.Anônimos.

Capítulo 1. Namoro

A concentração parecia ser algo impossível. Toda hora alguém entrava na livraria, querendo comprar algum livro. Eu estava meio enjoada daquilo. Aliais, eu queria ir embora. Sendo que eu sempre gostei do meu trabalho.

Até que aconteceu algo bem incomum na minha vida (até o momento idiota e monótona). Eu fui pedida em namoro por um estranho, no meio da rua. Nos despedimos, eu cheguei ao trabalho a beira do desespero, do nervosismo...

E ele me ligou no mesmo dia do tal fatídico encontro. A conversa foi tipo assim:

"- Alô? – Eu tinha acabado de sair do banho.

- Sa...kura? – Uma voz grave e altamente sexy pronunciou meu nome. Não... Não podia ser.

- Sim.

- É o Sasuke. – Meu coração começou a pular. Era o meu...! Era o meu... Namorado? "Namorado"? – O de hoje... Seu... Namorado.

Comecei a corar de automático.

- Ah. – Foi o melhor que conseguir dizer. Engoli um bolo na garganta. – Oi.

- Oi. – Ele cumprimentou-me. – Só queria te explicar o que houve hoje... Mas acho que é meio complicado por telefone. Então, me dê o endereço de onde você trabalha que eu passo aí e a gente sai para... Comer alguma coisa... E... Conversar.

Não sabia que minha respiração estava presa até o momento que precisei puxar o ar para meus pulmões.

- Ahn, tudo bem... "

Então passei o endereço do meu trabalho para um "quase-estranho-possível-namorado". Nossa. Que tenso. Enfim, era hoje o dia. E o meu expediente estava chegando ao fim. Normalmente eu e meu pai fechamos a loja juntos, mas pedi hoje para que ele a fechasse sozinho. Dei uma olhada no relógio. Oito minutos.

Uma última mulher acabara de se retirar da loja, e eu já estava dando um suspiro de alívio. Ouvi os sininhos da porta. Fechei meus olhos, segurando-me para não acertar o ser que tinha acabado de entrar. Obriguei-me a me virar em sua direção para sorrir e dizer bem vindo.

Minha cara murchou quando vi quem era. Comecei a corar corar e corar.

- Desculpe moço, já estamos fechando. – Meu pai falou.

- Ah. – Sasuke me viu, e ele pareceu tão sem graça quanto eu. – Eu não...

- Pai. – Balbuciei. – Eu vou sair com ele...

- Ah. – Meu pai disse, como se aquilo fosse completamente normal. Eu nunca tinha saído com um cara, pai. Ele pode ser um tarado, um pedófilo, um tipo de maníaco do parque... – Bom, divirtam-se.

Ele meio que nos enxotou da loja. Sério. Se dependesse do meu pai acho que eu já teria sido estuprada. Já teriam arrancado todos os meus órgãos e eles estariam sendo vendidos em algum lugar na Ásia, ou coisa do tipo.

- Enfim... – Eu disse, levantando minha cabeça para olhar para Sasuke. – Eu... Estava pensando em ir em casa e me trocar. Eu tinha até me esquecido de pensar nisso.

Meu uniforme da loja estava meio suado, meu cabelo deveria estar meio desarrumado... Senti vergonha por ele estar me vendo daquele jeito.

- Bem... Você deveria ter me passado o endereço da sua casa então... – Disse. Não consegui não olhar para a boca dele enquanto ele falava. Pensando que eu a tinha tocado com a minha...

- É... Tem razão. – Ele também fitava minha boca. Percebemos isso, e tanto eu quanto ele coramos. Eu encarei o chão.

- Você não carrega nenhuma roupa na bolsa, ou algo assim? – Sua voz sexy soou acima de mim.

- Ah! – Eu exclamei surpresa com meu esquecimento idiota. – Tem razão. Como sou estúpida.

Ele apenas fez uma cara de compreensão. Entrei na loja correndo, troquei de roupa no banheiro, e quando saí, papai ainda estava fechando o caixa. Agradeci mentalmente por haver uma pia com água, pasta de dente e desodorante no banheiro. Ah, e por eu carregar um pente na bolsa.

Minha roupa não era exatamente para sair. A roupa de Sasuke era bem á vontade, então não me senti mal.

- Vamos...? – Indaguei, olhando para ele e deixando um sorriso escapar. Ele fez que sim com a cabeça.

- Fiquei surpreso. – Ele disse. – Você não gritou para o mundo que era minha namorada ou coisa assim... Ou berrou meu nome, e ficou tentando pegar na minha bunda...

- Você lida com garotas assim? – Tive certeza que a surpresa estava estampada em minha face.

- Todo o dia. – Balançou a cabeça. – O lugar onde nos esbarramos é bem em frente a minha escola. Umas garotas retardadas estavam me perseguindo... E, hum, provavelmente elas te odeiam.

- Mas pelo menos sabem que você "tem dona" – Fiz aspas com os dedos.

- Exatamente. – Caminhávamos lado a lado. Eu não sabia aonde ele iria me levar. – Por isso... Precisava que você "namorasse" comigo. Para afastá-las...

Eu ri baixo, sentindo um gosto amargo na boca. É claro que fora apenas uma mera coincidência... Só porque eu havia esbarrado com ele. Senti vontade de chorar, de sair correndo dali. Mas sua fala me deteve.

- Sei que você deve estar se sentindo usada... – Sim. Estou. Seu grande idiota. – Eu não queria te magoar... Mas... Quando eu estava vindo, só vi você, vindo na minha direção. Tão ágil, tão de bem com a vida, tão linda...

Meu coração parecia ter parado por meio segundo.

- Linda. – Repeti, afetada.

- Isso. – Confirmou. – Eu... Sei lá. Eu me senti atraído por você... Então resolvi tentar... Desculpe. Realmente me desculpe.

- Não... – Eu falei. – Eu... Vou te ajudar.

- Como?

- Eu vou te ajudar. Deve ser um saco ser perseguido e tal. – Não sei como conseguia falar. – Então... Tudo bem.

Eu acho que estava mais surpresa que ele com o que eu havia dito.

- É aqui. – Sua voz me despertou. Um restaurante... – Eu pago. Vamos esclarecer melhor as coisas e jantar, Sakura. Será um prazer lhe conhecer... De novo.

Sorri e peguei a mão que ele estendia para mim. Parecia ser um perfeito cavalheiro.

Entramos dentro do restaurante. O restaurante era um local agradável. Simples, mas bonito. Não era o tipo de lugar que minhas amigas diziam que iam. Elas descreviam o lugar assim: "Muita gente. Muita bebida. Caras pegando na minha bunda. Pessoas seminuas se beijando e em uns amassos muito loucos".

É. Acho que esse restaurante era bem mais agradável do que aquilo.

- Não acha estranho eu estar te trazendo pra um lugar calmo? – Era como se ele pudesse ler meus pensamentos. Nossa, era só o que me faltava, um Edward da vida. Não sei se isso é bom ou ruim. Eu pessoalmente não gosto do Edward. Mas do Sasuke...

Preciso comentar?

- Na verdade... Acho que eu prefiro assim. Minhas amigas falam de lugares que vão como "muita gente, muita bebida, muito beijo, muito agarra-agarra" e coisas do tipo.

- Não curto muito lugares assim. – Ele deu de ombros. – Você curte?

- Bem, pela descrição não gosto muito...

- Você nunca foi a um lugar assim? – Ele perguntou meio surpreso. – Ah, perdão. Estou sendo meio indelicado...

- Não. Prefiro que você seja sincero com o que quer saber. – Sorri enquanto ele movia a cadeira para eu me sentar. Sentei-me e ele deu a volta na mesa e sentou-se na sua, de frente para mim.

- Posso perguntar tudo que quero saber? – Seu tom era de brincadeira, mas senti meu rosto esquentar. Não entendi muito bem o porquê. Sentimentos idiotas.

Ele sorriu suavemente, e eu dei uma risada baixa.

- Não. Nunca fui a danceterias e coisas do tipo. – Falei, dando de ombros. – Acho que sou meio careta.

- Na verdade, acho que você tem muita sorte. Já me arrastaram para uma danceteria. Céus, eu detestei. – Fez uma careta. – Barulho demais, as garotas ficavam se encostando em mim...

- Você é o primeiro garoto que vejo falar isso como uma reclamação. – Peguei o cardápio em cima da mesa.

- Parece que somos ambos caretas. – Pegou o seu cardápio.

- Caseiros. Caseiros. – Murmurei, virando a página para conferir as bebidas.

- Pode ser. – Sorriu ele.

O garçom veio e fiz meu pedido. Coca cola e um espaguete.

- Espaguete? – Sorriu.

- Ahn... Muito caro? – Conferi o preço, corada.

- Não. É que coincidentemente era o que eu ia pedir. – Riu.

Isso me lembra a Dama e o Vagabundo. Mas acho que nesse caso, eu seria o vagabundo. Vagabunda, no caso.

Eu e Sasuke nos enturmamos facilmente. Era como se eu o conhecesse há bastante tempo. Descobrimos realmente muitas coisas em comum. E outras coisas totalmente diferentes.

- Como você pode não gostar de ler? – Eu estava visivelmente surpresa.

- Acho que a escola me traumatizou um pouco. – Fez careta. – Ler muito. Estudar muito. Tenho fobia de livros.

- Ok, não precisa exagerar. – Rimos. – Eu trabalho em uma livraria e você diz que não lê.

- Perdão. Vou me esforçar pra lhe agradar, madame.

Ai, não faz isso que eu gamo ainda mais.

A comida chegou.

Dois espaguetes, e duas cocas normais.

- Um milagre uma garota não pedir coca light ou zero. – Surpreendeu-se.

- O gosto é ruim. Parece remédio.

Olhei para o espaguete e lembrei-me de algo realmente ruim em comer macarrão. Enrolar... Ficam fiapinhos (posso chamar assim?), pedaços, que se dane, de macarrões pendurados... Que sempre escorrem pelo meu queixo. E eu tenho que "sugá-los" fazendo aquele barulhinho totalmente nojento.

Oh, merda.

Sasuke não pareceu perceber isso. Na verdade ele pegou uma faca que estava deixada ao lado de seu prato e foi cortando o macarrão.

É. Eu sou mesmo a vagabunda.

Prendi a respiração e peguei a faca posicionada ao lado do prato. Consegui cortar o macarrão bravamente e milagrosamente.

Quando eu era mais nova, quando minha mãe ainda morava comigo, eu lembro que ela dizia que eu parecia uma pata com os braços abertos cortando a comida. Certa vez eu não consegui cortar um pedaço de frango e ela me deu uma facada na mão. Não doeu tanto. (N/a: Minha mãe fez isso, mas a minha ainda mora comigo o_o... Foi MUITO tenso. Meu pai brigou pra caramba com ela, mas enfim...)

Enrolei o macarrão e o coloquei na boca, sentindo o gosto familiar e delicioso. Ficamos em silêncio por um tempo, apenas apreciando a comida.

- Quer falar das coisas sérias agora? – Ele indagou, enquanto eu estava dando um gole em meu refrigerante. Quase me engasguei. Coloquei um guardanapo na frente da boca e tossi. – Desculpe.

- Tudo bem. – Falei, ainda tossindo. – Coisas sérias. Ok.

- Bem, eu já lhe falei que tem umas garotas loucas me perseguindo e todo aquele papo. – Ele disse. – Sim, elas vão perceber que eu tenho dona. – Deu uma pequena pausa e deu um sorriso rápido pra mim. Altamente sexy. – E, espero que, parem de me perseguir. Pelo menos, acho que elas iriam te respeitar. Por isso que quis começar isso... Sei que parece loucura. Ridículo. Coisa de contos de fadas.

- Sim. – Falei sem perceber, mas ele continuou. Eu me sentia meio magoada com aquilo tudo.

- Mas eu gostaria de tentar... – Ele disse. – Gostar de você. Nunca me senti tão bem com uma garota em toda a minha vida. Sério. Por mais clichê que isso possa parecer. Nunca consegui ter um encontro decente.

Ele disse encontro. E quer tentar gostar de mim. De mim.

- Então... Tá, agora é meio que oficial.

Prendi minha respiração. Meu coração parecia rápido demais, forte demais. As batidas dele ressonavam em meus ouvidos como uma melodia. Passei os dedos por minhas mãos. Suadas. Parecia que haviam se passado anos.

- Você aceita namorar comigo, Sakura?

Bem, é isso aí. oõ

Sem muita coisa a comentar sobre esse capítulo *-* Não me matem por ele ter saído curto T.T, e por eu parar em uma parte como essa.

-Q

- Reviews –

Moorg: AAAH perdoe-me! É que como fui eu que fiz a fanfic, como fui eu que escrevi, eu entendo, e não penso se os meus leitores vão entender... o_o Quer dizer, eu até pensei, mas achei que desse pra entender –Q ç_ç Perdoe-me, vou tentar melhor nesse aspecto.

Neiigh: AAh, que bom que você consegue imaginar a cena, é um dos meus objetivos. Eu sempre escrevo procurando imaginar o local, e realmente ri muito quando a cena passou por minha cabeça. Foi redondamente estranho –s. Deve ser estranho ser pedida em namoro por um estranho. Mas deve ser meio... Tipo, UAU! Não sei expressar em palavras. :*

LihUchiha: ASIAUFJAIFOAUFAS, né? *-* Quem me dera se um Sasuke da vida me pedisse em namoro no meio da rua. Sério, acho que eu desmaiava logo após dizer sim! Obrigadinha *-*

' luh-chan: AAAH, que bom . Eu to tentando de tudo pra continuar os capítulos sem ficar algo repetitivo. Vou tentar colocar experiências da minha vida, como a que você viu nesse capítulo, a parada da faca. O_O E minha mãe não estava bêbada, ok? Imagine se estivesse... Enfim, aaah meu jeito estranho de escrever. Confesso que, na verdade, quando postei o prólogo, eu senti que estava fazendo algo errado, e que estava ruim. Juro que pensei em desistir de escrever TOTALMENTE (Sendo que escrever um livro um dia, é um dos meus sonhos desde pequena), mas li as reviews e fiquei muito comovida. O meu "marido" (-q) leu a fanfic e falou que eu devia continuar, então... *-* Ah, eu também, se falam comigo eu já ergo o relógio. O pessoal fica até surpreso... *-* Beijoos!

Ann Stanson: Eu nem lembro mais como essa idéia passou pela minha cabeça. AAH! Sério, digitando isso eu me lembrei. Foi um sonho que eu tive, que era mais ou menos dessa cena. Então, acabei começando a escrever... Não... Agora não sei se o sonho veio ANTES ou DEPOIS da fanfic, mas enfim... o_o Eu já cheguei a conclusão que teria desmaiado HAHA! *-* Vou ver se pelo menos essa fanfic eu não demoro. Porque teve uma, "O Verdadeiro Significado Do Amor" GaaxSaku que eu postei o prólogo e ficou em HIATUS, porque eu NÃO CONSEGUI imaginar uma continuação. Mas pode relaxar que essa fanfic já tem, pelo menos, até o começo do quarto capítulo!

Jullie Uchiha McCarty: Tenso MEEESMO. AH, eu aceitava [2] o_o TA É DOIDO, um cara lindo, perfeito desses? 3 Ah, um Sasuke na minha vida Ç_Ç Beijooos! 3

LorD: Maaaaaaarido *-* Você por aqui? HJAJIFOASFIHASFUSA. Own, obrigada –q. Riu? Sério? o/ (L)

É, é isso aí. o-o

Maah. Sakura Chinchila

02/09/10.