Bem, resolvi escrever e postar esse capítulo hoje porque eu vou baixar o fim de semana na praia e não poderei levar meu notebook. Só levarei o tablet e dele n dá para postar. Enfim, espero que vocês gostem.
Lá estava ele naquele lugar novamente. A grama, as árvores, o vento frio e delicioso. Tudo era familiar para aquele homem. Metros à frente, ela o esperava como sempre. Cabelos loiros e compridos, metade presa no alto da cabeça e o resto caindo pelas costas. No corpo, um vestido amarelo de alças que terminava nos joelhos e era um pouco rodado. Nos pés, uma sapatilha branca. No rosto, uma maquiagem leve que dava a ela um ar doce. Ela estava sentada em uma toalha de mesa grande e tinha diante de si um banquete para dois. Ele caminhou até a loira e parou a centímetros do tecido. Ela o recebeu com um largo sorriso e falou:
-Estava te esperando, Johnny!
-Pensei que não a veria tão cedo. Na última vez você estava tão zangada! - exclamou o homem sorrindo e se sentando diante dela.
-E como não poderia estar? Você está destruindo a vida dos nossos filhos! Deixe-os em paz, Johnny, por favor! Pare de procurá-los! - implorou a mulher com os olhos marejados.
-NUNCA! Sam ainda é uma criança e Dean tem que ser punido pela desobediência dele! E ainda tem aquele viadinho que o aliciou!
-Não fale assim! Dean e Castiel cuidam do Sam muito bem! E Dean não merece ser punido! E pare de se referir ao Castiel desse jeito! Ele é o companheiro do nosso filho! Eles se amam, Johnny! Entenda isso de uma vez! - retrucou ela começando a se exaltar.
-Como eu poderia entender que meu filho ama um homem? Isso é nojento, Mary!
-Nojento porque? Castiel é humano como nós dois. Ele é um menino doce, determinado, inteligente e, acima de tudo, ama o nosso filho. E tem sido um bom cunhado para o Sammy. O que nós poderíamos querer mais?
-Ele é homem, Mary! Homem como o nosso filho! Aliás, como o nosso filho não, porque ele não passa da porra de um gay!
-Dean é gay também, John!
-NÃO DIGA ISSO! Meu filho não é gay! Nenhum dos meus filhos é um maricas!
-O que houve com você, Johnny? Cadê aquele homem doce e carinhoso por quem me apaixonei? - indagou Mary chorando.
-Morreu com você! Virou cinzas naquele maldito incêndio junto com você! - exclamou o militar com os olhos marejados e um tom de voz cheio de raiva ao mesmo tempo.
-Amor, sabe porque eu ainda não fui para a luz? Sabe porque eu ainda não segui meu caminho e sempre te trago aqui para o lugar onde a gente costumava namorar?
-Por causa dos meninos. Você só vai quando tiver a certeza que eles estão bem.
-Se você não percebeu, amor, eles estão muito bem. Eu continuo aqui por você. Porque você, mesmo depois de 12 anos, continua preso àquele incêndio. Você ainda está lá, John. Nunca saiu dele. E eu fiquei para te ajudar a sair de lá. Mas vejo que estou fracassando, pois a cada dia que passa, você fica mais e mais preso nele. Tão preso que não enxerga as coisas à sua volta. Tão preso que transformou nossos filhos em seus soldados e se recusou a ver o grande amor que estava ao seu lado e que agora podia estar te fazendo o mais feliz dos homens!
-CHEGA, MARY! Eu não vou parar de procurar nossos filhos e não vou me envolver com a Lilith! Se é por isso que você continua aqui, então pode ir embora! Vá para a sua luz e me deixe em paz! - esbravejou o Winchester enquanto se levantava e se afastava da falecida esposa.
-Não faça isso! Eu amo você e amo nossos filhos! Eu só quero que vocês sejam muito felizes! Mas para isso você tem que deixar os meninos em paz e parar de lutar contra o amor que sente pela Lily! Porque você a ama, Johnny, admita isso pelo menos para você mesmo! - devolveu ela abraçando o marido com força pelas costas, com as mãos espalmadas em seu peito e apoiando o queixo no ombro esquerdo dele.
-Eu não amo... - respondeu ele com a cabeça baixa e já fraquejando.
-Ama sim, Johnny. Mas desde que eu morri, você se tornou especialista em afastar as pessoas que te amam de você. Primeiro as crianças, agora a Lily. Aliás, você nunca permitiu que a Lily se aproximasse. Sabia que ela te ama desde que vocês se conheceram? E a única razão dela ter se mantido longe era eu, a nossa amizade e o respeito que ela tinha por mim. Após a minha morte, ela resolveu respeitar seu luto e depois, bem, depois ela viu o Almirante em tempo integral que você estava se tornando e não queria alguém assim na vida dela. Então se dedicou apenas aos meninos. Porque eles precisavam ser cuidados e protegidos de você.
-E porque eles tinham que ser protegidos de mim? Eu sou o pai deles e só queria transformá-los em homens!
-Eles ainda eram crianças, John! E você os tratava como se fossem soldados. Isso não é jeito de criar um filho! Eu sou muito grata à Lily por tudo que ela fez por eles. Só queria que você também fosse. Só queria que você enxergasse a mulher maravilhosa que ela é e parasse de lutar contra o que sente. Eu já morri, John. E a Lily está viva e completamente apaixonada por você! Reconstrua a sua vida por favor! E deixe nosso filho ser feliz com o garoto que ele ama.
-NUNCA! Filho meu tem que ser homem e gostar de mulher! E porque está me dizendo essas coisas? Eu já disse, se quiser ir embora, fique à vontade! Eu não estou te prendendo aqui! - vociferou o moreno enquanto se virava para Mary.
-Eu nunca disse isso! Eu vou ficar até você estar bem, Johnny! E não estou fazendo isso por obrigação, mas por amor. Porque eu nunca deixei de te amar! - exclamou a ex senhora Winchester segurando o rosto dele.
-Eu também! Ainda te amo, Mary! E sinto tanto a sua falta! E é exatamente por isso que eu não... que eu não posso... -respondeu John entre lágrimas.
-Se envolver com a Mary? - completou a loira.
-Sim... como eu posso fazer isso se eu ainda te amo? Mary, você ainda é a minha mulher! - explicou ele também envolvendo o rosto dela com as mãos.
-Não sou mais, Johnny. Deixei de ser a 12 anos. E não é errado você reconstruir sua vida, ainda mais com alguém que te ama tanto como a Lily.
-É errado sim! Você ainda está muito presente na minha vida!
-Seus sonhos são a única parte da sua vida onde eu ainda estou presente. Eu estou morta, Johnny, encare isso por favor! Você precisa seguir a sua vida!
-Porque isso tinha que acontecer, Mary? Nós estávamos tão felizes! Éramos a família perfeita!
-É a vida, amor. A vida quis assim. Mas você tem que seguir em frente. E tem que parar de descontar a sua dor nos meninos. - ela disse enquanto acariciava o rosto do militar.
-Eu sei que eu errei com eles! Eu sei que fui Almirante quando devia ter sido pai, mas Dean não tinha o direito de levar o Sammy embora para viver com aquele garoto. Não há um só segundo em que eu não pense neles, em que eu não me preocupe com eles! Meu Deus, Dean e o Novak nem concluíram a escola! Que tipo de emprego devem ter arrumado? Que tipo de vida eles devem estar dando para o Sammy?
-Uma vida boa e feliz. Eles estão bem, eu te garanto. Fique tranquilo, Johnny.
-Eu não consigo, Mary. Eu não consigo. Eu só vou me acalmar quando meus garotos estiverem comigo.
-Então deixe Dean viver o grande amor dele em paz e ele voltará para você!
-Eu já disse que não! Eu não aceito ter filhos gays e nunca vou aceitar!
-Um dia você vai sim, Johnny. Até lá, eu estarei aqui. Nunca se esqueça disso. - disse Mary dando um caloroso beijo no marido logo depois.
Na cama de seu quarto no quartel, John acordou sobressaltado. Todo o sonho com Mary voltou à sua cabeça. Ela sempre aparecia neles exatamente no mesmo lugar e tentava mudar a relação dele com os filhos do casal e fazê-lo aceitar seu amor por Lilith. Ele não gostava que ela tentasse convencê-lo a tratar os meninos de outra forma, nem que ficasse jogando ele para a governanta, mas amava ter a mulher por perto. O Almirante sentia mudas saudades de Mary e tê-la por perto, ainda que só em seus sonhos, era muito bom. Mas aquele encontro tinha sido diferente dos outros. Esse foi mais intenso. John Winchester nunca tinha se sentido tão exposto. Ainda agoniado, ele se levantou da cama e despejou a água de uma jarra que estava em seu criado-mudo no copo que estava ao lado dela e bebeu o líquido de uma vez em quanto pensava que havia chegado a hora de falar com Lilith novamente.
Não se esqueçam de deixar review! Não dói, não transmite nenhuma doença contagiosa, não engorda e alegra o dia dos ficwriters, então mãos à obra! Rsss!
