Capítulo 11. A Visita
Acordei com a cabeça deitada em cima do celular. Eu literalmente tinha dormido embalada pela voz de Sasuke. Olhei a hora no visor do celular.
- Onze e... Trinta e quatro? Que horas que... – Não me deixei completar a frase. Prendi a respiração e coloquei a mão na frente dos olhos, com ódio de mim mesma. – Sempre atrasada, sempre atrasada! – Chutei o lençol para longe e corri para o banheiro. Eu estava no meio do meu banho de 0,3 segundos quando o celular tocou.
Agarrei a toalha e me enrolei na mesma. Corri para meu quarto e atendi o celular.
- Amor! Eu disse que ia te ligar pra te acordar e acabei esquecendo! Desculpa!
Eu deveria ficar brava. Mas aquele amor no começo da frase dispersou qualquer resquício de raiva em mim e eu relaxei imediatamente.
- Tudo bem, eu acabei de acordar também. Eu vou fazer a comida aqui... Acho que as coisas ficam prontas até 12:30. Eu acho. Mas qualquer coisa vocês conversam até a comida estar pronta, sei lá.
- Calma Sakura. Eu estou aqui, qualquer coisa eu vou pra aí agora e te ajudo. Você sabe que estou sempre aqui pra você, não sabe?
Corei de uma forma incrível e automática. Qual é? Ele tinha ficado romântico do nada? Ele estava me deixando sem graça tão frequentemente... Ai, meu deus. Sasuke!
- S-Sei... – Respondi gaguejando. – Err... É... Acho que não vou me planejar tanto...
- Isso mesmo. Vou desligar, preciso tomar banho e chegar logo aí pra tentar te ajudar em alguma coisa. E levarei seu presente.
- Presente? – Perguntei confusa. Presente do quê?
- Está tão nervosa que nem se lembrou disso? Hoje é seu aniversário, saco de batatas.
- Ah. – Falei de repente. – É mesmo...
- Enfim... – Falei. – Tenho que desligar e começar a preparar as coisas.
- Ok. Estarei aí daqui a alguns minutos. Feliz aniversário, amor.
- Obrigada... Amor. – Corei.
Ele deu uma risada suave e desligou o celular. Meu deus, corar por chamá-lo de amor, eu sou uma maldita retardada.
Balancei a cabeça negativamente. Eu não tinha tempo pra pensar.
Coloquei um short jeans e a primeira blusa que encontrei pelo caminho, uma azul que eu devia ter há mais de cinco anos. Fiz um coque em meu cabelo enquanto descia as escadas e corri para a cozinha. Papai, obviamente, já havia saído e ido trabalhar.
Eu não sabia exatamente cozinhar. Bem, eu seguiria as instruções do frango. Se tivesse instruções.
- Eu acho que tem um livro de receitas em algum lugar... – Mas não havia tempo pra procurar. Pedi a todos os deuses e santos que lembrava o nome e abri a gaveta embaixo da pia, torcendo silenciosamente. – Aqui está!
Virei as páginas correndo. Abri o congelador e não o encontrei ali. Eu tinha comprado, com certeza. Olhei para o lado e o frango estava dentro da pia, já descongelado. Ah, obrigada, papai.
- Acho que hoje é meu dia de sorte! – Comemorei. Peguei o som e coloquei o CD que Sasuke havia me dado ali. Comecei a cozinhar e a cantarolar Nightmare, conforme a música começava. – Now your nightmare comes to life!
Lembrei a mim mesma que era melhor não se empolgar, se não em questão de segundos toda a cozinha estaria em chamas, e provavelmente eu estaria dançando e berrando no meio de todo o caos.
O frango já estava no forno e o arroz na panela quando a campainha tocou.
Meu coração batia em um só ritmo: Sasuke, Sasuke, Sasuke, Sasuke, Sasuke, Sasuke.
Meu deus, eu sou mesmo uma idiota.
- Já vou! – Avisei, correndo até a porta e a abrindo. Normalmente em uma cena dessas, sempre a parece a pessoa que você menos quer ver na sua vida, em vez da pessoa que você espera.
Mas hoje era o meu dia de sorte, e assim que abri a porta, meu lindo, sedutor e maravilhoso namorado me abraçou e me tascou um beijo avassalador. Ui.
- Oi. – Ele disse assim que nossos lábios se separaram.
Mordi levemente o lábio, quase que desejando-o. Meu deus, Sakura, controle-se, você é menina de Deus, ungida, santa, pura, pura, pura, pura, put... Pura!
Arregalei os olhos e voltei correndo para a cozinha, lembrando-me da comida. Mas quando voltei tudo estava perfeito. So Far Away tocava loucamente.
- Eu estava pensando no que fazer pra complementar a comida. – Comuniquei, abaixando um pouco o volume da música para que eu e Sasuke pudéssemos conversar normalmente.
- Eu estava pensando que eu te beijo e você corre. Não foi exatamente a reação que eu esperava. – Ele não estava sério, estava brincando.
- Me deixa compensar isso então. - O abracei e tomei seus lábios. Nossa. O que foi isso? Ah, cara. Não, não, não. O que eu estou virando? Ai, meu deus. Mas como é bom isso... Meu deus, eu deveria mesmo ficar discutindo comigo mesma enquanto dou um beijo? Dane-se, dane-se, dane-se. Cara, eu estou virando uma pervertida. Mentira. Pervertidas são piores. Muito piores. Eu sou santa. Eu ainda sou uma santa... A Temari é muito pior que eu, sim. Eu sou uma santa. Eu ainda sou pura.
- Está animada hoje, hum? – Ele levantou as sobrancelhas, e eu desviei o olho e o empurrei de leve.
- Bobo.
- Ei, saco de batatas? – Voltei meu olhar pra ele. – Não esqueça que eu vim aqui pra te ajudar. Teremos visita hoje.
Céus, eu tinha esquecido completamente.
- Claro que eu sei disso. – Falei. – Não esqueci disso nem por um segundo. Não mesmo.
Ele sorriu levemente.
Começamos a fazer os acompanhamentos para o frango. Purê, uma salada. Pouco tempo depois, tudo estava pronto.
- Parece que ela está atrasada. – Sasuke comentou.
- Não foi do meu pai que puxei essa coisa de sempre estar correndo e atrasada. Ela logo, logo estará aqui.
- Você parece mais animada com a chegada dela. Antes você não queria nem mesmo encontrá-la. – Observou.
- Ah... É que você está comigo. Então eu acabo ficando mais á vontade. – Sinceridade sempre!
A face dele ficou levemente surpresa, e depois ele sorriu.
- Sakura, eu... – A campainha tocou nesse exato instante. Ele pareceu frustrado, e eu, obviamente, também tinha ficado. Abri a boca para pedir que ele terminasse a frase.
- Já vai! – Falei quando a campainha continuou soando irritantemente. Depois eu perguntaria o que ele ia dizer naquela hora.
Atendi a porta dando um sorriso forçado. Com um sorriso idêntico ao meu, Haruno Suzuna me abraçou.
- Sakura! Como você cresceu, minha criança! – Ela disse. Os cabelos ruivos brilhantes dela caíam como uma cortina ao lado de sua face. Tudo nela dizia "venha comigo, eu sou um amor! ". Menos seus olhos. Os olhos incrivelmente dela gritavam perigo, como se ela pudesse fatiar qualquer um que entrasse em seu caminho. - E a casa não está tão bagunçada, que milagre!
Ela olhou pela casa, talvez tendo algumas recordações do que ela abandonou.
A face que parecia praticamente suave (com exceção dos olhos negros dela) se fechou de repente.
- Você ainda não deu esse gato, Sakura? – Apertou os olhos para Katze, que permanecia deitado preguiçosamente no sofá, como sempre.
- E nem vou dar. – Falei. – Você não precisa se incomodar com ele. Afinal, a senhora não mora nesta casa.
Um silêncio pairou sobre nós. Sasuke provavelmente estava esperando o momento certo para aparecer.
- Tem razão. – Ela disse, e abriu sua bolsa gigantesca. Mexeu um pouco lá dentro e tirou uma carteira vermelha.
- Desculpe pela minha grosseria com o... – Fez uma pausa, como se estivesse tentando lembrar do nome de meu gato.
- Katze?
- Isso mesmo. – Suspirou, abrindo a carteira. – Não quero que briguemos hoje. Tome, feliz aniversário, Sakura.
Ela depositou uma boa quantia de dinheiro em minha mão.
- Obrigada. – Falei, e ela me deu o segundo abraço do dia.
- Feliz aniversário, Sakura. – Repetiu.
- Obrigada... – Quase a chamei de mãe. Eu não a chamaria assim na frente dela. Ela não havia sido uma mãe pra mim... Ela era minha genitora. Apenas isso.
Ela colocou as mãos na cintura.
- Então, onde está o seu namorado? – Questionou, com os olhos negros procurando pela sala freneticamente.
- Na cozinha... – Falei ao mesmo tempo em que Sasuke aparecia e dizia "aqui".
Ele provavelmente tinha pensado em deixar um tempo para o "reencontro" entre genitora e filha. Não sei se aquilo foi bom ou ruim. O clima parecia estranho. Muito estranho mesmo.
- Muito prazer. – Minha genitora estendeu a mão. Sasuke repetiu as palavras de cumprimento e apertou a mão dela, que estava suspensa no ar.
- Sou Uchiha Sasuke. – Ele disse.
- Ah, sim. Perdoe-me. Sou Haruno Suzuna. Mas acho que você já sabe disso.
Ela não tinha soltado a mão de Sasuke.
- Que mão macia. – Comentou com um toque de reprovação na voz. Mãos macias só queriam dizer uma coisa para ela. Que a pessoa nunca trabalhara, e que era mimada a vida inteira.
Bem, mas isso não tem nada a ver, porque minha mão é macia, e não acho que eu seja mimada. E eu trabalhei grande parte da minha vida. Ou seja... Minha genitora é louca e paranóica.
- Você trabalha?
- Achei que o Sr. Haruno tinha lhe dito. – Sasuke disse, soltando a mão dela. – Eu trabalho na livraria dele, com Sakura.
- Ele deve ter dito algo a respeito. – Ela deu de ombros.
- Enfim, vamos comer? – Sugeri.
- Ah, seria ótimo. – Minha genitora disse. - Eu estou mesmo com fome.
Sasuke já havia colocado as panelas, pratos e talheres na mesa. Minha genitora se serviu e se sentou. Eu e Sasuke nos servimos também.
Minha mãe... Genitora. Certo, é melhor dizer mãe mesmo. Não para ela, claro. Mas ficar pensando nela como genitora é complicado, e me deixa com dor de cabeça. Minha g...Mãe. Ótimo, agora quando falar mãe eu vou acabar me corrigindo. Enfim, dane-se. Minha mãe/genitora ficou fazendo comentários enquanto comíamos.
- E então, a quanto tempo vocês estão juntos? – Fiquei com preguiça de fazer as contas.
- Sei lá, uns dois ou três meses. Acho. – Sasuke respondeu.
- É isso mesmo, Sakura? – Minha mãe/genitora perguntou. – Homens são sempre péssimos com datas.
- Deve ser. – Dei de ombros pegando o copo de refrigerante, pronta para um longo gole.
- Hm... Vocês usam camisinha, certo? – Eu sei que tinha parado com essa coisa de me surpreender, mas acabei quase cuspindo o refrigerante que tinha acabado de colocar na boca. Minha mãe fingiu não perceber e continuou. – Não quero ser avó tão nova.
- Ahn, eu sou virgem, mãe. – Deixei bem claro.
- Sério? – Eu a imaginei dizendo algo como "Que chato. Você é tão careta. Na sua idade eu já tinha dado pra cidade inteira". Sei que isso não é algo próprio para se pensar de uma mãe/genitora, mas eu pensei. Então, que se dane. – Entendi.
- E você, moleque, é virgem? – Nossa, ela o chamou de moleque. Na hora que ela perguntou isso, lembrei do dia do encontro com Ino e Karin quando ele disse ser virgem. Eu ainda não sabia se aquilo era verdade ou se ele só mentiu pra deixar elas ainda mais revoltadas.
- Prefiro não comentar esse tipo de coisa, Sra. Suzuna. – Menos trinta mil pontos por tê-la chamado de senhora. Droga. Espera. Ele fugiu do assunto. O que quer dizer que ele não era virgem... Ou que ele não queria dizer pra ela. Bem, é estranho falar sobre virgindade com sua sogra. Eu acho. Mas se ele não era virgem...
Ele e Hinata tinham transado?
Hinata, com aqueles seios gigantescos e aquele cabelo de uma cor estranha (Tudo bem que meu cabelo é rosa, mas ainda assim...)... Transando com o meu Sasuke? Ok. Passado é só passado, passado é só passado. Meu deus, eu preciso perguntar isso para o Sasuke depois.
- Entendo... – Minha mãe respondeu alguns segundos depois. Ela deveria ter ficado paralisada com o "senhora".
Continuamos comendo. Confesso que foi bem... Desconfortável. Era algo meio estranho estarmos ali comendo, como se eu não odiasse minha mãe e como se ela nunca tivesse abandonado-me.
- Ah sim. – Ela comentou quando pensei que ela finalmente iria calar a boca. – Você disse que seu nome é Uchiha... Alguma coisa. Você faz parte da grande família Uchiha? A que lida com tecnologia e que é uma das maiores do mundo?
Ah, então foi por isso que ela só lembrou do sobrenome dele.
- Sim. – Sasuke respondeu. – Sou o filho mais novo do dono.
Minha mãe/genitora sorriu amavelmente. Que vergonha. Ela estava impressionada simplesmente pelo poder que ele poderia exercer no futuro e coisa assim...
Comecei a me lembrar porque a odiava tanto, e quis expulsá-la dali naquele instante.
- Ele é o meu namorado. Tudo que você precisa saber é isso. – Falei o mais friamente que consegui, e ela dirigiu seu olhar para mim.
- Que modos são esses de falar com sua mãe?
Algo dentro de mim pareceu estourar. Mãe?
- Você não é a minha mãe. - Cuspi.
- Ah, não? Então o que eu seria? – Deu um olhar irônico para mim.
- Nada além de minha genitora. Alguém distante como você não deve ser chamado de mãe.
- Veja seu registro de nascimento e leia o nome "Haruno Suzuna" nele, criança. Você é nova demais pra entender qualquer decisão minha.
- Pra entender algo que você faz, preciso ter um pensamento levemente semelhante ao seu. Mas seus atos são desprezíveis... Prefiro nunca entender. – Balancei a cabeça negativamente. Sasuke continuou comendo, sem querer se intrometer.
- Atos desprezíveis? – Riu levemente. – E você quem está com esse moleque apenas por causa da herança dele.
O garfo de Sasuke bateu no prato.
- Não fale o que a senhora não sabe. – Ele disse. – Por favor.
- Olha quem fala! – Gritei quase falando por cima da frase de Sasuke. – Quem abandonou a família para ficar com o amante? Quem trocou a filha por bolsas de couro? Quem?
Ela apertou os olhos incrivelmente negros para mim.
- Não foi por causa do dinheiro dele. – Ela disse.
- Ah não? Bem, eu também não estou com Sasuke por causa do dinheiro dele. É porque eu o amo. E retire-se da minha casa. Agora.
Ela se levantou da mesa.
- A comida nem estava tão boa mesmo. – Disse infantilmente fitando-me. Ela tinha lágrimas nos olhos. – Um dia você vai acabar entendo o que eu fiz.
Apontei para a sala, onde ficava a entrada da casa. Ela saiu andando, batendo a porta da frente atrás dela.
Sasuke se aproximou de mim, abraçando-me. Mais uma vez deixei minha promessa de lado e comecei a chorar.
.
.
.
... AAAAAAAAAH, não me matem, não me matem, não me matem, por favor. Ç_Ç
Eu tenho uma explicação. Eu vim pra Manaus e fiquei sem internet. Tá, até fevereiro eu não consegui terminar o 11º capítulo. Então eu fiquei baixando animes até não poder mais... Pensei que a internet viria rápido quando voltei pra Manaus (tipo, a gente mudou de casa e tal), mas a mamis não botou internet. MAS ANTES que vocês perguntem, NÃO, eu não estou com internet ainda. To usando internet da casa da minha vizinha pra postar isso (Sim, a vida é cruel). A linda da minha vizinha, Brenda, comprou um roteador, e agora eu posso vir aqui com meu notebook e pegar a internet dela. Obviamente isso não é freqüente, e esse ano entrei em um monte de cursos depois da aula, então é meio foda pra continuar a fanfic. To na segunda página do capítulo 12, e espero conseguir postá-lo em até um mês. Espero mesmo. Senti saudades de vocês, e espero que não me abandonem por causa da demora pra postar. PERDÃO! AAAH, tem outra coisa. Infelizmente terei que quebrar minha promessa de responder as reviews aqui. Se eu for responder todas elas, só vou conseguir postar isso daqui há... 2 meses. APDAFKPASFKA, sério. MAS um dia eu respondo todas, kay?
Enfim, de qualquer forma, estou MEGA agradecida por todas as reviews que vocês mandaram, e elas que, mesmo sem net, me deram forças pra terminar o capítulo 11!
Beijo pra vocês s2
Maah. Sakura Chinchila
09/05/11.
