Capítulo 4: Coma de Berenice.

Hull está vivo e não possui nenhum arranhão. Sua Armadura também está intacta, apenas faltando o elmo, que está no chão.

Ariet não entende o que está acontecendo. Lembrando-se da forma com que eles se trataram questiona:

- Vocês se conhecem?

Hull com um sorriso no rosto responde como se aquilo fosse obvio:

- Mais é claro! Esse é um grande amigo meu! O grande Cavaleiro de Lagarto! Guns de Lagarto!

Guns entra na conversa, com muito animo.

- Você tem um grande discípulo. O garoto tem talento. Vai ter que me dizer como o treinou para quando eu tiver os meus. Mas primeiro vamos beber e encontrar umas garotas bonitas.

- Saiba que a garota mais bonita que eu conheço é você! – Diz em gargalhadas o Cavaleiro de Baleia, caçoado da aparência bela mas feminina de seu amigo.

Ambos estão em gargalhadas.

"Parecem dois velhos bêbados!" Pensa Ariet, encarando a postura dos Cavaleiros de Prata..

Depois de muito riso eles ficam sérios.

- Então era esse seu golpe misterioso?

- Deu pra sentir por que ele não usou contra Tols! Se usasse com alguém do nível de um Cavaleiro de Bronze sem armadura... Poderia ferir-lo gravemente! Vejam os meus braços!

Guns mostra os cortes superficiais em seus braços que deixam cair um filete de sangue!

- Se eu fosse um Cavaleiro de Bronze sem armadura poderia ter me cortado profundamente.

Ele olha para Ariet, bem em seus olhos e termina.

- Mas se eu fosse um mero humano... Teria me cortado em pedaços.

Salão do Grande Mestre.

- A que devo a honra senhores? O que esse velho combatente pode lhes ser útil?

Hull e Ariet estão diante do Grande Mestre que os fala. Os dois estão ajoelhados diante Dele. Celeos de Aurigo está presente ao lado do trono do Mestre.

Hull toma a palavra.

- Como Vossa Excelência já sabe meu discípulo perdeu o direito de usar a Armadura de Bronze de Dourado! Mas vendo o desenvolvimento dele nos últimos meses e devido à descoberta que ele não usou toda sua força para não ferir o oponente... Venho dizer-lhe que Ariet está apto a se tornar um Cavaleiro de Bronze!

- Veio pedir-me uma Armadura de Bronze para seu pupilo?

- Sim Vossa Excelência!

- Se você, Hull de Baleia, um dos grandes Cavaleiros de Prata, considera Ariet como digno do título de Cavaleiro, eu tenho que acatar seu pedido.

O Cavaleiro de Prata volta a falar, antes que o Mestre continue.

- No entanto nós viemos pedir-lhe a Armadura de Coma de Berenice.

O Mestre demonstra uma postura mais áspera em ouvir as palavras do Cavaleiro.

- Impossível! Coma de Berenice desapareceu a muito tempo! Leve a de Leão Menor!

Hull toma uma postura estanha. Ele parece diferente do homem que havia entrado no salão.

- Não! Leão, não vai servir!

Celeos o encara e se mostra impaciente.

-Você não viu o mestre dizer que a Armadura desapareceu?

- Vossa Excelência, meu discípulo possui uma técnica única, que não é vista há séculos.

Ele consegue manipular cabelos. Por isso venho pedir-lhe... A Armadura de Bronze de Coma de Berenice! O senhor com certeza nunca viu uma técnica como essa. E por isso que decidimos per Coma de Berenice! Ela é a ideal para ele.

O Grande Mestre abaixa a cabeça. Ele começa a falar como se lembra-se das suas antigas batalhas.

- Realmente um manipulador de cabelos é um tipo raro. Não se pode ensinar a controlar os fios de cabelos. É um dom que nasce com a pessoa. Mas isso não significa que a Armadura de Coma de Berenice vá fazer alguma diferença em relação as capacidades dele... Por tanto é melhor que ele leve a de Leão Menor. Alem do mais ela desapareceu a décadas!

- Não precisa tentar nos proteger! Eu sei que está desde a Guerra Santa contra Hades esquecida no fundo do Inferno! Mais precisamente... na 5ª Prisão!

- Não sei como descobriu isso, mas! Se você sabe que ela está no inferno, como podem querê-la? – Pergunta o Grande Mestre, parecendo tenso.

- Eu irei buscá-la! – Responde Hull.

Celeos se intromete e começa uma pequena discussão com Hull:

- E como pretende fazer isso? Como vai até o inferno buscar a Armadura? Pessoas vivas não podem entrar normalmente lá!

- Não se preocupem! Polux irá me guiar!

- Polux? Então essa idéia maluca surgiu com o Polux?

O velho Mestre parece pensativo. Ele olha para Hull e depois volta seus olhos para Ariet.

- Me diga garoto, o que você tem a dizer? Se seu mestre for, mesmo sendo um Cavaleiro de Prata e estando guiado por alguém como Polux, ele pode nunca mais voltar!

Ariet se levanta.

- É por isso que eu irei até a 5ª prisão e trarei a Armadura de volta! Eu voltarei como um cavaleiro de Verdade!

No outro dia!

Numa casa no Vilarejo de Rodório.

Ariet está deitado em uma cama. Começa a despertar lentamente. Abre os olhos e fica deitado olhando para o teto. "Eu voltei?"

Hull entra no quarto.

- Ora ora! Finamente acordou!

- E como estão os Cavaleiros de Bronze?

- Cavaleiros de Bronze? Você se refere aos esqueletos que trouxe?

- É!

- Já foram enterrados!

- Que bom! Agora eles devem estar mais felizes. Estão em casa!

Ariet senta na cama e olha para seu mestre.

- E a Armadura?

- Bem ela está no Santuário, mas... Como ela está totalmente destruída não será possível usa-la. Você terá que leva-la a um lugar para conserta-la.

- Um lugar? Que lugar?

- O local aonde moram os únicos homens capazes de consertar uma Armadura! Aqueles que descendem do povo que criou as Armaduras. Será uma tarefa difícil. Mas você vai conseguir... Artiet de Coma de Berenice.

Percorrendo gélidas montanhas, num vasto campo branco, Ariet procura por seu destino. O fio castiga, o ar rarefeito o sufoca. Para todo lugar que se olhe é o mesmo. A imensidão infinita de puro branco.

Ariet não se intimida. Vestindo peles de animais e com sua nova Urna envolvida em panos e encara o frio.

Entra em uma caverna e segue em frente.

Encontra um imenso portão guardado por dos guardas que vestem armaduras azuis, armados com grandes lanças.

"Finalmente eu encontrei." – Ele pensa.

- Quem é você e o que veio fazer aqui, garoto? – Pergunta um dos guardas.

- Eu sou Ariet. E vim consertar minha Armadura!

- Então mostre-a para nós! Vamos!

Ariet coloca a Urna no chão e a descobre. Os guardas pedem para alguém quem está dentro, por intermédio de um pequeno vão, que abram o portão.

Ele entra e não acredita no que seus olhos lhe mostram. Parece um paraíso.

A neve e o frio ficaram para trás. Campos verdes abundante, lagos de águas cristalinas, o mais belo Sol que já vira. Pessoas trabalham nos campos, em sua maioria mulheres, homens fazem esculturas e forjam armas com sua arte milenar. Crianças brincam, correndo umas atrás das outras. Ao longe ele avista uma vila que brilha sob o Sol.

Ele está maravilhado com tanta beleza.

Uma voz pousa sobre seu ouvido:

- Bem vindo forasteiro! Eu sou Ifrit! Espero que goste de Shangrila!

Ariet vira-se e se depara com uma garota de beleza incomensurável.

Espero que gostem desse Capítulo.

Muito obrigado por ter lido. Se gostar deixe seu recado!

Abraços!