Disclaimer: Saint Seiya e compainhia não me pertencem, mas tirem os olhos dos meus originais! Ò.ó
Personalidade Tripla
Capítulo 2:
... Por que seus olhos são assim...
Did you ever think of me,
(Alguma vez você pensou em mim,)
As
your best friend.
(Como sua melhor amiga.)
Did
I ever think of you,
(Alguma vez eu pensei em você,)
I'm
not complaining.
(Eu não estou reclamando)
Siegfried estava nervoso. Tokashi não era normal, e ainda era meio destrambelhada quando o assunto era cozinha. Parecia nunca ter cozinhado na vida. Apesar de muito linda, a jovem parecia não ter miolos na cabeça. Balançando a cabeça, voltou à atenção para a pequena casa, feita nas entranhas de um vulcão adormecido na Ilha de Lemnos, no vulcão que se tornara a Forja do deus Hefesto ao ser atirado pelo pai, Zeus, do Olimpo. Não havia janelas, somente paredes e portas. Antes, não tinha idéia de por que não podia passar da porta de entrada, mas depois do ocorrido com a Vulcana, sabia e muito bem o porque. Tokashi tinha medo que ele descobrisse suas outras faces por outras pessoas.
Voltou seus pensamentos para Hilda, sua princesa Hilda. Tinha uma saudade enorme do cosmo tão bondoso, pacífico e quente em meio a uma terra tão fria como Asgard, da voz suave e aveludada que tantas vezes o fazia esquecer os problemas. Tokashi lhe contara que Athena vencera e que Hilda estava fora do encanto de Posêidon. Aquilo lhe acalmava profundamente.
Mas como ele gostaria de estar em Asgard agora... O calor naquele vulcão era infernal! Não entendia como que Tokashi agüentava, assim como os outros que lá residiam. Mas, bem, podia ser coisa da sua cabeça, afinal, estava acostumado com o frio desde pequeno, podia muito bem ser somente impressão aquele enorme calor, quando a temperatura para quem morava lá devia estar amena.
Viu a porta se abrir e uma jovem com não mais treze anos entrar. A expressão no rosto era fria, e tinha a impressão que era melhor não arranjar problemas com ela. Os cabelos eram em duas camadas, a primeira cortada na orelha, e a outra batia na cintura, num tom de vermelho-fogo vívido. Os olhos de um laranja-fogo com um brilho assustador. Devia ter cerca de um e sessenta e sete, sessenta e oito de altura. A malha de treino vermelha deixava transparecer um corpo muito bem treinado.
Jovem: Tokashi, Dra. Márcia ou Madame Louise? – perguntou entrando, mal reparando no rapaz.
Tokashi: Na cozinha, Jenyty! – respondeu em alto e bom som, a jovem correu para o local, deixando a porta aberta. Na entrada, uma caixa de armadura de um vermelho fogo muito brilhante com uma salamandra em alto relevo. Não havia dúvidas, a jovem era da estirpe de Tokashi.
O Guerreiro Deus de Alpha levantou-se do sofá e foi fechar a porta, já ia voltar quando parou ao ouvir sem querer um trecho da conversa entre as duas Vulcanas.
Jenyty: Tem certeza que quer continuar com isso, Tokashi? Não se lembra do que meu mestre disse quando voltou da missão de espionagem em Asgard, que esse rapaz é louco por Hilda de Polaris?! – falou com a voz alterada, num típico tom prepotente de toda adolescente rebelde, mas com certa ameaça.
Tokashi: Tenho, Jenyty. Não me importo se depois vou me machucar, mas tenho o direito de ao menos tentar ser feliz. Não é porque não consigo fazer do mundo um lugar melhor por causa da tripla personalidade que não tenho esse direito. Vejo tantas pessoas que não estão nem aí e são muito felizes. Por que nós, que lutamos para que a humanidade continue existindo, não temos esse direito, ainda mais eu? Lissa e Nêmesis devem nós amar tanto para nos tornarmos assim... (N/A: Lissa é a deusa da loucura, e Nêmesis é a deusa da ética, da retribuição e da justiça distributiva. Também é considerada a assassina dos deuses, como no seriado Hércules, que meche uns pauzinhos e faz a justiça, de acordo com as ordens que recebe. Foi educada pelas Moiras, junto com Têmis, a justiça) – falou melancólica, com uma leve pontada de sarcasmo e um triste sorriso.
Jenyty: O que Lissa e Nêmesis poderiam ter haver? – perguntou sem entender, confusa.
Tokashi: Lissa por fazermos loucuras em prol de um mundo que sequer retribui o que fazemos para eles e nós não termos o direito de sermos felizes, e Nêmesis, porque a retribuição e a justiça distributiva não têm agido da forma certa! – falou com um brilho maligno no olhar.
Jenyty: Tem hora que parece que você é Lissa encarnada, Tokashi... Preciso ir, tenho uma missão no Santuário de Afrodite. – falou virando-se e indo para a saída da cozinha, enquanto Siegfried corria para o sofá.
Antes de sair, Jenyty virou-se para ele.
Jenyty: É bom não estar aqui quando eu voltar, não vou permitir que alguém que lutou contra Athena tome conta da mente da minha melhor amiga. – falou entre dentes, raivosa, e o rapaz pode ver momentaneamente os olhos laranja-fogo ficarem vermelho-sangue, enquanto passava a língua pelos lábios de forma perigosa, como um predador raivoso e extremamente forte que se prepara para avançar sobre sua presa. Siegfried engoliu em seco com a expressão de Jenyty, que saiu colocando a caixa da armadura nas costas.
XxX
Strade son' cambiate.
(As ruas mudaram.)
Faccie
son' diverse.
(Os rostos são diferentes)
Era la
mia città.
(Era a minha cidade)
Non la
conosco più.
(Eu não a reconheço mais)
La ora
io sono solo un' estranea
(Eu sou apenas uma estranha)
Senza
patria.
(Sem pátria.)
Haguen e Miyu comiam silenciosos. O rapaz não estava a fim de papo depois do berro da Vulcana. Aquele silêncio incomodava a jovem. Apesar de parecer calma e serena, detestava o silêncio.
Ao terminarem de comer, a Vulcana tirou a mesa e deixou a cozinha em ordem, indo para a porta de saída da casa, dizendo que tinha assuntos com Hefesto e Héstia. Haguen Sentou no sofá da sala e ligou a TV, atrás de algum canal em que estivesse passando um programa que prestasse.
Miyu, ao sair de sua casa, começou a andar até a sala de Souzan (N/A: Persa, Fogo), onde as reuniões ocorriam, mas num ponto da escadaria circular que tanto descia como subia o vulcão até o topo, por onde a lava sairia caso houvesse uma erupção, virou num corredor sem perceber, encaminhando-se para onde outrora fora o Altar de Sacrifícios para Hefesto, mas que caíra em desuso quando o Império Romano convertera-se ao cristianismo. Não havia importância descer ou não o vulcão, não tinha nada a tratar com Hefesto e Héstia estava em seu próprio templo, num local desconhecido por ela na Grécia, presenciando os rituais des suas seis sacerdotisas virgens.
Era uma Vulcana que não se sentia em seu lar, apesar de ter nascido e crescido na Ilha Lemnos, seu coração não pertencia àquele lugar. Na verdade, nem sabia se algum dia pertenceria a algum lugar. Ainda estava lá porque não tinha opção, era a reencarnação de Elektra, àquela que viu o pai Agamenon ser morto pela mãe, Clitemnestra, e pelo amante, Egisto, quando o rei chegou da batalha contra Tróia; viveu longos anos sedenta de vingança até o retorno de seu irmão, Orestes, com quem tramou a vingança contra a mãe. Sua alma encarnava em algum lugar a pedido de Nêmesis, sempre que necessário, sempre que o cosmo, imortalidade e essência de algum deus estava ameaçada. Era ela que evitava que isso acontecesse, era a representação da vingança justiceira, e agora, lá estava ela, encarnada na Ilha de Lemnos, onde teria que zelar por Hefesto e Héstia até que Nêmesis julga-se que estava na hora de Elektra retornar ao Terceiro Céu, o Céu de Vênus, o céu dos que muito amaram (N/A: Vide A Divina Comédia de Dante), até que lhe fosse novamente necessário retornar a terra.
Entrou no templo onde o altar se localizava, ao fundo. O local estava vazio e via-se que abandonado também. Havia várias rachaduras nas paredes e no chão de mármore, todo empoeirado; pequenas trepadeiras nasciam, enroscavam-se e subiam e recobriam as paredes e o chão, como num quadro em que o pintor simplesmente pinta linhas ao acaso. O altar parecia à única coisa ainda intacta naquele local, apesar do pó. Era de prata, com decorações em alto e baixo relevo de ouro de pequenas flores em chamas e inscrições em grego, um grego muito, muito antigo, de quando o primeiro homem foi presenteado com Pandora, a mulher de língua mentirosa, que abriu e libertou todos os males do mundo junto com a esperança, quando o grego ainda era uma língua muito primordial, talvez mais primordial que a própria Gaia (N/A: Deusa da Terra, esposa de Urano, o céu, mãe de Cronos, o tempo, e avó de Zeus).
Aproximou-se mais do altar, percebendo uma pequena caixa sobre este, de madeira escura com uma fragrância de ébano, com o desenho de uma mulher de longos cabelos na cintura de um vermelho estranho, como se fossem um sinal de loucura, olhos de um branco vívido, como se não enxergassem, que pareciam não importar para onde você fosse, davam a impressão de te olhar como se quisessem lhe devorar a alma, um branco tão vívido que seria capaz de enlouquecer uma pessoa qualquer. Os lábios pintados da cor da loucura, a pele de um branco mórbido, como se fosse uma cadáver, usando um longo vestido negro com linhas vermelhas, de ouro e de prata. A imagem daquela mulher lhe causava arrepios.
Não entendia como nunca reparara naquela caixa antes... Miyu sempre ia para o que outrora fora o templo de Sacrifícios a Hefesto para pensar e relaxar, mesmo que sem perceber, e nunca vira aquela caixa.
Sentiu uma louca vontade de abrir a caixa, como se alguém sussurrasse em seu ouvido para fazê-lo que teria o que mais queria no mundo.
As longas unhas azul-marinho pararam a pouquíssimos milímetros de abrir a caixa, quando sentiu outra mão segurar a sua, não via outra mão, mas a sensação de algo a apertando e passando um calor estranho junto com uma corrente elétrica estava lá, como se algo ou alguém não quisesse que a caixa fosse aberta. Recuou a mão e passou recuar alguns passos, olhando assustada na direção da caixa. Por um instante, teve a impressão de ver uma mulher de cabelos longos e roxos presos num rabo de cavalo, olhos verde-água, usando uma toga verde-mar com o cinto de couro negro, a capa negra presa nos broches de ouro, com um báculo verde-brilhante na mão direita, parar na frente do altar e colocar a mão em sinal de aviso, apontando-lhe o báculo, em seguida, sumindo.
A Vulcana estava com o coração batendo desesperadamente, não entendo o que se passava na ilha Lemnos desde a chegada dos Guerreiros Deuses. Virou-se e correu em disparada para a sala de Souzan, falar com Hefesto.
XxX
In this proud land we grew up strong
(Nesta gloriosa terra, nós crescemos fortes)
We
were wanted all along
(Fomos perseguidos ininterruptamente)
I
was taught to fight, taught to win
(Eu fui ensinado a lutar, ensinado à vencer)
I
never thought I could fail
(Nunca pensei que poderia falhar)
Miha cozinhava tranqüilamente, ou quase, pois Alberich, na sala, mesmo que involuntariamente, fazia com que os pensamentos da jovem sempre se desviassem para o asgardiano. Maldita a hora em que resolveu dar uma de boa samaritana! Praguejou.
Terminou de cozinhar algo para que o rapaz não passasse fome, somente isso, chamando-o para comer e indo para seu quarto, antes desviando de uma tentativa de ser abraçada por Alberich.
Miha: Fica longe de mim! – falou irritada, entrando no quarto e fechando a porta na cara do Guerreiro Deus, que pó pouco não teve o nariz atingido.
Alberich: Mulher temperamental é fogo... – murmurou irritado, indo ver o que a filha adotiva de Héstia tinha feito, afinal.
Miha sentara-se em sua cama, com as pernas cruzadas em cima desta, como se estive preparando-se para meditar.
Miha: Não sei por que ainda não o mandei de volta para Asgard através da telecinese... – murmurou irritada, com uma veia pulsando na testa. Apoiou os cotovelos nos joelhos e inclinando a cabeça para frente, massageou com dois dedos de cada mão as têmporas. Alberich sabia como ninguém tirar-lhe do sério.
Após um tempo, levantou-se, pegando seu MP5, colocando os fones de ouvido e deixando embalar-se pela música, deitando na cama.
Enquanto ouvia a música, pensava em várias coisas. Desde que os três Guerreiros Deuses haviam chegado em Lemnos, raramente Héstia permanecia na ilha, ajudando Hefesto em suas forjas, assim como raramente Hefesto aparecia em público.
Lembrou-se de uma conversa de sua mãe adotiva, a deusa Héstia, e o deus Ferreiro antes de a deusa partir para vislumbrar os rituais em sua honra de suas seis sacerdotisas castas. Franziu o cenho ao lembrar que Héstia dissera à Hefesto que o cosmo de Miyu ultimamente andava meio descontrolado, o que indicava que ela estava despertando o cosmo da Vingança Justiceira, o cosmo da filha de Agamenom Elektra. E a loucura mostrava-se cada vez mais presente no mundo, o que traria sérios problemas se a caixa que aprisionara Lissa, a deusa da Loucura, aparecesse por conta disso.
O deus sabia que Lissa, muitas vezes era influenciada por Eros, o deus do amor levado elo sentimento, um grande amigo, e Eros andava muito ativo ultimamente, somente aumentando o risco da deusa libertar-se. Fora, claro, que ela estava sempre por trás das guerras que Ares causava, só assim para que tantos lutassem com ardor nas batalhas mesmo sabendo que seriam mortos. Isso não era bom, de acordo com as palavras da deusa do lar e do fogo, pois, na última vez em que Lissa andara pela terra livremente, foi trabalhoso aprisioná-la, e grandes conseqüências foram enfrentadas no Japão e na Europa inteira, praticamente.
Miha levantou-se, desligando o aparelho e lembrando-se das próprias ações e das ações de Alberich. Eram atitudes de loucura. Se Héstia estivesse certa, teria que tomar cuidado.
