Pessoal, eu não gostei de como o último capítulo que eu publiquei saiu, então vou respostá-lo aqui, ok? Esqueçam o capítulo 2 que eu postei antes, este aqui é o novo, e o definitivo. Mudei muitas coisas.
PS: Espero que não se importem de eu ter colocado algumas bugigangas no Mysterio, tipo as coisas que o Batman usa (Bat-Garra, Batarang, etc) :)
PS 2: Eu sei que no capítulo 1, está escrito que eles têm oito anos, mas é erro, ok? É que a minha idéia original era a de eles terem oito anos, mas não ia caber no contexto da história, então mudei pra dezesseis. Lembrem-se, eles têm dezesseis anos, não oito :)
NOTE: SOUTH PARK DOES NOT BELONG TO ME, NEITHER DO ITS CHARACTERS. IN FACT, NOTHING HERE BESIDES THE PLOT, SHADOW EAGLE AND BUSTER BELONGS TO ME. BATMAN DOES NOT BELONG TO ME EITHER.
Eu estava mais frustrado do que nunca.
Eu havia procurado por toda parte, todo cantinho de South Park havia side revirado por mim, perguntei à todos os cidadãos locais se eles haviam visto Butters, até interroguei os criminosos e capangas pra ver se descobria algo, mas ninguém sabia de nada. Ninguém havia visto Butters desde o dia em que o garoto havia desaparecido. Isso não me levava a lugar algum.
Desapontado, me sentei no chão - se é que se pode chamar desta maneira, pois eu estava no topo de um pequeno edifício de três andares - e abaixei o meu capuz. Também removi a máscara do rosto. Era estranho ficar assim, sem nada cobrindo o rosto. Como South Park era uma cidade fria, eu dormia com a cabeça coberta, geralmente pelo cobertor ou pelo travesseiro. Mas aquela noite não estava tão fria quanto as outras. Geralmente lá fazia frio abaixo de zero. Devia estar fazendo uns seis ou sete graus naquela noite.
É, eu sei, isso pode ser frio para você, mas eu já me acostumei. Moro aqui desde que me conheço por gente. Se é que eu sou um humano. Calma, eu já vou chegar na parte em que você entende o que estou falando.
Frustrado, olhei para a cidadezinha. Vista de cima, ela parecia ainda menor do que era. Bem, eu digo "vista de cima" porque este prédio era, de fato, um dos maiores da cidade. Geralmente quando queríamos fazer alguma coisa no final de semana, íamos para Denver. Não ficava muito longe de South Park, eram algumas horas de viagem. Às vezes eu até colava em Denver pra ver se estava indo tudo bem. Se bem que, com esses crimes aumentando do nada, todos os lugares estavam indo mal. Mas a Polícia de Denver era maior e mais organizada do que a de South Park; eles conseguiam cuidar melhor dos crimes do que os policiais daqui. Mesmo assim, as coisas iam mal em qualquer lugar.
Abaixei a luva esquerda e olhei meu relógio: 5:38. Amanheceria em breve. Me levantei, recoloquei a máscara e o capuz e andei até a beira do prédio. Dando uma última olhada em South Park, pulei do prédio, abrindo a capa para aparar a queda. Mas ao invés de mirar o chão, mirei o telhado de uma casa ao lado. É, eu me movimento pelos telhados quando estou no meu "super-hero-time". É mais fácil, rápido, e consigo ter uma visão melhor se acontecer um crime por perto; também consigo chegar mais rápido ao local.
Felizmente, não havia nada de errado acontecendo naquela noite. Pelo menos hoje eu teria folga. Quando cheguei no telhado da minha casa, me debrucei na borda do telhado e, chutando a parte de madeira da janela para que ela se abrisse, soltei a borda do telhado e aterrissei no quarto. Minha casa nem sempre teve dois andares. Na verdade, meus pais tinham conseguido uma graninha pra reformá-la fazia três anos, e acabaram adicionando outro andar. Naquele mesmo ano, também ganhei Buster, meu Beagle de estimação.
Andei até o armário e substitui minhas roupas de super-herói pelas minhas roupas normais; "por que você não põe o pijama pra dormir?", você deve estar se perguntando. A resposta é simples: eu ponho sim o pijama pra dormir. Mas era sábado, o que significava que meus pais passaram a noite acordados, assistindo TV e brigando um com o outro. Eu sei disso por experiência própria. Eu e meu pai brigamos muito por causa disso. Enfim, se eles passaram a noite acordados, eles sabiam que eu não tinha entrado pela porta da frente; tinha passado a noite fora. Seria estranho se eu simplesmente descesse as escadas pro café da manhã sendo que eu nunca entrara na casa em primeiro lugar. Eu precisava encenar.
Já vestido com as roupas normais, me debrucei na borda da janela, fechando-a ao sair do quarto, depois fui descendo pela parede até o chão. Eu fazia Le Parkour, o que me ajudava muito nessas situações. Eu nunca conseguiria pular pelos telhados se não fosse o Parkour, em primeiro lugar.
Andei até a porta da frente e, sem bater, a abri. Eu tinha acertado: meus pais estavam sentados na frente da TV, os dois com uma cara emburrada e olheiras sob os olhos. Meu pai segurava uma latinha de cerbeja e minha mãe lia o jornal.
-Onde você estava, moleque? - perguntou meu pai, zangado. Eu abaixei o capuz e, sem olhar pra nenhum dos dois, subi as escadas. - Sua mãe e eu estamos o esperando há um tempão!
-Casa do Stan - menti. - E eu saio toda noite.
-Espero que você não esteja fazendo besteira por aí, Kenny! - minha mãe, extremamente irritada, falou sem tirar os olhos do jornal. - Não queremos que você acabe como o inútil do seu pai!
Meu pai se virou para ela.
-Eu sou inútil? - Disse ele, tão descontrolado quanto ela. - Olha só pra você, lendo essa porcaria, falando com o menino sem nem olhar pra ele!
- E isso me torna menos útil do que você? - Minha mãe abaixou o jornal e agora também se virava pro meu pai. Eu subi as escadas sem falar nada, porque sabia que eles iam começar a brigar de novo. Ouvi Buster, meu Beagle, subir animado as escadas atrás de mim. Ele provavelmente também não queria ficar na sala pra testemunhar aquilo - Oi, Buster - falei baixinho, para o Beagle, acariciando sua cabeça antes de continuar a subir as escadas.
E não deu outra, porque assim que cheguei na frente do meu quarto, tanto meu pai quanto minha mãe já se insultavam em voz alta na sala, sem ligar para os vizinhos que provavelmente ainda estavam dormindo. Entrei no meu quarto, esperei Buster entrar atrás de mim, depois fechei a porta, abafando os gritos raivosos dos meus pais na sala. Andei até o armário e troquei minhas roupas pelo pijama. Felizmente, estávamos de férias. Eu não conseguiria manter aquele pique em dias escolares. Esse lance de estudar de dia e patrulhar a cidade contra criminosos durante a noite costuma cansar bastante, sabe.
Eu me deitei na cama e, como de costume, me cobri até a cabeça. Buster se aninhou aos meus pés, em cima da cama. Mas eu não apaguei a luz. Eu nunca apagava a luz. Não me pergunte por que, mas ultimamente eu tinha essa sensação estranha, comose algo estivesse errado. Eu sabia que isso não tinha a ver com a onda de crimes. Ela já tinha começado antes de eu ter essa sensação. Na verdade, eu tinha começado a sentir isso desde um pouco antes do Butters desaparecer. E o que era mais estranho, essa sensação não era a de que havia algo ruim no mundo, na cidade, mas em mim. Como se houvesse algo errado comigo, algo que eu não podia explicar, mas definitivamente errado.
Tentei apagar esses pensamentos e fechei os olhos. Mas mesmo conseguindo dormir, não pude evitar a onda de pesadelos que tive naquela noite. O que era normal ultimamente.
