Residência Zerbini, Itália
Vandria estava ajudando Elisabeta e Galli a servirem o almoço. Logo, estavam sentadas junto aos demais Zerbini, comendo e conversando animadamente.
Ao longe, em frente à cerca, a mesma Ferrari Modena vermelha do dia anterior. Aiken e um dos bispos do Vaticano desceram do carro e andaram até a casa.
Elisabeta: O que o bispo e aquele homem estão fazendo aqui? – falou séria, levantando da mesa e andando de encontro aos homens.
Vandria olhou para trás, de costas, não pôde ver de quem se tratava, e levou uma das mãos à boca ao ver de quem se tratava. Aiken havia voltado, e seus sentidos de vampira haviam enlouquecido ao vê-lo. Ele não viera com boas intenções tinha certeza disso, mas o que um bispo fazia com ele? Tinha certeza de que já vira o rosto daquele homem em algum lugar, mas onde? Não importava agora, a família de Mascara corria perigo, ela tinha que levar Aiken para longe dali. Olhou para Mascara, com um olhar desolado. Sabia que ele iria discordar, mas era necessário. Ela preferia viver longe dele à condenar a sua família e arrancar-lhe pessoas tão maravilhosas. Levantou-se e começou a andar na direção de Elisabeta.
Mascara, ao ver o olhar de Vandria enlouqueceu por dentro. Não permitiria que ela fosse embora, não agora que haviam se acertado. E ao vê-la levantar-se e começar a andar na direção de sua mãe, mandou as favas o lugar onde estavam e pulou por cima da mesa e correu, parando na frente de Vandria.
Mascara: Você NÃO VAI! – falou autoritário. Vandria franziu o cenho com o jeito de Mascara.
Vandria: Não posso condenar sua família por que não consigo enfrentar meu marido! Eu vou para salvar sua família, Achille! Foi um erro meu envolver você e sua família nos meus assuntos! – respondeu com raiva fingida, desviando de Mascara e continuando seu caminho.
Mascara ficou estático por um momento. A forma como ela falara o chocara e muito. Mas recobrou seus movimentos a tempo de segurá-la pelo pulso.
Mascara: Vandria, deixa de ser egoísta! Você NÃO VAI e vamos enfrentá-lo juntos! – falou confiante.
Vandria não falou nada, apenas observou o olhar confiante de Mascara, desviando o olhar em seguida, escondendo o rosto com o cabelo.
Vandria: Eu tenho meus demônios, você sabe bem disso, Mascara... Evito ao máximo matar, mas em noites de lua cheia a sede é insuportável e eu fico fora de mim... Eu me pergunto se você está preparado para deter esses meus demônios quando necessário, mesmo que lhe seja necessário usar seu poder de cavaleiro de Ouro... – falou friamente, com um olhar vazio a observar o chão.
O canceriano nada disse. Não pensara nessas coisas, apenas a queria ao seu lado, para o que der e viesse. A fez olhar para ele, fitando-a nos olhos.
Mascara: Eu vou deter os seus demônios quando for necessário, Vandria! Mas não vou te deixar sozinha! – falou imperando confiança na voz.
Vandria o olhou e sorriu com os lábios.
Os demais da família de Mascara olhavam os dois sem entender, e julgando prudente, entraram para a casa, porém, dois resolveram ficar...
Elisabeta, após chegar até Aiken e o bispo, parecia bem irritada.
Elisabeta: O que gostaria, Sr. Aiken? Já lhe disse que não vi sua irmã mais nova. E bispo Perpétuo, o que aconteceu? – foi um pouco mais amável com o bispo, mas ainda estava irritada por aparecerem em hora tão inoportuna.
Aiken: Pensa-se que me enganou, Sra. Zerbini, está enganada. Minha irmã está aqui sim. – falou com um sorriso sádico nos lábios.
Perpétuo: Nada, querida Sra. Zerbini. Mas eu precisava vir. – falou o bispo, com um sorriso amável nos lábios, escondendo sua verdadeira identidade e intenções.
Elisabeta estranhou o comportamento do bispo. Aliás, ele realmente seria um bispo? Dúvidas começavam a pairar sobre sua cabeça...
Aiken deixou a varinha escorregar pela manga do terno e segurou firmemente com as mãos. Vandria, que ia a direção deles acompanhada de Mascara, ao ver a varinha na mão de Aiken, empurrou o canceriano para trás e correu para frente de Elisabeta, empunhando a varinha escondida na faixa amarrada na cintura.
Aiken: Está atenta, querida... Eu sempre soube que você era talentosa... – falou cínico.
Vandria: Sra. Zerbini vá e diga para Galli e Zoílo para entrarem em casa e fique com eles. Não vou colocá-los em risco. – falou séria, com a varinha preparada para atacar ou defender. – e Você, Aiken? Por que envolve meu tio nisso? – falou indicando o bispo com um movimento de cabeça. Havia lembrado-se onde já vira aquele rosto, e, além de Aiken, a única pessoa que conseguira despertar tamanho ódio, era aquele seu tio.
Aiken: Ele não é o seu tio, Vandria... Ele é um bispo! – falou suando frio e preocupado. Mesmo com as vestes de um bispo, Vandria o reconhecera.
Vandria: Não tente me enganar, Aiken! Meu tio sempre viveu infiltrado no Vaticano! Pensas que eu não sei ou não sabia? – falou irritada, trincando os dentes.
Aiken preocupou-se e franziu o cenho, era mal ela saber sobre aquilo. O plano teria que ser mudado imediatamente.
Santuário de Athena, Grécia
Áries
O ariano, após jantar, ajudara Amy com a louça, mesmo sob os protestos desta.
Amy: Você treinou duro o dia inteiro, praticamente! Me deixa cuidar da louça! – falou irritada, quase gritando.
Mu: Eu não posso simplesmente deitar e levantar as pernas e deixar você só cuidar da casa sozinha! – falou irritado com a rebeldia de Amy.
Amy: Você não vai mudar de idéia? – perguntou arriscando, quase desistindo de fazê-lo ir dormir um pouco.
Mu: Não! – falou confiante.
Amy: AH! Desisto! Nada faz você mudar de idéia! – falou desistindo de tentar convencer o ariano.
Kiki se divertia com as discussões dos dois, sorrindo divertido. Amy conseguia a proeza de irritar Mu. Poucos além dele, Kiki, conseguiam isso. Na verdade, achava que só ele e agora, Amy, eram capazes disso.
Ao terminarem de lavar e guardar a louça, Mu disse para Kiki ir dormir. O garoto foi sob protestos. Queria saber o que se desenrolaria.
Escorpião
Milo, ao entrar em seu quarto, soltou um grito ao ver que seu quarto não era mais o mesmo. Na cozinha, Lurye deu um sorriso de vitória.
Lurye: Ele já viu. – murmurou com um sorriso maléfico no rosto, como uma garota levada faz antes de aprontar. – Parte B do plano iniciada.
Milo andou rápido até a cozinha, ainda com a toalha enrolada na cintura (N/A: Tenshi babando). Ficara tão irritado que nem se lembrara de colocar sequer uma calça. Entrou na cozinha e podia-se ver claramente várias veias latejando na testa do escorpiano, enquanto os punhos se fechavam com raiva. Andou até Lurye.
Milo: Onde estão minhas revistas e pôsteres da PlayBoy? – falou pausadamente, muito irritado.
Lurye: Queimei. Estavam poluindo o Santuário de Athena. – falou despreocupada.
Milo: Aquelas coisas eram raridades! – falou quase gritando irritado. – Por que fez isso? – perguntou, segurando-a pelos ombros.
Lurye: Já disse, estavam poluindo o Santuário de Athena. – falou, soltando os ombros das mãos de Milo com um tapa.
Milo: Esse não é o verdadeiro motivo. – falou sério, observando o olhar da jovem. – Foi por que quando namoramos, eu mandei pra doação a sua coleção de livros da Agatha Christie e de Artur Conan Doyle? – falou sério forçando a inglesa a olhar-lhe nos olhos.
Lurye: Até hoje não consegui recuperar todos os livros. – falou com tom magoado, desviando o olhar, desligando o fogo do fogão e saindo da cozinha. Milo foi atrás dela e parou-a.
Milo: Ainda guarda ressentimentos, eu já te pedi desculpa por aquilo umas mil vezes! – falou fitando-a nos olhos.
Lurye: Não, não guardo ressentimentos daquilo. O que me irrita é que você nunca admitiu que me traiu durante seu treinamento, enquanto eu estava na Inglaterra e você na ilha de Milos. – falou com um tom cortante, que entristeceu o cavaleiro, mas Milo não demonstrou.
O escorpiano começou a puxar a inglesa pelo corredor.
Lurye: Ei! Pra onde tá me levando? – perguntou brava, tentando, inutilmente, soltar-se nas mãos de Milo.
Milo: Pro meu quarto. Vou fazer algo que devia ter feito assim que você chegou. – falou frio, entrando no quarto e jogando Lurye para dentro, trancando a porta.
