlisle para saber que me falta qualquer tipo de inclinação política. Você sabe malditamente bem que eu acho a companhia das criaturas mais sensíveis irritante como o inferno. Eu nem quero liderar um clã. Você realmente acha que eu quero ser responsável por todos os vampiros do planeta?"
"Eu sei que você gosta de estar no controle." Aro observa. "Você nunca experimentou o verdadeiro poder antes. Tenho uma leve suspeita de que você gostaria disso um pouco demais".
Se simpatia fosse uma borda serrilhada, ela estaria presente no tom de Aro.
"No momento, o único controle com que me preocupo é em fazer o coração de Bella voltar ao normal." Edward insiste. "Agora, acalme-se, ou vamos pular essa lição. A menos, é claro, que você esteja retirando o seu lado da barganha".
Com isso, o comportamento de Aro muda completamente de novo. Não mais o predador esperto e ameaçador, não, não ele. Aro inocente e compreensivo assume o lugar dele.
"Você é tão dramático, Edward." Ele suspira com uma hipocrisia de tirar o fôlego. "É claro que eu nunca retiraria. Eu nunca retiraria uma simples barganha, jamais. Isabela consegue lidar com mais do que você dá crédito a ela".
Abro minha boca para falar não, realmente não consigo. Aro olha para mim encorajadoramente, como se eu pudesse estar quase para concordar com ele, mas termino simplesmente meio que abrindo e fechando a boca como um peixe fora d'água. É tão humilhante.
"Ela não está acostumada aos nossos meios." Edward insiste. "Não é justo expô-la assim quando ela ainda é humana".
"Ela certamente defende o companheiro dela como um vampiro faria." Aro acrescenta, virando-se para me dar um sorriso educado. "Bella, você não está realmente apavorada, está?"
Abro minha boca e um som meio que sai, mas parece estrangulado, e definitivamente não é coerente. Aro suspira em resignação.
"Humanos são tão sensíveis." Ele murmura com certo desgosto. "Tudo bem, tirem uma folga, recomponham-se. Afaguem e acariciem um ao outro enquanto eu estiver longe. Quando eu voltar, vamos falar a respeito da adaptação de Puccini".
Eu nem mesmo o vejo sair. Ele é apenas um traço preto e prata. Vê-lo se mover tão rápido não faz absolutamente nada para acalmar a minha mente. Pelo contrário, só me faz perceber em como seria insignificante tentar bloquear o caminho dele. Ele, ou qualquer um deles, poderia me retalhar em pedaços com unhas e dentes, e é apenas Aro que os impede disso. O pensamento e a imagem da expressão furiosa dele me fazem sentir a fraqueza de novo.
Fecho meus olhos contra a sala ondulando e Edward me guia a uma cadeira para sentar.
"Vamos, não foi tão ruim." Edward murmura, gentilmente acariciando meu cabelo. "Você consegue colocar sua cabeça entre os joelhos?"
Eu rio nervosamente, porque ele realmente me afaga e acaricia. Odeio ver o mundo através dos olhos de Aro. Como ele faz um toque gentil parecer ridículo deixa-me realmente com raiva. A raiva de Aro faz-me ficar mais forte que o reconforto de Edward, o que clareia minha mente um pouco.
"Que teste?" Eu pergunto, ignorando a pergunta dele. "Você disse que ele teve o 'teste' dele. O que você quis dizer?"
"Primeiro, deixe-me ver se você está realmente bem para continuar." Ele diz, erguendo meu queixo até nossos olhos se encontrarem.
"Eu estou bem." Eu digo, derretendo quando vejo a preocupação em seus olhos. "Ficarei bem, eu só preciso entender. Ele - ele estava com tanta raiva. Quando ele se aproximou de você daquele jeito, eu fiquei tão assustada, Edward. Se acontecesse alguma coisa com você, eu juro que não conseguiria lidar".
"Por que você entrou na minha frente, Bella?" Ele diz, parecendo ligeiramente satisfeito e irritado. "O que exatamente você pensou que estava fazendo?"
"Eu não estava pensando." Balanço minha cabeça. "Mas ele parou, afinal. Ele estava tentando-" Eu paro, ciente que podemos ser ouvidos, e apenas toco a testa dele.
"Não, este era o teste dele." Ele esclarece, deixando-me imaginar se isso era uma boa notícia. "Tanto quanto Aro adoraria ler a minha mente, ele sabe que eu sou mais rápido que ele. O que ele realmente estava fazendo era aprendendo mais sobre você. Ele nunca sabe o que você vai fazer, e isso o fascina".
"Oh, Deus." Sussurro freneticamente, começando a entrar em pânico. "Eu falhei? O que ele estava procurando?"
"Você não falhou." Ele diz, seus braços me circulando. "Você não falhou, minha corajosa Bella".
Respiro a sua essência, deixando-a me estabilizar.
"Edward." Eu digo depois de um tempo. "O que foi aquilo? Por que ele agiu daquele jeito? E o que você quis dizer com eu não estar acostumada a isso?"
"Tanto quanto parecemos seres humanos, nós não somos." Ele diz pacientemente. "Nós somos criaturas cruéis, e muitos de nós geralmente agem assim. Isso foi apenas Aro expressando a sua irritação. Eu deveria tê-la avisado que isso poderia acontecer. Eu nem fiquei surpreso".
Olho para ele, incrédula, e ele ri suavemente.
"Sinceramente, Bella, isso não foi nada extraordinário. Você deveria ouvir algumas das coisas que Rosalie pensa de mim quando ela não consegue o que quer. Isso é simplesmente parte do que somos".
Há verdade em sua voz e olhos, mas as palavras de Aro permanecem no ar como centenas de adagas afiadas em um alvo.
"Rose, talvez, mas Esme? Acho difícil acreditar que ela se sentiria confortável aqui." Ele não está usando sua voz de mentira, mas não está não usando a voz também.
"Há um motivo para Esme nunca ter estado aqui." Ele me informa. "De qualquer forma, se ele tivesse pedido para falar conosco em um contexto mais formal, eu teria ficado muito mais preocupado. Foi uma reação completamente normal de Aro por não conseguir o que quer".
Eu ainda não sei se acredito nele. Por um lado, ele definitivamente mentiria para mim a respeito disto se ele achasse que deixaria minha mente em paz. Por outro lado, vampiros têm me feito lembrar sempre de grandes felinos selvagens, então pelo menos há um pouco de verdade na história dele. É provavelmente um pouco de cada.
"Ok." Eu digo, resolvendo ficar bem com isso, principalmente porque eu não tenho muita escolha, e estou cansada de me sentir como uma pessoa fraca. Quero dizer, estou me inscrevendo nisso, tecnicamente. Eu serei um deles um dia, então o mais lógico a fazer é aceitar e adaptar-se. "Se você diz que está tudo bem, eu acredito em você".
"Tem certeza?" Ele pergunta, parecendo não convencido.
"Eu escolhi este mundo quando escolhi você." Eu o lembro. "Quanto mais cedo eu me adaptar a ele, melhor é para todos nós, certo?"
Outro sussurro prateado no ar e Aro emerge silenciosamente do corredor. Escondo um estremecimento espontâneo ao abraçar forte minhas partituras. Espero que o gesto faça parecer que estou ansiosa para cantar.
"Está vendo, Edward?" Ele diz, olhos negros brilhando de satisfação. "Isabella é muito mais forte do que você pensa".
Edward se levanta ereto, ajeitando os ombros. Eu não fico realmente surpresa que Aro esteve escutando a nossa conversa, aparentemente, mas era melhor ter, pelo menos, a ilusão de privacidade por um momento.
"Você estava certo." Edward admite, com um olhar levemente distante em seus olhos. "E você está com raiva de mim por influenciar Sulpicia, mesmo sem ser intencional".
Aro estreita os olhos e ergue as mãos em frustração.
"Sim, Sulpicia. Minha própria esposa, escolhendo perseguir veados e porcos." Aro murmura irritado. "Quando ela deveria ficar como o resto do mundo civilizado. Deus, eu sinto falta de Carlisle. Ele sabia ser sutil sobre o próprio comportamento desviante, pelo menos naquela época".
"Espere, Sulpicia virou vegetariana? Humanitária, quero dizer?" Pergunto estupidamente.
"Vegetarianos. Agora eu sei por que vocês se chamam assim." Ele continua divagando. "Você tem alguma ideia de quão hipócritas novos vegetarianos podem ser? Eu não sei o que é pior, o gosto deles, ou suas lembranças. Era eu quem estava sempre tentando convertê-lo, e assim deveria ser!"
Ocorre-me brevemente lembrá-lo que eu, também, sou uma nova vegetariana, mas já que é apenas para o conforto de Edward, não tenho certeza se isso realmente conta.
"O que você quer que eu diga, Aro?" Edward pergunta, soando mais exasperado do que assustado. "Não é como se ela fosse caçar comigo alguma vez. Tudo que eu fiz foi responder às perguntas dela na sua presença. Eu deveria ter sido rude com ela?"
"Não seja estúpido." Aro sibila.
Edward dá de ombros impotentemente.
"Se você não gosta de Sulpicia caçando na reserva, diga a ela. Tenho certeza que ela obedeceria aos seus desejos".
Aro faz uma carranca e olha pela janela.
"Não, eu não posso." Ele diz amargamente. "A santificada dama nunca reclama sobre as minhas pequenas superindulgências".
Se Aro considera dormir com qualquer um que lhe dá prazer e muitos séculos de dominação mundial como "pequenas superindulgências", eu me pergunto o que ele classificaria como grande.
Nem Edward ou eu temos comentários dignos de dividir sobre isso, então, sem dizer mais nada, tomamos nossos lugares ao piano. Aro ouve enquanto faz anotações úteis em minha ficha, e ele faz algumas sugestões em particular nos lugares em que ele acha que eu devo respirar, o que faz uma melhoria surpreendente para toda a ária fluir. É um desafio usar essa nova formulação, e fico tonta na primeira vez que tentamos, mas os resultados deixam-me vibrando, física e emocionalmente. Posso sentir a animação de um momento "ahá" vindo, mesmo que não seja muito certo ainda. Percebo Aro me olhando em apreciação, como se fosse crescer outra cabeça em mim a qualquer momento.
"Isso é o bastante por agora." Ele diz, uma pontada de desafio demorando na voz. "Vá ganhar seu concurso, depois discutiremos o prêmio".
De alguma forma eu não acho essa resposta realmente encorajadora.
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Muitas pessoas pensam que aprender outra língua é algo arrogante, mas eu acho que é uma das coisas mais humildes que uma pessoa pode fazer. Quando você vai para outro país e não sabe falar a língua direito, você tem que aceitar que as pessoas vão tratá-lo, no máximo, como uma criança, ou no mínimo como um idiota. Pelos primeiros três meses, é estressante como o inferno. Você sente que seu cérebro está passando por um moedor de carne e que você pode realmente se atrapalhar quase o tempo inteiro que abrir a boca. Felizmente, eu passei por isso antes com outra língua latina e tenho meu colar mágico, então aprender italiano não é tão estressante quanto aprender francês. O que é bom, porque o estresse de ser o mascote humano de Aro já é estressante o suficiente.
Já que eu passei somente um verão na França, o que eu não sabia é que em algum momento na marca de três meses de imersão em uma língua, algo acende e as coisas ficam mais fáceis. De fato, depois disso começa a ficar divertido. Claro que eu ainda cometo alguns erros, e já há vocábulos à mão que são bastante misteriosos para mim, mas a frustração da ignorância perpétua simplesmente desaparece.
Quando as aulas reiniciam no novo semestre, meu novo horário tem o equivalente italiano a um laboratório de ópera, em vez de coro, e meus cursos de italiano mudaram básico mais tedioso para lições focando em excertos de poesia e literatura de verdade. Os excertos são surpreendentemente bem organizados, ligados a uma série maior de leitura para estudantes que já são fluentes em italiano. Enquanto as maiores leituras são quase impossíveis para eu seguir bem, ainda consigo entender algo delas, e as classes menores para aqueles em meu nível de italiano parecem mais fácil pelo contraste.
Com Francesca como minha professora de voz, minha razão oficial para estar em Volterra fica melhor o tempo todo.
E estou me acostumando com a total falta de limites dela... eu acho. Agora, estamos trabalhando em conseguir a ressonância ideal durante o canto – o que os cantores de ópera chamam de na máscara. Quando você faz isso direito, todos os ossos do seu rosto devem vibrar e, se você fizer direito, sua voz aumenta. Uma cantora de ópera com voz alta. Tipo, quase supernaturalmente com voz alta. Pelo menos, isso é o que deveria acontecer. O que atualmente está acontecendo é que estou tentando muito, mas não o tipo de tentativa. Estou fazendo tudo errado e sinto-me tão estúpida quanto uma caixa de martelos, porque foi explicado mil formas diferentes e eu ainda não estou entendendo.
"Isabella, quanto mais você vai fazer do jeito difícil?" Ela repreende, vindo na minha direção como uma leoa.
Ambas estamos quase para perder a paciência.
"Eu não estou tentando do jeito difícil!" Eu lamento, frustrada. Estou tão perto de conseguir que posso praticamente senti-lo, mas ele continua escorregando.
Ela franze a testa e toca meus ombros, fazendo um ruído estalado enquanto seus dedos surpreendentemente fortes começam a trabalhar nos músculos ali.
"Você está muito tensa." Ela diz. "Não me admira, cara mia. Você está segurando toda a energia nos ombros quando deveria estar direcionando para cima e para baixo até sair pelos seus olhos, com paixão! Você não pode prendê-la, você enlouquecerá. Solte isso. Você ouviu isso, Eduardo? Essa garota está muito tensa. Estou dando a você a tarefa de usar esses dedos mágicos nela todas as noites para que os ombros dela não fiquem como se fossem feitos de pedra".
Não posso discutir com isso.
"Sim, Signorina Bini." Ele diz suavemente. "Farei o meu melhor".
"Você pode me agradecer depois, Bella." Ela pisca para mim. "Ok, vamos tentar fazer algo diferente. Desta vez você me toca enquanto eu canto." Ela diz, trazendo minhas mãos para tocar seu rosto assustadoramente quente, pairando nas suas bochechas e nariz em particular. "Desta vez, eu quero que você veja como isso fica quando eu canto na máscara, a forma correta, o que é o contrário do que você esteve fazendo. Vá em frente, bonitão".
Ela assente para Edward e ele começa a tocar do mesmo ponto de Puccini em que estivemos martelando até a morte. Respiro fundo, limpo minha mente e preparo-me para o meu "momento ahá" pela milionésima vez.
E eu sei que estou perto – tenho quase tudo isso ajeitado - a técnica de respiração de nadador olímpico, a garganta relaxada, tudo. Eu só preciso que a pequena lâmpada exploda. Estou pronta. Tenho estado pronta. Tento ser zen de novo, querendo clarear minha mente.
Quando ela começa a cantar, ela nem está cantando alto ainda, mas eu sinto esse fraco zumbido por entre meus dedos, onde suas bochechas e o nariz descansam por baixo da pele. Embora "descansar" não seja a palavra correta. Eles estão zumbindo, como uma colmeia óssea.
E então ela aumenta a voz, e o zumbido fica mais intenso. É quase como se ela estivesse ligada em alguma coisa, e digo mais.
"Isso vem do ar, Isabella." Ela diz, batendo na parte inferior do seu abdômen antes de bater no meu. "Você se liga ao ar e o usa, usa-o todo. O ar é como água vindo de uma mangueira, e quando você aprende como cantar na máscara, usa essas suas maçãs do rosto. Ok, tente o trinado labial novamente e eu quero sentir isso no seu rosto. Faça como se você tivesse raios laser atirando das suas bochechas. Parece estranho, mas apenas imagine isso acontecendo. Imagine na sua mente, e eu acho que você sentirá isso desta vez. Tenho um bom pressentimento agora, vamos!"
Ela sempre diz que tem um bom pressentimento, e nunca desiste. É uma das coisas que eu amo nela. Ok, raios laser. Eu não sei o que isso significa, mas tento imaginar como se eu realmente pudesse atirar raios laser do meu rosto. Certamente isso viria a calhar ao lidar com Jane. Ou Demetri
Desta vez funciona. Ela coloca a mão quente no meio do meu rosto e eu começo um trinado labial, que é como dar uma assoprada na barriga de um bebê, mas meio que cantando ao mesmo tempo. As coisas mais estranhas acontecem em nome da ópera, mas isso está muito mais lá fora. Estou realmente focada e usando a quase impossível formulação de Aro quando finalmente acontece. Meu nariz, meu rosto todo até, começa a vibrar tanto que quero esfregar a pele ali. O rosto inteiro de Francesca se ilumina e ela começa a gritar comigo.
"Agora, não pare de cantar e abra a sua boca e deixe sair!" Ela fala e eu faço. E é desorientadamente alto. Francesca dá um soco no ar comemorando, e o sorriso glorioso de Edward chega muito perto de nos distrair, mas não estou deixando esse sentimento ir embora. Porque é realmente bom e estranhamente fácil, uma vez que finalmente estou fazendo certo.
Começo a me sentir tonta, mas respiro massivamente e simplesmente continuo cantando, desta vez usando as palavras, e o som ainda está lá, o zumbido ainda ali.
E é tão assustador. Eu não faço justiça à sensação; é o oposto de belting* - não estou forçando minhas cordas vocais de forma alguma. Na verdade, minha garganta está completamente relaxada. E, de algum jeito, é tão natural que me pergunto por que eu ainda não tinha feito isto antes. Tenho apenas mais duas semanas até a competição. Bem, melhor duas semanas do que dois dias, eu acho. Espero que duas semanas sejam longas o bastante para eu me acostumar a fazer isto desse jeito.
*Belting: é uma técnica vocal utilizada para se produzir uma voz mais clara projetada, em volume alto e notas musicais agudas e extremamente agudas sem danificar as cordas vocais. Pode-se dizer que o belting é a forma saudável de gritar aplicada ao canto.
"Agora que solucionamos isso." Ela diz, pressionando ainda mais. "Precisamos escolher uma nova ária francesa para você. A ária de Michaëla não é ruim para a sua voz, mas acontece que eu sei que um dos juízes está cansado de ouvi-las em concursos, e é mais fácil cantar uma nova técnica em uma nova ária do que em uma velha. Na maioria das vezes você simplesmente escorre na velha técnica".
Ela vai distraidamente até os arquivos do seu pai, obviamente não inteiramente familiarizada com o sistema dele. Depois de um instante ela desiste e vai direto até as notas de ópera.
"Vamos ver... o seu francês é muito bom." Ela diz, olhando-me especulativamente. "Quero um número para você. Algo com exuberância, com uma boa nota alta... posso vê-la como Manon. Vamos ver como Gavotte fica com você, certo?" Ela escreve o nome de uma ária e enfia o bilhete no meu caderno de canto.
"Muito bom trabalho hoje." Ela diz, e sinto-me quente da cabeça aos pés.
Poucas coisas rivalizam com a sensação de uma aula realmente boa de canto.
"Obrigada, Francesca." Eu sorrio, beijando Edward rapidamente do lado de fora no corredor antes de separarmos nossos caminhos por algumas horas.
Ele está fingindo aprender a tocar órgão este semestre, mas principalmente é para ter acesso à sala de recital, para que ele possa trabalhar na composição para esse instrumento também. Neste momento ele está trabalhando em uma variação de uma suíte de Prokofiev, uma peça tão brincalhona e maligna que nos lembra Aro. Adicione na complexidade de um órgão completo e você consegue algo que eu suspeito que nenhum ser humano possa tocar. Só de ouvir me dá calafrios, mas ver as mãos dele voarem me excita demais. De fato, ele trabalha muitas vezes nisso enquanto estou em aula porque, nas últimas vezes em que eu estava perto enquanto ele trabalhava, as roupas simplesmente desapareceram e Edward acabava se distraindo.
Muito satisfatoriamente e desnudamente distraído, mas distraído acima de tudo.
"Vejo você à noite." Eu digo quando me afasto, incapaz de controlar meu sorriso quando ele me agarra e me puxa de volta para ele.
Ele pega meu rosto entre suas mãos e me beija mais do que eu o beijei.
"É tão bom ver você sorrindo assim de novo." Ele murmura, descansando a testa contra a minha.
Eu queria que ele não parecesse tão aliviado.
"Uma inovadora lição de voz é um dos maiores prazeres da vida." Eu suspiro alegremente.
"Maiores, é?" Ele pergunta, olhos estreitados.
"Um deles... você realmente vai me dar um pouco dos seus dedos mágicos hoje à noite?" Eu pergunto, imitando o sotaque de Francesca.
Eu realmente não estou insinuando uma massagem nas costas; estou apenas sendo boba. No entanto, eu nunca diria não para as mãos de Edward, nunca. Ele fica com esse brilho perverso nos olhos e se inclina para sussurrar no meu ouvido, tomando seu tempo e deixando suas mãos vagarem pelos meus braços, ombros e pescoço, então na hora que ele começa com a conversa sexy e doce eu já estou uma bagunça quente.
"Eu sou um aluno exemplar." Ele sussurra, sua respiração enviando os mais deliciosos tremores pelo meu pescoço. "E eu sempre completo minhas tarefas, Signorina Swan".
"Ooooh." Dou um gemido involuntário, recebendo muitos olhares divertidos dos estudantes transeuntes.
Felizmente, Edward não olha para ninguém. Ele simplesmente continua olhando para mim até eu corar e rir nervosamente. Eu me pergunto se sempre responderei a ele desse jeito. Rindo, afinal. O rubor certamente vai embora assim que eu for transformada em vampira.
"Hoje à noite." Ele sussurra, beijando-me tão docemente que agora fico cheia de desejo e de borboletas.
Quando abro meus olhos, ele já se foi.
Suspiro como uma colegial apaixonada e faço meu caminho até o enorme salão de leitura para ler os poemas líricos de Petrarca. Por mais que eu amasse ver e distrair Edward em vez disso, a poesia é um meio fantástico de passar meu tempo. Tenho certeza que Marcus se envolveu com meu horário de aulas neste caso, porque sempre que ele me vê na biblioteca ele pergunta como estou indo e acabamos conversando sobre Petrarca e seu amor impossível pela inatingível Laura.
Esta é uma das poucas leituras que tanto um nativo de italiano quanto um estrangeiro podem ter, e todos os dias eu procuro por ela na multidão. Desde que Demetri quebrou o braço dela, ela geralmente me ignora, exceto pelo primeiro olhar de choque e desaprovação quando ela a princípio me viu viva e bem. Ela murmurou algo sob sua respiração que eu não pude entender. Mas ela não me fez mais perguntas.
E eu não a vejo por uma semana.
Quero acreditar que ela finalmente aceitou meu conselho e deixou Volterra. Eu gostaria de acreditar que ela simplesmente tirou algumas semanas para deixar seus assuntos em ordem e que foi embora assim que pôde. Um braço quebrado e um quase encontro com um vampiro seriam o bastante para alguém como ela?
O prazer da lição de canto evapora por completo quando começo a ficar obcecada por ela, vendo seu rosto e dos três humanos que desapareceram. Eu sei que não é saudável, mas não consigo tirá-los da minha cabeça. Os sorrisos deles me assombram, borrando as palavras da página em minha frente até que tudo em que consigo pensar é em uma única ideia: Eu fiz o bastante para ajudá-la? Ela está bem?
O poema da leitura de hoje não ajuda também: L'aura et l'odore e 'l refrigerio et l'ombra* é um poema que conheço muito bem, e uns dos que vem a fazer uma profunda associação pessoal para mim, graças aos vampiros em geral e a Marcus & Didyme em particular. Petrarca escreveu a respeito da morte de Laura, e dá-me um calafrio toda vez que eu o leio, particularmente na parte em que o poeta implora para a morte ajudá-lo contra a morte.
*L'aura et l'odere e 'l refrigerio et l'ombra (Petrarca, Poema 327): "O ar (uma brincadeira em italiano com o nome de Laura) e o odor são o frio e a sombra.
Olho para a página enquanto as familiares palavras e imagens entram na minha mente e alma, dando forma e significado às minhas próprias verdades desagradáveis como uma poesia realmente boa frequentemente faz. Tudo eu deixo de lado, todo o mistério, morte e todo o amor que fazem qualquer coisa fazer sentido – todas essas coisas mudam e crescem na minha mente, como algo vibrante, exuberante e lírico. Na minha mente, as palavras se transformam, e a sombra fria pertence não somente a um homem já há muito tempo morto que pensou neles, mas ao submundo de Volterra também, e àquelas criaturas perfeitas que não somente referem a si mesmas como mortas, mas a muitas que são a própria face da morte.
Algo em mim me impede de fazer essa caracterização, pelo menos quanto aos Cullen, não importa o quanto as palavras e as descrições se encaixem: eu nunca poderia pensar em Edward como morto, não importa a sua temperatura, e ele certamente não está morto. Meus pensamentos saltam obsessivamente da mulher desaparecida ao poema até eu sentir as sombras da morte e mistério escoando do solo como vinhas em um cemitério.
Quando a aula termina, encontro-me andando com um olhar atordoado até um rosto familiar me sacudir para a realidade.
Falando em obsessões… Lá está ele, à espreita nas sombras,parecendo um vampiro estereotipado saído de um romance deliciosamente desprezível: meio bonito, meio sórdido, vagamente torturado, possivelmente interessante se você não tivesse Edward Cullen em casa. Mas eu tenho, então ele está sem sorte.
Ele se anima quando me vê, seus olhos negros procurando meu rosto.
"Vá embora, Demetri." Murmuro automaticamente, desejando ter uma estaca de madeira. Desejando que uma estaca de madeira pudesse possivelmente funcionar.
"Eu quero falar com você." Ele diz, parecendo frustrado. "Você poderia ser gentil comigo".
"Não há nada a dizer." Exceto, talvez, 'vá se foder', mas estou tentando ser educada.
"Vamos lá, seja razoável, Bella. Eu fiz um favor a você, lembra?" Ele pergunta, seu tom hipnoticamente suave. "Pensei que tivéssemos passado da hostilidade".
Ele pode ter razão, mas eu não gosto do seu tom. Apenas passo direto, recusando-me a olhá-lo enquanto ando. Se ele insistir em usar a voz hipnótica, então ele encontrará meu escudo.
"Eu posso fazer você me escutar." Ele diz irritado, fazendo-me parar. Viro-me e olho para ele, e ele parece instantaneamente arrependido. "Posso fazer você escutar, mas eu não quero fazer isso. Seria mais fácil para mim e provavelmente preferível para você se nós conversássemos aqui, em vez de eu esperar Edward sair para caçar à noite de novo".
Eu me viro, olhando para ele, mas ele parece tão determinado a se defender apenas com um olhar sujo.
"Eu sei de coisas." Ele diz, seus lábios curvando nos cantos. "Coisas que garanto que você quer saber. Você não está nem um pouco curiosa?"
É apenas uma vaga afirmação. Ele pode querer dizer qualquer coisa, e consigo ver que ele está armando algo. Há somente uma coisa que eu quero saber que ele possivelmente pode me dizer, e tenho certeza que não é o que ele tem em mente.
"Você quer conversar?" Pergunto, raiva aumentando no meu peito. "Muito bem. Conte-me o que aconteceu com aquela mulher".
Ele pausa, parecendo ligeiramente evasivo. Ok, estamos falando de Demetri, então ele parece completamente evasivo, mas ligeiramente mais que o normal.
"Que mulher?" Ele pergunta inocentemente.
"Certo." Eu concordo. "Cansei de escutar".
"Eu não fiz nada com ela." Ele sussurra furiosamente, bloqueando meu caminho. Percebo que ele não me toca. Ele nunca faz isso, a não ser que eu concorde, agora que penso sobre isso. "Eu não tive absolutamente nada a ver com o que aconteceu com ela".
"O que aconteceu com ela?" Eu grito em um reflexo. Seus olhos escurecem de vergonha, e eu ergo as minhas mãos. "Não... esqueça o que perguntei. Eu realmente não quero saber".
As palavras soam horríveis, mas eu não acho que consigo lidar com isso. Pela primeira vez na minha vida eu começo a entender por que Renée não abre certos tipos de correspondência. Tudo a mesma coisa, sinto algo por dentro que não está certo. É como uma parte secreta de mim começando a se dividir e quebrar sob o peso de muitos segredos, e as coisas sobre as quais não tenho controle estão me fazendo sentir-me horrivelmente culpada de algum jeito. Eu sei, logicamente, que nada disso é culpa minha, mas parte de mim ainda se sente mal por não lutar contra isso. Parte de mim luta contra isso.
"Por que você se importa com o que acontece com eles, afinal?" Ele pergunta com desdém, lembrando-me da sua crueldade inata. "Não há necessidade de você se preocupar em como os Volturi cumprem a lei. Além disso... você, Bella, é mais importante do que aquela encrenqueira".
Ele provavelmente pensa que está me dando um elogio fazendo-me de exceção. Tudo que sei é que se eu tivesse uma irmã que desaparecesse, levaria mais que um braço quebrado para me fazer parar de tentar encontrá-la.
Ele tenta se aproximar, mas eu dou um passo para trás em direção à luz do sol, balançando minha cabeça em descrença.
"Não." Eu digo, envolvendo meus braços ao redor da minha cintura enquanto caminho para longe. "Simplesmente me deixe em paz".
"Não era isso o que eu queria conversar com você." Ele grita atrás de mim.
Eu não olho para trás.
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Leva um tempo para eu chegar em casa, em parte porque preciso limpar minha cabeça antes de fazer qualquer outra coisa.
Embora eu não seja tecnicamente católica, ou mesmo religiosa, acho algumas das igrejas de Volterra estranhamente reconfortantes, particularmente se uma está vazia, ou quase isso. Eu geralmente evito a catedral Duomo porque ela me faz parecer uma turista, mas as igrejas menores são geralmente bastante silenciosas. A Chiesa di Saint'Agostino é perto do meu compromisso da tarde, então eu entro e acendo uma vela, deixando um euro na caixa de coleta. A estátua de Maria exatamente acima das velas parece aprovar, então encontro um lugar em um banco da igreja e tento não pensar demais a respeito das rachaduras na minha calma.
Há um calafrio que nada tem a ver com o clima e sinto as fissuras das dúvidas se aprofundarem em mim. Pergunto-me se posso me transformar em vampira antes de alguém realmente me transformar, ou se vou simplesmente virar uma estátua de sal e explodir com um sussurro da respiração de Aro, ou com o vento incessante de Volterra.
Quatro das velhas já estavam acesas e minha única companhia é uma velha freira recitando o rosário. Ela reza em um sussurro tão silencioso que as únicas coisas que ouço de onde estou sentada são os sons sibilantes sempre que ela fala o s ou o ch. A língua pode ser diferente, mas o ritmo é bastante familiar ao da minha infância, vendo a Vovó Swan lidando com as suas preocupações da mesma forma. Nada que eu tenha visto até agora me fez acreditar em qualquer coisa além dos meus sentidos e no senso em si, mas é tão calmo aqui, mesmo que seja uma paz emprestada. Penso em um dos exercícios de meditação de Jasper e observo as chamas das velas até que tudo mais parece desaparecer, menos a chama em si.
Isso não resolve tudo, mas quando é hora de ir para meu compromisso, sinto-me pelo menos um pouco mais calma.
A costureira que Francesca recomendou-me dá o ajuste final no vestido que comprei online. Eu estava plenamente feliz com isso até ele chegar, mas eu tenho que admitir que gastar um pouco mais de dinheiro para tê-lo na medida certa faz uma diferença significativa no efeito global. Uma vez ajustado, o vestido vai de muito bonito para um glamoroso e va-va-voom*. O ajuste final leva apenas alguns minutos e eu termino levando-o para casa comigo.
*Va-va-voom: Uma frase ou expressão usada quando uma pessoa particularmente atraente é vista
Quando finalmente subo as escadas, consigo ouvir Edward furiosamente trabalhando em alguma variação de Prokofiev, então eu tento ser o mais silenciosa possível. Mais, eu meio que quero fazer uma surpresa para ele com este vestido quando chegar a hora do concurso. Alice diz que ele vai enlouquecer quando me vir nesse vestido. O pensamento me faz sorrir.
Ele sente delicadamente o cheiro, ainda tocando.
"Mmmm, você comprou seda?" Ele pergunta esperançosamente. "É para alguma coisa divertida?"
"É o que vou usar para a competição." Eu o aviso. "Portanto, você não tem permissão de rasgá-lo – pelo menos, não até depois disso".
"Tenho que esperar duas semanas para vê-lo?"
"Como você sabe do que é feito?" Pergunto, evitando a pergunta. Agora é um jogo bobo, mas um em que estou determinada a ganhar.
"Pelo cheiro." Ele diz, tocando uma divertida escala cromática tão delicadamente que soa como uma caixa de música tocando em algum lugar próximo, talvez através de uma janela aberta do outro lado da rua.
"Pelo quê?" Pergunto incredulamente. "Mas está em uma sacola de roupas".
Ele dá de ombros, olhando a sacola especulativamente.
"Do que mais você sente o cheiro?" Pergunto, cheirando a parte de cima da sacola onde o cabide aparece.
Não consigo sentir o cheiro de nada além da leve sugestão do material sintético do qual a sacola com zíper é feita.
"Incenso, do tipo que queimam nas igrejas daqui." Ele diz, interpretando mal a minha pergunta. "Você virou religiosa, ou havia alguma música em uma igreja que você queria ouvir?"
"Foi pacífico." Murmuro. "Só fiquei lá dentro por alguns minutos... você consegue realmente sentir esse cheiro em mim? Essa coisa toda de 'cantora' não se sobrepõe aos outros cheiros?"
Ele se levanta e caminha até mim, passando os olhos sobre mim e cheirando mais.
"Uma gata se esfregou na sua perna." Ele diz, correndo as mãos pela minha perna até o exato lugar onde o gato esteve. "Uma preta".
"Eu tinha que ajustar o vestido e a costureira tem uma gata. Como você sabe disso?" Pergunto, impressionada. "Sobre a cor, quero dizer - espere, as cores têm cheiros específicos?"
"Não, mas ela deixou um pouco de pêlo em você." Ele diz, levemente o tirando das minhas calças. Minhas calças muito pretas.
Ele cheira mais de perto, surpreendendo-me com um beijo rápido para provar. Sua língua levemente varre o caminho na minha boca, e parece apenas acidentalmente sensual. Rápido como ele é sobre isso, eu ainda tremo, e seus olhos arregalam em apreciação. Ele lambe os lábios e eu me apoio nele automaticamente.
"Você esteve bebendo água com folhas de hortelã e você teve chá com sabor de canela hoje em alguma hora depois do almoço, depois do qual você escovou cuidadosamente seus dentes. E você tomou um espresso não faz muito tempo. Você ficará acordada a noite toda." Ele franze a testa, desaprovando.
"Devo escovar os dentes?" Pergunto, cobrindo minha boca. A costureira tinha, de fato, me oferecido café enquanto eu esperava que ela terminasse meu vestido.
"Não, não se preocupe." Ele fala. "No geral você tem o gosto de você mesma. Além disso, eu gosto de ser capaz de provar essas pequenas coisas de como você passa o seu tempo longe de mim. Faz eu me sentir mais próximo de você".
"Você é tão perseguidor." Eu rio, embora eu tardiamente perceba que enquanto estou apenas provocando Edward, alguém está meio que me perseguindo. Eu me pergunto se Edward consegue sentir o cheiro dele também, mesmo que ele não tenha me tocado.
"Você não está chateada, está?" Edward pergunta, franzindo a testa diante da mudança em minha expressão. "Eu não a segui nem nada do tipo. Eu apenas noto as coisas".
"É claro que não." Reasseguro a ele, estendendo a mão para acariciar seu rosto preocupado. "Estou apenas com inveja. Eu não poderia perseguir você se eu quisesse. Sou lenta demais".
Ele continua tentando olhar dentro da sacola de roupa, então eu a levo para o guarda-roupa e a penduro, levemente assustada ao senti-lo bem atrás de mim.
"Você me perseguiria se pudesse?" Ele pergunta em uma voz lenta e curiosa, serpenteando seus braços por mim em uma tentativa barata de levantar a parte de cima da sacola. Eu agarro as mãos dele e as redireciono para a minha cintura, tentando empurrá-lo para trás com a minha bunda. Não surpreendentemente, ele não se move, mas há algum desenvolvimento interessante como resultado.
"Inferno, sim." Eu suspiro quando seu corpo é pressionado nas minhas costas. "Um, eu deveria uma a você, ou você daria em cima de mim. Dois, eu poderia observar você o dia todo. Eu assistiria totalmente você caçando. Eu continuo imaginando isso e acho que seria ou sexy, ou assustador, ou os dois".
Ele paralisa e eu seguro minha respiração. Por todo o tempo que estamos juntos, ele é ainda incrivelmente cauteloso comigo fisicamente. Sempre que estamos fazendo amor e fica um pouco mais selvagem, ele tende a ficar um pouco maluco no dia seguinte, pedindo desculpas desnecessariamente e verificando meus hematomas. Durante o ato em si, sempre parece que ele está observando qualquer sinal de dor ou desconforto, e eu acho que isso nos limita tanto quanto o tipo de posição que ele quer arriscar. Eu inclino minha cabeça para trás, tentando encorajar alguns passos de bebê para fora da nossa zona de conforto.
"Seria assustador." Ele sussurra, beijando meu pescoço enquanto suas mãos vagam para cobrir meus seios. "Esse tipo de atividade necessita esperar até você ser uma vampira, amor. É perigoso demais se eu estiver caçando e sentir seu cheiro".
Seus beijos mudam para a minha nuca e mais para baixo, ficando ousados.
"Seu gosto," ele diz, lambendo a pele exatamente ao longo da minha coluna, "tão divino, bem aqui. Toda vez que eu penso conhecer tudo de você, fisicamente, sempre há algo novo".
Eu estremeço violentamente, gemendo enquanto ele beija partes das minhas costas e ombros que minha blusa permite. Apóio-me no guarda-roupa, pressionando minha bunda contra a crescente protuberância no seu jeans. Esse é definitivamente um novo território para nós, e eu estou dentro. Suas mãos deslizam por baixo da minha camiseta, rapidamente soltando o fecho frontal do meu sutiã. Posso tanto sentir como ouvir um rugido baixo no peito dele enquanto ele provoca e acaricia, sua boca explorando a surpreendente zona erótica das minhas costas.
No momento em que meu corpo todo parece que vai queimar em chamas, ele para. PARA.
"Respire, Bella." Ele diz. "Preciso sentir você respirando".
"Isso é incrível – não pare!" Eu grito em frustração, repentinamente desesperada para tirar minhas roupas.
Começo desfazendo os botões, mas isso prova ser desnecessário quando alguém finalmente responde à estridente luz verde que estou dando a ele e minhas roupas começam a voar, aparentemente por conta própria.
"Desculpe." Ele ofega, continuando a beijar e lamber toda a pele das minhas costas. "Eu tinha que morder alguma coisa".
Eu realmente gosto dessas calças, então consigo desfazer os botões dela antes que ele possa destruí-la também, agora que ele está com o humor. Tão logo elas soltam, uma das mãos dele se move para baixo, deslizando por baixo do tecido de malha fina, enquanto a outra alcança meu torso em um toque impressionantemente habilidoso, usando seu braço para seduzir, assim como suas mãos, seu corpo formando espirais frios e sensuais em mim, como uma espécie de tornado sexual vampírico.
Eu arranho de forma ineficaz no seu jeans, cantando todos os tipos de combinações vazias de "Edward", "por favor", e alguns sons que eu nem reconheço, muito menos entendo. Não acho que já estive excitada assim antes, e pelo jeito que ele continua acariciando minhas costas, acho que é o mesmo para ele.
"Bella." Ele geme, sua boca movendo contra a minha nuca mesmo quando ele rapidamente abre o zíper e chuta a roupa obstrutiva. "Está tudo bem assim? Quero dizer, parece que você quer isso, mas se você mudar de ideia-"
"Estou mais do que bem." Eu interrompo, deslizando uma mão entre nós para tocar a parte dele que parece não ter nenhuma dúvida sobre o que quer que seja isso.
Não sei se ele estava de commando*, ou o que, mas agora tudo o que há entre nós é a minha calcinha que mal está ali da coleção Alice-é-um-gênio. Se o pau de um vampiro pode rasgar o fino material dela – e eu não sei por que não poderia – estamos prestes a descobrir.
*Commando: a expressão significa não usar roupa íntima (calcinha ou cueca). As origens para essa expressão são de "out in the open" (a céu aberto), ou "ready for action" (pronto para a ação).
"Bella, espere." Ele diz, embora suas mãos voltem exatamente para onde estavam antes. "Talvez não devêssemos fazer assim. Não deveríamos-"
"Por que não?" Eu pergunto, confusa. "Você está tão bom".
Suas mãos estão me enlouquecendo, e eu grito, arqueando minhas costas instintivamente contra ele. Há um puxão quando o fino material se desfaz. Viro minha cabeça para olhar para ele maravilhada, e nossas bocas se encontram tão naturalmente que parecem coreografadas. Eu passeio pelas deliciosas ondas que ele continua fazendo ao acariciar, tocar, lamber e beijar diversas zonas eróticas de uma vez. Eu não tenho certeza exatamente do que estou fazendo além de me contorcer e meio que tateá-lo cegamente, mas acho que está funcionando, porque ele começa a ofegar. Seu hálito frio nas minhas costas parece perverso e divino ao mesmo tempo.
"Eu não deveria tratar você assim." Ele ofega, parecendo com dor.
"Eu gosto disso." Suspiro encorajadoramente, e ele amaldiçoa sob sua respiração quando eu arqueio minhas costas. "Além disso, você prometeu que trabalharia nas minhas costas".
Isso provoca uma risada, e mais beijos doces na minha nuca.
"Eu diria que isso não é nada do que ela tinha em mente, mas eu estaria mentindo".
"Francesca Bini é um gênio." Eu digo antes de fazer alguns sons realmente constrangedores.
"Eu disse a mim mesmo que nunca possuiria você desta maneira." Ele diz, mas tão cheio disso, porque ele está completamente nisso agora. "Como se fôssemos algum tipo de animal. Você merece ser tratada com respeito".
Eu dou uma risada porque ele está claramente louco. Sinto como se tivesse que convencer tanto o vampiro que não quer me machucar quanto o puritano Edwardiano que surge de vez em quando, preocupado com alguma ideia antiquada do que significa ser um cavalheiro.
"Você pode me respeitar simplesmente continuando com isso." Eu argumento, sorrindo por cima do meu ombro diante da sua expressão de desejo enlouquecido por cima do meu ombro. "Tenho certeza de que animais têm algo acontecendo aqui, e eu quero muito, muito, muito, muito, muito que você não pare".
"Como vou saber que não estou machucando você?" Ele pergunta, pressionando a mão nas minhas costas até eu ficar curvada e sentir seu pau pressionando em mim.
Ele empurra para dentro e, puta merda, o que nós estivemos perdendo.
Acho que ele se sente tranqüilizado, ou porque eu grito "sim" várias e várias vezes, ou pelo fato de que nossos corpos parecem saber exatamente como fazer isso. Ele segura meus quadris, fazendo quase tanto sons quanto eu, por uma vez, e isso me deixa ainda mais louca. De vez em quando sou capaz de olhar para ele, e a gloriosa angústia no seu rosto me diz que ele está se segurando, o que provavelmente é melhor, porque não tenho plena certeza de que isso não vai doer depois. Na hora em que ele grita o meu nome e enrijece contra mim, eu estou quase para desmaiar.
"Você está bem?" Ele pergunta contra o meu ouvido, tocando meu cabelo.
"Perfeita." Eu ofego, virando minha cabeça para sorrir e beijar a preocupação dos seus olhos. "Obrigada".
"Você está me agradecendo?" Ele pergunta. Pelo quê?"
"Por confiar em nós." Eu digo, girando meu corpo em seus braços. "Como eu disse, Francesca é um gênio. Eu não acho que me senti assim tão relaxada desde que chegamos aqui".
A risada musical de Edward preenche o apartamento, e todo o calor que preciso está no seu abraço frio.
#~oЖo~#
"Eu não vou usar esse casaco aqui o tempo todo, Edward." Sibilo sob a minha respiração, encarando-o. "Você está sendo completamente irracional".
Acho que eu deveria ter feito Alice esclarecer quando ela disse que Edward enlouqueceria quando visse o vestido. Ele enlouqueceu mesmo - mas por outro motivo, em vez do adorável vestido que eu vejo quando olho no espelho, ele parece ver algo tão indecente que precisa ser coberto com um casaco quase de estação.
"Você precisa se manter aquecida por causa da sua voz." Ele diz, mantendo um braço em mim. "Está frio aqui, e você é a próxima".
Eu juro, a forma como ele está pairando sobre mim, eu quase preferiria que ele fosse adiante e urinasse na minha perna para marcar seu território. Infelizmente, ou felizmente, vampiros não podem urinar, então eu recebo o tratamento helicóptero: ele pairando em cima de mim.
"Eu não sei o que deixou você tão agitado, mas você poderia parar de encarar todo mundo?" Eu pergunto, inclinando minha testa contra o peito dele. "Eu preciso de um pouco de conforto, não de você me deixando ainda mais nervosa".
Edward para de olhar para um barítono cantarolando e andando de um lado a outro, e olha para mim pelo que parece ser a primeira vez desde que saímos do apartamento.
"Desculpe." Ele diz, parecendo um pouco envergonhado. "O que faria você se sentir melhor".
"Apenas me abrace e diga-me que estou pronta para isso?"
Ele me beija muito docemente na testa, olhando dentro do casaco.
"É claro que você está pronta para isso." Ele diz, beijando meu nariz, depois minha boca. "Você está tão pronta para isso que nem me ocorreu que você precisaria ser tranquilizada. E só estou olhando para aqueles que pensam que você está nua debaixo dessa coisa. Eles merecem".
"Já chega." Eu anuncio, tirando o maldito casaco e dobrando-o sob o meu braço. "É sua culpa se eles pensaram isso, afinal. Nem é um vestido sexy. É apenas um ajuste delicado em uma cor delicada. Ninguém vai pensar nada disso".
"Blasfêmia." Ele murmura, traçando o meu decote com a ponta dos dedos frios e inflexíveis. "Você parece tudo o que é sagrado e bom neste mundo, e toda a tentação também".
"Continue falando doce assim." Eu digo, apenas com uma ponta de sarcasmo, e felizmente uma senhora estica a cabeça pela porta do palco e me tira da minha miséria, chamando-me.
Respiro fundo, tomo um gole de água e a sigo até o palco, ouvindo os passos pesados de Edward atrás de mim. Na quietude não natural de um teatro quase vazio, todos os nossos sapatos juntos soam como batidas em um tambor de guerra, e eu estou vertiginosamente ciente de que nossos pés têm um ritmo fechado. Há uma luz brilhante em mim e a sala do conservatório é maior do que eu tinha imaginado do corredor estreito e escuro dos bastidores. A luz me cega ao ponto que eu realmente não consigo distinguir o público além das três fileiras no meio – o júri, eu presumo - mais algumas figuras nos cantos.
O tempo começa a distorcer desconfortavelmente nos poucos passos até o centro do palco e meus sentidos parecem exagerados. Eu luto contra o desejo de fugir, lembrando-me que toda essa coisa foi ideia minha.
Zen, eu lembro a mim mesma, tentando imaginar Alice, Jasper e Francesca no público. Pergunto-me se Aro está aqui, e se ele tem alguma influência sobre quem ganha. O ar parece tão carregado que crepita, e eu me concentro em me manter em pé e no ranger do banco do piano debaixo do peso de Edward.
Apresento tanto eu quanto Edward, e anuncio minha seleção: Turandot de Puccini. Francesca havia me dito que todo o júri para esta competição é italiano e que eles provavelmente se sentiriam ofendidos se eu não a escolhesse. O tempo todo em que canto, é praticamente uma experiência fora do corpo.
Perco-me na canção no momento em que começo a cantar, e todos os conselhos de Francesca parecem ser menos que uma lista de tarefas do que alguma solução para deixar a minha voz preencher o salão inteiro. Todos os meus medos de reverter para uma técnica antiga parecem bobos, porque neste momento sinto uma profunda conexão com a música e com Edward, apesar da coluna não estar há muito tempo ativada, apenas sendo. Sinto-me tão próxima a Liu, a personagem, que por um momento ela não é apenas minha máscara, mas eu sou dela, enquanto juntas imploramos pelo que queremos, escravas humildes e humanas que somos.
Quando a canção termina, eu ainda sinto o ar crepitando ao meu redor, mas com algo mais que meus nervos. Sinto-me conectada e pulsando, e ouço uma desconhecida voz masculina anunciando a Gavotte, assim como Francesca previra.
Permito que meu efeito inteiro mude quando Edward começa a tocar, e mostro a eles um contraste completo de humor, língua e personagem, tudo enquanto mantenho a coluna pura e o som continua fluindo tão poderoso quanto antes. Deixo minha mente se encher com imagens de jovens francesas e faço meu melhor para me imaginar como uma delas, sentindo o prazer da juventude borbulhar através de mim como a primavera fresca.
Não é tão bom quanto cantar na frente de uma enorme multidão, o que tende a refletir o que você põe lá, mas não é tão ruim também, e quando as últimas notas do piano diminuem, eu sinto meu rosto enrubescer enquanto agradeço ao júri.
Eu mal percebo o que eles estão dizendo para mim, mas me apóio completamente em Edward para ter certeza de que não estamos saindo do palco cedo demais.
Graças aos truques acessíveis de vampiros e de leitura de mente, nós fazemos um passeio no ar de primavera ainda frio enquanto os últimos participantes se apresentam, retornando a tempo de ser contados para o julgamento final.
Leva ao júri cerca de 15 minutos de discussão antes de um homem magro com um enorme bigode chamar todos os candidatos para a sala do recital para o anúncio. O italiano dele é incrivelmente rápido, e eu só entendo metade do que ele está dizendo.
Tento me manter calma, mas meu aperto na mão de Edward parece alarmá-lo o suficiente para ele se soltar e colocar o braço em torno de mim, sussurrando "Acalme-se, você ganhou. Só não pareça muito aliviada ainda, ou todos vão pensar que houve trapaça".
Eu não acredito muito até ouvir meu nome ser chamado, seguido de escassos aplausos junto com suspiros de desapontamento e condolências.
Fecho meus olhos, girando no abraço de Edward. Alívio e excitação correm através das minhas veias como muita cafeína, mas por baixo disso há a questão do prêmio. Três meses de turnê na Europa. Exposição. Um vampiro em vida pública, mesmo se for a limitada vida pública de um músico clássico. Era tanto ideia de Aro como contra a sua lei, e o que quer que possamos fazer será inteiramente com autorização dele.
"Você acha que Aro vai nos deixar ir?" Pergunto a Edward.
"Estamos trabalhando nisso." Ele sussurra.
Há uma sombra nos olhos dele que me faz perguntar o que isso nos custará.
#~oЖo~#
Aro reconhece a vitória com um gigante buquê de aparência bizarro com solidagos, aves do paraíso, e gerânios brancos, essencialmente um pouco de parabéns e um monte de indecisão. Mesmo Alice parece estar indecisa sobre alguma coisa, mas eu não ouço o que é até alguns dias depois quando estou resolvendo coisas andando no sol e ela me liga.
"Bella? Não diga o meu nome!" Ela sussurra rapidamente. "Aja como se eu fosse outra pessoa".
"Hey... cara, como é que... está?" Pergunto, sentindo-me uma total idiota.
"Eu não disse para agir como se você fosse outra pessoa, Bella".
"Você me pegou desprevenida!" Eu protesto.
"Olha, deixe para lá. Eu liguei para você por um motivo. Há algo que você pode fazer que realmente ajudaria em tudo, mas é meio estranho e talvez um pouco arriscado".
"Você tem definitivamente a minha atenção." Eu digo, um pouco nervosa e muito curiosa. "Quão arriscado, exatamente?"
Nota da Ju:
Os capítulos estão ficando maiores, e com mais acontecimentos... o que acharam da vitória de Bella? Será que Aro permitirá que eles viajem? Agora estou curiosa para saber o que Alice está planejando, alguma ideia?
Bem, para quem ainda não viu, fiz algumas alterações no cronograma de postagens das fics e essa aqui passou para as quintas-feiras! Só não consegui postar no dia certo pq estava em uma correria no trabalho, mas o próximo virá no dia certo, sem atraso!
Lembrem-se, o próximo capítulo só será postado se tiver no mínimo 12 reviews! E o próximo é uma cena extra POV Demetri!
Deixem reviews!
Bjs,
Ju
