Os Cavaleiros do
Zodíaco
A Guerra de Ares
Capitulo 2: Aqueles a Quem Chamamos de Deuses!
O
Mestre se acalma. Vira-se de costas para Auriga.
Celeos o observa,
ainda com a criança em seus braços. Ele não entende o que está
acontecendo.
- O que foi? Diga Vossa Excelência! Por que o nascer desta menina o causou tanto espanto?
- Quem é esta menina, Celeos?
- Como assim Mestre? Não estou entendendo!
- Pelo visto realmente não entendeu!
Novamente Celeos observa
seu mestre com desentendimento.
O Mestre cruza os braços por trás
de seu corpo. Caminha pelo salão com a cabeça baixa enquanto fala.
Celeos o acompanha com o olhar, sem perder um passo, um gesto.
- Que motivo levaria aquela mulher a invadir o Santuário? Ainda mais estando grávida?
Celeos não tem a resposta, tão pouco entende o discurso do Mestre. Ele tenta encontra-la mas não consegue. Responde algo, mas sem ter realmente idéia do que está falando.
- Ela queria... salvar a criança? Estava doente e queria salvar pelo menos a criança?
O Mestre vira-se, e com um ar imponente responde.
- Ela veio dar a luz! Sob o pedestal de Atena!
Os olhos voltam-se ao Grande Mestre, espantados. A notícia parece estranha. Por que ir tão longe apenas para isso?
- Por que Mestre? Por que ela viria aqui para dar a luz a esta menina?
O antigo cavaleiro responde como se fosse um profundo conhecedor de toda a verdade sublime da vida e sobre o nascimento daquela pobre menina.
- A cada duzentos ou trezentos anos... a Terra é ameaçada pelas forças do mal que querem domina-la. Contra a força dos deuses malignos que tentam a qualquer preço construir um Mundo de Ruínas e Caos, os humanos nada podem fazer. Nesses momentos a Deusa da Sabedoria e da Guerra, renasce sobe a forma humana, para guiar seus fieis cavaleiros à vitória.
O cavaleiro de prata se espanta.
- Quer dizer que essa garotinha é...
- Exatamente! Essa pequena criança que você
carrega em seus braços é...
...Atena!!!
Os olhos do garotinho se arregalam. Em sua mente as duvidas ecoam. "Essa... menininha... é quem devemos proteger? Essa é Atena? Mas então...!"
- Se essa é Atena isso significa que...
- Infelizmente meu caro amigo! Uma nova Guerra Santa está para acontecer!
- MAS COMO? POSEIDON E HADES AINDA ESTÃO SELADOS!
O Mestre sorri e tenta controlar seu cavaleiro.
- Acalme-se! Quer alarmar os soldados? Veja como ela está assustada por causa de seus berros!
A menina chora assustada. Celeos tenta acalma-la, ninando-a.
- Calma meu bem! Está tudo bem agora! Shiiiiiii!!!!
A menina o olha com certa cisma, pelos gritos, mas logo se acalma e passa a puxar seus longos cabelos negros.
- Me desculpe Mestre! Eu cinto muito! Mas... Como pode ser então? Ela deveria renascer daqui uns cem anos! Ela não deveria ter vindo agora! É muito cedo para o selo perder sua força.
- Eu fui um dos poucos sobreviventes da Guerra Santa anterior. Lutei contra Hades e seus Espectros e derrotei Poseidon e seus Generais...
Na mente do Mestre aparece à imagem dos antigos cavaleiros... Nela estão três Cavaleiros de Ouro em pé no fundo, que usavam as armaduras de Sagitário, Peixes e Gêmeos, dois de Prata, Taça, a direita dos de Ouro, e Coroa Boreal à esquerda, o antigo Cavaleiro de Bronze de Dragão e um garoto sem armadura, ambos agachados na frente dos de Ouro. Não é possível ver seus rostos, que estão ocultos por sombras do esquecimento. O local é pouco descritível. Está tudo avermelhado pelo pôr-do-sol e a chuva cai lavando as almas dos vivos.
- Fazem cento nove anos que derrubamos Poseidon, três anos depois de Hades. E eu vivi todo esse tempo esperando o dia em que veria novamente meus antigos inimigos! Porem... Não tenho certeza se o dia está para chegar!
- Como assim Mestre? O senhor acredita que Atena não renasceu para enfrentar Poseidon ou Hades? Mas então quem será nosso inimigo?
- Eu não sei! Mas não vou ficar esperando sentado!
- Mas então...?
- "A roda do tempo começou a se mover!"
A menina continua a brincar com os cabelos de Celeos, ela não sabe de sua importância nem tem idéias de sua própria existência, é apenas uma pequena criança que acabara de nascer. Ao ver a paixão que ela demonstra por seu fiel escudeiro, o soberano senhor dos Cavaleiros abre um imenso sorriso.
- Parece que ela gostou de você! As crianças sempre gostam de você!
- Parece mesmo! – Diz maravilhado o notável herói.
- É... Acho que Teseu acaba de ganhar uma irmãzinha!
- Mas Mestre... Está dizendo que...
- Exatamente! De hoje em diante essa menina é sua
filha!
O cavaleiro sorri! Ele olha para os belos olhos de sua
garotinha.
- Você é a esperança da humanidade! Não se preocupe com nada... Estarei sempre ao seu lado! E seu irmãozinho também! Um dia ele será um dos mais fortes e fieis cavaleiros, que a protegerá! "As estrelas do céu a guiarão para a vitória"!
O
Cavaleiro de prata está levando a menina para a vila de Rodório
onde vive. O garotinho sai do local e volta para o templo de Atena,
de forma a ocultar-se diante dos homens.
Antes que Celeos saia o
Mestre diz:
- Você terá mais um objetivo além de criar esta menina. Você terá que torna-la capaz!
Celeos se mantêm calado e sai em direção as casas zodiacais.
- Celeos! Pode me fazer mais um favor?
O cavaleiro para na entrada do Salão, e sem se virar responde.
- Pode dizer meu senhor! Eu estou todo ouvidos.
- Convoque os Cavaleiros de Prata!
- Vai começar agora? Assim? Tão de repente?
- É bom sabermos dos
acontecimentos antes deles acontecerem! Pode nos ajudar a
vencer?
Celeos parece bem sério. Ele vira o rosto para o lado e
olha para traz.
- Devo convocar... Jano também?
- Não! Não tem necessidade! Deixe-o para descansar! Não é algo para alguém como ele!
Ele parte em direção Rodório com a menina nos braços. Sem olhar para traz. Sem dizer nada.
Em algum outro lugar. Longe do Santuário.
Uma
bela mulher segura em seus braços um pequeno menino de pouco tempo.
Ela o acaricia docemente. A criança dorme profundamente em seu
aconchegante colo.
Está sentada em um trono dourado, cravejado de
brilhantes, demonstrando o poste de uma verdadeira rainha. O Sol
entra por entre as colunas formosas que sustentam majestosamente o
salão.
Um palácio. Cortinas azuis de pura ceda envolvem o locar
de harmonia.
- Meu amado filho. Tu serás o soberano senhor de todo o mundo. O maior dos guerreiros. Tu voltaras com teu escudo e não sobre ele!
Em algum lugar do Egito. Sobre as areias escaldantes.
Dois
homens encapuzados caminham pela areia escaldante do deserto do
Saara. Para todos os lados... Areia! Parece que essa é a única
verdade desse mundo em que caminham sob o Sol assolador.
Nenhuma
forma viva. Apenas a imensidão vermelha.
Dentre eles, um traja-se
se marrom enquanto o outro de preto. Aquele que está à direita,
trajado de preto impacienta-se com seu companheiro:
- Viemos
desde Carnak até esse lugar para só encontrarmos areia? Deve estar
brincando comigo!
O estranho de manto marrom para ao pressentir
algo inalcançável para as outras pessoa.
- É aqui! Chegamos.
- Tem certeza disso? Só vejo areia.
O homem a direita ironiza com seu ar maléfico:
- Hu hu hu hu! Não se preocupe Leônidas! É aqui! A questão é... Só por que seus olhos não podem ver... Não quer dizer que não exista! Você é jovem e tolo! Não poderia encontrar com por si só!
Ergue seus braços, abrindo-os em direção ao nada!
- Veja! Maravilhe-se com o que os deuses nos incumbiram!
Uma imagem distorcida aparece em pleno ar e começa a tomar forma. Uma cidade começa a aparecer diante dos dois, tornado o nada em monumento.
