Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens pertencem ao Masami Kurumada.
Doce Vampira
Capítulo 3:
Leve Desespero
Os dois sentaram-se à melhor mesa do restaurante. O lugar era aconchegante, arrumado num estilo renascentista, na fase do quattrocento, com uma réplica da Pietâ de Michelangelo e da estátua São Jorge, de Donatello, e a parede onde a mesa em que haviam sentado-se, estava pintada uma réplica do afresco Ressurreição de Tabita e Cura de um Doente, o afresco original localizado na capela Brancacci, na Igreja de Santa Maria Del Carmine de Florença, uma obra de Masolina da Panicale e de Masaccio. A entrada não deixava de perder a elegância, sendo feita no estilo da porta de entrada da galeria do palácio Colonna, em Roma, feito no final do século XVII e no início do século XVIII. Praticamente o restaurante inteiro era uma réplica daquela galeria, salvo algumas exceções.
Máscara: Faça seu pedido, por favor. – pediu com amabilidade, chamando o mêtrie com um sinal de dedo, que se aproximou e inclinou-se levemente.
Vandria: Um capelleti (N/A: Macarrão recheado. É bom pra caramba! : 9)de frango ao molho branco com cogumelos. – pediu sorrindo.
Máscara: Uma lasanha pra mim.
Mêtrie: E para beber? – perguntou anotando os pedidos.
Máscara: Gosta de vinho tinto? – perguntou a inglesa, que afirmou balançando a cabeça. – Vê um vinho tinto do vinhedo Caputo, uma safra de 1889 (N/A: Vinhedo de minha criação, ok? Eu sou meio doidinha mesmo e não quero encher a paciência dos meus pais perguntando sobre vinhos). – falou estufando o peito. – Você vai experimentar um dos melhores vinhos da Itália.
Conversaram um pouco sobre Athena até que o jantar fosse trazido. Durante o mesmo, num momento, Máscara achou que estava na hora de saber um pouco mais sobre Vandria.
Máscara: E então, Vandria? Como sabe sobre os Cavaleiros? – perguntou como se fosse ao acaso, levando um garfo cheio de lasanha à boca.
Vandria ficou estática. Não sabia o que responder. Não pensara na possibilidade de ele perguntar isso. Achou que o melhor era falar a verdade.
Vandria: Então, você realmente não lembra nada... – murmurou quase que de forma inaudível, mas não o suficiente para o cavaleiro não ouvir.
Máscara: Nós já nos conhecemos?! – falou surpreso. Viu Vandria fazer que sim.
Vandria: Quando você tinha dezessete anos, e três amigos seus, incluindo com quem você brigou ontem, quatorze. – disse e pareceu viajar a um passado distante.
Máscara: Mais detalhes, por favor. – pediu colocando a mão sobre a da inglesa, que se surpreendeu.
Vandria: Vocês estudaram por um ano numa escola de magia e bruxaria, Durmstrang, só que, esse um ano, vocês passaram em Hogwarts, onde eu estudava, por conta do Torneio Tribruxo. Depois que a missão de vocês, que era verificar se bruxos e feiticeiros seriam bons aliados de Athena, fracassou, vocês tiveram suas memórias apagadas. – falou puxando a mão, com o olhar baixo.
Máscara não escondeu a surpresa que aquela revelação causou-lhe. Ele, Kamus, Milo e Mu, estudantes de Magia e Bruxaria. Será que as habilidades de Mu tinham algo a ver? Não, ele já usava telecinese antes daquela missão.
Máscara: E o que aconteceu entre a gente? – perguntou, até mesmo ele estranhando ter feito tal pergunta.
Vandria: Namoramos desde o Baile de Inverno até quando Durmstrang partiu de Hogwarts. – falou de repente tomada de tristeza.
Máscara: Por que nós terminamos?
Vandria: Porque você tinha descoberto o meu segredo. – falou com os olhos marejando-se de lágrimas... Lágrimas de sangue. – Com licença. – falou rápido, levantando-se e indo até o banheiro.
Fitou-se no espelho longamente, com as mãos apoiadas na pia. Lágrimas de sangue vertiam de seus olhos sem controle algum. Estava irritada e triste. Triste, pois sabia que jamais conseguiria ficar ao lado do canceriano. Irritada pela forma como isso acontecera. Sua mãe a estava forçando a casar-se com um bruxo que ela jamais gostara. Um bruxo que ela sequer conhecia! Só estava na Grécia para verificar se seguidores de Voldemort se encontravam lá. Após a missão, teria que voltar para a Inglaterra, selar seu destino para sempre. Limpou o rosto e maquiou-se novamente, com a mão tremendo. Estava com os nervos à flor da pele, mas ainda precisava esconder sua pele tão pálida. Mas esse não era o principal motivo. Era noite de lua cheia, e a meia noite se aproximava.
Voltou para a mesa. Ninguém diria que minutos atrás estaria chorando lágrimas de sangue. Terminou de comer, e enquanto esperavam o garçom trazer a conta, achou que era melhor falar logo para Mascara, antes que se tornasse mais difícil ainda de fazê-lo.
Vandria: Máscara... – começou com a voz tremendo.
Máscara: Sim? – falou estranhando de repente a voz dela estar tão tremida.
Vandria: Não poderemos nos ver de novo. – falou olhando para baixo sentindo que precisava sair dali logo, a sede aflorava mais a cada segundo perto do italiano. – Com licença, preciso ir. – falou levantando-se, pegando a bolsa e indo para a saída.
O canceriano ficara estático. Por que, então, ela lhe revelara coisas que com certeza não poderia?
Pagou e saiu do estabelecimento, dirigindo-se para o Santuário, sentindo o ar da noite em seu rosto. Sentiu um braço enlaçar o seu, e ao olhar, surpreso, viu que se tratava de uma jovem de aproximadamente dezenove anos. Tinha os cabelos na cintura e negros como a noite em que as estrelas se escondem de Nix. Os olhos eram azul-mar escuro, e contrastavam com a pele pálida de forma marcante.
Máscara: Não está com a pessoa errada não, garota? - falou com cinismo.
Garota: Não, não estou. Vi o que ela fez, e não estou de acordo. – falou decidida. – E antes que pergunte, meu nome é Alhambra. – falou com um sorriso sensual, que o canceriano teve que admitir que o atraía. Seria por ser italiano, ou pelo fato de ter a impressão que, como Vandria, ela não era humana?
Máscara: E o que quer comigo? – perguntou armando o seu sorriso mais charmoso.
Alhambra: Quero te consolar da melhor forma que quiser. – sussurrou-lhe ao ouvido, com voz sensual.
Milo olhava pela janela de seu quarto à noite, que se fazia fria, algo raro. Pensava em mil coisas. Desde a briga com Mascara no dia anterior não ia à vila das amazonas, e sequer armara suas melhores cantadas e melhores sorrisos enquanto dava em cima das jovens durante o castigo. Estava estranho e sabia disso.
A pergunta do italiano mexera com seus sentidos. Tinha saudades dela, mas fora ela quem terminara com ele, e sequer tivera a decência de apagar todos os momentos que haviam passado juntos, para o seu tormento. Todas as noites, era atormentado pelos sonhos daquele um ano e mais um tempo que haviam ficado juntos. Era por causa disso que tinha a fama de pervertido e tarado do Santuário. Queria esquecê-la, mas não conseguia.
Foi até uma gaveta e abriu-a. Tirou de dentro um porta-retrato, onde uma foto dele com grosas roupas vermelhas abraçando uma jovens de cabelos roxos, longos e brilhantes, e olhos azul-mar encantadores.
Eu
não consigo mais me concentrar
Eu vou tentar alguma coisa para
melhorar
É importante, todos me dizem
Mas nada me acontece
como eu queria
Os olhos marejaram e deixaram grossas lágrimas escorrerem. Tocou com uma das mãos o retrato.
Estou
perdido, sei que estou
Cego para assuntos banais
Problemas
do cotidiano
Eu já não sei como resolver
Milo: Por que duvidou de mim? – murmurou sem esperar uma resposta. Jogou a foto na gaveta e pegou uma jaqueta, saindo na casa de Escorpião e descendo correndo escadas abaixo. Ia dar um pulo no Caverna das Ninfas.
Sob
um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
Pediu uma dose dupla de vodka com limão. Esperou o barman trazer o pedido.
Então
é outra noite num bar
Um copo atrás do outro
Procuro
trocados no meu bolso
Dá pra me arrumar um cigarro?
Milo: E me vê um maço de cigarros também. – pediu quando o copo com a bebida chegou, bebendo todo o líquido que desceu arranhando pela garganta arranhando.
Eu
não consigo mais me concentrar
Eu vou tentar alguma coisa para
melhorar
Já estou vendo TV como companhia
Acendeu um cigarro e começou a dar tragos espaçados, quando sentiu um par de braços envolver seu pescoço. Já sabia de que se tratava.
Sob
um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
Milo: Que você quer, Acaiah? – perguntou seco, tomando mais uma dose.
Acaiah: É que nem ontem e nem hoje você foi lá na vila... Eu e todas as outras estamos com saudade. – falou com voz manhosa. Acaiah era uma amazona, e as outras a quem se referia, eram as outras amazonas. Tinha os cabelos longos e um rosa próximo do roxo, os olhos verdes encantavam a muitos, e o rosto de pele alva a deixava somente mais encantadora.
Talvez
se você entendesse
O que está acontecendo
Poderia me
explicar
Eu não saio do meu canto
As paredes me impedem
Eu
só queria me divertir
Milo: E não vou por um bom tempo... – falou seco, pedindo mais uma dose dupla.
Acaiah: Vai dizer que se cansou da gente? – perguntou puxando o rosto dele para que a olhasse nos olhos.
As
paredes me impedem
Eu já estou vendo TV como companhia
Milo amaldiçoou o dia em que Athena baniu as máscaras das amazonas. Conseguia resistir, mas amaldiçoava pelo fato de Acaiah ser tão parecida com quem lhe fizera ser o que era hoje. Por isso, era sua amazona favorita.
Sob
um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
Milo: Cansei. – falou seco, perguntando ao barman quanto devia. Pagou a conta e levantou-se, desviando-se dos braços da amazona.
Sob
um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
Acaiah: Você vai me pagar por essa desfeita. Nunca será feliz com uma pessoa que não seja comigo. – murmurou vendo-o sair do local, seguindo-o, com os olhos inflamados de ódio.
Vandria olhava através da janela de seu quarto. Era por volta de dez horas. Ao entardecer, seu destino seria selado. Nunca mais veria MdM. Sua mãe entra em seu quarto e fala que as duas já estão atrasadas para buscar o vestido e ir ao cabeleireiro.
Ela foi praticamente arrastada pela mãe. Não queria ver qual vestido extravagante sua mãe lhe escolhera.
Lurye, uma amiga de Vandria de cabelos roxos e olhos verdes acompanhou-a.
Lurye: Vandria, você está abatida. O que aconteceu?
Vandria: O que acha? Eu não quero me casar com esse cara...
Lurye ficou em silêncio. Uma semana atrás, Vandria casaria sem problemas. Mas o reencontro com MdM despertou o sentimento que ela havia feito dormir dentro dela.
Música: Leve Desespero – Jota Quest
