Doce Vampira
Capítulo 11:
A verdadeira identidade, o verdadeiro motivo.
Residência Caputo, ItáliaPreparada para atacar, Vandria fitava Aiken. Este, acreditava que venceria a vampira com facilidade. Porém, mal sabia que sua sentença de morte já estava assinalada. A inglesa não deixaria barato tudo que lhe fizera passar.
Aiken empunhou sua varinha. Acreditava que a convenceria facilmente à voltar, pelo bem de seu amado italiano, porém, o fato de reconhecer o "bispo" não era bom. Era essencial que ela não o reconhecesse.
De repente, viu Zoílo e Galli virem em sua direção. O rosto, antes tão tenso, abriu um maléfico sorriso, com um olhar avermelhado.
Vandria sentiu que suas pernas desejavam recuar diante da expressão tão maléfica de Aiken. Fora àquela expressão que vira no dia de seu casamento.
Máscara colocou-se ao seu lado e segurou-lhe a mão livre com carinho, demonstrando que estava ali para protegê-la. Sentindo suas forças renovadas, começou a pensar qual seria o melhor feitiço para combater Aiken, porém, viu que Máscara soltara sua mão e colocara-se entre ela e Aiken.
Vandria: Máscara...? O que vai fazer? – perguntou sentindo-se desnorteada. Ele não pretendia enfrentar Aiken numa luta, pretendia?
Máscara: Lute comigo, Aiken. Não numa luta de feitiços, mas numa luta de força. – falou convicto, barrando Vandria quando esta se desesperou e quis impedir aquela louca luta, mas foi impedida por um feitiço do "bispo".
Aiken abaixou a varinha. Deu um meio sorriso cínico com o canto dos lábios.
Aiken: Se assim deseja... – falou tirando o paletó do terno e deixando jogado no chão, juntamente com a camisa, preparando-se para lutar. Tinha o corpo bem trabalhado para lutas, via-se músculos definidos. Estranhamente, começou a emanar um cosmo negro.
O cavaleiro de Ouro estranhou. Ele possuía cosmo? Como seriam suas habilidades de batalha? Mil perguntas giraram em sua cabeça, mas por precaução decidiu que era melhor se preparar para usar golpes fortes se necessário.
Vandria sentiu o coração bater mais rápido. Suor frio escorria de seu rosto. A pele já branca empalidecera mais ainda. Sentia o sangue entrar em ponto de ebulição. Os olhos estavam arregalados. Não sabia o que fazer para impedir tamanha loucura.
Aiken concentrou o cosmo. Como por magia, uma criatura com corpo de homem e cabeça de chacal negro formou-se as costas do bruxo.
Aiken: Anet hrak netri Anpu! (N/A: Traduzindo do egípcio: Homenagem à ti divino Anúbis) – falou e os olhos brilharam negros. Correu na direção do italiano, preparando ambos os punhos. – Chacal do Deserto! – gritou, com as garras das mãos crescendo.
Uma luz invadiu o local. Máscara preparara-se para defender-se do ataque, porém, este nunca veio. A luz invadira seus olhos com intensidade tremenda e não lhe permitia enxergar o que quer que fosse. Quando a luz dissipou-se. Viu Aiken com as garras à apenas dois milímetros de seu corpo cada uma. Aiken estava paralisado. Atrás deste, o bispo estava caído no chão, desacordado. Atrás deste, um homem de pele escura, como um cadáver embalsamado. Os olhos vermelhos. Os cabelos batiam na cintura. A pele mostrava um rapaz jovem, de aparência sedutora. Alto. Usava túnica branca com colar de faiança (N/A: Não me perguntem, também não sei definir o que vem a ser faiança) azul, com braceletes de ouro e ametistas.
Vandria: Você... Usou-se do meu tio... – falou com um fio de voz, nada mais conseguindo sair. – Anúbis... Gaia me avisou sobre você... – falou pausadamente. Era ele quem tanto lhe queria. Mas por que?
Máscara surpreendeu-se com o que Vandria falara. Anúbis? Anúbis, o deus egípcio do funeral, das necrópoles (N/A: Cidades cemitério) e do mundo dos mortos? Mas... O que desejava ali?
Anúbis: Gaia sempre foi uma dedo-duro... – falou irritado. – Detestava que contassem seus planos, mas ama até hoje espalhar os planos dos outros... – disse erguendo a mão, fazendo uma lança aparecer. – Amenófis, dei-lhe ordem para não atacar à menos que eu ordenasse. Se Set descobre, você perde seu posto. – falou irritado, fazendo com que o recém-descoberto egípcio pudesse voltar a mexer-se.
Vandria colocou-se na frente de Máscara.
Vandria: Anúbis, você me quer por que sou uma vampira? – falou ferina, semicerrando os olhos verde-brusco.
Anúbis: Vampiros são criaturas interessantes, menos frágeis que humanos e, no entanto, mais dependentes. Mas você não. Você precisa de sangue em raras ocasiões. Não se fere à luz do sol e todas as outras coisas são como pequenas formigas, não lhe atingem significativamente. – falou sorrindo de forma maléfica. – Mas não pense que sou mau só porque te desejo. Eu não quero destruir o mundo ou matar Athena, sua guardiã. Se eu quisesse matar o mundo, seria bem mais fácil matar Gaia, assim, a vida em toda a terra deixaria de existir. – falou balançando a cabeça e as mãos displicentemente.
Vandria: Mas por que, então, fez Aiken – ou Amenófis – se casar comigo? Era mais fácil você assumir um corpo humano e fazê-lo você mesmo. – falou estranhando.
Anúbis: Porque para que você vá morar comigo no mundo dos mortos é necessário que você seja sacrificada em meu nome, porém, eu jamais conseguiria fazê-lo. – falou cruzando os braços. – Eu nunca quis te obrigar a ficar ao meu lado, mas esse idiota quer agradar demais e esquece que humanos tem o dom do livre arbítrio! – falou irritado, dando um cascudo na cabeça do egípcio.
Amenófis: Perdoe-me, divino Anúbis! – pediu com o olhar baixo.
Anúbis: Esqueça, é típico de humanos errar, e em alguns deuses também... – falou balançando a mão.
Galli e Zoílo andavam na direção dos dois.
Galli: Anúbis... Estou diante do filho de Osíris e Néftis... – murmurou, admirada com a beleza do deus, tão exótica.
Anúbis: Títulos e nada mais, jovenzinha. Apenas títulos que com sorte permanecem nas paredes dos templos egípcios e nas memórias dos sábios que um dia conhecerão o mundo dos mortos em que crêem. – falou com um sorriso encantador. – Espero que Alhambra, encarnação de Cleópatra, não demore muito, temos que voltar logo para nosso leito no Amêntes... – falou com uma veia pulsando na testa.
Vandria: Minha irmã... É a encarnação de uma rainha egípcia, porém, de descendência grega? – falou surpresa.
Anúbis: Por que acha que ela gosta tanto de visitar o Egito? – falou com um sorriso sarcástico. – Amenófis, enquanto esperamos Cleópatra, leve Pérpetuo ao Vaticano. Precisamos continuar a ser informados de como a Igreja Católica está. – disse o deus, sentando-se na grama.
