Bem, era nesse capítulo que eu pretendia mostrar a reação de John e dos Novak diante da fuga dos garotos, mas depois de escrever algumas páginas, mudei de idéia, pois percebi que ele falava mais de Lilith, a governanta, do que das famílias do trio fujão. Além disso uma nova idéia brotou na minha cabecinha enquanto eu o escrevia (mas vocês só a conhecerão pra valer futuramente. Nesse capítulo eu apenas dei uma pequena dica). Então resolvi centrar o capítulo nela e deixar a reação das famílias para a próxima semana. Afinal, um pouco de embromation não faz mal a ninguém, não é? Rsss! Aliás, até o nome do capítulo eu tive que mudar por causa disso! Espero que vocês não me matem! Bjos!


A quarta-feira chegou calma e fria na casa dos Winchester. Com um aspirador de pó nas mãos, Lilith fazia a faxina da casa tentando segurar o medo e a tensão que assolavam seu coração. John voltaria naquele dia, dentro de algumas horas, e com certeza não ficaria nada feliz ao ver a carta deixada por Dean em sua mesa no escritório. Parada no meio da sala, ela se lembrou da própria reação ao encontrar o pedaço de papel, quando voltou ao trabalho no domingo, 3 meses antes.

FLASHBACK ON

O dia mal tinha amanhecido e a governanta já chegava em seu local de trabalho. Animada, ela já entrou anunciando sua presença:

-Meninos, cheguei!

Mas em troca, ela só recebeu um assustador silêncio e isso a preocupou. Sempre que ela chegava, Sam corria para seus braços e lhe dava um doce abraço entre sorrisos. Isso não ter acontecido a fez pensar que havia algo errado. Apreensiva, ela percorreu a casa em busca dos garotos, mas nada encontrou. Ela abriu os guarda-roupas dos dois, mas só encontrou um vazio, que a deixou ainda mais nervosa. Então, a governanta continuou a percorrer a casa, até que passando pelo escritório do Almirante, ela vislumbrou algo na mesa dele. Lilith parou imediatamente e entrou no cômodo, indo direto até a escrivaninha. Finalmente ela viu o pedaço de papel dobrado, com a frase "Para Papai" escrita com a letra de Dean, que ela conhecia muito bem. Tensa, ela ignorou o fato de que não era o destinatário e abriu o papel, lendo seu conteúdo em seguida:

"Quando o senhor ler essa carta eu e Sammy já estaremos bem longe. E certamente estaremos felizes. Desculpe, papai, mas não dá mais. Eu tentei durante todos esses anos conviver com esse novo John Winchester criado pelo incêndio que matou a mamãe, mas não consigo mais. A cada dia que passa, eu olho para você e te reconheço menos. Eu me esforço muito, mas não vejo mais o meu pai, o pai carinhoso e dedicado que você foi um dia. Você não é mais o meu pai, nem tão pouco foi um pai para Sammy. Você tem sido apenas nosso Almirante. Você se comporta aqui como certamente se comporta no quartel e no submarino. Você trata a mim e ao Sammy como provavelmente trata a seus subordinados. E tanto eu como meu irmãozinho precisamos de uma família, de um lar. E é disso que nós fomos atrás. Mas deixo claro nessa carta que não forcei Sammy a nada. Ele QUIS vir comigo e eu não iria sem ele. Eu não o deixaria sozinho contigo. Claro que Lilith, que tem sido como uma mãe para nós, cuidaria dele, mas não poderia protegê-lo de sua péssima influência e sua maldade. Por favor, não nos procure. Se dentro de você ainda resta um pouquinho que seja de amor por nós, deixe-nos em paz, pois com certeza estaremos mais felizes longe de você. Contudo, eu e Sammy desejamos do fundo de nossos corações que você seja feliz. Que encontre um novo amor, que consiga finalmente fechar e cicatrizar a ferida aberta pela morte da mamãe. Se isso acontecer e meu pai voltar, nem que seja só uma pequena parte dele, quem sabe eu e Sammy não voltemos também. Adeus, papai. Que Deus te proteja e cuide do senhor.

Seu filho,

Dean"

Ao terminar a leitura, Lilith estava com o rosto banhado em lágrimas. Lentamente, ela fechou o pedaço de papel e o colocou no lugar de onde o tirou. Então tomou uma decisão. Por amor aos garotos que criou como se fossem seus filhos, ela não avisaria John no submarino. Ele estava isolado, mas havia uma forma de comunicação que poderia ser usada apenas em caso de emergência. Era uma espécie de telegrama que, como tal, tinha um limite de palavras a serem usadas. Mas ela não usaria nem sequer uma letra.

A governanta de longos cabelos loiros conhecia muito bem seu patrão. Ela trabalhava para aquela família desde antes da morte de Mary. Ela conheceu o antigo John Winchester. Aquele que era doce e carinhoso, como seu primogênito descrevera em sua carta. Ela assistiu a ruína daquela família, quando a antiga casa deles pegou fogo, levando Mary com ela. Lilith assistiu a transformação de John. Ela o viu deixar de ser um pai e se tornar um Almirante em tempo integral, por isso sabia que tudo o que Dean escrevera na carta era verdade e, exatamente por isso, passou os últimos anos tentando suprir a falta de carinho do militar nos coraçõezinhos dos meninos. Mas é claro que jamais conseguiria obter 100% de sucesso nesse objetivo, pois John Winchester era o pai deles e isso ela jamais poderia mudar, por mais que amasse os garotos.

Ela tinha total consciência que John ficaria furioso e colocaria a polícia e todo o seu quartel no encalço de Dean e Sam. Mas sabia também que eles estavam infelizes naquela casa que nem de longe era um lar. Então ela daria esses 3 meses de vantagem para eles. Ela daria a seus filhos postiços a chance de serem felizes pelo menos uma vez em suas curtas vidas.

FLASHBACK OFF

A doce governanta voltou seus pensamentos para o tempo presente. Para o que faria dali por diante, agora que os meninos já não estavam mais lá. Como não havia mais nada que a prendesse naquela casa, assim que terminasse a faxina, ela iria embora e sumiria da cidade antes que seu patrão voltasse para a casa. Prudente, a bela mulher não queria encarar a fera que o militar se tornaria quando lesse a carta deixada por seu primogênito. Ela sabia que, no fundo, ele sofreria com a partida dos filhos, mais era orgulhoso demais para admitir isso. Ah, se ele não fosse tão orgulhoso e cego! Com certeza, ele teria muito mais que o amor dos filhos. Ele teria... seus pensamentos foram interrompidos pelo aspirador de pó, que ela sem querer deixou cair no chão. Assustada, ela pegou o aparelho e, afastando seus pensamentos da cabeça voltou a se dedicar à sua tarefa.

Horas mais tarde, Lilith já havia deixado a casa. A porta se abriu e um cansado John Winchester adentrou o local. Ele foi direto para seu escritório fazer o relatório da viagem. Ele não ficaria em paz enquanto não fizesse isso.

-Dever antes do prazer. - repetiu ele para si mesmo em um tom de voz quase inaudível.

Lá dentro, o experiente militar largou as malas no chão e foi até sua mesa, onde encontrou um pequeno pedaço de papel. Ele reconheceu imediatamente a letra de Dean e sem pensar duas vezes o abriu...

CONTINUA...


E aí, gostaram? Odiaram? Falem comigo! Não me deixem no suspense! Deixam review! Não dói, não transmite nenhuma doença contagiosa, não engorda e alegra o dia dos ficwriters, então mãos à obra! Rsss!