Normal: narração e fala
Itálico: pensamento
Obs: Se não for pedir demais, gostaria que me ajudassem com os pares dessa fic.
Capítulo 5.
Felizmente, o diretor Licurgo não ficou sabendo do que tinha acontecido no banheiro feminino, para o alívio de Rony, que não queria correr o risco de ser expulsa de outro colégio.
Entretanto, os dias foram passando e chegou a semana em que caía o dia das mães (apesar de estarmos fora da data). Na sexta-feira, os alunos estavam preparando cartões para dar às suas mães.
Paola, que sentava ao lado de Rony, estranhou ao ver o cartão dela.
Paola: Por que está pintando seu cartão de preto?
Rony: Gosto de originalidade. E depois, minha mãe nunca reclamou.
Paola: Tá legal. Se você diz...
Rony voltou a trabalhar em seu cartão e Paola estava pra fazer o mesmo, mas notou algo que a impediu.
Paola: O quê o seu primo tem?
Rony estranhou a pergunta de Paola e olhou para Jake que, apesar de estar fazendo o cartão, tinha um olhar meio triste no rosto.
Rony: Não se preocupe. Ele fica assim toda vez que o dia das mães se aproxima, já que não tem ninguém pra comemorar. A tia Fernanda morreu quando ele era muito pequeno.
Paola: *chateada* Puxa, sinto muito por ele. A mãe dele morreu de quê?
Rony: Eu não sei. Na verdade, ninguém sabe. Nem mesmo o Jake. O tio Nimbus sabe, é claro, mas ele é muito sentimental e reservado em relação a este assunto e, por isso, nem meu pai tem coragem de perguntar a ele.
Paola: *desconfiada* Que estranho!
Mais tarde, lá pelas 15 horas, podíamos ver Jake no cemitério em frente à casa de Rony. Era lá que o túmulo de Fernanda, sua mãe, estava.
Jake: *colocando o cartão em cima da lápide* Lamento que eu não possa te dar o cartão pessoalmente, mãe.
Voz: Onde quer que sua mãe esteja, com certeza está num lugar melhor.
Jake: AAAAAHHHHH! *virando-se, assustado* Erick, não me assuste assim! Eu não sou acostumado com isso do mesmo jeito que a família da Rony, sabia?
Erick, o colega de classe filósofo, estava ao lado de Jake no cemitério. Por que ele estava lá é que era um mistério.
Jake: *confuso* Por que está aqui, afinal? Veio visitar alguém?
Erick: *olhando pra frente* Cemitérios são um dos lugares mais calmos da face da terra.
Jake: *sarcasmo* É, durante o dia. De noite, vira uma baderna tão grande que até posso escutar lá de casa.
Erick: Isso só prova que os mortos gostam de se divertir.
Ambos ficaram em silêncio, até Jake quebrá-lo.
Jake: Por que você é tão distante dos outros?
Erick olhou para Jake um segundo, antes de voltar a olhar pra frente.
Erick: Minha "posição" na sociedade me atrapalha ás vezes. Eu venho de uma família rica e bem sucedida, e todo mundo no colégio sabia disso, por isso alguns me respeitavam e algumas garotas davam em cima de mim. Mas eu os ignorava, pois sabia que só gostavam do meu dinheiro. Depois de um tempo, fui vítima de bullying físico, mas eu não mostrava nenhuma reação quando apanhava, o que deixava os agressores com raiva. Atualmente, só apanho do Jasper, que também já está enjoando de fazer isso. De qualquer forma, eu sempre fui muito sozinho, pois meus pais sempre foram ausentes e, há pouco tempo, comecei a ler filosofia e usá-la no meu cotidiano.
Jake: Isso já deu pra perceber. *pausa* Sua mãe é a Carmem Frufru, não é?
Erick: Sim. A mesma que emprestou a mansão pra cerimônia de casamento dos seus tios, onde seu pai foi o "padre".
Jake: Pelo jeito, eu acertei. Bom, já vou indo. A gente se vê, Erick.
Erick: Talvez... Se Deus permitir...
Jake: *gota* Esse cara, ás vezes, me assusta.
