Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens pertencem à Masami Kurumada.
Doce Vampira
Capítulo 4:
Itália
Duas semanas depois.
Máscara estava arrumando as malas para passar um mês na Itália, na casa de sua mãe, já que o aniversário dela estava próximo, uma prima sua ia casar e já há algum tempo não via a família, que havia combinado um jantar na varanda da casa na fazenda da família que a gerações tinha uma vinha. Tinha saudades. Mesmo sendo meio perverso, sentia saudade da família, e ele tinha a quem puxar a perversidade, já que a mãe nem o resto da família não era do time dos santos. Enquanto esperava o tempo passar, foi dar uma volta por Rodório, pensando na comida que sua mãe fazia. Será que ela ainda fazia aquelas comidas picantes que ele tanto gostava?
E foi assim, perdido em pensamentos, que foi surpreendido por Vandria, que vinha correndo, muito assustada, parecia fugir de algo. Por estar a uma velocidade considerável e não prestar atenção no caminho, atropelou, literalmente, o canceriano, levando os dois para o chão.
Vandria: M... Máscara? – murmurou, levantando-se rápido, olhando para todos os lados.
Máscara: Eu. Pensei que tinha dito que não poderíamos mais nos ver... – falou com sarcasmo.
Vandria: Não tenho tempo para discutir isso agora. Preciso ir logo. Meu marido não pode me achar, senão, estarei condenada. – falou séria, procurando um lugar onde pudesse se esconder.
O canceriano puxou Vandria para um beco. No instante em que entraram lá, um homem um homem alto, com cabelos negros cuidadosamente arrumados de forma sedutora, olhos azul-marinho, usando um terno da Ermenegildo Zegna preto risca de giz branca, com uma camisa branca da mesma marca, gravata azul escuro com listras diagonais para a esquerda pretas Salvatore Ferragamo e sapatos da Gianni Versace pretos e um cinto preto também da Gianni Versace, muito elegante, passou, bufando de raiva. Parecia procurar alguém.
Homem: Vandria, não importa o quanto se esconde, eu vou achá-la e você vai cumprir o que eu quero!
Quando o homem passou, Vandria desabou sobre as próprias pernas. Se não fosse por Máscara, seu marido teria encontrado-a e coitada dela, não sobraria nem farelo pra contar história.
Máscara ajoelhou-se ao seu lado e colocou uma das mãos no ombro de Vandria, que agora deixava várias lágrimas descerem pelo rosto, manchando a maquiagem impecável que ela usava. Agora sabia o porque de não poderem mais se ver.
Máscara: O que aconteceu, Vandria? – perguntou preocupado.
Vandria: Nem eu sei direito. De repente ele veio com a idéia de irmos para o Egito, mas eu não posso ir pra lá. Fui uma vez, e conheci pessoas que me avisaram para tomar cuidado com o meu mundo. Não tomei cuidado, e não quero passar tamanha vergonha. Mas se eu não tomar cuidado, ele vai me achar. – falou deixando que lágrimas de sangue banhassem o rosto. O italiano não compreendeu tais lágrimas.
Máscara: Lágrimas de sangue...? – falou surpreso, tocando o rosto da inglesa.
Vandria só reparou que chorava ao sentir Máscara tocar seu rosto. Apenas chorou mais ainda ao perceber que pela segunda vez ele descobrira o seu segredo, pela segunda vez descobrira que ela era uma vampira.
Depois de algumas horas de viagem, desembarcaram no aeroporto de Roma. Um carro preto os esperava.
Um homem vestindo uma calça preta e uma camisa social branca aberta até a metade, de cabelos negros e rebeldes e olhos da mesma cor acenou freneticamente para Máscara.
Máscara: Não acredito. – murmurou. Não podia ser ele. Tinha certeza que ele o odiava desde acontecimentos antigos.
Vandria: Quem é, Máscara? – perguntou não gostando do rosto do rapaz.
Máscara: É o meu primo Zoílo (N/A: nome grego, invejoso, murmurador). Pensei que ele seria à última pessoa à vir me buscar.
Zoílo: E aí, Boneli? – perguntou cumprimentando o primo.
Máscara: Quantas vezes tenho que falar que odeio que me chamem assim? – falou com uma gotinha escorrendo pela fronte.
Zoílo: Sei lá, mas eu prefiro Boneli à Máscara da Morte. E você sabe por que...
O primo do cavaleiro fez sinal para entrarem no carro, sentando-se ao banco do motorista.
Zoílo: E quem é essa gata aí, Boneli? Sua namorada?
Vandria fingiu não ouvir, passando a olhar a rua pela janela.
MdM: Ela é a Vandria, e ela não é a minha namorada... – falou ficando um pouco vermelho.
Zoílo olhou maliciosamente para Vandria no banco de trás através do retrovisor do carro, mas teve um olhar perfurante como resposta. Imediatamente, soube que se tratava dela.
Durante o caminho, não falaram muito, enquanto Vandria apenas observava as ruas de Roma.
Saíram de Roma. A casa da família do canceriano era na Toscana, lugar principal onde eram feitos os vinhos italianos. A inglesa viu fazendas muito grandes e pastos verdejantes no percurso, e vinhedos a perder de vista. Depois de algum tempo, chegaram à casa da família Caputo, uma família que produzia um dos melhores vinhos da Itália há gerações. A casa parecia ter sido construída no estilo barroco. As paredes eram pintadas de vermelho. Em preto, as decorações no geral. Colunas nos batentes das janelas e na porta de entrada. A escada de entrada era cinza com corrimão negro e ricamente decorado e dava para a varanda, larga e longa, com grades de proteção no mesmo estilo do corrimão. O jardim era vasto e cheio de plantas e flores e algumas árvores, cujas flores e folhas caíam quando o vento batia.
Desceram do carro. Na varanda, havia uma mesa que estava sendo arrumada para o jantar, provavelmente. Uma mulher de cabelos azul marinho e olhos cinzas os esperavam na porta, com um avental branco e uma colher de pau nas mãos. Apesar de parecer ter trinta anos, tinha quarenta e pouco, pelo que Máscara disse.
Máscara: Mãe!
Elisabeta: Boneli, até que enfim veio ver sua velha mãe!
Máscara: Não posso falar nada em minha defesa. Cadê o pai?
Elisabeta: Foi buscar o vinho dos Caputo, ué! E por quê não me avisou que ia trazer sua namorada? – falou com um olhar indagador, analisando a vampira.
Máscara e Vandria coraram com o comentário da senhora.
MdM: Mãe, ela não é minha namorada, é minha amiga! O nome dela é Vandria! – falou irritado com a mãe. Era sempre desse jeito.
Elisabeta: Então, hoje você vai dormir no chão e a Vandria na sua cama, já que não sabíamos que você ia trazer mais uma pessoa e não preparamos um quarto pra ela. – falou com pensamentos nada inocentes rodando pela cabeça. Conhecia o filho o suficiente para saber que ele não resistia à um rostinho bonito, por mais que falasse que eram apenas amigos. - Bom, já que já foi decidido, vá arrumar suas coisas e Boneli, mostre a casa pra ela! E não demore, logo seus tios e primos chegam das compras! - Disse enquanto ia para a cozinha.
Máscara mostrou a casa para Vandria. A casa era muito bonita. O piso era antigo, mas muito bem conservado, e o mesmo ocorria com as paredes. O piso era de mármore negro. As paredes vermelhas eram decoradas no alto em negro como se pequenas estátuas tivessem sido esculpidas.
Quando desceram, o resto da família Caputo havia chegado. O canceriano apresentou Vandria à todos, e depois está foi para a cozinha, ajudar a mãe do italiano e deixá-lo conversar com o resto da família.
Ao chegar na cozinha, as tias e algumas primas de MdM estavam lá, conversando e ajudando. Elisabeta imediatamente apresentou Vandria às mulheres da família. Vandria não foi com a cara de Galli, uma das primas de Máscara. Mas logo foi considerada da família pelas outras.
Elisabeta: Me diga, e seja sincera, pois você tem cara de fila de família que te mimou, você sabe cozinhar?
Vandria: Claro que sei, apesar de minha mãe sempre ter sido contra! Ela sempre achou que filha de família foi feita pra casar, ter filho e ficar fazendo bordado e tricô e deixar o resto para os empregados, mas nunca concordei com esse pensamento... – falou suspirando ao lembrar de sua mãe.
Elisabeta: Então, mãos à obra! Ah, sim, essa família gosta de comidas picantes, então, sem medo de exagerar na pimenta! – falou sorrindo de forma perversa, arrancando risos de praticamente todas as mulheres.
Enquanto ela e o resto das mulheres cozinhavam e conversavam, os homens conversavam na sala sobre carros, sobre o vinhedo. sobre vinhos, champanhe, dentre outras coisas mais.
Quando estava tudo pronto e elas preparavam-se para começar a levar a comida para uma mesa montada na varanda, ouviram o pai de MdM, Caruso, gritar da sala.
Caruso: Como é que é?! Esse jantar sai ou não sai?!
Elisabeta: Vão se ajeitar na mesa que já estamos levando a comida!!
Os homens saíram da sala e cada um sentou em lugar da mesa na varanda. Não muito tempo depois, as mulheres começaram a servir as muitas comidas, a maioria, picantes, e Máscara admitia, pareciam estar melhores do que nunca.
Quando as mulheres sentaram-se em seus lugares, todos atacaram a comida, estavam famintos.
Máscara: A comida hoje está excelente! – elogiou com um sorriso do tamanho da lua.
Vandria comia a comida, sempre se segurando para não soltar fogo pelas ventas. Havia exagerado um pouco na pimenta, mas Máscara e o resto da família pareceram não notar. Elisabeta havia lhe dito que comidas cheias de pimenta eram com aquela família mesmo.
Ficou apenas observando a felicidade de quem tanto amava enquanto conversava com a família sobre a vida no Santuário. Estava tão distraída que nem percebera dois pares de olhos sobre ela. Um mostrava malícia, e o outro, mostrava ciúmes e raiva profunda.
Uma das tias de Máscara perguntou-lhe como conheceu Vandria. Todos ficaram em silêncio e olharam para Máscara. Este olhou para Vandria. Percebeu que os olhos dela suplicavam que ele inventasse uma história, menos a verdadeira.
Máscara: Bem... Eu tava bebendo no bar, ela sentou do meu lado, começamos a conversar e nos tornamos bons amigos!
Zoílo: Meu Deus, você continua um bêbado, Boneli! – disse batendo com a mão na testa.
Máscara: Nem vem que a cerveja de todo dia ninguém recusa! – falou com um olhar fusilador.
Caruso: Por Deus, você troca o bom vinho da nossa família por uma cerveja mal feita?! Com licença, melhor pegar as garrafas que eu separei pra hoje pra você ver o que é bebida de verdade!
O pai de Máscara levantou-se, junto com um dos irmãos, e entraram na casa novamente. Voltaram pouco tempo depois, cada um com duas garrafas de vinho.
Máscara: Meu Deus! Não acredito que você pegou essas garrafas, pai!
Vandria olhou as garrafas de vinho. Eram de uma autêntica safra de 48.
Máscara: Pai, essa foi a melhor safra que ouve na vinha Caputo até hoje! Não acredito que pegou as quatro últimas garrafas! – disse analisando a garrafa, querendo certificar-se de que eram autênticas.
Caruso: Hoje que a família toda está aqui e que você trouxe uma bela amiga, é um ótimo motivo pra bebermos dessa safra! Sem contar que a sua irmã Gabriella vai se casar no final de semana! – disse começando à encher as taças.
Gabriella: Não me diga que esqueceu, Máscara? – falou chorosa. Os cabelos azul-marinho e cacheados iam até os ombros, os olhos negros arroxeados encantavam e a pele morena apenas à deixavam mais parecidas com o canceriano.
Máscara: Não, eu não esqueci, maninha! E você é a única pessoa presente que continua me chamando assim!
Gabriella: O que queria? Eu gosto! – falou eloqüente.
Caruso: Por favor, vamos apenas brindar a Gabriella e ao noivo Piseli por enquanto! – disse erguendo a taça.
Todos o imitaram e brindaram. Vandria achou que o vinho tinha gosto inebriante, e tinha certeza que se estivesse sozinha com MdM, teria agarrado-o naquele momento, porque o vinho havia feito a sua sanidade sumir, mas conseguiu controlar-se.
Vandria: Gabriella, como surgiu esse apelido do Boneli?
Toda a família parou por um instante. Pareciam ter perdido-se em seus próprios pensamentos.
Gabriella: Bom... – começou, e por estar sentada ao lado da inglesa fez sinal para esta aproximar-se e começou a sussurrar-lhe. – Quando o máscara tinha uns seis anos e o Zoílo sete, toda a família foi para Roma, num jantar que um amigo da família deu. Quem dirigia o carro em que o Máscara estava, o pai do Zoílo, tinha exagerado na bebida. Perdeu o controle do carro e este bateu e capotou várias vezes. Os pais do Zoílo podiam ter saído com o filho e deixado o Máscara para trás, já que ele tinha batido a cabeça e estava preso ao cinto. Zoílo saiu, e os dois voltaram para tirar o Máscara. Só que não saíram à tempo do carro, e protegeram o Máscara com seus corpos quando o carro explodiu. – falou com tristeza. Vandria entendeu então porque a família ficara em silêncio tão de repente. E tal silêncio queria perdurar.
Elisabeta: O que passou, passou. Voltemos à comer e esqueçamos assunto tão desagradável. – falou acabando com aquele silêncio tão incômodo. As pessoas voltaram a comer e a conversar, porém, era possível perceber que o clima ainda estava pesado.
O cavaleiro, disfarçadamente, olhava para Vandria, cada contorno do rosto bem esculpido, cada fio de cabelo parecia perfeito caindo sobre a face e sobre os ombros. As mãos maneavam com tanta delicadeza a taça de vinho, mãos com dedos finos e longos... Era perfeita, completamente perfeita, a única coisa que vinha a cabeça de Máscara quando olhava para Vandria. Observava atentamente cada gesto que Vandria fazia. Observava aqueles olhos tão lindos, tão cheios de vida.
Continuou conversando animadamente com a família, mas ainda percebeu que seu primo Zoílo olhava Vandria com malícia nos olhos, e Galli, olhando-a com ciúmes e raiva. Tinha vontade de esganar Zoílo caso o primo encostasse em Vandria, e não excitaria em mandar a prima pro outro mundo se esta sequer desconfiasse da verdade. Sabia que a prima, desde que eram pequenos, era apaixonada por ele.
Depois de um bom tempo, depois da meia noite, todos se despediram e cada um foi para o seu quarto, e aqueles que não moravam na casa principal, foram para ás suas, enquanto que o canceriano e a inglesa subiram para o quarto.
